27 de ago de 2014

Estudante desenvolve dicionário tecnológico em LIBRAS para auxiliar o ensino de pessoas surdas em Salgueiro/PE

  O estudante de Tecnologia de Alimentos do IF-Sertão, de Salgueiro/PE, Cícero Carlos Orlando Vidal, 29, está desenvolvendo um dicionário de termos técnicos na Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, para ser usado por professores no ensino de cursos tecnológicos do campi onde estuda. 


O aluno desenvolve o trabalho orientado por dois professores do curso e a iniciativa e poderá ser aplicada em toda a rede de ensino e pesquisa do país, graças ao apoio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).


Surdo desde o nascimento, ele propôs o projeto a dois professores a partir da própria experiência. “É muito ruim quando o professor não consegue explicar o que significa determinado termo porque não há sinal para isso. Decidi que precisava fazer alguma coisa para mudar essa situação”, ressalta Cícero.


Cícero é o exemplo de resultado positivo da política de inclusão do Programa Nacional de Capacitação da Pessoa com Deficiência, do governo federal, que ajuda a mudar a percepção da instituição sobre as necessidades deste tipo de público a partir da entrada deste público nos cursos técnicos e agora trabalha para tornar mais fácil o caminho dos próximos alunos surdos ou com deficiência auditiva.


O estudante afirma ter incorporado 400 novos sinais ao vocabulário do curso. “Apesar de ser um processo longo, gosto bastante do que faço. Entender as palavras e estudar seu conceito, depois transformar tudo isso em símbolos que ajudam a comunicação de pessoas surdas é muito gratificante”, ressaltou.


A professora de LIBRAS e coordenadora do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napnes) do IF-Sertão, Patrícia Lourenço Barros, disse que o simples fato de mudar uma metodologia de ensino já pode causar estranhamento e resistência em uma instituição, mas o IF-Sertão acolheu e percebeu que poderia quebrar uma barreira atitudinal - quando o desconhecimento provoca a recusa em vez da busca pela solução do atendimento - a partir da participação e empenho dos professores.


“Ele sempre foi um aluno bastante crítico. Aos poucos, começamos a perceber que as mudanças realmente eram necessárias, mesmo diante das barreiras burocráticas. Daí surgiu a estratégia de construir um projeto que transforme a experiência do aluno em algo prático para o nosso cotidiano”.


Cícero será o primeiro membro da sua família a concluir o ensino superior e já tem o interesse em investir na carreira de pesquisador. “De repente, posso seguir carreira na pesquisa e no desenvolvimento de soluções para o ensino e inclusão de pessoas com deficiência”, diz.



Fonte: Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência - SNPD 


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