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25 de nov de 2016

Empresa do ES planeja lançar cão guia robô no país em 2017




Uma empresa capixaba está criando um cão guia robô para auxiliar pessoas cegas que não têm condições de adquirir um animal treinado para ajudá-las no dia a dia. 


A estimativa da companhia é que o equipamento custe até dez vezes menos que um cachorro especializado.


De acordo com a proprietária da empresa, Neide Sellin, a ideia é tornar o cão guia robô mais acessível, já que, segundo ela, um animal treinado chega a custar R$ 50 mil. O equipamento desenvolvido no Espírito Santo custaria até R$ 5 mil.


A solução encontrada pela empresa, o cão guia robô, será usada como um animal, para auxiliar pessoas cegas nos trajetos a pé.


No entanto, o produto criado ainda vai avisar, por meio de uma gravação, que tipo de obstáculo existe a frente, como buracos, postes e poças de água.


De acordo com Neide Sellin, a ideia é que o cão guia robô seja disponibilizado ao mercado já em 2017. A intenção é conseguir financiamento para fabricar mais máquinas.


“Hoje, nós temos uma versão beta que fica com uma pessoa cega que faz os testes e nos dá todos os feedbacks de todas as implementações que estão sendo feitas. Agora, nós estamos captando recursos para desenvolvermos mais dez unidades para deixarmos com outras pessoas”, explicou.


A aposentada Joelva Gomes é quem está testando o protótipo do cão guia robô. Ela conta que está muito satisfeita com o equipamento.





“Eu penso que tem que haver logo uma produção bem grande para que todas as pessoas possam ter. Você pensar que um robô vai poder te dar a liberdade de ir e vir com total segurança é fantástico”, afirmou.


Fila de espera fora do estado


Segundo a empresária Neide Sellin, já existe uma fila de cerca de 400 pessoas de todo o país interessadas em adquirir um cão guia robô. 


A máquina é eletrônica e funciona com bateria que é recarregável, possui cinco rodinhas e uma guia que é segurada pela pessoa com deficiência visual.







3 de nov de 2016

Cães-guia são destaques no Espaço Acessibilidade da FESTURIS 2016





O trade turístico que visitar a edição do Espaço Acessibilidade da FESTURIS 2016, em Gramado, no Rio Grande do Sul, poderá saber mais a respeito do trabalho realizado pelos cães-guia através da Escola Helen Keller.


De 03/11 a 06/11, durante a feira de negócios turísticos, os visitantes poderão conhecer alguns dos filhotes que estão em treinamento além de cães já treinados e entregues gratuitamente pela instituição a pessoas com deficiência visual, como é o caso do cão Rama que vive na cidade de Bento Gonçalves (RS).


“O FESTURIS Gramado traz o Espaço de Acessibilidade como um dos destaques da feira desde o ano de 2012. E, anualmente, trazemos novidades para integrar o público de pessoas com deficiência para destinos turísticos. Percebemos a importância que os países dão à acessibilidade ao turismo e não poderíamos deixar esse nicho de fora. Por isso ficamos muito felizes em ter a presença da Escola de Cães Guias Helen Keller nesta edição uma vez que sabemos a importância do trabalho para auxiliar na independência de pessoas com deficiência visual”, explica a assessora comercial da FESTURIS Gramado Andréa Oliveira.


Nossa missão, além de apresentar a Escola para nosso público é informar sobre a Lei Federal 11.126 que dá autorização ao livre acesso de cães guias a locais de uso coletivo e privado, como em hotéis, restaurantes, entre outros ambiente.


Mesmo em vigor há mais de dez anos ainda é muito comum socializadores, treinadores, instrutores e, até mesmo cegos, acompanhados de cães-guia em treinamento ou já formados serem barrados em estabelecimentos ou sofrerem algum tipo de constrangimento.


A falta de informação pode estar atrelada ao pequeno número de cães que guiam hoje no Brasil. 


Segundo informações não oficiais estima-se que menos de 150 cães realizam este trabalho enquanto a população cega ou com baixa visão chega a mais de 6 milhões


Entre as poucas escolas ou centros de treinamento que fazem este trabalho no país sem fins lucrativos, está a Helen Keller que é responsável pelo treinamento, entrega e acompanhamento de deficientes visuais e cães-guia para a região sul. 


Somente em sua lista de espera estão cadastradas mais de 3 mil pessoas. 





21 de out de 2016

Instituto procura famílias para abrigarem futuros cães-guia





Instituto Magnus, está iniciando um trabalho de adestramento de cães-guia, está cadastrando famílias de Sorocaba e região interessadas em abrigar os filhotes antes do início do treinamento. 


Numa primeira fase do projeto são 32 filhotes, das raças Golden Retriever e Labrador, que buscam um lar temporário, até completarem um ano de vida, quando depois seguirão para receber todos os ensinamentos necessários. 


Após serem capacitados, os cães serão doados a deficientes visuais.


De acordo com George Harrison, especialista do Instituto Magnus, a infraestrutura que abrigará a administração e o canil está sendo construída em Salto de Pirapora para receber os cães em 2017. 


Até lá, conforme forem nascendo e sendo selecionados — de acordo com as características necessárias para a atividade –, os cães ficarão na casa das famílias voluntárias a partir dos dois meses de vida. 


Estas receberão auxílio para compra de ração, medicações e também para promover a educação do animal para o convívio caseiro.


Isso porque o primeiro ano de vida de um futuro cão-guia não é somente de esperar o momento do adestramento, mas de aprender as regras de convivência. 


“Eles devem aprender que chinelos não são brinquedos e que não pode subir na cama, por exemplo”, explica.


Além disso, a família também deve ter disponibilidade para circular com o cão por diversas situações, como atividades de lazer, viagens, no transporte público, por exemplo. Que isso é a parte mais difícil do trabalho,conta George.


“Se está acompanhando o cego, o cão-guia até é bem-vindo. Mas muita gente não entende que o filhote em socialização também precisa entrar nos lugares para aprender”, afirma. 


Nessa missão, a família voluntária contará com o apoio de documentos, que comprovam a situação, e até coletes que identificam os cachorros como cão-guia em treinamento.

 

Linhagem e comportamento

 


George Harrison explica que a escolha dos cachorros que têm perfil para atuar como cães-guia segue uma série de requisitos, que vão desde as características dos pais, genética, até traços de personalidade do filhote, como amabilidade. 


As raças Golden Retriever e Labrador são as mais comumente utilizadas pelo seu temperamento. “São muito inteligentes e dóceis”, diz. 


Além disso, essas raças são muito bem recebidas pelas outras pessoas quando entram nos ambientes. 


“Os primeiros cães-guia que se têm notícia são os pastores alemães. Eles também são aptos, mas passam uma imagem de cão de guarda, que muitas vezes as pessoas não gostam.”


Um dos pontos mais questionados durante a apresentação do projeto, que aconteceu na última terça-feira, num evento da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (Esamc), foi a dificuldade que as famílias podem ter de se desapegar do animal. 



“É como um filho, que cuidamos e ele segue sua vida. Só que com o cão isso acontece num espaço mais curto de tempo. A satisfação dessas pessoas é saber que esses animais irão mudar completamente a vida de um deficiente visual.”


As famílias interessadas em se cadastrar devem enviar uma mensagem para o e-mail contato@institutomagnus.org. Mais informações: (15) 3491-9025.
 
 
 
 
 
 

28 de set de 2016

Cães-guias ajudam casal de cegos a se apaixonar




Verdadeiros anjos na vida de pessoas com deficiência visual, os cães-guias do advogado Genival Santos, 37, e da cientista de dados Katia Antunes, 33, podem ser considerados cupidos.


O casal, que mora em São Paulo, se aproximou, se apaixonou e se casou graças a um outro encontro amoroso, o de seus cães-guias: a labradora com golden retriever Leila, 10, e o labrador caramelo Sam, que vieram juntos, de Michigan, nos EUA, para serem a retomada da “luz dos olhos” dos dois.


“Fomos buscar os cães nos EUA, por meio do Instituto Iris, na mesma época [em 2006]. Durante os treinamentos de comando do cão, de até 12 horas por dia, aproveitava para paquerar a Katia, enquanto o Sam brincava com a Leila”, diz Genival.


Já no Brasil, o casal foi estreitando laços no intuito de “tirar dúvidas” sobre cuidados com os peludos. Acabaram se casando há cinco anos e juntando a cachorrada.


“Brinco que, hoje, os cães são mais ligados que eu e meu marido. Um não larga o outro. A Leila faz o Sam até de travesseiro”, conta Katia, que perdeu totalmente a visão há seis anos. Ela chegou a conhecer visualmente os traços do marido.


Segundo o relato de Genival, é “muito amor envolvido” entre cães e gente.


“Chego mais cedo em casa com a Leila e ela fica aguardando o Sam e a Kátia. Não sei como, mas quando eles estão há uns 500 metros do portão ainda, ela consegue saber que estão se aproximando e fica inquieta.”


A importância dos cães para a dupla é tão grande que até a casa onde moram atualmente foi escolhida para acomodar com conforto a dupla canina. Tem quintal, um quarto só para eles e muito espaço para correria.


Aposentadoria



Juntos, os quatro já foram para Argentina, Portugal, Uruguai e zanzaram de norte a sul do Brasil. Agora, Katia e Genivaldo se preparam para um momento delicado, o de aposentar seus bichos.


“O Sam ainda consegue manter a rotina de trabalho comigo normalmente, mas o ritmo está diminuindo. Ele está mais cansado e em breve terá de parar”, conta a dona.


A cadela Leila também sente as dores do tempo. Até para ser escovada, pela manhã, sente um incômodo na coluna. 


“Eles estão muito acostumados com o contato com gente o tempo todo. Quando aposentarem, teremos de ter uma auxiliar em casa para fazer companhia a eles ou terão de ficar na casa da avó [da sogra]”, afirma o dono.


Mesmo com a chegada dos novos condutores de seus passos, o que ainda não tem data prevista, Katia e Genival não vão abrir mão da antiga dupla de cães e cupidos.


“Fiquei cego aos 17 anos e vivi muitos momentos de revolta. Odiava a minha condição. A Leila veio trazer esperança, nova vida e nova visão, literalmente. É mais do que justo darmos uma velhice digna para nossos cães.”


Nos próximos anos, a cachorrada vai se juntar a um bebê, plano futuro do casal.


“Estamos planejando tudo muito bem. Primeiro, vamos resolver a questão dos novos cães, depois, tentamos um bebê”, diz Katia.


Pelo Censo 2010 do IBGE, o Brasil tem 582.000 pessoas cegas e outras 6,5 milhões com baixa visão. Estimativas não oficiais dão conta que entre 100 e 150 deles têm acesso a um cão-guia, que tem valor de treinamento estimado em até R$ 60 mil.



Foto: Bruno Sanches/Folhapress


 
 
 

18 de ago de 2016

Encontro Nacional de Usuários e Amigos de Cães-guia será na Univali





As mudanças, alegrias e desafios gerados pela convivência com os amigos de quatro patas serão compartilhadas por pessoas com deficiência e famílias socializadoras, no Encontro Nacional de Usuários e Amigos de Cães-guia


O evento será no próximo sábado, dia 27/08, a partir das 9h, no Campus Balneário Camboriú da Universidade do Vale do Itajaí (SC). 


Além da integração, o encontro tem como objetivo sensibilizar as pessoas e provocar discussões para transversalidade das políticas públicas.


De acordo com Felipe Cristiano da Silva, acadêmico do curso de Relações Internacionais da Univali, usuário de cão-guia e um dos organizadores do encontro, a proposta é que o evento se torne anual, cada ano em uma região do Brasil


“O evento nasceu a partir da iniciativa de um grupo de usuários de cães-guia. Nossa expectativa é de reunir cerca de 40 cachorros” afirma. 


Ele alerta que não será permitida a participação de animais de estimação, já que os cães-guia possuem treinamento diferenciado, mas ressalta que é fundamental que a sociedade civil participe.


Uma mesa redonda sobre a importância do trabalho e qualidade do treinamento de cães-guia abrirá a programação de atividades do encontro, às 9h.  


Entre os confirmados para participar das discussões estão: 



  • Carlos Eduardo Rebelo, treinador e instrutor de cães-guia do Instituto Federal Catarinense (IFC – Campus Camboriú);
  • George Thoaz Herrison, treinador, instrutor e fundador do Instituto Cão-Guia Brasil;
  • Fabiano Pereira, treinador da Escola de Cães-Guia Helen Keller, com mediação de Felipe Cristiano e de Mardem Reifison, autor do canal Fotógrafo de Cães.


À tarde, a partir das 14h, haverá um debate sobre a experiência coletiva de usuários de cães-guia, mediado pela jornalista Natália Alcantara. 


Após, Walter Amaro Baldi, professor do curso de Direito da Univali, ministrará uma palestra sobre a conscientização da sociedade em relação à lei 11.126, que garante o acesso de cão-guia a espaços públicos e privados de uso coletivo.


As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no site http://www.univali.br/imprensa/eventos/.


 
Fonte: Revista Incluir






13 de jul de 2016

Nova lei autoriza acesso de cão-guia em locais públicos e privados em Pernambuco



Está autorizada a circulação e permanência de pessoas com deficiência e cães-guia em locais públicos ou privados de uso coletivo


É o que afirma a Lei 15.875, de 7 de julho de 2016, sancionada pelo governador Paulo Câmara e publicada no Diário Oficial de Pernambuco na última sexta-feira (8).

De acordo com a nova norma, esse direito é assegurado em caso de utilização de transporte público, de qualquer tipo. 


Para isso, quem precisa de animal deve ocupar o assento mais amplo e perto das passagens e saídas. Não é necessário colocar a focinheira no animal.


Porém alguns lugares são vetados a permanência de cães-guia


Lugares Vetados:


  • Serviços de saúde;
  • Tratamento específicos de quimioterapia; 

  • Isolamento;
  • Transplante;
  • Unidade de queimados;
  • Unidade de terapia intensiva (UTI);
  • áreas de manipulação de alimentos.

Para entrar no estabelecimento e circular sem problema, o dono deve comprovar o treinamento do animal


A lei determina, entre outras coisas, o porte de um documento com foto da pessoa com deficiência e do cão e o certificado de treinamento contendo o nome do treinador ou do centro do treinamento, bem como o atestado de vacinação em dia. 


É exigido também o uso de coleira e guia, na cor azul, com o nome do treinador ou do centro de treinamento do animal, como dados essenciais, como o número do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).


O dono também tem o direito assegurado a usar um cão de serviço acompanhado pelo seu treinador. Essa é a condição para o ingresso e a circulação de animais ainda em fase de adaptação e socialização. 


Nesses casos específicos de animal ainda em fase de treinamento, os equipamentos devem ser na cor vermelha


O uso é obrigatório para o cão e para o treinador, que deve ter um colete específico.

Por fim, a lei admite o benefício a estrangeiros, desde que seja comprovado o treinamento do animal


Para isso, é preciso traduzir para o português o certificado do animal e os dados do deficiente e do treinador.

 Multa

 

A nova lei prevê multa de R$ 1 mil a R$ 50 mil para o estabelecimento que impedir a entrada de pessoas com deficiência com o cão-guia. 


O mesmo valor será aplicado em caso de proibição da entrada e circulação do treinador do animal. 


Há previsão de cobrança em dobro no caso de reincidência. Os estabelecimentos que cobram ingresso de entrada estão proibidos de exigir pagamento a mais para aceitar o cão ou o treinador.

Laboratório


Desde maio deste ano, a Região Metropolitana do Recife conta com um laboratório de treinamento de cães-guia. 


O espaço é pioneiro e fica no Kennel Club de Pernambuco, no município de Paulista. O objetivo é potencializar o treinamento de animais que ajudam a promover a inclusão social e a mobilidade de pessoas com deficiência visual.


O Laboratório Acessível para Formação de Cão-Guia conta com  


  • Semáforos de veículos e pedestres;
  • Lixeiras;
  • Rampas; 
  • Meio-Fio;
  • Orelhões;
  • Placas Indicativas;
  • Árvores;
  • Calçadas;
  • Piso Tátil, Declives e demais obstáculos que dificultam a mobilidade de cegos em ruas e calçadas. 


Geralmente das raças Golden Retriever ou Labrador Retriever, os cães são selecionados ainda na ninhada através de técnicas de avaliação de comportamento, como em situações de ruídos intensos, por exemplo.

O treinamento, que dura dois anos, começa entre o cão-guia e seu treinador, que o ensina a desviar de obstáculos e obedecer comandos de voz. 


Nos últimos três meses, a pessoa com deficiência visual que receberá o cão participa da formação junto com o animal.


Fontes: G1 / Vida Mais Livre


21 de jun de 2016

Institutos federais oferecem cursos para treinadores de cães-guia





Em áudio publicado pela Central de Mídia, pessoas com deficiência visual falam sobre a importância do cão-guia. 


A matéria também destaca as instituições federais que oferecem cursos e capacitação especializada na formação de treinadores e instrutores, em Santa Catarina.


“O cão-guia acaba sendo a nossa visão, é o nosso referencial. Sendo ele a minha visão, ele vai me oportunizar mais independência, mais autonomia e vai me dar muito mais segurança, inclusive.”

Esta é a professora Olga Solange Herval Souza de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Ela nasceu sem visão, mas foi só depois de adulta que conheceu a experiência de ter um cão-guia.


“É um cão, mas acima de tudo é um ente querido. É uma fonte de socialização. Na verdade, entre o cão e a bengala, ele é realmente um elo entre a pessoa cega com o restante da sociedade. Porque ele fala com os olhos, ele fala com o corpo, eles são ternos, eles são carinhosos.”


Hoje é o Darwin, um Golden Retriever, que lhe auxilia nas atividades cotidianas. Ele foi treinado no Instituto Federal Catarinense (IFC), campus Camboriú – a primeira instituição da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica a implantar um Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-Guia ainda em 2012. 


À época, financiado pelo Ministério da Educação (MEC), o Instituto criou a primeira turma de pós-graduação, em nível de especialização, no país. Olga acompanhou todo o processo.


Antes da chegada de Darwin, ela já havia convivido por doze anos com Misty, treinada por uma instituição nova-iorquina. Com o falecimento da labradora, descobriu o trabalho que tinha início aqui no Brasil, na rede federal. 


Em contato com o IFC, Olga pôde contar com um instrutor que lhe acompanhou durante toda a rotina de trabalho e lazer nesse período.


“Ainda não existia essa questão do curso nos institutos. O tempo foi passando e foi muito rápido, ela foi vítima de um câncer intestinal feroz. Em uma semana levou a Misty. Eis que, dentro de um mês, aparece o pessoal do instituto aqui fazendo uma visita domiciliar, né, pra me oferecer um novo cão. Foi bem interessante porque eu tive que me adaptar em todos os sentidos. Mas, o instrutor foi extremamente compreensivo, foi extremamente tolerante, de forma que eu tive o tempo hábil e a oportunidade necessária para dar conta de todas essas adaptações.”

O Instituto Federal Catarinense está com a segunda turma da Pós-Graduação do Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-Guia em andamento. 


O curso é de 24 meses. Ano passado, o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus de Alegre, foi o segundo do país a estabelecer uma unidade. Outros cinco centros estão em processo de implantação, cobrindo todas as regiões brasileiras.


Em Santa Catarina, como explica a reitora do IFC, Sônia Regina de Souza Fernandes, o projeto vem sendo ampliado, e a ideia é aumentar a oferta de profissionais para atuarem no treinamento de cães-guia.


“Nesse primeiro momento são turmas para formação do próprio quadro dos institutos federais, tanto do  Instituto Federal Catarinense, quanto dos demais institutos que fazem parte desse programa em âmbito nacional. São sete ao todo.”


A expectativa agora, ainda segundo a professora, é para a formação de um curso de tecnólogo. 


Até o momento, 16 cães treinados estão atuando, além de outros 71 que estão em socialização e ainda passarão pelo processo de adestramento ofertado pelo IFC e pelo Ifes.


Para saber mais sobre o curso do Instituto Federal Catarinense, acesse http://ifc.edu.br/


23 de mai de 2016

Cegos se mobilizam para baratear manutenção de cães-guias em Santa Catarina






Pessoas com deficiência visual usuárias de cães-guias deram início à mobilização para redução de custos de manutenção dos animais, em Santa Catarina. 


Entregues gratuitamente por exigência da lei brasileira, os cães-guias passam a ser custeados pelos novos donos assim que iniciam o trabalho. Uma ajuda de valor inestimável, mas que pesa no bolso: os gastos com os animais chegam a R$ 600 por mês.


— O que ele faz por mim não tem preço. Passei a ter independência, uma vida ativa. Mas queremos encontrar uma maneira de deixar a manutenção mais barata, até para que mais pessoas tenham acesso ao cão-guia — diz Felipe Cristiano da Silva, 24 anos, estudante de Relações Internacionais, que tem a companhia do labrador Thor há um ano e meio.


Felipe organizou o primeiro encontro do grupo, em espaço cedido no fim de semana pelo Instituto Federal Catarinense (IFC), em Camboriú, onde fica o primeiro Centro de Treinamento de Instrutores de Cães-Guias custeado pelo Governo Federal no país. 


As discussões incluem formar uma associação para pleitear compras conjuntas de materiais para o cão — o que reduz custos em até 25% — e a mobilização para criar uma lei que garanta redução de impostos na compra de ração, por exemplo.


A ideia é semelhante à lei que isenta às pessoas com deficiência o pagamento de impostos como IPI e ICMS na compra de um veículo. A estimativa é que, no caso da ração, a medida reduzisse em pelo menos 17% o custo do pacote. Levando-se em conta que os cães-guias precisam de alimentação de alta qualidade, para melhorar a performance e a expectativa de vida, o desconto é providencial: o saco de ração custa hoje de R$ 200 a R$ 250.


Cego e ativista das causas da pessoa com deficiência, o fisioterapeuta Sidnei Pavesi, de Brusque, ressalta que o alto custo da manutenção limita o perfil dos cegos ou pessoas com baixa visão que podem fazer uso do cão-guia


No cadastro nacional há mais de 400 candidatos a receber um cão, mas sabe-se que o número pode ser muito maior. 


Há no Brasil 6 milhões de pessoas com deficiência visual, considerando-se cegueira total e baixa visão. Pelo menos 150 mil poderiam ser beneficiadas por um cão-guia.


— Precisamos repensar as políticas públicas que envolvem o cão-guia — diz Pavesi, que já viajou o mundo com o golden retriever.


Acesso livre


Além das questões econômicas, outra bandeira da associação de usuários de cães-guias é a conscientização sobre o livre acesso


A lei brasileira garante aos animais acesso a qualquer estabelecimento público ou privado, com restrições apenas em áreas cirúrgicas, de manipulação de remédios ou alimentos.


O mesmo vale para os filhotes, que estão em fase de socialização. Mas os relatos de desrespeito à legislação são constantes.


Cezar Oliveira, que vive em Palhoça e há um ano recebeu o golden retriever Duster, já passou por constrangimentos:


— Ônibus que não param, coisas assim. Quando ouço alguém falar, criando dificuldade, argumento. Mas sei que muitos fazem cara feia, e não posso responder porque não enxergo.


A lei prevê multa de até R$ 30 mil para estabelecimentos que coibirem entrada de cão-guia acompanhado de pessoa com deficiência visual ou do socializador, e até interdição em caso de reincidência.


Respeito e sensibilidade são palavras-chave numa relação que vai muito além da companhia. Os cães fazem as vezes de olhos para quem não pode enxergar, e são responsáveis por uma mudança de vida incomparável. 


Como relata Gabriel Toledo, estudante de Psicologia que encontrou a independência ao lado do dourado Cedar após ter perdido a visão, dois anos atrás.


— Eu não tinha mais vontade de continuar. Esse pequeno animal de quatro patas me mostrou que tinha um sentido em seguir em frente. Eu estava cego no meu mundo, e ele me mostrou um outro mundo. Me trouxe vontade de viver.
 
 
 
 
 

30 de abr de 2016

“Para mim é um grito de liberdade”, diz homem com deficiência visual ao defender cães-guias




Quem esteve na avenida Paulista na última quarta-feira (27), em São Paulo, pode ter se deparado – e ficado encantado – com a “Cãominhada”, um ato simbólico que chama a atenção para a inclusão das pessoas com deficiência visual na sociedade e pede mais direitos e respeito à legislação que garante o livre acesso de cães-guias a estabelecimentos, meios de transporte e locais públicos.


Com nove cães-guias e seus respectivos condutores, o evento fez sucesso. Algumas pessoas chegavam a recusar, de cara fechada, os panfletos da manifestação, mas mudavam de humor ao ver os cães.


Só que para quem pensa que o grupo não tem motivo para protestar, o atual cenário brasileiro mostra que há razões sim. 


O país possui 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, 582 mil cegos e 6 milhões com baixa visão, de acordo com o Censo 2010 conduzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 


E dentro deste número, apenas 100 cães-guias servem à população que sofre com a deficiência visual, de acordo com o instituto IRIS (Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social), que organizou o evento.


O grande déficit se dá em parte por conta do custo e da dificuldade em se treinar o cão-guia. 


Segundo Thays Martinez, presidente da IRIS, a capacitação dos cães da instituição é feita em parceria com profissionais norte-americanos e, por conta disso, é um processo demorado. 


“A formação requer investimento, cuidados especiais e é um trabalho que só pode ser executado por profissionais especializados”, afirma.


A própria Thays tem deficiência visual e conta que a transformação que o cão-guia traz é impressionante. 


“O que um cão-guia promove na vida de um cego é incrível. Tanto que costumo dizer que divido minha vida em antes e depois do Boris, meu primeiro cão-guia. Eles nos permitem caminhar com muito mais segurança, liberdade e autonomia. Hoje, estou com meu segundo cão-guia, o Diesel, e não consigo me imaginar ficando sem o auxílio e a companhia desses seres iluminados”, explica.

União inexplicável



Aos 34 anos, Rafael Braz, instrutor no Senai-SP, é uma dessas pessoas com deficiência visual que contam com o auxílio de um cão-guia, no caso, o Ozzy, que tem 5 anos e 3 meses, mas está com ele há quase três anos. 


“Ele é mais do que meus olhos. É minha vida, meu companheiro, meu amigo, pai, filho. Ele é tudo.”, conta sem economizar nos elogios.


A relação deles mostra a importância do animal na vida de Rafael. “São dois que se formam um”, diz ele, explicando que o perfil do condutor, dono do cão, é muito compatível com a personalidade do animal. 


“Um depende do outro. Um precisa do outro para comer, para andar, etc. É o encaixe perfeito de uma necessidade em comum. Eu só tive a sensação do vento batendo em meu rosto, quando saí, livre, com o Ozzy. Um amigo para conversar na caminhada, não ficar solitário”.


E foi pensando no Ozzy que Rafael participou da “Cãominhada”.Para ele, é a população reivindicando os direitos de seus cães. 


“Para mim é um grito de liberdade. Um pedido de direito para os cães-guia. Ainda existem descriminação com o cão guia, eles precisam trabalhar em paz. Ainda há lugares em que o cão não pode entrar em paz, sem ser barrado, mas não deveria existir. Principalmente, táxis, ubers e ônibus”.

Campanha


Além da “Cãominhada”, a instituto IRIS também montou uma campanha de arrecadação online para ampliar o número de pessoas que precisam de cães-guias no país.


O projeto permitirá a doação de cães-guias a brasileiros cegos, além de custear o treinamento dos animais, que chega a R$ 35 mil por cachorro. 


Ambos precisam viajar para os Estados Unidos para um período de treinamento conjunto.


“São 26 dias de capacitação de condutores com os novos cães-guia, um treinamento que tem o objetivo de adaptar ambos a uma nova rotina. Nesse período, um instrutor brasileiro ministra aulas, em português, que incluem conhecimentos sobre cuidados diários com os cães, trajetos (em cidades e zona rural) e condução”, conta Thays.

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Campanha: Quanto vale o seu olhar?



Organizador: Instituto IRIS (Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social)

Causa:
Treinar e doar cães-guias para pessoas com deficiências visuais
 
Como contribuir: Doando a partir de R$ 20 pelo site da campanha no Kickante
 

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