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29 de nov de 2016

Debate aborda violação aos direitos de PCDs em Joinville






O Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (PCD) é celebrado no dia 3 de dezembro, por instituição da ONU (Organização das Nações Unidas), em 1992. 


Porém, mais de 20 após a primeira celebração da data, ainda há muito que fazer para que os direitos desse público sejam, de fato, efetivados. 


Pensando nisto, a Comissão em Defesa da Pessoa com Deficiência da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) da subseção de Joinville organiza o 1º Fórum de Debates sobre o tema nesta quarta-feira, 30/11


A intenção é identificar quais são os maiores desafios a efetividade dos direitos da pessoa com deficiência na maior cidade catarinense.


“O objetivo é debater as dificuldades que a pessoa com deficiência tem em Joinville. Existem muitas normas que tratam do assunto, mas não há efetividade. As políticas públicas não são voltadas ao cumprimento dessas normas e a sociedade como um todo também não tem conhecimento sobre isso”, explica Adriana dos Santos da Silva, presidente da comissão.

Quatro palestrantes irão abordar diferentes temas relacionados à vivência da pessoa com deficiência na cidade, como os benefícios previdenciários, as dificuldades na inserção da pessoa com deficiência em concursos públicos, os desafios da educação e estrutura escolar para a inclusão do aluno com deficiência e a acessibilidade. 


“Discutindo, a comissão poderá identificar quais as maiores violações para que possamos iniciar o trabalho de fiscalização e acompanhamento no próximo ano”, destaca Adriana.


O evento contará com intérprete de libras e é possível se inscrever pelo site da OAB Joinville ou na chegada ao evento, que começa às 18h30, na sede da entidade (Rua Amazonas, 46). 


Embora as inscrições sejam gratuitas, haverá arrecadação de alimentos não perecíveis para doação à entidade ligada à pessoa com deficiência em Joinville.


Quem são os palestrantes: 


  • Djoni Luiz Gilgen Benedete, - Defensor Público Estadual de Santa Catarina; 
  • Núcleo Regional de Joinville: Jeanine Nascimento, Professora de Educação Especial; 
  • Rodrigo Collares Tejada e Eliza Adir Coppi Leonetti, Defensores Públicos Federais; DPU (Defensoria Pública da União) de Joinville; 
  • Marcus Rodrigues Faust, Presidente do Comde (Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência).
 
 
 
 
 
 
 

9 de nov de 2016

Comissão prevê que preços de produtos sejam expostos também em braile



A Comissão de Defesa do Consumidor aprovou proposta que prevê que ofertas e informações sobre preços estejam disponíveis também em braile nos estabelecimentos comerciais


A medida está prevista no Projeto de Lei 1844/15, do deputado licenciado Veneziano Vital do Rêgo (PMDB-PB). Pela proposta, as informações em braile deverão ser claras e facilmente legíveis pelos deficientes visuais.


Segundo o autor da proposta, no Brasil, existem aproximadamente 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, que não têm seus direitos respeitados pelos estabelecimentos comerciais.


O projeto acrescenta artigo à Lei 10.962/04, que traz normas sobre a afixação de preços de produtos e serviços para o consumidor. 


A lei prevê, por exemplo, que os preços podem ser expostos por meio de etiquetas ou similares afixados diretamente nos bens expostos à venda, e, em vitrines, mediante divulgação do preço à vista em caracteres legíveis.

 
O parecer do relator, deputado Eros Biondini (Pros-MG), foi favorável à proposta. Ele destacou que Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15) já estabelece que o poder público assegure ao consumidor com deficiência a disponibilidade de informações corretas e claras sobre os diferentes produtos e serviços ofertados, com a especificação correta de quantidade, qualidade, características, composição e preço, bem como sobre os eventuais riscos à saúde e à segurança.


“No Estatuto, garante-se a acessibilidade e o direito à informação em caráter geral, sem especificar os meios ou instrumentos a serem utilizados.No entanto, por acreditar que a proteção às pessoas com deficiência visual são tema cuja defesa deve ser feita tanto em termos genéricos (a exemplo do Estatuto), quanto em termos específicos (a exemplo do projeto de lei), sou inteiramente favorável à aprovação”, salientou Biondini.

Tramitação



De caráter conclusivo, a proposta será analisada agora pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.




 
 
 

29 de out de 2016

Saiba como solicitar o Passe Livre Intermunicipal para gratuidade no transporte




Pessoas com deficiência (PCD) e idosos têm direito à gratuidade ou descontos no transporte municipal, por meio do Passe Livre Intermunicipal


Porém, ainda existem dúvidas sobre os procedimentos para obtenção do cadastro.

Tem direito à gratuidade


De acordo com a lei estadual, pessoas carentes com deficiência e idosos acima de 60 anos, que tenham renda familiar até dois salários mínimos, com a disposição de dois assentos reservados (se ocupados, é concedido o desconto de 50% no valor das passagens).


Atualmente, 5.193 pessoas com deficiência e 93.412 idosos são beneficiados, totalizando 98.605 pessoas em todos os municípios do Estado.


Para requerer o benefício é necessário procurar um Centro de Referência da Assistência Social (Cras) levando os seguintes documentos:


Idosos

  • RG;
  • CPF;
  • Comprovantes de Renda;
  • Comprovante de Residência no caso do idoso.

Pessoas com Deficiência

  • RG;
  • CPF;
  • Comprovante de Renda;
  • Comprovante de Residência,  
  • Documentos dos Responsáveis (caso de ser menor de idade);
  • Exame de Audiometria (quando o requerente for deficiente auditivo); 

  •  Atestado de Avaliação Médica da Equipe Multiprofissional do Sistema Único de Saúde (SUS) fornecido pelo setor.


A Carteira de Beneficiário tem validade de quatro anos, a partir da data da emissão. Essa informação é impressa no documento. A renovação vai acontecendo gradativamente, sempre no mês anterior ao vencimento do documento.


Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agepan) é a responsável pela regulação e monitoramento das passagens concedidas aos beneficiários do Passe Livre, por meio de um sistema informatizado, alimentado pelas empresas de transporte, o Sistema Gestor de Concessão de Benefício (SGCB).

Assentos

 

Para pessoas idosas e pessoas com deficiência estão reservados 2 assentos em ônibus e 1 assento em micro-ônibus com 100% de desconto. 


Para os idosos, quando as 2 gratuidades de 100% já estiverem sendo utilizadas em determinada viagem, os portadores da carteira de gratuidade podem obter o desconto de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da passagem, limitado a 2 passagens por ônibus, ou 1 assento em micro-ônibus.


Entrem no site do Cras para conferir a relação completa de endereços.



 
 

14 de set de 2016

Calçada sensorial simula desafios cotidianos para quem não tem limitações físicas



O Instituto Ser Educacional montou uma calçada móvel que simula os obstáculos cotidianos, para quem não tem dificuldade de locomoção, com intuito de  oferecer a experiência de viver esta dificuldade e sensibilizar quem não tem limitações ao desafio diário de deficientes visuais ou físicos,


Vendadas, as pessoas enfrentam buracos e obstáculos, mas não precisam cair como no mundo real. 

As oito calçadas sensoriais itinerantes, como o projeto de conscientização é chamado, estão percorrendo o país e já foram utilizadas por mais de 50 mil pessoas desde o início das suas atividades. 


As calçadas são instaladas em shoppings e locais de grande visitação pública pelas instituições parceiras, inclusive já esteve presente no Tribunal de Contas da União, Palácio do Planalto e no GDF, em Brasília. 


No próximo semestre, estarão circulando por várias partes do país sensibilizando outras milhares de pessoas.


O objetivo do projeto Calçada Sensorial Itinerante, é ajudar a mudar a, realidade, delineando melhor os contornos do desafio. 


"As ruas esburacadas e os móveis urbanos que tomam o caminho das pessoas nas ruas tiram um pouco da cidadania das pessoas deficientes, que são obrigadas a lutar um pouco mais para se locomover. Mas, a verdade é que somos uma sociedade às vésperas de começar a envelhecer, o que amplia muito o alcance da questão. Precisamos transformar nossas cidades e nossa cidadania. Nosso objetivo é sensibilizar o maior número possível de pessoas para a questão, para que elas façam a sua parte, seja pressionando o poder público, seja consertando a própria calçada", diz Sérgio Murilo Jr., coordenador de Responsabilidade Social do Grupo Ser Educacional.

Fonte: Revista Incluir

 

 

 

4 de ago de 2016

Lei facilita casamento de pessoas com deficiência intelectual




A atriz Rita Pokk, de 36 anos, ainda se emociona quando lembra o dia em que se casou, em 2003, com o também ator Ariel Goldenberg, de 35 anos. 


Como ela é católica e ele é judeu, o casal optou por uma cerimônia ecumênica, em São Paulo, conduzida por um padre e um rabino.


— Foi o dia mais feliz da minha vida — ela conta. — Entrei de braço dado com meu pai. Ele ainda era vivo. Tudo estava lindo. O coração do Ariel estava quase saindo pela boca, de tanta alegria. Foi um grande sonho que meu marido e eu realizamos.


Rita e Ariel têm síndrome de Down e ficaram famosos depois de protagonizar o premiado filme Colegas, lançado em 2013. Estão juntos até hoje. 


O casamento, porém, foi só religioso. Eles celebraram a união num momento em que as leis brasileiras impediam que pessoas com algum tipo de deficiência intelectual se casassem livremente no civil.


Para que pudessem se casar no cartório, essas pessoas precisavam percorrer um longo e tortuoso caminho. 


Primeiro, os pais ou os responsáveis legais tinham que consentir. Depois, era preciso elaborar uma ação judicial pedindo que o juiz assinasse a liberação.


O processo se arrastava por meses, às vezes por mais de um ano. E não havia garantia de sucesso. Os juízes mais conservadores simplesmente vetavam casamentos desse tipo, ainda que a deficiência fosse leve.


Rita e Ariel preferiram não se desgastar com tantos obstáculos burocráticos. Mas tudo mudou. Se desejarem, eles agora poderão oficializar o casamento num cartório sem nenhum entrave. 


Em janeiro entrou em vigor o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146), que enterrou os impedimentos legais.


Como qualquer casal, bastará que os noivos apresentem os documentos, levem as testemunhas e assinem um papel em que atestam que a união se dará por livre e espontânea vontade. Nada mais do que isso.


O senador Paulo Paim (PT-RS) é o autor do projeto que deu origem ao Estatuto da Pessoa com Deficiência. 


Para a aprovação, foi decisiva a atuação do senador Romário (PSB-RJ), que foi relator da proposta. Para Romário, a lei corrige uma injustiça histórica:


— Os direitos sexuais e reprodutivos das pessoas com deficiência intelectual são os mesmos de qualquer cidadão. E também os direitos civis, entre os quais se inclui o casamento. Privá-las de exercer esses direitos só fortalece o preconceito da sociedade.

 

Número subestimado


De acordo com o IBGE, 0,8% da população brasileira tem algum tipo de deficiência intelectual. Em números absolutos, haveria 1,6 milhão de pessoas nessa situação — o equivalente a toda a população do Recife. 


Para especialistas, a cifra é subestimada, pois muitas famílias escondem a informação por vergonha ou então desconhecem que há alguém com deficiência intelectual em casa por falta de diagnóstico.


Até algum tempo atrás chamada de retardo mental — hoje esse termo é pejorativo —, a deficiência intelectual se origina em alguma alteração no funcionamento cerebral. 


Como resultado, a pessoa tem dificuldade para adquirir e processar o conhecimento, o que provoca alguma limitação na vida social.


Algumas pessoas com deficit de inteligência não conseguem ler e escrever ou lidar com dinheiro. Outras não percebem situações que as colocam em perigo. Outras não entendem que certos comportamentos só são permitidos dentro de casa, e não em público. 


Em muitos casos, elas até conseguem aprender tudo isso, mas com orientadores bastante dedicados e de forma bem lenta.

Ficção

 

São inúmeras as causas da deficiência cognitiva e elas surgem em algum momento do delicado período que vai do encontro do espermatozoide com o óvulo aos primeiros anos de vida.


Podem ser fatores genéticos (como os que levam à síndrome de Down e ao autismo), problemas na gravidez (como mães que passam por desnutrição, usam drogas ou contraem doenças como sífilis e zika), incidentes no parto (como os que levam à falta de oxigenação no cérebro do bebê), abandono do recém-nascido (como carência de alimentação e de estímulos) e acidentes na primeira infância (como envenenamento, afogamento, asfixia e quedas).


A ficção é rica em personagens com deficiência intelectual. Entre os mais célebres, estão Tonho da Lua, da novela Mulheres de Areia, e Forrest Gump, protagonista do filme homônimo.


O nível de comprometimento intelectual é muito variável. Enquanto uma parte tem um grau de deficiência muito profundo e não é capaz de levar uma vida autônoma, a outra parte consegue levar uma vida muito próxima do normal — estudam, trabalham, se casam e têm filhos.


Neste segundo grupo se encaixam Thiago Neves, de 31 anos, e Ione de Aquino, de 28 anos. Eles vivem numa casa pequena em Planaltina, cidade da periferia do Distrito Federal, onde criam uma filha de 6 anos sem nenhum tipo de deficiência e estão à espera do nascimento de mais uma menina.


Thiago e Ione têm dificuldade com as letras e os números. Graças a cursos profissionalizantes específicos para pessoas com deficiência intelectual oferecidos pela Apae de Brasília, cada um foi contratado por um supermercado. 


Eles fazem trabalhos descomplicados, como empacotar mercadorias e entregar compras na casa dos clientes.


— Num trabalho anterior, uma colega vivia me chamando de doida. Nós, que somos especiais, sofremos um bullying danado. É triste — lamenta Ione.


Eles vivem juntos há quase dez anos, mas só há poucos meses oficializaram o casamento no cartório. Thiago afirma:


— Com o casamento, alguma coisa dentro de mim mudou. Acho que fiquei mais maduro e responsável. Também me sinto mais parecido com as pessoas que não são especiais.

 

História cruel


O mundo sempre foi cruel com os deficientes. A Grécia antiga, por exemplo, valorizava o vigor físico. 


Por essa razão, os bebês que nasciam com algum tipo de deficiência eram abandonados ou sacrificados. 


Com a hegemonia do cristianismo na Idade Média, os europeus passaram a aceitar os deficientes como filhos de Deus. 


Eles, porém, não tinham o direito de viver em sociedade e eram enviados para instituições religiosas, onde eram mantidos enclausurados.


A Inquisição mandou muitas pessoas com deficiência intelectual para a fogueira. 


A dificuldade de interação social era por vezes tomada como atitude demoníaca. 


No século passado, os nazistas as levavam para campos de concentração, onde eram cobaias de violentos experimentos científicos, faziam trabalhos forçados ou eram simplesmente executadas. 


No Brasil, deficientes intelectuais eram internados em hospícios até o início dos anos 2000.


Segundo especialistas, quanto mais se estimulam essas pessoas desde a infância, maiores são as chances de se desenvolverem e se tornarem mais autônomas. 


Já há pessoas com síndrome de Down que se formam na universidade, o que antes era impensável. No passado, as famílias escondiam os filhos deficientes, e o isolamento minava qualquer possibilidade de crescimento.


De acordo com a psicóloga Ana Cláudia Bortolozzi Maia, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), as famílias ainda têm se omitido na educação sexual dos filhos com deficiência. Muitas, diz ela, acreditam erroneamente que eles não têm sexualidade.


— Acham que o filho é incapaz e o tratam eternamente como criança, mesmo quando ele já é adolescente ou adulto. Eles são como todo mundo. A sexualidade está lá e vai se manifestar. A educação sexual adequada evita que engravidem, contraiam aids e sofram abuso e permite que tenham uma vida afetiva e sexual saudável.


Ana Cláudia trabalha há 18 anos com a sexualidade de pessoas com deficiência. 


De acordo com ela, a inclusão vem avançando a passos tão largos que os estudos acadêmicos, hoje muito focados nas famílias de pais sem deficiência que têm filhos deficientes, brevemente sofrerão uma reviravolta e passarão a se debruçar sobre os desafios dos pais com deficiência intelectual que têm filhos sem deficiência.

Prisão


Paulo Paim apresentou o projeto do Estatuto da Pessoa com Deficiência em 2000, quando era deputado. 


Preocupado com a falta de interesse pelo tema na Câmara, redigiu uma segunda proposta em 2003, quando chegou ao Senado. 


No caminho, as duas propostas acabaram se fundindo. Em 2015, a versão final foi aprovada pela Câmara e pelo Senado e sancionada pela Presidência da República. A lei entrou em vigor em janeiro de 2016.


Com o estatuto, tanto os deficientes intelectuais quanto os físicos — como surdos, cegos e cadeirantes — deixaram de ser cidadãos de segunda classe. 


A nova lei obriga a sociedade a remover os obstáculos e a oferecer a ajuda necessária para que tenham acesso pleno a todos os direitos básicos, como a educação, a saúde, o trabalho. 


Na questão educacional, o estatuto prevê que as escolas regulares estão obrigadas a aceitar alunos com deficiência.


Para que a nova lei não se torne letra morta, há a previsão de penas pesadas para quem desrespeita os direitos dos deficientes. A própria discriminação é punida com a prisão.


O Estatuto da Pessoa com Deficiência fez mudanças numa série de leis, como a Consolidação das Leis do Trabalho, o Código de Trânsito Brasileiro e o Estatuto da Cidade. Alterações no Código Civil removeram os entraves ao casamento. 


O Código Civil agora considera incapaz a pessoa que, por algum motivo, não consegue expressar a própria vontade. Isso afeta quem tem deficiência intelectual grave e deixa livre quem sofre de um deficit cognitivo leve.


— Antes a lei já partia do pressuposto que o deficiente intelectual era incapaz. Agora presume que ele tem capacidade para decidir sobre a própria vida. Basta que ele diga que deseja se casar — afirma a promotora Aymara Borges, do Ministério Público do Distrito Federal.


A exigência de autorização judicial para o casamento tinha o objetivo de proteger o deficiente de pretendentes oportunistas, que estavam de olho apenas no patrimônio do futuro cônjuge. 


A decisão do juiz ainda é necessária quando um dos noivos não consegue manifestar sua vontade.


Os cartórios tiveram que se adaptar. Se antes estava nas mãos dos juízes, agora cabe aos oficiais dos cartórios a responsabilidade por liberar o casamento de pessoas com deficiência intelectual.


— É uma missão que nos exige sensibilidade — diz o presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo, Leonardo Munari de Lima.


— Temos que perceber no balcão se a pessoa com deficiência está ou não sendo coagida ao casamento. Quando temos dúvida, nós a chamamos para uma conversa reservada em outra sala para sentir se essa é de fato a vontade dela.

 

Primeira união


O que é mais comum são os casamentos entre duas pessoas com deficiência intelectual. Isso se explica pelo passado recente de segregação. Deficientes só conviviam com deficientes. 


A tendência é que, com o estatuto, isso mude. Frequentando todos os ambientes e participando mais da sociedade, os deficientes intelectuais passarão a se casar com pessoas sem deficiência.


Um casamento assim ocorreu em fevereiro no cartório da pequena cidade de Artur Nogueira (SP) — foi a primeira união oficializada no país graças à nova lei. 


O jardineiro José Francisco Dias, de 53 anos, se casou com a dona de casa Rosana de Lima Dias, de 44 anos. 


Quem tem deficiência é ela, vítima de uma paralisia cerebral quando era bebê. Ela fala e caminha com dificuldade. O casal está junto há 20 anos e tem um filho de 18.


— Quando eu era moça, minhas primas disseram que ninguém iria gostar de mim. Acabei acreditando que eu nunca iria me casar — ela conta.


José Francisco diz que não olhou apenas a deficiência dela:


— Quando a pedi em namoro, ela ficou assustada: “Mas você não vê como eu sou?”. Respondi que sim, mas queria conhecer o que ela tinha por dentro. 


Nestes 20 anos, ouvimos muitas risadas de deboche, mas a nossa união sempre foi maior do que o preconceito. Ela é uma ótima esposa e uma mãe exemplar. Não posso reclamar da vida.


21 de jul de 2016

Código de Defesa do Consumidor em versão acessível para Rio 2016



O Procon Estadual do Rio de Janeiro disponibilizou link para acesso ao Código de Defesa do Consumidor (CDC) voltado às pessoas com deficiência visual e auditiva


A iniciativa integra o pacote de ações da entidade para atendimento durante os Jogos Olímpicos Rio 2016.


Criada pelo Ministério Público, a página oferece o conteúdo em áudio e vídeos, com audiodescrições e janela de Libras (Língua Brasileira de Sinais). 


Além disso, também foram lançados guias em 3 idiomas (português, inglês e espanhol), voltado a orientação dos turistas durante a competição.


O Procon também terá um canal direto com o comitê organizador dos jogos para maior agilidade na resolução de problemas dos consumidores ligados às competições.


  • Para acessar o Guia Acessível do Código de Defesa do Consumidor basta clicar aqui

  • Já para acessar os guias disponíveis em 3 idiomas (português,inglês e espanhol) voltado para orientação dos turistas durante a competição  acesse o site do Procon-RJ (www.procon.rj.gov.br) e clicar no banner "Procon-RJ Nos Jogos"







12 de jul de 2016

ONU defende que inclusão de pessoas com deficiência é fundamental na Agenda 2030



Cerca de 20% da população mais pobre têm algum tipo de deficiência, e 80% das pessoas com deficiência – 15% da população mundial, no total – vivem em países em desenvolvimento.


Durante a 9ª sessão da Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), realizada em junho (14), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou a importância destas pessoas para a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável


O evento marcou o 10º aniversário do tratado que protege este grupo.


A deficiência não é uma incapacidade. Vamos trabalhar juntos para um mundo de oportunidades e dignidade para todos, para um futuro de inclusão e por um mundo onde todo mundo ganhe, sem ninguém ficar para trás”, afirmou o dirigente em mensagem de vídeo exibida no evento.


As Nações Unidas trabalham pela revisão anual da Convenção, examinando a implementação de um acordo adotado pela Assembleia Geral em 2006 que reafirme que 1 bilhão de pessoas com deficiência15% da população mundial – tenham acesso a todos os direitos humanos e liberdades fundamentais.


Estudos apontam que pessoas com deficiência são mais propensas a experimentar a pobreza e essa condição social também aumenta a incidência de problemas de saúde


Em todo o mundo, 20% das pessoas mais pobres têm algum tipo de deficiência e 80% das pessoas com deficiência vivem em países em desenvolvimento.


Estima-se que uma em quatro pessoas em todo o mundo experimentará algum problema mental ao longo da vida e calcula-se que quase 1 milhão de pessoas morrem por suicídio todos os anos, sendo a terceira principal causa de morte entre os jovens.


Condições de saúde mental, incluindo o abuso de álcool, estão entre as 10 principais causas de incapacidade nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. 

A depressão, por exemplo, ocupa a terceira posição no ranking global de doenças e deve chegar à  primeira posição em 2030.


Para o chefe de gabinete da ONU, Edmond Nullet, ainda há muito a se fazer para implementar plenamente a Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiências CDPD


“A CRPD oferece uma boa oportunidade para refletir sobre as lições importantes e avançar na implementação da Agenda 2030 para todas as pessoas com deficiência, não deixando ninguém para trás”, alertou.


Para o presidente da Assembleia Geral, Mogens Lykketoft, os compromissos internacionais com os direitos e avanços das pessoas com deficiência estão profundamente enraizados na Carta da ONU


“Agora, graças à defesa de organizações de pessoas com deficiência e aos esforços empreendidos por muitos outros, essas necessidades foram incluídas no coração da Agenda 2030 – uma agenda que promete não deixar ninguém para trás”, destacou Lykketoft.

A Conferência é também o primeiro encontro da ONU sobre deficiência desde a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em setembro de 2015. 


O assunto aparece em várias partes dos ODS, incluindo erradicação da pobreza, educação, empregos dignos, redução das desigualdades e cidades e comunidades sustentáveis.


 
 

10 de jun de 2016

STF valida norma que proíbe escolas de recusar alunos com deficiência




Por maioria de votos, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu validar normas do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) questionadas pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen). 


A lei entrou em vigor em janeiro deste ano e proíbe escolas particulares de recusar matrículas e cobrar valores adicionais nas mensalidades de pessoas com deficiência.


De acordo com o relator da ação, ministro Edson Fachin, as instituições de ensino não podem escolher os alunos que serão matriculados e nem segregar alunos com deficiência. O voto do relator foi acompanhado pelos demais ministros.


“A Lei 13.146 parece justamente assumir esse compromisso ético de acolhimento, quando exige que não só apenas as escolas públicas, mas também as particulares, deverão pautar sua atuação educacional a partir de todas as facetas e potencialidades que o direito fundamental à educação possui”, argumentou o ministro.


O único voto divergente foi proferido pelo ministro Marco Aurélio. O ministro entendeu que o Estado não pode obrigar as escolas a tomar todas as medidas para abrigar os alunos com deficiência sem a cobrança de um valor adicional.


“Não pode o Estado cumprimentar com o chapéu alheio. O Estado não pode obrigar a iniciativa privada a fazer o que ele não faz”, disse Marco Aurélio.


Durante o julgamento, a advogada da Federação Nacional da Apaes (Fenapaes), Rosangela Wolff Moro, sustentou na tribuna que restringir o acesso de alunos com deficiência é descriminação odiosa”. 


Segundo Rosangela, há um duplo viés no aprendizado conjunto, porque as pessoas com deficiência também aprendem ao conviver com pessoas sem deficiência. A advogada é casada com o juiz federal Sérgio Moro.


“Além de ser um direito social, a educação não pode ser compreendida como somente um despejo de conteúdo para aquela pessoa que está na escola particular. A educação é muito mais que isso, é aprender a conviver com as diferenças”, acrescentou.


Entre os argumentos apresentados na ação protocolada no Supremo, a Confenen alegou que a obrigatoriedade do acolhimento de pessoas com deficiência em salas de aula compromete o orçamento dos estabelecimentos de ensino.


“Os dispositivos impugnados violam ainda o princípio da razoabilidade extraído do preceito constitucional porquanto frustram e desequilibram emocionalmente professores e pessoal da escola comum, regular, por não possuírem a capacitação e especialização para lidar com todo e qualquer portador de necessidade e a inumerável variação de cada deficiência ”, informou trecho da petição inicial.




24 de mai de 2016

Quadras esportivas acessíveis obrigatórias são aprovadas no MT



Foi aprovada pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, no Mato Grosso, a proposta que inclui, entre as incumbências de estados e municípios, a responsabilidade pela manutenção de quadras esportivas cobertas e em condições mínimas de segurança e funcionamento nas escolas ou em outros espaços de uso coletivo


A quadra deverá ter acessibilidade e equipamentos adaptados para o uso de pessoas com deficiência.


A medida está prevista no substitutivo do relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), ao Projeto de Lei 2889/15, do deputado Davidson Magalhães (PCdoB-BA). 


Silva rejeitou a proposta principal (PL 705/15, da deputada licenciada Rejane Dias) e outra apensada, por serem idênticas à sugestão de Magalhães, mas sem prever as regras de acessibilidade


O substitutivo aprovado traz basicamente emendas de redação – como a troca da expressão “pessoas com necessidades especiais” por “pessoas com deficiência” – ao PL 2889/15. O texto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9.394/96).


“O PL 2889/15 é a proposição mais completa, por incluir a preocupação com a acessibilidade e a disponibilidade de equipamentos adaptados para uso de pessoas com deficiência”, disse Orlando Silva.


Conforme o texto aprovado, a regra também vale para os equipamentos necessários à prática do esporte educacional


Os recursos destinados aos insumos e à infraestrutura desportiva serão prioridade na alocação de verbas públicas ao desporto educacional.


Além disso, a disponibilidade de quadra será critério para a autorização, o credenciamento e a supervisão dos estabelecimentos dos sistemas de ensino estaduais e municipais.


Tramitação



A proposta, que tramita em caráter conclusivo, ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.