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30 de set. de 2016

Cinemas devem oferecer condições para cegos e surdos



Agência Nacional de Cinema (ANCINE) anunciou, no dia 17/9, a instrução normativa que obriga as salas comercias de cinema do país a oferecer, num prazo de dois anos, condições para que pessoas com deficiência visual e auditiva possam ver um filme na mesma sessão de outros espectadores.


O temor de parcela dos empresários sobre o custo dessa adequação é irreal, de acordo com Lívia, professora doutora em Linguística Avançada que realiza eventos culturais com audiodescrição. 


“(O custo) será muito pequeno se consideramos o tamanho desse público”, enfatiza, ao destacar que 25% da população brasileira têm algum tipo de deficiência.O público é enorme, se considerarmos que, além de pessoas com deficiência visual e auditiva, há ainda aqueles com deficiência intelectual e idosos, que também irão se beneficiar dos recursos”, registra Lívia, que ajudou a implantar o primeiro curso de especialização em audiodescrição do Brasil, na Universidade Federal de Juiz de Fora.


Para Lívia, a questão da acessibilidade não tem mais volta”, comemorando a importante vitória conquistada com a publicação da instrução normativa 128/2016. 


“Os produtores que já realizaram eventos para esse público sabem de seu potencial e sempre querem repetir a experiência”, afirma a professora, que recentemente fez o trabalho de audiodescrição para o DVD do filme “Meu Amigo Hindu”.

Inclusão


A vitória, endossa Lívia, é sobre um sistema que impedia, por exemplo, pessoas a assistirem a um filme que acabou de ser lançado nas telonas. 


“A gente sabe como a arte pode ser transformadora e inspiradora. Era muito triste ver uma pessoa morta de vontade de ver um filme aguardado e não poder ir, excluído de um produto que tanto quer ir”.


Quando promove seus eventos culturais, a produtora, que é mineira de Itajubá, gosta de ficar num canto escuro da sala, observando as reações da plateia. 


“Elas são iguais aos outros, com risadas, lágrimas, surpresa e espanto. É muito emocionante e nos faz pensar quantos detalhes deixam de apreender por falta de recursos de acessibilidade”, descreve.


Em 14 meses, metade das salas de cada grupo exibidor deverá oferecer recursos de legendagem, legendagem descritiva, audiodescrição e Língua Brasileira de Sinais


A grande dúvida sobre a adequação das salas de cinema para abrigar recursos de acessibilidade, como legendagem descritiva, audiodescrição e Língua Brasileira de Sinais (Libras), é a tecnologia que será usada. Uma câmara técnica está sendo montada pela Ancine para definir o padrão.


“A medida é muito bem-vinda, porque, além de inclusiva, ela representa a possibilidade de agregar novos consumidores ao mercado. Mas também é complexa, exigindo um pacto entre produtores, distribuidores e exibidores”, afirma Adhemar Oliveira, proprietário da sala Belas Artes.

 

Aplicativo

 

Em vários países, o recurso mais utilizado é um aplicativo que o espectador baixa em seu celular, que, sincronizado com a projeção, apresenta os vários recursos. 


No caso de surdos, há ainda a possibilidade de uso de um óculos especial, em que o sistema de Libras é mostrado num canto da lente.


Adhemar, que tem uma rede de cinemas no país, deixa um ponto de interrogação em relação aos filmes de arte, distribuídos por empresas pequenas e que têm menor retorno financeiro. 


Ele salienta que esse tipo de custo é diluído na quantidade de cópias.O custo pode ficar pesado para eles, por isso a câmara técnica deve pensar em soluções que custem menos.Se um filme é lançado em mil posições (salas), um valor hipotético de R$ 15 mil não é nada. Mas se lançado em apenas seis posições, é muita coisa. Se é uma medida inclusiva, ela não pode excluir o pequeno distribuidor”, pondera.


Lívia Motta registra que há um número considerável de profissionais para atender a demanda. 


“Um profissional preparado traduz a imagem em palavra, sem filtragens, diferentemente de uma pessoa que fica ao seu lado contando o que está acontecendo, filtrando a percepção”, compara a especialista.

25 de jul. de 2016

Jovem protesta contra a falta de legenda nos cinemas e gera grande repercussão

A imagem está no formato retangular na vertical. Nela contém uma jovem protestando em frente ao cinema Cinepólis, segurando cartazes com os dizeres: Este cinema não respeita surdos, legenda pra quem não ouve é lei, pessoas com deficiência existem, lei 13.146 acessibilidade é um direito, mais legenda menos exclusão, e se fosse com você?, quero assistir A Era do Gelo e Procurando Dory, cadê a legenda? surdos existem


 A catarinense Danille Kraus Machado, tem uma perda auditiva bilateral moderada, e no último domingo 24/07 promoveu um propesto em São José do Rio Preto(SC) defendo a acessibilidade para as pessoas com deficiência nos cinemas.


Na tentativa de assistir o filme com legenda, Danielle recorreu ao gerente do cinema Cinepólis no Continente Shopping, que se recusou a providenciar uma solução para o pedido da jovem.


Após o epsódio, Danielle, decidiu fazer uma publicação em seu perfil do Facebook, contando o acontecido. 


Confira a Publicação de Danielle Kraus Machado em seu perfil do facebook


"Hoje fui no Continente Shopping - São José, onde o cinema é da empresa Cinépolis. 
Queria assistir A Era do Gelo ou Procurando Dory. Porém tenho perda auditiva bilateral moderada, e mesmo com aparelhos auditivos preciso de legenda. 
Só que não tinha.
Depois de esperar um tempão pelo gerente, ele vem e só fica falando "Você que procure seus direitos então, eu não posso fazer nada, quem decide se é legendado ou dublado é a distribuidora." 

 
Porém já descobri que quem decide isso é o pedido do cinema, ou seja, dele mesmo. 
 
 
Ok, ele "não pode fazer nada", mas eu posso. Vai ter processo, vai ter exposição e por mim teria boicote também. 
 
Vai ter resistência. 
Vai ter cartaz.
Vai ter denúncia.
Vai ter luta.
 
 

Semana que vem tem mais, quem conhecer alguém que tenha interesse em ir junto, só avisar.(Será em outros cinemas que também não cumprem a lei
 


Essa luta é por todas as pessoas com deficiência. 
 


Se você não diz à uma pessoa com deficiência física, cadeirante:
  
 "Se essa rua não tem rampa é só passar em outra, ué, que frescura, quer andar em todas as ruas, igual todo mundo "

Então não diga à uma pessoa com deficiência auditiva:
"Se esse filme não tem legenda é só ver outro, ué, que frescura, quer ver todos os filmes, igual todo mundo ". 

Deu pra notar a descriminação ??

Obs: Já tentei assistir dublado. Mal entendi 3 frases. Não adianta eu querer fingir que não tenho deficiência auditiva.

 
‪#‎descriçãoparacegover‬: mulher segurando cartazes, em frente ao cinema, com os dizeres: Este cinema não respeita surdos, legenda pra quem não ouve é lei, pessoas com deficiência existem, lei 13.146 acessibilidade é um direito, mais legenda menos exclusão, e se fosse com você?, quero assistir A Era do Gelo e Procurando Dory, cadê a legenda? surdos existem."



Fonte: Revista Incluir


7 de jul. de 2016

Cinema Acessível: os filmes nacionais "Contrato Vitalício' e "Mais Forte que o Mundo" tem recursos para pessoas com deficiencia visual e auditiva em todas as sessões

 



O primeiro longa-metragem do grupo Porta dos Fundos, ‘Contrato Vitalício’, que está em cartaz desde semana passada em todo o País, tem recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual ou auditiva em todas as sessões. 


Sinopse Miguel (Gregório Duvivier) e Rodrigo (Fábio Porchat) são dois amigos que costumam realizar filmes juntos. Um de seus trabalhos ganha um prêmio internacional. 


Animados, ele saem para comemorar e Rodrigo assina, em um guardanapo de bar, um contrato vitalício que garante que ele estaria em todos os filmes de Miguel dali para frente. 


No entanto, Miguel desaparece e só retorna dez anos depois. Quando reaparece, ele leva para Rodrigo, agora um ator consagrado, a proposta de um filme insano que pode destruir sua carreira.


Ficha técnica 


Direção: Ian SBF

Roteiro: Fábio Porchat e Gabriel Esteves

Elenco: Gregório Duvivier, Fábio Porchat, Antonio Tabet, João Vicente de Castro, Luis Lobianco, Thati Lopes, Marcos Veras, Júlia Rabello e outras participações.  

Duração: 100m

Gênero: comédia

Recursos acessíveis: Iguale Comunicação de Acessibilidade



Veja a seguir o Trailer Porta dos Fundos:Contrato Vitalício’

 

 

Ficha técnica 


Direção: Ian SBF

Roteiro: Fábio Porchat e Gabriel Esteves

Elenco: Gregório Duvivier, Fábio Porchat, Antonio Tabet, João Vicente de Castro, Luis Lobianco, Thati Lopes, Marcos Veras, Júlia Rabello e outras participações.  

Duração: 100m

Gênero: comédia

Recursos acessíveis: Iguale Comunicação de Acessibilidade


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O filme ‘Mais Forte que o Mundo – A história de José Aldo', conta a história de José Aldo, campeão da categoria peso-pena do UFC, é o líder do ranking peso-por-peso da organização.


 
Sinopse: Nascido e criado em Manaus, José Aldo (José Loreto) precisa lidar com a truculência do pai, Seu José (Jackson Antunes), que além de se embebedar constantemente ainda por cima bate na esposa, Rocilene (Cláudia Ohana), com frequência. 
 
 
Enfrentando constantemente seus demônios internos, Aldo encontra na luta sua válvula de escape. 
 
 
Acreditando em seu futuro como lutador, ele aceita se mudar para o Rio de Janeiro e morar de favor no pequeno alojamento de uma academia. 
 
 
Lá ele recebe o apoio do amigo Marcos Loro (Rafinha Bastos) e conhece Vivi (Cleo Pires), uma jovem que vai constantemente à academia. 
 
 
Precisando ralar um bocado para se manter, Aldo enfim consegue um voto de confiança do treinador Dedé Pederneiras (Milhem Cortaz), iniciando assim sua carreira no mundo do MMA.
 

Veja a seguir o trailer do filme "Mais Forte que o Mundo – A história de José Aldo"

 

 
 
 

Ficha Técnica

 
Direção: Afonso Poyart
 
Elenco: José Loreto, Cleo Pires, Rômulo Arantes Neto, Jackson Antunes, Claudia Ohana, Milhem Cortaz, Paloma Bernardi, Rafinha Bastos, Thaila Ayala, Felipe Titto, Robson Nunes, José Trassi, Georgina Castro, Marjorie Gerardi

Gênero: Ação
 
Duração: 124 min.
 
Distribuidora: Paris Filmes
 
Classificação: 14 Anos
  
Os dois filmes possuem recursos de  Audiodescrição, legendas e tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), que foram produzidos pela Iguale e são liberados por meio do MovieReading (clique aqui para fazer o download).


Para usar o MovieReading, basta baixar o aplicativo, o arquivo referente ao recurso que a pessoa necessita e sincronizar equipamento para assistir, em tempo real, ao filme exibido na tela do cinema. Já para a audiodescrição é preciso conectar um fone de ouvido. 


O app sincroniza os arquivos com o som do filme por meio do reconhecimento de áudio e por isso não necessita de rede WIFI ou equipamentos específicos nas salas de cinema.

 



 Fonte: Blog Vencer Limite
 
 
 

22 de jun. de 2016

Festival de Cinema Acessível está chegando





O Festival de Cinema Acessível está de volta a Porto Alegre. A segunda etapa do Festival começa dia 8 de julho (sexta-feira), com “Se eu fosse você”, na sala Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico). 


O Festival segue nos dias 29 de julho, com “Tropa de Elite 2” e 19 de agosto, com “O Palhaço”, sempre às 19h30 e com entrada franca. Haverá distribuição de senhas no local 1 hora antes de cada sessão.


O Festival é o primeiro do país a exibir clássicos do cinema brasileiro com audiodescrição, legendas e língua brasileira de sinais. 


Os filmes são exibidos com os três recursos de forma simultânea, permitindo que pessoas cegas, com baixa visão, deficiência auditiva, surdas ou sem nenhuma deficiência assistam aos longas na mesma sessão – o que permite a troca de experiências em um ambiente que valoriza as diferenças. 


A iniciativa é uma realização do Som da Luz, com patrocínio de Banrisul Consórcios, Badesul e IMEC Supermercado, através da Lei Rouanet.

 
Conforme o idealizador do Festival e diretor do Som da Luz Sidnei Schames, o sucesso da primeira etapa do evento evidenciou que o público está ávido por produções cinematográficas e atividades culturais com acessibilidade.


 “Estamos contagiando as pessoas e mostrando que cinema pode – e deve – ser uma experiência vivenciada por todos. Acredito que estamos contribuindo com uma mudança de paradigma, em que a arte passa a ser pensada para todos e não apenas para um segmento da população”, afirma ele.


No ano passado o Som da Luz promoveu a primeira etapa do Festival de Cinema Acessível, com a exibição de cinco longas-metragens. 


Ao longo do primeiro semestre deste ano as obras do Festival foram exibidos nas principais cidades do interior do Estado através de uma ação de treinamento do Banrisul. 


Além disso, a equipe do Festival está visitando escolas públicas e privadas para levar cinema e debater questões de acessibilidade com alunos e professores.

Muitos músicos e artistas já manifestaram publicamente o seu apoio ao Festival, postando vídeos e convidando o público a prestigiar o evento. Acompanhe tudo na página oficina do Festival no Facebook (link para o facebook).

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Festival de Cinema Acessível



Realização: O Som da Luz
 
Datas: 8 de julho (Se eu fosse você), 29 de jullho (Tropa de Elite 2) e 19 de agosto (O Palhaço)  

Local: Sala Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico – Porto Alegre)  

Horário: 19h30

Ingresso: gratuíto, com distribuição de senhas 1 hora antes

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6 de jan. de 2016

Mostra de cinema exibe filmes eróticos com audiodescrição, Libras e legendagem descritiva



Andreza é formada em Artes Cênicas. Pensando em democratizar o acesso às artes, ela fez um curso de extensão para trabalhar com pessoas com deficiência e hoje é mestranda em Educação, mais especificamente na área de educação inclusiva. 


Sem saber, ao escolher esse caminho ela estava se preparando para o convite mais irresistivelmente indecente da sua vida, feito por Judite Muniz, uma mulher cega: fazer a audiodescrição de um filme “quente”, meio erótico.


Andreza não apenas topou o desafio, como decidiu ampliá-lo. Afinal, além de Judite, outras pessoas com deficiência visual e/ou auditiva também poderiam se interessar por filmes eróticos. Ou você acha que as pessoas que não enxergam ou não ouvem são assexuadas? A partir daí surgiu uma ideia genial: criar a Mostra de cinema erótico Às Escuras.


A mostra acontece na terceira semana de março, no Recife, e o acesso é gratuito para todas as pessoas (não será um evento exclusivo para pessoas com deficiência, ok?). 


Os filmes inscritos serão selecionados por uma comissão formada por mim, Cristina Teixeira, professora da UFPE, e pela cineclubista Amanda Ramos.


Eu conversei com Andreza sobre a mostra e sobre o duplo tabu de tornar o sexo acessível a pessoas cegas e surdas.


Erosdita: De onde veio a ideia de criar a mostra?

Andreza: Surgiu de um conjunto de fatores. Mas costumo dizer que minha musa inspiradora foi Judite Muniz, mulher cega, frequentadora assídua dos eventos promovidos com acessibilidade comunicacional que me questionou se eu teria coragem de fazer a audiodescrição de um filme “quente”, meio erótico… Eu prontamente disse que sim, mas alertei que teria que pensar melhor como faria isso. A provocação não saiu da minha cabeça, então, pensei em criar um momento no qual pudéssemos ter não apenas o recurso da audiodescrição, mas Libras e legendas, em curtas e longas metragens… Foi dessa conversa que comecei a idealizar a Mostra erótica de cinema Às Escuras.


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Erosdita: Como funciona o trabalho de audiodescrição, libras e legendagem descritiva em filmes com temática erótica? Alguma especificidade?


Andreza: É necessário se despir de qualquer pudor e traduzir sem censura! Além de contar com os audiodescritores, intérpretes de Libras e legendistas, temos na equipe os consultores com deficiência visual e auditiva, profissionais que atuam na área a algum tempo.Todo o trabalho de acessibilidade deve ser realizado por profissionais devidamente capacitados. Diante do material audiovisual a ser traduzido, os profissionais da acessibilidade fazer um estudo prévio que lhes permitam adentrar no universo da obra em questão, para que, então, elaborem as traduções (de imagem para palavras, no caso da audiodescrição; de sons/diálogos para o texto em português, no caso da legenda; e de sons/diálogo para Libras). Após essa etapa, o material é submetido e discutido com os consultores para que possamos chegar na versão final.


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Erosdita: A mostra foca na acessibilidade para pessoas que não enxergam ou não escutam, e me veio a dúvida sobre outros tipos de inclusão, como por exemplo, selecionar filmes que mostrem pessoas cadeirantes fazendo sexo. Também existe essa intenção?

 

Andreza: Sim. Estamos na torcida para que todas as possibilidades de abordar o erotismo cheguem por meio dos filmes inscritos. Por outro lado, a curadoria e a comissão poderão indicar filmes para compor a mostra.


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Erosdita: Essa é a primeira mostra nacional desse gênero. Como assim nunca fizeram nada parecido antes?


Andreza: Acredito que já devem ter tido várias mostras eróticas de cinema no Brasil. Inclusive o Animage o ano passado, dentro da programação tinha uma mostra erótica que teve audiodescrição. O ineditismo está no fato de todos os filmes terem audiodescrição, Libras e legendas.


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Erosdita: Existe um tabu em relação às pessoas com deficiência e outro tabu em relação ao sexo. Juntar as duas coisas é um ato revolucionário. O que a mostra pretende dizer ao fazer isso?


Andreza: Apenas que eles são PESSOAS.


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Erosdita: Existe um mito de que as pessoas com deficiência são assexuadas. O que você pensa sobre isso?


Andreza: Isso viola o direito do ser humano de se ver, ser e se reconhecer enquanto sujeito de desejos. Certa vez, ouvi uma mulher cadeirante dizer que quando estava grávida outra mulher assustou-se ao vê-la com um barrigão e perguntou: – Quem fez essa maldade com você? E ela prontamente respondeu: Não foi maldade, foi gostoso! Diante de tudo isso, não tem como não começar a provocar uma discussão sobre o tema.


***
Erosdita: A mostra erótica Às Escuras não é competitiva. Quantos filmes serão selecionados, quais os formatos, como serão as exibições?

Andreza: Serão 2 longas e 6 curtas. É possível que tenhamos um pouco mais em função da duração dos filmes.  Discutiremos como serão exibidos com a comissão e a curadoria. O acesso é gratuito e para TODAS as pessoas. É importante reforçar isso! Não será um evento exclusivo para pessoas com deficiência. Será um evento inclusivo, com audiodescrição, Libras e legendas para que pessoas com deficiência possam assistir aos filmes em condições de igualdade. Será na terceira semana de março.


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4 de dez. de 2015

Coleção Cinema Brasileiro, uma publicação acessível, com audiodescrição



Uma nova forma de conhecer o cinema brasileiro chegará para expandir o conhecimento e imaginação de quem pouco ou nada enxerga. 


Em breve as pessoas com deficiência visual poderão acessar a publicação acessível, a Coleção Cinema Brasileiro, formatada com o recurso do som que descreve texto e interpreta imagem, a audiodescrição, desenvolvida pela Fundação Dorina Nowill para Cegos.


A publicação reúne ensaios escritos por pesquisadores e críticos de cinema que tornam possíveis a reflexão sobre os aspectos históricos, políticos e estéticos que repercutiram no período silencioso às principais produções sonoras. 


O primeiro número dessa Coleção é dedicado ao cinema clássico e à almejada proposta de cinema industrial no Brasil.


A filmografia de Humberto Mauro, o filme Limite, dirigido por Mario Peixoto em 1930, e a trajetória das produções realizadas nos estúdios da Cinédia, nas décadas de 1930 e 1940, são os temas contemplados em três volumes temáticos.


O primeiro volume:O cinema de Humberto Mauro” será lançado no dia 10 de dezembro.  Dia 16 de dezembro ocorre o lançamento do segundo volume: Limite, o filme de Mário Peixoto”. E o terceiro volume:Entre filmes e histórias da era dos estúdios” estará no ar em 22 de dezembro.


Os volumes I, II e III, em formato digital acessível, poderão ser acessados através do aplicativo DDReader (Dorina Daisy Reader).  


O aplicativo e os volumes destinados a pessoas com deficiência visual estarão disponibilizados gratuitamente no site da Coleção, e no site e biblioteca da Fundação Dorina Nowill para Cegos. 


A publicação em modo acessível também estará disponível em mídia digital (DVD) com distribuição gratuita em bibliotecas e instituições parceiras dessa Fundação.


O cinema brasileiro acessível



Conheça a Coleção Cinema Brasileiro, uma publicação com audiodescrição desenvolvida pela Fundação Dorina Nowill para Cegos


O cinema, essa máquina de produzir imagens e fomentar a imaginação, é um ambiente que a cada dia se torna acessível a pessoas com deficiência visual. Através das atuais normas que vigoram nas leis de incentivo cultural, a descrição das imagens dos filmes que não são mencionadas pelo áudio original (a audiodescrição) passou a ser um requisito para as produções de novas obras audiovisuais. 


Com essa normativa, pessoas que pouco ou nada enxergam passaram a experimentar sessões nos festivais de cinema. 


Esta foi uma iniciativa do Festival de Gramado em 2015, onde a pessoa com deficiência visual entrou no ambiente de projeção de imagens e esteve em contato com o tempo do filme e imersão com os sons que auxiliam a interpretar a narrativa.


As pessoas com deficiência visual são grandes construtoras de imagens mentais. 


E em breve elas poderão ampliar mais esse potencial com o auxílio das interpretações de imagens, e ainda conhecer melhor o cinema brasileiro através de uma publicação acessível: a Coleção Cinema Brasileiro, que será lançada para expandir o conhecimento e imaginação desse espectador.


Essa publicação em sua versão acessível, com o recurso do som que descreve texto e interpreta imagem, desenvolvida pela Fundação Dorina Nowill para Cegos, reúne ensaios escritos por pesquisadores e críticos de cinema que tornam possíveis a reflexão sobre os aspectos históricos, políticos e estéticos que repercutiram no período silencioso às principais produções sonoras.


O primeiro número dessa Coleção é dedicado ao cinema clássico e à almejada proposta de cinema industrial no Brasil. 


A filmografia de Humberto Mauro, o filme Limite, dirigido por Mario Peixoto em 1930, e a trajetória das produções realizadas nos estúdios da Cinédia, nas décadas de 1930 e 1940, são os temas contemplados em três volumes temáticos.


Os volumes I, II e III, em formato digital acessível, poderão ser acessados através do aplicativo DDReader (Dorina Daisy Reader). 


O aplicativo e os volumes destinados a pessoas com deficiência visual estarão disponibilizados gratuitamente no site da Coleção, e no site e biblioteca da Fundação Dorina Nowill para Cegos


A publicação em modo acessível também estará disponível em mídia digital (DVD) com distribuição gratuita em bibliotecas e instituições parceiras dessa Fundação.


 Acesse: www.colecaocinemabrasileiro.com e acompanhe os lançamentos!


 




25 de nov. de 2015

Especialistas cobram utilização de Libras e audiodescrição em filmes nacionais





Especialistas reivindicaram que a legislação sobre acessibilidade comunicacional seja realmente cumprida, em audiência sobre o tema na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados. 


Apesar de já previstos em lei e regulamentados desde 2004 pelo Decreto 5.296/04, mecanismos como audiodescrição, legendas descritivas e janela para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) ainda alcançam uma parcela muito pequena das produções audiovisuais.


A audiência pública foi requerida pela deputada Rosângela Curado (PDT-MA).


Um exemplo disso são as produtoras de filmes nacionais, que só passaram a se preocupar com a acessibilidade para pessoas com deficiência depois que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) publicou a Instrução 116/14, que obriga as produções financiadas com recursos públicos federais geridos pela agência a oferecer legendagem descritiva, audiodescrição e Libras.

 

Audiodescrição



A professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) Soraya Ferreira, que é doutora em formação de audiodescritores, exemplificou como os mecanismos de acessibilidade podem ampliar a comunicação e também atender pessoas sem deficiência. 


Ela realizou a audiodescrição de uma ópera e disse que, no meio do espetáculo, as pessoas que não eram cegas passaram a acompanhar a ópera com a sua descrição.


“Muitas pessoas que enxergavam não tinham conhecimento desse gênero e não estavam entendendo a dinâmica da ópera. Com a audiodescrição, elas passaram a ouvir e compreender tudo com mais detalhes”, disse ela.


Soraya Ferreira apresentou um guia orientador sobre uso de audiodescrição, legendagem e janela para Libras em produções audiovisuais, trabalho que foi feito em conjunto com os demais palestrantes. 


“Hoje não podemos mais usar a desculpa que não há parâmetros e que os profissionais não sabem como fazer. Há muitas pesquisas sendo feitas nas universidades”, disse Soraya, ponderando, no entanto, que é preciso buscar esses profissionais habilitados já que o uso inadequado dos recursos de acessibilidade podem confundir em vez de esclarecer o conteúdo.


A coordenadora de Gestão Estratégica da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Sylvia Bahiense Naves, explicou que esse guia foi feito de forma voluntária é um trabalho científico que foi amplamente testado. 


“A obrigação de oferecer acessibilidade causou um espanto na classe cinematográfica e eles não sabiam como fazer. As primeiras amostras de curtas acessíveis eram hilárias. Então vimos que era preciso esclarecer quais eram os parâmetros”, destacou a coordenadora, explicando que convidou os especialistas presentes na audiência para elaborar o guia orientador.


A primeira vice-presidente da comissão, deputada Zenaide Maia (PR-RN) elogiou a iniciativa de produzir o manual e defendeu o cumprimento da legislação. 


"Vocês estão mostrando que a acessibilidade comunicacional é possível. Nós temos uma lei moderníssima, mas é preciso executar. Vocês estão dando o exemplo aqui", ressaltou.


A deputada ressaltou a importância de se garantir o acesso ao guia elaborado pela universidade cearense ao maior número de pessoas possível. 


" Eu já me comprometi de conversar com Sylvia [Naves, do MinC] para saber se existe interesse e se é importante a gente reproduzir o guia, com autorização de vocês, e distribuir às instituições interessadas", afirmou.


Produção audiovisual



O professor de Libras Saulo Machado usou a linguagem durante sua explanação para criticar a falta de filmes brasileiros com recursos de acessibilidade, embora a obrigatoriedade já esteja prevista na legislação. 


“Legendas e a janela de Libras são recursos importantes para que os surdos ampliem o seu vocabulário. As empresas de audiovisual e os cineastas precisam trabalhar nisso.É um direito que os surdos têm”, disse Machado.


Saulo Machado, que atualmente cursa mestrado sobre linguagem cinematográfica na Universidade de Brasília (UnB), destacouainda que o Festival de Brasília do Cinema de Brasileiro foi pioneiro em oferecer recursos de acessibilidade comunicacional, o que levou ao aumento do número de pessoas com deficiência que frequentam o festival.


Para a professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece) Vera Lúcia Araújo, colocar legendas para surdos e ensurdecidos é um trabalho que vai além da legendagem comum no cinema. 


Segundo ela, é necessário harmonizar a legenda com o conteúdo do filme. 


“A legenda para surdos precisa dizer quem está falando quando a imagem não diz isso. Quando soa uma sirene, o surdo precisa saber por que as pessoas parecem assustadas”, disse ela, que tem 13 anos de experiência com legendagem.

Professora de Libras e doutoranda em Linguística pela UnB, Patrícia Tuxi destacou que a pessoa surda tem o direito de escolher qual modalidade linguística – a legenda ou a janela de Libras – é a mais adequada para acessar os conteúdos audiovisuais.


“É uma necessidade de que as duas formas estejam à disposição. A partir do nível linguístico individual, é fundamental que a pessoa exerça sua cidadania e escolha o que é melhor para si”, ressaltou a professora.


Na opinião da coordenadora da ONG Mais Diferença, Carla Mauch, é preciso haver uma punição para os responsáveis pelos filmes que não cumprem as normas sobre acessibilidade comunicacional. 


Ela lembrou que a lei de cotas no mercado de trabalho para pessoas com deficiência (art. 93 da Lei 8.213//91) só saiu do papel quando as multas começaram a ser aplicadas. 


“Os marcos legais avançaram muito nos últimos 15 anos mas eles não significaram, ainda, a conquista de direitos já que equiparação de oportunidades não é uma realidade quando falamos de acesso à informação”, disse ela.


Carla comemorou a presença de estudantes da UnB acompanhando a audiência. 


“É muito bom vê-los aqui, pois as obras que serão produzidas por vocês precisam estar acessíveis. As pessoas têm direito a conhecer o que se produz no Pais”, disse Carla Mauch. 


Ela destacou também que os recursos de acessibilidade podem introduzir novas possibilidades estéticas de se pensar o cinema.



25 de set. de 2015

São Paulo sedia mostra de filmes sobre pessoas com deficiência

Diversas pessoas em um palco, com os braços erguidos.



A sétima edição do Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes Sobre Deficiência começou, na última quarta (23), no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, e segue até 5 de outubro. 


A mostra, que já passou pelo Rio de Janeiro em agosto, exibe agora na capital paulista 33 filmes e promove quatro debates sobre os temas autonomia, imagem e estigma, ser artista e autismo.


Foram selecionados documentários, ficções e animações produzidos em 20 países, entre eles Austrália, Espanha, Alemanha, México, França, Chile, Polônia, Itália, República Tcheca, Bielorrússia, Rússia, Reino Unido, Cazaquistão, Eslováquia, Bélgica, Irã, Suíça, Ucrânia e Israel.


O Brasil participa do festival com sete produções:



 - E Agora José, Maria e João, de Marcio Takata, sobre perspectivas de futuro independente de adultos com deficiência intelectual; 

- Conjuntos, de Rodrigo Cavalheiro e Monica Farias, que mostra uma tarde de ensaio de dança inclusiva; 

- Tatuagem e Terremoto, de Sávio Tarso e Nilmar Lage, com o depoimento de uma vítima da poliomielite; 

- Marcelo, de Jéssica Lopes, sobre o universo sonoro de uma criança que está em fase de adaptação ao implante coclear; 

- A Onda Traz, O Vento Leva, de Gabriel Mascaro, sobre a jornada sensorial de Rodrigo, que tem deficiência auditiva e trabalha com instalação de som em carros; 

- Marina Não Vai à Praia, de Cássio Pereira dos Santos, sobre o sonho de uma menina com Síndrome de Down de ir à praia; 


- Outro Olhar, de Renata Sette, que apresenta a atitude das pessoas ao redor de uma adolescente com Down na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.


O festival abriu nesta quarta-feira às 13h com o alemão Carmina – Viva a Diferença, de Sebastian Heinzel. 


O documentário mostra um projeto internacional de dança em que mais de 300 dançarinos profissionais e amadores com e sem deficiência encenam a famosa cantata Carmina Burana, de Carl Orff. 


O longa de 80 minutos tem como tema central a inclusão, contra o que alguns participantes se rebelam algumas vezes. 


Além das dificuldades de relacionamento, o filme acompanha o árduo processo de ensaios em que os dançarinos são constatemente desafiados.

 
Todos os filmes foram produzidos entre 2012 e 2015, e a maioria tem como protagonistas pessoas com algum tipo de deficiência, como autismo, Síndrome de Down, deficiência intelectual, visual, auditiva ou física. Segundo a curadora do evento, Laura Pozzobon, o assunto que mais se destaca nesta edição do festival é a autonomia. 


“O amor e as lutas políticas das pessoas com deficiência já foram temas do festival. Este ano, recebemos uma grande quantidade de filmes sobre pessoas com autismo, com Síndrome de Down e deficiência intelectual. 


Mas o grande tema deste ano, que norteia a maior parte dos filmes, é a autonomia, a possibilidade de uma vida com independência. Este assunto surge como o grande objetivo, o grande desejo, o grande sonho. 


Os filmes, em seu conjunto, nos trazem um belo repertório de experiências, dificuldades e conquistas nesse sentido”, afirma.


Além de ser gratuita, a mostra Assim Vivemos oferece recursos de acessibilidade para todos os públicos: audiodescrição em todas as sessões e catálogos em braile para pessoas com deficiência visual; legendas closed caption nos filmes e interpretação em libras nos debates para as pessoas com deficiência auditiva; e fácil acesso para pessoas com mobilidade reduzida e cadeirantes.


Confira a programação completa do festival no site www.assimvivemos.com.br.

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Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes Sobre Deficiência


Quando: de 23 de setembro a 5 de outubro

Onde: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo - Rua Álvares Penteado, 112, Centro, São Paulo (SP)
 
Quanto: grátis
 
Mais informações: www.assimvivemos.com.br


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