Mostrando postagens com marcador Educação Inclusiva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educação Inclusiva. Mostrar todas as postagens

31 de ago de 2016

Plataforma inédita permite que pessoas com tetraplegia estudem via Ensino a Distância




A UNINASSAU, instituição do Ser Educacional, um dos maiores grupos privados de educação do Brasil e líder nas regiões Nordeste e Norte, lança plataforma inédita que permite que pessoas com tetraplegia estudem por meio de modelos de ensino a distância


O lançamento foi divulgado na última sexta-feira dia 26/08, com a presença da deputada federal Mara Gabrilli. 


Na ocasião, uma aluna com distrofia muscular foi presenteada com uma bolsa de estudo para graduação em Marketing. 


O lançamento consolida a segunda etapa do programa EAD Social da UNINASSAU


A primeira fase concedeu bolsas de graduação e pós-graduação para mães com filhos com microcefalia e doenças raras. 


Nesta etapa do projeto, pessoas com tetraplegia poderão estudar via EAD utilizando a plataforma denominada Handsfree, criada pela ONG que leva o mesmo nome. 


O evento faz parte da Semana Estadual e Municipal da Pessoa com Deficiência, promovida pela  Aliança de Mães e Famílias Raras (AMAR).


O equipamento especial possibilita que pessoas mexam o cursor do mouse apenas com a cabeça, permitindo assim, formas de estudo e interação com o ambiente digital.  


O aparelhamento também permite à pessoa com deficiência ligar ou desligar eletrodomésticos e demais itens eletrônicos, por meio da automatização de suas residências ou escritórios.


Ter acesso ao ensino superior é o desejo de grande parte dos cidadãos e isso vai além do sexo, crença, posição social e limitações físicas e psicológicas. 


Foi com o propósito de propagar o acesso à educação, que a UNINASSAU, em parceria com o Instituto HandsFree Tecnologias Assistivas, criou a plataforma para pessoas portadoras de tetraplegia.


Para Sérgio Murilo, coordenador de Responsabilidade Social do Grupo Ser Educacional (mantenedor da UNINASSAU), essa oportunidade é um marco na garantia do acesso ao ensino superior


"Tornar possível que uma pessoa com tetraplegia possa fazer uma graduação via EAD utilizando uma tecnologia assistiva, como o Handsfree, é algo inédito e fantástico", conclui


Fonte: Revista Incluir

 



26 de abr de 2016

Educação Inclusiva é o tema do próximo Debate Aberto




28 de abril é o Dia Mundial da Educação. A data marca a realização do Fórum Mundial de Educação, no ano 2000, na cidade de Dakar, no Senegal. 


Na ocasião, representantes de 180 países se comprometeram a não poupar esforços para garantir o direito de todas e todos a um ensino de qualidade. 


Para comemorar a data, na próxima quinta-feira (28/04), às 19h, o site do projeto Diversidade na Rua da Mercur realizará um debate online sobre a Educação Inclusiva nas escolas.


Um dos pontos centrais do debate é desmistificar se é possível atender um estudante com deficiência na escola regular. 


Desde 2011, o projeto DIVERSA tem viajado para diferentes regiões do mundo para pesquisar escolas que atendem com qualidade crianças e adolescentes com deficiência em salas de aulas comuns. 


Além disso, a plataforma desenvolvida pelo Instituto Rodrigo Mendes (IRM) recebe relatos de educadores que oferecem respostas positivas a essa questão. 


O objetivo do projeto é transformar essas práticas em fonte de referências para pessoas comprometidas com o desafio da educação inclusiva.


A conversa será comandada pelo superintendente do IRM, Rodrigo Hübner Mendes. Rodrigo é graduado em Administração de Empresas e mestre em Gestão da Diversidade Humana pela Fundação Getúlio Vargas, onde atua como professor. 


“Temas complexos, como a educação inclusiva, requerem espaços que estimulem e valorizem o diálogo entre as diversas esferas sociais envolvidas com o tema”, destaca o superintendente.


Por ser aberto ao público, qualquer pessoa que tenha interesse no tema pode participar do Debate Aberto acessando o site (www.diversidadenarua.cc/debate). 


O formato é como o de um fórum: as questões são lançadas pelos participantes e todas as respostas podem ser replicadas. Para interagir é preciso fazer um cadastro rápido e simples. 


Sobre Rodrigo Hübner Mendes e o IRM:



Rodrigo foi aluno do curso de Liderança e Políticas Públicas para o século XXI na Kennedy School of Government, em Harvard e é membro do Young Global Leaders (World Economic Forum) e empreendedor social Ashoka.


Desde 2004, dirige o Instituto Rodrigo Mendes (IRM), organização sem fins lucrativos fundada por ele em 1994. 


O Instituto desenvolve programas de pesquisa, formação continuada e controle social na área da educação inclusiva


O objetivo da organização é contribuir com a transformação do sistema público de ensino brasileiro em um modelo inclusivo, capaz de acolher a diversidade humana em sua plenitude.


***

Instituto Rodrigo Mendes na Web:


Site : www.rm.org.br
 
Twitter: @projetodiversa
 


***




 

23 de mar de 2016

O tabu da educação inclusiva no ensino privado

 
 
Nos últimos 15 anos, a inclusão de alunos com deficiência em classes comuns do ensino público avançou de forma expressiva no Brasil. 
 
 
Em 2001, apenas 20% dos alunos com necessidades especiais matriculados em escolas públicas frequentavam classes comuns junto a alunos considerados “normais”, Em 2014, esse número saltou para 93%, segundo dados do Censo Escolar.
 
 
O cenário é bem diferente nas escolas particulares, onde cerca de 80% dos alunos com necessidades especiais permanecem, atualmente, segregados em instituições especializadas ou classes especiais. 
 
 
Agora, uma nova lei obriga as escolas particulares a se adaptarem para receber alunos com qualquer grau de deficiência, vetando a cobrança de valores adicionais aos familiares destes alunos e aumentando a punição para escolas que recusarem a matrícula.
 
 
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15) entrou em vigor em janeiro de 2016 sob os protestos de um sindicato que reúne escolas particulares, a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen). 
 
 
A Confenen entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal para tentar derrubar as exigências feitas na lei à iniciativa privada.
 
 
A Confenen alega que o direito de propriedade e a função social das escolas particulares estão sendo violados pela lei. 
 
 
O sindicato diz que seus professores não têm preparo para educar alunos com qualquer grau de deficiência e que, sem repassar os custos da inclusão às famílias beneficiadas, as novas obrigações levariam à desestruturação do ensino e ao fechamento de escolas particulares, pois lançariam sobre elas encargos e custos proibitivos que são de responsabilidade do poder público.
 
 
“Estão confundindo educar com socializar, ou colocar no meio dos outros, e isso não resolve. A pessoa com deficiência precisa de tratamento especial para evoluir e o custo é altíssimo. Ele vai ser enganado que está recebendo o tratamento que necessita quando não vai receber”, diz Pedro Dornas, presidente da Confenen, para quem “a obrigação de oferecer educação especializada a deficientes é do poder público”.
 
Já os que defendem a inclusão escolar em todas as instituições de ensino dizem que as escolas particulares estão preocupadas apenas com o lucro enquanto esquecem que sua função principal é a formação integral da pessoa e a transformação dos alunos em pessoas mais solidárias.
 
 
“A escola particular exclui qualquer criança e não somente aquela com deficiência.A maioria não quer qualquer tipo de pessoa que não tenha sucesso na escola, que não vá passar no vestibular. Seguem a lógica de que quem tira dez aperta a mão do diretor, quem não tira não aperta”, diz Ielva Maria Ribeiro, professora de educação especial da rede pública de São Gonçalo, no Rio.
 
 
Uma liminar da Confenen pedindo a suspensão da lei de inclusão foi indeferida pelo relator da ação no STF, o ministro Edson Fachin, mas o plenário do Supremo ainda precisa avaliar a matéria. O julgamento, que deveria acontecer em março, foi adiado a pedido da Confenen.
 
 

A inclusão na prática

 
 
A pedagoga Maria Teresa Égler Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade da Unicamp, cita a Constituição e normas anteriores à nova lei que definem  a inclusão escolar como um dever de toda instituição de ensino, e não somente das públicas.  
 
 
Maria Teresa rejeita os cálculos da Confenen e diz que os custos das adaptações e dos recursos necessários para acomodar alunos com deficiências não são proibitivos. 
 
 
“Não precisa ter um professor de educação especial para cada aluno. Basta ter um profissional capacitado para a escola inteira. Esse professor de Atendimento Educacional Especializado vai estudar todos os casos da escola, verificar as necessidades de cada aluno, fazer parcerias, buscar recursos e apoios que façam com que esses alunos possam participar de uma aula, que é igual para todo mundo, na sala de aula comum”, diz
 
 
Quanto à avaliação desses alunos, Maria Teresa explica que a inclusão traz uma grande mudança. 
 
 
A avaliação de todos os alunos – e não somente daqueles com deficiência — passa a se concentrar na evolução do indivíduo por ele próprio e não por uma média.  
 
 
O ensino continuará a se basear na passagem de ano, mas a avaliação é feita em função da capacidade de cada um.
 
 
“Argumentar que a educação especial e restritiva tem que substituir a educação comum para pessoas com deficiência é um pensamento do século passado. A gente aprende em ambientes desafiadores e comuns de educação que não discriminam, não têm preconceitos, não restringem, não limitam a educação para alguns”, diz.
 
A Professora de Atendimento Educacional Especializado (AEE) na Creche Municipal José Calil Abuzaid e no Instituto de Educação Clélia Nanci, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Ielva Maria acompanha um total de 14 alunos em ambas as instituições. 
 
 
Ela explica que sua principal função como professora de AEE não é reforçar o conteúdo aprendido em sala de aula, mas oferecer recursos que possam ajudar os alunos com necessidades especiais a superarem as barreiras do aprendizado.
 
 
“Na Clélia Nanci [escola de ensino médio] temos a Paula. De um dia para o outro, a Paula acordou com baixa visão por conta de uma toxoplasmose e era definitiva. Disponibilizamos para ela um recurso ótico, uma régua de ampliação, que para ela foi suficiente”.
 
 
Ielva garante que a estratégia funciona até para crianças com as deficiências mais profundas, mesmo quando o problema é intelectual ou comportamental. 
 
 
Diz que uma boa escola disponibiliza uma série de recursos para o aluno conseguir realizar exatamente aquilo que ele tem condição de fazer, potencializando as habilidades dele.
 
 
“O Elias tem autismo, está no sexto ano e estava à beira de uma reprovação.A princípio ele mal falava e não olhava para mim quando eu conversava com ele. O que fizemos na sala de recursos? Pensamos: quais as dificuldades do Elias? Começamos a fazer um trabalho com jogos, com incentivo à leitura na biblioteca e o inserimos em um grupo de alunos com habilidades de superdotação, o que deu muito certo. Não trabalhamos o conteúdo da sala. Esses alunos passaram a ser um círculo de amigos dele”.
 
Até para os casos mais extremos Ielva garante que “sempre tem um caminho”. Um de seus alunos da creche tem paralisia cerebral e microcefalia, mas desenvolveu a fala e alguns movimentos das mãos. 
 
 
“Fazemos treinos de pegar coisas maiores e menores, de mover de um lugar para o outro, usamos o plano inclinado e hoje quando a professora trabalha os animais em sala, ele já está conseguindo colocar os que ficam na água, na terra, com animaizinhos cortadinhos com velcro atrás”.
 

Ielva diz que o professor comum não precisa ter especialização para trabalhar com alunos deficientes, pois é o professor de AEE que deve orientá-lo, inserindo o AEE no projeto da escola e dando visibilidade a ele.
 
 
“Tem o professor que se vitimiza e diz que não está preparado, mas este não trabalha bem com ninguém. E tem outros que acham que é preciso saber muito além do que já sabem, quando na verdade não precisam. Quando você tira esse medo desses professores, quando você tira essa venda dos olhos, eles conseguem fazer um trabalho muito bonito”.
 
 
 
 
 

Especialistas mostram caminhos para a educação bilíngue de surdos

 
 
 
A educação de surdos tem sido um desafio para escolas de todo Brasil. 
 
 
Embora exista uma lei que oficialize a Língua Brasileira de Sinais (Libras) há mais de dez anos, o ensino passa por uma fase de adaptação e, devido a problemas estruturais ou de gestão, essa lacuna entre os ideais dos documentos legais e a realidade ainda está aberta. 
 
 
É o que mostram as especialistas e atuantes na área da surdez Cristina Broglia Feitosa de Lacerda, Lara Ferreira dos Santos e Vanessa Regina de Oliveira Martins, organizadoras da obra 
 
 
"Escola e diferença: caminhos para educação bilíngue de surdos", lançamento da EdUFSCar, com apoio da Fapesp.
 
Retratando a experiência de um programa de educação inclusiva bilíngue para surdos em um município no interior do Estado de São Paulo, a obra é mais do que uma coletânea de relatos investigativos. 
 
 
É o resultado de uma de pesquisa realizada entre 2008 e 2013, criada e coordenada por Cristina Lacerda, que busca evidenciar o árduo caminho percorrido para se criar alternativas, implementar e realizar pesquisas no âmbito escolar que na atualidade conta com uma abordagem social inclusiva.
 
 
Dividida em quatro partes, as organizadoras fazem uma contextualização do projeto, destacando os desafios de gestão e pressupostos de práticas de um trabalho inclusivo que conta com a Libras como língua de instrução. 
 
 
Apresentam algumas práticas de educação bilíngue em níveis de escolarização distintos, com exemplos de ações voltadas à constituição do espaço de atuação de educadores surdos, bem como dos intérpretes educacionais ouvintes. 
 
 
Encerram com um detalhado estudo sobre o ensino de português como segunda língua para surdos no ensino fundamental em que a Libras tem seu papel preservado nas interações pedagógicas.
 
 
"Procuramos, neste livro, detalhar aspectos da intervenção e pesquisa realizada que foi balizada pelos seguintes objetivos: criar escolas preparadas para o atendimento de alunos surdos na Educação Básica, de acordo com o Decreto 5.626/2005, e buscar resultados satisfatórios de escolarização para alunos surdos incorporando a Libras ao espaço escolar, repensando metodologias e desenvolvendo didáticas apropriadas para estes alunos", explicam as especialistas.
 

Sobre as organizadoras 

 
 
  • Cristina Broglia Feitosa de Lacerda é professora graduada em Fonoaudiologia pela USP, mestre e doutora em Educação pela Unicamp, tem experiência em Fonoaudiologia com ênfase em surdez e na área educacional, e coordena o Programa de Educação Inclusiva Bilíngue na rede municipal de Campinas. 
 
 
  • Lara Ferreira dos Santos é professora da UFSCar, graduada em Fonoaudiologia pela Unimep, mestre em Educação também pela Unimep e doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da UFSCar, tem experiência em Fonoaudiologia com ênfase em surdez e na área educacional, e atua como assessora do Programa de Educação Inclusiva Bilíngue na rede municipal de ensino de Campinas. 
 
  • Vanessa Regina de Oliveira Martins é graduada em Pedagogia com habilitação em Educação Especial pela Puccamp, mestre e doutora em Educação pela Unicamp. Atualmente é professora do curso de Bacharelado em Tradução e Interpretação de Libras e Língua Portuguesa do Departamento de Psicologia da UFSCar e coordenadora do Grupo de Estudos Discursivos em Língua de Sinais (GEDiLS).
 
***
 
 
Livro: Escola e diferença: caminhos para educação bilíngue de surdos
 
Autoras: Cristina Broglia Feitosa de Lacerda, Lara Ferreira dos Santos e Vanessa Regina de Oliveira Martins
 
Número de páginas: 241
 
Formato: 16 x 23 cm
 
Preço de lançamento: de R$ 39,00 por R$ 31,20
 
ISBN: 978-85-7600-423-3
 
 
*** 
 
 
 
 
 

2 de mar de 2016

Estudantes com deficiência são incluídos em jogo de Rugby



Foi por meio do Rugby, esporte popular em países como Austrália e Nova Zelândia, que uma escola da periferia de São Paulo encontrou caminhos para uma educação mais inclusiva


Localizada no distrito de Cidade Tiradentes, a EMEF Água Azul – Professor Paulo Renato Costa Souza promoveu no ano passado um projeto de Educação Física, no qual os estudantes criaram suas próprias regras para permitir que o Rugby fosse praticado por todos. 


Entre as turmas do 9º ano que realizaram as atividades, três alunos apresentavam alguma deficiência.


Em sala de aula, os estudantes tiveram um primeiro contato com a história, os fundamentos e as variações do esporte. 


Já em quadra, eles foram desafiados a formular regras que permitissem a participação plena de Fabiana, de 19 anos, cadeirante e com paralisia cerebral; João Vitor, de 14 anos, com baixa visão e Mateus, de 14 anos, com deficiência intelectual. 


O Tag Rugby foi escolhido por ser uma variante de iniciação à modalidade na qual não há contato físico. Já as formas de realizar o passe de bola para os alunos com deficiência física e visual foram alteradas.


Segundo os educadores Ana Paula Rocha, Marisa Cristina Juliani, Patrícia Diniz e Ricardo Fagnani Costa, idealizadores da iniciativa, os benefícios da prática extrapolaram os limites da quadra de esportes a mudaram a maneira com que a comunidade escolar enxergava as pessoas com deficiência. 


Para mais informações sobre as etapas de execução e as regras criadas no “Rugby para todos”, acesse o relato de experiência no DIVERSA





24 de nov de 2015

Optar por escolas inclusivas pode definir a pessoa que seu filho irá se tornar





Em época de “matrículas abertas” na fachada das escolas vale refletir sobre as escolhas de onde matricular os filhos. 


Optar por escolas inclusivas mesmo que seu filho não tenha nenhuma deficiência é extremamente recomendável para o adulto que ele vai se tornar. 


Para Carolina Freire de Carvalho, coordenadora geral da Fundação Síndrome de Down, a convivência com as diferenças faz a pessoa se tornar um adulto mais flexível. 


“Uma pessoa que conviveu ao longo de sua vida cotidiana com as diferenças, tende a ser um adulto com pensamento mais flexível, tem acesso a modelos sociais mais amplos, e, portanto, estará melhor preparado para viver numa sociedade diversificada”, ressalta. 


Recentemente a entidade realizou um levantamento junto aos usuários em idade escolar (entre 6 meses e 18 anos) que revelou que 62% estão matriculados em escolas públicas enquanto 38% frequentam escolas privadas.


O número não surpreende quem convive com esta realidade: muitas escolas privadas relutam em receber alunos com alguma deficiência, principalmente a intelectual. 


Isso acontece, principalmente, porque todas as escolas devem, desde 2008, seguir a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, mas as escolas públicas costumam estar mais adequadas a esta Política. 


As instituições particulares que fecham as portas não sabem, no entanto, os benefícios que aceitar crianças com deficiência podem trazer para os demais alunos da escola e para a própria instituição. 


“A escola inclusiva proporciona uma convivência e desenvolvimento humanos em um espaço de diferenças, que considera cada um em sua singularidade no processo de ensino-aprendizagem e de convívio social, desenvolvendo respeito mútuo e uma postura inclusiva perante a vida”, explica Carolina.


De acordo com Daniel Nascimento, pedagogo e coordenador de processos da Fundação, o principal relato das mães de pessoas com deficiência intelectual ainda é negar a matrícula. 


“Dentre as reclamações que ouvimos de pais de pessoas com deficiência intelectual, a principal é a negativa de matrícula. Ainda que há anos já tenhamos legislação proibindo este tipo de discriminação, são incontáveis os relatos que temos de escolas que negaram a matrícula ao saberem que o estudante tinha deficiência intelectual. Outra reclamação que ouvimos sistematicamente diz respeito à qualidade da educação oferecida.Muitos pais, corretamente, questionam os métodos e apoios oferecidos por suas escolas, exigindo que sigam exatamente a legislação vigente. Querem, com isso, que seus filhos de fato sejam incluídos em todos os processos relativos à vida escolar sem serem excluídos de algumas disciplinas ou conteúdos”, relata.


Não são raros os pais com filhos na Fundação e com condições de pagar por escolas particulares, mas que optaram pelas públicas por entenderem que teriam acesso à uma educação de melhor qualidade com essa mudança.






8 de out de 2015

Mães fazem manifestação na capital em apoio a pessoas com deficiência






Mães e entidades que apoiam pessoas com deficiência fizeram uma manifestação nesta quarta-feira (7) em Florianópolis. 


Elas repudiam a carta publicada pelo Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe), como mostrou o RBS Notícias.


No documento, o Sinepe explica que é contra o Estatuto da Pessoa com Deficiência porque obriga as escolas particulares a receberem alunos com necessidades especiais e oferecer toda estrutura que eles precisam sem cobrar nada a mais das famílias.


Na carta, há frases sobre a capacidade das pessoas e até sugere possível comportamento agressivo, como uso de armas.

Manifestação


Durante a manifestação, as mães abraçaram a figueira da Praça XV, no Centro da capital. 


"A gente espera mais respeito, mais humanidade, mais solidariedade com as pessoas com deficiência. Inclusive, a gente quer mostrar o nosso lado também, que a gente luta muito pela inclusão dos nossos filhos", disse Maria Aparecida Goulart, mão de um autista.

A Câmara de Vereadores de Florianópolis participou do abraço e aprovou na terça (6) uma moção de repúdio à carta.


O Ministério Público também pediu que o Sinepe publique uma outra carta admitindo que a inadequação da linguagem.


O sindicato informou nesta quarta que está escrevendo uma nota de esclarecimento, em que se mantém contra o Estatuto da Pessoa com Deficiência, mas reconhece que usou linguagem severa e palavras deselegantes.

Carta


Na carta, o Sinepe/SC afirma que só instituições especializadas estariam preparadas pra educar essas crianças sem "charlatanismo". 


Pela lei federal, toda escola deve adaptar sua estrutura até 2016 para receber os alunos com necessidades especiais.


Sobre a capacidade dos alunos, a entidade questiona em trechos: 


"Há condições de um autista ou alguém com idade mental reduzida e psicológica ser Presidente da República? (...) É possível um cego ser piloto de avião? (...) Como proceder diante de alunos que, sem capacidade de discernir, armado, ameaça os colegas?".

Repúdio


A OAB e entidades repudiaram o documento. "A carta é preconceituosa, mas principalmente criminosa", disse a presidente da comissão de Direito das Pessoas com Deficiência OAB-SC, Ludmila Hansich.


"Caso você pegue uma pessoa com deficiência e não está preparado, vai tratar de se preparar. É de responsabilidade da escola, da sociedade, do governo. Então, não tem ainda o preparo, vamos buscar", afirmou Vera Lopes, da Associação de Pais e Amigos de Autista de Florianópolis.


A neuropsicopedagoga Mariele Finatto defende que a inclusão feita de uma maneira adequada, com a escola preparada, tendo todo o apoio pedagógico necessário, ela vai dar muito certo sim. Tanto pra criança, quanto pra comunidade escolar.

 

Debate nacional


A Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (CONFENEN) é contra a lei,  e entrou com uma ação inconstitucionalidade no Superior Tribunal Federal (STF) .Essa semana,  a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrou na discussão e quer acompanhar de perto esse julgamento.


 


 

24 de set de 2015

Número de pessoas com deficiência em escolas comuns cresce 381%

 


Na semana do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, comemorado na última segunda-feira, 21, o país tem o que apresentar como avanços. 


De 2003 a 2014, a inclusão na educação básica brasileira passou de 29% para 79%, o que significa crescimento de 381%. O número de estudantes, que era de 145.141 no início da década, chega atualmente a 698.768. 


A política de inclusão do Brasil também atingiu a educação superior, que registrou aumento de 475% — de 5.078 para 29.221 alunos ingressos nos últimos 12 anos.


Segundo a diretora de políticas de educação especial da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação, Martinha Dutra dos Santos, a comemoração não é no sentido de festejar, mas de marcar a data. 


“Antes, vivíamos um apartheid: pessoas com deficiência, em situação de vulnerabilidade social, distantes da escolarização. Organizações não governamentais substituíam o Estado, que se desincumbia de seu deve”, disse.


Os números da estrutura de atendimento mostram que 42 mil escolas foram beneficiadas com salas de recursos multifuncionais; 2.307 veículos para transporte escolar acessíveis em 1.541 municípios; 30 centros de formação de profissionais da educação e de atendimento a pessoas com surdez; 55 centros de apoio pedagógico às pessoas com deficiência visual e financiamento de núcleos de acessibilidade nas instituições federais de nível superior. Martinha observa que os números são eloquentes. 


“Mostram o processo de construção de um novo paradigma de sociedade, com cidadania, distante do modelo de tutela, de caridade e assistencialismo”, afirmou. 


Para Martinha, a última década foi de conquista dos movimentos sociais em defesa da inclusão da pessoa com deficiência na educação. 


“Este é um momento de reconhecer um novo cenário social no Brasil.”


Cursos — Também no aspecto pedagógico, a inclusão de pessoas com deficiência avançou nos últimos 12 anos. Foram criados 30 cursos de letras com linguagem brasileira de sinais (libras), que oferecem anualmente 2.250 vagas para formação de professores, tradutores e intérpretes, e liberados 114 títulos no método braile, 383 em sistema de informação digital acessível (mecdaysi) e 13 obras em libras–língua portuguesa.


O Brasil ratificou, como emenda constitucional, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU. 


No artigo 24, o texto afirma que é dever do Estado assegurar sistema educacional inclusivo em todos os níveis.


“À sociedade cabe promover a acessibilidade e possibilitar independência e participação plena em todos os aspectos da vida às pessoas com deficiência”, disse o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro.


Em pronunciamento em comemoração à data, o ministro observou que o conjunto de ações provocou “vertiginosa mudança” na educação brasileira. 


“Por tudo isso, hoje é dia de celebrar essas valiosas conquistas, sem, no entanto, perder de vista os desafios que devem nos fazer avançar, continuamente, rumo à construção de uma sociedade em que todos possam conviver e aprender juntos.”