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28 de nov de 2016

Marcos Mion lança livro em homenagem ao seu filho nesta quarta-feira

O apresentador Marcons Mion, lança nesta quarta-feira dia 30/11 o seu primeiro livro A escova de dente azul em homenagem ao seu filho Romeo que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), na Livraria Cultura, no Shopping Iguatemi, Jardim Europa, em São Paulo (SP) às 18h30. 


Em dezembro do ano passado, Mion publicou em sua página do Facebook o texto: "Lições que aprendi com meu filho autista", contando sobre o presente que o filho pediu de Natal para o Papai Noel, que era a escova de dente azul e foi convidado pela editora Pandas Book a transformar essas liçoes em um livro.


"A informação do quão enriquecedor é a convivência com uma criança autista tem que chegar direto nas crianças, para que se tornem adultos melhores e que nosso filho Romeo, e todas crianças com TEA, vivam num mundo mais consciente, informado e respeitador!", comenta Mion, em sua página no Facebook.




A história é narrada pela cachorra de estimação, Pankeka, que intereje com os leitores de uma forma mais leve e descontraída, além da mãe Suzana e os irmãos. O livro é para crianças a partir de 6 anos e custa R$39,90. 







Fonte: Revista Incluir




28 de out de 2016

Pai tatua aparelho auditivo igual ao da filha



O neozelandês Alistair Campbell pai da menina Charlotte, de 6 anos teve a ideia de fazer uma homenagem à filha antes de ela se submeter à cirurgia para receber seu segundo implante coclear.


Charlotte tem uma deficiência auditiava grave,fazendo com que fosse necessário utilizar um implante de aparelho auditivo aos 4 anos, pois antes disso ela era surda e conseguiu ouvir graças ao implante coclear . 


E para que ela não sentisse diferente das outras pessoas por conta do aparelho, o pai decidiu tatuar um aparelho exatamente igual ao dela em sua cabeça.


O problema de audição de Charlotte não é o único na família, a esposa de Alistair também precisou de implantes auditivos, enquanto seu segundo filho depende de aparelhos para ouvir melhor. 


Essa é a primeira tatuagem do neozelandês, que confessa ter planos de deixar o cabelo crescer novamente e raspá-lo em ocasiões especiais ou quando a filha pedir.



Fonte: Revista Incluir


 

28 de set de 2016

Cães-guias ajudam casal de cegos a se apaixonar




Verdadeiros anjos na vida de pessoas com deficiência visual, os cães-guias do advogado Genival Santos, 37, e da cientista de dados Katia Antunes, 33, podem ser considerados cupidos.


O casal, que mora em São Paulo, se aproximou, se apaixonou e se casou graças a um outro encontro amoroso, o de seus cães-guias: a labradora com golden retriever Leila, 10, e o labrador caramelo Sam, que vieram juntos, de Michigan, nos EUA, para serem a retomada da “luz dos olhos” dos dois.


“Fomos buscar os cães nos EUA, por meio do Instituto Iris, na mesma época [em 2006]. Durante os treinamentos de comando do cão, de até 12 horas por dia, aproveitava para paquerar a Katia, enquanto o Sam brincava com a Leila”, diz Genival.


Já no Brasil, o casal foi estreitando laços no intuito de “tirar dúvidas” sobre cuidados com os peludos. Acabaram se casando há cinco anos e juntando a cachorrada.


“Brinco que, hoje, os cães são mais ligados que eu e meu marido. Um não larga o outro. A Leila faz o Sam até de travesseiro”, conta Katia, que perdeu totalmente a visão há seis anos. Ela chegou a conhecer visualmente os traços do marido.


Segundo o relato de Genival, é “muito amor envolvido” entre cães e gente.


“Chego mais cedo em casa com a Leila e ela fica aguardando o Sam e a Kátia. Não sei como, mas quando eles estão há uns 500 metros do portão ainda, ela consegue saber que estão se aproximando e fica inquieta.”


A importância dos cães para a dupla é tão grande que até a casa onde moram atualmente foi escolhida para acomodar com conforto a dupla canina. Tem quintal, um quarto só para eles e muito espaço para correria.


Aposentadoria



Juntos, os quatro já foram para Argentina, Portugal, Uruguai e zanzaram de norte a sul do Brasil. Agora, Katia e Genivaldo se preparam para um momento delicado, o de aposentar seus bichos.


“O Sam ainda consegue manter a rotina de trabalho comigo normalmente, mas o ritmo está diminuindo. Ele está mais cansado e em breve terá de parar”, conta a dona.


A cadela Leila também sente as dores do tempo. Até para ser escovada, pela manhã, sente um incômodo na coluna. 


“Eles estão muito acostumados com o contato com gente o tempo todo. Quando aposentarem, teremos de ter uma auxiliar em casa para fazer companhia a eles ou terão de ficar na casa da avó [da sogra]”, afirma o dono.


Mesmo com a chegada dos novos condutores de seus passos, o que ainda não tem data prevista, Katia e Genival não vão abrir mão da antiga dupla de cães e cupidos.


“Fiquei cego aos 17 anos e vivi muitos momentos de revolta. Odiava a minha condição. A Leila veio trazer esperança, nova vida e nova visão, literalmente. É mais do que justo darmos uma velhice digna para nossos cães.”


Nos próximos anos, a cachorrada vai se juntar a um bebê, plano futuro do casal.


“Estamos planejando tudo muito bem. Primeiro, vamos resolver a questão dos novos cães, depois, tentamos um bebê”, diz Katia.


Pelo Censo 2010 do IBGE, o Brasil tem 582.000 pessoas cegas e outras 6,5 milhões com baixa visão. Estimativas não oficiais dão conta que entre 100 e 150 deles têm acesso a um cão-guia, que tem valor de treinamento estimado em até R$ 60 mil.



Foto: Bruno Sanches/Folhapress


 
 
 

24 de ago de 2016

Deficiente visual vai fotografar Paralimpíadas





A deficiência visual não é barreira para fotógrafo profissional João Batista da Silva, 41 anos, morador do Brás em São Paulo, capital – aluno de fotografia eduK há 1 ano e meio. 


João perdeu a visão aos 28 anos por consequência de uma uveíte bilateral. A doença deixa sequelas que só são constatadas tempos depois e, no caso de João, o olho direito teve descolamento de retina, além de zerar a pressão ocular e no esquerdo, uma lesão no nervo ótico o deixou com a visão muito baixa. Hoje ele percebe vultos, cores e formatos (quando estão bem definidos e próximos).


Na adolescência e juventude, João foi atleta e treinou para participar de Olímpiadas: praticava lançamento de peso, dardo e disco. 


A deficiência visual atropelou o sonho, mas ele superou, se entregou para a fotografia e, em setembro próximo, João vai fotografar as Paralimpíadas Rio 2016 e será o primeiro fotógrafo com deficiência visual a cobrir o evento


Ele utiliza um aplicativo de celular que o direciona de toda a cena da foto por voz e atende ao comando dele para os cliques, além de câmeras convencionais de fotografia profissional.


A fotografia entrou na vida de João ainda na adolescência, mas ele mesmo se define como um simples amante da arte desde então. Tem como ídolo e referência Evgen Bavcar (fotógrafo esloveno – deficiente visual – de grande destaque internacional). 


João acredita que a disponibilidade para estar sempre se atualizando e aprendendo é essencial para fotografar.


Ao ser diagnosticado com a deficiência visual, aos 28 anos de idade, João perdeu o emprego de carteiro. 
Passado o período de aceitação, ele se atirou na fotografia: tomou conhecimento sobre maneiras de se aperfeiçoar. Ele é especialista da editoria de esportes e se dedicou a cobrir eventos como o Circuito Caixa de Atletismo:

“Como eu já tinha familiaridade com o ambiente, rotina e toda a percepção do atletismo, ficou mais fácil e hoje acabo conseguindo cliques até melhores que os fotógrafos sem deficiência. Eu sei onde e como o atleta estará no momento da largada, da chegada...sei como me posicionar, monto meu tripé com minha DSLR e disparo o automático na hora exata. ”


João considera a eduK essencial para a carreira dele: “com os cursos eu consigo entender detalhes, voltar a cena e pegar todo o conteúdo com muita facilidade”.


Hoje, com a meta de participar de um evento olímpico alcançada, João estabeleceu outro objetivo: o de levar a fotografia com acessibilidade para todo o país. 


Quero montar uma exposição acessível com minhas fotos onde tenham legendas em braile ou relevo para expandir ainda mais este universo e mostrar que a deficiência não é um fim e sim um começo de uma nova vida. Defino fotografia em 3 palavras: luz, conhecimento e oportunidade”, João Batista da Silva, fotógrafo paulistano, 41 anos, aluno eduK. Primeiro deficiente visual a cobrir uma Paralimpíada.


12 de ago de 2016

Americano com atrofia muscular faz mochilão nas costas de amigos





Fazer um “mochilão” é um termo comum para viagens feitas por jovens. Mas para o americano Kevan Chandler, ganhou um novo significado na viagem que o americano  fez com três amigos pela Europa. Isso porque, no conteúdo de uma das mochilas, estava o próprio Chandler.


Na verdade, o americano sofre de atrofia muscular espinhal e, por isso, tem graves problemas de locomoção. Seu grande sonho era conhecer a Europa, mas não queria ir com sua cadeira de rodas motorizada.


Por isso, seus três amigos se revezaram em carregar Chandler nas costas em uma mochila especialmente fabricada para isso. 


“Minha cadeira de rodas é definitivamente onde eu estou mais confortável. Mas eu percebi que, por vezes, sair da sua zona de conforto vale a pena”, afirmou Chandler à revista People.


A ideia surgiu em 2013 quando Chandler e seus amigos foram explorar os esgotos da cidade de Greensboro, no Estado americano da Carolina do Norte. 


Como as cadeiras de rodas não conseguem circular pelos grandes encanamentos do local, o americano explorou o esgoto nas costas dos colegas.


Para a viagem pela Europa, Chandler ainda contou com a ajuda de diversas pessoas que doaram dinheiro para a aventura por meio de um site de financiamento coletivo. Ele também tem uma página no Facebook: We Carry Kevan.


Então, em junho, o americano e seus amigos partiram para conhecer a Irlanda, a Inglaterra e a França. 


Chandler se diz feliz por servir de inspiração para outras pessoas com atrofia muscular espinhal. Agora, o americano planeja escrever um livro sobre sua experiência internacional.


“Acho que estamos todos quebrados e deficientes de alguma forma. Isso é apenas menos óbvio para algumas pessoas. Portanto, a ideia de que temos de ser limitado por nossas deficiências apenas realmente não faz sentido para mim. A minha mensagem para as pessoas com deficiência extrema é se você tem algo que você quer fazer, você pode encontrar uma maneira de fazê-lo”, disse o aventureiro.


Fontes: Uol / Vida Mais Livre  
 
 
 

3 de ago de 2016

"Crianças com deficiência precisam do incentivo dos pais"




Aos 11 anos, Getulinho tem a desenvoltura de quem conhece desde sempre as dificuldades da vida, especialmente para uma pessoa com deficiência no Brasil. Fala com firmeza, apesar da pouca idade, e tem um olhar decidido.


Com limitações de movimento nas pernas, causadas pela paralisia cerebral, ele transitava pela quadra central do Instituto Neymar Jr, em Praia Grande, litoral sul de SP, após a partida final do Neymar Jr´s Five 2016, disputada no último dia 9 de julho.





“Eu não tenho nada. A deficiência faz parte da minha vida. É normal. Ninguém é perfeito.Os pais de crianças com deficiência precisam motivar seus filhos, acreditar que eles podem realizar o que sonham. Se o sonho da criança é jogar futebol, mas os pais não criam um cenário favorável, essa criança não vai crer nesse sonho”.diz Getulinho ao #blogVencerLimites


Getulinho afirma que recebeu essa motivação. E quando conhece crianças que deixaram de fazer algo porque não houve incentivo da família, tenta motivá-los. 


“Eu digo: o ‘não’ você já não tem. Para conseguir o ‘sim’, basta correr atrás”, diz.


Acostumado aos julgamentos alheios, ele diz que apenas os “invejosos” tentaram fazê-lo acreditar que a deficiência é um impedimento poderoso demais para que ele seguisse em frente. 


“Eu jamais acreditei nessas pessoas. O que elas me falam entra por um ouvido e sai pelo outro”.


O pai de Getulinho, Getulio Santos da Silva, conta que a facilidade de comunicação é própria do menino. 


“Ele nasceu com essa habilidade. Hoje é chamado para falar em seminários, escolas e outros eventos. As crianças com ou sem deficiência têm uma inspiração no Getulinho”, diz.

Veja a chamada do Teleton 2016 

 







28 de jul de 2016

Jovem com Down é o empreendedor mais novo de sua cidade

        Blake, garoto de 20 anos, parado em frente ao seu truck de raspadinhas. Ele sorri.


A pequena cidade de Sanger, no Texas, tem cerca de sete mil habitantes. Em maio deste ano, muitos deles se deslocaram para celebrar um novo negócio: o Blake’s Snow Shack, que comercializa raspadinhas.


Porém, procurar um refresco perfeito para os dias quentes não é o único motivo da visita em massa. 


O líder do empreendimento, Blake Pyron, tornou-se oempreendedor mais jovem da cidade, com 20 anos de idade. Além disso, também é o único dono de negócio com Síndrome de Down em toda a cidade.


História



Quando Blake nasceu, sua mãe ouviu algo que muitas mães de filhos com Síndrome de Down costumam ouvir: que ele não poderia fazer coisas que as outras crianças faziam, como andar e falar.


“Quando você recebe uma criança com necessidades especiais, a sociedade fala para não esperar muito dela, conta Mary Ann Pyron à rede televisiva ABC e ao programa The Texas Bucket List. Nós decidimos ir além, dizendo para nós mesmos que tudo ficaria bem e que Blake ficaria bem. Que nós iríamos nos assegurar disso.”


Blake levava uma vida comum: cursava o colegial e trabalhava em um restaurante de churrasco. Sua inspiração empreendedora surgiu pouco após se graduar no ensino médio - um mês depois de pegar seu diploma, o local onde trabalhava fechou.


“Ele sentia muita falta dos clientes que atendia e queria um trabalho”, continua a mãe de Blake. Em nossa pequena cidade, os trabalhos são limitados – especialmente para pessoas com necessidades especiais.”


Então, a família Pyron começou a pensar nas coisas que mais interessavam ao jovem e chegou a uma ideia de negócio: raspadinhas. 


 “Blake ama raspadinhas, então ele simplesmente apostou nisso”, diz Mary Ann.


Empreendedorismo e superação



Em maio deste ano, a ideia finalmente saiu do papel: o Blake’s Snow Shack, como é conhecido o truck de raspadinhas, foi inaugurado. 


Além de dono, a principal função de Blake no negócio é cuidar do atendimento ao cliente – seu ponto forte, segundo a mãe. 


Mesmo que conte com ajuda ao fazer as raspadinhas, o jovem é quem as entrega para os clientes, sempre com um sorriso.

Blake na janela do truck segurando uma raspadinha vermelha.


Assim que Blake decidiu que queria abrir um truck de raspadinhas, a cidade de Sanger se mobilizou. Seu irmão criou opções de sabores divertidas, como “ataque dos tubarões” (azul) e “Hulk” (verde). 


Um amigo da família, de 15 anos de idade, foi contratado para ser um dos funcionários de Blake.


Para a mãe de Blake, o filho conseguiu tudo isso justamente porque os conselhos recebidos assim que ele nasceu foram ignorados. 


“Você não nos conhece, e não conhece nosso filho. Então, não coloque uma etiqueta nele. Nós não colocamos, e ele se saiu muito bem.”


Mary Ann também espera que sua história inspire as mães de outras crianças com necessidades especiais a nunca colocar limites no que seus filhos podem fazer. 


“Eu quero pessoalmente desafiar essas mães a acreditarem nas suas crianças - não ligue para o que a sociedade lhe diz.”





São José dos Campos por quem não vê: cegos descrevem a cidade

 
 
 
Nove e meia da manhã de uma quinta-feira com céu nublado. O ponto de encontro com Júlio Augusto Oliveira Coutinho e Silva, 59 anos, ou mais conhecido em São José dos Campos como John Lennon, foi em uma lojinha de seu amigo chamado Nair, próximo de uma igreja evangélica na região central.
 
 
Em um primeiro contato, por telefone, ‘John’ transmitiu as percepções e as discriminações que moldam o dia a dia da São José dos Campos. 


Chegando ao local, John Lennon já esperava na companhia de sua bengala, utilizada para o auxílio a pessoas com deficiência visual. 


Com os cabelos grisalhos e o sorriso no rosto, John Lennon rapidamente se apressou para indicar que estávamos no local certo.

 
Cumprimentos feitos, partimos da lojinha, despedindo do amigo Nair, e fomos caminhando pelas ruas da cidade em um bate-papo. 


Ele se apoiando levemente em meu ombro e transmitindo uma boa energia.Estávamos ali para uma conversa, para ouvir, descrever histórias e as sensações dos cegos.


Passando por um posto de gasolina, atravessando a via e seguindo pela rua Coronel José Monteiro, John Lennon vai se soltando e contando um pouco da sua vida. 


Estávamos em direção aos principais pontos da cidade em que Júlio Oliveira costuma ir e se sente acolhido. E ele começa a nos contar a sua história.


Uma forte dor de cabeça foi um dos principais sintomas para a perda da visão. Estava em um show com amigos, aos 33 anos, quando começou a sentir dores na cabeça. 


Num sábado à noite buscou os primeiros atendimentos em um hospital e foi detectado que havia tido um derrame. 


Quando criança chegou a contrair histoplasmose – doença provocada por fungos que se proliferam nas fezes dos pombos -, algo que foi apenas descobrir com os exames.


Aos 33 anos, Oliveira tinha acabado de participar de um programa de televisão como cover do John Lennon e estava em seu ápice na carreira. Nesta época, ele trabalhava como auxiliar de cozinhar em um barzinho.


“A dor de cabeça foi muito intensa, como se alguém pegasse a minha cabeça e chacoalhasse. Passei por tudo o que tinha que passar, consultas e mais consultas, rodei em várias cidades e nada. Chorei muito, mas tive que começar a me adaptar. Tudo para mim era visual”, conta.


Entre as situações relatadas e o nosso andar lento em direção à Praça do Sapo, ‘John’ é reconhecido por algumas pessoas na rua. Ele faz questão em ser popular e frisa: 


“sou independente e quero conscientizar e orientar as pessoas sobre a deficiência visual”.


A aceitação para uma nova vida foi difícil, segundo ele. “No início fiquei sem saber o que fazer. Pensei que não fosse me acostumar com essa situação. Mudei radicalmente meus planos e hoje sirvo de exemplo para as pessoas”. 


Com uma boa percepção auditiva por onde passa, John consegue descrever os pontos por onde vamos passando durante a conversa. 


Passando pela Praça do Sapo e, chegando próximo do calçadão, sentamos em um banco de concreto em frente a uma loja de roupas. Estendemos o bate-papo até 11h, horário em que vai em um restaurante popular.


Morando atualmente sozinho na região leste, em uma casa do CDHU, Júlio relata que tem espírito aventureiro – ele chegou a subir a Pedra do Baú – e a força de vontade fizeram com que ele nunca se abalasse. 


Nascido em Areias e há 42 anos em São José, ele descreve as principais ruas do Cento na “palma da mão”. 
  

“Ando por tudo na cidade, mas a região central é o meu ponto de encontro e onde eu me sinto bem, principalmente por conversar com as pessoas e amigos que fiz durante esta caminhada”.


John faz acompanhamento com especialista periodicamente e, hoje em dia, tira de letra e se locomove para todas as partes da cidade. 


“Demorei uns 2 anos para me adaptar, cheguei a cair até em buracos, quebrar óculos. Como as pessoas são distraídas, coloquei uma campainha em minha bengala para avisar que estou chegando. Tudo isso pois fui me virando e a faculdade da vida me ensinando”.


Com bom humor para tratar a questão, ele afirma que é preciso vencer os tabus estabelecidos pela sociedade e disseminar o assunto. Júlio chegou a casar, troca o chuveiro, entre outras atividades. 


“Faço tudo normal. Isso que as pessoas precisam entender, não precisa ser dependente. Eu sou um ‘de-eficiente'”.


Percepções

 

A perda da visão fez com que ‘John’ percebesse a cidade de outras maneiras.Descrevendo por onde passa, com as idas e vindas das pessoas pelas ruas no Centro da cidade, Júlio diz que o Banhado é um lugar em que sente “paz”, para um momento de repouso, na correria do dia a dia. Lá, ele também chegou a morar por onze anos.


Ele descreve a atual sensação quando passa pelo local. 


“Quando passo no Banhado sinto uma tranquilidade e uma paz interior, apesar do barulho dos carros que passam constantemente.O lugar me traz boas lembranças e um descanso. Sinto uma sensação de estar em um lugar bem frio, principalmente, no período de inverno, já que sinto a brisa passar pelo meu rosto. É um pulmão da cidade e que falta de ter mais árvores”, descreve.


Aproximando das 11h, encerramos a conversa, caminhado pela Praça do Sapo, e se despedindo na porta do restaurante.


O locutor


Procurando por personagens, fomos orientados a falar em uma outra data com uma pessoa de gabarito. É isso mesmo, gabarito. 


Ele não teve a oportunidade de enxergar e perdeu a visão com alguns dias de vida, por conta de excesso de oxigênio no cérebro. 


Carlos Peres, 35 anos, atualmente mora em Jacareí, mas passa grande parte do tempo em São José dos Campos, onde trabalha como revisor de braile na Gráfica Pró Braille. O seu contato com a cidade aconteceu quando ele mais precisou de ajuda.


Para ele, o atual trabalho é uma segunda casa, já que fez tratamentos e reabilitação no Próvisão


O espaço é onde segue uma rotina durante a semana e, de acordo com o próprio Carlos, vive momentos de alegria.


Chegando no setor de revisão, encontramos com Carlos que nos esperava. Vestido com uma blusa da instituição, cabelo curto e rosto arredondado, nos atendeu em uma sala ao lado daquela que ele utiliza para revisão dos livros. 


Ele superou os obstáculos com o apoio da família e hoje é casado e tem a sua autonomia.


Até a terceira série, estudou em escola pública na cidade. Com a falta de estrutura para o atendimento, ele foi estudar em um colégio interno em São Paulo, onde ficou até a oitava série. Aos finais de semana, ele retornava para São José.


Carlos conta que o ensino rígido no colégio contribuiu de certa forma para a sua boa qualificação. 


“Eram utilizados, na época, excelentes conteúdos para os alunos e tinha uma boa estrutura de aprendizado, o que contribuiu para a minha formação. Apesar disso, resolvi retornar para a cidade, concluir o ensino médio na escola Synésio Martins e ficar mais perto da minha família, algo que não abro mão.Na escola, tinha a ajuda dos professores e amigos que ditavam e me passavam os materiais”.


Apaixonado por música e depois de concluir os estudos, Carlos decidiu fazer um curso de locutor. As ondas do rádio sempre o encantaram e ele chegou a trabalhar em várias rádios da cidade. 

Sem barreiras, Peres partiu para a graduação em letras, se especializando em língua portuguesa. 


Os estudos não pararam por aí e ele concluiu a pós-graduação em educação inclusiva. Neste período, conheceu o amor de sua vida durante um evento na igreja e há sete anos está casado.


“Minha família é tudo para mim, sempre estiveram ao meu lado. Tenho uma rotina totalmente normal e ando de ônibus com o auxílio das pessoas que me conhecem. Hoje posso dizer que tenho autonomia, é claro que é uma autonomia solidária, pois dependo de outras pessoas e que elas também tenham boa fé”.

Durante o bate-papo, Peres relata os momentos com empolgação, contando os seus relatos com muita determinação e orgulho. 


Como hobby, escuta todos os dias o rádio e fala de um dos seus méritos: passar em um concurso público para professores do Estado. 


“Consegui passar no concurso, mas as condições de trabalho, infelizmente, eram desfavoráveis para mim. Não havia estrutura”.


Sobre a atual profissão, ele se sente muito feliz e fala dos planos para o futuro. 

“É um trabalho muito gratificante para mim. Tudo o que sai da gráfica, eu sou o responsável por revisar e apontar as alterações necessárias nos materiais, que são usados para o aprendizado de crianças em processo de adaptação. No futuro, pretendo ter filhos”, acrescenta.


Sensações


 
Com a turbulência na metrópole, assim como Carlos define São José, um ‘cantinho’ na cidade chama a atenção dele para os momentos de descanso. 


Ele chegou a ir algumas vezes ao Parque Santos Dumont –localizado próximo da avenida Adhemar de Barros, uma das principais avenidas na região central-, e relata as sensações ao estar no espaço verde, um refúgio para o descanso.


“Não sou muito adepto às coisas bucólicas, mas o Santos Dumont é um espaço gostoso, em meio ao agito do município. Creio que o Parque Vicentina Aranha também transmita essa sensação, um lugar para relaxar e curtir com a família. Andando pelo Santos Dumont consegui sentir o frescor da presença das árvores, algo muito bom e que me faz bem”, relata.


Finalizando a conversa, próximo das 10h30, Carlos destaca sobre a importância da inclusão social


“Inclusão é uma questão de valores.Toda relação envolve muitas partes e a sociedade precisa se abrir para o novo. As pessoas têm receio de se aproximarem das minorias e isso necessita de mudança”. 


Peres se despede e vai para área da cozinha fazer um ‘lanchinho’ da manhã. Afinal, ficamos alguns bons minutos conversando.



Reabilitação

 

Situado em São José, o Próvisão é referência e atende as 39 cidades da região do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira. 


A instituição recebe crianças recém-nascidas a até pessoas com mais idade, ensinando e socialização de pessoas com deficiência visual, seja com baixa visão ou cegueira total. 


Um acompanhamento diferenciado é dado para crianças e jovens até o período da faculdade, com auxílio de materiais adaptados e aulas de reforço.


“Nossa existência se iniciou com as pessoas com deficiência visual. Há mais de 30 anos temos atividades voltadas para esse público. Temos a possibilidade de atender e fazer a reabilitação, para a escola, trabalho ou até mesmo na área esportiva”, diz a superintendente, Meire Cristina Ghilarducci.


Segundo ela, o Centro é uma nova porta que se abre para a pessoa que busca algum tipo de tratamento. 


Lá, é possível encontrar uma casa que simula as situações vividas, como escovar os dentes, fazer um lanche, tomar banho, entre outras. 


“Temos profissionais de fonoaudiologia e fisioterapia, que dão suporte para as crianças irem às aulas, acompanhando o processo de adaptação. Todas as pessoas com deficiência precisam de acompanhamento”.


Outro importante trabalho desenvolvido é a inclusão no mercado de trabalho


“Com 18 anos, o jovem pode ser encaminhado para o primeiro emprego. Inclusive, temos a própria gráfica, que conta com o programa de empregabilidade. Em outras situações, também damos suporte nos meses iniciais para o jovem se adaptar no novo ambiente”.


Por mês, são atendidos 240 pacientes (105 mulheres e 135 homens) na unidade e a dificuldade financeira é a grande barreira. 


Por meio de convênio com o SUS (Sistema Único de Saúde), o Centro de Reabilitação Visual também realiza a concessão gratuita de


  • Bengalas; 
  • Lupas;
  • Telelupas;
  • Próteses Oculares; 
  • Lente Escleral Pintada. 


“Infelizmente, o custo é elevado e pode variar entre R$ 320 e R$ 380, dependendo do tratamento. Temos convênio com o município com atendimento via SUS que cobre 40% dos nossos gastos. O restante nós dependemos de doação”, afirma Meire.


Com a crise e a queda na receita, a direção do Próvisão está atendendo pacientes também por meio de consultas particulares


“Essa medida é para cobrir a defasagem que temos nas contas”, acrescenta.


Raio-x

 

De acordo com a Secretaria de Promoção e Cidadania de São José, são 2.377 pessoas cegas e 14.651 pessoas com baixa visão. Deste cenário, 1.332 pessoas cegas são homens e 1.045 são mulheres. De baixa visão, 8.205 são homens e 6.446 são mulheres


Segundo a pasta, algumas políticas públicas foram implantadas na cidade, incluindo: 


  • Biblioteca Acessível com Acervos em Braille;
  • Fonte Ampliada;
  • Audio-Livros;
  •  Filmes com Áudio-Descrição. 
  • Uma sala multimídia conta com recursos de estimulação para complementar a formação do aluno. 
 

Ainda segundo a secretaria, cursos de braille e de áudio-descrição são oferecidos, entre outras atividades.