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10 de nov. de 2016

MIT cria scooters para adicionar à opções de carros autônomos







Google e outros acreditam que os veículos totalmente autônomos poderiam ser o transporte ideal para pessoas com mobilidade reduzida, como os idosos ou cegos. No entanto, os carros só podem fazer parte do trabalho. 


Como uma pessoa com deficiência de mobilidade poderá ir a um parque de estacionamento, um local de trabalho, um prédio ou um shopping center?


A resposta poderia ser uma scooter de auto-condução que pode ser programado para coordenar com carros autônomos e carrinhos de golfe, de acordo com pesquisadores de Ciência da Computação do MIT e Laboratório de Inteligência Artificial (CSAIL).


pesquisadores do MIT uniram-se com engenheiros da Universidade Nacional de Cingapura para testar scooters equipadas com os mesmos sensores e software que tinham sido usadas anteriormente em ensaios de carro e carrinhos de golfe autônomas.


Com as scooters, que foram ensaiadas dentro de casa, os pesquisadores acreditam que agora eles têm um sistema de mobilidade autônoma abrangente que poderia levar uma pessoa por um corredor e através de um lobby para um carrinho de golfe de auto-condução que os transporta através de um parque de estacionamento para atender um carro autônomo projetado para vias públicas.


Navegando dentro de casa apresenta seus próprios desafios, incluir evitar obstáculos e espaços apertados, diz Scott Pendleton, um estudante graduado em engenharia mecânica na Universidade Nacional de Cingapura (NUS) e pesquisador do grupo Singapore-MIT SMART.
 

“Um dos espaços que testamos na era do Corredor Infinito, do MIT, que é um problema de localização muito difícil, sendo um longo corredor, sem muitas características distintivas. Você pode perder o seu lugar ao longo do corredor. Mas nossos algoritmos provaram trabalhar muito bem neste novo ambiente “, disse Pendelton.


Os carrinhos de golfe que MIT e da Universidade Nacional de Cingapura testaram em Singapura no início deste ano foram manipuladas com sensores de uma câmera. 


Eles foram intencionalmente muito mais simples do que a instalação nos carros do Google, baseado na ideia de que eles poderiam cortar a complexidade da interferência causada por muitos sensores. 


Os testes também incluiram um sistema de agendamento que permitiu aos participantes reservar um passeio enquanto um algoritmo automaticamente encaminhava os veículos para pegar os usuários.


A ideia de ter um conjunto comum de algoritmos de controle entre carros, buggies e scooters é que eles podem mais facilmente compartilhar informações para treinar algoritmos de aprendizado de máquina mais rápido. 


Além disso, no caso de programação, um algoritmo comum pode permitir a diferentes veículos de tipos para substituir uns aos outros em uma rede onde dizem que todos os carros estão sendo usados, mas há carrinhos de reposição ou buggies disponíveis.



 
 
 

18 de out. de 2016

Alunos de Engenharia criam aparelho interativo para pessoas com deficiência



Alunos de Engenharia Eletrônica do Instituto Mauá de Tecnologia criaram um sistema interativo para pessoas com deficiência, locomoção limitada e dificuldade em se comunicar poderem ter autonomia para realizar tarefas simples do dia a dia, como acender e apagar luzes, chamar outra pessoa e expressar suas vontades e reações.


Chamado de Eye Control, o produto é composto por uma câmera acoplada a um óculos que, pela leitura dos movimentos dos olhos, movimenta o cursor do software conectado possibilitando acionar os botões com as ações definidas.


A idealização do Eye Control teve como objetivo principal melhorar a integração social das pessoas com deficiência com um custo acessível, de R$ 950, incluindo o óculos, software e auxílio de profissionais para adaptação.


O projeto foi idealizado para Trabalho de Conclusão de Curso dos alunos Ariadne Fernandes e Lucas Bordonal, e será apresentado na Eureka 2016, evento anual onde os alunos do último ano de todos os cursos da Mauá apresentam seus trabalhos. 


A Eureka será aberta ao público e será realizada entre os dias 27/10 e 29/10, das 14h às 20h, no campus de São Caetano do Sul do IMT.


 
 
 
 

11 de jul. de 2016

Projeto inclusivo vence competição nacional





O projeto Teia, capitaneado por alunos da Universidade Federal do ABC, de Santo André (SP), foi o vencedor do Campeonato Nacional Enactus Brasil 2016, maior evento de empreendedorismo social do Brasil. 


Ele foi escolhido entre os mais de 45 projetos sociais apresentados na última semana, em Fortaleza (CE). 

O projeto é aplicado em duas clínicas da cidade de Santo André, na grande São Paulo, que atendem pessoas com deficiências intelectuais


Ele busca o empoderamento social, autonomia e estabilidade financeira dos beneficiários


O objetivo final é tornar a oficina de Artesanato do Núcleo de Projetos Especiais (NUPE) uma empresa auto-sustentável, capaz de funcionar independentemente da dinâmica do poder público.

Segundo o líder do projeto Guilherme Sabino, mais do que reconhecimento, o título traz visibilidade à comunidade atendida. 


“Nosso objetivo é replicar esse modelo que já é aplicado com sucesso em toda região do Grande ABC e, posteriormente, para outras cidades”, diz.


O evento reuniu mais de 2.300 mil jovens, empresários, executivos e acadêmicos, além de contar com o apoio de grandes empresas como Walmart, Bank Of America Merrill Lynch e Nufarm. 


Os estudantes representarão o Brasil no Campeonato Mundial Enactus, que acontecerá em setembro em Toronto, no Canadá.







Cadeira de rodas à base de StepRover pode chegar ao mercado

A imagem está no formato retangular na horizontal. Nela contém um fundo preto com uma cadeirade rodas em 3D na frente. Fim da descrição.


A Indiegogo possibilita uma gama única do StepRover de funções que aumenta consideravelmente a independência do usuário e supera a maioria dos dispositivos de propósito específico.

StepRover não está disponível para venda, no entanto, apenas um protótipo StepRover totalmente funcional


A Indiegogo está à procura de fabricantes que podem desenvolver a cadeiras de rodas e produzir em massa com base nele. 


A tecnologia é patenteada vem dos EUA, Canadá e Europa e estão abertos à cooperação com os fabricantes de várias partes do mundo.

O preço de fabricação aproximado de cadeiras de rodas com base em StepRover será em torno de US $ 10.000


O preço exato de um produto final estará disponível após a fabricante terminar o desenho final do dispositivo.

“É difícil de estimar a data, quando cadeiras de rodas à base de StepRover aparece no mercado. É crucial para nós encontrar e cooperar com os produtores, capazes de trabalhar com este dispositivo. Depois de uma proposta de negócio é feita para um fabricante, pode demorar meses para o fabricante para avaliar esta oportunidade. E mesmo se a proposta for aceite, pode levar anos até que o fabricante molda o nosso protótipo StepRover em um produto final. No entanto, vamos fazer o nosso melhor para trazer mais perto o dia em cadeiras de rodas baseados em StepRover estará disponível no mercado”, segundo a Indiegogo


Funções:

 
  • Manobrabilidade, de direcção, e de condução é a mesma que numa cadeira de rodas regulares;apoio das pernas com rodas exclui possibilidade de cair para a frente.
  • Permite interagir com os outros olho-no-olho e chegar a superfícies superiores.
  • É capaz de dirigir-se a qualquer mesa ou balcão.
  • Permite que o usuário chegue ao chão.
  • Com segurança, leva em altas velocidades e em superfícies inclinadas laterais ajustável com extensão da perna para sentado e deitado.
  • O usuário pode transferir da cama para StepRover sem qualquer ajuda.
  • Permite que os usuários cuidem de suas necessidades médicas e de higiene, sem ajuda.
  • Pode ser usado como um esticador da ambulância em caso de emergência.
  • Permite a transferência mais fácil de um usuário de e para StepRover.
  • Dá à enfermeira uma capacidade de transferência de um usuário sem dobrar.
  • Gama de inclinação e reclinação melhora a circulação sanguínea.
  • Capaz de subir em e descer a partir de um nível de superfície.
  • Entra e sai prédios sem rampas.
  • Capaz de entrar ou sair de um veículo não modificada.
  • Capaz de passar por cima de diferentes tipos de obstáculos, como freios, registros, etc.
  • Permite conduzir em terrenos acidentados, como montes de neve e areia.


Veja o vídeo a seguir:

 


 

 
Mais informações no site: http://www.minu.inf.br/6imD46gsmU



Fonte: Revista Incluir




29 de jun. de 2016

Óculos de alta tecnologia traz mais cor para a vida dos daltônicos



Uma inovação tem chamado atenção da comunidade daltônica.  Um par de óculos especiais criado pela empresa EnChroma proporcionou para algumas pessoas com essa deficiência a emoção de ver as cores pela primeira vez. 


A marca americana é especialista em aliviar a confusão visual entre o vermelho-verde, aumentando a percepção das cores sem comprometer a visão.


Após diversas pesquisas sobre genética e anomalias relacionadas à fotopigmentação, a EnChroma criou modelos de óculos de alta tecnologia, e o efeito sobre a forma como as pessoas com daltonismo percebem as cores pôde ser finalmente modificado.


Como funciona?

 

A lente filtra as cores específicas e segmenta os fotopigmentos. O método de filtragem desenvolvido pela  EnChroma corta os comprimentos de onda nítidas de luz para realçar as cores que seriam deficientes


Essa filtragem separa os cones vermelhos e verdes sobrepostos, ajudando a melhorar a visão de quem tem dificuldade de enxergá-las.


O cliente tem 60 dias para testar o produto, mais de 30 mil pares de óculos já foram vendidos em todo o mundo. 


Em relação aos planos para o futuro, a empresa está engajada em pesquisas para desenvolver lentes de contato com a mesma finalidade. 






12 de mai. de 2016

Brasileiro cria óculos para pessoas com deficiência visual que mapeia e descreve o ambiente



A falta de recursos de acessibilidade ainda impede a cidadania de pessoas com deficiência no Brasil


Em diversos setores e locais, públicos e privados, mesmo projetos recentes, modernos, atualizados, desconsideram o cenário universal, no qual tudo existe para todos, e desobedecem a Lei Brasileira de Inclusão, em vigor desde janeiro deste ano.


No caso de pessoas cegas ou com deficiência visual, esse bloqueio aparece na ausência de pisos táteis, audiodescrições, textos em braile e outros recursos que garantem o pleno domínio do ambiente. 


Além de impedir a inclusão real, essa exclusão representa um perigo, mesmo para quem já conquistou autonomia e independência.


Felizmente, pesquisadores atuam cada vez mais pela inclusão e têm apresentado ferramentas que ampliam de fato a acessibilidade. 


É o caso de Wallace Ugulino, aluno do Departamento de Informática do Centro Técnico Científico da PUC-Rio. 


Ele criou, em sua tese de doutorado, óculos para pessoas cegas ou com deficiência visual que fazem o mapeamento e a descrição do local e dos objetos presentes. A orientação é do professor Hugo Fuks.


Classificado como ‘wearable technology’ (tecnologia vestível), o equipamento transmite dados sobre locais mapeados, indica pontos de referência e facilita o reconhecimento de ambientes ao fornecer informações por um alto-falante e também por vibrações emitidas por um cinto e uma luva.


A ferramenta está em fase de testes, feitos por alunos do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro. 


- Na fase inicial da pesquisa: A programação foi restrita a ambientes internos, o que possibilitou testar a funcionalidade dos dispositivos com mais segurança para os voluntários. 


A experiência no instituto consistiu em propor duas tarefas aos estudantes, que deveriam indicar em qual área do prédio estavam localizados o museu e a estátua de Dom Pedro II. 


Ao caminharem pelos corredores, as vibrações emitidas pelos cintos e luvas indicavam que os usuários estavam passando por pontos de referência e os óculos forneciam informações verbalizadas sobre o ponto de referência encontrado, seja ela uma porta ou um objeto no caminho, explica Ugulino.

Para o pesquisador, desenvolver tecnologias assistivas exige preocupação com os chamados fatores humanos. 


“Caminhar por ruas movimentadas e locais barulhentos é uma situação comum para milhões de brasileiros, mas também é responsável pelo medo e confusão de muitas pessoas com deficiência visual. Com a perda da visão, outros sentidos se tornam muito mais sensíveis porque os cegos precisam prestar muita atenção aos sons, à textura do solo e aos cheiros. Tecnologias projetadas sem levar em conta os fatores humanos interferem nessa sensibilidade, gerando uma sobrecarga cognitiva, um fenômeno conhecido como ‘masking’, um dos temas investigados nessa pesquisa”, diz.


- Segunda fase – Ugulino se dedica agora ao projeto Third Eye’, uma continuação de sua tese. 


De acordo com o pesquisador, a meta é permitir que a pessoa seja capaz de construir mapas mentais e possa aprender sobre o local onde vive, estuda ou trabalha. 


“A ideia no momento não é oferecer rotas determinadas aos usuários, mas permitir que, com as informações gerais sobre o local, a pessoa possa escolher o melhor caminho sozinha”, diz.


- Terceira fase - Com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da White Martins, inclui aplicativos de localização para celular e câmeras acopladas aos óculos do projeto inicial


“Os aplicativos nos quais estamos trabalhando conhecem a preferência e as limitações de cada usuário, mas não serão restritos a pessoas com deficiência visual. Serão adicionadas informações sobre a cidade, ruas e locais turísticos, de forma que não se torne um sistema segmentado para uma categoria de indivíduos, mas que apoie a todos: ciclistas, turistas, cegos, cadeirantes, etc. É o que chamamos de Design Universal”, afirma Ugulino.


No aplicativo, os obstáculos serão mapeados e os pontos de referência estarão disponíveis para que o usuário fique seguro para realizar tarefas em ambientes externos. 


Segundo Ugulino, a câmera também pode auxiliar no processo, permitindo a identificação de placas e informações do trajeto. 


De acordo com o pesquisador, a tecnologia deve aumentar o intelecto e o sentido, mas em alguns casos, o efeito apresenta-se de forma contrária, levando a um excesso de informações.


“Cada ambiente tem suas particularidades e vai exigir diferentes comportamentos. Por exemplo, para guiar pessoas com deficiência visual em ruas não é aconselhável usar avisos sonoros complexos (como textos longos ou tons indicativos difíceis de serem compreendidos), pois este será mais um fator de preocupação para o usuário, que já precisa lidar com tantos barulhos ouvidos diariamente. Os aparelhos desenvolvidos e testados no Instituto Benjamin Constant apresentaram resultados positivos entre os voluntários e não registraram problemas quanto ao excesso de informações”, diz Ugulino.


Abaixo, uma entrevista com Wallace Ugulino e com o professor Hugo Fuks orientador do Departamento de Informática do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio).


Vencer LimitesVocê teve algum tipo de envolvimento com a deficiência visual antes do projeto? Tem amigos ou parentes cegos? O que motivou a criação de um dispositivo especifico para pessoas com deficiência visual? O que você aprendeu sobre esse universo ao trabalhar nesse projeto?


Wallace Ugulino – Eu tenho parentes cegos, mas são distantes e não convivo diariamente. O meu envolvimento com o tema foi inicialmente pelo desafio de produzir tecnologia na área. Contudo, eu me encantei mesmo depois de conviver com os professores de mobilidade e alunos reabilitandos do Instituto Benjamin Constant na fase observacional da pesquisa. Eu cheguei a fazer aulas de mobilidade com a bengala (vendado) com a professora Vanessa Zardini (IBC). Naquele momento, ficou claro para mim quão difíceis são para os cegos algumas atividades triviais para nós (videntes), como é o caso de ‘andar em linha reta’. Isso é trivial para os videntes, mas os cegos normalmente têm dificuldade com isso. Essas lições sobre propriocepção e mobilidade sem a visão mudaram minha vida e foram muito inspiradoras para o meu trabalho de prototipação. Eu aprendi o quão importante é, por exemplo, produzir tecnologia que demande menos atenção do usuário, aprendi que isso pode diminuir o risco de acidentes. Eu me senti motivado a desenvolver essa tese quando entendi a relevância que esse estudo tem para essa população em particular e as lições que isso nos traz sobre como produzir melhores artefatos computacionais. Atualmente, as lições que aprendi sobre a atenção demandada pela tecnologia estão me ajudando a projetar tecnologia não só para cegos, mas também para ciclistas urbanos, condutores de veículos automotores, e outras áreas temáticas na qual a atenção do usuário é fator crítico.


Hugo Fuks – Casos extremos iluminam as necessidades de todos. O que facilita a vida de um cego, algo como uma calçada decente, artigo escasso no Brasil, ajuda o ir e vir de todos os pedestres.


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Vencer Limites – Qual a sua avaliação sobre a tecnologia assistiva no Brasil? Quais bons exemplos nacionais podem ser citados? O que outros países têm para nos ensinar?


Wallace Ugulino – A área ainda engatinha no Brasil. Precisamos investir mais no mobiliário urbano. Falta uma visão de que esse investimento não afeta somente cegos ou cadeirantes. Esses investimentos trazem mais segurança e conforto para todos e beneficiam também o turismo na cidade. Se a cidade pudesse ‘conversar’ com o wearable do indivíduo, nós poderíamos não só apoiar a mobilidade dos indivíduos com deficiência, mas também teríamos um conjunto de novas oportunidades de negócios: turismo, mobilidade urbana, produtividade, publicidade, etc.


Hugo Fuks – Engatinhando. Voltando a falar das calçadas, antes do projeto Rio-Cidade, na década de 1990, não me lembro de haver rampas decentes nas ruas para os cadeirantes. A importância de calçadas decentes. Aliás, a qualidade dos nossos governantes pode ser avaliada pelas calçadas e ruas da cidade. Não há melhor modo de compartilhar a riqueza de uma sociedade com o seu povo.


***

 
Vencer Limites Qual a sua avaliação sobre acessibilidade e inclusão, de forma geral, no Brasil?


Wallace Ugulino – Eu acredito que avançamos um bocado na última década. Programas de inclusão são os primeiros a sofrer corte quando há uma restrição orçamentária, seja na administração pública ou privada. Parece que não há um entendimento de que a inclusão beneficia negócios, de que ela apoia a cidadania, e de que nos leva a avançar em qualidade como sociedade. Todos ganham com a inclusão: há um mercado inexplorado, com potencial de gerar lucros e arrecadação. O potencial produtivo desses cidadãos não é aproveitado por causa de espaços públicos e privados que não são acessíveis.


Hugo Fuks – Há de fato um interesse em melhorar a vida das pessoas excluídas por alguma excepcionalidade. Mas a prioridade ainda é muito baixa.


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5 de mai. de 2016

Cadeira de rodas é controlada por expressões faciais

 



Uma cadeira de rodas que pode ser controlada por pequenos movimentos da face, da cabeça ou da íris foi desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (FEEC/Unicamp).


O equipamento ainda é considerado experimental e de alto custo. Porém, um projeto aprovado recentemente pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP, tem como objetivo adaptar a tecnologia para torná-la mais acessível e colocá-la no mercado brasileiro dentro de dois anos.


“Nosso objetivo é que o produto final custe no máximo o dobro de uma cadeira motorizada comum, dessas que são controladas por joystick e hoje custam em torno de R$ 7 mil”, disse o professor da FEEC/Unicamp Eleri Cardozo, que apresentou resultados da pesquisa durante o 3rd BRAINN Congress, realizado em Campinas de 11 a 13 de abril de 2016.


Segundo Cardozo, a tecnologia poderá beneficiar pessoas com tetraplegia, vítimas de acidente vascular cerebral (AVC), portadores de esclerose lateral amiotrófica ou outras condições de saúde que impedem o movimento preciso das mãos.


O trabalho, iniciado em 2011, contou inicialmente com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e hoje é desenvolvido no âmbito do Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia (BRAINN), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.



“Nosso grupo estudava técnicas de interface cérebro-computador (BCI, na sigla em inglês, métodos de aquisição e processamento de sinais que permitem a comunicação entre o cérebro e um dispositivo externo) e achamos que seria interessante avaliar a tecnologia em uma situação real”, contou Cardozo.


O grupo então adquiriu uma cadeira motorizada convencional, retirou o joystick e a equipou com diversos dispositivos normalmente encontrados em robôs, como sensores capazes de medir a distância de paredes e de outros objetos ou detectar diferenças de profundidade no piso.


O protótipo também foi equipado com um notebook que envia os comandos diretamente para a cadeira e com uma câmera 3D com a tecnologia RealSense, da Intel, que permite interagir com o computador por meio de expressões faciais ou movimentos corporais.


“A câmera identifica mais de 70 pontos da face – em torno da boca, do nariz e dos olhos – e, a partir da movimentação desses pontos, é possível extrair comandos simples, como ir para frente, para trás, para a esquerda ou direita e, o mais importante, parar”, explicou Cardozo.


Também é possível interagir com o computador por meio de comandos de voz, mas essa tecnologia é considerada menos confiável que as expressões faciais por causa das diferenças de timbre e da possível interferência de ruído ambiente.


“Essas limitações podem ser contornadas com a definição de um número reduzido de comandos e com uma função de treinamento incorporada ao software que otimiza a identificação dos comandos para um usuário específico”, disse Cardozo.


Pensando em pacientes com quadros ainda mais graves – que impedem até mesmo a movimentação facial – o grupo também trabalha em uma tecnologia de BCI que permite extrair sinais diretamente do cérebro, por meio de eletrodos externos, e transformá-los em comandos. O equipamento, no entanto, ainda não está embarcado na cadeira robotizada.


“Fizemos demonstrações em que uma pessoa fica sentada na cadeira e outra sentada próximo a uma mesa usando o capacete com os eletrodos e controlando a cadeira. Antes de embarcar o equipamento de BCI na cadeira precisamos solucionar algumas limitações, como a alimentação de energia. Ainda é uma tecnologia muito cara, mas está saindo uma nova geração de baixo custo, na qual o capacete pode ser impresso em 3D”, disse Cardozo.

 
A cadeira também foi equipada como uma antena wifi que permite a um cuidador dirigir o equipamento remotamente, pela internet. 


“Essas interfaces exigem do usuário um nível de concentração que pode ser cansativo. Por isso, se houver necessidade, a qualquer momento outra pessoa pode assumir o comando da cadeira”, contou Cardozo.






Startup



Dentre as metodologias já testadas pela equipe da Unicamp, a interface baseada em captura e processamento de expressões faciais tem se mostrado a mais promissora no curto prazo e, portanto, será o foco do projeto desenvolvido no âmbito do programa PIPE sob a coordenação do pesquisador Paulo Gurgel Pinheiro. Para isso, o grupo criou a startup HOO.BOX Robotics


“A empresa é um spin-off do meu pós-doutorado, cujo objetivo era desenvolver interfaces para dirigir uma cadeira de rodas com o mínimo de esforço possível do usuário. Inicialmente testamos sensores capazes de captar contrações dos músculos da face, depois evoluímos para tecnologias de imagem capazes de captar expressões faciais sem a necessidade de sensores”, contou Pinheiro.

Em vez de criar uma cadeira robotizada, como é o caso do protótipo da Unicamp, o grupo pretende, para reduzir o custo, desenvolver um software e uma minigarra mecânica que poderiam ser implantados em qualquer cadeira motorizada com joystick já existente no mercado.


“Nossa ideia é que o usuário possa baixar o software que fará o processamento das expressões faciais em seu notebook. O computador ficará conectado a essa minigarra por meio de uma porta USB. Quando ele fizer as expressões-chave, como um beijo, um meio sorriso, franzir o nariz, inflar as bochechas ou levantar as sobrancelhas, o software manda o comando para a garra e essa movimenta o joystick. Dessa forma, não mexemos na estrutura da cadeira e ela não perde a garantia”, explicou Pinheiro.

O pesquisador estima que um protótipo do sistema, batizado de Wheelie, estará pronto até o início de 2017. 


Dois desafios deverão ser vencidos nesse período: melhorar a classificação das expressões faciais, de modo a evitar que a interpretação dos sinais fique prejudicada por diferenças na iluminação ambiente, e garantir que apenas as expressões faciais do usuário da cadeira sejam capturadas quando houver outras pessoas próximas.


“A tecnologia também poderá, no futuro, ajudar na recuperação de pessoas que sofreram AVC ou outro tipo de lesão cerebral, pois o paciente poderá observar o avanço na realização de movimentos e ficará mais motivado a seguir o tratamento”, disse Pinheiro.


Fonte: Vida Mais Livre


 

4 de mar. de 2016

Relógio cheio de estilo permite que deficientes visuais saibam que horas são

 versão clara do relogio


Coisas que parecem bastante simples para você, que está lendo este texto, podem ser bem mais complicadas para quem tem alguma deficiência visual. 


Quem convive com essa situação sabe que até mesmo saber as horas pode não ser tão simples assim… Mas um relógio inovador pode estar prestes a mudar isso!

Conhecido como The Bradley, o relógio de pulso desenvolvido pela empresa Eone, promete permitir que você não apenas veja as horas, mas também as toque


Projetado em titânio sólido, o aparelho mostra as horas através de duas bolinhas: uma delas, localizada na parte superior, indica os minutos, enquanto a outra, localizada na lateral, indica as horas. Um ímã faz com que, mesmo que alguém desloque as duas esferas, elas voltem a mostrar o horário correto.


O nome do relógio é uma homenagem a Brad Snyder, oficial da marinha e detentor de uma medalha de ouro nos jogos paraolímpicos. 


Brad perdeu sua visão em uma explosão no Afeganistão, mas sempre foi capaz de vencer as dificuldades – e é exatamente isso que o The Bradley propõe.


O produto foi desenhado com a ajuda de grupos de foco com usuários cegos, que puderam mostrar exatamente o que lhes faltava: um relógio bonito e funcional, onde pudessem consultar as horas através do tato – e não há dúvidas de que o The Bradley cumpre bem os dois requisitos. 


Ter as horas literalmente na ponta dos dedos custa a partir de £ 170 (cerca de R$ 800).





 

3 de mar. de 2016

Equipamento faz cegos perceberem obstáculos por meio dos sons






O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, está desenvolvendo um equipamento que possibilitará a pessoas com deficiência visual enxergar obstáculos por meio do som. 


O aparelho detecta os objetos ao redor da pessoa e produz sons, ouvidos via um fone de ouvido, que dão ao usuário a sensação de estarem saindo dos objetos.


“A pessoa consegue sentir a posição de onde vem o som. O som não está sendo emitido pelo obstáculo, é o equipamento que detecta a posição do obstáculo e produz artificialmente um som que parece estar vindo dali”, explicou o coordenador do projeto, professor do ICMC Francisco José Mônaco.


O sistema, batizado de SoundSee, funciona em um dispositivo portátil, menor do que um aparelho de celular, que pode ser carregado no bolso. 


Segundo o professor, o equipamento usa um mecanismo de ecolocalização, o mesmo do qual se utilizam alguns animais, como os morcegos, que emitem sons e escutam o eco produzido pelos obstáculos para se guiarem. 


Com o auxílio de um software, que calcula a posição dos obstáculos, o aparelho gera sons tridimensionais que auxiliam o usuário a detectar a presença dos obstáculos.


“O usuário, o deficiente visual, no caso, tem a sensação por meio dos sons, como se visse um obstáculo à direita dele, uma porta à frente. Com o passar do tempo, com um pouco de treino, o usuário começa a enxergar ou sentir o ambiente, sem que o aparelho precise buzinar, ou falar obstáculo à direita, à esquerda. São as sensações espaciais do som”, disse.


De acordo com o coordenador, para aprimorar o sistema, estão sendo realizados estudos sobre o funcionamento da orientação espacial psicoacústica, que é a capacidade do ser humano perceber a direção de onde determinado som provem. 


“Por exemplo, é interessante saber como criar sons que permitam ao usuário sentir a geometria do ambiente e verificar como é possível propiciar uma substituição sensorial que, de certo modo, permita ao deficiente visual enxergar por meio do som”.


O sistema começou a ser construído em 2014, e está hoje na sua terceira versão de hardware. 


Os testes do aparelho com deficientes visuais começarão a ser realizados ainda no primeiro semestre. Até o final do ano, os pesquisadores esperam já ter um produto praticamente pronto para ser fabricado em larga escala. 


“A equipe do projeto está se preparando para realizar experimentos com deficientes visuais, o que envolve rígidos protocolos de experimentação, pré-requisitos éticos e cuidados especiais”.


A pesquisa do projeto, que terá os resultados divulgados gratuitamente, teve a participação das professoras Vanessa Nunes de Souza e Tarsila Curtu Miranda, do Centro Universitário Central Paulista (UNICEP), e dos alunos-pesquisadores Renê de Souza Pinto, Rafael Miranda Lopes e Lucas Crocomo, além de outros colaboradores.


Os estudos são realizados no Laboratório de Sistemas Distribuídos e Programação Concorrente (LaSDPC), do Departamento de Sistemas de Computação (SSC) do ICMC, com apoio do Núcleo de Apoio a Pesquisa em Software Livre (NAPSoL) da USP.





 

Estudantes criam boné detector de obstáculos para pessoas com deficiência visual

Boné azul com um chip sobre a aba.
 


Um boné detector de obstáculos para deficientes visuais. Este foi um dos projetos vencedores da fase regional do 3º Desafio Inova.


A criação é de alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) Amin Jundi, em Osvaldo Cruz, e concorreu com mais de três mil inscritos em todo o Estado de São Paulo.


De acordo com o Centro Paula Souza, foram selecionados os três melhores projetos de ideias de negócios elaborados por alunos de Etecs e Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais


Ao todo, são 48 trabalhos avaliados e escolhidos por profissionais e empresários locais, entre mais de três mil inscritos no começo da competição. Desse grupo, sairão os dez finalistas que irão concorrer ao prêmio do 3º Desafio Inova Paula Souza de Ideias e Negócios, em data a ser definida.


Os projetos foram selecionados seguindo critérios como poder de inovação, competitividade e condições de inserção no mercado, a partir de um planejamento de negócios elaborado pelos estudantes.


Segundo o Centro Paula Souza, as propostas de novas startups abrangem desde áreas como tecnologia da informação e agropecuária a processos industriais, atendendo inclusive setores em expansão, voltados à sustentabilidade ambiental, ao combate ao mosquito da dengue e à acessibilidade de pessoas com deficiência.


O boné

 

O projeto que saiu de Osvaldo Cruz foi formulado no ano passado, por um grupo de três alunos, com idades entre 17 e 18 anos. Eles estavam cursando o ensino médio e o técnico em informática e todos já se formaram.


De acordo com o professor do ensino técnico e agente local de inovação Éder Aparecido de Sousa, o boné criado pelos estudantes tem um sensor que emite um sinal sonoro e gera vibração quando a pessoa que o usa se aproxima de algum obstáculo. 


"Isso impede que o deficiente visual sofra um impacto, principalmente frontal", explicou Sousa.


Ele afirmou que a classificação é um ótimo resultado, já que os criadores são jovens que tiveram a primeira experiência com o mercado profissional. 


"Os alunos são estimulados a terem ideias que tragam benefícios para a comunidade e também economicamente. Essa classificação mostra que é possível criar modelos de negócio e que os alunos são capacitados para desenvolverem uma startup", salientou o docente.