Mostrando postagens com marcador Libras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Libras. Mostrar todas as postagens

17 de fev. de 2016

Crianças da 1ª série aprendem língua de sinais para se comunicar com colega de classe

Diversas crianças usam língua de sinais. Zejd está ao centro.


Enquanto volta e meia assistimos atônitos a notícias de escolas que discriminam ou não aceitam alunos com deficiência, uma escola em Saravejo, capital da Bósnia, tem dado o exemplo, realizando o mínimo para ofertar o máximo em termos de aprendizado, convívio, civilidade e empatia: não só recebeu de braços abertos a um aluno deficiente auditivo como, ao notar seu isolamento no primeiro dia de aula, decidiu por ensinar à classe inteira a língua dos sinais.


Naturalmente que a decisão encheu de alegria a Mirzana Coralic, mãe do aluno em questão, Zeld, de seis anos de idade. 


A sugestão, no entanto, veio do pai de um outro aluno, e foi vista e recebida com bons olhos e sorrisos por todos os companheiros de classe de Zejd.


Para isso, a escola contratou uma professora de sinais, financiada pelos próprios pais dos colegas do menino. 


Passados três meses, o pequeno Zejd já consegue alegremente se comunicar com seus companheiros de classe e professores, para estudar, conversar e brincar.


Todos os alunos da sala de Zejd compreenderam que não só esse aprendizado lhes oferece a alegria de poder se comunicar com seu amigo – e, claro, a felicidade a ele de conseguir responder – como traz também algo valioso para o resto do mundo e de suas vidas.


A iniciativa se popularizou de tal forma, que outras classes já têm aprendido também a língua de sinais. 


Para a nova professora, a luta agora é para que o ensino se torne parte oficial do currículo escolar. Zejd vem se esforçando a aprender a ler lábios mas, enquanto isso, segue brincando e conversando com seus amigos.
 




6 de jan. de 2016

Mostra de cinema exibe filmes eróticos com audiodescrição, Libras e legendagem descritiva



Andreza é formada em Artes Cênicas. Pensando em democratizar o acesso às artes, ela fez um curso de extensão para trabalhar com pessoas com deficiência e hoje é mestranda em Educação, mais especificamente na área de educação inclusiva. 


Sem saber, ao escolher esse caminho ela estava se preparando para o convite mais irresistivelmente indecente da sua vida, feito por Judite Muniz, uma mulher cega: fazer a audiodescrição de um filme “quente”, meio erótico.


Andreza não apenas topou o desafio, como decidiu ampliá-lo. Afinal, além de Judite, outras pessoas com deficiência visual e/ou auditiva também poderiam se interessar por filmes eróticos. Ou você acha que as pessoas que não enxergam ou não ouvem são assexuadas? A partir daí surgiu uma ideia genial: criar a Mostra de cinema erótico Às Escuras.


A mostra acontece na terceira semana de março, no Recife, e o acesso é gratuito para todas as pessoas (não será um evento exclusivo para pessoas com deficiência, ok?). 


Os filmes inscritos serão selecionados por uma comissão formada por mim, Cristina Teixeira, professora da UFPE, e pela cineclubista Amanda Ramos.


Eu conversei com Andreza sobre a mostra e sobre o duplo tabu de tornar o sexo acessível a pessoas cegas e surdas.


Erosdita: De onde veio a ideia de criar a mostra?

Andreza: Surgiu de um conjunto de fatores. Mas costumo dizer que minha musa inspiradora foi Judite Muniz, mulher cega, frequentadora assídua dos eventos promovidos com acessibilidade comunicacional que me questionou se eu teria coragem de fazer a audiodescrição de um filme “quente”, meio erótico… Eu prontamente disse que sim, mas alertei que teria que pensar melhor como faria isso. A provocação não saiu da minha cabeça, então, pensei em criar um momento no qual pudéssemos ter não apenas o recurso da audiodescrição, mas Libras e legendas, em curtas e longas metragens… Foi dessa conversa que comecei a idealizar a Mostra erótica de cinema Às Escuras.


***
Erosdita: Como funciona o trabalho de audiodescrição, libras e legendagem descritiva em filmes com temática erótica? Alguma especificidade?


Andreza: É necessário se despir de qualquer pudor e traduzir sem censura! Além de contar com os audiodescritores, intérpretes de Libras e legendistas, temos na equipe os consultores com deficiência visual e auditiva, profissionais que atuam na área a algum tempo.Todo o trabalho de acessibilidade deve ser realizado por profissionais devidamente capacitados. Diante do material audiovisual a ser traduzido, os profissionais da acessibilidade fazer um estudo prévio que lhes permitam adentrar no universo da obra em questão, para que, então, elaborem as traduções (de imagem para palavras, no caso da audiodescrição; de sons/diálogos para o texto em português, no caso da legenda; e de sons/diálogo para Libras). Após essa etapa, o material é submetido e discutido com os consultores para que possamos chegar na versão final.


***

Erosdita: A mostra foca na acessibilidade para pessoas que não enxergam ou não escutam, e me veio a dúvida sobre outros tipos de inclusão, como por exemplo, selecionar filmes que mostrem pessoas cadeirantes fazendo sexo. Também existe essa intenção?

 

Andreza: Sim. Estamos na torcida para que todas as possibilidades de abordar o erotismo cheguem por meio dos filmes inscritos. Por outro lado, a curadoria e a comissão poderão indicar filmes para compor a mostra.


***

Erosdita: Essa é a primeira mostra nacional desse gênero. Como assim nunca fizeram nada parecido antes?


Andreza: Acredito que já devem ter tido várias mostras eróticas de cinema no Brasil. Inclusive o Animage o ano passado, dentro da programação tinha uma mostra erótica que teve audiodescrição. O ineditismo está no fato de todos os filmes terem audiodescrição, Libras e legendas.


***


Erosdita: Existe um tabu em relação às pessoas com deficiência e outro tabu em relação ao sexo. Juntar as duas coisas é um ato revolucionário. O que a mostra pretende dizer ao fazer isso?


Andreza: Apenas que eles são PESSOAS.


***

Erosdita: Existe um mito de que as pessoas com deficiência são assexuadas. O que você pensa sobre isso?


Andreza: Isso viola o direito do ser humano de se ver, ser e se reconhecer enquanto sujeito de desejos. Certa vez, ouvi uma mulher cadeirante dizer que quando estava grávida outra mulher assustou-se ao vê-la com um barrigão e perguntou: – Quem fez essa maldade com você? E ela prontamente respondeu: Não foi maldade, foi gostoso! Diante de tudo isso, não tem como não começar a provocar uma discussão sobre o tema.


***
Erosdita: A mostra erótica Às Escuras não é competitiva. Quantos filmes serão selecionados, quais os formatos, como serão as exibições?

Andreza: Serão 2 longas e 6 curtas. É possível que tenhamos um pouco mais em função da duração dos filmes.  Discutiremos como serão exibidos com a comissão e a curadoria. O acesso é gratuito e para TODAS as pessoas. É importante reforçar isso! Não será um evento exclusivo para pessoas com deficiência. Será um evento inclusivo, com audiodescrição, Libras e legendas para que pessoas com deficiência possam assistir aos filmes em condições de igualdade. Será na terceira semana de março.


***




17 de dez. de 2015

Casal lança canal no YouTube com receitas em língua de sinais

 
Com o intuito de reunir surdos e ouvintes no mesmo play, Débora Claudio Dable e Felipe Dable lançaram em novembro o canal Chef Cenoura no Youtube. 


Mas este canal tem um tempero a mais: em todos os vídeos, Débora interpreta as receitas em língua de sinais, usada por surdos e mudos, enquanto Felipe comanda o fogão. 


A proposta é uma versão audiovisual das receitas que eles publicam há dois anos no blog Chef Cenoura. 


As receitas são ovo-lacto-vegetarianas e o casal reproduz algumas já publicadas no blog e outras inéditas. A direção e captação é de Lucas Costa, amigo do casal.


“A língua brasileira de sinais (Libras) tem uma gramática diferente do português, então não é tão fácil acompanhar um vídeo com legendas para um surdo. Na minha família, sempre falamos em português e Libras ao mesmo tempo, porque minha irmã mais velha é surda profunda”, contou Débora. 


A ideia do canal surgiu durante um feriado, quando Débora perguntou à irmã se facilitaria para ela entender as receitas em vídeos com Libras. 


“Ela disse que se pudesse aprender receitas por vídeo cozinharia muito mais. Se não facilitasse para os surdos, não faríamos os vídeos neste formato”.


O casal se conheceu na faculdade, quando ambos estudavam psicologia e moravam no Rio Grande do Sul. 


Naquela época, ela já falava Libras e ele já cozinhava, influenciado pela mãe, especialista em gastronomia francesa, e pelo pai, cozinheiro amador de mão cheia. Felipe se lembra de estar na cozinha desde os 15 anos, inventando almoços, lanches para os amigos, jantares.


Débora se mudou para Curitiba pouco antes de Felipe. Em 2014, depois de sete anos juntos, criaram o blog para “ajudar os familiares e amigos a entenderem o que comem”. 


Ela é intérprete na UTFPR e professora de Libras na Universidade Positivo e ele é psicólogo e dá aulas na mesma faculdade. 


Com seis vídeos publicados até 15 de dezembro, o retorno tem sido positivo. 


“Surdos de todo o Brasil nos procuraram agradecendo. Teve uma menina ouvinte que mandou mensagem e disse que está estudando Libras e que vai aproveitar para estudar cozinha assistindo ao nosso canal”, comemora Débora.


 
 
 

6 de out. de 2015

Legenda e língua de sinais podem ser obrigatórios em programa eleitoral

 


A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou proposta que determina a utilização, pelas propagandas eleitorais obrigatórias e os pronunciamentos oficiais transmitidos pelas emissoras de televisão, simultaneamente, de legenda oculta, janela com intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e audiodescrição. 


A proposta também determina que os debates eleitorais transmitidos pelas emissoras utilizem esses recursos.


O texto aprovado é o substitutivo do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) ao Projeto de Lei 4537/12, da ex-deputada Rosinha da Adefal, que previa a inclusão simultânea da linguagem de sinais e de legendas.


Barbosa acrescentou a audiodescrição como um dos recursos visuais obrigatórios. O texto altera a Lei 9.504/97, que estabelece normas para as eleições.


Acesso à informação


 
Inicialmente, o projeto recebeu parecer contrário do deputado Paulo Foletto (PSB-ES), que considera inviável a operacionalização da medida, dada a ausência de intérpretes em quantidade suficiente. Esse parecer foi rejeitado pela comissão, e Eduardo Barbosa foi nomeado relator do vencedor.


“Para que exista uma real compreensão por parte da pessoa com deficiência auditiva, é necessário que o conteúdo verbal das propagandas eleitorais e dos debates seja simultaneamente interpretado em libras e transcrito em legendas. O acesso à informação eleitoral é premissa para o exercício da cidadania, o que exige que nos esforcemos em reduzir as barreiras existentes para que as pessoas com deficiência auditiva compreendam o meio político”, argumenta Barbosa.
 

Regras atuais



O deputado ressalta que a concomitância de recursos visuais para auxílio ao deficiente auditivo já é uma obrigatoriedade estabelecida na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI – 13.146/15).


De acordo com essa norma, o Poder Público deve garantir que os pronunciamentos oficiais, a propaganda eleitoral obrigatória e os debates transmitidos pelas emissoras de televisão possuam, pelo menos, subtitulação por meio de legenda oculta, janela com intérprete da Libras e audiodescrição.


E lembra ainda que a Resolução 23.404/14 do Tribunal Superior Eleitoral fixou a obrigatoriedade do uso da Libras ou de legenda não só na propaganda gratuita, mas também nos debates veiculados em televisão.


“Na esteira do que já fez o TSE no que diz respeito à campanha eleitoral passada, bem como reforçando previsão já constante da LBI, damos mais um passo no sentido da inclusão da pessoa com deficiência auditiva à sociedade e à política”, afirma.


Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 9,7 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência auditiva, o que representa mais de 5% da população nacional.


Tramitação



A proposta será analisada agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e pelo Plenário.

 


 

4 de set. de 2015

Aprovado projeto que inclui Libras na grade curricular das escolas municipais em Teresina

 
 
A Língua Brasileira de Sinais, Libras agora vai fazer parte da grade curricular das escolas municipais. 
 
 
Foi aprovado, por unanimidade em sessão da Câmara Municipal de Teresina, o Projeto de Lei de autoria do vereador Ricardo Bandeira (PSDC), que trata da inserção da Língua nas escolas, bem como a capacitação de profissionais, nas repartições públicas municipais e nas agências bancárias, a fim de atender este segmento na sociedade. 
 
 
A Libras, assim como qualquer outra forma de linguagem é composta por fonologia, morfologia, sintaxe e semântica. 
 
O que difere é sua modalidade de articulação, ou seja, para se comunicar, não basta apenas conhecer sinais, sua gramática precisa ser estudada para que seja estabelecida a comunicação. 
 
 
Por esse motivo e visando a inclusão social, se faz necessário a criação de uma Lei municipal que assegure esse direito e estimule o aprendizado nas escolas do município de Teresina.
 
 
Desde de 2002 há previsão em Lei Federal de n°10.436 que trata sobre a Linguagem de Sinais, "Art. 2° Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da língua brasileira de sinais como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil". 
 
 
Tendo em vista a importância do assunto, que tem por finalidade promover a inserção das pessoas com deficiência auditiva ou surdas nos segmentos que necessitem de maior cuidado no atendimento, para que tenha uma pessoa que entenda e resolva o problema, diminuindo as falhas no processo de comunicação, o que gera constrangimento e prejuízo ao deficiente auditivo.
 
 
O objetivo deste Projeto de Lei é assegurar a inclusão social. Capacitar os profissionais nas mais diversas áreas e estimular o aprendizado da Libras para as crianças nas escolas, proporcionará a quebra de barreiras para as pessoas com deficiência auditiva que precisam lidar diariamente com a desinformação, preconceito e com a falta de estrutura.
 
 
 
 
 

3 de set. de 2015

Deficientes auditivos ganham a primeira Central de Libras na rede pública em SP

 



O Governo de São Paulo anunciou nesta semana a criação do projeto Central de Interpretação de Libras (CIL) , ligado à Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. 


O primeiro posto será inaugurado amanhã (4), no centro de São Paulo, mais precisamente na sede do Ministério Público.


Lá, pessoas com surdez, que precisam usufruir de algum tipo de serviço, serão direcionadas a Central. Por meio de vídeoconferência, a pessoa com deficiência vai passar sua dúvida a um atendente capacitado em interpretar a Língua Brasileira de Sinais.


Este, por sua vez, vai repassar instantaneamente as informações em português para o funcionário que está junto com o surdo e dará continuidade ao atendimento.


Outros dez postos serão inaugurados ainda no mês de setembro. A meta é chegar a 50 unidades até o fim deste ano em todo o estado de São Paulo.


***

Central de Libras da Cidade de São Paulo


 
Local: Edifício Sede do MP do Estado de São Paulo- Auditório Queiroz Filho
 
Endereço: Rua Riachuelo 115 - Térreo (próximo do largo São Francisco)


***

Fonte:  Vida Mais Livre



30 de jul. de 2015

Homem surdo motiva médicos a aprenderem Libras em hospital de MS

Foto de Ralf e a equipe médica sorrindo


O vendedor autônomo Ralf Amorim Amstrong, de 29 anos, que tem deficiência auditiva desde os 4 meses de vida, se tornou um paciente especial para uma equipe médica do Hospital São Julião, em Campo Grande


Desde que chegou ao local, há quase um mês, a comunicação entre ele e os médicos se tornou um desafio para as duas partes. O primeiro objetivo era saber o histórico do paciente.


A equipe médica se desdobrou para tentar se comunicar com Ralf, que além de deficiente auditivo também estava com a visão prejudicada e gestos também comprometidos, por conta da diminuição motora nas mãos provocada pelo diabetes. Do outro lado, o paciente tentava se expressar, mesmo diante das limitações.


A dificuldade de comunicação era tanta que os médicos não tinham conhecimento nem do histórico de saúde do paciente. O que poderia ser um problema acabou virando motivação para a equipe buscar conhecimento na Língua Brasileira de Sinais (Libras).


A ajuda veio da internet, onde os médicos descobriram um aplicativo de celular e livros de Libras para área da saúde. Para os profissionais, um desafio diferente, inédito para a maioria. Para a família do Ralf, um esforço que demonstrou boa vontade em fazer a diferença na reabilitação do paciente.


“Vi nos médicos essa dedicação de fazer o melhor para atender cada paciente de uma forma mais humanizada, principalmente meu irmão. Eu já sabia da fama do hospital de ter um atendimento diferenciado", disse o músico Alexsandro Oliveira Amorim, 36 anos, irmão de Ralf.


Alternativas



Um dos médicos que atendeu Ralf, Fábio Sartori disse que no primeiro momento, não sabia como lidar com o paciente especial. 


"Quando vi pensei: e agora? Como vou falar com esse cara? Minha mãe, que é psicóloga, trabalhou com deficiente auditivo na educação, então me ensinou algumas coisas de Libras quando eu era guri, mas nunca aprendi o suficiente para estabelecer uma conversa e desaprendi porque não usei", explicou Fábio.


Também médica da equipe, a doutora Isabella Diniz Melo Falkine, diz que na faculdade eles não tinham opções de curso de Libras para área da saúde. 


O aplicativo de celular, que traduz palavras e frases, faladas ou escritas em gestos de Libras, se tornou uma das ferramentas usadas pelos profissionais.


"A equipe tem enfermeiros, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeuta e, no começo, a gente pensou em fazer algum curso, a gente até achou alguns, só que o paciente já estava aqui, então a gente ia assistir a primeira aula de Libras e ele provavelmente já teria alta. E outra, a gente não sabia também direito o quanto de Libras ele sabia", considerou Fábio.


A outra opção é a ajuda do irmão de Ralf, que vai quase todos os dias ao hospital. Mesmo sem saber a linguagem de sinais, Alex diz que consegue se comunicar com o irmão por gestos improvisados, por isso ajuda os médicos na comunicação básica.


"A gente precisava conversar com ele para saber o mínimo, de como está indo ao banheiro, se está dormindo, se não está, se está com dor e aí a gente foi adaptando. Então, achamos um aplicativo no celular e fomos aprendendo", relatou o médico.


Com certa dificuldade para traduzir a pergunta feita pelo G1, o irmão improvisou gestos e perguntou a Ralf como era o contato com a equipe médica. Com movimentos resumidos, o paciente respondeu, segundo o irmão, que o esforço dos médicos foi importante para melhorar o atendimento.


Outra dificuldade encontrada é que a linguagem de sinais, assim como a comunicação falada e escrita, tem variações dependendo da região do país, como se fosse um sotaque, segundo Alex.


A terceira alternativa é o livro específico sobre saúde tem ilustrações e foi comprado pelo médico com ajuda do funcionário de uma livraria. 


“Vi na internet, mas não tinha venda online. Então entrei em contato com o funcionário da livraria e pedi pra ele enviar"


Histórico



Com olhar curioso e sempre atento aos movimentos próximos, Ralf passa os dias observando a rotina do hospital, onde está há quase um mês. 


A dificuldade na visão impede que ele ocupe o tempo usando internet, redes sociais ou lendo livros, tarefas da rotina de quando está fora do hospital, segundo Alex.pra mim pelos Correios”, explicou.


Antes de dar entrada no hospital São Julião, Ralf ficou internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Universitário de Campo Grande, depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória em casa. 


Os problemas de saúde começaram depois que ele descuidou do tratamento do diabetes, doença descoberta há dois anos.


Parte do histórico do paciente foi descoberto pelos médicos com a ajuda de outra funcionária do hospital, que também é deficiente auditiva. 


Segundo Fábio, a colega fazia leitura labial do que os médicos falavam e conseguia traduzir para o paciente, que respondia.


O médico Fábio explica que os problemas na visão e diminuição motora das mãos de Ralf foram consequências de cetoacidose diabética, que é uma complicação aguda do diabetes. Segundo o profissional, isso geralmente acontece quando o paciente não sabe que é diabético.


"Por isso nossa preocupação se ele tinha noção da seriedade da doença", explicou. 


Segundo a família, Ralf sabia das condições de saúde e estava seguindo o tratamento corretamente, até que parou de tomar insulina por conta própria, sem a família saber.


A previsão é que o paciente tenha alta médica até a sexta-feira (31), quando deve ir para a casa retomar as atividades. 


Quando isso acontecer, Alex diz que vai cuidar mais de perto do irmão, com a ajuda da família. Ele garante também que junto com a mãe via fazer um curso de Libras, para melhorar a comunicação com o irmão.


"Por descuido nossa família nunca buscou aprender Libras, mas agora vamos fazer isso. O Ralf tem vários amigos, viaja o Brasil todo, para conhecer lugares novos com a família. Sempre se virou sozinho, desde criança. Estudou em escola especial, depois foi trabalhar e só parou agora, porque está no hospital. Saindo daqui deve retomar a rotina", reforçou o irmão.


Ainda segundo Alex, a esposa de Ralf também é deficiente auditiva. "Eles têm uma filha que não tem deficiência e é a intérprete deles para tudo", explicou o músico. 


Em homenagem ao irmão, ele diz que pretende, junto com a esposa, adotar uma criança e revela preferência por órfãos  que tenham deficiência auditiva.


"É uma forma de homenagear meu irmão, dar um sobrinho especial como ele e também dar oportunidade de uma criança órfão ter uma família", ressaltou.


Fontes: G1 / Vida Mais Livre


10 de jun. de 2015

Ensino de Libras pode se tornar obrigatório nas escolas

 Ensino de Libras pode se tornar obrigatório nas escolas


Tramita, na Câmara Municipal de São Paulo, o Projeto de Lei que prevê o ensino obrigatório da Língua Brasileira de Sinais – mais conhecida como Libras – nas escolas da capital paulista.


Caso o PL 90/2013 seja aprovado, a disciplina deverá ser incluída na grade curricular de todas as instituições públicas e privadas da cidade de São Paulo, desde a Educação Infantil até o Ensino Fundamental. 


A medida estabelece, ainda, que professores surdos devem ter prioridade para ensinar a matéria.


A ideia é promover a inclusão social dos quase 10 milhões de deficientes auditivos que vivem, atualmente, no Brasil. 


“Negar a Língua Brasileira de Sinais provoca perdas consideráveis nos aspectos cognitivos, sócio-afetivos, linguísticos, políticos, culturais e na aprendizagem dos surdos”, diz o texto do PL.


A medida já foi aprovada por cinco Comissões – entre elas, a de Educação e Cultura e a de Saúde e Promoção Social – e segue, agora, para votação no plenário da Câmara. 


Se aprovado pelos vereadores, o PL vai para sanção do prefeito, Fernando Haddad, e as instituições de ensino terão três anos para se adequar à nova Lei e incluir Libras em suas grades curriculares.


Fonte: Diario do Surdo


27 de abr. de 2015

MPF quer obrigar Presidência a adotar discurso oficial em Libras



A Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República deverá responder na Justiça por que os pronunciamentos oficiais exibidos em cadeia nacional de televisão não contam com intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras). 


Em Ação Civil Pública ajuizada em Brasília, o Ministério Público Federal diz que os discursos oficiais violam regras de acessibilidade do Decreto 5.296/2005 e deixam de garantir o acesso a deficientes auditivos.


Segundo a procuradora da República Ana Carolina Araújo Roman, autora do pedido, a secretaria descumpriu uma recomendação feita pelo MPF no fim de 2014. 


Ela afirma que os pronunciamentos veiculados neste ano continuam sem apresentar a janela com intérprete, como nas falas da presidente Dilma Rousseff (PT) transmitidas em sua posse (1º de janeiro) e no Dia Internacional da Mulher (8 de março).


Ainda de acordo com a ação, a Secom disse que em casos excepcionais — quando não fosse possível incluir a tradução instantânea — uma versão do pronunciamento com Libras seria disponibilizada nos sites oficiais da Presidência da República. 


A procuradora diz que essas providências não foram tomadas e que a pasta não apresentou nenhuma justificativa.


Para o MPF, a ausência de tradução contraria convenção internacional sobre o direito de deficientes, que, no Brasil, equivale a norma constitucional. 


Esse ordenamento determina que os países ofereçam possibilidades para que as pessoas com deficiência possam viver de forma independente, participando plenamente de todos os aspectos da vida.


A ação pede uma liminar para que a União seja obrigada a incluir a tradução em Libras antes mesmo da análise do mérito. Com informações da Assessoria de Imprensa do MPF-DF.


Fontes: ConJur  / Rede Saci



23 de abr. de 2015

UFS realizará evento em comemoração ao Dia de Libras



A Universidade Federal de Sergipe (UFS) vai promover diversas atividades para divulgar o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) na próxima sexta-feira (24), Dia Nacional de Libras.


O evento terá o tema ‘Um dia de Libras no campus’, com objetivo de proporcionar a integração entre os interessados.


De acordo com informações da UFS, serão cerca de 60 pessoas envolvidas inclusive professores, alunos e intérpretes. 


Eles vão percorrer o campus visitando as salas de aula e entregando panfletos educativos. As ações serão nos três turnos, além de haver uma apresentação teatral no Restaurante Universitário (Resun).


Libras foi reconhecida como segunda língua em 24 de abril de 2002, através da lei n° 10.436 . Em 2014, a data foi oficializada no Brasil como o Dia Nacional de Libras.


Fontes: G1  /  Rede Saci


17 de abr. de 2015

Aplicativo feito em Campinas auxilia na tradução entre português e libras






Um aplicativo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Eldorado, na Unicamp, em Campinas(SP), tem a intenção de facilitar a comunicação de pessoas com deficiência auditiva, e com elas. Segundo os criadores, a ferramenta disponível para celulares, chamada de Uni Libras, consiste em um dicionário da linguagem de sinais.


Ao digitar uma palavra utilizando o alfabeto em português, o usuário visualiza como ela é representada em libras, por meio de um instrutor que mostra, na tela, como dizê-la em sinais.


Libras-português 


 
A ferramenta também faz a função contrária, já que é possível escolher sinais na tela e saber como a palavra é escrita em português.


O aplicativo está disponível para smartphones e tablets com sistema operacional iOS e já foi baixado 1,2 mil vezes. Segundo os administradores, em seis meses a ferramenta também será disponibilizada para celulares que funcionam com a plataforma Android.



Fontes: G1  /  Rede Saci


 

10 de abr. de 2015

Colóquio de libras será realizado na Unir centro neste sábado em Porto Velho



O "I Colóquio: Pesquisas atuais na área de surdez" será realizado neste sábado (11), às 13h, no auditório da Universidade Federal de Rondônia (Unir), unidade do Centro de Porto Velho. 


As inscrições são gratuitas e realizadas na Unir-centro, localizada na avenida Presidente Dutra, nº 2965.


De acordo com a organização, o objetivo principal é divulgar as atuais pesquisas realizadas na área da educação e surdez, promover a socialização de conhecimentos entre surdos e ouvintes e sensibilizar a sociedade para as diferentes formas de perceber o mundo e pensar sobre ele.


O evento é coordenado pelo professor, surdo, Amarildo João Espíndola, do Departamento de Línguas Vernáculas da Unir e conta com a participação de professores e pesquisadores das Universidades Federais da Bahia, da Fronteira Sul e do Amazonas, além de mestrandos da Unir.


Entre os temas abordados no colóquio estão: Representações culturais dos surdos na literatura surda; As falas do silêncio: narrativas da história de Rondônia em LIBRAS; Os desafios da formação docente na aprendizagem dos alunos com surdez na rede municipal de Ji-Paraná; Os desafios da implantação do curso de Letras Libras e Os desafios do professor surdo no Ensino Superior.


Fontes:  G1  /   Rede Saci


2 de abr. de 2015

Livro de Libras traz sinais capixabas para que tem surdez no ES

 


O universo dos gestos usados por quem tem surdez e vive no Espírito Santo ganhou um registro importante. 


O livro "Libras e o sabor dos sinais capixabas" traz à comunidade surda, aos profissionais que atuam com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a quem mais se interessar sinais que são apenas capixabas.

 
As professoras bilíngues Rosalba Dias Lemos, Nilzea de Faria e Liliane Ramos, que idealizaram e produziram o livro, contam que, antes do lançamento, as referências para os sinais vinham de outros estados, como o Rio de Janeiro e São Paulo. 


"Esse é o primeiro livro ilustrado de Língua de Sinais do Espírito Santo. É um registro oficial que nasceu da nossa dificuldade como professora de mostrar aos alunos sinais que são locais", fala Nilzea.


Rosalba explica que a obra não se trata de um dicionário de palavras gerais e comenta sobre o foco da ação. 


"O nosso livro é como se fosse um dicionário do Estado, com os nomes das cidades, das praias, dos pontos como o da Pedra da Cebola. Além disso tem também o congo em libras, a moqueca capixaba em libras, nome dos nossos bairros e das nossas cidades. É um presente para o Espírito Santo em libras", fala a professora.


O livro conta com mais de 300 sinais que são ensinados por meio de fotos de alunos das professoras. Foram dois anos e cinco meses de pesquisa para conseguir esse resultado. 


Um trabalho que só traz orgulho a todas elas. "Valeu muito a pena todo o esforço, a gente lembra das dificuldades e tudo. Mas vale a penas, é uma sensação de dever cumprido", conta Rosalba.


Para Nilzea o orgulho é ainda maior, e ela explica o por quê. "O esforço é compensado, e alegria de contribuir com quem quer aprender é muito grande. Eu estou muito orgulhosa particularmente, porque a minha filha aparece no livro. 


Ela é estudante, de 16 anos, e ilustra vários locais turísticos, porque a imagem para o surdo é muita importante para ela", conta feliz a mãe da menina.

 

Pesquisa



O livro contou com uma fonte de informações especial dizem as professoras. Antônio Aniceto Simões, um senhor 60 anos, contribuiu ensinando não só os sinais em libras desconhecidos por muitos, como também a história de alguns deles. 


"Ele viajava o Estado todo, passou 34 anos vendendo aqueles folhetos que ensinam o alfabeto manual em Libras e divulgando também a língua de sinais. O Antônio foi muito importante, ele pode contribuir revelando a origem de alguns sinais que ninguém sabia", conta Rosalba.


Uma das professoras que conversou com Antônio, perguntou como ele se sentia em relação à obra que foi feita com a ajuda dele. "Estou muito feliz porque vi que o livro foi bem aceito, e que as pessoas gostaram. Por isso me sinto muito satisfeito", respondeu Antônio através dos gestos.


Além dele, as professoras contaram com a ajuda de uma professora de libras surda, muitos ouvintes, e também de grupos de surdos de determinadas regiões que confirmavam os sinais.
 

O livro contou com uma fonte de informações especial dizem as professoras. Antônio Aniceto Simões, um senhor 60 anos, contribuiu ensinando não só os sinais em libras desconhecidos por muitos, como também a história de alguns deles. 


"Ele viajava o Estado todo, passou 34 anos vendendo aqueles folhetos que ensinam o alfabeto manual em Libras e divulgando também a língua de sinais. O Antônio foi muito importante, ele pode contribuir revelando a origem de alguns sinais que ninguém sabia", conta Rosalba.


Uma das professoras que conversou com Antônio, perguntou como ele se sentia em relação à obra que foi feita com a ajuda dele. "Estou muito feliz porque vi que o livro foi bem aceito, e que as pessoas gostaram. Por isso me sinto muito satisfeito", respondeu Antônio através dos gestos.


Além dele, as professoras contaram com a ajuda de uma professora de libras surda, muitos ouvintes, e também de grupos de surdos de determinadas regiões que confirmavam os sinais.


Curso



A Secretaria de Estado da Educação (Sedu), abre nesta segunda-feira (30) pré-inscrições para Curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras), nos níveis Básico e Intermediário. 


Serão ofertadas 870 vagas para professores das redes pública e municipal, servidores de órgãos públicos em geral e membros da comunidade local.


As inscrições podem ser feitas nas sedes dos Centros de Formação de Profissionais de Educação e Atendimento às Pessoas com Surdez CAS/EOA (Escola Oral e Auditiva) localizados em Vitória, Vila Velha e Cachoeiro de Itapemirim, entre das 9 às 17 horas, até a próxima quarta-feira (01). 


Mais informações podem ser conseguidas através do número 3636-7862.


Libras


 
A Língua Brasileira de Sinais foi instituída como segundo idioma oficial do Brasil em 2002. 


Ela garante que instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à saúde atendam e tratem pessoas com surdez.



 Fontes: G1  /   Rede Saci