Pesquisadores de uma universidade
britânica concluíram um estudo considerado animador por neurologistas:
testes em ratos mostraram que um exame de vista simples pode vir a
detectar a doença de Parkinson em um paciente antes mesmo de os
primeiros sintomas se manifestarem.
Segundo a professora e
pesquisadora-chefe do estudo Francesca Cordeiro, da University College
London, roedores que ainda não tinham nenhum sintoma da doença passaram
pelo exame e apresentaram alterações no fundo dos olhos.
Ela afirmou que o método é barato e não invasivo e que "é
potencialmente uma descoberta revolucionária no que diz respeito a
diagnósticos rápidos e tratamento no início de uma das doenças mais
debilitantes do mundo.Com isso, talvez possamos intervir muito mais cedo e tratar de uma maneira mais eficiente pessoas com essa doença devastadora."
Atualmente, não há exames de imagem ou de sangue que concluam um diagnóstico de Parkinson.
Passo significante
Arthur
Roach, diretor de pesquisa da ONG Parkison's UK, disse que há uma
"necessidade urgente de um método simples e preciso para se detectar
essa doença, principalmente nos primeiros estágios. Apesar de a
pesquisa ainda estar em seu estágio inicial e precisar ser testada em
pessoas com Parkinson, um testes simples e não invasivo, exatamente como
um exame de vista, poderia ser um passo significativo no tratamento da
doença."
Os pesquisadores disseram ainda que o método pode ser
usado também para avaliar como os pacientes estão respondendo ao
tratamento. O estudo foi divulgado na publicaçãoActa Neuropathologica Communications.
Os
sintomas de Parkinson - que incluem tremores, rigidez muscular,
lentidão nos movimentos e qualidade de vida prejudicada - geralmente
surgem após as células cerebrais já terem sido danificadas.
A garota brasileira de nove anos, que mora em Hamamatsu, na província
japonesa de Shizuoka, é educada por voluntários enquanto a mãe, Arianne
Hayasaka, de 33 anos, trava uma batalha provar que a filha não é
autista, diferentemente do atestado pelos profissionais contratados pelo
município para identificar crianças com necessidades especiais.
Arianne e a filha Hayenne, que há 2 anos não pode frequentar a escola por causa do diagnóstico
O
caso de Hayenne não é o único. Segundo dados do governo do país
asiático, compilados por um grupo de ativistas e divulgados pela ONG Serviço de Assistência aos Brasileiros no Japão (Sabja), 6,15% dos
alunos brasileiros teriam autismo - entre os japoneses, o índice é de
1,49%.
Essa proporção muito maior de diagnósticos de autismo entre os
filhos de brasileiros criou polêmica e motivou críticas até do governo
brasileiro.
Os profissionais de saúde e educação ainda não
conseguem explicar as razões para tantos casos. Mas Edilson Kinjo,
presidente daorganização sem fins lucrativos (new) SAB - Associação
Amigos do Brasil, tem uma teoria: a forma como o teste é feito.
"É claro que não temos tantas crianças autistas assim", afirma o ativista, que acompanha a questão há mais de seis anos.
Para
Kinjo, muitas crianças não entendem perfeitamente o idioma japonês e
acabam não respondendo aos comandos do profissional durante a avaliação,
mesmo sendo ele um médico ou psicólogo.
"O resultado é que a
criança não consegue responder aos estímulos e, consequentemente, a
escola conclui que ela tem necessidade especial e já a classifica como
autista", diz.
Procurado pela BBC Brasil, oMinistério da
Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia do Japão não quis se
pronunciar sobre os dados.
"Devido à falta de uma metodologia e de
outros detalhes da pesquisa, não podemos comentar. Mas explicou que a decisão de encaminhar uma criança para uma classe especial cabe ao diretor da escola. A
decisãodeve ser feita com base no tipo e nível de deficiência e de
acordo com uma avaliação de professores experientes e o diagnóstico de
médicos especialistas, que levam em consideração a questão educacional,
médica e psicológica da criança", detalhou e Justificou em nota.
Questionamento brasileiro
Em
abril, representantes do Ministério da Educação brasileiro questionaram
autoridades japonesas sobre o assunto durante uma reunião do Foro
Consular entre os dois países.
Para eles, os diagnósticos
aparentemente estão equivocados e, assim como defende Kinjo, muitos dos
casos são apenas de dificuldade de adaptação à cultura, à língua e ao
sistema de ensino local.
Arianne tenta provar que a filha não precisa frequentar sala especial
Os representantes do Ministério da Educação do Japão
se prontificaram a analisar a questão e solicitaram que casos concretos
de diagnóstico equivocado sejam informados a seu departamento
internacional.
Diante disso, o Consulado-Geral do Brasil em Tóquio deu início a uma campanha para coletar reclamações.
Para
Ivan Carlo Padre Seixas, diplomata responsável pelo setor de Comunidade
da Embaixada do Brasil em Tóquio, esse alto índice de crianças
classificadas como autistas é apenas um aspecto da falta de uma política
que integre os estrangeiros ao país.
"Esse dado mostra a
incapacidade da escola japonesa de lidar com a diversidade. Isso é uma violência psicológica brutal e que pode acabar com a vida
escolar e social da criança", afirma.
Edilson Kinjo sugere que o assunto seja tratado na esfera da saúde, e não da educação, como é hoje.
"No
Japão, os dados escolares e pessoais de cada aluno não podem ser
divulgados. Então, fica difícil responsabilizar alguém se houver um
erro. Quando tratamos o caso como problema de saúde, podemos ter acesso
aos laudos e questionar os resultados", sugere.
'Pegos de surpresa'
Kinjo
pondera que há crianças que realmente precisam de atendimento
diferenciado na escola - e que muitos pais não querem admitir que seus
filhos possam ter autismo ou algum outro tipo de transtorno.
"Mas há casos visíveis de crianças que foram diagnosticadas de forma errada, e até os pais são pegos de surpresa", conta.
Foi
o caso de Arianne, que não concordou com o laudo da escola sobre
Hayenne. Ela procurou uma segunda opinião médica e tenta provar que a
filha não precisa frequentar a sala especial.
"O resultado (do
exame) foi dislexia e deficit de atenção. Mesmo assim, eles querem
mandá-la para essa classe que mistura alunos com todo tipo de transtorno
e problemas, e não vai ser saudável para ela."
A batalha começou quando a família mudou de cidade.
"Quando
ela ingressou na escola primária na outra cidade, fez o teste e foi
aprovada. Mas em Hamamatsu a psicóloga deu o diagnóstico de autismo",
conta Arianne.
Ela tenta convencer as autoridades a aceitarem o segundo parecer médico e a refazerem os testes da filha.
Daniel Galvão com o filho Daniel, numa foto tirada há três anos no Brasil
Daniel Galvão da Silva, de 37 anos, passou pelo mesmo problema com o filho, que também se chama Daniel e hoje tem oito anos.
"Quando
ele tinha três anos, bem no momento do processo de separação da minha
ex-esposa, começou a apresentar sinais de atraso no desenvolvimento
cognitivo", conta.
O jardim de infância aconselhou os pais a fazerem um exame mais detalhado.
"Uma
terapeuta brasileira o diagnosticou com autismo leve, e então
procuramos uma clínica japonesa. Só que o médico leu a carta da
professora e fez os procedimentos todos como se ele realmente fosse
autista", diz Daniel.
Durante alguns meses, os pais levavam o
menino para fazer terapia semanalmente.
"Mas percebíamos que algo estava
errado, porque ele não agia como as outras crianças que estavam lá."
Foi
então que a mãe do garoto resolveu voltar ao Brasil. "Ela levou nosso
filho para um psicólogo e psiquiatra, fez todos os exames e não deu
nada. Hoje, ele leva uma vida normal no Brasil", diz o pai
Para Silva, a separação pode ter afetado emocionalmente o filho e desencadeado uma série de reações na época.
"Como
pais, a gente sempre coloca o sentimento na frente da razão, mas se o
caso tivesse sido tratado mais a fundo, mais pessoalmente, teríamos tido
um diagnóstico mais correto."
Aceitação
O
psicólogo Irineu Carlos da Silva Jo, que presta atendimentos no
Consultado-Geral de Hamamatsu e pela Sabja, conta que a procura de pais
tem aumentado.
"O que acontece em muitos casos é um choque
cultural. Às vezes, em casa os pais só se comunicam em português, e na
escola só se fala o japonês. Isso pode causar um bloqueio na criança",
explica.
Mas ele lembra que, além de procurar ajuda de um
profissional para fazer o diagnóstico preciso, os pais precisam estar
atentos aos sinais.
"Muitos não querem aceitar que o filho possa ter um
transtorno", ressalta.
Wilson e Kenzo: para ele, pais têm de enfrentar problema e deixar preconceito de lado
Esta é justamente a grande batalha de Wilson Tadashi
Karakawa, de 41 anos, que tem um projeto de integração de crianças com
necessidades especiais.
Ele usa o jiu-jitsu para tentar quebrar as barreiras do preconceito em relação ao autismo e a outros transtornos.
"O primeiro grande obstáculo é justamente os pais aceitarem a condição do filho", diz o brasileiro.
Seu
filho Kenzo, de 11 anos, foi diagnosticado com autismo. O garoto
pratica o esporte do pai e é destaque em campeonatos no Japão e em
outros países.
"Vejo muitos profissionais reclamando do grande
número de diagnósticos errados. Acho isso muito irresponsável e
perigoso", afirma ele.
Para Karakawa, alguns pais não querem
aceitar o problema de seus filhos e acabam se convencendo de que as
análises japonesas estão realmente erradas.
"Isso pode prejudicar profundamente a vida da criança, pois ela não vai ter o tratamento adequado."
Uma inovação tem chamado atenção da
comunidade daltônica. Um par de óculos especiais criado pela empresa
EnChroma proporcionou para algumas pessoas com essa deficiência a emoção
de ver as cores pela primeira vez.
A marca americana é especialista em
aliviar a confusão visual entre o vermelho-verde, aumentando a percepção
das cores sem comprometer a visão.
Após diversas pesquisas sobre genética e
anomalias relacionadas à fotopigmentação, a EnChroma criou modelos de
óculos de alta tecnologia, e o efeito sobre a forma como as pessoas com
daltonismo percebem as cores pôde ser finalmente modificado.
Como funciona?
A lente filtra as cores específicas
e segmenta osfotopigmentos. O método de filtragem desenvolvido pela
EnChroma corta os comprimentos de onda nítidas de luz para realçar as
cores que seriam deficientes.
Essa filtragem separa os cones vermelhos e
verdes sobrepostos, ajudando a melhorar a visão de quem tem dificuldade
de enxergá-las.
O cliente tem 60 dias para testar o
produto, mais de 30 mil pares de óculos já foram vendidos em todo o
mundo.
Em relação aos planos para o futuro, a empresa está engajada em
pesquisas para desenvolver lentes de contato com a mesma finalidade.
O projeto, considerado inovador, tem como maior diferencial o
pioneirismo na inclusão de pessoas com deficiência visual por meio de
sistemas de georreferenciamento para ambientes internos a custo
relativamente baixo.
“Esse viés social e inclusivo é o principal motivador para o
desenvolvimento dos óculos guiados por áudio e navegação virtual”,
comemora o responsável pelo projeto e doutorando em Ciência da
Computação na UFAM, Walter Simões.
Os projetos que desenvolvemos no âmbito do PPGI [Programa de
Pós-Graduação em Informática] e do Ceteli [Centro de P&D em
tecnologia eletrônica e da informação] têm o viés social.
"Os trabalhos
orientados pelo professor Vicente Lucena sempre têm essa marca da
contribuição para a sociedade ou para atender a demandas de grupos
específicos”, esclarece o pesquisador.
Hoje, a maior parte dos óculos
destinados a auxiliar pessoas com deficiência visual é restrita à
percepção de obstáculos.
O protótipo que está sendo projetado nos laboratórios da UFAM vai
além das abordagens atuais.
A tese de Walter é desenvolvida no sentido
de associar diversas abordagens de software (programação) ao hardware
(placas eletrônicas) para reduzir a um nível muito baixo a margem de
erro na versão final do produto.
E isso tudo, segundo ele, a um custo
que não chegará a mil reais. “O diferencial do projeto é pensar no
público brasileiro com deficiência visual. Versões desenvolvidas na
Alemanha, por exemplo, podem custar até três mil dólares americanos”,
compara.
Outros equipamentos que oferecem alguma abordagem desse tipo
foram encontrados a valores entre mil e oito mil dólares americanos.
Primeiros passos
Engenheiro egresso da antiga Universidade de Tecnologia do Amazonas
(UTAM) – atual Escola Superior de Tecnologia (EST), Walter concluiu o
mestrado em Informática no Programa de Pós-Graduação em Informática
(PPGI/Ufam) em 2014 e é doutorando no mesmo programa, cujo conceito é
cinco na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (Capes).
Para obter o título de mestre, ele aproximou duas linhas de pesquisa
no projeto “Sistema de Reconhecimento de gestos para TV digital”: a
Robótica e a Visão Computacional.
A primeira diz respeito a máquinas que
tomam decisões, como no exemplo do browser (buscador), que usa robôs
ligados a bancos de dados para retornar informações.
Já a visão
computacional abarca um conjunto de técnicas para ensinar o computador a
executar todas as etapas do processo de enxergar, aproximando-o ao
máximo da visão natural do ser humano.
“Isso incluia identificação de
objetos em várias posições e com variação de luz ou de temperatura”,
diz.
Para que a pesquisa fosse validada, foram realizados testes com 2 grupos de controle. 10 pessoas eram usuárias de softwares similaresao
testado; outras 10 pessoas não eram usuárias. Todas elas tinham de realizar um
conjunto de gestos para ligar/desligar/acessar o menu e trocar de
canal.
“Três dos participantes tinham certo grau de deficiência visual e
comentaram sobre os recursos à disposição, hoje, no mercado da
Tecnologia, os quais, segundo eles, não têm se voltado para a
acessibilidade”.
A ideia de pesquisar sobre recursos de
georreferenciamento para cegos surgiu dessa crítica.
Tese
No doutorado, a pesquisa já iniciou com a proposta de proporcionar
experiência segura e efetiva de locomoção para pessoas cegas ou com
algum grau de deficiência visualemambientes in door(internos)
desconhecidos.
O estado da arte mostrou que várias técnicas já foram
aplicadas com esse objetivo, mas sempre voltadas apenas à identificação
de obstáculos.
Os custos dos projetos mais promissores também não são atrativos para uma produção em escala industrial no padrão do mercado
consumidor brasileiro.
A primeira experiência foi com um par de luvas e uma viseira.
“As
luvas usavam a tecnologia de navegação ultrassônica (na velocidade do
som – 340 m/s), que permitia reconhecer obstáculos a quatro metros, numa
escala maior que a tradicional bengala, que alcança um metro e meio, em
geral. Na viseira, a tecnologia aplicada foi a da visão computacional,
por meio de câmeras que identificavam o cenário. Extintores, escadas e
portas foram identificados e a informação foi repassada a cada pessoa
por áudio em menos de dois segundos”, explica o pesquisador.
Segundo
ele, dois dos participantes cegos fizeram todo o percurso sem a
necessidade de usar a bengala como auxílio e foram bem sucedidos.
Essa primeira parte da experiência foi transformada em artigo e
publicada num evento em Las Vegas, o ICCE CES (Consumer Electronics), em
janeiro de 2016.
O trabalho está disponível no site do ICCE.
Na etapa seguinte, cujo resultado será apresentado na segunda
qualificação do doutorado, Walter aproveitou as instruções dos usuários
testados e criou o protótipo dos óculos.
Evolução
O guia por áudio sobre sua navegação de pessoas cegas ou com algum
grau de deficiência visual é baseado nos sistemas usadosem veículos nanavegação out door (externa), realizada através de satélites por GPS
(Global Positioning System).
Atualmente, os códigos computacionais
(algoritmos), assim como a estrutura (técnicas e sensores envolvidos no
processo de mapeamento e navegação).
“A fusão de técnicas permite
reduzir a margem de erro em situações críticas (pessoas cegas) a um
custo muito baixo. Hoje, a impressão da estrutura em 3D custa 70 reais.
Além disso, são usadas câmeras de 5 mega pixels, que são simples, e
chips de relacionamento com o ambiente que custam cerca de 2 reais”,
afirma.
Após a submissão do trabalho ao ICCE (Consumer Eletronics) de Las
Vegas, os organizadores descreveram o projeto como “uma excelente
abordagem sobre as escolhas das técnicas empregadas e com resultados
promissores apontados pelos testes preliminares”, segundo informou o
doutorando.
Outras etapas já foram inscritas e aceitas em eventos
nacionais e internacionais nos anos de 2012 a 2015.
Tratamento contra enxaqueca ganha importante aliado. Para amenizar a
dor crônica que acompanha significativa parcela da população em todo o
mundo, estudos da USP de Ribeirão Preto comprovaram a eficácia da
fisioterapia associada ao tratamento convencional com medicação.
A
pesquisa foi realizada por pesquisadores de diferentes áreas da saúde
ligados à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e
trata-se do primeiro ensaio clínico, conduzido por grupo brasileiro, que
mostra a atuação fisioterápica sobre enxaqueca.
O objetivo foi conhecer a ação de técnicas especificas
aplicadas no pescoço de pessoas que sofrem da doença, já que essa
abordagem ainda é pouco conhecida nacionalmente.
A fisioterapeuta
Lidiane Lima Florencio, integrante da equipe da USP, conta que 50 pacientes
seguidos no Ambulatório de Cefaleia do Hospital das Clínicas da FMRP
(HCRP), todas mulheres em tratamento medicamentoso, participaram do
estudo.
As pacientes foram separadas aleatoriamente em dois grupos: um que,
além dos remédios, passou por atendimento fisioterápico durante um mês, e
outro, que só recebeu medicação convencional para a doença.
Os resultados deixaram claro que “a adição do tratamento da
fisioterapia, direcionado ao pescoço, ao tratamento convencional
medicamentoso, acelera a melhora clínica, a percepção quanto a essa
melhora, a satisfação com o tratamento e ainda reduz a sensibilidade
dolorosa local”, confirma a fisioterapeuta Lidiane.
Redução de dor
Logo após o término das sessões, ainda no primeiro mês de avaliação, o
grupo que teve fisioterapia associada ao tratamento reduziu em 4,49 dias
de dores de cabeça no mês. No mesmo período, o grupo controle, só da
medicação, tinha reduzida apenas 3,68 dias.
No segundo mês de avaliação,
um mês após o fim das sessões fisioterápicas, a redução dos dias de dor
das pacientes que haviam recebido fisioterapia foi ainda maior, de 5,21
dias de dor de cabeça, enquanto que o outro grupo teve redução de 4,6
dias de dor.
As técnicas de fisioterapia fizeram diferença também sobre a
intensidade e a sensibilidade da dor relatadas pelas pacientes. Numa
escala de zero a 10, o grupo com fisioterapia disse que a intensidade da
dor diminuiu 0,17 no primeiro mês e 0,11, no segundo.
Os números para o
controle foram de 0,04 e 0,06, respectivamente para primeiro mês e
segundo mês de avaliação.
A pesquisadora conta que diversos estudos clínicos envolvendo a
fisioterapia e enxaqueca foram realizados em vários outros países.
A
maioria deles porém, embora demonstrem a eficácia das técnicas
fisioterápicas, não apresentam qualidade metodológica para essa
confirmação.
Apenas um estudo canadense realizou um ensaio parecido com o
conduzido agora no Brasil e também constatou redução das dores no grupo
que combinou tratamento convencional com fisioterapia.
A confirmação desses benefícios ao tratamento da enxaqueca pela
equipe brasileira teve reconhecimento internacional.
A pesquisa foi
publicada em edição do final do ano passado da revista norte americanaArchives of Physical Medicine and Rehabilitation.
Assim, os resultados desse estudo reforçam a importância do
fisioterapeuta na avaliação e tratamentos desses pacientes.
Informa
Lidiane que a eficácia obtida nos protocolos com técnicas que testaram
proporcionará benefícios reais de alívio de dor e relaxamento muscular,
diminuindo os efeitos negativos da enxaqueca.
Estudo pioneiro para a cicatrização de feridas graves, desenvolvido
pelo Serviço de Cirurgia Plástica e Queimaduras do Hospital das Clínicas
(HC), da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), deverá revolucionar o
tratamento das lesões no Brasil por prevenir a amputação de membros.
Trata-se do uso de matriz dérmica ou pele artificial, associada à
terapia de pressão negativa e enxerto de pele.
A eficiência da técnica
foi comprovada em 20 pacientes, com riscos de amputação de membros, por
apresentar profundas feridas agudas, ou seja, com exposição do osso,
tendão ou articulação, em tratamento no Hospital das Clínicas.
Os
pacientes apresentavam feridas devido a traumas, queimaduras ou
processos infecciosos graves.
Resultados positivos
Segundo o cirurgião plástico, Dimas André Milcheski, autor do estudo, os resultados foram surpreendentes.
A área média de integração do modelo de regeneração dérmica foi de
86,5%. Houve integração completa do enxerto de pele sobre a matriz
dérmica em 14 pacientes (70%), integração parcial em 5 pacientes (25%) e
perda total apenas em 1 paciente (5%), resolvida com nova enxertia de
pele. A ferida foi fechada completamente em 95% dos pacientes.
“Estas feridas graves necessitam usualmente de cirurgias mais
complexas como técnicas microcirúrgicas para a sua resolução. Em alguns
casos havia até a necessidade de amputação das extremidades afetadas.
Assim, além desse tratamento ser pioneiro no Brasil, simplificou a
conduta cirúrgica e preveniu a amputação de extremidades”, explicou o
cirurgião.
O reconhecimento deste estudo ocorreu a nível internacional. O autor
foi agraciado com o prêmio de melhor estudo da América Latina em
cirurgia plástica reconstrutiva, pela revista médica PRS Global Open –
International Open Access Journal of the American Society of Plastic
Surgeons.
Cientistas do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à
Indústria (CeMEAI), com sede no Instituto de Ciências Matemáticas e de
Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, desenvolvem um projeto que visa
prevenir as quedas de idosos.
A iniciativa é composta de testes que
permitem mapear o caminhar destas pessoas.
O CeMEAI é um dos Centros de
Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) financiados pela Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
O Centro é
especialmente adaptado e estruturado para promover o uso de ciências
matemáticas (em particular matemática aplicada, estatística e ciência da
computação) como um recurso industrial.
Os testes são simples e os idosos são preparados para os exercícios
pelas alunas de gerontologia da Universidade Federal de São Carlos
(UFSCar) Caroline de Oliveira Silva e Patricia Bet.
O grupo de pessoas
foi selecionado na Fundação Educacional de São Carlos (FESC), onde está a
Universidade Aberta da Terceira Idade (UATI).
Um dos desafios é uma caminhada de seis minutos. O percurso é de 12
metros (m) e o objetivo é caminhar em linha reta, ida e volta, até
completar o tempo.
Cada passo é acompanhado e cronometrado pelas
estudantes. Na cintura, o idoso coloca o acelerômetro, um aparelho que
mede a mudança de velocidade durante o trajeto.
Há também outros exercícios de coordenação motora e cognitiva. No TUG
(sigla de Timed Up and Go), o idoso intercala o caminhar com o sentar.
Ele começa sentado e tem um percurso de 3m para fazer, até dar
meia-volta, refazer o trajeto (mais 3m) e se sentar novamente.
A
primeira vez é simples assim. Na segunda, o percurso é feito com um copo
de água em mãos. Na terceira vez, é preciso fazer contas de cabeça
enquanto caminha. E não só isso: também é necessário trocar de bolso
algumas moedas tudo para saber o quanto a distração influencia no
passo do idoso
Veja o Vídeo:
Perda de memória
Os idosos também preenchem formulários de identificação e questionários
para detectar indícios de perda de memória ou falta de atenção.
“Sabemos
que existe um alto índice de queda em idosos e que os seus agravos são
um importante problema de saúde pública. Já existem alguns estudos que
usam o acelerômetro para detectar o risco de queda. Porém, são em
ambientes simulados e geralmente com pessoas jovens”, diz Caroline.
Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que, por ano, são 424
mil mortes por quedas no mundo. De 30% a 60% da população com mais de 65
anos caem uma vez ao ano, e parte dessas quedas (de 40% a 60%) termina
com algum tipo de lesão.
“Muitas vezes, o idoso começa a cair muito e se
limita, acha que ele tem que morar com o filho para ter maior suporte.
Então, se a gente tiver esse suporte propriamente na casa do idoso,
possibilita sua maior independência”, comenta Patrícia.
Depois da coleta, é feita a análise dos dados. No Instituto de
Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, eles
são interpretados e transformados em modelos matemáticos e algoritmos.
O
professor do ICMC, Moacir Ponti, explica que todos os testes são
convertidos em gráficos e tabelas. Os pesquisadores analisam, por
exemplo, a relação intensidade/tempo.
“Nós pretendemos, a longo prazo,
conseguir extrair um modelo desses dados que permita acompanhar um
paciente e prever se houve uma mudança no padrão do seu movimento e que
poderia predispor a queda”, completa Ponti.
Quem também integra o grupo de pesquisa é o pesquisador do CeMEAI e
também do ICMC André Carlos Ponce de Leon Ferreira de Carvalho, da área
de Inteligência Computacional.
Ele explica que a ideia é fazer com que
os idosos usem o acelerômetro em casa e que, em eventual mudança de
padrão de caminhada, um responsável ou o próprio médico do paciente seja
alertado da possibilidade da queda. Além disso, o aparelho também deve
ser adaptado.
“Uma coisa que o idoso nem perceba que esteja usando. Por
exemplo um relógio desses mais modernos que têm funções inteligentes e
que tenha o acelerômetro”, conclui Ferreira de Carvalho.
Para Paula Castro, professora do curso de Gerontologia e coordenadora
da pesquisa na UFSCar, a longo prazo a intenção é mudar as estatísticas
e introduzir o mapeamento de risco de quedas nas políticas públicas.
“As intervenções do sistema público podem ser focadas em atender
especificamente as pessoas que caem ou que vão cair, e, assim, melhorar o
atendimento do ponto de vista de rapidez e de qualidade e diminuir os
gastos com saúde pública”, conclui a pesquisadora.
Além do ICMC, o CEPID-CeMEAI conta com outras seis instituições
associadas:
Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade
Federal de São Carlos (CCET-UFSCar);
Instituto de Matemática
Estatística e Computação Científica da Universidade Estadual de Campinas
(IMECC-UNICAMP);
Instituto de Biociências Letras e Ciências Exatas da
Universidade Estadual Paulista (IBILCE-UNESP);
Faculdade de Ciências e
Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (FCT-UNESP);
Instituto
de Aeronáutica e Espaço (IAE);
Instituto de Matemática e Estatística
da Universidade de São Paulo (IME-USP).
O biólogo brasileiro Alysson Muotri, professor da
Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, nos
EUA, relatou ter obtido resultados preliminares, mas promissores, em
pesquisas com medicamentos para tratar efeitos do autismo em crianças.
Analisando os genes de pacientes e reprogramando
células-tronco obtidas a partir de células comuns para que elas se
tornem neurônios, o cientista e sua equipe têm estudado em laboratório
drogas que ajudem a reduzir as limitações presentes em autistas.
Em uma das pesquisas, apresentada em congressos, mas
ainda não publicada em revista científica, Muotri, que é colunista do
G1, aponta ter encontrado vínculo entre mutações genéticas que
prejudicam a formação de sinapses (ligações) dos neurônios e alterações
causadas pelo autismo.
O estudo com uma criança que apresenta uma forma
específica de autismo apontou que ela tem um gene defeituoso que
dificulta a entrada de cálcio nos neurônios, o que atrapalha a
proliferação das sinapses.
Os pesquisadores retiraram células comuns da criança e
fizeram com que elas voltassem a ser células-tronco. Depois, elas foram
reprogramadas para se tornarem neurônios. Eles, então, testaram
medicamentos para estimular em laboratório o bom funcionamento do gene.
"Todo mundo tem duas cópias de cada gene. No caso desta criança, ela tem
uma cópia que está mutada [sofreu mutação] e outra que é funcional.
Achamos uma droga que estimula o gene ativo a ‘funcionar’ em dobro",
disse Muotri, que é pós-doutor em neurociência e células-tronco pelo
Instituto Salk de Pesquisas Biológicas, também na Califórnia.
O medicamento que estimula o receptor de cálcio
respondeu bem aos testes em laboratório e passou a ser administrado ao
paciente diluído em chá, para avaliar os resultados. As primeiras
observações, após um mês, mostram que a criança tem progredido em
atenção e sociabilização.
"Avaliamos através de questionários aplicados
para os pais, professores, amigos da criança. Fizemos uma observação
antes e depois da droga", aponta Muotri.
"Os dados que obtivemos depois de um mês são
promissores, eles mostram melhora na atenção e na sociabilidade da
criança", relata o professor. "Não é tão significativo porque tivemos
que dar uma dose pequena", pondera, mas a descoberta é importante.
"Abre
uma perspectiva que estamos chamando de medicina personalizada. Baseado
no genoma da pessoa e em testes com células-tronco induzidas, pode ser
possível definir qual a melhor droga e a melhor dose a ser usada em um
indivíduo", diz.
O caso do autismo é singular porque há vários tipos
de distúrbios, causados por situações e mutações distintas.
"Dificilmente você vai encontrar uma droga que vale para todo mundo",
avalia Muotri. Ele diz que o tratamento que está sendo proposto, o da
medicina personalizada, é similar ao que ocorre com alguns tipos de
câncer.
"Você retira algumas células e vai testando, até encontrar o
medicamento e a dose certa."
O pesquisador vem ao Brasil neste sábado (29) para
dar uma palestra no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da
Universidade de São Paulo (USP), às 14h. A apresentação será em torno
do tema: "Remodelando Neurônios Autistas com Células-tronco", e será
mediada pela pesquisadora Patrícia Beltrão Braga, da USP.
Cérebro maior O grupo capitaneado por Muotri também está investindo em outra linha
de pesquisa - analisar dez crianças autistas com quadro clínico
parecido, de cérebro com tamanho maior do que o normal.
Os pesquisadores
estão estudando se estes pacientes têm características genéticas
similares, como alguma mutação.
A hipótese dos cientistas é que, se as crianças têm
um cérebro grande, é porque elas têm mais neurônios do que o necessário
para sua idade - por algum motivo as células nervosas podem ter crescido
descontroladamente.
"Nós estamos pesquisando drogas que inibam o
crescimento dessas células. A ideia é controlar o aumento, estamos
fazendo testes em laboratório", diz Muotri.
A previsão do professor é que essa linha de pesquisa
vai dar respostas mais rapidamente. "Proliferação celular é algo que é
estudado há muito tempo", pondera. "Talvez dois anos para começar a ter
resultados com drogas.”
Neurônios vivos
Um dos grandes problemas para entender o autismo é conseguir obter
neurônios vivos, ressalta Muotri.
"Muitas vezes são usados tecidos de
autistas mortos, analisados depois que um paciente morre." Mas o avanço
de pesquisas em células-tronco pluripotentes induzidas (conhecidas como
células iPS, em inglês) está abrindo um novo caminho no estudo do
autismo, diz o professor.
"A ideia é pegar células do paciente - cabelo, pele,
polpa do dente - e fazer com que elas voltem a ser células-tronco. Então
você as induz a se tornarem neurônios", explica o cientista.
Pesquisas
recentes apontam que o cérebro dos autistas, em geral, realiza menos
sinapses (ligações entre neurônios para transmissão de informações), o
que está sendo explorado nas pesquisas científicas.
"Começamos a testar medicamentos para elevar o número
de sinapses, e alguns deles têm funcionado.
Drogas como o fator de
crescimento insulínico [IGF-1, na sigla em inglês]", diz Muotri. Um dos
problemas do IGF-1 é que é uma proteína muito grande, que não consegue
ser bem absorvida pelas camadas mais externas do cérebro. Moléculas
menores estão em estudo, afirma o professor.
A novidade dos pesquisadores é que os testes com
estas drogas até agora estavam restritos ao laboratório, e vão começar a
ser aplicados em pacientes em breve.
"A fase clínica de toxicidade já
foi aprovada para alguns grupos que estão estudando crianças autistas. A
ideia agora é testar em um número maior de crianças, para saber se, com
seis meses a um ano de tratamento, elas estão melhores em diferentes
aspectos, como respiração, ansiedade", informa Muotri.
A pesquisa da Proteste foi feita em agosto e setembro. Nela, os mesmos três cadeirantes
percorreram 4 km em cada sentido de dez calçadas no Rio e dez de São
Paulo.
Os resultados foram enviados às prefeituras das duas capitais,
para que sirvam de subsídio a políticas de mobilidade.
Eles mostram, por exemplo, que a Avenida General Edgar Facó, em
Pirituba, na zona norte, está “em péssimo estado de conservação”.
Em
suas calçadas, foram encontrados 20 desníveis que obrigaram cadeirantes
a se deslocar até o asfalto para conseguirem continuar se movendo.
“Quando a pessoa está sozinha e acha esses obstáculos, tem duas opções:
ou voltar, sem poder ir para onde queria, ou correr riscos”, afirma a
coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci.
Ela explica
que as 20 vias de São Paulo e Rio foram escolhidas por concentrar muitos
serviços e comércio.
]Para a professora de Arquitetura Silvana Cambiaghi, que já foi
secretária executiva da Comissão Permanente de Acessibilidade da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida,
a legislação precisa mudar para que os passeios possam melhorar e se
tornar acessíveis.
“Na maioria das cidades brasileiras, quem cria e
mantém as calçadas é o proprietário do lote lindeiro. Mas isso não faz
dele o dono da calçada, que é pública.”
Segundo ela, essa responsabilidade “adquirida” faz com que muitos
moradores construam calçadas que só beneficiam a si próprios, com rampas
de estacionamento em grande desnível em relação ao passeio vizinho,
dificultando a vida de pedestres e principalmente de pessoas com
mobilidade reduzida.