O apresentador Marcons Mion, lança nesta
quarta-feira dia 30/11 o seu primeiro livroA escova de dente azul em
homenagem ao seu filho Romeo que tem Transtorno do Espectro Autista(TEA), na Livraria Cultura, no Shopping Iguatemi, Jardim Europa, em São
Paulo (SP) às 18h30.
Em dezembro do ano passado, Mion
publicou em sua página do Facebook o texto: "Lições que aprendi com meu
filho autista", contando sobre o presente que o filho pediu de Natal
para o Papai Noel, que era a escova de dente azul e foi convidado pela
editora Pandas Book a transformar essas liçoes em um livro.
"A informação do quão enriquecedor
é a convivência com uma criança autista tem que chegar direto nas
crianças, para que se tornem adultos melhores e que nosso filho Romeo, e
todas crianças com TEA, vivam num mundo mais consciente, informado e respeitador!", comenta Mion, em sua página no Facebook.
A história é narrada pela
cachorra de estimação, Pankeka, que intereje com os leitores de uma
forma mais leve e descontraída, além da mãe Suzana e os irmãos. O livro é
para crianças a partir de 6 anos e custa R$39,90.
De acordo com a Organização das
Nações Unidas (ONU) estima-se que 70milhões de pessoastenham autismo,
cerca de 1% da população mundial.
Crianças e adultos com essa síndrome
geralmente apresentamdificuldades na comunicação verbal e não verbal,
interação social e lazer e atividades lúdicas.
Com isso, este tema é
bastante discutido entre os educadores e familiares envolvidas na
temática da pessoa com deficiência.
Diante desse cenário, na próxima
quarta-feira, dia 27/07, às17h, o site do projetoDiversidade na Rua, da Mercurrealizará um debate online com o tema “Minha experiência com o Autismo” com a psicopedagoga e criadora do blogMundo da Mi, Fausta Cristina.
Cristina falará sobre o processo de aceitação do diagnóstico e
as mudanças que precisam ser feitas para ajudar as pessoas com autismo.
As questões que envolvem a vida das famílias e das pessoas que em geral
têm suas vidas tocadas pelo autismo também serão abordadas durante o
debate.
“Se tem uma coisa que aprendi é que o autismo é diferente de
pessoa para pessoa, não existe receita que funcione igual para todos e
ninguém ainda pode afirmar verdades”, declara a psicopedagoga.
Por ser aberto ao público, qualquer pessoa que tenha interesse no tema pode participar do debate, basta acessar o site (www.diversidadenarua.cc/debate).
O formato é como o de um fórum: as questões são lançadas pelos
participantes e todas as respostas podem ser replicadas. Para interagir é
preciso fazer um cadastro rápido e simples.
A Neuro Saber promove aula online gratuitasobre a educação para
alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Voltada a familiares e
escolas, a palestra acontece no dia 20 de julho e aborda a Análise do
Comportamento Aplicada (ABA), com Felipe Tardem, psicólogo especialista
em ABA.
Comprovada cientificamente, a intervenção ABA é uma forma de
tratamento notável para pessoas com TEA, segundo o Centers for Disease
Control and Prevention (CDC- EUA).
A metodologia tem sido amplamente aceita entre profissionais da saúde
e vem sendo aplicada em vários tratamentos clínicos e escolares. Promoveainda comportamentos desejáveis e reduz
comportamentos indesejáveis de modo a gerar repertórios com uma
variedade de habilidades.O progresso é seguido e mensurado.
Para Dr. Clay Brites, um dos fundadores da Neuro Saber, a Análise do
Comportamento Aplicada é uma área do conhecimento que desenvolve
pesquisas e aplicações a partir dos princípios básicos da ciência da
análise do comportamento.
Segundo o especialista Felipe Tardem, o TEA envolve vários déficits e
excessos comportamentais que afetam a forma como os indivíduos
interagemconsigo mesmo e com as outras pessoas.
Explica ainda que as
dificuldades causadas peloTEA podem variar desde habilidades complexas,
como ler e escrever, se comunicar socialmente de maneira efetiva, até
dificuldades básicas de autocuidado.
***
Transmissão da palestra: “ABA e Autismo: como essa ciência pode ajudar o seu filho”
A garota brasileira de nove anos, que mora em Hamamatsu, na província
japonesa de Shizuoka, é educada por voluntários enquanto a mãe, Arianne
Hayasaka, de 33 anos, trava uma batalha provar que a filha não é
autista, diferentemente do atestado pelos profissionais contratados pelo
município para identificar crianças com necessidades especiais.
Arianne e a filha Hayenne, que há 2 anos não pode frequentar a escola por causa do diagnóstico
O
caso de Hayenne não é o único. Segundo dados do governo do país
asiático, compilados por um grupo de ativistas e divulgados pela ONG Serviço de Assistência aos Brasileiros no Japão (Sabja), 6,15% dos
alunos brasileiros teriam autismo - entre os japoneses, o índice é de
1,49%.
Essa proporção muito maior de diagnósticos de autismo entre os
filhos de brasileiros criou polêmica e motivou críticas até do governo
brasileiro.
Os profissionais de saúde e educação ainda não
conseguem explicar as razões para tantos casos. Mas Edilson Kinjo,
presidente daorganização sem fins lucrativos (new) SAB - Associação
Amigos do Brasil, tem uma teoria: a forma como o teste é feito.
"É claro que não temos tantas crianças autistas assim", afirma o ativista, que acompanha a questão há mais de seis anos.
Para
Kinjo, muitas crianças não entendem perfeitamente o idioma japonês e
acabam não respondendo aos comandos do profissional durante a avaliação,
mesmo sendo ele um médico ou psicólogo.
"O resultado é que a
criança não consegue responder aos estímulos e, consequentemente, a
escola conclui que ela tem necessidade especial e já a classifica como
autista", diz.
Procurado pela BBC Brasil, oMinistério da
Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia do Japão não quis se
pronunciar sobre os dados.
"Devido à falta de uma metodologia e de
outros detalhes da pesquisa, não podemos comentar. Mas explicou que a decisão de encaminhar uma criança para uma classe especial cabe ao diretor da escola. A
decisãodeve ser feita com base no tipo e nível de deficiência e de
acordo com uma avaliação de professores experientes e o diagnóstico de
médicos especialistas, que levam em consideração a questão educacional,
médica e psicológica da criança", detalhou e Justificou em nota.
Questionamento brasileiro
Em
abril, representantes do Ministério da Educação brasileiro questionaram
autoridades japonesas sobre o assunto durante uma reunião do Foro
Consular entre os dois países.
Para eles, os diagnósticos
aparentemente estão equivocados e, assim como defende Kinjo, muitos dos
casos são apenas de dificuldade de adaptação à cultura, à língua e ao
sistema de ensino local.
Arianne tenta provar que a filha não precisa frequentar sala especial
Os representantes do Ministério da Educação do Japão
se prontificaram a analisar a questão e solicitaram que casos concretos
de diagnóstico equivocado sejam informados a seu departamento
internacional.
Diante disso, o Consulado-Geral do Brasil em Tóquio deu início a uma campanha para coletar reclamações.
Para
Ivan Carlo Padre Seixas, diplomata responsável pelo setor de Comunidade
da Embaixada do Brasil em Tóquio, esse alto índice de crianças
classificadas como autistas é apenas um aspecto da falta de uma política
que integre os estrangeiros ao país.
"Esse dado mostra a
incapacidade da escola japonesa de lidar com a diversidade. Isso é uma violência psicológica brutal e que pode acabar com a vida
escolar e social da criança", afirma.
Edilson Kinjo sugere que o assunto seja tratado na esfera da saúde, e não da educação, como é hoje.
"No
Japão, os dados escolares e pessoais de cada aluno não podem ser
divulgados. Então, fica difícil responsabilizar alguém se houver um
erro. Quando tratamos o caso como problema de saúde, podemos ter acesso
aos laudos e questionar os resultados", sugere.
'Pegos de surpresa'
Kinjo
pondera que há crianças que realmente precisam de atendimento
diferenciado na escola - e que muitos pais não querem admitir que seus
filhos possam ter autismo ou algum outro tipo de transtorno.
"Mas há casos visíveis de crianças que foram diagnosticadas de forma errada, e até os pais são pegos de surpresa", conta.
Foi
o caso de Arianne, que não concordou com o laudo da escola sobre
Hayenne. Ela procurou uma segunda opinião médica e tenta provar que a
filha não precisa frequentar a sala especial.
"O resultado (do
exame) foi dislexia e deficit de atenção. Mesmo assim, eles querem
mandá-la para essa classe que mistura alunos com todo tipo de transtorno
e problemas, e não vai ser saudável para ela."
A batalha começou quando a família mudou de cidade.
"Quando
ela ingressou na escola primária na outra cidade, fez o teste e foi
aprovada. Mas em Hamamatsu a psicóloga deu o diagnóstico de autismo",
conta Arianne.
Ela tenta convencer as autoridades a aceitarem o segundo parecer médico e a refazerem os testes da filha.
Daniel Galvão com o filho Daniel, numa foto tirada há três anos no Brasil
Daniel Galvão da Silva, de 37 anos, passou pelo mesmo problema com o filho, que também se chama Daniel e hoje tem oito anos.
"Quando
ele tinha três anos, bem no momento do processo de separação da minha
ex-esposa, começou a apresentar sinais de atraso no desenvolvimento
cognitivo", conta.
O jardim de infância aconselhou os pais a fazerem um exame mais detalhado.
"Uma
terapeuta brasileira o diagnosticou com autismo leve, e então
procuramos uma clínica japonesa. Só que o médico leu a carta da
professora e fez os procedimentos todos como se ele realmente fosse
autista", diz Daniel.
Durante alguns meses, os pais levavam o
menino para fazer terapia semanalmente.
"Mas percebíamos que algo estava
errado, porque ele não agia como as outras crianças que estavam lá."
Foi
então que a mãe do garoto resolveu voltar ao Brasil. "Ela levou nosso
filho para um psicólogo e psiquiatra, fez todos os exames e não deu
nada. Hoje, ele leva uma vida normal no Brasil", diz o pai
Para Silva, a separação pode ter afetado emocionalmente o filho e desencadeado uma série de reações na época.
"Como
pais, a gente sempre coloca o sentimento na frente da razão, mas se o
caso tivesse sido tratado mais a fundo, mais pessoalmente, teríamos tido
um diagnóstico mais correto."
Aceitação
O
psicólogo Irineu Carlos da Silva Jo, que presta atendimentos no
Consultado-Geral de Hamamatsu e pela Sabja, conta que a procura de pais
tem aumentado.
"O que acontece em muitos casos é um choque
cultural. Às vezes, em casa os pais só se comunicam em português, e na
escola só se fala o japonês. Isso pode causar um bloqueio na criança",
explica.
Mas ele lembra que, além de procurar ajuda de um
profissional para fazer o diagnóstico preciso, os pais precisam estar
atentos aos sinais.
"Muitos não querem aceitar que o filho possa ter um
transtorno", ressalta.
Wilson e Kenzo: para ele, pais têm de enfrentar problema e deixar preconceito de lado
Esta é justamente a grande batalha de Wilson Tadashi
Karakawa, de 41 anos, que tem um projeto de integração de crianças com
necessidades especiais.
Ele usa o jiu-jitsu para tentar quebrar as barreiras do preconceito em relação ao autismo e a outros transtornos.
"O primeiro grande obstáculo é justamente os pais aceitarem a condição do filho", diz o brasileiro.
Seu
filho Kenzo, de 11 anos, foi diagnosticado com autismo. O garoto
pratica o esporte do pai e é destaque em campeonatos no Japão e em
outros países.
"Vejo muitos profissionais reclamando do grande
número de diagnósticos errados. Acho isso muito irresponsável e
perigoso", afirma ele.
Para Karakawa, alguns pais não querem
aceitar o problema de seus filhos e acabam se convencendo de que as
análises japonesas estão realmente erradas.
"Isso pode prejudicar profundamente a vida da criança, pois ela não vai ter o tratamento adequado."
Crianças com autismo costumam ter dificuldades de
socialização e não se adaptam facilmente a ambientes com muito barulho
ou estímulos visuais.
Porém, o convívio com animais pode ser bastante
benéfico para os pequenos que convivem com o transtorno – é o que diz um
estudo da Universidade de Missouri citado em matéria da Veja.
Mais do que apenas pesquisas, a experiência também mostra que essa
fórmula dá certo, como no caso do menino autista Jacob Tumalan, de seis
anos.
Toda a quinta-feira, Jacob visita o abrigo de animais Carson, em
Gardena, nos Estados Unidos, com um propósito sério: o pequeno aproveita
o tempo depois da escola para ler para os animais que vivem no abrigo.
O
ritual é repetido há seis meses e começou com um empurrãozinho da tia
de Jacob, Lisa Dekowski-Ferranti, que trabalha com o resgate de animais.
A experiência de voluntariado do menino o ajuda a ter um senso de
propósito e melhorou muito suas capacidades linguísticas.
Os animais
também se beneficiam da iniciativa, que os ajuda a se socializar
enquanto se preparam para encontrar um novo lar.
A ação faz parte do
projeto Rescue Readers, em que crianças são voluntárias para ler para os
animais do abrigo.
Um vídeo sobre o caso está disponível na página original da reportagem para acessa-lo clique aqui
O Modelo Denver de
Autismo é um método de intervenção precoce com eficácia cientificamente
comprovada, para crianças com Perturbações do Espectro do Autismo.
Neste
modelo de intervenção o terapeuta e a criança se tornam parceiros de
jogo e a interação social está no centro de cada atividade.
Existe uma
alternância entre atividades no chão utilizando objetos de jogo
apropriados à idade da criança, brincadeiras sem objetos onde a
interação social é o centro da atividade e atividades na mesa com ações
como desenhar e modelar massinhas.
Informações
Ministrado em português por: Thiago Araujo Lopes, formador certificado oficialmente pelo MIND Institute.
Datas:Grupo 1: 26 a 28 de Junho de 2016 / Grupo 2: 29 e 30 de Junho e 1 de Julho de 2016
SAN DIEGO - A análise do cérebro de crianças mortas pode ter dado uma
importante pista sobre a causa do autismo.
O estudo, publicado na revista “New England Journal of Medicine”, foi
realizado por uma equipe formada por pesquisadores da Universidade da
Califórnia, em San Diego, e do Instituto Allen para a Ciência do
Cérebro, em Seattle.
Eles afirmam que o resultado pode ajudar a melhorar
a compreensão do cérebro de autistas, abrindo caminho para a
identificação precoce e novas técnicas de tratamento.
A
equipe analisou o tecido cerebral de 22 crianças mortas entre 2 e 15
anos de idade, com e sem autismo.
Seus cérebros foram doados para
pesquisas e as causas de morte foram afogamento, acidentes, asma e
problemas cardíacos.
Marcadores genéticos foram utilizados para observar a parte mais
externa do cérebro, o córtex.
Os cientistas encontraramcélulas
cerebrais desorganizadas em amostras de tecido de regiões do cérebro
importantes para regular a interação social, as emoções e a comunicação -
áreas em que os autistas têm dificuldades.
Das crianças com autismo, 90%(10 entre 11) apresentaram o mesmo tipo
de anormalidade, em comparação com apenas 10%(1 entre 11) daquelas sem a
doença.
A pesquisa sugere que esse tipo de anomalia poderia acontecer
entre o segundo e o terceiro mês de gravidez.
- Como isso aponta para o aparecimento biológico na vida pré-natal,
vai contra noções populares sobre autismo - disse Eric Courchesne,
principal autor da pesquisa da Universidade da Califórnia, ao
“Telegraph”.
Segundo Courchesne, umas dessas noções seria a ligação
entre autismo e vacinas dadas na infância.
Importância do diagnóstico precoce
Há décadas,
cientistas procuram a causa do autismo. Um corpo de pesquisas recentes
vem sugerindo que a doença pode ter origem bem antes do nascimento.
Além
da genética,fatores que podem incluirinfecções durante a gravidez,
parto prematuro e maior idade do pai no momento da concepção são
apontados como algumas das prováveis causas.
Outros estudos têm indicado que o autismo pode estar associado com
anormalidades na região frontal do cérebro, e que, pelo menos em algumas
crianças, também começaria antes do nascimento.
- Mas esta pesquisa fornece provavelmente algumas das evidências mais
elegantes para esses importantes temas biológicos - afirmou Janet
Lainhart, pesquisadora de autismo e professora de psiquiatria da
Universidade de Wisconsin.
O novo estudo sugere, ainda, que a natureza irregular das anomalias
nos tecidos cerebrais poderia explicar como algumas crianças mostram
sinais de melhora no tratamento precoce.
Eles acreditam que o cérebro
infantil pode conseguir se “religar” para compensar a deficiência se a
doença for detectada e tratada cedo.
- A constatação de que esses defeitos ocorrem em manchas e não na
totalidade do córtex traz esperança, bem como uma nova visão sobre a
natureza do autismo - disse Courchesne.
Um dos melhores presentes que Nathália Boralli, diagnosticada com
autismo, ganhou de sua mãe na infância foi uma escola.
“Nenhum colégio
regular queria matriculá-la ou estava preparado para tê-la como aluna”,
recorda a assistente social Eliana Boralli Mota, referindo-se à filha,
que tem hoje 28 anos.
Eliana começou improvisando dentro da própria casa
uma sala de aula e contratou uma pedagoga para auxiliar no trabalho.
A
experiência deu origem ao Centro Educacional da Associação dos Amigos da
Criança Autista Nathália Boralli.
Com mais de duas décadas de atividade, a iniciativa cresceu e virou uma
escola oficialmente em 2010.
A sede fica no Mandaqui, na Zona Norte.
Ali, é feito o atendimento gratuito a crianças autistas e com síndrome
de Asperger.
Cerca de cinquenta estudantes, com idade a partir de 6
anos, frequentam o local, divididos em dois turnos diários.
As
atividades levam em conta as necessidades de aprendizagem: as
orientações para executá-las, por exemplo, ficam expostas nas paredes,
com diversos recursos visuais.
“As crianças aprendem vendo, não ouvindo,
e precisam saber de antemão tudo o que vão fazer no dia”, explica
Eliana, que se tornou uma espécie de consultora sobre o assunto.
Segundo
ela, por ano, mais de 400 famílias de todo o país a procuram para pedir
informação sobre o assunto.
“Quero ajudar esses pais a conhecer melhor
os filhos maravilhosos que têm”, diz.
Em 18 de dezembro de 2007 a Organização
das Nações Unidas (ONU) determinou que pelo menos um dia de cada ano
deveria ser dedicado à discussão sobre o Autismo.
O dia
escolhido foi o 2 de abril. Desde então em todo mundo nessa data são
realizadas ações com o objetivo de conscientizar a população sobre a
presença de pessoas com o transtorno na sociedade.
Em Santa Cruz do Sul, não foi diferente. No último sábado, 2 de abril, a Associação Luz Azul
organizou uma série de atividades alusivas à data.
Durante a tarde, uma
mateada reuniu pelo menos 60 pessoas na Praça da Bandeira, no Centro da
cidade. E no fim do dia, uma segunda edição de cinema adaptado para crianças e jovens autistas foi realizada no Shopping Santa Cruz, com luzes parcialmente acesas e som mais brando.
Mas as atividades da associação não se resumem a isso. Atuando há
pouco mais de três anos, ela é a única em toda a região voltada para o
autismo e atualmente possui 61 famílias cadastradas.
Além de reuniões,
que são realizadas no segundo sábado de cada mês, eles também oferecem
atividades de educação física para as crianças e jovens autistas através
de um projeto em parceria com a Universidade de Santa Cruz do Sul
(Unisc) - alguns registros fotográficos desse projeto, inclusive estão
expostos em um varal fotográfico no Shopping Santa Cruz durante toda a
semana.
Porém, a maior contribuição da associação é no quesito apoio, diálogo
e troca de experiências, como conta o presidente da Associação, Hugo
Braz e confirma a família Goulart.
Pais do jovem Felipe, de 11 anos,
Vânia e Jair contam que o diagnóstico de autismo do menino foi tardio,
aos 9 anos - principalmente porque o autismo dele é de um grau leve, e
porque ele também foi diagnosticado com outros transtornos como o de
Déficit de Atenção – e que a descoberta foi bastante surpreendente para a
família. Porém após o contato com outros pais, a forma de enxergar o
transtorno mudou.
“Faz um ano que o Felipe está indo no projeto e no início achei que
ele não ia gostar justamente por causa da dificuldade de se inserir em
atividades físicas, mas ao chegar lá ele ficou maravilhado e pediu pra
continuar. Além de dar um ‘up’ na interação social dele a parte motora
também melhorou muito. Fez uma diferença grande. E pra nós também foi
muito bom, porque eu estava de luto ao receber mais um diagnóstico. Mas
cheguei lá e encontrei outras mães que passavam pelos mesmos problemas e
vi que as coisas pelas quais eu passo com ele não são tão ruins assim.
As mães dão muito apoio umas paras as outras. Há uma troca muito
importante”, conta Vânia.
Realizando atividades de apoio aos autistas e às famílias, o
presidente da associação, que também é avô de um menino autista,
acredita que está preenchendo as lacunas que o sistema público de saúde
não consegue.
“A gente procura dar o aconselhamento e apoio necessário
ao mesmo tempo em que tenta chamar a atenção dos governantes para a
questão do autismo. E por isso a gente realiza eventos como o de hoje
(sábado), para mostrar que nós estamos aqui”, ele coloca.
Ainda de acordo com o presidente da associação, ela também procura
divulgar o autismo cada vez mais e promover uma discussão sobre o
assunto no sentido de fazer com que ele seja cada vez mais compreendido
pela sociedade e até mesmo pelos médicos, já que é um transtorno com
estudos relativamente recentes.
O autismo hoje
Estimativas apontam que o autismo atinge, atualmente, pelo menos 70
milhões de pessoas em todo o mundo, sendo que, pelo menos 2 milhões
estão no Brasil, número muito maior do que o de pessoas com Síndrome de
Down, por exemplo (a estimativa é de 300 mil).
O autismo compromete a
comunicação, o comportamento e a interação social, podendo afetar o
desenvolvimento intelectual e a linguagem em variados graus de
severidade.
Em Santa Cruz do Sul não há estatísticas conclusivas sobre o número
de pessoas com autismo, porém, tendo como base pesquisas realizadas em
outros países, que afirmam existir em média um autista a cada 100
pessoas, o número santa-cruzenses com a disfunção pode chegar a mais de
1200.
Porém, como alerta Hugo, outras pesquisas também já afirmaram
existir um autista para cada 60 pessoas, o que praticamente dobraria o
número de santa-cruzenses autistas.
O autismo foi descrito pela primeira vez em 1943, mas só na década de
1980 é que foi incluído na Classificação Internacional de Doenças.
Porém ele ainda não é bem compreendido.
Conforme conta Hugo, atualmente
boa parte das pesquisas realizadas sobre o autismo, acontecem através
Associação Norte-Americana de Psicologia (APA).
“Eles já lançaram cinco
edições de cartilhas com pesquisas sobre o autismo. Em todas elas haviam
características diferentes que eles orientam observar para fazer o
diagnóstico de autismo, ou seja, até mesmo eles ainda estão tentando
compreender o problema”, observa.
Porém, o esforço dos médicos em buscar um diagnóstico tão cedo quanto
possível é importante, pois quanto mais cedo ele acontecer, mais cedo
se pode iniciar os estímulos que melhoram a qualidade de vida do
autista.
Palacinho é iluminado com tom azul
A Prefeitura de Santa Cruz do Sul, através das secretarias municipais
de Saúde e de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Ciência e Tecnologia,
é
apoiadora da movimentação em prol da Conscientização do Autismo e,
durante esta semana, o Palacinho da Praça da Bandeira está caracterizado
de acordo com a campanha: está iluminado com luzes azuis.
O evento têm por finalidade esclarecer e divulgar o tema à sociedade,
além de propiciar troca de ideias e experiências. Ele permanecerá
iluminado dessa forma todas as noites, até o próximo fim de semana.
Em Rio Pardo, caminhada emocionou a comunidade
No município vizinho o autismo também teve um momento dedicado à si.
Na tarde da última segunda-feira, 4 de abril, autistas, pais e
comunidade desceram a Avenida Andrade Neves vestidos de azul, munidos
com balões e cartazes.
A caminhada foi recebida na frente da Prefeitura
Municipal pelo chefe do executivo, Fernando Schwanke, ele parabenizou os
organizadores da ação.
“graças a vocês que estão envolvidos, seja
voluntariamente ou profissionalmente, nós podemos tornar Rio Pardo uma
cidade mais justa, mais sensível com o trato às pessoas”.
No último sábado, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas
(ONU), Ban Ki-moon, fez um apelo: pediu uma maior participação e
inclusão das pessoas com autismo na sociedade. O discurso s se deu no
Dia Mundial de Conscientização do Autismo.
“Peço que os direitos das pessoas com autismo sejam
promovidos e que seja assegurada sua plena participação como membros
valiosos da sociedade para que tenham um futuro digno”, disse Ban em
mensagem.
O secretário-geral ressaltou que os direitos, as
perspectivas e o bem-estar das pessoas com autismo, e de todos os que
possuem necessidades especiais, devem fazer parte da nova agenda de
desenvolvimento aprovada no ano passado pelos líderes mundiais.
“A participação em pé de igualdade e a ativa intervenção
das pessoas com autismo serão essenciais para conseguir as sociedades
inclusivas contempladas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS)”, acrescentou.
A ONU defende a incorporação dos autistas na nova agenda
de desenvolvimento adotando um enfoque integral na formulação,
execução, acompanhamento e avaliação de políticas e programas em todas
as esferas “para que a desigualdade não se perpetue”.
O secretário-geral lembrou que esse distúrbio do
desenvolvimento afeta milhões de pessoas no mundo todo e lamentou que
elas não sejam bem compreendido em muitos países e que em “várias
sociedades” às pessoas com autismo continuem sendo excluídas.
Neste sentido, advertiu que essas atitudes de rejeição
não só constituem uma violação dos direitos humanos das pessoas com o
transtorno, mas também representam uma enorme “perda” de potencial
humano.
Ban ressaltou que em 2016 completam 10 anos da Convenção
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e reiterou o compromisso
das Nações Unidas de “não deixar ninguém para trás”.
“A transição à idade adulta é especialmente delicada (…)
e, por isso, peço às sociedades que invistam mais recursos financeiros
para que os jovens com autismo possam fazer parte do histórico impulso
de progresso de sua geração”, acrescentou.