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11 de nov. de 2016

Vivo anuncia atendimento inovador a surdos



A Vivo realiza testes internos para promover atendimento acessível a pessoas surdas a partir de 2017. 


A empresa implantará o primeiro aplicativo de atendimento ao cliente com mediação de um intérprete de Libras via smartphones e tablets. 


O cliente poderá agendar atendimento com antecedência e será apoiado na comunicação com a central de atendimento por um intérprete de Libras.


Atualmente, a legislação prevê obrigatoriedade do atendimento a surdos, mas o recurso adotado são as conversas via chat. 


No entanto, estatísticas indicam que 70% da população com deficiência auditiva no Brasil – cerca de 9 milhões de pessoas segundo o último censo do IBGE –, não utiliza a língua portuguesa. 


A comunicação entre os surdos-mudos fica restrita ao grupo que tem a mesma deficiência ou a familiares que conhecem Libras, configurando uma espécie de isolamento social.


“Ao oferecer atendimento com intérprete garantimos às pessoas com deficiência auditiva o direito de exercer sua autonomia e cidadania. É mais um benefício viabilizado pela tecnologia e a transformação digital”, diz o vice-presidente de Qualidade e Atenção ao Cliente da Vivo, Ciro Kawamura. 


A data de lançamento do serviço ainda não está definida, mas a plataforma já está em fase de testes com funcionários. O projeto prevê desenvolvimento de sistemas, treinamento e integração.







24 de out. de 2016

São Paulo ganha Instituto para atender crianças com implante coclear




Utilizado nos últimos anos para substituir a função da audição em pacientes, o implante coclear é um aparelho eletrônico cirurgicamente implantável que substitui totalmente o ouvido de pessoas que tem surdez total ou quase total. 


Com o objetivo de oferecer tratamento para as crianças usuárias do implante, o Instituto Escuta abriu suas portas ao público de São Paulo (SP) neste sábado, 22/10, às 11h.


“O tripé norteador do Instituto Escuta é a fonoaudiologia, psicologia e o serviço social. Além de oferecer tratamento para as crianças usuárias do implante, o instituto também acolhe pais e cuidadores em oficinas, atendimentos psicológicos e atividades em conjunto com os filhos.Para os profissionais que atuam no instituto, não existe desenvolvimento pleno se a criança é tratada isoladamente. A relação entre o cuidador e a criança é fundamental. É nessa relação que baseamos o nosso trabalho”, explica a psicóloga Carla Rigamonti, idealizadora do projeto. .

O projeto nasceu há 4 anos, com ações de apoio a empresas do setor. Agora, conclui a transição para se tornar uma organização da sociedade civil e pretende aumentar em mais de 50% o atendimento a crianças implantadas e suas famílias. 


Nos últimos anos, as mais de 100 famílias atendidas participaram de oficinas de estimulação de linguagem, grupos de apoio aos cuidadores, oficinas artesanais, além de eventos pontuais com a participação de famílias de todo o Brasil.


O implante estimula diretamente o nervo auditivo através de pequenos eletrodos que são colocados dentro da cóclea e o nervo leva estes sinais para o cérebro. Mais de 100.000 pessoas no mundo já o utilizam em todo o mundo.


Além da equipe, liderada pela psicóloga Carla Rigamonti e pela assistente social Luciana Scarabeli, estavam presentes na inauguração a fonoaudióloga Lilian Flores, referência em terapia auditivo-verbal na América Latina e representantes da OSC Rede Papel Solidário, fundamental na transição do Instituto para organização da sociedade civil.


Durante a inauguração, a equipe apresentou o Instituto, falou dos próximos passos e da campanha de crowdfunding que vai dar o pontapé para que os atendimentos possam ter início ainda em 2017.



 
 
 

20 de out. de 2016

Produtora cria desenho inédito voltado para o público com deficiência auditiva




Foi numa “briga” com Deus que o produtor musical e empresário André Melo teve a ideia de fazer um desenho animado voltado para crianças surdas


Explica-se: ele estava passeando pela Rua XV de Novembro, em Curitiba, bem desanimado com sua vida profissional. 


Queria mudar de ramo, mas não sabia pra onde”, explica. Foi quando uma criança com deficiência parou para pedir comida. “Eu, na minha ignorância, continuei brigando com Ele. Foi quando veio o insight e me toquei: mas Ele acabou de falar comigo”, relata.


Foi ali, naquele calçadão, que ele teve a ideia de fundar uma produtora voltada para fazer animação para crianças com deficiência auditiva. 


Somente no Brasil, 1 milhão de crianças têm algum tipo de deficiência auditiva. E nenhum desenho animado feito exclusivamente para elas. 


“A maioria vem com alguém no canto da tela fazendo o sinal de Libras”, lembra André. 


Libras é a Lingua Brasileira de Sinais. Nascia ali a Área de Serviço, produtora que está realizando a primeira animação brasileira exclusivamente em Libras.


Ainda em fase de criação, André está em busca de financiamento para a produção. 


Cada animação deve custar em torno de R$ 80 mil, valor que ele vem arrecadando com a produção de eventos, área que conhece bem. Com ajuda do “concept designer” Frank Vader, os primeiros rabiscos da animação já começam a ganhar forma. 


O personagem principal é um gato, o “Tuntun”, nome inspirado em seu filho do meio. 


“Fui busca-lo na escola e os amigos o chamaram pelo apelido. Quando perguntei o porquê a explicação foi genial, pois é o barulho do nosso coração”, lembra.


Personagens definidos foi a vez de elaborar o roteiro. Tuntun é um gato cuja mãe é um cachorro. 


“Quis criar este tipo de estímulo para poder focar nas diferenças”, justifica. 


Na história também tem um alce, o professor Alcides. A animação é para crianças de zero a sete anos e terá nove personagens no total. 


Deste total, dois serão completamente surdos-mudos. Será falada em português e na linguagem de sinais.


Estudo

 

Para entrar neste universo André está tendo que fazer muita pesquisa. “Também fui buscar apoio junto às instituições”, afirma. Dentro do universo sem som, o que conta são as expressões de rosto. 


“Para isto, teremos que ter todos os personagens falando de frente para a audiência, nunca de lado, explica. Todas as animações serão faladas em português e em Libras, simultaneamente. 


“Nossa ideia é que as crianças, através do Tuntun, aprendam a se comunicar em Libras. Além de tirar o preconceito que essas crianças devem sofrer, a ideia é que a animação seja educativa”, ressalta.


Tuntun e sua turma” está em fase de criação. “O Frank está fazendo a modelagem dos personagens, que serão todos em 3 D”, explica André. “Em 40 dias será lançado o primeiro piloto”, promete.


9,7 milhões de brasileiros têm deficiência auditiva

 

Segundo Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 9,7 milhões de brasileiros possuem deficiência auditiva, o que representa 5,1% da população brasileira


Deste total, cerca de 2 milhões possuem a deficiência auditiva severa (1,7 milhões têm grande dificuldade para ouvir e 344,2 mil são surdos), e 7,5 milhões apresentam alguma dificuldade auditiva.


Referente à idade, cerca de 1 milhão de deficientes auditivos são crianças e jovens até 19 anos


O Censo também revelou que o maior número de deficientes auditivos, cerca de 6,7 milhões, estão concentrados nas áreas urbanas.


Já a Organização Mundial de Saúde contabilizou em 2011 que 28 milhões de brasileiros possuem algum tipo de problema auditivo, o que revela um quadro no qual 14,8% do total de 190 milhões de brasileiros possuem problemas ligados à audição.


Pesquisas também apontam que o número de deficientes auditivos no Brasil deve somente crescer, pois, além do aumento da população idosa no país, que saltou de 2,7% para 7,4% da população apontado pelo Censo do IBGE de 2010, as deficiências auditivas que poderiam ser reversíveis se constadas até seis meses de idade, apesar da obrigatoriedade do teste da orelhinha, de acordo com a Sociedade Brasileira de Otologia SBO, são constadas a partir de quatro anos, idade considerada tardia pelos médicos. 


Outra pesquisa realizada no Rio de Janeiro em 2010 afirma que cerca de 20% das crianças com idade pré-escolar possuem algum grau de deficiência auditiva, porém não identificada.

Turma das Libras



Há dez anos, a Língua de Sinais Brasileira ganhava destaque em um gibi da Turma da Mônica (n. 239, 2006), de Maurício de Sousa. Em uma das historinhas, intitulada “Aprendendo a falar com as mãos”, o personagem Humberto (conhecido por apenas balbuciar hum-hum) apresenta para os seus amigos – Mônica, Magali, Cascão e Cebolinha – um livro sobre Libras. 


Além de promover a língua de sinais entre os seus leitores, a simpática turminha ainda os desafia a desvendar uma frase soletrada por meio do alfabeto manual.


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20 de jun. de 2016

Deficientes auditivos poderão usar serviços de emergência para pedir socorro via mensagem de texto



Pessoas com deficiência auditiva poderão usar SMS para pedir socorro à Polícia Militar e aos Bombeiros


A partir de 16/05/2016, das 9h às 18h, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo se tornará um posto de cadastramento de surdos para acesso aos sistemas de emergência da PM.


O objetivo é que a população com deficiência auditiva possa acionar os serviços 190 e 193 por meio do SMS (envio de texto por celular) em casos de acidentes, roubos ou assaltos. 


Atenção! 


  • Apenas as mensagens de números de celulares previamente cadastrados no sistema serão recebidas pela PM;
  • Este serviço é válido somente no estado de São Paulo;
  • Haverá intérprete de Libras para quem necessitar.

 

O que é preciso para realizar o cadastro: 



  • a pessoa deve comparecer à Secretaria e apresentar RG, CPF, endereço e até três números de celular para cadastro.
Além da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo diversos Batalhões da Polícia Militar estão aptos a fazer o cadastramento, bastando ao surdo se apresentar e cadastrar seu celular.


Quem preferir se cadastrar nos Batalhões da Polícia Militar Clique aqui para acessar os endereços.


Em caso de grupos de pessoas com deficiência auditiva, como escolas ou instituições de atendimento, o cadastramento deve ser agendado pelo e-mail violenciaedeficiencia@sedpcd.sp.gov.br ou telefone (11) 5212-3755.




Números

 

Segundo a Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência, em 2015 foram registradas em todo o estado cerca de 15 mil ocorrências envolvendo pessoas com deficiência, sendo que 12,7% envolveram de pessoas com deficiência auditiva


Dados do IBGE revelam que no Estado de São Paulo há cerca de 9 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, das quais 1,8 milhão têm deficiência auditiva.

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Cadastramento – SMS de Emergência para Surdos

 
Data: a partir de maio de 2016

Locais: Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo  

Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 564 – Portão 10 – Barra Funda – São Paulo – SP – Próximo à Estação Palmeiras – Barra Funda do Metrô e CPTM

Informações: (11) 5212-3755/ E-mail violenciaedeficiencia@sedpcd.sp.gov.br


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 Fonte: Cotia Todo Dia


20 de abr. de 2016

Uber é atualizado com recursos para motoristas com deficiência auditiva



Ser um motorista surdo já não é uma tarefa fácil por causa do trânsito caótico em nosso país, especialmente quando você precisa utilizar aplicativos específicos como, por exemplo, o Uber.


O app, que foi acusado há poucos dias de manipular o valor de suas tarifas, já era capaz de avisar aos motoristas com deficiência auditiva sobre suas corridas por meio de alertas de texto, mas ainda não estava preparado para ser utilizado por eles de forma que pudesse mostrar seu verdadeiro potencial.


Devido à falta de recursos assistivos apropriados, grande parte dos motoristas surdos tinham que ficar constantemente encarando a tela de seus smartphones, caso contrário, poderiam acabar perdendo diversas corridas.


Sem contar nas situações constrangedoras que vários deles costumavam passar ao tentar avisar para seu passageiro que não podiam ouvir nada do que ele estava dizendo; porém, tudo isso ficou no passado.


Uma atualização recente do aplicativo resolveu grande parte dos problemas relatados acima facilitando um pouco mais a vida de motoristas com deficiência auditiva; a nova versão do Uber, por exemplo, agora pode informar através de luzes de notificação quando uma carona está aguardando corrida.


Além disso, o app notificará aos passageiros sobre a condição de seu motorista, desativando automaticamente o suporte à chamadas de voz, em vez disso, instruindo-os a utilizar apenas mensagens de texto.






27 de nov. de 2015

Startup brasileira que leva música para surdos vence competição em Los Angeles

Gabi Vandermark tem o braço erguido em comemoração ao prêmio


Música para todos. Esta é a premissa da startup Ludwig, que criou uma pulseira capaz de traduzir canções para deficientes auditivos. 


A empresa foi a vencedora do pitch fight do Venture in LA, missão de negócios que acontece em Los Angeles, nos Estados Unidos, organizada pela MidStage Ventures.


Criada por uma equipe de empreendedores em Campinas, a empresa foi representada por Gabi Vandermark. 


Depois de um pitch de três minutos, Gabi apresentou o negócio por mais dez minutos. Em busca de investimentos, a empreendedora convenceu a plateia, que votou pelo Twitter. 


“No médio prazo, buscamos uma parceria estratégica, estabelecendo uma conexão com uma instituição que foca em surdos e deficientes auditivos”, diz Gabi.


A Ludwig, que começou em 2013, já havia recebido, no Brasil, o título de startup de destaque pela Apple. 


Com tecnologia totalmente brasileira, a pulseira transmite vibrações relacionadas com as notas musicais, permitindo que a música faça parte da vida de pessoas com algum tipo de deficiência auditiva.


“Temos um protótipo totalmente funcional, pronto para ser produzido em massa. Não pensamos apenas em vender pulseiras. O mais importante é disponibilizar algo que vai fazer a diferença na vida das pessoas”, diz.


A startup e-beauty, um sistema de gestão para salões de beleza, ficou em segundo lugar na competição de dez empresas. Para Lucas Júdice, organizador do evento, as startups representaram bem o Brasil. 


“Todas as empresas foram muito bem e venceram o medo de falar em público em inglês. Acho a Ludwig um negócio social interessante que pode mudar muito o mercado”, diz.

 
Foto: Priscila Zuini
 


 

15 de ago. de 2015

Desafios enfrentados na reabilitação auditiva infantil



Apesar da alta tecnologia envolvida nos aparelhos auditivos convencionais e aparelhos implantados, ainda são vários os desafios enfrentados na reabilitação auditiva infantil. 


De acordo com a Organização Mundial da Saúde, há 32 milhões de crianças com idade inferior aos 15 anos que possuem uma perda auditiva.


As causas da deficiência auditiva podem ser hereditárias, passar dos pais para os filhos, adquiridas durante a gravidez, ou no pós-natal. 


Alguns fatores ambientais também podem causar a deficiência auditiva, como infecções, drogas e traumatismos cranianos.


Além de interferir no desenvolvimento infantil, sobretudo no que diz respeito à linguagem, as dificuldades na reabilitação auditiva podem trazer problemas na aquisição de conhecimento e no desenvolvimento de habilidades auditivas pela criança.


Para aprofundar o tema, o Portal Deficiência Auditiva conversou com a fonoaudióloga Andrea Cristina de Oliveira Eichner, formada em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), especializada em Audiologia Educacional pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e sócia diretora do Centro de Estudos e Reabilitação em Fonoaudiologia (CER Fono).


Nesta entrevista, Andrea explica como perceber se uma criança está sofrendo de perda auditiva; de que maneira os tipos, graus e configurações das perdas auditivas na infância são configurados; quais os principais problemas enfrentados pela criança na reabilitação da sua audição; a importância do papel dos pais e cuidadores para o sucesso do procedimento e a necessidade de incluir a escola em todo o processo. 


Andrea também toca num assunto polêmico da questão: muitos pacientes têm dificuldade de ingressar em uma terapia de reabilitação fonoaudiológica para desenvolvimento adequado de fala e linguagem. Leia, a seguir:


Como perceber se uma criança está sofrendo ou tem perda auditiva?

 
Para crianças com perdas auditivas sensório neurais severas e profundas congênitas, chama a atenção, logo nos primeiros meses de vida, a ausência de respostas de qualquer natureza para sons ambientais e vozes familiares. 


Geralmente, elas não se assustam ou acordam em presença de sons fortes, por exemplo um cachorro latindo, uma porta que bate, fogos de artifício etc, assim como não se acalmam ao ouvir a voz da mãe ou de outras pessoas familiares, não procuram ou localizam a fonte sonora, quando motoramente já teriam condição para isto, e não desenvolvem linguagem como o esperado (espera-se que por volta de um ano a criança já compreenda ao menos 10 palavras que fazem parte de seu cotidiano e aos 15 meses, ou seja, 1 anos e 3 meses), já sejam capazes de produzir ao menos uma palavra com significado.


Para perdas auditivas moderadas ou leves, sensório neurais ou condutivas, o comportamento da criança é o aspecto que mais chama a atenção. 


Muitas das crianças com esta característica de perda parecem desatentas e tornam-se agitadas pois tentam buscar no ambiente, informações complementares a informação auditiva que chega de forma deficitária. 


Alguns pais queixam-se da assistematicidade de resposta (ora a criança responde e atende prontamente a ordens e solicitações, ora não). 


Outro comportamento comum para esta população é pedir para repetir por diversas vezes a informação ou perguntarem com frequência/; que? Hã? O que você disse?


Trocas articulatórias (trocas de letras na fala) ou um desenvolvimento de fala tardio também podem estar relacionados a perdas com estas características, assim como um pobre desenvolvimento de linguagem, quando comparado a outras crianças da mesma faixa etária e mesma classe sociocultural.


Queixas escolares, como dificuldade de aprendizado, também são comuns em pacientes com perdas auditivas mais amenas. Os mesmos comportamentos podem ser observados em crianças com perdas auditivas unilaterais.


É possível classificar os tipos de perda auditiva na infância?



Assim como em pacientes adultos, as perdas auditivas na infância serão classificadas de acordo com o tipo, grau e configuração. 


O tipo de perda auditiva indica como ocorre a passagem do som pelas vias auditivas, desde a sua entrada até o córtex. 


Quando o som encontra algum obstáculo à sua passagem, por problemas de orelha externa e/ou orelha média, temos as chamadas perdas auditivas condutivas (ex: otites); quando a dificuldade está na transdução/ transformação da energia acústica em energia elétrica por lesão na orelha interna, temos as perdas neurossensoriais ou sensório neurais (ex: presbiacusia). 


As perdas auditivas centrais, por sua vez, surgem quando há problemas em algum ponto das vias auditivas centrais (Ex: neurinoma) As perdas auditivas condutivas e neurossensoriais podem aparecer associadas. Neste caso, são denominadas como perdas auditivas mistas. 


O grau da perda auditiva indica a sua severidade, podendo ser classificada como leve, moderada, severa ou profunda. 


A configuração nos diz em que região frequencial existe maior comprometimento (ex: perda auditiva descendente refere-se a um maior comprometimento na região de frequências agudas)


As perdas auditivas também podem ser classificadas como unilaterais, quando acometem apenas uma orelha ou bilaterais, quando acometem as duas orelhas


Como a perda auditiva pode interferir no desenvolvimento da criança?

 


A perda auditiva pode trazer uma série de problemas para o desenvolvimento infantil, estando a maior parte deles relacionados ao desenvolvimento de fala e linguagem. 


Podem ocorrer atrasos na aquisição ou no processo de desenvolvimento de linguagem, trocas fonêmicas/ articulatórias. 


O impacto causado pela perda auditiva na infância dependerá de uma serie de fatores, tais como grau e configuração da perda auditiva, tipo de perda, idade do diagnóstico e intervenção (para perdas congênitas) ou idade do aparecimento desta perda, no caso de perdas adquiridas, uso de correção adequado, realização de acompanhamento fonoaudiológico, presença de outras patologias associadas, entre outros.

 

PROCESSO DE REABILITAÇÃO AUDITIVA


 

A partir de qual idade é possível fazer a reabilitação da perda auditiva?



A reabilitação da perda auditiva deve ser realizada o mais precocemente possível. 


Com a realização da triagem auditiva neonatal, o diagnóstico de perdas auditivas congênitas, mesmo de grau leve, tem-se realizado nos primeiros meses de vida. 


Desde este momento é possível a introdução do bebê e da família em um processo de reabilitação auditiva, sendo que este terá como objetivo inicial a seleção e adaptação do dispositivo auditivo mais adequado para a criança e a orientação dos familiares sobre estimulação auditiva e de linguagem, assim como o acompanhamento do desenvolvimento das habilidades auditivas e de fala e linguagem.


Qual é o maior desafio encontrado para a reabilitação da criança com perda auditiva?



Ainda encontramos muitos desafios para a reabilitação de crianças com perdas auditivas, apesar do grande desenvolvimento tecnológico observado tanto em relação aos aparelhos auditivos convencionais como aos aparelhos implantados (aparelhos auditivos ancorados ao osso, implantes cocleares, próteses auditivas implantáveis e semi-implantáveis). 


A triagem auditiva neonatal universal foi implementada, porém o segmento das crianças que falham nesta triagem ainda ocorre de maneira deficitária, o que dificulta o diagnóstico precoce. 


A escassez de serviços de reabilitação auditiva com profissionais aptos para o atendimento desta população também dificulta o processo. 


Os dispositivos auditivos (aparelhos convencionais e implantes cocleares) tornaram-se mais acessíveis com a implementação e ampliação dos serviços de atenção auditiva, porém, muitos pacientes continuam com dificuldade de ingressar em uma terapia de reabilitação fonoaudiológica para desenvolvimento adequado de fala e linguagem. 


O pouco conhecimento do impacto causado ao desenvolvimento infantil, nos casos de perdas leves e moderadas, sejam elas condutivas ou neurossensoriais, assim como nas perdas unilaterais também têm-se mostrado um entrave para a intervenção precoce nestes casos.



É possível enumerar os fatores de sucesso para a reabilitação da perda auditiva numa criança? Quais?



É possível enumerar alguns dos fatores que contribuem para o sucesso da reabilitação auditiva, dentre estes estão: o diagnóstico precoce; seleção e adaptação do dispositivo auditivo mais adequado (aparelho auditivo ou implante coclear) para o paciente, realização de terapia fonoaudiológica; orientação familiar; adesão ao tratamento, orientação da equipe escolar (caso a criança já frequente escola).

 

Por quê é importante começar a reabilitação de perda auditiva o mais cedo possível?



O adequado acesso à informação auditiva favorecerá o adequado desenvolvimento de fala e linguagem oral, assim como facilitará a aquisição de conhecimento e desenvolvimento de habilidades auditivas. Quando realizado precocemente, será favorecido pelo “período crítico do desenvolvimento”.

 

De que maneira se dá a reabilitação?



Existem diversas abordagens terapêuticas para a reabilitação auditiva. Para que o paciente seja adequadamente reabilitado é necessário: diagnóstico (pode ser realizado através de medidas objetivas, como os exames eletrofisiológicos e/ou comportamentais); seleção e adaptação adequada do dispositivo auditivo (aparelho auditivo ou implante coclear), terapia de estimulação auditiva, de fala e linguagem, orientação familiar.


A duração da reabilitação dependerá de uma série de fatores, como tempo para a realização do diagnóstico, adequada seleção e adaptação do dispositivo auditivo, necessidade de substituição do dispositivo, tempo diário de uso do equipamento, adesão ao tratamento, envolvimento familiar, presença de outros comprometimentos (visual, intelectual etc), não sendo possível predizer o tempo de reabilitação.


Há diferenças na reabilitação com aparelhos auditivos e na reabilitação do IC? Quais e por quê isso acontece?

 

Os aparelhos auditivos convencionais e os implantes cocleares processam a informação de maneira diferente. 


Nos aparelhos convencionais, o paciente recebe informação acústica (som) e este será transformado em energia elétrica pelo próprio sistema auditivo. 


Nos implantes cocleares, a transdução da informação sonora em informação elétrica é realizada pelo equipamento. 


Apesar desta diferença no processamento da informação acústica, o processo de reabilitação oral de pacientes usuários de prótese e usuários de implante coclear é realizado da mesma maneira, sendo necessário, apenas, que o reabilitador conheça as especificidades de cada sistema.

 

Como a família deve proceder durante a fase de descoberta da perda e a reabilitação?



A família de uma criança diagnosticada com perda auditiva poderá passar por uma série de processos até atingir a aceitação, como luto, negação da perda auditiva etc. 


Neste momento, é importante que a família se sinta amparada pela equipe que a atende e tenha liberdade para conversar com os profissionais sobre seus medos, desejos, expectativas, frustrações. Este vínculo facilitará o processo e garantirá a adesão da família ao tratamento.

 

É importante inserir a escola neste contexto?



É fundamental a inclusão da escola no processo de reabilitação do paciente. A equipe escolar deve ser orientada quanto ao uso de estratégias de comunicação, uso de sistemas auxiliares (como o sistema de FM), necessidade de adaptações etc, assim como oferecerá ao terapeuta uma série de informações importantes sobre o uso da linguagem deste paciente com seus pares da mesma faixa etária, sobre o funcionamento do dispositivo auditivo em diferentes situações de escuta (em presença de ruído competitivo, em ambientes com sinal de fala degradados, como uma quadra em que haja a presença de eco). 


É uma troca enriquecedora tanto para a escola como para o terapeuta. O uso exclusivo de dispositivos auditivos nem sempre é suficiente para garantir a compreensão de fala em ambientes de escuta desfavoráveis. 


Neste caso, o uso de sistemas auxiliares, como o sistema de FM, pode ajudar, pois melhora a relação entre voz e ruído ambiental, elimina dificuldades causadas pela distância e posicionamento entre aluno e professor na sala de aula.


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Fonte: Diversidade na Rua  


 

26 de jun. de 2015

Deficientes auditivos têm direito à isenção de IPI na compra de veículos, diz PGR



A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de automóveis deve ser estendido aos deficientes auditivos. 


Esse é o entendimento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao questionar o inciso IV do artigo 1º da Lei 8.989/1995. 


A norma, ao especificar o rol de deficientes contemplados pelo benefício fiscal; portadores de deficiência física, visual, mental severa ou profunda ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, não incluiu as pessoas com deficiência auditiva.


Para Janot, não há razão para a discriminação. Segundo ele, a exclusão configura omissão parcial inconstitucional e afronta os princípios da dignidade da pessoa humana e da isonomia (artigos 1º, inciso III, e 5º, caput). 


Por essa razão, ajuizou a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão Parcial (ADO 30), ratificada em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 16 de junho.


De acordo com a ação, “apesar do esforço da Lei Federal 8.989/95 em garantir a isonomia material entre as pessoas com deficiência e as pessoas sem deficiência, a ausência dos deficientes auditivos no corpo da norma estabeleceu distinção desarrazoada entre pessoas que sem encontram na mesma situação”.


O procurador-geral destaca que, pela sua condição humana, as pessoas possuem igual dignidade, mesmo que existam diferenças físicas, intelectuais e psicológicas, devendo ter os seus interesses igualmente considerados, independentemente de suas capacidades e características individuais. 


Para ele, a efetivação dessa política fiscal revela o reconhecimento de algumas dificuldades que as pessoas com deficiência física têm para a vida em sociedade, em especial, quanto à mobilidade e acesso aos espaços públicos, e da necessidade de inclusão social dessa parcela da sociedade.


Para Rodrigo Janot, uma vez que o Estado tenha assegurado o cumprimento do princípio da proteção às pessoas com deficiência, “não há razão para que dentro desse grupo contemplado por tais ações afirmativas haja discriminação, favorecendo-se determinadas pessoas em detrimento de outras”.


Prazo – A ação também pede que seja estipulado prazo razoável para o Congresso Nacional editar norma para suprir a exclusão dos deficientes auditivos do rol do inciso IV do artigo 1º da lei 8.989/95.


Em sua manifestação, a Advocacia-Geral da União questionou, em preliminar, a possibilidade jurídica dos pedidos. 


Para o órgão, de acordo com a jurisprudência do STF, ao Poder Judiciário não caberia impor prazo obrigatório aos demais poderes para edição de ato normativo, ou por ato próprio suprir omissões do legislador. 


A AGU sustenta que essas providências resultariam em ofensa ao princípio da divisão funcional do poder.


De acordo com o parecer da PGR, o próprio STF admitiu configuração de inércia do legislador mesmo quando já tenha atuado ao propor projeto de lei ou dar início à sua tramitação. Janot destaca decisão do STF na ADO 24 que impôs prazo para que a lacuna legislativa fosse sanada.


“Dado o entendimento recente da Suprema Corte brasileira no que se refere às omissões inconstitucionais, é cabível estabelecer prazo razoável para que o Congresso Nacional inaugure ou conclua a deliberação acerca de proposição legislativa. Portanto, os pedidos formulados na inicial não devem ser considerados juridicamente impossíveis”, argumenta o procurador-geral.


Quanto à segunda preliminar, sobre a impossibilidade de o Judiciário, por ato próprio suprir omissão do legislador, a PGR sustenta que o tema confunde-se com o mérito da ação.


O relator da ação no STF é o ministro Dias Toffoli.




1 de jun. de 2015

Inaugurada central para atender pessoas com deficiência auditiva em Niterói, RJ

Foto do logo da Central de Interpretação de Libras


Os moradores de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, com deficiência auditiva, contarão com um serviço que vai facilitar a vida em situações comuns do dia a dia. 


O prefeito Rodrigo Neves e o ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Pepe Vargas, inauguraram no último dia 29 a Central de Interpretação de Libras.


A partir do dia 1° de Junho, essas pessoas poderão ser acompanhadas de intérpretes ou tradutores de libras no atendimento de serviços públicos ou privados na cidade. 


Entre esses atendimentos estão a marcação de consultas médicas e a solicitação de emissão de documentos como CPF, Carteira de Identidade, Carteira de Trabalho e passaporte.


Os intérpretes podem ajudar também no cadastramento em programas sociais do governo e na consulta de benefícios ao trabalhador, incluindo o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o seguro-desemprego e as vagas de emprego no Sistema Nacional de Empregos (Sine).


A Central de Interpretação de Libras, que foi equipada com computadores, impressoras e material de escritório, vai ter ainda um carro para o deslocamento dos intérpretes e dos usuários. 


Para ter o serviço de acompanhamento dos profissionais, é preciso fazer o agendamento com 24 horas de antecedência e os atendimentos podem ser feitos também por meio de webcam, usando a internet, com a utilização da linguagem de sinais.


Para o ministro Pepe Vargas, essa é uma ação muito simples, mas importante por garantir acesso universal a serviços públicos a uma parcela importante da população. 


“Nós temos cerca de 2 milhões de pessoas no Brasil com surdez bastante grave, se contarmos com perdas auditivas nem tão graves esse número aumenta”.


A Central vai funcionar de segunda a sexta-feira, das 9 às 18h. Na avaliação do prefeito Rodrigo Neves, o projeto representa a inclusão social de pessoas que muitas vezes não conseguem, por exemplo, acessar um atendimento de saúde.


“Porque não têm alguém na família em condições de fazer a interpretação e o diálogo com um profissional. A Central de Libras dá autonomia a essas pessoas. Serão cerca de seis mil pessoas, que  de alguma forma, serão assistidas por este equipamento. É um singelo equipamento , mas que tem uma relevância social extraordinária”, destacou.


Antes do agendamento, no entanto, é preciso fazer o cadastro na central que vai funcionar na sede da Coordenadoria de Acessibilidade, na Praça Fonseca Ramos, sem número, 5º andar, centro, no prédio da Rodoviária de Niterói. 


Os usuários terão que levar o CPF e Carteira de Identidade originais ou certidão de nascimento também original. Se for menor de idade; apresentar comprovante de residência no próprio nome ou do responsável, uma foto 3x4 colorida atual e laudo médico/audiometria. 


No caso do representante ou responsável legal, é necessária a apresentação de Carteira de Identidade original e comprovante de residência.


Os serviços podem ser solicitados pelo telefone 2717-6974, email (cilniteroi@gmail.com), por Skype com webcam por meio do usuário cilniteroi, por SMS, por Whatsapp e por Facebook.



Fonte: EBCVida Mais Livre