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21 de set. de 2016

Projeto de lei prevê contratos em braile para cegos em banco



O Projeto de Lei do Senado (PLS) 21/2016, determina que as instituições financeiras serão obrigadas a disponibilizar contratos em braile para pessoas com deficiência visual.


O PLS foi apresentado pelo senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE). O texto está pronto para entrar em pauta de votação da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA).


"Quando algumas instituições financeiras se negam a utilizar o sistema braile nas suas relações com clientes com deficiência visual, alegando ausência de imposição legal, está sendo recusada a adaptação razoável de uma tecnologia assistiva fundamental para a autonomia da pessoa com deficiência visual e para a sua participação social em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas", argumentou Fernando Bezerra.


Na proposta que a Lei 4.169/1962, que tornou obrigatório o uso do braile, não deixou claro em quais situações o método deveria ser empregado.


A relatora do projeto, senadora Lídice da Mata (PSB-BA), disse que a proposta contribui para uma maior proteção e acessibilidade do consumidor com deficiência visual.


Após análise da CMA, o projeto será enviado à Comissão de Educação (CE) e, posteriormente, à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). 


Nesta última, receberá decisão terminativa, podendo seguir direto para a Câmara dos Deputados, se for aprovado e não houver recurso para votação do texto pelo Plenário do Senado.






14 de set. de 2016

Calçada sensorial simula desafios cotidianos para quem não tem limitações físicas



O Instituto Ser Educacional montou uma calçada móvel que simula os obstáculos cotidianos, para quem não tem dificuldade de locomoção, com intuito de  oferecer a experiência de viver esta dificuldade e sensibilizar quem não tem limitações ao desafio diário de deficientes visuais ou físicos,


Vendadas, as pessoas enfrentam buracos e obstáculos, mas não precisam cair como no mundo real. 

As oito calçadas sensoriais itinerantes, como o projeto de conscientização é chamado, estão percorrendo o país e já foram utilizadas por mais de 50 mil pessoas desde o início das suas atividades. 


As calçadas são instaladas em shoppings e locais de grande visitação pública pelas instituições parceiras, inclusive já esteve presente no Tribunal de Contas da União, Palácio do Planalto e no GDF, em Brasília. 


No próximo semestre, estarão circulando por várias partes do país sensibilizando outras milhares de pessoas.


O objetivo do projeto Calçada Sensorial Itinerante, é ajudar a mudar a, realidade, delineando melhor os contornos do desafio. 


"As ruas esburacadas e os móveis urbanos que tomam o caminho das pessoas nas ruas tiram um pouco da cidadania das pessoas deficientes, que são obrigadas a lutar um pouco mais para se locomover. Mas, a verdade é que somos uma sociedade às vésperas de começar a envelhecer, o que amplia muito o alcance da questão. Precisamos transformar nossas cidades e nossa cidadania. Nosso objetivo é sensibilizar o maior número possível de pessoas para a questão, para que elas façam a sua parte, seja pressionando o poder público, seja consertando a própria calçada", diz Sérgio Murilo Jr., coordenador de Responsabilidade Social do Grupo Ser Educacional.

Fonte: Revista Incluir

 

 

 

9 de ago. de 2016

Prefeitura de SP consulta população sobre política para pessoa com deficiência




A Prefeitura de São Paulo consulta a sociedade civil sobre o Decreto de criação da Política Municipal para a Pessoa com Deficiência, que regulamenta a Lei Brasileira de InclusãoLBI (Estatuto da Pessoa com Deficiência) na cidade. 


A consulta pública online estará disponível até o dia 10/09/2016 no site www.saopauloaberta.prefeitura.sp.gov.br, com recursos de acessibilidade para todas as pessoas, incluindo as que possuem deficiência auditiva e visual. 


Os comentários e as considerações poderão ser feitos também em Língua Brasileira de Sinais (Libras). 


A iniciativa é das Secretarias Municipais da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida e de Negócios Jurídicos.


O texto do Decreto traz para a realidade da maior cidade do país todas as disposições da Lei Federal. 


Além disso, cria um Observatório para acompanhar as políticas públicas para as pessoas com deficiência na cidade e cria uma Comissão de Monitoramento e Avaliação de todas as ações executadas pela Prefeitura e por empresas contratadas, equipada com um canal de recebimento de denúncias, sugestões e reclamações.


O Decreto apresenta prazos e ações específicas. 


Entre os destaques do texto que estará em consulta:



  • O oferecimento de atividades esportivas adaptadas; 
  • À participação da pessoa com deficiência nos clubes-escola; 
  • Acessibilidade universal nas unidades de saúde, museus e demais equipamentos municipais; 
  • Ampliação do serviço de residência inclusiva para pessoas em situação de dependência;
  • Garantia de acessibilidade arquitetônica e comunicacional em eventos promovidos, financiados ou em parcerias com a Administração Pública Municipal; 
  • Acompanhamento dos processos seletivos públicos ou privados na contratação de pessoas com deficiência, bem como das condições no ambiente de trabalho, além do treinamento de Guardas Civis Metropolitanos para garantir o atendimento humanizado às pessoas com deficiência.
  • Em mobilidade urbana, o direito ao transporte será assegurado em igualdade de oportunidade às demais pessoas com ações que garantem acessibilidade em todos os ônibus, terminais e paradas, criação de aplicativos acessíveis, reserva de 10% de táxis acessíveis nas frotas, bem como na outorga de alvarás para pessoas com deficiência. Em educação, fica garantido um sistema educacional inclusivo.

De acordo com o Censo do IBGE (2010), aproximadamente 2,7 milhões de pessoas que vivem em São Paulo declararam possuir algum tipo de deficiência, sendo que 810 mil possuem deficiências mais severas.


A Convenção da ONU, de 2006, e a Lei Brasileira de Inclusão (nº 13.146/2015), cuja vigência teve início em janeiro de 2016, definem como pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. 



Fonte: Revista Incluir


4 de ago. de 2016

Lei facilita casamento de pessoas com deficiência intelectual




A atriz Rita Pokk, de 36 anos, ainda se emociona quando lembra o dia em que se casou, em 2003, com o também ator Ariel Goldenberg, de 35 anos. 


Como ela é católica e ele é judeu, o casal optou por uma cerimônia ecumênica, em São Paulo, conduzida por um padre e um rabino.


— Foi o dia mais feliz da minha vida — ela conta. — Entrei de braço dado com meu pai. Ele ainda era vivo. Tudo estava lindo. O coração do Ariel estava quase saindo pela boca, de tanta alegria. Foi um grande sonho que meu marido e eu realizamos.


Rita e Ariel têm síndrome de Down e ficaram famosos depois de protagonizar o premiado filme Colegas, lançado em 2013. Estão juntos até hoje. 


O casamento, porém, foi só religioso. Eles celebraram a união num momento em que as leis brasileiras impediam que pessoas com algum tipo de deficiência intelectual se casassem livremente no civil.


Para que pudessem se casar no cartório, essas pessoas precisavam percorrer um longo e tortuoso caminho. 


Primeiro, os pais ou os responsáveis legais tinham que consentir. Depois, era preciso elaborar uma ação judicial pedindo que o juiz assinasse a liberação.


O processo se arrastava por meses, às vezes por mais de um ano. E não havia garantia de sucesso. Os juízes mais conservadores simplesmente vetavam casamentos desse tipo, ainda que a deficiência fosse leve.


Rita e Ariel preferiram não se desgastar com tantos obstáculos burocráticos. Mas tudo mudou. Se desejarem, eles agora poderão oficializar o casamento num cartório sem nenhum entrave. 


Em janeiro entrou em vigor o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146), que enterrou os impedimentos legais.


Como qualquer casal, bastará que os noivos apresentem os documentos, levem as testemunhas e assinem um papel em que atestam que a união se dará por livre e espontânea vontade. Nada mais do que isso.


O senador Paulo Paim (PT-RS) é o autor do projeto que deu origem ao Estatuto da Pessoa com Deficiência. 


Para a aprovação, foi decisiva a atuação do senador Romário (PSB-RJ), que foi relator da proposta. Para Romário, a lei corrige uma injustiça histórica:


— Os direitos sexuais e reprodutivos das pessoas com deficiência intelectual são os mesmos de qualquer cidadão. E também os direitos civis, entre os quais se inclui o casamento. Privá-las de exercer esses direitos só fortalece o preconceito da sociedade.

 

Número subestimado


De acordo com o IBGE, 0,8% da população brasileira tem algum tipo de deficiência intelectual. Em números absolutos, haveria 1,6 milhão de pessoas nessa situação — o equivalente a toda a população do Recife. 


Para especialistas, a cifra é subestimada, pois muitas famílias escondem a informação por vergonha ou então desconhecem que há alguém com deficiência intelectual em casa por falta de diagnóstico.


Até algum tempo atrás chamada de retardo mental — hoje esse termo é pejorativo —, a deficiência intelectual se origina em alguma alteração no funcionamento cerebral. 


Como resultado, a pessoa tem dificuldade para adquirir e processar o conhecimento, o que provoca alguma limitação na vida social.


Algumas pessoas com deficit de inteligência não conseguem ler e escrever ou lidar com dinheiro. Outras não percebem situações que as colocam em perigo. Outras não entendem que certos comportamentos só são permitidos dentro de casa, e não em público. 


Em muitos casos, elas até conseguem aprender tudo isso, mas com orientadores bastante dedicados e de forma bem lenta.

Ficção

 

São inúmeras as causas da deficiência cognitiva e elas surgem em algum momento do delicado período que vai do encontro do espermatozoide com o óvulo aos primeiros anos de vida.


Podem ser fatores genéticos (como os que levam à síndrome de Down e ao autismo), problemas na gravidez (como mães que passam por desnutrição, usam drogas ou contraem doenças como sífilis e zika), incidentes no parto (como os que levam à falta de oxigenação no cérebro do bebê), abandono do recém-nascido (como carência de alimentação e de estímulos) e acidentes na primeira infância (como envenenamento, afogamento, asfixia e quedas).


A ficção é rica em personagens com deficiência intelectual. Entre os mais célebres, estão Tonho da Lua, da novela Mulheres de Areia, e Forrest Gump, protagonista do filme homônimo.


O nível de comprometimento intelectual é muito variável. Enquanto uma parte tem um grau de deficiência muito profundo e não é capaz de levar uma vida autônoma, a outra parte consegue levar uma vida muito próxima do normal — estudam, trabalham, se casam e têm filhos.


Neste segundo grupo se encaixam Thiago Neves, de 31 anos, e Ione de Aquino, de 28 anos. Eles vivem numa casa pequena em Planaltina, cidade da periferia do Distrito Federal, onde criam uma filha de 6 anos sem nenhum tipo de deficiência e estão à espera do nascimento de mais uma menina.


Thiago e Ione têm dificuldade com as letras e os números. Graças a cursos profissionalizantes específicos para pessoas com deficiência intelectual oferecidos pela Apae de Brasília, cada um foi contratado por um supermercado. 


Eles fazem trabalhos descomplicados, como empacotar mercadorias e entregar compras na casa dos clientes.


— Num trabalho anterior, uma colega vivia me chamando de doida. Nós, que somos especiais, sofremos um bullying danado. É triste — lamenta Ione.


Eles vivem juntos há quase dez anos, mas só há poucos meses oficializaram o casamento no cartório. Thiago afirma:


— Com o casamento, alguma coisa dentro de mim mudou. Acho que fiquei mais maduro e responsável. Também me sinto mais parecido com as pessoas que não são especiais.

 

História cruel


O mundo sempre foi cruel com os deficientes. A Grécia antiga, por exemplo, valorizava o vigor físico. 


Por essa razão, os bebês que nasciam com algum tipo de deficiência eram abandonados ou sacrificados. 


Com a hegemonia do cristianismo na Idade Média, os europeus passaram a aceitar os deficientes como filhos de Deus. 


Eles, porém, não tinham o direito de viver em sociedade e eram enviados para instituições religiosas, onde eram mantidos enclausurados.


A Inquisição mandou muitas pessoas com deficiência intelectual para a fogueira. 


A dificuldade de interação social era por vezes tomada como atitude demoníaca. 


No século passado, os nazistas as levavam para campos de concentração, onde eram cobaias de violentos experimentos científicos, faziam trabalhos forçados ou eram simplesmente executadas. 


No Brasil, deficientes intelectuais eram internados em hospícios até o início dos anos 2000.


Segundo especialistas, quanto mais se estimulam essas pessoas desde a infância, maiores são as chances de se desenvolverem e se tornarem mais autônomas. 


Já há pessoas com síndrome de Down que se formam na universidade, o que antes era impensável. No passado, as famílias escondiam os filhos deficientes, e o isolamento minava qualquer possibilidade de crescimento.


De acordo com a psicóloga Ana Cláudia Bortolozzi Maia, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), as famílias ainda têm se omitido na educação sexual dos filhos com deficiência. Muitas, diz ela, acreditam erroneamente que eles não têm sexualidade.


— Acham que o filho é incapaz e o tratam eternamente como criança, mesmo quando ele já é adolescente ou adulto. Eles são como todo mundo. A sexualidade está lá e vai se manifestar. A educação sexual adequada evita que engravidem, contraiam aids e sofram abuso e permite que tenham uma vida afetiva e sexual saudável.


Ana Cláudia trabalha há 18 anos com a sexualidade de pessoas com deficiência. 


De acordo com ela, a inclusão vem avançando a passos tão largos que os estudos acadêmicos, hoje muito focados nas famílias de pais sem deficiência que têm filhos deficientes, brevemente sofrerão uma reviravolta e passarão a se debruçar sobre os desafios dos pais com deficiência intelectual que têm filhos sem deficiência.

Prisão


Paulo Paim apresentou o projeto do Estatuto da Pessoa com Deficiência em 2000, quando era deputado. 


Preocupado com a falta de interesse pelo tema na Câmara, redigiu uma segunda proposta em 2003, quando chegou ao Senado. 


No caminho, as duas propostas acabaram se fundindo. Em 2015, a versão final foi aprovada pela Câmara e pelo Senado e sancionada pela Presidência da República. A lei entrou em vigor em janeiro de 2016.


Com o estatuto, tanto os deficientes intelectuais quanto os físicos — como surdos, cegos e cadeirantes — deixaram de ser cidadãos de segunda classe. 


A nova lei obriga a sociedade a remover os obstáculos e a oferecer a ajuda necessária para que tenham acesso pleno a todos os direitos básicos, como a educação, a saúde, o trabalho. 


Na questão educacional, o estatuto prevê que as escolas regulares estão obrigadas a aceitar alunos com deficiência.


Para que a nova lei não se torne letra morta, há a previsão de penas pesadas para quem desrespeita os direitos dos deficientes. A própria discriminação é punida com a prisão.


O Estatuto da Pessoa com Deficiência fez mudanças numa série de leis, como a Consolidação das Leis do Trabalho, o Código de Trânsito Brasileiro e o Estatuto da Cidade. Alterações no Código Civil removeram os entraves ao casamento. 


O Código Civil agora considera incapaz a pessoa que, por algum motivo, não consegue expressar a própria vontade. Isso afeta quem tem deficiência intelectual grave e deixa livre quem sofre de um deficit cognitivo leve.


— Antes a lei já partia do pressuposto que o deficiente intelectual era incapaz. Agora presume que ele tem capacidade para decidir sobre a própria vida. Basta que ele diga que deseja se casar — afirma a promotora Aymara Borges, do Ministério Público do Distrito Federal.


A exigência de autorização judicial para o casamento tinha o objetivo de proteger o deficiente de pretendentes oportunistas, que estavam de olho apenas no patrimônio do futuro cônjuge. 


A decisão do juiz ainda é necessária quando um dos noivos não consegue manifestar sua vontade.


Os cartórios tiveram que se adaptar. Se antes estava nas mãos dos juízes, agora cabe aos oficiais dos cartórios a responsabilidade por liberar o casamento de pessoas com deficiência intelectual.


— É uma missão que nos exige sensibilidade — diz o presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo, Leonardo Munari de Lima.


— Temos que perceber no balcão se a pessoa com deficiência está ou não sendo coagida ao casamento. Quando temos dúvida, nós a chamamos para uma conversa reservada em outra sala para sentir se essa é de fato a vontade dela.

 

Primeira união


O que é mais comum são os casamentos entre duas pessoas com deficiência intelectual. Isso se explica pelo passado recente de segregação. Deficientes só conviviam com deficientes. 


A tendência é que, com o estatuto, isso mude. Frequentando todos os ambientes e participando mais da sociedade, os deficientes intelectuais passarão a se casar com pessoas sem deficiência.


Um casamento assim ocorreu em fevereiro no cartório da pequena cidade de Artur Nogueira (SP) — foi a primeira união oficializada no país graças à nova lei. 


O jardineiro José Francisco Dias, de 53 anos, se casou com a dona de casa Rosana de Lima Dias, de 44 anos. 


Quem tem deficiência é ela, vítima de uma paralisia cerebral quando era bebê. Ela fala e caminha com dificuldade. O casal está junto há 20 anos e tem um filho de 18.


— Quando eu era moça, minhas primas disseram que ninguém iria gostar de mim. Acabei acreditando que eu nunca iria me casar — ela conta.


José Francisco diz que não olhou apenas a deficiência dela:


— Quando a pedi em namoro, ela ficou assustada: “Mas você não vê como eu sou?”. Respondi que sim, mas queria conhecer o que ela tinha por dentro. 


Nestes 20 anos, ouvimos muitas risadas de deboche, mas a nossa união sempre foi maior do que o preconceito. Ela é uma ótima esposa e uma mãe exemplar. Não posso reclamar da vida.


22 de jul. de 2016

Órgão de defesa de pessoas com deficiência se muda para área sem acessibilidade



A nova sede do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Florianópolis não tem acessibilidade para pessoas com deficiência. 


Obstáculos como escadas, meio-fio e calçadas irregulares impedem os usuários da entidade de chegarem ao local, como mostrou o Bom Dia Santa Catarina.


O conselho funcionava no prédio da Secretaria de Assistência Social, na avenida Mauro Ramos, no Centro, mas em junho foi transferido para uma casa na Rua Victor Meirelles, também no centro. 


O imóvel foi reformado e adaptado, mas a troca de endereço não foi aprovada pelos membros do conselho.


“A gente oficializou um posicionamento contrário, mas o gestor encaminhou a mudança do conselho sem que a gente permitisse. Eu, como presidente, sou responsável por isso aqui, então me senti completamente desrespeitado”, disse o presidente do Conselho Leandro de Oliveira.

 

Sem acesso



Instalado em uma rua com forte inclinação, com calçadas antigas e escadas, o trânsito de cadeirantes, próximo ao conselho, tornou-se inviável. Nas imediações do órgão, sequer há estacionamento para pessoas com deficiência física. 


Os membros afirmam que a posição deles sobre mudança de endereço não foi considerada.


“Quem vem pela Praça XV não consegue caminhar com segurança. Como um deficiente visual ou um cadeirante virão trabalhar no conselho se não há acesso?”, questiona Cleusa Costa, participante da entidade.



De acordo com o IBGE, 28 mil pessoas com deficiência física vivem em Florianópolis. Por causa da falta de procura das pessoas com deficiência, segundo a RBS TV, a entidade está parada.

 

Secretaria aguarda MP

 

O diretor da secretaria de Assistência Social disse à RBS TV que não vê problemas de acessibilidade no novo endereço. 


“Se não tiver vaga para pessoas com deficiência lá, a gente vai apelar para o IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) para urgentemente providenciar uma vaga, inclusive uma para idoso”, disse Luiz Mário Machado.


O conselho procurou o Ministério Público para mostrar que o novo imóvel está prejudicando o serviço. A secretaria foi intimada e participou de duas audiências. 


“Vamos aguardar um parecer técnico do MP para fazer as mudanças necessárias para o uso dos conselheiros”, afirmou o diretor.


Conforme o Ministério Público, foi aberto um inquérito administrativo para avaliar a situação, e vistorias podem ser feitas no local. 


No entanto, em procedimentos deste tipo, não há prazos estabelecidos. O MP enfatizou que a Secretaria de Assistência Social não depende de parecer para fazer as alterações necessárias.


 
Fontes: G1  /  Vida Mais Livre


 

23 de jun. de 2016

Novos rumos da Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência




Funcionários da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência aguardam a chegada da nova chefe, Roseane Cavalcanti de Freitas Estrela, a Rosinha da Adefal, nomeada na última segunda-feira, 17, para saber quais serão os rumos da SNPD a partir de agora. 


A escolha recebeu apoio de vários parlamentares, como os senadores Romário Faria (PSB/SP), Paulo Paim (PT/RS), Ana Amélia (PP/RS) e o deputado federal Otávio Leite (PSDB/RJ), todos com reconhecida atuação na defesa dos direitos das pessoas com deficiência.


A nomeação criou também um impasse entre Romário e a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB/SP), que acusou o senador de forçar a escolha de Rosinha para barganhar seu apoio, ou não, ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). 


“Rosinha é minha amiga e não tenho nada contra ela, mas o Romário chantageou o presidente Temer. Ele usou a causa da pessoa com deficiência como moeda de barganha. Essa é a face mais podre da política”, diz Gabrilli.


Procurado pelo blog Vencer Limites, Romário Faria afirmou que ficou surpreso com as colocações da deputada. 


“Quando a procurei, ela disse que não assinaria o ofício, mas afirmou que não tinha nada contra a Rosinha. Inclusive, disse que era um ótimo nome. Foram grosseiras e levianas as insinuações por parte da Mara, de que a indicação da Rosinha foi moeda de barganha para apoiar ou não o impeachment. Além de representatividade na área, Rosinha tem um ótimo diálogo com o Congresso Nacional. Facilitando e garantindo que demandas apresentadas tenham um rápido atendimento”, disse o senador em nota.


Romário também ressaltou que sugeriu o nome de Rosinha da Adefal há mais de um mês, apoiado por parlamentares de vários partidos. 


“A deputada Mara Gabrili também foi procurada, mas não quis apoiar o nome, sugerindo outra pessoa para o cargo”, comentou. 


O senador destacou que Rosinha tem um longo histórico de luta em favor das pessoas com deficiência, bagagem que lhe conferiu um mandato de deputada federal em 2010, quando ela atuou ao lado dele e outros parlamentares que lutam pela causa.


Para Mara Gabrilli, é quase certo que Rosinha, apesar da nomeação para a SNPD, assuma uma cadeira na Câmara dos Deputados em breve. 


“Ela é primeira suplente do PTdoB e há um parlamentar do partido que deve sair candidato a prefeito. Eu acredito que a presença dela na Câmara tem muito mais força para a luta pelas pessoas com deficiência do que no comando da SNPD, porque nossas atuações seriam somadas”, afirmou Mara Gabrilli.

Outra crítica feita pela deputada diz respeito à forma como foi tratado o metroviário Marco Pellegrini, que havia sido anunciado como o novo secretário nacional, mas que jamais foi nomeado. 


“Encontrei com o Samuel Moreira (secretário-chefe da Casa Civil do governo de SP) e ele havia acabado de assinar a exoneração do Pellegrini no cargo que ocupava na secretaria estadual da pessoa com deficiência, sem saber que ele não seria mais o secretário. Essa nomeação foi um atropelo”, diz.


Sobre a transferência da SNPD para o Ministério da Justiça, Mara Gabrilli afirma que o mais importante é que o ministro (Alexandre de Moraes) e o presidente da República apoiem as ações da secretaria. 


“O tema precisa ser prioridade no País”, cobrou a deputada.



Mara Gabrilli disse ainda que a Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência precisa de mudanças. 


“Falta uma articulação eficiente dentro dos ministérios, porque a SNDP nunca terá os recursos necessários para dar andamento a todas as políticas. Por isso, é preciso haver uma proximidade com, por exemplo, a pasta de Cidades, para tratar da acessibilidade do Minha Casa Minha Vida, e na Saúde, porque nosso programa atual de órteses e próteses é um dos piores do mundo”, ressaltou a parlamentar.


A deputada também avaliou negativamente os resultados do programa ‘Viver sem Limites’, um dos principais projetos da SNPD. “Isso está na mira do Tribunal de Contas. 


Em estados como Maranhão e Roraima, a entrega de uma cadeira de rodas demora mais de 5 anos. O projeto é muito mais um holofote”, concluiu Mara Gabrilli.


O blog Vencer Limites entrou em contato com a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e pediu uma entrevista com a nova secretária, mas foi informado que ela ainda não foi oficialmente apresentada à equipe da SNPD. Também pedimos informações ao Ministério da Justiça e ainda não houve resposta.


Quem é Roseane Cavalcante Freitas, a Rosinha da Adefal


Roseane Cavalcante Freitas, a Rosinha da Adefal, nasceu em 22 de abril de 1973. 

Aos dois anos de idade foi acometida por uma poliomielite (paralisia infantil), que lhe retirou a mobilidade das duas pernas. 


Comandava atualmente a Secretária Estadual da Mulher e dos Direitos Humanos de Alagoas. Foi deputada federal pelo PTdoB.


Recebeu a comenda do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Maceió (19º Região) e também o Prêmio Selma Bandeira, criado para homenagear mulheres que se destacam nos segmentos sociais em Alagoas. 


Em 2009, chefiou a delegação da Confederação Brasileira de Basquete em Cadeira de Rodas (CBBC) na Guatemala.


Foi ainda conselheira titular do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos de Pessoa com Deficiência (CONADE), do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência de Maceió, do Conselho Municipal da Condição Feminina de Maceió e suplente no Conselho Municipal de Entorpecentes de Maceió. 


Atuou também na Associação Dos Deficientes Físicos em Alagoas (ADEFAL) e na Organização Nacional de Entidades de Deficientes Físicos (ONEDEF).

 
 
Fonte: Blog Vencer Limite


18 de mai. de 2016

Projeto no MT cria Cartão Acessibilidade para pessoas com deficiência





Faltando pouco mais de cinco meses para a comemoração do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, que acontece dia 20 de setembro, a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Amparo à Criança, ao Adolescente e ao Idoso da Assembleia Legislativa começou a estudar a possibilidade de criação, no Mato Grosso, do Cartão Acessibilidade para as pessoas com deficiência.


Além de produzir um documento oficial que comprova a condição do seu titular, a matéria, que está no Projeto de Lei 31/2016, do deputado Wagner Ramos (PSD), vai simplificar o acesso dessas pessoas aos serviços públicos estaduais existentes. 


Segundo os números do último censo oficial do IBGE, em 2010, 45,6 milhões de brasileiros declararam ter ao menos um tipo de deficiência, o que corresponde a 23,9% da população brasileira.


Na ocasião, os números do Mato Grosso, chegaram a 600 mil pessoas ou 22,6% da sua população


Com base nesse cenário e nas previsões oficiais, as últimas projeções do Instituto para 2016, revelam 745.000 pessoas com essas características no Estado. 


Em ibge.gov.br/apps/populacao, a estimativa populacional foi de 3,3 milhões de mato-grossenses até o dia 16 de maio.


“Com o Cartão Acessibilidade, a pessoa com deficiência e mobilidade reduzida, poderá se identificar facilmente em todos os serviços públicos. Nosso projeto está em harmonia com o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Federal nº 13.146 – 06.07.2015)”, observou Wagner. 


A situação é idêntica no caso do Inciso XIV Artigo 24, da Constituição Federal:Legislar, concorrentemente, sobre proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência”.


O Cartão será emitido também para as pessoas com deficiência temporária e terá validade de 2 (dois) anos, contados da data de sua emissão. O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi criado pela Lei 11.133/2005.



10 de mai. de 2016

Documento amplia políticas públicas para a pessoa com deficiência



O documento final da 4ª Conferência Nacional da Pessoa com Deficiência foi aprovado com 89 propostas, que englobam temas com a implementação de políticas públicas para a criação de programas que vão atuar na defesa e conscientização de temas como a diversidade sexual, a identidade de gênero, o enfrentamento ao racismo, homofobia e sexismo, além da participação social de órgãos gestores e a interação entre os poderes e os entes federados.


Segundo o presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), Flávio Henrique de Souza, esta foi a primeira Conferência que tratou o tema direitos humanos de forma ampla, refletido nas propostas apresentadas pelos representantes da sociedade civil que participaram do evento. 


Ampliar os temas e transversalizar propostas na área da pessoa com deficiência e outros seguimentos foi um desafio, e o objetivo foi alcançado. Nós proporcionamos o conhecimento e exercício da intolerância, trabalhando os direitos humanos em todos os níveis de vulnerabilidade e aprovando propostas que validem os debates propostas”, explicou.


As propostas foram dividas em três eixos



- gênero, raça e etnia, diversidade sexual e geracional; 

- órgão gestores e instâncias de participação social;
 
- interação entre os poderes e os entes federados. 



O texto visa políticas que fortaleçam e ampliem políticas públicas para a saúde da mulher, promovendo a transversalidade das políticas públicas da pessoa com deficiência, visando à melhoria da qualidade de vida para mulheres e meninas com deficiência. 


Outro ponto é a criação de indicadores para o enfrentamento à violência contra as pessoas com deficiência.


O texto contempla, ainda, a garantia de acessibilidade em órgãos de Segurança Pública, assistência a pessoas com deficiência vítimas de violência e políticas públicas de combate a todas as formas de discriminação – diversidade sexual, identidade de gênero, enfrentamento ao racismo, homofobia, sexismo, xenofobia e a valorização das diferenças étnico-raciais.


Outro destaque ficou para a criação do marco legal relativo ao controle social das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência e de políticas de fortalecimento de participação social da pessoa com deficiência, voltadas à superação de todos os tipos de barreiras que impeçam o acesso ao mercado de trabalho.


Para o delegado representante do estado de São Paulo, Beto Pereira, o texto final ratifica as edições estaduais e municipais que antecederam a Conferência. 


“As propostas são o resultado direto do trabalho desenvolvido pelos delegados de cada estado, que há algum tempo vem se preparando para a edição nacional. Agora vamos acompanhar a execução dos encaminhamentos para que, de fato, sejam estabelecidas políticas públicas que assistem à pessoa com deficiência de forma ampla”, afirmou.


Participação na formulação de políticas



Outro tema abordado no documento final foi o acesso e a participação de pessoas com deficiência como sujeitos de direitos, e não de estudo, na formulação das políticas que os englobam em órgãos públicos.


Os projetos aprovados irão basear as políticas públicas para a pessoa com deficiência nos próximos quatro anos. 


Segundo Anderson Tavares, coordenador-geral do Conade, será instituído um mecanismo para a monitoração da execução dessas diretrizes nos órgãos responsáveis.