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3 de dez de 2016

FCMSCSP promove Projeto Saúde em Libras para o Surdo



A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), cuja mantenedora é a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, promove na próxima quarta-feira dia 07/12 a edição do Projeto Saúde em Libras para o Surdo (SALIS).


Cerca de 30 pessoas, entre professores e alunos dos cursos de Fonoaudiologia, Medicina e Enfermagem, realizarão o atendimento todo em Libras.


Para realizar o atendimento, foram selecionados estudantes de Libras que tenham estudado o idioma durante a graduação e que participaram de cursos de intensificação com o objetivo de melhor aplicá-lo durante o ambulatório.


Na edição deste ano, serão realizados dez procedimentos entre anamnese, exame físico, antropometria, aferição da pressão arterial, teste glicêmico, verificação de próteses auditivas e audiometria tonal.


 
 
 
 
 

25 de nov de 2016

Empresa oferece serviços para crianças com TEA e outras síndromes




JUJUBA é uma empresa que oferece serviços e materiais pedagógicos para crianças e adolescentes com dificuldade de aprendizado, autismo (TEA) e outras síndromes.


Com o objetivo de levar informação e aprendizado por meio de serviços e produtos e contribuir para que essas pessoas e suas famílias tenham uma vida mais independente, autônoma e integrada à sociedade, prezando pela acessibilidade, pela conscientização social e pela formação de uma comunidade atuante, unida e acolhedora.


“Tudo começou com um sentimento de gratidão, e depois uma ideia. Pensei: por que em vez de fazer tudo isso somente para minha filha não faço para mais gente? Seria uma forma de agradecer a Deus todas as condições que eu tive de melhorar a qualidade de vida da Ju.”, explica Carol.A, idealizadora do projeto.


Carol percebeu que sua filha Júlia tinha dificuldade de aprendizagem logo nos primeiros anos de vida, buscou ajuda na área de neurologia.  Foram muitos os diagnósticos e o autismo era sempre uma possível resposta para os sintomas, mas nunca a conclusiva. 


Em meio essa busca, ela teve a oportunidade de conviver com grandes especialistas e pesquisadores que a ajudaram, e decidiu dividir sua experiência e seus conhecimentos com outra família através da Jujuba.


A Jujuba não fornece consultoria nem serviços nas áreas médicas ou jurídicas, somente informações gerais sobre autismo, como um serviço à comunidade. 


As informações não substituem as orientações dos profissionais das áreas de saúde, jurídica ou educacional.


Para conhecer os produtos e serviços ou saber mais, acesse: http://www.juju.ba/




17 de nov de 2016

Soluções tecnológicas de baixo custo para pessoas com deficiência



“Tecnologia é ferramenta fundamental para possibilitar às pessoas com deficiência acesso a todos os bens, produtos e serviços, e também para permitir ou facilitar a execução das atividades do dia a dia”.


É com essa proposta que o ‘TOM São Paulo 2016’ reúniu, entre os dias 11 e 13 de novembro, no Centro de Convenções Rebouças, 120 convidados entre engenheiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, designers, profissionais de TI, arquitetos, pessoas com e sem deficiência para elaboração de projetos e protótipos que aperfeiçoem técnicas já existentes ou que criem novas soluções, viáveis e replicáveis. 



O Brasil recebeu o evento pela terceira vez, inspirado no ‘TOM Israel’.






Serão apresentados projetos desenvolvidos pelo Centro Paula Souza, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), entre outras instituições. Neste ano haverá espaço ainda para soluções digitais acessíveis.


Na lista de apresentações estão: 


  • Eye-Tracking (Controle de Cadeira de Rodas Motorizada pelo Olhar); 
  • Exoesqueleto para Reabilitação de Membros Superiores;
  • Controle de Ambientes (Hands Free World Control);
  • Programa Mão 3D (Três Soluções em Próteses para Crianças);
  • Cadeira de Rodas Motorizada Infantil de Baixo Custo;
  • Dispositivo para Fotografia Autônoma;
  • Display Braile Inovador; 
  • soluções para Games Acessíveis e de Realidade Virtual;
  • Interface Labial para Controle de Celular e Tablet
  • Interação com Computador pelo Olhar.









 

8 de nov de 2016

App Livox dá voz e autonomia para pessoas com deficiência



Para dar uma melhor qualidade de vida e estimular o potencial de sua filha, Clara, 9, com paralisia cerebral, o pernambucano Carlos Pereira, 38, desenvolveu uma tecnologia que já ajudou mais de 20 mil pessoas com deficiência a se comunicarem.


Isso porque o aplicativo Livox consegue atender diferentes deficiências e doenças, como

  • Autismo;
  • ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica),
  • Sequelas de AVC (Acidente Vascular Cerebral).


“Existem cerca de 1 bilhão de pessoas com deficiência no mundo [de acordo com a Organização Mundial da Saúde]. Eles são a maior minoria do planeta”, afirma o empreendedor social.


A ferramenta cujo nome vem do latim e significa liberdade e voz facilitou a vida de muitas famílias que, assim como a do empreendedor social, precisavam se valer de volumosos fichários e cartões de comunicação alternativa para inserir crianças e adultos com deficiência no mundo.


“O Livox veio para dar essa força às famílias que andavam com pastas, o que era pouco prático. É muito mais fácil levar um tablet na bolsa”, afirma Ana Cláudia Cavalcanti, mãe de Rafael, 10, que tem autismo, e utiliza o aplicativo para se comunicar com a família e também para aprender. “É uma ferramenta também de inclusão escolar.”


O benefício proporcionado pelo Livox foi reconhecido pela ONU (Organização das Nações Unidas), que o premiou como a melhor tecnologia inclusiva do mundo.


O aplicativo venceu também o Desafio de Impacto Social do Google para pessoas com deficiência, que lhe garantiu um investimento de cerca de R$ 2,2 milhões para aprimoramentos que permitiam os usuários se comunicarem com mais rapidez.


LIVOX NA ESCOLA


Com sua eficácia comprovada pelos pais, o Livox chegou também às escolas. 


A Prefeitura do Recife adquiriu, em 2014, 5.000 licenças do software que hoje são utilizadas por alunos de escolas municipais, como a de Educação Infantil Engenho do Meio, na periferia da capital pernambucana.


“Quando vi o Livox em um programa de televisão, disse que queria aquilo para os meus alunos. A gente procurou a [Secretaria de Educação do Recife], que disponibilizou o serviço e topei testar”, conta Jeyse Anne de Oliveira, 36, professora de atendimento educacional especializado na Engenho do Meio.


A escola é referência no atendimento de jovens com deficiência, promovendo a inclusão de 86 alunos com alguma carência física ou intelectual.


Um deles é Jhonatan Santos, 19, o primeiro estudante da rede municipal a usar o aplicativo em sala de aula.


“O Livox permite em qualquer momento expressar aquilo que ele [Jhonatan] está sentindo. É a sensação de liberdade”, conta Ginny Lins, 33, mãe do jovem que teve paralisia cerebral durante o parto.


Com seu largo sorriso e uma destreza que impressiona apesar dos movimentos em espasmos, Jhonatan manda mensagens de texto e posta vídeos pelo Facebook, provando que o uso da tecnologia lhe abriu as portas do mundo.


O jovem pediu à mãe que fizesse uma homenagem ao criador do Livox


“Obrigado, Carlos, por fazer as outras pessoas me ouvirem”.


Para a diretora Bianca Simonetti, além de ganhos na comunicação e na aprendizagem, a tecnologia “dá protagonismo aos alunos.”


Após a experiência com Jhonatan, o secretário de Educação do Recife, Jorge Vieira, conta que o aplicativo passou a fazer parte da política de educação inclusiva.


“Já temos 500 tablets com Livox instalado, 260 deles estão com o aluno e sua família. Outros 240 já foram distribuídos em 111 escolas que têm sala de multirrecursos onde os alunos são atendidos”, diz o secretário.

EXPANSÃO

 

O impacto do uso do aplicativo Livox deve aumentar por meio de uma parceria com a Federação das Apaes (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) do Estado de São Paulo, na qual haverá um desconto de 74% na venda da licença, que passará a custar R$ 350.


É uma forma de democratizar o software no Brasil. “Fechamos com o Livox e já iniciamos a utilização em 22 Apaes e a expectativa é que a gente expanda para todas as Apaes de São Paulo, que são 305”, afirma, Crisitiany de Castro, presidente da federação.


Nessa parceria com a associação, são esperados 2.500 novos usuários até o fim de 2016 e 60 mil, em 2017.


Com a nova lei de inclusão escolar (Lei 13.146/2015), que proíbe escolas privadas de cobrar a mais de alunos com deficiência e determina que ofereçam profissionais de apoio, o aplicativo também foi avaliado pelo MEC (Ministério da Educação).


“A avaliação do Instituto Renato Archer para o ministério classificou o Livox como uma ótima ferramenta de alfabetização para pessoas com e sem deficiência”, explica o sócio de Carlos, Paulo Henrique Araújo, o que mostra seu potencial de inclusão.


O aplicativo Made in Brazil” atravessa fronteiras e já é comercializado em quatro outras línguas: inglês, árabe, espanhol e alemão. Nos Estados Unidos, a tecnologia brasileira é usada na reabilitação pediátrica do Florida Hospital.


A competitividade da tecnologia em solo americano é destacada pela chefe do programa de reabilitação pediátrica do Florida Hospital, Sarah Robins, onde uma licença custa US$ 250, aproximadamente R$ 800.


“Tivemos recentemente uma garota que teve autorização do seguro de saúde para o pagamento de parte de sua ferramenta de comunicação, antes de conhecermos o Livox, no valor de US$ 5.000. O processo dura entre 6 e 12 meses para ser autorizado e ela ainda não recebeu o aplicativo”, relata.


A fonoaudióloga Erica Heatherington ressalta a facilidade de trabalhar com o aplicativo no Florida Hospital, onde utiliza o Livox há quatro meses com pacientes com diferentes deficiências


“É uma plataforma com interface amigável. É fácil de programar, de personalizar e de levar pelo hospital, o que é um ótimo benefício para nós.”


 

29 de out de 2016

Epidemia de sífilis no Brasil,Como se proteger?

 
Três em cada cinco ocorrências (62,1%) estavam no Sudeste e a transmissão de gestantes para bebês é atualmente o principal problema.
 
A situação foi qualificada como "epidemia" somente agora, mas vem se desenvolvendo há mais tempo.
 
Em 2015, por exemplo, no país todo, foram notificados 65,878 casos. A maioria desses ocorreu na região Sudeste (56,2%) e afetou pessoas na faixa etária dos 20 aos 39 anos (55%), que se auto-declaram da raça branca (40,1%).
 
Não há dados majoritários sobre o nível de escolaridade, pois em 36,8% dos casos reportados essa informação não foi preenchida.
 
Em 2010, a incidência da doença em homens era maior - cerca de 1,8 casos para cada caso entre mulheres. Essa média caiu para 1,5 homem/mulher em 2015. Ou seja, as mulheres são o grupo cuja vulnerabilidade vem aumentando.
 
Os casos de sífilis congênita, de transmissão da mãe grávida para o bebê, também cresceram expressivamente.
 
No ano passado, a cada 1000 bebês nascidos, 6,5 eram portadores de sífilis. Somente cinco anos antes, em 2010, esse número era de 2,4 bebês em cada mil nascimentos. Ou seja, a incidência da sífilis congênita praticamente triplicou em meia década.
 
A BBC Brasil conversou por email com a médica colaboradora da Organização Mundial de Saúde (OMS), Nemora Barcellos, para entender a doença e a epidemia atual. 
 
Leia abaixo os principais pontos da conversa:
 
BBC Brasil - O que é sífilis?
Nemora Barcellos - Sífilis é uma doença infecciosa sistêmica, crônica. Ela se manifesta em diferentes estágios. Sem tratamento, apresenta evolução em fases: inicialmente com feridas na pele, pode evoluir para complicações que levam ao óbito, podendo afetar o sistema cárdio-vascular e neurológico. A causadora da doença é a Treponema pallidum, uma bactéria espiralada altamente patogênica. A sífilis é uma infecção muito antiga e recebeu inúmeras denominações ao longo dos séculos.
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BBC Brasil - Quais são as formas de transmissão?
Dra Barcellos A principal forma de transmissão é o contato sexual. A gestante também, por via hematogênica (pelo sangue), transmite para o feto a bactéria em qualquer fase da gravidez ou em qualquer estágio da doença. A transmissão via transfusão de sangue pode ocorrer, mas atualmente é muito rara, em função do controle do sangue doado.
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BBC Brasil - Quais as formas de prevenção?
Dra Barcellos - A principal forma de prevenção é o uso de preservativos no ato sexual. O tratamento correto e completo também é considerado uma forma eficaz de controle, pois interrompe a cadeia de transmissão. O tratamento de ambos os parceiros é muito importante na prevenção para impedir que ocorra a re-infecção, garantindo que o ciclo seja interrompido.
Em relação à sífilis na gestante e à sífilis congênita, é importante o diagnóstico precoce. É necessário testar todas as mulheres que manifestarem o desejo de engravidar. 
Um pré-natal qualificado pressupõe como rotina exames para o diagnóstico da sífilis no primeiro trimestre, de preferência já na primeira consulta.
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BBC Brasil - As pessoas devem estar atentas a quais sintomas para suspeitar da doença? E como devem reagir nesse caso?
Dra Barcellos O primeiro sintoma, o cancro duro, no homem é mais visível. O problema maior é seu desaparecimento espontâneo dando a impressão de que a cura ocorreu sem tratamento. Nas mulheres, por questões anatômicas, não é raro o cancro duro inicial passar desapercebido. O histórico de prática sexual sem uso de preservativos deve ser investigado com seriedade em consultas, seja na atenção básica, seja com especialistas da área de ginecologia ou urologia. A existência de testes rápidos para sífilis facilita muito a investigação.
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BBC Brasil - Quais as principais causas da atual epidemia de sífilis?
Dra Barcellos - O esgotamento do impacto das campanhas de uso de preservativos e da sua ampla disponibilização parece ser um dos fatores do recrudescimento dos casos de sífilis. Por outro lado, a implicação do desabastecimento de penicilina afeta a evolução individual da doença e a possibilidade de cura. A ideia é que muitos fatores estão implicados no presente crescimento dos casos. Corroborando essa ideia vale ressaltar que o crescimento da epidemia se iniciou antes de se tornar visível e importante a falta do medicamento.
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BBC Brasil - Por que a sífilis congênita é o maior problema agora?
Dra Barcellos - A sífilis congênita, passada de mãe para filho, dependendo da intensidade da carga bacteriana, pode resultar em aborto, natimorto ou óbito neonatal. A doença também pode ficar disfarçada e causar o nascimento prematuro de bebês com baixo peso, com outros sintomas como coriza mista de sangue e ranho, sinais e sintomas ósseos, inchaço do fígado e do baço, pneumonia, edemas, fissuras nos orifícios, entre outros males, que podem resultar na morte da criança. Mas o tratamento, quando adequado e precoce, oferece uma excelente resposta.
Os casos de sífilis congênita representam um indicador perverso das lacunas ainda existentes no sistema de saúde vigente, incapaz de identificar mulheres mais vulneráveis e oferecer-lhes acesso e qualidade no cuidado pré-natal.
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BBC Brasil - Como a doença se desenvolve?
Dra Barcellos - Na população em geral, a sífilis apresenta diferentes formas de manifestação, de acordo com o período de evolução da doença:
1) Sífilis Adquirida Recente:
Sífilis primária - apresenta lesão genital inicial denominada cancro duro, uma espécie de ferida rígida, com inflamação periférica, que costuma desaparecer espontaneamente em cerca de 4 semanas. O período de incubação médio é de 21 dias;
Sífilis secundária - manifestações da disseminação da bactéria no organismo, o que ocorre após 4 a 8 semanas do desaparecimento da primeira ferida. Aparecem então lesões de cor rosada eruptiva, parecidas com o sarampo, mas que não coçam. Essa é a manifestação mais precoce da sífilis secundária. Outras lesões podem surgir posteriormente, como manchas e feridas nas palmas das mãos e dos pés, na boca, inchaço dos nódulos linfáticos e glândulas, queda de cabelo em formato de "clareira" e condilomas planos; que são erupções na região genital-anal.
A Sífilis Latente Precoce é silenciosa, não apresenta manifestações clínicas e só a sorologia pode dar o diagnóstico.
 
2) Sífilis Adquirida Tardia:
 
A Sífilis Adquirida Tardia inclui a Sífilis Latente Tardia e ocorre se os portadores da infecção não foram foram adequadamente tratados ou diagnosticados. 
O período que a doença permanece no organismo sem se manifestar é variável.
As formas de apresentação desta fase da doença, também conhecida como Sífilis Terciária, ocorrem em períodos que vão de 2 a 40 anos e são:
Sífilis tardia cutânea - lesões na pele em forma de gomos e nódulos altamente destrutivas; Sífilis óssea; Sífilis cardiovascular - aortite sifilítica, principalmente, determinando insuficiência cardíaca; Sífilis do sistema nervoso.
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BBC Brasil - Como é o tratamento?
Dra Barcellos - A penicilina G é a droga preferencial para o tratamento da sífilis em todos os estágios da doença. O tipo do antibiótico (benzatina ou cristalina), a via (se por soro ou injeção) e a dosagem dependem das manifestações clínicas e da presença ou não de co-infecção pelo HIV, vírus da Aids. 
A sífilis terciária necessita um período maior de tratamento. A efetividade da penicilina no tratamento da sífilis está muito bem estabelecida e baseada na experiência clínica de muitas décadas, em estudos observacionais e em ensaios clínicos.
Os casos de sífilis congênita devem ser tratados com penicilina G cristalina e o acompanhamento da criança também está condicionado à adequação do tratamento da mãe. Portadores de alergia à penicilina podem se beneficiar de dessensibilização controlado. 
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BBC Brasil - A falta de penicilina foi um fator preponderante?

Dra BarcellosO desabastecimento de penicilina, embora mais sentido no Brasil, em função do aumento do número de casos e da maior necessidade de medicamentos, não é uma exclusividade brasileira. Ele foi também sentido nos Estados Unidos e Canadá. A gravidade é que o quadro de desabastecimento não parece representar um problema pontual ou temporário.
A penicilina benzatina é um produto barato, para populações na maioria das vezes marginalizadas e que provavelmente confere um lucro baixo aos fabricantes. 
O desinteresse das empresas farmacêuticas na produção dessa substância se alinha ao desinteresse na produção de pesquisa e de novas drogas para outras doenças, também características de países em desenvolvimento, conhecidas como doenças negligenciadas, na sua maioria infecciosas.
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BBC Brasil - Como é a situação da indústria farmacêutica no Brasil?
Dra Barcellos - No Brasil, a indústria farmacêutica não realiza a síntese das substâncias, ela adquire o princípio ativo e faz o produto final, dependendo, para tanto, de fornecedores internacionais como a Índia e a China. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Eurofarma, e outras três empresas possuem o registro para produzir a penicilina benzatina.
Aparentemente, o que ocorreu foi uma redução de fornecedores mundiais da penicilina nos últimos anos e a necessidade de buscar outras opções. O Ministério da Saúde tem se manifestado explicando que o problema é resultado da escassez mundial no suprimento de matéria-prima acrescido de problemas pontuais da qualidade da penicilina produzida.
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BBC Brasil - Você acredita que poderia ter ocorrido uma asfixia intencional da oferta de penicilina por parte das farmacêuticas para elevar o preço?
Dra Barcellos - Creio que os motivos são múltiplos e esse seria um deles a compor com as questões que já mencionei.
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Fonte:BBB Brasil
 
 
 

26 de out de 2016

Procura-se profissionais para cuidar de pacientes com paralisia cerebral



A Paralisia Cerebral (PC) é uma doença pouco conhecida pela população brasileira, sendo resultado de uma lesão no sistema nervoso central em desenvolvimento, que pode ocorrer intra-útero, durante o parto ou nos dois a três primeiros anos de vida. 


O termo PC traz uma falsa impressão de que o cérebro está paralisado, que não haverá nenhum tipo de desenvolvimento motor ou intelectual. Mas, na realidade, a lesão cerebral não é progressiva. Além disso, com as terapias atuais, podem-se observar pacientes com boas aquisições motoras e cognitivas.


Recentemente, com a epidemia de infecção congênita pelo vírus Zika (microcefalia associada ao vírus Zika), estima-se que haja um aumento relevante na incidência de paralisia cerebral, visto que o dano cerebral causado pelo vírus é extenso. 


O tratamento envolve um trabalho multiprofissional, com a intervenção de uma equipe médica formada por neuropediatra, pediatra e demais especialidades além dos profissionais das áreas de enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, odontologia, nutrição, psicologia e serviço social. 


As intervenções visam corrigir e prevenir deformidades motoras por meio das terapias e, muitas vezes, associa-se o uso de medicamentos. Vale ressaltar o trabalho importante frente aos agravos respiratórios, presentes em muitos pacientes.


Torna-se fundamental aprofundar as discussões e as reflexões sobre a necessidade da conscientização dos profissionais da área da saúde, mostrando a eles que nem sempre é possível alcançar a reabilitação plena ou a cura. 


Quando se deparam com casos como os pacientes com paralisia cerebral grave, eles encontram muitas dificuldades na adaptação dessa mudança de expectativa.
 

É preciso realizar um trabalho para desenvolver nesses profissionais a sensibilidade e a percepção da diferença entre o desejo de fazer e o que é possível realizar pelo paciente. Exemplo disso está no trabalho promovido pela Associação Cruz Verde (www.cruzverde.org.br),instituição filantrópica que atende bebês, crianças, jovens e adultos com paralisia cerebral grave. 


A entidade mantém um hospital com 204 leitos, sendo que a maioria dos pacientes, cerca de 60%, é vítima de abandono, 70% são tetraplégicos e 30% fazem uso de dieta enteral. Conta também com duas unidades para pacientes externos, realizando aproximadamente 1.800 atendimentos por mês.


A equipe é multiprofissional e a maioria dos profissionais chega ao hospital sem nunca ter vivenciado a oportunidade de conhecer ou ter acompanhado um caso de paralisia cerebral em suas formações. 


Por conta disso, necessitam de um trabalho de integração e aprimoramento no que se refere aos cuidados que um paciente com esse diagnóstico requer, além das outras demandas do ponto de vista assistencial, terapêutico e afetivo.


Uma coisa é certa: aqueles que realmente querem trabalhar com pacientes em condições graves, crônicas e complexas, desenvolvem um forte sentimento de compaixão, e esse sentimento passa a nortear os cuidados, as intervenções e todo o relacionamento deles com esses pacientes. 


São pessoas que aprendem a valorizar o mínimo e, a partir daí, buscam conseguir o máximo. Precisamos de mais profissionais com este perfil.







SP lança Iniciativa Global de Reabilitação em Câncer




Hoje, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência com o apoio do National Institutes of Health (NIH) e em parceria com a Sociedade Internacional de Medicina Física e Reabilitação (ISPRM) e a Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR), celebrou o lançamento da Iniciativa Global de Reabilitação em Câncer na capital paulista.


O evento apresentou as diretrizes de atendimento com a participação e o apoio de renomados representantes de instituições parceiras e especialistas nacionais e internacionais. 


Além da médica fisiatra e secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella, entre os presentes estavam o chefe do departamento de reabilitação do NIH, Leighton Chan, o especialista em reabilitação em câncer do Kessler Institute, Michael Stubblefield, o reitor da Universidade de São Paulo, Marco Antonio Zago, o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, José Costa Auler Junior, diretor clínico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Paulo Hoff, a vice-presidente da diretoria executiva do A.C Camargo Center, Liana de Moraes e o diretor clínico do Hospital do Câncer de Barretos, Vinicius de Lima Vasquez.


A Iniciativa Global de Reabilitação em Câncer originou-se nos Estados Unidos liderada pelo NIH e visa fortalecer a ação não só de médicos e equipes de reabilitação, mas também dos pacientes ao influenciar na análise da capacidade funcional e melhoria da qualidade de vida por meio do desenvolvimento e da implementação de estratégias de reabilitação eficazes.


As discussões sobre a iniciativa global continuam amanhã, dia 26/10, das 8h45 às 18h, durante o Simpósio Internacional da Iniciativa Global de Reabilitação em Câncer - Capítulo Brasil, que acontecerá durante o III Simpósio Paulista de Oncologia, no Centro de Convenções Rebouças.