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17 de fev. de 2016

Em Jundiaí, pessoas com deficiência visual vão à Pinacoteca pela primeira vez

Fachada da Pinacoteca


Uma iniciativa inédita na história da Pinacoteca Diógenes Duarte Paes vai levar às salas expositivas da instituição um grupo de pessoas com deficiência visual da União dos Deficientes de Jundiaí e Região (UDRJ), na quarta-feira (24/02), a partir das 14h, para uma visita na qual os visitantes poderão tocar as peças correspondentes ao acervo.



Os visitantes vão ser acompanhados pelo diretor de Museus, Edgar Borges, por Creusa Claudino, da ação educativa, e pelo artista Hélio Schonmann, que realiza no local a mostra individual “Avessos”.


Vão ser disponibilizadas ao toque peças da mostra “Avessos” e do acervo geral da Pinacoteca, além de outros materiais, que o artista Schonmann preparou especialmente para a ocasião. 


No total, mais de duas dezenas de esculturas e objetos tridimensionais, em diferentes materiais, como bronze, madeira, emulsões acrílicas com terras, além de matrizes de gravura em relevo, vão ser tocados.
 

Experiência



O artista Hélio Schonmann tem bastante experiência no trato da arte para pessoas com deficiência. 


Em 2014, trabalhou na curadoria da mostra “(Vi)Ver Diálogo Gráfico”, exposta no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí Solar do Barão, que possibilitou uma oficina de desenho em relevo e demais atividades para pessoas com deficiência. 


Também na curadoria, em 2015, levou para o Museu Histórico Paulo Setúbal, em Tatuí, a exposição do projeto LUPA, que contou em seu acervo com peças realizadas por pessoas com deficiência visual, sob coordenação de Lúcia Neto.


 



Ação do MPF quer implantar acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva na TV

 

 



O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) abriu uma ação civil pública, com pedido liminar, contra sete emissoras para que elas garantam o direito à acessibilidade das pessoas com deficiência auditiva.


De acordo com o órgão, a legislação determina que as TVs implementem recursos de acessibilidade, como dublagem, janela de libras, audiodescrição e legenda oculta na programação televisiva veiculada em todo o país.


Integram o processo a Fundação Padre Anchieta, Rádio e TV Bandeirantes, Fundação Evangélica Trindade, Rádio e TV Capital, TV Stúdios de Brasília, Tv e Rádio CV e a evangélica Sara Nossa Terra.


Além das emissoras, o MPF também aciona a União, para que, por meio do Ministério das Comunicações, não edite qualquer norma que possa limitar as obrigações previstas quanto às tecnologias assistivas para os deficientes.


O Ministério Público pede também que nos próximos editais e contratos de publicidade, a União contrate apenas empresas que disponibilizem os recursos exigidos. 


Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 50 mil.






2 de fev. de 2016

Primeiro parque para crianças com deficiência de São Paulo é inaugurado

Mãe brinca com filho cadeirante em parque inclusivo


Em abril de 2012, o executivo Rudi Fischer largou uma bem-sucedida carreira no Banco Itaú para trabalhar em casa e ficar mais próximo da primeira filha, Anna Laura, então com três anos de idade. Um mês depois, no entanto, a menina morreu tragicamente em um acidente de carro.


A dor da perda seria parcialmente aplacada naquele mesmo ano, durante uma viagem a Israel, quando Fischer fez uma espécie de imersão nos preceitos do judaísmo. 


“Aprendi que deveria realizar algo positivo em nome dela para ajudar a elevar sua alma”, lembra. 


Faltava o formato para implementar o plano, que foi encontrado em Jaffa, a 50 quilômetros de Jerusalém, quando ele conheceu um escorregador adaptado para crianças com deficiência(possuía uma rampa em vez de escada).


Nasceu ali a ideia de construir o primeiro parquinho infantil acessível da cidade de São Paulo, que foi inaugurado no dia 25 de janeiro em uma unidade da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), no Parque da Mooca, na Zona Leste.


Batizada de Anna Laura Parques para Todos, a iniciativa conta com a colaboração da própria AACD, que disponibilizou terapeutas para ajudar a projetar os brinquedos, ao lado de engenheiros e arquitetos voluntários. 


Ao todo são quinze peças no local, como balanços para crianças com dificuldades motoras e equipamentos com recursos para o uso por cadeirantes.


O investimento total foi de 120 mil reais, bancados integralmente por Fischer, hoje aposentado do mercado financeiro. 


A ação será levada adiante com a inauguração de mais espaços semelhantes, o próximo no Parque do Cordeiro, em Santo Amaro, ainda neste ano. Outros devem ser implantados em cidades como Recife e Porto Alegre. 


“É emocionante poder ajudar o próximo por meio de uma homenagem à minha filha”, diz. 


Ele ainda pretende lançar um livro com a história da menina nos próximos meses e fundar uma ONG de auxílio a pais em luto.



 


26 de jan. de 2016

Com apoio da Funcap, empresa cearense desenvolve biblioteca acessível para cegos



O Brasil conta com cerca de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual. 


Segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 582 mil dentre essa estimativa são cegos. Porém, apenas 9% das bibliotecas públicas municipais  possuem conteúdo para esse público, seja livros em Braille, computadores adaptados ou audiobooks.


A Biblioteca Acessível é um projeto desenvolvido pela AED Tecnologia e é voltado para o público com deficiência visual. 


O projeto tem como propósito agregar conteúdo acessível aos usuários cegos tanto pelo áudio quanto pelo Braille, além de possibilitar o acesso democrático à leitura e ao conhecimento.


A ideia da Biblioteca Acessível surgiu de entrevistas e experiências com usuários cegos. 


As entrevistas mostraram diversas  barreiras que impossibilitam a leitura em Braille de forma cotidiana, como o uso excessivo do áudio no processo de leitura e aprendizado. Outra barreira são as poucas bibliotecas com acervo bibliográfico acessível, devido ao alto custo de produção.


O Portáctil foi o projeto que deu início à Biblioteca Acessível. Ele é uma plataforma de acessibilidade formada por: Tablet Android, Software para escrita e leitura, película de suporte à digitação e dispositivo portátil de leitura em Braille. 


Um pacote de 150 livros em formato próprio, no idioma português, compõe o acervo digital da Biblioteca. Entre os livros presentes estão 


A Carteira, de Machado de Assis, A escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, e A Arte da Guerra, de Sun  Tzu.


De acordo Heyde Leão, sócio da AED Tecnologia, o Portáctil não tem intenção de substituir os outros meios de escrita e  leitura já existente para os deficientes visuais. 


“Quando a gente lida com conhecimento, cultura, informação e cidadania, você não pode prescindir de ter o dado ali na mão da pessoa certa”, afirma Heyde.


O desenvolvimento da Biblioteca Acessível está recebendo o apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento  científico e Tecnológico (Funcap) por meio do Programa de Apoio a Pesquisa em Empresas (PAPPE), pelo Edital 06/2013.


 



22 de jan. de 2016

Conheça o Portal Cegos Brasil



É com grande alegria que divido uma novidade para as pessoas com deficiência  visual é o Portal Cegos Brasil.


Uma nova plataforma de conteúdo e suporte de qualidade para pessoas com deficiência visual, visando trazer conteúdos dos mais diferentes tipos: Filmes em áudio, séries e seriados, animes, novelas, rádio novelas, downloads e muito mais! Com materiais de qualidade e de graça para todos.


O diferencial do Portal Cegos Brasil é que  além de oferecer uma enorme variedade de conteúdos, também oferecer suporte on line para diversos assuntos relacionados a informática como: instalação de programas, formatação de documentos, manutenção de computadores, etc.


Para acessar basta Clicar Aqui



Fonte: Espaço Eficiente 
 

 



Biblioteca do Memorial da América Latina disponibiliza audiolivros aos visitantes

 


Um projeto implantado na Biblioteca Latino-Americana Vitor Civita que fica no Memorial da América Latina, disponibiliza “livros falados”. 


Estruturado em 2012 e idealizado pelo funcionário da Biblioteca Carlos Alexandre Campos, o serviço é gratuito e voltado principalmente para deficientes visuais, pessoas com baixa escolaridade e idosos.


Dentre os títulos disponíveis estão nomes clássicos da literatura como Machado de Assís, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Dalton Trevisan, Gabriel Garcia Márquez e Mario Vargas Llosa.


Caso a obra desejada ainda não faça parte do acervo em áudio, o visitante pode fazer uma solicitação à biblioteca que o avisará quando o processo de conversão do livro for concluído. 


Os livros são digitalizados e convertidos por um programa sintetizador de voz.


Os audiolivros podem ser armazenados e levados para casa exclusivamente por deficientes visuais, desde que estes apresentem materiais adequados para a gravação.


A Biblioteca Latino-Americana é vinculada ao Centro Brasileiro de Estudos da América Latina – CBEAL e foi inaugurada em 18 de março de 1989.


O e-mail para quem desejar mais informações é carlos@fmal.com.br


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Biblioteca Latino-Americana Vitor Civita – Memorial da América Latina


Horário: Segunda a sexta feira, das 09h às 18h e sábados das 9h às 15h.

Endereço: Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Portões 1 e 5, Barra Funda

Entrada: Gratuita

Telefone: 11 3823-4731

Informações: http://www.memorial.org.br
 
 
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21 de jan. de 2016

Marquês de Sapucaí terá audiodescrição de desfiles para pessoas com deficiência visual


 
O desfile das escolas de samba no Sambódromo da capital fluminense terá este ano sistema de audiodescrição para pessoas com deficiência visual. 


Na frisa do Setor 13, serão disponibilizados 50 fones de ouvido. Um narrador profissional, que ficará numa cabine, passará os detalhes dos desfiles aos participantes.


O serviço estará disponível em todos os dias de desfile do Grupo de Acesso e do Grupo Especial, entre 5 e 8 de fevereiro, e no Desfile das Campeãs, programado para o dia 13. 


A secretária municipal da Pessoa com Deficiência, Georgette Vidor, explicou que haverá descrição das alegorias, das fantasias, dos efeitos especiais e movimentos dos componentes das escolas.


“Os deficientes visuais não costumam ir muito aos desfiles, porque mesmo com uma pessoa do lado falando e com a música não é o mesmo que uma um técnico apresentando um roteiro para o entendimento do que a escola está apresentando. Assim haverá mais interesse por parte desse público e é o mínimo que podemos fazer para que os direitos das pessoas com deficiência sejam respeitados", disse ela, que pretende conversar com vereadores para transformar a iniciativa em projeto de lei.

Georgette adiantou que as fantasias que costumam ser deixadas na passaralela no final do desfile serão levadas por integrantes da secretaria ao Setor 13 para que os cegos possam sentir a textura e os adereços das roupas e máscaras.

Ingressos gratuitos



Foram distribuídos 300 ingressos gratuitos por dia de desfile na frisa do Setor 13 para pessoas com deficiência que se inscreveram na prefeitura.


Deficiente visual há 25 anos, o psicólogo Helio Orrico se inscreveu e conseguiu ingresso para ir ao desfile de domingo (7) do Grupo Especial. Ele já desfilou três vezes na Sapucaí, mas nunca foi ao desfile na plateia devido à pouca acessibilidade.


“Não tinha motivação para assistir exatamente por conta da acessibilidade nesse contexto do que se perde em relação aos acontecimentos durante o desfile. A gente perde muitos detalhes quando escutamos apenas o samba-enredo, detalhes que dão o contexto do desfile. Mesmo que minha mulher me ajudasse descrevendo a festa, ficaria preocupado por ela não estar se divertindo. Acho esse serviço da audiodescrição fantástico.”, disse ele.


As entradas valem para os desfiles das Escolas de Samba do Grupo de Acesso e do Grupo Especial e para o Desfile das Campeãs, no sábado. Cada pessoa com deficiência terá direito a um acompanhante.


 


 

20 de jan. de 2016

Espaços culturais têm atividades especiais para pessoas com deficiência em São José




As casas de cultura Flávio Craveiro (na zona sul de São José) e Eugênia da Silva (na região leste)  iniciam, a partir desta semana, o programa Arte Incluir, que vai oferecer opções de oficinas artísticas para pessoas com algum tipo de deficiência.



No espaço Flávio Craveiro, as atividades começaram na segunda, dia 18. Já no espaço Eugênia Silva, as atividadaes acontecem na terça - feira (19) e quinta-feira (21), das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 16h30.


O programa oferece oficinas de dança, música, teatro, artesanato, artes visuais e expressão corporal para deficientes. Não é necessário que os interessados façam inscrição prévia. 


O espaço Flávio Craveiro fica na av. Lenin, 200, no Dom Pedro 1. Informações pelo telefone (12) 3966-1136. 


o espaço Eugênia Silva fica na rua dos Carteiros, 110, no bairro Novo Horizonte. Informações pelos telefones (12) 3907-0912 ou 3907-8024.






11 de jan. de 2016

Festival Internacional sobre deficiência traz filmes brasileiros



Jean-Christophe Parisot de Bayard, vereador tetraplégico de Montpellier, é um dos padrinhos do festival. 


Ele conta que quando era criança, seu pai o levou ao cinema. No entanto, tiveram que deixar a sala, pois o responsável não queria pessoas com deficiência no local por medidas de segurança. 


Essa lembrança traumática se transformou em vontade de mudar o olhar da sociedade em relação a essas pessoas:


“O fato de eu ser vereador hoje tem a ver com esse episódio, pois acho que todo mundo tem direito ao acesso a tudo o que é essencial, de viver em comunidade, de compartilhar o que é belo. Quero que o olhar mude, no espaço e no tempo. No espaço por que todos os continentes que trabalham hoje para associar pessoas diversas, no cinema, no esporte, na vida social, como no Brasil, que está presente hoje aqui. Eu agradeço a todos que trabalham para que pessoas diversas tenham um lugar.”

Iniciativa da cineasta Katia Martin-Maresco, o objetivo do evento é mobilizar os profissionais do cinema, patrocinadores e sociedade civil pela promoção de uma diferença criativa, destacando a urgência de adaptar filmes e salas para pessoas com deficiências.


Trem-exposição vai organizar exibições de filmes por vários países



O festival começa com um trem-exposição que parte de Copenhague, na Dinamarca, passa por várias capitais europeias e cidades francesas até chegar a Cannes. 


No trajeto, serão organizados eventos com o tema da deficiência, destacando as iniciativas da coletividade e das indústrias locais.


Na seleção de filmes fora de competição, que serão exibidos no trem-exposição, estão alguns sucesso de público e crítica. “Perfume de Mulher” traz um Al Pacino deficiente visual mas exímio dançarino de tango. 


Em “Homem Elefante”, John Hurt vive um homem deformado e estigmatizado pela doença que atinge seu rosto. 


Já “Gilbert Grape – Aprendiz de Feiticeiro” traz Leonardo di Caprio ainda adolescente, no papel de um jovem com deficiência mental. 


Entre os destaques franceses, há “Os Intocáveis”, sucesso de público a respeito de um cadeirante de origem burguesa e seu cuidador negro de periferia.


“Acho que durante muito tempo, as pessoas portadoras de deficiência eram vistas apenas pelos aspectos relacionados as suas necessidades de locomoção, a outras limitações. Avançamos muito no Brasil, tanto no fornecimento de serviços, com maior acessibilidade às pessoas. Mas agora já estamos em uma outra fase que é de percepção da humanidade comum que há entre todos os seres humanos, incluindo os deficientes” diz Claudia Maciel é ministra conselheira, responsável pelos temas culturais e educacionais da embaixada brasileira em Paris.

 

Longas e curtas brasileiros vão participar do festival



O Festival Internacional de Curtas de São Paulo, sob direção de Zita Carvalhosa, vai ter carta branca para apresentar uma seleção de filmes sobre a temática da deficiência. 


Por enquanto, o único longa já confirmado é “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, de Daniel Ribeiro. 


O filme fala sobre os desafios cotidianos de Leonardo, adolescente deficiente visual, entre as dificuldades na escola, a descoberta da sexualidade e um primeiro amor. 


O longa, de 2014, já passou no circuito comercial francês e foi vencedor do prêmio Fipresci, da Federação Internacional de Críticos de Cinema.

 


Fonte:  Vida Mais Livre


6 de jan. de 2016

Mostra de cinema exibe filmes eróticos com audiodescrição, Libras e legendagem descritiva



Andreza é formada em Artes Cênicas. Pensando em democratizar o acesso às artes, ela fez um curso de extensão para trabalhar com pessoas com deficiência e hoje é mestranda em Educação, mais especificamente na área de educação inclusiva. 


Sem saber, ao escolher esse caminho ela estava se preparando para o convite mais irresistivelmente indecente da sua vida, feito por Judite Muniz, uma mulher cega: fazer a audiodescrição de um filme “quente”, meio erótico.


Andreza não apenas topou o desafio, como decidiu ampliá-lo. Afinal, além de Judite, outras pessoas com deficiência visual e/ou auditiva também poderiam se interessar por filmes eróticos. Ou você acha que as pessoas que não enxergam ou não ouvem são assexuadas? A partir daí surgiu uma ideia genial: criar a Mostra de cinema erótico Às Escuras.


A mostra acontece na terceira semana de março, no Recife, e o acesso é gratuito para todas as pessoas (não será um evento exclusivo para pessoas com deficiência, ok?). 


Os filmes inscritos serão selecionados por uma comissão formada por mim, Cristina Teixeira, professora da UFPE, e pela cineclubista Amanda Ramos.


Eu conversei com Andreza sobre a mostra e sobre o duplo tabu de tornar o sexo acessível a pessoas cegas e surdas.


Erosdita: De onde veio a ideia de criar a mostra?

Andreza: Surgiu de um conjunto de fatores. Mas costumo dizer que minha musa inspiradora foi Judite Muniz, mulher cega, frequentadora assídua dos eventos promovidos com acessibilidade comunicacional que me questionou se eu teria coragem de fazer a audiodescrição de um filme “quente”, meio erótico… Eu prontamente disse que sim, mas alertei que teria que pensar melhor como faria isso. A provocação não saiu da minha cabeça, então, pensei em criar um momento no qual pudéssemos ter não apenas o recurso da audiodescrição, mas Libras e legendas, em curtas e longas metragens… Foi dessa conversa que comecei a idealizar a Mostra erótica de cinema Às Escuras.


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Erosdita: Como funciona o trabalho de audiodescrição, libras e legendagem descritiva em filmes com temática erótica? Alguma especificidade?


Andreza: É necessário se despir de qualquer pudor e traduzir sem censura! Além de contar com os audiodescritores, intérpretes de Libras e legendistas, temos na equipe os consultores com deficiência visual e auditiva, profissionais que atuam na área a algum tempo.Todo o trabalho de acessibilidade deve ser realizado por profissionais devidamente capacitados. Diante do material audiovisual a ser traduzido, os profissionais da acessibilidade fazer um estudo prévio que lhes permitam adentrar no universo da obra em questão, para que, então, elaborem as traduções (de imagem para palavras, no caso da audiodescrição; de sons/diálogos para o texto em português, no caso da legenda; e de sons/diálogo para Libras). Após essa etapa, o material é submetido e discutido com os consultores para que possamos chegar na versão final.


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Erosdita: A mostra foca na acessibilidade para pessoas que não enxergam ou não escutam, e me veio a dúvida sobre outros tipos de inclusão, como por exemplo, selecionar filmes que mostrem pessoas cadeirantes fazendo sexo. Também existe essa intenção?

 

Andreza: Sim. Estamos na torcida para que todas as possibilidades de abordar o erotismo cheguem por meio dos filmes inscritos. Por outro lado, a curadoria e a comissão poderão indicar filmes para compor a mostra.


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Erosdita: Essa é a primeira mostra nacional desse gênero. Como assim nunca fizeram nada parecido antes?


Andreza: Acredito que já devem ter tido várias mostras eróticas de cinema no Brasil. Inclusive o Animage o ano passado, dentro da programação tinha uma mostra erótica que teve audiodescrição. O ineditismo está no fato de todos os filmes terem audiodescrição, Libras e legendas.


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Erosdita: Existe um tabu em relação às pessoas com deficiência e outro tabu em relação ao sexo. Juntar as duas coisas é um ato revolucionário. O que a mostra pretende dizer ao fazer isso?


Andreza: Apenas que eles são PESSOAS.


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Erosdita: Existe um mito de que as pessoas com deficiência são assexuadas. O que você pensa sobre isso?


Andreza: Isso viola o direito do ser humano de se ver, ser e se reconhecer enquanto sujeito de desejos. Certa vez, ouvi uma mulher cadeirante dizer que quando estava grávida outra mulher assustou-se ao vê-la com um barrigão e perguntou: – Quem fez essa maldade com você? E ela prontamente respondeu: Não foi maldade, foi gostoso! Diante de tudo isso, não tem como não começar a provocar uma discussão sobre o tema.


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Erosdita: A mostra erótica Às Escuras não é competitiva. Quantos filmes serão selecionados, quais os formatos, como serão as exibições?

Andreza: Serão 2 longas e 6 curtas. É possível que tenhamos um pouco mais em função da duração dos filmes.  Discutiremos como serão exibidos com a comissão e a curadoria. O acesso é gratuito e para TODAS as pessoas. É importante reforçar isso! Não será um evento exclusivo para pessoas com deficiência. Será um evento inclusivo, com audiodescrição, Libras e legendas para que pessoas com deficiência possam assistir aos filmes em condições de igualdade. Será na terceira semana de março.


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4 de jan. de 2016

Projeto que leva pessoas com deficiência física ao mar começa em janeiro em Salvador

 


Começa em janeiro de 2016, no bairro de Ondina, orla de Salvador, a terceira edição do projeto "Para-Praia", que permite o banho de mar assistido para os deficientes físicos e as pessoas com mobilidade reduzida. 


Em fevereiro, a ação chega ao bairro da Ribeira, na Cidade Baixa.


De acordo com a organização, as praias serão adaptadas para receber os participantes com as cadeiras anfíbias flutuantes, espaços para atividades recreativas, banheiros especiais, tendas e pistas de acesso à praia. 


A ação é da Secretaria Cidade Sustentável (SECIS), da prefeitura de Salvador, com apoio de iniciativas privadas. 


Os banhistas são acompanhados pela equipe de fisioterapia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, através das confortáveis e flutuantes cadeiras anfíbias.


 
Fonte: G1 / Vida Mais Livre

21 de dez. de 2015

Com criatividade, bar dá exemplo de inclusão de pessoas com deficiência




Com boa vontade e imaginação, os proprietários de um bar-restaurante em Bolonha, no norte da Itália, criaram um local completamente acessível a deficientes físicos - dentro e fora do balcão.


Inaugurado há poucas semanas, o L’Altro Spazio conta com uma série de simples adaptações que permitem o emprego de funcionários com limitações físicas.


A simplicidade das soluções pode ser notada já na entrada. Uma rampa de madeira, removível, facilita o ingresso de pessoas com dificuldades motoras, evitando reformas de grande porte, além da burocracia necessária para modificações na calçada pública.]


Entre as novidades criadas especialmente para o local está um balcão de apenas 80cm de altura, que pode ser usado por cadeirantes, tanto de um lado quanto do outro. 


Dentro, as geladeiras, as garrafas, as máquinas de lavar copos e demais instrumentos de trabalho estão todos à altura de quem usa cadeira de rodas.


Um sistema de laços amarrados às torneiras da máquina de chopp permite que a bebida seja tirada usando apenas uma mão. A cozinha também foi planejada para receber empregados com deficiência.


Um dos chefs tem apenas 10% da visão. Em dias de pouco movimento, graças à disposição especial do mobiliário e dos equipamentos, ele dá conta de preparar as refeições sozinho.


No L’Altro Spazio, a maioria dos funcionários conhecem a língua dos sinais. Mas, se o surdo estiver atrás do balcão, os clientes podem ajudá-lo usando bilhetes impressos com o nome de cada bebida ou coquetel.


Para os clientes cegos, o bar oferece um mapa do local que descreve em braile a disposição das mesas, o espaço entre elas, o acesso ao bar, ao banheiro e os obstáculos presentes no salão. 


Além disso, o cardápio em braile traz a descrição completa dos ingredientes presentes nos drinks e pratos da casa. 


"Não é apenas uma questão de garantir o acesso físico, mas de conscientizar as pessoas de que, com boa vontade e formação, é possível empregar pessoas com dificuldades físicas", afirma à BBC Brasil Nunzia Vannuccini, uma das sócias do local.


Tentativa e erro


 
De acordo com Nunzia, o maior problema durante a construção do bar foi superar a burocracia devido à falta de padrões técnicos para a acessibilidade de funcionários com deficiência.


"Começamos do zero. Os arquitetos e marceneiros trabalharam com base no projeto desenvolvido por nós, já que, com exceção das medidas relativas à porta de entrada e aos banheiros, não existem parâmetros para este tipo de construção. Fizemos tudo na base da tentativa e erro. O balcão do bar, por exemplo, não era baixo e largo o suficiente. Tivemos que refazê-lo completamente",diz.


Manuela Migliaccio, garçonete cadeirante de 31 anos, foi uma das funcionárias que ajudou os proprietários a encontrarem as medidas ideias para o local.


"Não é preciso um projeto de engenharia aeroespacial. Com poucas adaptações, nós deficientes podemos fazer tudo".


Este é seu primeiro emprego desde que, há seis anos, ficou paralítica após uma queda. 


"Sou uma 'barwoman'. Sempre fiz este serviço porque adoro estar em contato com o público, mas até então não tinha encontrado outro emprego", diz.


Além do aspecto econômico de se ter um trabalho, Manuela considera importante "poder mostrar que os deficientes físicos são como as demais pessoas".


"As campanhas de conscientização deixam muito a desejar. Ser atendido por um 'barman' em cadeira de rodas e perceber que ele consegue fazer tudo o que os outros fazem causa nas pessoas um impacto muito maior do que qualquer teoria", afirma.


No início, alguns clientes ficam surpresos, mas depois percebem que não há nada de tão especial em trabalhar como garçom estando numa cadeira de rodas.


Chiara Danisi, de 25 anos, que tem mal formação em um dos braços devido à doença focomelia, também contribuiu para a busca de soluções criativas ao local. 


"Agora, até os garçons que não têm dificuldades físicas usam o meu método par tirar chopp com uma mão só", brinca.


Ela afirma que alguns clientes tendem a fazer o pedido a outros atendentes, por acreditarem que ela não seja capaz de preparar as bebidas. "Mas depois eles caem na real e percebem que estou ali exatamente para trabalhar".


Para Chiara, bastam poucas adaptações para que um deficiente físico possa realizar as mesmas tarefas que os demais trabalhadores. 


"Uma coisa é definir os direitos dos deficientes, outra é criar condições para que eles se concretizem. É difícil encontrar pessoas dispostas a valorizarem aquilo que podemos fazer, em vez de concentrarem-se sempre nas nossas dificuldades."

Ambiente jovem



Segundo o artista e cineasta holandês Jascha Blume, de 33 anos e sócio do bar, o local tem atraído um público jovem, como a maioria dos outros locais da cidade, conhecida pela grande concentração de estudantes universitários entre a sua população.


Em entrevista à BBC Brasil via whatsApp, Jascha, que é surdo, conta que tem recebido muitos pedidos de reserva por parte de estudantes para as festas de final de ano.


"Não é um lugar com clima de hospital ou um espaço cheio de doentes. É um espaço rico em diversidades, com muito entrosamento entre as pessoas. Realizamos shows de música, exposições de arte, cursos e várias atividades que não estão necessariamente relacionadas aos deficientes ou à acessibilidade. É um bar moderno, como outro qualquer".


Questionado se não seria melhor que todos os lugares públicos fossem acessíveis, Jascha é categórico. 


"As verdadeiras barreiras são as pessoas, não os lugares. São as pessoas que criam os lugares.Tudo começa com um pequeno passo", digita em seu celular.