25 de fev. de 2014

Portal Guia de Turismo Acessível é apresentado em Brasília

Símbolo de acessibilidade
A 90ª reunião ordinária do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade) teve início na quarta-feira (19), em Brasília/DF


No primeiro dia de discussões, foi apresentado aos conselheiros o protótipo do portal Guia de Turismo Acessível e a campanha nacional de sensibilização dos empreendimentos turísticos para adaptação de seus serviços e estrutura. 


O evento foi encerrado na sexta-feira (21), na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR).
 
Os conselheiros do Conade debateram sobre o portal Guia de Turismo Acessível, que ainda está em construção. O Guia é fruto da parceria de Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República(SDH/PR) e do Ministério do Turismo (Mtur)


Após o debate ficou acertado que os conselheiros contribuirão com sugestões para melhorias na construção do site do Mtur. As propostas serão apresentadas até meados de março, época prevista para o lançamento do portal.


Para o conselheiro Janilton Lima, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a iniciativa é muito importante, já que beneficiará não só as pessoas com deficiência, como todo o setor de turismo. 


Espero poder contribuir com o que for possível para implementação e aperfeiçoamento do Portal do Mtur. Estamos à disposição para fazer a ligação dos gestores do sítio e as entidades privadas ligadas ao setor de turismo”, afirmou.
 

Comissões


As comissões permanentes de Atos Normativos e Políticas Públicas realizaram reunião conjunta para discutir o decreto que regulamentará a lei nº 12.764/12 que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.


As outras comissões de Orçamentos e Finanças Públicas, Articulação de Conselhos, Comunicação Social também realizaram suas respectivas reuniões.







24 de fev. de 2014

Aparelho criado para deficientes visuais é capaz de ler livros em voz alta

Dedo usando o equipamento sobre texto


As pessoas que possuem algum tipo de deficiência visual poderão encontrar em um futuro não tão distante um equipamento capaz de permitir a leitura de livros sem braile.
 
Desenvolvido pelo Fluid Interfaces Group, no laboratório do MIT, o FingerReader pode ser classificado como um tipo de anel capaz de ler e repetir através de um áudio as palavras de um livro qualquer. 


Certamente, um grande avanço quando comparado ao sistema braile, popularmente utilizado entre pessoas com deficiência visual.


Uma pequena câmera acoplada na superfície do anel lê as folhas de um livro (ou mesmo de um tablet) e as narra sequencialmente em voz alta para o usuário. 


Com a ajuda do dedo indicador, o equipamento consegue identificar as linhas e ajuda a pessoa a não se perder em meio às informações do texto. Caso o usuário ultrapasse as linhas ou invada espaços desnecessários, o anel vibrará de leve para que ele volte ao posicionamento anterior.


A vibração também ocorre quando o fim das linhas está próximo, para que as pessoas já se preparem para colocar o dedo na linha de baixo. Pelo vídeo, é permitido ver como o sistema lê e repete as palavras, já observando as próximas letras para criar uma continuidade na leitura. 


O aparelho está em fases de testes, porém já é possível perceber como será tal equipamento quando estiver finalizado. Possivelmente, compatibilidade com fones de ouvido e outros idiomas serão implementados no futuro.





Fonte: Tecmundo


Síndrome de Down poderá ter sintomas atenuados

Criança com síndrome de down
Pessoas com síndrome de Down sempre foram consideradas com atraso incurável de   – até agora. desenvolvimento

Nos últimos anos, vários laboratórios descobriram alvos críticos em rotas metabólicas afetadas no cérebro de pessoas com a síndrome que podem ser restauradas com fármacos. 


Pelo menos dois estudos clínicos atuais estão estudando os efeitos desses tratamentos em pessoas com síndrome de Down.
 
Agora, o geneticista Roger Reeves, da Johns Hopkins University, pode ter encontrado mais um alvo para medicamentos – um com o potencial de corrigir os déficits de aprendizagem e memória tão característicos da doença.
 
A síndrome de Down ocorre em cerca de um em cada mil nascimentos todos os anos, no mundo inteiro. Ela surge a partir de uma cópia extra do cromossomo 21, e da super-expressão de cada um dos 300 a 500 genes que esse cromossomo carrega.


“Ainda em 2004, pesquisadores não tinham muita ideia a respeito dos mecanismos envolvidos nesse transtorno do desenvolvimento”, aponta Michael Harpold, diretor científico da Fundação para Tratamento e Pesquisa da Síndrome de Down. Mas tudo isso mudou. 


“Nos últimos seis ou sete anos, tivemos vários avanços – e ‘avanços’ não é exagero – na compreensão da neuroquímica envolvida na síndrome de Down”, conta Reeves.


Essa melhoria na base de conhecimento levou a uma série de descobertas com promessas terapêuticas, incluindo a mais recente feita por Reeves. 


Ele e sua equipe estavam tentando restaurar o tamanho do cerebelo em ratos que foram modificados para apresentar as características da síndrome de Down.


O cerebelo fica na base do cérebro, e controla funções motoras, o aprendizado motor e o equilíbrio. Em pessoas com síndrome de Down, e nos ratos usados como modelo para a doença, o cerebelo é cerca de 40% menor que o normal. 


Ao restaurar seu tamanho, Reeves esperava obter uma melhor compreensão dos processos de desenvolvimento que levaram a anomalias em um cérebro com síndrome de Down.


A equipe de Reeves injetou um composto químico que estimula uma importante rota de desenvolvimento neural em ratos recém-nascidos com Down; entre outras coisas, esse composto organiza o crescimento do cerebelo.


“Na verdade nós não ficamos surpresos em consertar o cerebelo. Essa foi nossa hipótese inicial”, explica Reeves.


Mas ele não tinha previsto que, três meses após o tratamento, os ratos com um cerebelo restaurado seriam capazes de aprender a se locomover por um labirinto de água – uma função do aprendizado e da memória que se acreditava ser controlada por outra parte do cérebro, o hipocampo.


Os pesquisadores ainda não sabem se consertaram o hipocampo sem querer, ou se o cerebelo pode ser responsável por mais funções de aprendizado e memória que se pensava anteriormente.


De fato, outros tratamentos investigativos para a síndrome de Down são dirigidos ao hipocampo – mas nenhum deles visa essa rota química específica.


O estudo de Reeves, publicado recentemente em Science Translational Medicine, pode levar a tratamento capaz de permitir que as pessoas com síndrome de Down tenham vidas mais independentes. 


“Nós temos a possibilidade de dar a essas pessoas a capacidade de melhorar seu aprendizado e sua memória de maneira significativa – eu nunca imaginei ver isso em toda a minha carreira”, admite ele. “E agora isso está acontecendo. O jogo mudou”.






Empresa cria carro exclusivo para cadeirantes

Kenguru



Uma empresa norte-americana quer ajudar a solucionar um dos maiores problemas de mobilidade para deficientes físicos: o acesso aos carros. 


A Kenguru, criada pela advogada Stacy Zoern, que é cadeirante, anunciou a versão de produção de um carro elétrico de apenas 2,1 metros de comprimento e 1,5 de altura com capacidade para transportar uma pessoa.
 
O diferencial em relação aos veículos convencionais é o acesso. Diferente dos carros com venda regular, que passam por uma adaptação para poder receber pessoas com deficiência, o Kenguru foi desenvolvido para acomodar um cadeirante na própria cadeira de rodas.
 
Há apenas uma porta, traseira, que abre para cima, ao mesmo tempo em que surge uma pequena rampa para o embarque. Não há bancos, e o condutor fica na própria cadeira. A abertura da porta é automática, e pode ser feita com um controle.
 
Os comandos no interior são semelhantes aos de uma motocicleta, com acelerador e freios nas mãos e um guidão no lugar do volante. Um pequeno painel do lado direito indica velocidade, nível de bateria e luzes espia. A boa visibilidade é garantida pela grande área envidraçada.
 
Construído em fibra de vidro, o Kenguru foi desenvolvido para ser um modelo estritamente urbano. “A ideia é permitir que pessoas com deficiência possam se locomover no cotidiano de forma mais prática e independente”, afirma Stacy. 


Com dois motores elétricos, o carrinho atinge velocidade máxima de 40 km/h e pode andar quase 100 km sem precisar ser recarregado.
 
As vendas ainde devem levar pelo menos um ano para começar, mesmo tempo em que as primeiras unidades estarão prontas. 


Por enquanto, o preço é de US$ 25 mil, o equivalente a R$ 60 mil. Porém, o valor pode ser reduzido, com incentivos fiscais oferecidos pelo do país. Os interessados já podem reservar o Kenguru, mediante pagamento de US$ 100.
 
Desenvolvimento
 

A ideia de desenvolver um veículo próprio para pessoas com deficiência surgiu quando Stacy teve sua van adaptada destruída em um acidente. Como um novo veículo custaria US$ 80 mil, a advogada saiu em busca de alternativas mais baratas.
 
Encontrou o projeto Kenguru, do húngaro Istvan Kissaroslaki. Ainda em fase de protótipo, o desenvolvimento estava parado em decorrência da crise econômica na Europa. 


A advogada, então, conseguiu o valor para dar continuidade ao projeto, e transferiu a empresa para o Texas. Kissaroslaki também se mudou para os Estados Unidos, e hoje é um dos responsáveis pelo Kenguru.
 
Projeto brasileiro
 

No Brasil, um grupo de amigos do interior de Santa Catarina também desenvolveu um carro semelhante ao Kenguru, que foi batizado de Pratyko. O objetivo era facilitar a locomoção do cadeirante Marcio Henrique David.
 
O primeiro protótipo ficou pronto em 2010, com uma porta única traseira, elevador para cadeira de rodas e motor de moto de 250 cm³. De lá pra cá, Márcio, e o amigo, Gilberto Mesquita, aprimoraram o Pratyko, conseguindo parcerias com governos e empresas de componentes, como a Weg, para o fornecimento de motores elétricos.
 
“Estamos na fase final de desenvolvimento, já rodamos 3.000 km com o motor elétrico, e a autonomia está entre 60 e 80 km. O desenho será muito diferente do protótipo, mas ainda não está fechado”, afirma Mesquita.
 
Outra medida necessária é homologar o Pratyko no Denatran, órgão responsável por regulamentar os veículos no Brasil, mas o processo já foi iniciado, diz Mesquita. 


A ideia é iniciar a produção do Pratyko ainda em 2014, em Santa Catarina, com preço entre R$ 35.000 e R$ 40.000.



Fonte: AutoEsporte



Ministério Público Federal pretende garantir reserva de vagas para deficientes na PRF

Mão segura carteira de trabalho
O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, do Distrito Federal, para garantir a reserva de vagas para pessoas com deficiência no concurso da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para 1 mil vagas de policial.
 

Em janeiro, o MPF moveu ação civil para obrigar o Cespe/UnB, organizadora do concurso, a adaptar o exame de capacidade física, a avaliação de saúde e o curso de formação profissional ao tipo de deficiência dos candidatos que foram aprovados nas provas objetivas e discursiva. 


A Cespe/UnB informou que só vai se pronunciar quando for notificado da decisão, e a Polícia Rodoviária Federal ainda não se manifestou.


O pedido tem como base o decreto n° 3.298/99, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência.


Segundo a norma, a compatibilidade entre as atribuições do cargo e a deficiência apresentada pelo candidato deve ser avaliada durante o estágio probatório e não durante o andamento do concurso. 


Conforme o MPF, decisões do Superior Tribunal de Justiça e de tribunais regionais federais já reconheceram esse entendimento.


No concurso da PRF, o edital reservou 50 vagas a candidatos deficientes, mas acabou considerando, em fase posterior, a deficiência apresentada como circunstância incapacitante para o exercício da atividade policial.


De acordo como MPF, dos 200 candidatos com deficiência aprovados nas provas objetivas e discursiva habilitados para as fases seguintes do concurso, somente 4 foram considerados aptos ao exercício da função depois do exame de capacidade física e da avaliação de saúde.


Para o MPF, esse resultado é consequência da omissão da banca em fazer as adaptações para garantir uma avaliação isonômica. 


“Da mesma maneira que o edital prevê tratamento distinto a candidatos do sexo masculino e feminino nos testes de capacidade física e na avaliação de saúde, por exemplo, é preciso considerar as particularidades dos candidatos com deficiência ao realizar essas etapas”, explica o procurador da República Felipe Fritz..


“A verificação das adaptações necessárias ao servidor com deficiência não é um ato singelo, mas um processo que envolve inclusive compras e treinamentos para a utilização, por exemplo, de tecnologias assistivas. 


Não há como a verificação de compatibilidade ser realizada nos poucos minutos em que é realizada a avaliação de saúde”, conclui o procurador. O MPF pediu urgência no julgamento do caso pelo tribunal.
 

Concurso
 


Se inscreveram o total de 109.769 candidatos (109,77 por vaga). A abstenção (índice de faltosos) na prova foi de 19,7% - cerca de 22 mil inscritos não compareceram, ficando a concorrência em cerca de 88 por vaga.
 


Para ingressar na carreira, o candidato precisa ter diploma em nível de graduação em qualquer área e possuir Carteira Nacional de Habilitação categoria “B”. Do total das vagas, 5% das vagas (50) serão reservadas para pessoas com deficiência. 


A remuneração inicial é de R$ 6.479,81, sendo R$ 6.106, 81 de subsidio e R$ 373,00 de vale-refeição.
 


Além das provas objetivas e discursivas, os candidatos passaram por teste físico, exames de saúde, avaliação psicológica, investigação social e/ou funcional e prova de títulos, esta última uma novidade em provas da PRF. A segunda etapa é composta de curso de formação.

21 de fev. de 2014

Acessibilidade é ponto fraco de cartões-postais de BH

Homem em cadeira de rodas está na frente da igreja da pampulha



O preço da liberdade é a eterna vigilância. A frase, usada largamente por regimes totalitários por óbvios motivos, é creditada ao escritor britânico George Orwell, mas há controvérsias. 


Ele teria sido considerado o criador por ser o autor do best seller 1984, onde um poderoso big brother vigia indiscriminadamente seus cidadãos. Trinta anos depois da data em que ocorre a trama – o livro foi escrito na década de 1940 –, parafraseamos Orwell e, com uma ligeira distorção, podemos dizer que para os turistas deficientes físicos o preço da liberdade é a eterna cobrança. Liberdade para viajar e paciência para cobrar equipamentos de acessibilidade (rampas, corrimãos, pisos e banheiros especiais, etc). 


O Ministério do Turismo lança em fevereiro mais uma etapa do programa federal Turismo Acessível. Para avaliar como anda a acessibilidade na capital mineira, fomos à Pampulha, um dos principais atrativos turísticos da cidade, acompanhando o cadeirante Gil Porta (foto), que reprovou a Igreja de São Francisco de Assis.
 
Para ele, Belo Horizonte contabiliza avanços (o Mineirão é um exemplo) mas falta muito a ser feito. E é bom lembrar que todos nós podemos ser deficientes em algum momento: basta, por exemplo, quebrar uma perna. 


Saiba também como foi a emocionante viagem de Elizabeth Dias de Sá, cega desde jovem, aos parques da Disney, nos Estados Unidos, no interessante relato de seu sobrinho, João Lucas Sá, de 15 anos.


Gilberto Porta, o Gil, entrou determinado no Mineirão. Na direção de seu Honda Fit adaptado, vinha com um jeitão de Jérome Valcke, também conhecido como “JV, o Inclemente”, aquele francês, palpiteiro-geral da Fifa, encarregado de fiscalizar os estádios que vão sediar os jogos da Copa. 


Porém, vinha educado e comedido, numa sexta-feira com manhã de muito sol, pouco antes das 10h. Era o pontapé inicial de um périplo pelo conjunto arquitetônico da Pampulha. 


A missão: testar as condições oferecidas às pessoas com deficiência para fazerem turismo num dos principais cartões-postais da capital.


No comando da operação, Gil, de 51 anos, “mestre especialista” em detectar falhas ou, em muitos casos, observar que não há o que criticar, pelo fato puro e simples de não haver instalação alguma para deficientes. O que, por si só, constitui motivo de protesto, em se tratando de bens públicos ou a serviço de um público.


Cadeirante há mais de 25 anos, portanto experiente sabedor da rotina de um deficiente físico para a missão, Gil era “o cara” para a missão proposta pelo EM. 


A esposa Telma, igualmente deficiente, tem um site dirigido para o público de deficientes, o BH Legal (bhlegal.net). O casal é viajante contumaz, portanto useiro e vezeiro de instalações para turistas como eles.


O destino a ser conferido se justifica: a proximidade da Copa do Mundo de Futebol Fifa, que tem Belo Horizonte como uma das sedes e o Mineirão e a Pampulha como pano de fundo. Tocante também o fato de que em fevereiro, o Ministério do Turismo (MTur) lança mais uma etapa do programa Turismo Acessível. Que, como o nome aponta, pretende tornar a vida do viajante com deficiência física mais suave, menos laboriosa, dotando as atrações de equipamentos de acessibilidade.
 
Análise detalhada


Diferentemente de JV, o Inclemente, Gil manteve a fleuma ao entrar no hall principal do Mineirão. De-se por satisfeito com as instalações do estacionamento – são 52 vagas para deficientes e 73 para idosos, num universo de 2.169 abertas para o público –, as indicações por placas e a carreira de piso podotátil (aquele que tem ranhuras e relevos para que, com o toque da bengala, o deficiente visual se oriente) e a catraca própria. Disparou, porém: “Este carpete que colocaram no chão faz a cadeira de rodas agarrar. Se fosse liso, seria melhor.”


Por questões de segurança, de acordo com a assessoria de imprensa da Minas Arena (que administra o Mineirão), as instalações para deficientes são oferecidas somente no anel inferior do estádio. 


O local na arquibancada para a colocação da cadeira de rodas, bem como rampas de acesso e corrimãos mereceram a aprovação do cadeirante. 


No banheiro especial (38 ao todo), a colocação de peças como pia, espelho, corrimãos e o vaso sanitário foram também aprovados. Somente o modelo do vaso sanitário, aquele com uma abertura na ponta, foi reprovado, “porque é desconfortável e pouco prático.”


E os espaços dos camarotes não oferecem instalações para deficientes, fato que, obviamente, não passou despercebido. De acordo com a Minas Arena, o estádio tem, além de espaços para cadeiras de rodas, 622 assentos especiais para idosos, grávidas, obesos e crianças de colo.


E aí, Gil? Numa escala de um a 10, qual a nota do Mineirão? “Eu daria um 10. Se bem que os camarotes deixam a desejar. Talvez um nove. Bom acho que oito tá bom. 


Isso é igual hotel, você nunca pode dar 10 que eles param no tempo. Mas dá para dizer que o Mineirão está aprovado”, afirmou. Então, “bora lá” para a Igrejinha da Pampulha.
 
Valei-me, São Francisco!


Em matéria de acessibilidade, a Igreja de São Francisco, que também atende pelo nome de Igrejinha da Pampulha, está a anos-luz de qualquer avanço. Nem mesmo uma simples rampa para cadeira de rodas existe no entorno do templo. 


Corrimãos, pisos podáteis e placas em braile então, nem pensar. Para piorar a situação, por exemplo, dos cadeirantes, parte da pista em frente à igreja foi transformada em ciclovia, o que impede o estacionamento de carros. 


Resta ao cadeirante estacionar nas proximidades do Parque Guanabara e se deslocar por cerca de 200 metros até lá. Mesmo esse deslocamento é sofrível, já que o piso é totalmente irregular.


Nota zero para a igrejinha, que também não anda muito bem em matéria de conservação, necessitando urgente de reformas, conforme noticiou o EM semana passada. 


Inclusive para acabar com goteiras no teto, que se transformam num inferno (com perdão do sacrilégio), quando chove mais forte. 


A assessoria da Arquidiocese de Belo Horizonte, responsável pela igrejinha, informou que um projeto de recuperação do templo e a instalação de equipamentos de acessibilidade está a cargo da Prefeitura de Belo Horizonte, porém não há previsão para execução das obras.


O Museu de Arte da Pampulha está em bom estado de conservação, mas segue os passos da igrejinha e não oferece nenhum equipamento de acessibilidade.
 

Fundação Zoobotânica


O Aquário, dentro do zoológico de BH, foi outro ponto testado. No estacionamento não há pista para cadeiras de rodas e o piso é de cascalho. Mas há rampas para acesso e dentro do espaço. 


No mais, as instalações foram parcialmente aprovadas: há pisos podotáteis, informações em braile, os bebedouros estão na altura ideal, etc., etc. 


Porém, Gil avalia que o banheiro tem algumas falhas, como papeleira e toalheira mal colocadas e falta de puxador interno nas portas. 


O Aquário tirou nota quatro. Há um projeto da Prefeitura de Belo Horizonte em plena execução a fim de melhorar a acessibilidade para deficientes dentro de todo o zoológico.


Em que pese o fato de que muitas das instalações para deficientes no Brasil, turistas ou não, caminham a passos lentos – isso quando existem –, Gil considera que muito coisa melhorou. E Belo Horizonte é exemplo. 


“É uma cidade de relevo acentuado, o que dificulta a locomoção. Mas desde que me mudei para cá, em 2000 (quando veio morar com Telma, vindo de São Paulo), tenho visto que muita coisa melhorou. Mas ainda tem que melhorar muito”, afirma.


Para ele e Telma, uma cidade modelo no Brasil é Socorro (SP), a 138 quilômetros da capital paulista, e polo de esportes de aventura. “Socorro é nota 10. 


A cidade é toda preparada, fruto de parceria do poder público com os empresários. O deficiente pode praticar inclusive esportes de aventura, pois há adaptações para tudo”, afirmou.



Fonte: EM.com.br




Menino com paralisia cerebral começa a andar após praticar surfe

Raphael dos Santos está ajoelhado sobre prancha dentro do mar


Uma criança de Santos, no litoral de São Paulo, diagnosticada com paralisia cerebral, surpreendeu a família e os professores ao aprender a andar 8 meses após começar a praticar aulas de surfe


Raphael dos Santos, de 12 anos, conseguiu deixar a cadeira de rodas aos 10 e, atualmente, chega às aulas caminhando, sempre ao lado da mãe.
 
A luta do menino começou nos primeiros dias de vida. "Ele nasceu praticamente morto, mas Deus me deu ele de volta", conta a mãe, Fabiana dos Santos. 


O garoto ficou alguns dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e depois foi levado para casa. Porém, nos primeiros meses, Fabiana percebeu que o filho era diferente das outras crianças. 


"Uma doutora me disse que ele não tinha capacidade de andar, de falar nem de sentar. A médica disse que ele iria ficar mole, como quando estava no meu colo", diz. Pouco tempo depois, Raphael foi diagnosticado com paralisia cerebral.
 
Separada do marido, Fabiana passou a levar o menino à Casa da Esperança para receber tratamento específico, com a ajuda da avó dele. O garoto foi crescendo, mas não conseguia andar nem falar, só engatinhava e ficava sentado. 


Aos 9 anos, Raphael passou por uma cirurgia nas pernas e ficou em uma cadeira de rodas. Logo depois, o surfe surgiu na vida dele. 


"Eu conheci um amigo do Cisco (surfista) que trabalha com fisioterapia e ele me indicou as aulas", lembra a mãe.
 
Mesmo com medo, Fabiana resolveu levar o menino para a Escola Radical, em Santos, a primeira pública de surfe no país, coordenada por Cisco Araña. 


No primeiro dia de aula, Raphael não saía da cadeira de rodas. Por causa da cirurgia, as pernas dele só ficavam esticadas e ainda não haviam voltado ao normal. 


"O Cisco o levou para o mar. Eu pensei que iriam afogar meu filho, fiquei na areia olhando, eu tremia. No dia seguinte, fomos de novo", revela a mãe.
 
O professor Leonardo Scarpa acompanhou Rapha, como ele começou a ser chamado por todos, nos primeiros dias de aula. O instrutor lembra que o garoto tinha muitas dificuldades de locomoção. 


"Ele veio para cá no formato da cadeira de rodas, bem travadinho mesmo. Ele não tinha muito controle do pescoço. Mas, pelo simples fato de ficar deitado na prancha, ele tinha que levantar para não ir água no rosto e na boca dele", explica.
 
O contato com o professor foi crescendo a cada aula. Antes de entrar no mar, Scarpa incentivava Rapha a fazer exercícios de alongamento e brincadeiras lúdicas. A intenção era fazer com que o garoto soltasse mais as pernas e também sentisse a liberdade de uma vida em meio à natureza. 


"Como ele é criança, o importante é brincar mesmo. Por mais difícil que seja, ele está aqui na praia, fazendo amigos, conhecendo pessoas. E, por mais que seja adaptado, ele está se divertindo, fazendo uma atividade de que gosta", destaca o professor.
 
Depois de uma semana de surfe, as pernas de Rapha começaram a dobrar novamente e ele voltou a engatinhar. Mas a grande superação do menino ainda estava por vir. 


"Aconteceu com 8 meses de aulas, foi no Dia das Mães. Eu fui colocar a roupa na máquina de lavar e, quando voltei para a sala, ele estava em pé e deu 8 passos. Foi uma surpresa", recorda a mãe. Segundo 


Fabiana, em todas as consultas médicas, os profissionais afirmavam que seu filho nunca daria um único passo.
 
Para a mãe do garoto, o esporte foi responsável pela melhora dele. "Eu pensava que, com o surfe, não aconteceria nada, mas vi meu filho andar. Eu estava esperando por isso há 10 anos. Foi muito rápido, foi o surfe", afirma Fabiana. 


Além disso, Raphael desenvolveu a fala. Os professores pediam que o menino conversasse com eles, que deixasse de apontar para os objetos e usasse palavras para dizer o que queria. "Ele tentava falar várias vezes. Na terceira, conseguia falar direito", conta a mãe.
 
Agora, Rapha já largou a cadeira de rodas. Hoje, o menino caminha com dificuldade até o mar, com a ajuda da mãe, dos colegas e professores da escolinha de surfe. 


"Ele não vê a hora de ir para a água. Eu só fico na torcida e, quando ele pega uma onda, brinco dizendo que ele é o 'Titanic da Mamãe'", diz Fabiana. Após o alongamento, Rapha entra na água com a ajuda dos professores. 


O menino então sobe na prancha – usada normalmente por pessoas cegas, já que é mais macia e tem algumas características que melhoram a postura do deficiente –, dá meia-volta e aguarda uma onda perfeita para fazer aquilo de que mais gosta.


Para o surfista Cisco Araña, a evolução do aluno foi resultado de um trabalho feito com amor. Ele conta que Rapha progrediu muito, tanto no aspecto físico quanto mental. E acredita que o esporte, principalmente o surfe, realmente pode mudar vidas. 


"O mar tem vários minerais essenciais à saúde. O movimento das ondas faz um trabalho para as pernas melhorarem, ajuda na articulação, na lateralidade [predominância motora de um dos lados do corpo] e na coordenação motora", explica Araña. 


Segundo ele, também há a vitamina D vinda do sol e o ar puro da praia. "A atmosfera de amor, de compartilhar com o outro, de trocar experiências faz muita diferença, como fez para o Raphael", enumera o surfista.
 
A professora Carolina Coelho Leite, que também acompanhou as aulas do garoto, conta que o viu crescendo e se desenvolvendo. Para ela, Rapha é um exemplo para muitos. 


"Aqui é um ambiente que proporciona um novo desafio de se portar dentro da água. Eu pego onda e, se para mim já é mágico, imagina para ele. É uma lição de vida. O limite está na cabeça. É bem legal, eu agradeço essa oportunidade", afirma a professora.
 
Já para o professor Leo, cada superação do garoto é uma alegria diária. Além disso, ele percebe que Rapha fica animado a cada aula de surfe. 


"Hoje, ele já brinca, é muito mais tranquilo. O que o motiva a vir aqui é o oceano. É legal estar participando disso, mas o mérito é do mar", diz. 


Além da melhora física, Leo acredita que o esporte ajuda na autoestima e na vida social do menino. 


"Para mim, é gratificante estar participando do processo. Foi o que mais me motivou a ficar aqui. É uma amizade para sempre", ressalta o professor.
 
Surfe para deficientes
 

Cisco Araña foi o responsável por criar a escolinha pública de surfe de Santos. Ele teve a oportunidade de lidar com pessoas de todas as idades e com diversas deficiências, promovendo a inclusão. 


O professor transformou o surfe não apenas em um esporte para essas pessoas, mas também em um meio social para agregar idosos, deficientes e todos os tipos de pessoa no mar.
 

O surfista criou uma prancha própria para cegos, especialmente para Valdemir Pereira Corrêa, o Val, que foi o primeiro surfista com deficiência visual do Brasil e começou a praticar o esporte em Santos.
 
"Ele fez muita diferença. A partir do Val, é que vieram outras pessoas. Nós criamos a prancha, daí vieram os outros, com déficit de atenção, síndrome de down, tetraplegia", lembra Araña.


O professor conta que o projeto foi surgindo aos poucos. "A primeira turma que veio para cá foi de surdos. A gente começou a trabalhar com eles, e o resultado foi positivo. Os desenhos vieram mais coloridos, começaram a reparar nas coisas e surgiram sorrisos", diz o surfista.


Agora, a ideia de Araña é criar, a partir de maio, um núcleo de terapia com pranchas adaptadas. Para isso, ele busca apoiadores para o projeto. "Vamos triplicar o nosso amor e a nossa doação por essa causa", acredita.