5 de mai de 2016

Cadeira de rodas é controlada por expressões faciais

 



Uma cadeira de rodas que pode ser controlada por pequenos movimentos da face, da cabeça ou da íris foi desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (FEEC/Unicamp).


O equipamento ainda é considerado experimental e de alto custo. Porém, um projeto aprovado recentemente pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP, tem como objetivo adaptar a tecnologia para torná-la mais acessível e colocá-la no mercado brasileiro dentro de dois anos.


“Nosso objetivo é que o produto final custe no máximo o dobro de uma cadeira motorizada comum, dessas que são controladas por joystick e hoje custam em torno de R$ 7 mil”, disse o professor da FEEC/Unicamp Eleri Cardozo, que apresentou resultados da pesquisa durante o 3rd BRAINN Congress, realizado em Campinas de 11 a 13 de abril de 2016.


Segundo Cardozo, a tecnologia poderá beneficiar pessoas com tetraplegia, vítimas de acidente vascular cerebral (AVC), portadores de esclerose lateral amiotrófica ou outras condições de saúde que impedem o movimento preciso das mãos.


O trabalho, iniciado em 2011, contou inicialmente com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e hoje é desenvolvido no âmbito do Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia (BRAINN), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.



“Nosso grupo estudava técnicas de interface cérebro-computador (BCI, na sigla em inglês, métodos de aquisição e processamento de sinais que permitem a comunicação entre o cérebro e um dispositivo externo) e achamos que seria interessante avaliar a tecnologia em uma situação real”, contou Cardozo.


O grupo então adquiriu uma cadeira motorizada convencional, retirou o joystick e a equipou com diversos dispositivos normalmente encontrados em robôs, como sensores capazes de medir a distância de paredes e de outros objetos ou detectar diferenças de profundidade no piso.


O protótipo também foi equipado com um notebook que envia os comandos diretamente para a cadeira e com uma câmera 3D com a tecnologia RealSense, da Intel, que permite interagir com o computador por meio de expressões faciais ou movimentos corporais.


“A câmera identifica mais de 70 pontos da face – em torno da boca, do nariz e dos olhos – e, a partir da movimentação desses pontos, é possível extrair comandos simples, como ir para frente, para trás, para a esquerda ou direita e, o mais importante, parar”, explicou Cardozo.


Também é possível interagir com o computador por meio de comandos de voz, mas essa tecnologia é considerada menos confiável que as expressões faciais por causa das diferenças de timbre e da possível interferência de ruído ambiente.


“Essas limitações podem ser contornadas com a definição de um número reduzido de comandos e com uma função de treinamento incorporada ao software que otimiza a identificação dos comandos para um usuário específico”, disse Cardozo.


Pensando em pacientes com quadros ainda mais graves – que impedem até mesmo a movimentação facial – o grupo também trabalha em uma tecnologia de BCI que permite extrair sinais diretamente do cérebro, por meio de eletrodos externos, e transformá-los em comandos. O equipamento, no entanto, ainda não está embarcado na cadeira robotizada.


“Fizemos demonstrações em que uma pessoa fica sentada na cadeira e outra sentada próximo a uma mesa usando o capacete com os eletrodos e controlando a cadeira. Antes de embarcar o equipamento de BCI na cadeira precisamos solucionar algumas limitações, como a alimentação de energia. Ainda é uma tecnologia muito cara, mas está saindo uma nova geração de baixo custo, na qual o capacete pode ser impresso em 3D”, disse Cardozo.

 
A cadeira também foi equipada como uma antena wifi que permite a um cuidador dirigir o equipamento remotamente, pela internet. 


“Essas interfaces exigem do usuário um nível de concentração que pode ser cansativo. Por isso, se houver necessidade, a qualquer momento outra pessoa pode assumir o comando da cadeira”, contou Cardozo.






Startup



Dentre as metodologias já testadas pela equipe da Unicamp, a interface baseada em captura e processamento de expressões faciais tem se mostrado a mais promissora no curto prazo e, portanto, será o foco do projeto desenvolvido no âmbito do programa PIPE sob a coordenação do pesquisador Paulo Gurgel Pinheiro. Para isso, o grupo criou a startup HOO.BOX Robotics


“A empresa é um spin-off do meu pós-doutorado, cujo objetivo era desenvolver interfaces para dirigir uma cadeira de rodas com o mínimo de esforço possível do usuário. Inicialmente testamos sensores capazes de captar contrações dos músculos da face, depois evoluímos para tecnologias de imagem capazes de captar expressões faciais sem a necessidade de sensores”, contou Pinheiro.

Em vez de criar uma cadeira robotizada, como é o caso do protótipo da Unicamp, o grupo pretende, para reduzir o custo, desenvolver um software e uma minigarra mecânica que poderiam ser implantados em qualquer cadeira motorizada com joystick já existente no mercado.


“Nossa ideia é que o usuário possa baixar o software que fará o processamento das expressões faciais em seu notebook. O computador ficará conectado a essa minigarra por meio de uma porta USB. Quando ele fizer as expressões-chave, como um beijo, um meio sorriso, franzir o nariz, inflar as bochechas ou levantar as sobrancelhas, o software manda o comando para a garra e essa movimenta o joystick. Dessa forma, não mexemos na estrutura da cadeira e ela não perde a garantia”, explicou Pinheiro.

O pesquisador estima que um protótipo do sistema, batizado de Wheelie, estará pronto até o início de 2017. 


Dois desafios deverão ser vencidos nesse período: melhorar a classificação das expressões faciais, de modo a evitar que a interpretação dos sinais fique prejudicada por diferenças na iluminação ambiente, e garantir que apenas as expressões faciais do usuário da cadeira sejam capturadas quando houver outras pessoas próximas.


“A tecnologia também poderá, no futuro, ajudar na recuperação de pessoas que sofreram AVC ou outro tipo de lesão cerebral, pois o paciente poderá observar o avanço na realização de movimentos e ficará mais motivado a seguir o tratamento”, disse Pinheiro.


Fonte: Vida Mais Livre


 

Curso gratuito de Libras nas Fábricas de Cultura de São Paulo



Quem quer aprender Libras (Língua Brasileira de Sinais) agora pode contar com as aulas gratuitas nas Fábricas de Cultura Brasilândia, Capão Redondo, Jaçanã, Jardim São Luís e Vila Nova Cachoeirinha e as inscrições já estão abertas. 


A iniciativa da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, gerenciada pela organização POIESIS.


As aulas ocorrerão uma vez por semana no período entre maio e julho – os dias são variados por unidade. 


As atividades começam no dia 10 de maio e serão ministradas pelos professores do Núcleo de Ensino Interlibras. Os participantes receberão certificado no final.


O curso é indicado para profissionais da área da educação ou interessados no assunto, que sejam maiores de 15 anos. No total serão 20 vagas para cada turma. 


A pré-inscrição deverá ser feita pessoalmente ou por telefone da unidade com fornecimento de nome, telefone, e-mail e número de documento. 


Para conferir as datas das aulas, entre em contato com a unidade escolhida.


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Curso de Libras na Fábricas de Cultura - www.fabricasdecultura.org.br


Fábrica de Cultura Brasilândia
 
 
Entrada 1: Av. General Penha Brasil, 2508.
Entrada 2: Av. Inajar de Souza, 7001.
Telefone: (11) 3859-2300
Horário de funcionamento: terça a sexta das 9h às 20h.
Sábados e domingos:
variável de acordo com a programação.

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Fábrica de Cultura Capão Redondo
 
Entrada 1: Rua Bacia de São Francisco, S/N
Entrada 2: Rua Algard, 82
Telefone: (11) 5822-5240.
Horário de funcionamento: terça a sexta das 9h às 20h.
Sábados e domingos:
variável de acordo com a programação. 

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Fábrica de Cultura Jaçanã
 
Entrada 1: Rua Raimundo Eduardo da Silva, 138
Entrada 2: Rua Albuquerque de Almeida, 360
Telefone: (11) 2249-8010.
Horário de funcionamento: terça a sexta das 9h às 20h.
Sábados e domingos: variável de acordo com a programação.

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Fábrica de Cultura Jardim São Luís
 
Entrada: Rua Antônio Ramos Rosa, 651. 
Telefone: (11) 5510-5530.
Horário de funcionamento: terça a sexta das 9h às 20h.
Sábados e domingos: variável de acordo com a programação.  

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Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha
 
Entrada:Rua Franklin do Amaral, 1575. 
Telefone: (11) 2233-9270.
Horário de funcionamento: terça a sexta das 9h às 20h.
Sábados e domingos: variável de acordo com a programação.

4 de mai de 2016

Professores são capacitados a trabalhar esportes para estudantes com deficiência





Professores de Educação Física, de todo estado de Mato Grosso, estão tendo a oportunidade de fazer capacitação em esportes paralímpicos, e o melhor: os cursos são proferidos pelos maiores especialistas do assunto no Brasil.


Exemplo disso é capacitação em atletismo para pessoas com deficiência, que é realizada em Paranatinga. 


Quem ministra o curso é a professora de Educação Física Rosicler Ravache, que faz parte do Comitê Paralímpico Brasileiro.


Ela, que é do estado de Santa Catarina, foi enviada pelo comitê para dar o curso aos professores em Paranatinga (a 332 quilômetros de Cuiabá). 


Na capacitação, Rosicler ensina os profissionais a como trabalhar a educação física escolar com crianças e adolescentes com deficiência


A ideia é que o profissional sabia preparar essa criança para que, futuramente, ele possa se transformar em um atleta de alto nível.


Por isso os professores aprendem no curso, a classificação funcional do estudante, para saber em qual esporte ele pode ser inserido. 


Nas aulas, também são ensinadas as regras do atletismo adaptado e conceitos sobre a Educação Física para pessoas com deficiência e iniciação paradesportiva.


A professora de Educação Física de Guiratinga, Patrícia Alves, achou única a experiência do curso. 


Ela disse que a capacitação abriu seus horizontes e que pretende aplicar os conhecimentos adquiridos com duas de suas alunas, que são deficientes.


O professor de Capoeira, Eliomar Pedro, de Primavera do Leste, já trabalha com adolescentes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). 


Ele disse que o curso vai lhe dar muito mais subsídios para trabalhar com os alunos.


Ele também elogiou a didática da professora Ravache. “A aula dela é muito dinâmica. Ela ensina a teoria e em seguida já aplica na prática. Desse jeito a aula não fica muito maçante”, destacou o professor.


A professora Rosicler Ravache ministra cursos pelo COB desde 2004. Ela – que também é membro da Academia Paralímpica Brasileira – já proferiu cursos em modalidades paralímpicas nos 26 estados brasileiros.

 

Políticas Especiais



Para o superintendente de Políticas Esportivas Especiais da Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer, Mário Márcio Pecora, o governo está promovendo uma mudança no paradesporto em Mato Grosso. 


“É a primeira vez na história que uma gestão estadual tem um olhar diferenciado para as pessoas com deficiência, que representa 26% da população matogrossense”, destaca Pecora.


Ele também ressalta que os cursos são uma oportunidade de emprego e renda para os professores de Educação Física. 


“Pouquíssimas pessoas do estado trabalham com o paradesporto. Então esses cursos são uma nova frente de mercado para o profissional levar em conta”, afirma.


Pecora enfatiza que os cursos paralímpicos fazem parte de um processo de desenvolvimento do país na área de paradesporto em Mato Grosso.


“Esse governo vai mudar a vida das pessoas com deficiência, para que elas nunca mais sintam vergonha. Para que elas nunca mais se escondam e que possam galgar os espaços na sociedade que merecem ter.


Cursos paralímpicos

 


Os curso em modalidade paralímpicas acontecem em todas 10 etapas do Jogos Escolares da Juventude de Mato Grosso. 


Até o momento já foram realizadas quatro capacitações, sendo uma na cidade de Nova Xavantina, uma em São Félix do Araguaia e duas em Paranatinga. Foram ministrados cursos de judô, tênis de mesa, goalball e atletismo.


As capacitações foram viabilizadas pela Superintendência de Políticas Esportivas Especiais, junto ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que direciona os profissionais que irão fazer os cursos nas etapas dos Jogos Escolares da Juventude.



Ainda vão ocorrer cursos nas cidade de Cáceres, Aripuanã, Sinop, São José do Rio Claro, Campos de Júlio e Colíder.





Cabeleireiro de SCS atende surdos em Libras




Enquanto uns choram a crise, outros vendem lenços – ou cortam cabelos. Foi assim com Tiago Rocha, um jovem dono de salão de cabeleireiros atende pessoas com deficiência auditiva falando na língua delas: Libras, a Língua Brasileira de Sinais.


O profissional de 23 anos de idade, é ouvinte, mas há 1 ano e meio ele percebeu que o irmão, Daniel Rocha, – que é surdo profundo – sofria para ser compreendido quando precisava perguntar, ou comprar algo no comércio.


“Ele me pedia pra deixar escrito no celular dele o que ele queria, pra não ter problema na hora que fosse atendido.Como sou cabeleireiro e barbeiro, pensei o quanto seria difícil para os surdos pedirem um corte de cabelo, uma barba, alguma cor especifica etc”, contou Tiago 
 

A intenção do cabeleireiro, que aprendeu Libras para se comunicar com o irmão, é acabar com a dificuldade do cliente com deficiência auditiva e dar um atendimento mais personalizado, atencioso.

 

Vídeo em Libras


O próximo passo foi gravar um vídeo contando a novidade e divulgar a ideia nas redes sociais.


“Eu fiz um vídeo em LIBRAS convidando os surdos para irem no salão porque lá temos todos os serviços de cabelo, barba, sobrancelhas, depilação, estética. E que eu sou ouvinte, mas falo LIBRAS”,  explicou.


Deu certo. Logo o vídeo começou a ser compartilhado e os novos clientes começaram a chegar.


“Gostaram muito da ideia, o video viajou o pais todo e outros países, inclusive na época me ligaram via Skype pra tirar algumas dúvidas. O que percebi foi que eles se sentiam aliviados por finalmente conseguir falar exatamente o que tinham vontade”, explica.


Hoje, fora a clientela ouvinte, Tiago calcula que tem quase 50 clientes com deficiência auditiva que chegaram por indicação de outros surdos.


“Tenho clientes que são professores na PUC, designers gráficos, muitos trabalham com T.I… O retorno deles é o mais legal. Percebo que o que eu pensei no começo é tudo verdade. Eles ficam bem mais à vontade, conversam, brincam, vão em grupo no salão, fazem piada. Eles mesmos comentam que é bem mais fácil agora”, comemora.


Veja como é a conversa em Libras, durante o corte de cabelos dos cliente Heron Maturana Junior, e depois a opinião dele sobre o serviço, também em Libras (acione a legenda do vídeo para entender a conversa toda).






Onde



O salão do Tiago fica em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, Grande São Paulo. 


Se você mora nas proximidades, avise seu amigo deficiente auditivo. Agora, se é proprietário de um salão em outra região do Brasil, não é uma bela ideia pra ser copiada?


Supremo Cabelo e Estética

 

Rua Amazonas, 418, Centro, São Caetano do Sul – SP







Senado aprova alteração da lei de atendimento preferencial



Foi aprovado no Senado Federal o Projeto de Lei da Câmara 44/2014, de autoria da atual suplente de senadora Nilda Gondim (PMDB-PB). 


O texto altera a Lei 10.048, de 08 de novembro de 2000, para assegurar preferência ou prioridade às pessoas com deficiência, aos idosos com idade igual ou superior a sessenta anos, às gestantes, às lactantes, às pessoas acompanhadas por crianças de colo e aos obesos nas instituições financeiras e estabelecimentos comerciais e similares onde existam caixas, balcões ou guichês para atendimento.

 
O projeto agora retorna à Câmara dos Deputados para apreciação e votação das emendas apresentadas em 2014 no âmbito da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, onde atuou como relator o então senador Paulo Davim (PV-RN). 


Se aprovado o texto com as emendas, o projeto seguirá para a Presidência da República para sanção, publicação e consequente transformação em Lei Federal.


Igualdade e oportunidade – A matéria foi originada na forma do Projeto de Lei 626/2011, apresentado por Nilda Gondim logo no início do seu mandato de deputada federal. 


O projeto original foi aprovado na Câmara dos Deputados no dia 7 de maio de 2014, e encaminhado ao Senado no dia 15 de maio do mesmo ano, onde tramitou sob a denominação de PLC 44/2014.


Ao emitir seu parecer pela aprovação do PLC 44/2014, o senador-relator Paulo Davim observou que a iniciativa é parte de um amplo conjunto de determinações legais no sentido de gerar igualdade de condições e de oportunidades àqueles concidadãos que, caracterizados por uma peculiaridade (em decorrência de alguma deficiência ou dificuldade de locomoção, em razão da idade ou de condição especial de gestante ou lactente), enfrentam barreiras para o usufruto dos seus direitos. 


“Nesse sentido – enfatizou –, a medida é louvável, acertada e consoante com o espírito da época e de nossa ordem constitucional”.


Paulo Davim apresentou duas emendas ao projeto, as quais foram aprovadas em separado pelo Senado. 


Se confirmadas as emendas pela Câmara dos Deputados, e sendo o PLC 44/2014 posteriormente sancionado pela Presidência da República, o parágrafo único do art. da Lei 10.048, de 8 de novembro de 2000, expressará a seguinte determinação: 


“É assegurada preferência ou prioridade às pessoas de que trata o art. 1º em instituições financeiras e estabelecimentos comerciais e similares onde existam caixas, balcões ou guichês para atendimento e nas quais a formação de filas seja previsível e constante, conforme a experiência.”


Já o inciso IV, incluído pelo PLC 44/2014 ao art. da Lei 10.048/2000, terá a seguinte redação:


 “Art. A infração ao disposto nesta Lei sujeitará os responsáveis […] IV – no caso dos estabelecimentos comerciais e similares onde existam caixas, balcões ou guichês para atendimento, e nos quais a formação de filas seja previsível e constante, conforme a experiência, a multa correspondente a dez vezes o valor do menor benefício pago pelo Regime Geral de Previdência Social.”

 
Para a suplente de senadora Nilda Gondim (PMDB-PB), a aprovação final do projeto de sua autoria e a posterior sanção pela Presidência da República permitirão que se corrija uma lacuna existente na legislação brasileira no tocante a determinados lugares onde comumente se formam aglomerados de pessoas, a exemplo de agências bancárias e estabelecimentos similares, hipermercados, supermercados e lojas de departamentos, em que os cidadãos e cidadãs que têm direito a atendimento prioritário ficam inteiramente desamparados.
 
 
 
 
 
 

2 de mai de 2016

Exposição sensorial chega ao Memorial da Inclusão




O Memorial da Inclusão recebe a exposição Duplo Acesso: Sair da Superfície”, de 2 a 30 de maio. 


A mostra de arte contemporânea conta com 5 instalações sensoriais, nas quais o visitante é convidado a experimentar a interação com as obras em um contexto fora do usual. 


A montagem foi concebida pela artista plástica Diana Tsonis, formada pela Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP.


O visitante conta com a instalação “A pele das coisas”, onde objetos construídos com arame moldável ficarão expostos em cavaletes. 


Com vendas, os visitantes sem deficiência também podem experimentar a sensação. 


Na sequência, em “Poesias em braile”, há poemas expostos em feltro adesivado sobre o expositor de vidro. 


A ideia do feltro é de pensar diferentes possibilidades de confecção e contatos com a leitura em braile.


No “Cinema Cego” traz a exibição de curta-metragem com depoimentos de pessoas com deficiência visual, o espaço tem um aparelho televisor, dois bancos e uma mesa, simbolizando uma sala de estar. 


Em “Feche os olhos e imagine”, duas espreguiçadeiras, fones de ouvido com áudio descrição de um texto que remete a própria temática da exposição permitem a imersão do visitante no universo da exposição. E por fim, em 


Saia da superfície”, uma cortina sensorial azul com ondulações e um instrumento musical imitando o som do mar, será simbolizada a reflexão da passagem.


Além das exposições temporárias, o Memorial da Inclusão tem um acervo fixo que aborda cada uma das quatro deficiências – auditiva, visual, intelectual e física – e conta com atrações como a Sala Preparatória dos Sentidos: um local escuro com painéis de texturas diversas, alteração de temperatura e sensores sonoros e olfativos.


Inaugurado no dia 3 de dezembro de 2009, o Memorial da Inclusão: os Caminhos da Pessoa com Deficiência tem o propósito de reunir em um só espaço fotografias, documentos, manuscritos, áudios, vídeos e referências aos principais personagens, às lutas e às várias iniciativas que incentivaram as conquistas e melhores oportunidades às pessoas com deficiências.


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Duplo Acesso: Sair da Superfície


 
Quando: De 02 até 30 de Maio (segunda à sexta-feira)
 
Horário: das 10h às 17h

Onde: Memorial da Inclusão – Sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo
 
Endereço: Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 564, Portão 10, Barra Funda, São Paulo – SP

Fone.: (11) 5212-3727


Obs.: É possível agendar visitas pelo e-mail memorial@sedpcd.sp.gov.br


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Gestores ainda têm resistência em contratar pessoas com deficiência no Brasil




Ao serem apresentados a um candidato com deficiência para uma vaga de emprego, 67% dos gestores e empresários ainda têm resistência em entrevistá-lo e/ou contratá-lo, segundo pesquisa feita com profissionais de recursos humanos (RH). 


Segundo os dados, apenas 33% dos gestores não tem resistência e contratam o candidato se ele estiver dentro do perfil da vaga.


A segunda edição da pesquisa Expectativas e Percepções sobre a Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho foi feita em 2015 pela i.Social, consultoria com foco na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, em parceria com a Catho e com apoio da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil). No total, 1.519 profissionais de RH responderam à pesquisa.


A diretora de Diversidade da ABRH Brasil, Jorgete Lemos, disse que fica visível a questão de valores muitas vezes enraizados de não reconhecer a capacidade das pessoas com deficiência. 


“O RH tem que ajudar as empresas a realinhar suas ações aos valores que estão sendo adotados pela sociedade. Existe a lei [Lei de Cotas], existe a intenção, mas não existe a atitude compatível. Essa equação é fácil de ser resolvida, tem que ser trabalhado o enraizamento de valores na organização como um todo, começando pelos gestores e se estendendo à totalidade do corpo de funcionários”, disse.


Um dos problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência que são candidatas a uma vaga no mercado de trabalho é a abordagem de alguns recrutadores. 


O cadeirante Joewilson de Souza, 40 anos, de Juazeiro do Norte (BA), contou que já se sentiu desprezado em uma entrevista de emprego.


“Eu recebi encaminhamento para uma entrevista e a pessoa designada para receber os currículos conversou comigo, mas não olhou nos meus olhos. Ele pegou meu currículo e virou as costas, quando percebeu que eu tinha curso superior, ficou surpreso e voltou. Eu disse que não tinha como esperar o entrevistador, eu queria a vaga, mas não quero mais. Disse: ‘essa empresa não merece uma pessoa com deficiência qualificada, vocês precisam rever seus conceitos’", contou.


Joewilson Souza é assistente social e diz que os recrutadores precisam ser mais bem preparados. 


“Fala-se muito acerca da humanização, mas a realidade é que isso ainda continua sendo um mito no mercado de trabalho. É necessário ser gente para lidar com gente, a capacitação precisa ser permanente porque pessoas com deficiência estão aí o tempo inteiro. É preciso ser humano e ser altruísta e valorizar o outro. O ser humano ainda é a coisa mais importante desse mundo”, disse.


A também assistente social Zenira Rebouças mora em Salvador e reclama de dificuldades de acessibilidade na hora buscar uma vaga no mercado de trabalho. 


Ela é cadeirante e contou que participou de um evento de recrutamento de pessoas com deficiência, mas que o espaço não estava preparado para receber aquele público. 


“Ele não estava acessível para atender às pessoas, não tinha banheiro adaptado e isso em uma seleção só para pessoas com deficiência”, relatou.


Cumprimento da lei



A Lei de Cotas prevê que toda empresa com 100 ou mais funcionários deve destinar de 2% a 5% (dependendo do total de empregados) dos postos de trabalho a pessoas com alguma deficiência.


Segundo Jorgete Lemos, é grande o percentual de empresas que contratam pessoas com deficiência apenas para cumprir a lei, 86%. Apenas 2% contratam porque valorizam a diversidade; 3% porque acreditam no potencial dessas pessoas; e 9% têm interesse no perfil do candidato, independentemente de cota ou deficiência.


Outro dado apontado na pesquisa diz que 60% dos profissionais de RH acreditam que as pessoas com deficiências sofrem preconceito no ambiente de trabalho, seja por colegas, gestores ou clientes. 


“A empresa que contrata cumpre a lei, mas as pessoas com deficiência não são aceitas internamente pelas pessoas. É preciso uma sensibilização com relação às atitudes das pessoas”, ressaltou Jorgete.

Para a diretora, é necessário identificar as dificuldades das pessoas em relação ao outro e atuar em cima disso, seja capacitando as pessoas com deficiência ou conscientizando o corpo funcional e gestor das empresas. 


“Quem discrimina discrimina tudo e todos, uns mais outros menos. Não só pessoas com deficiência, mas mulheres na alta direção, por exemplo, ou com atribuições de menores salários. Histórias de preconceito e discriminação podem e devem ser evitadas no trabalho através do exemplo. Em uma organização que tenha líderes conscientes, a equipe reproduz esse comportamento”, destacou.

 
Segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no Brasil existem 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que representa 23,92% da população brasileira.


A diretora administrativa da Associação Brasiliense de Deficientes Visuais (ABDV), Adriana Lourenço das Candeias, disse que o problema é a falta de informação e socialização dos gestores. 


“Eles têm que saber o que o deficiente realmente é capaz de fazer. Muitas vezes só contratam para cumprir a lei e não têm noção do que é uma deficiência, seus limites, dificuldades e capacidades. Com mais informação, contratariam com mais segurança e consciência.”


Incentivos às empresas



Para a diretora da ABRH Brasil, os profissionais de RH precisam ajudar os gestores a rever seus valores, mostrando, inclusive, o impacto que a contratação de pessoas com deficiência pode ter na imagem da organização. 


“Falta sensibilizar mais e mais as empresas para que elas possam perceber que serão beneficiadas, inclusive com uma imagem de boa empregadora. Isso tem impacto no mercado. Os clientes têm interesse em ter um relacionamento com empresas socialmente responsáveis, então isso também trará um retorno financeiro”, disse Jorgete Lemos.


Além da conscientização do setor empresarial, para Jorgete, é importante que o governo fiscalize as empresas no cumprimento da Lei de Cotas e crie outras formas de incentivo na contratação de pessoas com deficiência.


Ela destaca a Lei Brasileira de Inclusão – Estatuto da Pessoa com Deficiência, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em 2015, que incluiu, por exemplo, como critério de desempate em licitações públicas o fato de a empresa ter um programa de inclusão de pessoas com deficiência


A nova legislação garante condições de acesso à educação e à saúde e estabelece punições para atitudes discriminatórias contra essa parcela da população.


Formação dos profissionais de RH



A diretora da ABRH Brasil reforçou que a equipe de RH também deve ser instigada a manter-se atualizada. 


Segundo a pesquisa, 35% desses profissionais nunca entrevistaram pessoas com deficiência e apenas 12% disseram se sentir totalmente capazes para realizar seu recrutamento e seleção.


“Nós precisamos conversar mais com os estabelecimentos de ensino, eles não estão preparando esses profissionais para a realidade. Principalmente as faculdades de administração que não têm espaço para falar de diversidade, geralmente apenas em atividades de apoio. Também não temos cursos de aperfeiçoamento sobre diversidade. As pessoas se aperfeiçoam por autodesenvolvimento ou acompanhando o trabalho de ONGs”, disse.


Ela contou que a ABRH Brasil também faz um trabalho de enraizamento de valores junto aos profissionais nas seccionais da associação pelo país.


As pesquisas de 2014 e 2015 sobre as percepções de inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho estão disponíveis na página da i.Social na internet.



Reportagem: Andreia Verdélio

Edição: Juliana Andrade 


Fontes: Agência Brasil / Vida Mais Livre