6 de jul de 2016

Lei que prevê atendimento odontológico para autistas em São Paulo




Já está em vigor em São Paulo a Lei nº 16.380/2016 que institui o atendimento especializado aos Pacientes com Deficiência Intelectual.

 
A lei determina que as ações de saúde bucal neste sentido serão desenvolvidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com o apoio de especialistas.


Profissionais em Odontologia que serão capacitados e especializados na área absorvendo novas técnicas e procedimentos que possibilitem melhoria na qualidade do atendimento das pessoas com deficiência intelectual.


O censo do IBGE de abril de 2012 acusou que 2,6 milhões de brasileiros apresentam deficiência mental ou intelectual


Em São Paulo, a Secretaria Municipal de Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, divulgou, em 2010, a existência de 127.549 pessoas em tais condições.


“Pessoas com transtornos mentais precisam receber atendimento diferenciado pois dependem quase que totalmente do apoio de familiares ou de alguém responsável para a realização dos procedimentos básicos aos cuidados dentários”, informa o autor da lei, vereador Gilberto Natalini.

Segundo Natalini, a abordagem de pacientes com deficiência mental precisa ser realizada de maneira especializada. 


Eles precisam de atenção redobrada: podem ser reativos a estímulos sensoriais (o barulho do motor de alta rotação, por exemplo) podendo apresentar movimentos bruscos voluntária ou involuntariamente. Daí a necessidade de profissionais capacitados que efetuem uma abordagem gradativa”, destaca o parlamentar.

 




5 de jul de 2016

Viral com atletas paralímpicos na academia é premiado no maior festival de publicidade do mundo



Lembra do viral “O Treino que Muda Opiniões”? Lançado e viralizado nas redes sociais em setembro de 2015, o vídeo foi finalista em quatro categorias e ganhou dois leões de bronze no Festival de Cannes – o equivalente a duas medalhas de bronze no maior prêmio da publicidade mundial. Os prêmios saíram nas categorias Mídia e Relações com a Imprensa.


O vídeo, feito pela agência Ogilvy para o Rio 2016, foi premiado entre centenas de peças e ações de publicidade do mundo inteiro. 


Em Cannes, na França, uma comissão de jurados analisa todas as inscrições e define quais entram na shortlist, uma seleta lista com os finalistas aos prêmios em cada categoria. 


O Treino que Muda Opiniões” entrou na shortlist de quatro categorias e saiu com o prêmio em duas delas. 


Além dos bronzes em Mídia e Relações com a Imprensa, o vídeo foi finalista em Causa Social no Entretenimento Esportivo e Experiência de Marca no Entretenimento Esportivo.


A ação mostra o quanto o esporte para pessoas com deficiência pode surpreender os espectadores. No vídeo, três atletas de ponta do Brasil chegam de surpresa em uma academia e mostram do que são capazes. 


Luciano “Montanha” Dantas, que tem nanismo, deixa todos de boca aberta com o peso que consegue levantar no supino. 


Vinícius Rodrigues, amputado da perna esquerda, corre em velocidade impressionante na esteira. Lúcia Teixeira, judoca com deficiência visual, derruba todo mundo sem dificuldade no tatame.


As reações das pessoas na academia são o ponto alto do vídeo: “São todas espontâneas e mostram o quanto realmente ficaram surpreendidas”, diz Ricardo Cirillo, gerente de propaganda e promoção do Comitê Rio 2016. 


A ideia é mostrar uma prévia do que os torcedores podem conferir nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. 


“Se na academia foi assim, imagina o quão surpreendente pode ser assistir a uma competição Paralímpica ao vivo?”, sugere Cirillo.

O vídeo cumpre seu objetivo de divulgar e engajar o público nos Jogos Paralímpicos. 


“Essa campanha repercutiu mais do que todos os meus resultados no esporte. Antes do vídeo, quase ninguém sabia que eu era atleta”, conta Lúcia Teixeira, atleta com deficiência visual que ficou impressionada com seu reconhecimento após a ação.







 

Inclusão Sem Fronteiras promove evento em Imbituba







A foto está no formato retangular. Nela, três livros coloridos pendurados e no fundo uma pessoa com deficiência física na cadeira de rodas. Fim da descrição.


O evento da Rede Nacional de Leitura Inclusiva, promovido pela Fundação Dorina Nowill oferece um projeto de ‘Inclusão sem Fronteiras’, que acontece no dia 06/07, em Imbituba (SC).


A data foi escolhida em razão da lei . 13.146, de 6 de julho de 2015, que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).


A Tenda Literária, que nos meses de Verão vai ocupar as praias de Imbituba oferecendo espaço para a leitura, será a ‘estrela’ do evento. Todo o acervo estará disponível em braile, fonte ampliada, audiolivro ou livro falado.


Um dos intuitos é fazer com que o leitor que não possui deficiência visual entenda a forma de leitura das pessoas cegas. 


“Há uma curiosidade em sentir os livros, em compreender como os cegos leem e em como compreendem aqueles pontinhos no papel. Mas o que mais desejamos é conhecer nosso leitor cego em Imbituba, sabemos que ele existe e queremos conhecê-lo”, explica a bibliotecária Gláucia Maindra da Silva, gerente de Fomento e Incentivo à Cultura, da Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura de Imbituba.


A associação entre a Secretaria de Cultura e a Fundação Dorina iniciou-se quando a biblioteca passou a receber o acervo em braile e com audiolivro


Desde 2014, a Biblioteca Pública Municipal Cônego Itamar Luiz da Costa participa dos encontros da Rede Leitura Inclusiva Grupo de Trabalho Santa Catarina.


A psicóloga Ana Paula Silva, coordenadora do projeto na Fundação Dorina Nowill, acredita que não basta apenas produzir e distribuir livros acessíveis.  


É necessário que o profissional esteja capacitado para oferecer o material e orientar as pessoas com deficiência visual, além de qualificar o facilitador para em seguida montar a rede de articulação com pessoas e organizações interessadas em promover a leitura inclusiva.



 
 
 

Cenas clássicas do cinema são recriadas com pessoas com deficiência








A dança oferece vários benefícios às pessoas com deficiência, como o próprio lazer, o reconhecimento pessoal e o desenvolvimento profissional. 


Assim, a ONG britânica "People Dancing", em parceria com o fotógrafo Sean Goldthorpe, criou uma série de imagens intitulada 11 Milion Reasons, em português 11 Milhões de Razões, que busca quebrar padrões através da arte.



O projeto reúne pessoas com deficiências auditiva, visual e física, e recria umas das cenas mais icônicas do cinema. 


O principal objetivo é mudar a percepção sobre a dança e as deficiências por meio de imagens positivas, e mostrar que qualquer pessoa pode ser o que quiser. 


As fotos foram capturadas em um período de três meses, em 12 locais diferentes e envolveu mais de 160 pessoas até sua conclusão

 

 

Veja a seguir fotos do fotógrafo Sean Goldthorpe





A imagem está na horizontal. Uma mulher está de costas em um palco escuro, com três holofotes virados para ela. Vestida de bailarina com uma saia de tule, seus cabelos estão presos e ela possui uma prótese na perna esquerda.
Cena de "Cisne Negro


A imagem está na horizontal e possui um fundo cinza. Um rapaz de cabelos escuros, vestindo um casaco preto, levanta pela cintura uma mulher de cabelos loiros que veste um vestido cor de rosa. Ela está com os pés bem esticados e os braços para trás.
 Cena de "Dirty Dancing - Ritmo quente"


A imagem está na horizontal, com um fundo escuro. O cenário é de discoteca, com  um globo e luzes amarelas e vermelhas. No centro da pista de dança está um homem vestido com roupas brancas em uma cadeira de rodas.
Inspirado em cena de "Os Embalos de Sábado à Noite"


A imagem está na horizontal. O fundo é escuro com holofotes de luzes azuis. No centro há cinco mulheres, todas estão vestidas de preto. A primeira, da esquerda para a direita, usa botas, possui cabelos escuros e está sentada em uma cadeira de madeira. A segunda possui cabelos escuros e longos e está sentada em uma cadeira de rodas. A terceira Possui cabelos castanhos claros e longos e está sentada em uma cadeira de madeira. A quarta possui cabelos castanhos escuros, curtos e está em uma cadeira de rodas. A quinta e última Está sentada em uma cadeira de madeira, possui cabelos castanhos claros, na altura dos ombros e possui síndrome de down.
 Inspirado em cena de "Chicago"
 


A imagem está na vertical. O fundo é claro, ao ar livre, com árvores secas e algumas casas brancas ao fundo. Está chovendo, no chão há poças de água. Há um homem negro, com deficiência visual, vestido com um terno preto, camisa branca , gravata vermelha e um chapéu preto. Ele se segura em um poste e inclina seu corpo para frente segurando uma bengala.
  Inspirado no clássico "Cantando na Chuva"


A imagem está na vertical, o fundo é dourado brilhante. Há quatro homens, todos vestidos com calças pretas, camisas brancas semiabertas e chapéus pretos. Os três primeiros da esquerda para a direita estão em pé, já o último está sentado em uma cadeira de rodas.
  Cena de "Ou Tudo ou Nada"
 





Fonte: Revista Incluir



2 de jul de 2016

Na Rússia, reabilitação com esqui ajuda pessoas com deficiência




Os programas Ski Dreams (Sonhos de Esqui) integram a reabilitação de crianças e adultos com deficiência. Com auxílio de instrutores experientes, pessoas que antes sequer podiam andar, aprenderam a esquiar, na Rússia.


A reabilitação e socialização de pessoas com deficiências é um problema agudo no país, o que torna o projeto é realmente singular. 


Quando sua filha Alice recebeu o diagnóstico de paralisia cerebral infantil, Maria Tsvetkova passou a “literalmente viver em hospitais” de Moscou, além de frequentar cursos de reabilitação na República Tcheca e na Eslováquia.


No ano passado a família optou por um novo tipo de reabilitação: o programa Ski Dreams

“Alice começou a andar. Seus calcanhares, seu andar e seus movimentos ganharam firmeza. Os cursos não são exaustivos –é um exercício agradável e interessante. Alice, que está com 6 anos, espera com impaciência enorme pelo próximo treino. Ela confia profundamente nos instrutores e presta atenção ao que eles dizem”, fala sua mãe.


Segundo dados do Serviço Federal de Estatísticas russo, em 2015 havia 12,4 milhões de pessoas com deficiência física na Federação Russa, e o número de crianças com deficiências chegava a 604 mil


De acordo com várias estimativas, entre 4,2% e 4,7% das crianças russas nascem com paralisia cerebral e outras síndromes paralíticas.


Desenvolvido por uma organização autônoma e não comercial, o programa Ski Dreams dá aulas de esqui a adultos e crianças com deficiências físicas e mentais


“Esquiar com a assistência de instrutores qualificados e com programas e equipamentos criados especialmente permite que o processo de tratamento, reabilitação e socialização seja acelerado significativamente para todas as categorias de pessoas com limitações de saúde congênitas e adquiridas no espectro neurológico, a começar dos 3 anos de idade”, diz a coordenadora do programa, Julia Gerasimova.


Ekaterina Yudina é mãe de Leo Yudin, 13, de Izhevsk, que só começou a participar do programa em fevereiro deste ano. 


Leo não vê ‘Ski Dreams’ como reabilitação”. “Aqui a gente anda, brinca e se comunica. A reabilitação é imperceptível e indolor. Não é preciso convencê-lo a ir aos treinos. A cada vez percebemos que seus movimentos estão mais confiantes, suas costas estão mais retas e sua autoestima aumenta”, ela disse.


De acordo com depoimentos da organização Ski Dreams, o programa melhora a condição dos participantes. 


Depois de duas ou três semanas de treinos, as funções motoras dos pacientes com paralisia cerebral infantil melhoram e crianças com problemas do espectro de autismo começam a comunicar-se ativamente com outros. Houve até casos de crianças com transtornos do espectro do autismo que não falavam, mas desenvolveram a fala.


O programa já recebeu o apoio do Centro Científico e Prático para a Reabilitação Médica e Social de Inválidos do Departamento de Proteção Social de Moscou, onde a avaliação científica do programa é feita sob a direção da médica Svetlana Olovets. 


Mas o projeto começou há apenas dois anos, em janeiro de 2014, quando o ator e apresentador de TV Sergey Belogolovtsev e sua mulher, a jornalista Natalya, criaram o Ski Dreams em Moscou.


Seu filho Evgeniy tem paralisia cerebral infantil há 26 anos e passou seus seis primeiros anos de vida sem andar. 


A família tentou vários métodos de reabilitação, incluindo um programa de esqui nos EUA que, inesperadamente, foi o que funcionou melhor. 


Existem programas de reabilitação de deficientes através do esqui há mais de 30 anos nos EUA, Canadá e Austrália, de modo que Sergey e Natalya Belogolovtsevi decidiram criar o primeiro projeto semelhante na Rússia.


“Nossa experiência mostra que os programas de reabilitação pela prática do esqui são especialmente eficazes com pessoas com deficiências do sistema musculoesquelético (paralisia cerebral infantil, consequências de traumas da espinha, lesões cerebrais), com autismo, síndrome de Down e também com deficiência visual ou auditiva parcial ou completa”, diz a organização.


O programa funciona hoje em 16 regiões da Rússia, de Moscou à república da Udmúrtia e da região de Ryazan a Krasnoyarsk Krai. 


Mais de 3.000 pessoas ao todo, dos 3 aos 62 anos de idade, já passaram pela reabilitação. Além dos programas de reabilitação propriamente ditos, o Ski Dreams treina voluntários e instrutores certificados


O programa é operado como franquia social: organização pública, a Ski Dreams prepara instrutores através de seus programas, manufatura equipamentos sob seu controle e vende esses equipamentos a estações de esqui, fazendo o monitoramento qualitativo e quantitativo dos serviços prestados.


Os pais pagam pelos programas pessoalmente, ou, em casos de falta de recursos, podem receber uma bolsa dos patrocinadores do programa, que são doadores privados e empresas comerciais. 


A companhia siberiana de energia à base de carvão, por exemplo, patrocinou a abertura de um centro especial de reabilitação na região de Kemerovo.


Em muitas cidades os projetos são patrocinados por estações de esqui. Em Moscou, duas sessões semanais custam cerca de 3.000 rublos (US$50) com 1 instrutor ou 6.000 rublos com 2 instrutores. Em outras cidades e regiões os preços são mais baixos. 


A título de comparação, segundo a organização, um dia de tratamento no centro ambulatorial do Ministério do Desenvolvimento Social, em Moscou, sai por 5.000 rublos (US$75).


A coordenadora do programa, Julia Gerasimova, diz que o Ski Dreams está tentando obter verbas do governo. 


“Gostaríamos muito que o programa recebesse status médico, porque seu efeito é evidente e porque pode já ter sido prescrito em programas individuais de reabilitação”, diz Maria Tsvetkova, mãe de Alice, 6.


A organização pretende aumentar o número de centros e criar um sistema de análises médicas para medir a eficácia do programa, e o Ski Dreams está procurando novos recursos e investidores para ampliar o programa, criar novos métodos de reabilitação e aprimorar os já existentes


“A ausência de verbas específicas para o desenvolvimento de programas é um dos problemas mais prementes. Esperamos atrair a atenção de potenciais ‘anjos’ empresariais que possam ajudar com isso”, diz Julia Gerasimova.






1 de jul de 2016

Isenção de IPI dos eletrodomésticos para pessoas com deficiência




Foi aprovado pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados, no último dia 15 de junho, a proposta que isenta a pessoa com deficiência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de fogões, micro-ondas, geladeiras, congeladores, máquinas de lavar roupa e de secar. Pelo texto, a isenção valerá 1 vez a cada 5 anos.

 
A mesma isenção será válida para a compra de matérias-primas, de produtos intermediários e do material de embalagem utilizado na industrialização dos produtos. 


Por outro lado, o imposto incidirá normalmente sobre quaisquer acessórios opcionais que não sejam equipamentos ou itens originais dos produtos listados.


O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Misael Varella (DEM-MG), ao Projeto de Lei 3473/2015, do deputado Alexandre Leite (DEM-SP). 


“Trata-se de reconhecer que os produtos domésticos, longe de significar um luxo, removem as barreiras para o exercício diário da vida doméstica”, afirmou Varella.


Diferentemente do projeto original, o substitutivo apresenta um texto mais enxuto. Em vez de detalhar os procedimentos para obter a isenção, o substitutivo remete sua regulamentação ao Poder Executivo, a fim de facilitar a atualização das regras, sempre que necessário.


A proposta aprovada também inclui referência à Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15), no que se refere ao conceito de pessoa com deficiência e à necessidade de avaliação biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional


A lei vigente considera pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o que pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em condições iguais às das demais pessoas.


“É importante registrar que o design de produtos domésticos cada vez mais está se adequando ao conceito de ‘desenho universal’, facilitando seu uso por todas as pessoas, inclusive aquelas com algum impedimento ou mobilidade reduzida”, avaliou.


Medidas semelhantes

 

Atualmente, as pessoas com deficiência contam com isenção de IPI na compra de veículos, concedida pela Lei 8.989/95


O relator destaca ainda que o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência Plano Viver sem Limite, instituído pelo Decreto 7.612/11, prevê medidas de isenção tributária para o desenvolvimento e aquisição de tecnologias assistivas.


“Embora os produtos da linha branca não se encaixem propriamente no conceito de tecnologias assistivas, o acesso a eles também promove autonomia, independência e qualidade de vida da pessoa com deficiência.”


Tramitação



O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será votado pelas comissões de Finanças e Tributação, inclusive quanto ao mérito; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.




 
 
 
 

Cientistas descobrem alteração genética que provoca Parkinson em crianças



Uma pesquisa internacional descobriu uma nova doença minoritária, uma alteração genética que provoca o mal de Parkinson, uma doença neurológica grave, em indivíduos em idade infantil.


O estudo, que foi publicado na revista "Nature Communications", foi codirigido pelos médicos Guillem Pintos e Wifredo Coroleu, do Serviço de Pediatria do Hospital Germans Trias, em Badalona, no nordeste da Espanha, e liderado pelos departamentos de Genetics and Genomic Medicine e de Cell and Developmental Biology da University College of London.


A nova doença é uma mutação genética que afeta o funcionamento de um transportador de manganês que provoca transtorno neurológico degenerativo grave parecido com o Parkinson em crianças.


Os pediatras espanhóis descreveram um dos oito casos que até o momento são conhecidos no mundo.


Segundo o Hospital Germans Trias, o transportador chave neste estudo é o chamado 'SLC39A14', que tem uma função primordial no transporte e no equilíbrio do manganês no ser humano e também em outros vertebrados.


O acúmulo de manganês produz mudanças importantes na regulação neuromuscular que determina um transtorno de movimento (distonia), um processo que o estudo comprovou no peixe-zebra.


É por isso que os médicos batizaram a patologia com o nome de 'distonia-parkinsonismo de início infantil com hipermanganesemia'.


Este trabalho faz parte da linha de pesquisa clínica em doenças genéticas minoritárias (metabólicas e neuromusculares) que é realizada no Serviço de Pediatria do Hospital e no Instituto de Pesquisa Germans Trias.

 
Esta nova doença descrita apresenta mudanças na ressonância magnética cerebral, e alterações neurodegenerativas que foram demonstradas nas amostras de tecido cerebral obtidas de um paciente do Germans Trias.


A descoberta da origem dessa alteração genética permitiu encontrar um tratamento eficaz baseado na utilização do edetato dissódico de cálcio, uma substância que atua eliminando o excesso de manganês do sangue e dos tecidos.


A deterioração neurológica progressiva pode ser contida, e inclusive revertida, através desse tratamento, que garante uma melhor qualidade de vida.


Segundo o hospital, o paciente do Germans Trias foi atendido no centro médico antes da descoberta da origem genética dessa doença, e de seu consequente tratamento, por isso não pôde se beneficiar a tempo dos resultados da pesquisa.


No momento da publicação do estudo, três das oito crianças já tinham morrido, mas, no caso do paciente do Germans Trias, a causa foi um processo agudo não relacionado diretamente com a doença de base.


A família da criança morta em Badalona deu seu consentimento para a utilização dos dados de seu histórico clínico e de amostras biológicas de seu filho para a pesquisa, o que, segundo os médicos, "contribuiu de maneira definitiva para o descobrimento da nova doença".


As doenças minoritárias são a causa de 35% das mortes de crianças com menos de um ano de idade e de 10% das mortes das com entre 1 e 5 anos.


Os especialistas calculam que entre 6% e 8% da população estaria suscetível a alguma das mais de 8 mil doenças minoritárias existentes.