28 de set de 2016

Menina de 12 anos cria app para ajudar avó com Alzheimer



Começaram com telefones e endereços, partiram para aniversários e idades – a avó não se lembrou do aniversário do filho nem da idade da neta – até chegarem aos rostos dos parentes. Foi aí que a menina decidiu agir.


Filha de uma matemática e de um engenheiro de software, ela investiu no desenvolvimento de um aplicativo que pudesse ajudar a avó. E criou o Timeless – ou Eterno, em português.


O app é uma espécie de rede social para pessoas com demência. É possível convidar amigos e parentes a se juntarem ao grupo.


Uma das seções criadas pela menina é a "Quem É Você". Basta fotografar o rosto de uma pessoa para que a app identifique quem é ela e qual a relação com o paciente.


Para os casos em que o paciente esquece quem é ele próprio, o que acontece quando as doença chega a estágios avançados, Emma desenvolveu a seção "Eu". Ela traz nome, idade, telefone, endereço e foto.


Há ainda uma área com hora, data, previsão do tempo e eventos. Quem inclui as tarefas é o cuidador.


E, se a pessoa com demência tentar telefonar para alguém com quem já falou nos últimos cinco minutos, o Timeless pergunta: "Quer mesmo fazer essa ligação?".


Para acessar o aplicativo, não é necessário login e senha. Basta usar os dedos – o ingresso é feito por impressão digital.


O desenvolvimento do Timeless foi feito com a ajuda de um médico. Agora Emma está na fase de testes.




 

Cães-guias ajudam casal de cegos a se apaixonar




Verdadeiros anjos na vida de pessoas com deficiência visual, os cães-guias do advogado Genival Santos, 37, e da cientista de dados Katia Antunes, 33, podem ser considerados cupidos.


O casal, que mora em São Paulo, se aproximou, se apaixonou e se casou graças a um outro encontro amoroso, o de seus cães-guias: a labradora com golden retriever Leila, 10, e o labrador caramelo Sam, que vieram juntos, de Michigan, nos EUA, para serem a retomada da “luz dos olhos” dos dois.


“Fomos buscar os cães nos EUA, por meio do Instituto Iris, na mesma época [em 2006]. Durante os treinamentos de comando do cão, de até 12 horas por dia, aproveitava para paquerar a Katia, enquanto o Sam brincava com a Leila”, diz Genival.


Já no Brasil, o casal foi estreitando laços no intuito de “tirar dúvidas” sobre cuidados com os peludos. Acabaram se casando há cinco anos e juntando a cachorrada.


“Brinco que, hoje, os cães são mais ligados que eu e meu marido. Um não larga o outro. A Leila faz o Sam até de travesseiro”, conta Katia, que perdeu totalmente a visão há seis anos. Ela chegou a conhecer visualmente os traços do marido.


Segundo o relato de Genival, é “muito amor envolvido” entre cães e gente.


“Chego mais cedo em casa com a Leila e ela fica aguardando o Sam e a Kátia. Não sei como, mas quando eles estão há uns 500 metros do portão ainda, ela consegue saber que estão se aproximando e fica inquieta.”


A importância dos cães para a dupla é tão grande que até a casa onde moram atualmente foi escolhida para acomodar com conforto a dupla canina. Tem quintal, um quarto só para eles e muito espaço para correria.


Aposentadoria



Juntos, os quatro já foram para Argentina, Portugal, Uruguai e zanzaram de norte a sul do Brasil. Agora, Katia e Genivaldo se preparam para um momento delicado, o de aposentar seus bichos.


“O Sam ainda consegue manter a rotina de trabalho comigo normalmente, mas o ritmo está diminuindo. Ele está mais cansado e em breve terá de parar”, conta a dona.


A cadela Leila também sente as dores do tempo. Até para ser escovada, pela manhã, sente um incômodo na coluna. 


“Eles estão muito acostumados com o contato com gente o tempo todo. Quando aposentarem, teremos de ter uma auxiliar em casa para fazer companhia a eles ou terão de ficar na casa da avó [da sogra]”, afirma o dono.


Mesmo com a chegada dos novos condutores de seus passos, o que ainda não tem data prevista, Katia e Genival não vão abrir mão da antiga dupla de cães e cupidos.


“Fiquei cego aos 17 anos e vivi muitos momentos de revolta. Odiava a minha condição. A Leila veio trazer esperança, nova vida e nova visão, literalmente. É mais do que justo darmos uma velhice digna para nossos cães.”


Nos próximos anos, a cachorrada vai se juntar a um bebê, plano futuro do casal.


“Estamos planejando tudo muito bem. Primeiro, vamos resolver a questão dos novos cães, depois, tentamos um bebê”, diz Katia.


Pelo Censo 2010 do IBGE, o Brasil tem 582.000 pessoas cegas e outras 6,5 milhões com baixa visão. Estimativas não oficiais dão conta que entre 100 e 150 deles têm acesso a um cão-guia, que tem valor de treinamento estimado em até R$ 60 mil.



Foto: Bruno Sanches/Folhapress


 
 
 

Gol amplia acessibilidade com equipamento inédito no Brasil





Uma solução simples encontrada pela Gol para garantir a seus passageiros, inclusive pessoas com deficiência, acessibilidade, independência e segurança no embarque e desembarque de aeronaves foi apresentada nesta terça-feira, 27, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

 
Trata-se de uma rampa móvel que chega aos aviões com facilidade, não precisa de motor para funcionar e permite a quem usa cadeiras de rodas, passageiros com grandes malas ou pessoas empurrando carrinhos de bebê acesso rápido, confortável e seguro.


No Brasil, a Gol é a primeira companhia aérea a usar esse tipo de rampa, mas o equipamento já é encontrado e alguns dos principais aeroportos do mundo. 


]Além da fácil mobilidade, a rampa tem uma cobertura que protege os usuários da chuva, algo que parece óbvio, mas muitas vezes é esquecido. E sua iluminação é limpa, fornecida por energia solar, com autonomia de até 24 horas com as baterias totalmente carregadas.


Promover a ampliar a acessibilidade em aeroportos é uma missão complexa, que exige muito mais do que boa vontade. Existem muitas regras de segurança que devem ser obedecidas. E também normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).


“Cada aeroporto tem um tipo de restrição, de limitação. São os ‘envelopes de segurança’ que nós precisamos respeitar. Essa rampa poderia ter uma inclinação muito menor, mas isso a tornaria mais larga e ela iria invadir o espaço do box de outra aeronave”, explica Keila Macedo, coordenadora do setor de Above The Wings (Acima das Asas) da Gol.


“E as normas da ABNT são diferentes para cada aspecto do equipamento. Nosso principal ponto de atenção foi a inclinação. A primeira versão da rampa tinha um ângulo muito elevado e a experiência de acesso, principalmente para os cadeirantes, não era favorável”, diz a especialista.

A companhia usa o equipamento em Congonhas e no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, desde agosto, com o teste real feito durante os Jogos Olímpicos e Paralímipicos Rio 2016. A meta é ampliar a quantidade.


“Nossa intenção é aumentar o número de rampas no próximo ano, mas precisamos definir quais serão os locais mais adequados para levar esse tipo de equipamento.Ainda não definimos os números porque isso também depende de uma integração com o aeroporto, porque precisamos de um local para guardar o equipamento”, afirma o diretor de operações aeroportuárias da Gol, Randall Aguero.


Fonte: Blog Vencer Limites 


 

27 de set de 2016

Mais de 35% das vagas exclusivas para Pessoas com Deficiência não são preenchidas no RS




No Rio Grande do Sul, 35,76% das vagas exclusivas para Pessoas com Deficiência não são preenchidas. Em Porto Alegre, esse índice é de 34,88%


Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de julho de 2016 e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2015.

 
De acordo com a auditora fiscal do trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no RS (SRTE/RS), Ana Maria Machado da Costa, o não preenchimento das vagas exclusivas deve-se às exigências das empresas e não à inexistência de trabalhadores.


“No último Censo realizado, 23,92% dos brasileiros declararam possuir pelo menos um tipo de deficiência, entretanto esse contingente corresponde a menos de 0,8% dos trabalhadores com vínculo formal de emprego no país. As empresas querem um perfil de trabalhador muito excludente, que aceita apenas pessoas com deficiência leve”, explica.


Ana Costa, que também é coordenadora do Projeto Estadual de Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho, ainda acrescenta que falta acessibilidade nas empresas, tanto arquitetônica quanto de comunicação. 


“A contratação de pessoas com deficiência exige a realização de adaptações, acessibilidade e conhecimento de libras, por exemplo”, afirma.


Para o chefe da Seção de Inserção no Mercado de Trabalho da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), Ademilson Arruda, as empresas cumprem uma função social ao inserir trabalhadores com deficiência no mercado de trabalho. 


“As empresas devem investir nos bons profissionais, independente de suas limitações, uma vez que todos têm limitações, tanto os trabalhadores com como os sem deficiência”, alerta.


Ana Costa destaca que, apesar de ainda sobrar vagas exclusivas, vem aumentando o número de pessoas com deficiência inseridas no mercado de trabalho e que o crescimento desse contingente é superior ao de pessoas sem deficiência. 


Ela cita dados da RAIS, que mostram que, em 2010, havia 306.013 pessoas com deficiência e reabilitadas com vínculo formal de emprego no Brasil. Em 2014, esse contingente subiu para 381.322.


“Antes da Lei de Cotas quase não se via pessoas com deficiência no mercado. A lei foi criada há 25 anos, mas continua muito atual. Ainda existe preconceito e, geralmente, a empresa se preocupa em cumprir a lei, quando é procurada pela fiscalização”, afirma.


Segundo a auditora, 2.342 empresas se enquadram na Lei de Cotas no Rio Grande do Sul e 534, em Porto Alegre, ou seja, possuem 100 ou mais funcionários.


A lei 8.213/91 estabelece a reserva de vagas de emprego, em empresas com 100 ou mais funcionários, para pessoas com deficiência ou que sofreram acidente de trabalho, beneficiárias da Previdência Social (reabilitadas). As cotas variam de 2% a 5%, conforme o número de colaboradores da companhia.



Dia D



Para aproximar empregadores e trabalhadores com deficiência e promover a inserção desse público no mercado de trabalho, a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), através das agências FGTAS/Sine, realizou no Dia Nacional de Contratação das Pessoas com Deficiência em 23 de setembro.


Na data, foram realizadas entrevistas e seleções de emprego exclusivas para trabalhadores com deficiência e reabilitados do INSS, além de atividades de orientação profissional e previdenciária. O evento é promovido nacionalmente pelo Ministério do Trabalho.


Vagas exclusivas para Pessoas com Deficiência



As agências FGTAS/Sine dispõem de 442 vagas exclusivas para Pessoas com Deficiência. Desse total, 51,35% não exigem experiência. 


As funções com o maior número de vagas são:


  • Alimentador de Linha de Produção (109);
  • Auxiliar de Escritório em Geral (51);
  • Faxineiro (33);
  • Almoxarife (26); 
  • Embalador a Mão (17). 


Com relação à escolaridade, 24,89% exigem Ensino Fundamental incompleto; 23,98%, Ensino Médio completo; e 14% Ensino Fundamental completo. 


O salário da maioria das oportunidades varia de R$ 880 a R$ 1.760


Os municípios com o maior número de vagas são: 

  • Porto Alegre (104); 
  • Farroupilha (58);
  • Canoas (43);
  • Alegrete (32).


Na capital, para 68,27% das vagas não é necessário experiência. Do total de 104 vagas, para 42,31% a exigencia é de  Ensino Médio completo; 23%, Ensino Superior completo; e 19,23% Ensino Fundamental completo. Os salários variam de R$ 880 a R$ 4.400.


Trabalhadores interessados em se candidatar às oportunidades devem comparecer à agência FGTAS/Sine mais próxima com Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). 


Os endereços e horários de funcionamento das unidades estão disponíveis no site da FGTAS.



 
 
 

Superprodução inclusiva leva Dom Quixote aos palcos





Pioneiro no Brasil no trabalho educacional voltado à pessoas com deficiência, o Instituto Ser apresenta uma superprodução do clássico literário de Miguel de Cervantes, Dom Quixote de La Mancha, no Theatro Municipal de Paulínia. 


Adaptação musical, com base na metodologia pedagógica do Instituto Ser, a transdisciplinaridade, o espetáculo levará ao palco 60 pessoas com deficiência, com idades entre 5 e 45 anos e, entre eles, bailarinos profissionais, atores e músicos, totalizando mais de 150 pessoas.


A apresentação de Dom Quixote acontece nos próximos dias 26/09 e 27/09, no Theatro Municipal de Paulínia, sendo que o primeiro dia será voltado exclusivamente a alunos de escolas das redes pública e particular da região, em uma iniciativa inédita e admirável de conscientização. 


De acordo com Cláudia Dubard, diretora do Instituto Ser, o musical é uma forma de mostrar o melhor de cada uma das pessoas envolvidas no espetáculo. 


“É de extrema importância essa interação social através da fala, da dança e da música, e o quanto tudo isso agrega ao tratamento para as pessoas com TEA Transtorno do Espectro do Autismo. Somamos ações que contemplam o tratamento”, comenta.
  

O clássico narra a história de um fidalgo sonhador que resolve ser um cavaleiro andante e se transforma no famoso Dom Quixote de La Mancha. É um protagonista que faz rir, sorrir e possui o dom  de colocar em sintonia duas dimensões da vida, o sonho e a realidade.


A idealização do espetáculo oferece aos envolvidos nos processos de preparação, entre crianças, jovens e adultos, a oportunidade de mostrarem suas habilidades artísticas por meio da dança, música e teatro e nesse sentido, a arte contribui com o tratamento da saúde mental. 


“A superprodução nos envolve e leva a refletir sobre a real arte de incluir”, diz Cláudia.

Para cenografia e adereços, o Instituto Ser contou com o envolvimento e participação do artista plástico campineiro Jucan Cândido e do famoso cenógrafo Jésus Sêda, além da participação de Emerson Mosca nos figurinos. 


“Para a inclusão, mostramos o melhor de nossas ações e a interação com elas nos mostram resultados extraordinários”, conclui Cláudia.


O Dom Quixote para o Instituto Ser possibilitou uma releitura da obra, nos seus conceitos sobre relacionamentos e valores humanos.


“Eles trabalharam a literatura, estudaram sobre Miguel de Cervantes, os costumes, vestimentas, valores da época e atualidade. Há um processo de envolvimento e comparação para, então, darmos início à produção do espetáculo em si. Só aí trabalhamos como será a composição da peça, cenário e figurino. Eles têm participação ativa em todos os processos”, declara Cláudia.


Além do espetáculo, o público também poderá conferir uma exposição com trabalhos artísticos desenvolvidos pelos educandos em diferentes momentos do estudo e atividade sobre a obra Dom Quixote. 


São quadros, esculturas e objetos de autoria e expressão dos educandos sobre o personagem, sendo que o resultado dessas oficinas representa o que conseguiram reter do processo.



O valor do ingresso varia de R$ 30,00 a R$ 60 reais.


Para mais informações, ligue (19) 3272-2520 ou acesse: www.institutoser.com.br





 

Startup apresenta serviço inédito de análise genética para autismo



Idealizada por cientistas brasileiros, a TISMOO chega ao mercado para revolucionar o diagnóstico e tratamento de doenças genéticas.  


Dedicada exclusivamente a análises genéticas com foco em perspectivas terapêuticas personalizadas para o Transtorno do Espectro do Autismo e outros transtornos neurológicos de origem genética.


A startup de biotecnologia oferece a possibilidade de uma medicina cada vez mais personalizada, alimentando as pesquisas e buscando melhorar as formas de tratamento. 


Para isso, combinam tecnologias de genômica, células-tronco e edição genética, aliadas a soluções de tecnologia baseada em nuvem. 


A ideia é que, em um futuro não tão distante, as pessoas tenham acesso a informações genéticas que possibilitem abordagens clínicas com mais precisão, possibilitando que os médicos atuem nos pontos específicos do problema.


Assim, pretende, por meio da modelagem celular e edição genética, criar uma nova plataforma para a análise funcional das alterações dos genes e, desta forma, desenvolver e testar novos medicamentos em mini-cérebros derivados diretamente dos próprios pacientes e produzidos em laboratório, auxiliando a clínica.


O projeto é desafiador e ambicioso, pois a ideia é trazer técnicas e estudos de ponta, restritos a universidades, e colocá-los em prática hoje para o benefício clínico dos indivíduos afetados. 


Além do Transtorno do Espectro do Autismo, a TISMOO também se dedica a estudar outros transtornos neurológicos de origem genética, como a Síndrome de Rett, Síndrome de Timothy, Síndrome Frágil X, Síndrome de Angelman e a Síndrome de Phelan-McDermid.


Para mais informações, ligue (11) 3251-1964 (Falar com Priscylla) ou acesse:www.tismoo.com.br







Surdos rompem barreira do silêncio e viram empresários





No dia 26 de setembro, foi celebrado o Dia Nacional do Surdo e de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1,1% da população brasileira tem algum tipo de deficiência auditiva. 


Em 2010, Sergipe possuía 3.278 pessoas com surdez total, 20.108 tinham grande dificuldade e 88.376 têm algum tipo de deficiência auditiva.


Por muito tempo, esta parcela da sociedade viveu presa a preconceitos e a margem das políticas sociais. Aos poucos, ela conquista espaços significativos chegando a postos antes só alcançados por pessoas sem deficiência.


Há cerca de oito meses, Breno Nunes, de 23 anos, que é estudante de Letras Libras encarou o momento de recessão da economia brasileira e abriu uma gelateria na capital sergipana. 


“Realizei meu sonho. Sempre falei para os surdos que nós podem ser aquilo que desejamos, até ser empresário. O surdo pode tudo, precisa apenas de conhecimento e oportunidade”, declarou emocionado.


Antes de tirar a ideia do papel, ele fez pesquisa de mercado, passou por cursos e consultorias fora do estado e só então escolheu o negócio. 


A empresa dele não é espaço apenas para ganhar dinheiro e sim quebrar preconceito, mostrar que ser pessoa surda não é ser incapaz.


“Quero que a gelateria seja uma marca capaz de representar a inclusão do surdo de forma produtiva, além de ser meio de integração entre surdos e ouvintes. Quero quebrar o preconceito em relação à capacidade empreendedora da nossa comunidade”, pontuou o jovem.


Apesar da pouca experiência no ramo de administração, Breno aprendeu rápido a lição do mercado. É ele quem produz, vende e administra o pequeno negócio que tem dois funcionários. Com o empreendimento ganhando novos clientes a cada dia, ele já faz planos.


“Atualmente penso em sempre ter mais pessoas surdas trabalhando comigo e no futuro quero franquear a abertura de gelaterias em outras localidades”, disse.


Para a professora e escritora Rita Souza, que tem pós doutorado em inclusão social, a comunicação ainda é o maior entrave enfrentado pela comunidade surda no momento de pleitear uma vaga no mercado de trabalho, mesmo demonstrando ao longo da história que são capazes.


“Eles têm cada vez mais montado seus próprios negócios porque nem sempre conquistam espaço no mercado de trabalho, mas têm clareza sobre suas potencialidades”, afirmou Rita.


Foi o que ocorreu com Renata Barbosa, 38 anos, que é formada em designer gráfico e pós graduada em Libras.


“Tive a oportunidade de trabalhar em uma empresa, porém, os demais funcionários não conseguiram ou não tinham interesse em interagir comigo”, lamentou.


Há 8 anos ela abriu uma empresa de serviços de fotografia e diagramação de álbuns. Ela conta que a barreira da comunicação foi superada, mas ainda enfrenta muito preconceito quando é chamada para fazer um trabalho.


“Nossa maior dificuldade está nas pessoas confiarem no trabalho da pessoa com deficiência auditiva. Elas ainda não estão preparadas para lidar com a gente. Infelizmente estamos longe dessa tão falada inclusão social. Muito embora, os clientes que já nos contrataram e nos elogiaram como profissional”, relata Barbosa.

Renata trabalha com duas pessoas com deficiência auditiva, além de uma ouvinte que ajuda na comunicação com os clientes interpretando a Língua Brasileira de Sinais (Libras). 


“Na adolescência já havia feito um curso de fotografia e comecei trabalhando como freelancer para vários fotógrafos. Depois resolvi trabalhar na área”, contou.


Quem já se deixou ser fotografada pelas lentes da Renata mostra satisfação pelo resultado. 


“Gostei muito do trabalho dela que fez algumas fotos minhas e para o jornal do qual sou diretora. Agora, minha filha contratou os seus serviços da Renata para fazer o ensaio fotográfico dos 20 anos.Quanto a deficiência não tivemos problema algum e o tratamento foi bem melhor do que muitos ouvintes. É lamentável que muitas pessoas ainda tenham preconceito. Renata é uma grande profissional”, declarou a jornalista Aída Brandão.

Organizados



A comunidade surda da capital de Sergipe mostra-se bastante atuante e organizada em grupos como o Centro de Surdo de Aracaju (CESAJU), que é uma instituição sem fins lucrativos, fundada em agosto de 2013, comprometida com a defesa dos direitos das pessoas surdas.


O Centro também atua no desenvolvimento intelectual e profissional da cultura surda através de palestras de motivação e cursos que ajudam na qualificação e entrada no mercado de trabalho.


Força da Lei



Nos últimos anos, algumas empresas da Grande Aracaju passaram a desenvolver programas de inclusão social adotando em seus quadros de colaboradores pessoas com deficiência.


Muitas motivadas pela Lei 8.213/1991 que obrigava as empresas com 100 ou mais empregados a destinar de 2% a 5% das vagas as pessoas com deficiência.


Atualmente, uma empresa de peças automotivas instalada em Nossa Senhora do Socorro mantém no quadro de funcionários 80 pessoas com deficiência, sendo 35% com algum tipo de deficiência auditiva.


Para reforçar a luta das pessoas com deficiência, em janeiro de 2016 entrou em vigor no Brasil a Lei 13.146, também conhecida Lei Brasileira de Inclusão (LBI), que assegura os diretos da pessoa com deficiência


“Ela coloca a pessoa com deficiência num nível de respeito. Retira a ideia de deficiência associada a doença e a põe num patamar da pessoa humana”, explica o representante do Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência, Beto Pereira.

Antes dela, a comunidade surda do país já tinha conquistado alguns avanços que ajudaram no processo educativo e consequentemente abriram portas no mercado de trabalho.


Em 2002, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida pela Lei 10.436 como a segunda língua oficial do Brasil e regulamentada pelo Decreto 5.626 de 2006.