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22 de abr. de 2016

Biblioteca Braile oferece possibilidades de inclusão social a cegos em Manaus




Desde 2006, Nilo Lopes, de 47 anos, aprende a lidar com a deficiência visual. Porém, das terças às sextas-feiras dos últimos cinco anos, o ato de enxergar criou outro significado. 


O olhar não faz falta nenhuma”. 

É assim que o técnico eletrônico industrial se sente na Biblioteca Braile do Amazonas, localizada no Bloco C do Sambódromo, no Dom Pedro, zona Centro-Oeste de Manaus.


O acervo da Biblioteca conta com mais de 1000 livros em braile, 4.020 livros falados ou no formato audiolivros, 102 filmes com audiodescrição e 25.000 livros digitalizados


Outra atração são as aulas de violão, às quartas e sextas, e de teclado, às terça e quinta. 


“Aqui, tocando música, a gente nem pensa na deficiência. A gente ouve o que tá vindo do coração e é uma satisfação”, conta Nilo que frequenta a Biblioteca Braile há cinco anos e sente como se fosse parte de sua casa".


O local possui 290 cadastros. Além de frequentar o local, as pessoas podem emprestar os livros e combinar com a gente para o dia de entrega. 


"Atendemos desde crianças, mas o nosso maior público é o infanto juvenil até idosos. As pessoas sentem a acessibilidade e, com isso, ficam mais confortáveis”, conta a assessora administrativa da Biblioteca, Karen Cordeiro. 


Sobre os livros do local, a assessora destaca que estes são doados pela Fundação Dorina Nowill e também produzidos pela própria biblioteca. Obras de ficção contemporânea, literatura brasileira e técnicos se destacam no acervo. 


“Também fazemos a adaptação do livro de tinta para braile ou em formato de áudio que ficam no nosso acervo. Muitas pessoas utilizam esse recurso de tradução, pois os livros disponibilizados pelas faculdades ou cursos não são acessíveis. Gratuitamente realizamos essa conversão”, explica Cordeiro, acrescentando que o tempo de produção depende do formato entregue e do tamanho da obra.

Quem já teve auxílio das produções foi historiadora Renata Moraes, 32. Após frequentar o local há mais de dez anos e usufruir do acervo, ela começou a trabalhar na biblioteca. 


“Sou formada em História e tenho a vontade de ser professora de braile. Os livros me ajudaram quando estudei para concursos e também em estudos para a pós graduação. Aluguei livros sobre a Constituição Federal, Direito Legislativo e Informática”, conta.


A Biblioteca também oferece curso de braile gratuito no horário de funcionamento da biblioteca, de segunda a sexta de 8h às 17h. Os interessados podem realizar o agendamento através do contato (92) 3622 0869.

 

Voluntários



O coordenador da Biblioteca Braile, Gilson Pereira, que também é deficiente visual, conta que o local busca voluntariados para agirem como ledores, aqueles que leem os livros para a gravação das obras do acervo. 


“O voluntário vem aqui, realiza um teste de leitura e pode gravar um livro que é demandado. Hoje, temos duas, para as outras obras são utilizados a voz sintetizada pelo computador, mas confesso que a humana é bem melhor, pois consegue ser mais fiel ao que está escrito”, explica.

Parcerias

 

Pereira destaca que voluntários já aturam em outras parcerias do local. Fundada em 1999, a Biblioteca era focada em criar e expandir o acervo. Já a partir de 2003, o foco da casa passou a dar apoio aos deficientes visuais entrar na Universidade Estadual do Amazonas.


“Nós tínhamos grupos de voluntários ledores de diversas matérias para o grupo de estudo para o vestibular. Em 2004, o primeiro adentrou. No total, naquele ano a UEA tinha 28 alunos cegos e de baixa visão. A partir de 2009, a tarefa era implantar nos espetáculos do Teatro Amazonas a auto descrição. Vale destacar que aquele preconceito do cego como coitadinho já passou, hoje só não lê quem não quer”, diz Gilson.






15 de mar. de 2016

Jornal do Senado chega à 80ª edição em braile



Senado publicará neste mês a 80ª edição da versão em braile do Jornal do Senado

Distribuída gratuitamente a entidades voltadas às pessoas com deficiência e bibliotecas — inclusive de Portugal — que tenham cegos como leitores, a publicação é um resumo das matérias e reportagens sobre os assuntos mais relevantes da atividade legislativa do mês anterior. 


Não há nenhum custo de envio pelos Correios, que não cobram a postagem por ser uma publicação em braile.

A proximidade das informações com a realidade dos leitores é o principal critério para escolha das matérias. Por isso, ganham destaque temas que tratam dos direitos das pessoas com deficiência, explicou o diretor-adjunto da Secretaria Agência e Jornal do Senado, Flávio Faria. 

"Nós tentamos equacionar o interesse deles com os acontecimentos mais relevantes, com base no que é publicado no jornal, visto que não temos condições de publicar em braile um jornal diário ou semanal, devido ao processo de produção ser demorado", disse.

 

Segunda edição

 

A Fundação Dorina Nowill, localizada na cidade de São Paulo, é uma das 160 instituições que recebem mensalmente a versão em braile do jornal. 

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Na biblioteca da entidade, a publicação fica exposta na recepção, disponível para os mais de 1,5 mil cegos que frequentam o local.
 
A coordenadora da biblioteca, Renata Lopes, relata que, além do Jornal do Senado, há somente mais uma publicação em braile com notícias factuais. 

"Nós lutamos para que as pessoas com deficiência tenham acesso à leitura, cultura e lazer, a fim de gozar da vida plena. Então o Jornal do Senado em braile contribui de uma forma inclusiva muito bacana, já que a informação deveria ser igual para todos", disse a coordenadora.
 

No primeiro dia útil do mês, a edição em braile começa a ser montada. São selecionadas entre 25 e 30 reportagens, entre as notícias publicadas na versão diária do Jornal do Senado, que passam por uma segunda edição. 


O material é então enviado ao Serviço de Impressão em Braile, da Secretaria de Editoração e Publicações (a gráfica do Senado), onde é transcrito para o braile com o auxílio do software Braile Fácil.
 

Posteriormente, é preciso adequar o texto às normas de linguagem impressa em alto relevo, segundo a chefe do Serviço de Impressão em Braile, Marinete Brito. 

"A primeira impressão em alto relevo passa por uma revisão, feita pelos nossos colaboradores cegos. Após alguma correção, toda a tiragem é impressa", explicou Marinete. Todo o processo leva entre cinco e sete dias.
 

História



A versão em braile do Jornal do Senado nasceu em 2009. Com o tempo, o produto foi se aperfeiçoando conforme a necessidade do público leitor, de acordo com Flávio Faria. 


Em 2012, um leitor cego alertou para a dificuldade em tatear o jornal que, na época, utilizava a encadernação em brochura. 


"Ele também disse que não conseguia ler as matérias no ônibus porque o jornal não dobrava. São observações que a gente, que não possui deficiência visual, não imagina. Ele nos alertou e, na edição seguinte, adotamos a encadernação em espiral, sugerida por ele", afirmou o diretor-adjunto.
 

A localização e o formato da impressão em braile na capa, com informações sobre a edição, também mudaram. Antes horizontal e na parte inferior, passaram a ser vertical e à esquerda, o que facilita a sua localização pelos leitores cegos que procuram pela publicação nas estantes da biblioteca.
 
 
A redução dos textos também foi uma sugestão recebida e colocada em prática. Uma reportagem do Jornal do Senado, se publicada na íntegra, pode ocupar de cinco a seis páginas impressas em braile. 


Decidiu-se, então,  acrescentar um número maior de notícias mais curtas em vez de textos longos. 


Para este ano, nós estudamos dar mais espaço para determinadas informações, visto que a leitura estava muito resumida e houve reclamações sobre a ausência de detalhes. 

"O desafio é chegar a um formato em que a reportagem  não seja muito longa, mas, ao mesmo tempo, tenha informações suficientes para a plena compreensão da notícia", disse Flávio.