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22 de ago. de 2014

Eventos pelo Brasil marcam a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla

 

No período de 21 a 28 de agosto, comemora-se, em todo o Brasil, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. 


Esta data tem o objetivo de ressaltar a importância de entender e discutir conceitos, ideias, sugestões e temas relacionados com a vida de pessoas com deficiência intelectual e múltipla. Neste ano, o tema é Construindo uma história de igualdade e de oportunidade para todos.


Segundo o último Censo, realizado em 2010, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), o Brasil possui mais de 45,6 milhões de pessoas com alguma deficiência (23,9% da população do país). Das quais, a deficiência mental ou intelectual foi declarada por mais de 2,6 milhões de brasileiros, cerca de 1,4% da população brasileira.


Aproveitando o tema, a Federação Nacional das Apaes (Apae Brasil) lançou em julho de 2014 o Manual dos Direitos da Pessoa com Deficiência Intelectual, que tem o intuito de promover para as pessoas com deficiência e seus familiares esclarecimentos acerca dos seus direitos e para o verdadeiro exercício da cidadania. 


Este manual foi desenvolvido pela Assessoria Jurídica da instituição com uma linguagem de fácil compreensão. Clique aqui para fazer o download.
 
Pelo país, muitos municípios e instituições estão promovendo ações em prol desta importante parcela da sociedade:


São Paulo

 
Itu
 

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Itu promove, de 21 a 30 de agosto, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. 


Como parte da programação haverá a palestra "Linguagem do corpo e leis universais para a autocura" com Cristina Cairo. 


Na palestra, Cristina explica como ocorrem os acidentes, as doenças e como fazer para neutralizar este processo, descobrindo o caráter e a personalidade por meio do formato do corpo, dando dicas para uma boa saúde e uma vida bem melhor. O trabalho visa o equilíbrio físico, emocional e mental através da mudança comportamental. 


Os interessados podem fazer inscrição pelo telefone (11) 4022-4604 ou pelo e-mail secretaria@apaeitu.org.br


No dia 29 ocorrerá o Dia da Beleza, em parceria com o Espaço Hinode de Itu. Além das atrações, durante todo o dia haverá pinturas faciais e sorteio de produtos do Espaço. 


E para os alunos e usuários da APAE terá distribuição de meias doadas pela Empresa Têxtil Santa Rita e distribuição de sucos e gelatinas com o apoio da Lual Alimentos.


Confira a programação completa:


25/08 – manhã e tarde - Atividade externa com os alunos e usuários

 
26/08 – 12 às 16h30  - Bazar Clube de Mães na APAE de Itu
 
27/08 – 8 às 13h30 -  Visita dos alunos do curso de Enfermagem do Ceunsp de Itu
 
28/08 – 9 às 14 horas - Apresentação dos cães da Guarda Civil Municipal de Itu e  Palestra: “Cuidar dos Cães” com Drª Natali
 
19 horas - Palestra: “Linguagem do corpo e leis universais para a autocura” com Cristina Cairo

29/08 – 9 às 14 horas - Visita do Corpo de Bombeiros de Itu
 
10 às 17 horas  - Dia da Beleza com: limpeza de pele, limpeza de mães e peeling capilar gratuitos
 
10 às 15 horas - Apresentação com as artistas circenses Ana Cristina e Jéssica Dario da Cia Circenses Sweet Lira.
 
13 horas  - Show com o cantor Yohan Mota



30/08 – 21 às 03 horas - Tradicional Noite do Queijo e Vinho e  Show da Banda Eros


Piauí
 
Teresina
 

Dentre as atividades programadas para a semana, as práticas esportivas ganharão destaque, levando a população que possui alguma deficiência à competições de basquete, tênis, futebol, vôlei, dentre outros esportes. 


A ação faz parte do projeto Desporto Acessível, realizado pelo segundo ano na Nova Potycabana. Esta edição acontecerá no dia 22, no horário de 16h às 19h e contará também com atrações culturais.


Em 25/08, haverá um evento organizado pelas Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais do Piauí (Apaes PI), que contará com diversas atividades, dentre apresentações culturais, jogos, passeios e bazares. 


Será na Apae do bairro Piçarra e se estende até o dia 28, cujo encerramento será realizado na Nova Potycabana.

Alagoas
 

Maceió
 

Numa parceria entre a Prefeitura de Maceió, por meio da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), e o Governo do Estado, será realizada, de 18 a 24 de agosto, a 18ª Semana da Pessoa com Deficiência Física. O objetivo do evento é disseminar a inclusão social de pessoas com deficiência, por meio da prática esportiva.


O cronograma de atividades terá início com o primeiro “Curso de iniciação ao esporte paralímpico”, ofertado pela Semel. 


As aulas, que se estendem de segunda-feira (18) até quarta-feira (20), serão ministradas pelos técnicos do Comitê Paralímpico Brasileiro em três modalidades: atletismo, natação e futebol de sete.


A programação do evento continua, no sábado (23), com o dia do Lazer na Praia. A equipe técnica da Semel, composta por educadores físicos, além de professores voluntários, vão ofertar atividades de recreação, frescobol, futebol amputados, frisbee, voleibol sentado e bocha adaptado, a partir das sete horas da manhã, nas quadras de esporte da Praia de Pajuçara, em frente ao antigo Beer CRB.


O encerramento das atividades acontece no domingo (24), na Praça do Centenário, no bairro do Farol, durante o “Lazer na Praça”. No local, os portadores de deficiência física, atendidos por várias associações, poderão expor seus trabalhos artísticos desenvolvidos em parceria com essas entidades, além de terem acesso às ações dentro da programação dominical.

Santa Catarina
 

Criciúma
 

Durante essa semana serão realizadas várias atividades junto com alunos, pais e população. 


Segue  a programação: 

 

25/08 - Folclore com apresentação dos alunos da Escola Jairo Tomazi. Atividades em dois períodos: 8h30min e 14 horas.
 

27/08 - Festival de Atletismo na Unesc.
 

28/08 - Tarde dançante no Palmeirinhas Clube, no bairro Jd. Angélica.


Içara
 

A programação conta com show de valores, panfletagem, piquenique, baile, festa da família, Apae na praça, Palestras, cinema 3D, missa da saúde e visita ao Parque Ecológico de Maracajá.

Paraná
 

Foz do Iguaçu
 

Em Foz do Iguaçu, a programação, promovida pela Secretaria Municipal de Educação envolve  palestras, Orientações sobre Deficiência Visual, Encontro de Educação Especial e a II Formação Continuada na Área de Educação Especial, no Centro Profissionalizante da APAE, onde os profissionais da rede municipal de ensino tem oportunidade de aprendizagem para o exercício profissional docente.


Uma das atividades que pretende chamar a atenção de toda a comunidade iguaçuense é a distribuição do Guia Básico de Inclusão Social, em pontos estratégicos da cidade, como locais de visitação turística.

Guaratuba
 

No domingo (24) - haverá uma missa de Ação de Graças na Igreja Matriz Nossa Senhora do Bom Sucesso.


Na terça-feira (26) - será feita uma “Blitz Cidadã” nos órgãos públicos com a participação dos alunos da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e APADVG (Associação de Pais, Amigos e Deficientes Visuais de Guaratuba) e da equipe de Fiscalização da Secretaria Municipal de Governo, Urbanismo e Administração.


Na quinta (28), será realiza da Caminhada “Eu Não existo Longe de Você”, com concentração na praça Alexandre Mafra às 13h30. Os participantes se dirigem até o Ginásio de Esportes José Richa onde haverá o encerramento, previsto para as 15h30, de novo com a presença da prefeita Evani Justus, secretários municipais, vereadores, Apae e APADVG.


Rio Grande do Norte
 

Assu
 

Programação



Sábado (23/08) 13h às 15h  - Entrevista ao “Radiola de Cabaré” (Rádio Princesa do Vale)
 
Segunda-Feira (25/08)  - 8h às 11h (Sede Apae) -  Dia da Beleza: Equipe de Cabelereiros Solidários
 
Terça-Feira (26/08)8h  - 8h às 11h (Sede Apae) - Manhã do Bem Estar: Profissionais da Apae e convidados parceiros da instituição
 
Quarta-Feira (27/08) - 8h às 11h (Cine Teatro Pedro Am orim) - Exposição “Artes da Inclusão” (Autores: Assistidos da Apae)

Quinta-Feira (28/08) - 7h às 10h (Saída: sede APAE/Assu) - Encerramento da semana com passeio de trenzinho

Minas Gerais
 

Divinópolis
 

Acontece em Divinópolis, entre os dias 24 e 30 de agosto, a 2ª Semana Municipal da Pessoa com Deficiência, com o tema “Um novo olhar para as diferenças”. 


O evento contará com atrações musicais, palestras, exposições, serviços na área da saúde, entre outras atividades.


A abertura do evento será no dia 24 de agosto na Praça da Catedral e terá atrações musicais, balé das crianças das instituições, apresentação do projeto fonte de luz, show da Banda Tekillas, além de apresentações culturais das instituições, exposição, artesanato, prestação de serviços na área da saúde e sociais, brincadeiras entre outras atrações a serem confirmadas.


Entre os dias 25 e 29, as instituições realizarão atividades internas, a escolha de cada uma e o encerramento acontece no dia 30 de agosto com a ‘Cadeirada Unificada’ que terá saída da Praça do Santuário, seguindo pelas principais ruas da região central. 


Segundo a organização, a ação busca interação das pessoas com a realidade daqueles que têm deficiência. Os participantes poderão realizar trajetos manobrando cadeiras de rodas, com vendas nos olhos e com bengalas para deficientes visuais, destacando a questão da acessibilidade.

Mato Grosso
 

Rondonópolis
 

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Rondonópolis (Apae) promove entre 21 e 28 de agosto, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, sempre abordando um tema, e este ano é “Construindo uma história de igualdade e de oportunidades para todos!”.


No domingo, 24 de agosto - às 11horas -  O Rotary Club Rondonópolis Rondon realiza, no salão de eventos do Caiçara Tênis Clube, a tradicional ‘Costelão da Apae’ com renda totalmente revertida para a associação. 


Há mais de 20 anos o Rotary promove o evento, a renda é utilizada para custear parte das despesas da Apae de Rondonópolis.


Como já é de conhecimento dos participantes, será necessário levar pratos e talheres. O cardápio terá costela bovina assada, acompanhada de arroz, salada verde, farofa, mandioca, maionese, pão e venda de bebidas. Informações pelo telefone (66) 3422-2985.


Outro destaque da programação será palestra com médico geneticista Francis Galera, na quarta-feira (27-08), a partir das 13 horas, com o tema ‘Mucopolissacaridoses: aspectos clínicos e diagnósticos’.


PROGRAMAÇÃO


21/08 – 08h30 – Missa de abertura na Apae;

22/08 – Oficina de beleza;

24/08
– Realização do 22º Costelão no Caiçara Tênis Clube;
 
25/08 – Visita dos ‘Divertores da Alegria’;

26/08 – Sessão de cinema para os alunos no Rondon Plaza Shopping no período da tarde;
 
27/08 – Palestras na escola CIE (13 horas) - geneticista Dr. Francis Galera e assistente social do INSS ;

28/08
– A entidade estará aberta para visitas.


21 de ago. de 2014

Entenda mais sobre a Campanha do Balde de Gelo

Balde com gelo


É impressionante como uma ideia inusitada pode viralizar pela internet e trazer bons frutos! Estamos falando da “campanha do balde de gelo”, ou, em inglês, #icebucketchallenge. 


Para você ter ideia do que estamos falando, mais de 28 milhões de pessoas já divulgaram a Campanha pelo Facebook e cerca de 2,4 milhões de vídeos relacionados com a Campanha já foram compartilhados.


Ao longo dessa semana você já deve ter visto inúmeras pessoas comuns, executivos de grandes empresas e celebridades divulgando um vídeo em que tomam um banho de água com gelo. 


A ação séria, mas que parece brincadeira, visa chamar a atenção para a esclerose lateral amiotrófica (ELA), que é uma doença neurodegenerativa progressiva e fatal, caracterizada pela degeneração dos neurônios motores, as células do sistema nervoso central que controlam os movimentos voluntários dos músculos, e com a sensibilidade preservada.


Iniciada há um mês nos Estados Unidos, com o intuito de arrecadar fundos para a Associação Americana de ELA (ALSA), a Campanha “Balde de Gelo” já mobilizou muitas celebridades por lá, e agora chega ao Brasil. 


A campanha consiste em desafiar três pessoas a fazerem uma doação de US$ 100,00, e caso não o façam, devem tomar um banho com um balde de água com gelo, tudo em 24h. 


Como a visibilidade de celebridades tomando banhos de água gelada foi grande demais, optou-se por fazer os dois, e assim, divulgar ainda mais a causa.


Entre as celebridades americanas, se banharam Barack Obama, Oprah, Bill Gates, Steven Spielberg, Charlie Sheen, Justin Timberlake, Lady Gaga e Jeniifer Lopez e Mark Zuckerberg.  No Brasil, já postaram seus vídeos, Neymar, Luciano Huck, Ivete Sangalo e Ana Maria Braga, Preta Gil, Ivete Sangalo, Thiaguinho, Luan Santana, Cláudia Leitte, Angélica, Fátima Bernardes e Gisele Bundchen.


Nos Estados Unidos, a Associação Americana de ELA (ALSA) já arrecadou com a Campanha US$ 15,6 milhões em doações, entre 29 de julho a 17 de agosto.


Em torno de 2.500 pessoas são diagnosticadas com ELA anualmente no Brasil. A incidência em nosso País, assim como nos EUA está entre duas a quatro em cada 100 mil pessoas e aqui, a prevalência é de que mais de 15 mil brasileiros sejam pacientes de ELA. 


A expectativa de vida desta doença é variável e muitas pessoas vivem com qualidade de vida por mais de cinco, dez e em alguns casos até vinte anos. Mais da metade de todos os pacientes vivem mais de três anos após o diagnóstico.


Associações que pesquisam a ELA, no Brasil:
 

Associação Pró-Cura da ELA  
http://procuradaela.com.br/site/
Banco Bradesco (237)
Agência: 2962-9
Conta corrente: 2988-2
Razão Social: Associação Pró-Cura da Esclerose Lateral Amiotrófica
CNPJ: 18.989.225/0001-88


Abrela (Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica)  
www.abrela.org.br
Banco Santander
Agência: 3919 c/c 130001906
CNPJ: 02.998.423/0001-78


Instituto Paulo Gontijo  
http://www.ipg.org.br/
CNPJ 07.993.457/0001-06
Banco 399 - HSBC
Agência 0319
c/c 01358-53


Fonte: Vida Mais Livre - (Reportagem  de Daniel Limas)  



21 de jul. de 2014

Cuidador: uma profissão cada vez mais valorizada e necessária

 

Em um País com um número cada vez maior de idosos e de pessoas com deficiência, uma ocupação se faz cada vez mais necessária: o cuidador. 


No censo de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que o Brasil possui mais de 46 milhões de pessoas com deficiência mais quase 21 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade. No entanto, a atividade ainda não está regulamentada como profissão.


Atualmente, há um Projeto de Lei (4702/12), que regulamenta a profissão, que já foi aprovado pelo Senado, mas ainda tramita na Câmara dos Deputados. Hoje, é uma ocupação reconhecida pelo Ministério do Trabalho, por meio da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) – código 5162-10.


Ana ClaudiaAmparados pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), os cuidadores tem como função principal o dever de zelar pelo bem-estar, tanto físico quanto emocional do assistido. 


“Este profissional precisa estar atento a todas as necessidades da pessoa, e da sua família. Ele é o responsável direto pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer do assistido”, explica Ana Claudia Quaglio, gerente de operações e expansão da Home Angels, empresa especializada em oferecer serviços de assistência para pessoas com diversas necessidades.


Como a profissão ainda não é regulamentada, não há a exigência legal de uma formação para se trabalhar na área. 


No entanto, empresas e instituições que trabalham com assistência têm exigido que os cuidadores tenham feito cursos e possuam ensino fundamental.


“Além disso, os recrutadores pedem boa aparência, boa fluência verbal, cordialidade e experiência em cuidados de pessoas”, aponta Ana Claudia. 


No entanto, existem outras características que, inegavelmente, são fundamentais para os profissionais desta área.


“O cuidador tem que ter equilíbrio emocional, boas condições físicas, ser responsável, ser calmo para lidar com situações de emergência, saber ouvir, saber agir e tomar resoluções rápidas, e buscar conhecimentos por meio de cursos e palestras e reconhecer seu limite, buscando ajuda sempre que necessário”, afirma Jorge Roberto Afonso de Souza Silva, presidente da Associação de Cuidadores de Idosos do Estado de Minas Gerais (ACI-MG). 


Tudo isso para cumprir um papel muito importante, para não dizer quase fundamental, na vida de pessoas com deficiência, idosos, ou outras pessoas que necessitam deste tipo de serviço.


O papel deste profissional é fundamental no dia a dia dos assistidos. “Ele auxilia nas atividades diárias como, banho, alimentação, passeios, locomoção, hidratação. No entanto, é bom reforçar que o bom cuidador faz apenas aquilo que a pessoa, realmente, não tem condições de fazer sozinha. O cuidador deve estimular a independência da pessoa assistida”, reforça Jorge Roberto. 


Ana Claudia também acredita que o cuidador deve ter o dom de entender e perceber como o assistido é, como ele se mostra, quais são seus gestos e falas, sua dor e limitações. 


“Percebendo isso, o cuidador tem condições de desempenhar sua função de forma individualizada, levando em consideração as particularidades e necessidades da pessoa a ser cuidada. Há que se levar em conta as questões emocionais, a história de vida, os sentimentos e emoções da pessoa”, aponta Ana Claudia.


E são essas questões que mais marcam a vida pessoal e profissional de muitos cuidadores. 


É isso que nos contaram duas cuidadoras: Juliana Cristina de Barros Gonçalves e Joana D´Arc Moreira de Assis.
Joana D´Arc 

“Escolhi ser cuidadora porque gosto de trabalhar com gente e exercitar o lado mais humano. É preciso gostar muito de atuar com pessoas, ter muita paciência. Alguns idosos já estão fora da realidade e nem conseguem se expressar direito, o que dificulta nosso trabalho. Trabalhar com pessoas com deficiência, geralmente, é mais fácil que com idosos”, conta Juliana Cristina Gonçalves. 


Já Joana D´Arc escolheu ser cuidadora quando sua mãe faleceu. “Desde menina, eu gosto de conversar com pessoas mais velhas. 


Depois que minha mãe morreu, acabei me separando e passei a cuidar de uma senhora. Foi assim que vi que eu, realmente, gosto de ser cuidadora. Isso já faz 13 anos”, lembra Joana D´Arc de Assis.
 
Ambas são encantadas pela profissão que escolheram. Cristina diz que é grata por poder proporcionar para alguém aquilo que gostaria de receber, quando for mais velha: bons cuidados. 


No entanto, afirma que não tem como não se emocionar e envolver com as várias histórias que conhece, principalmente de seus assistidos. “Principalmente, quando essas pessoas nos deixam”, diz. Joana também se emociona com essas perdas. 


“São muitas histórias marcantes. Todos marcam de uma forma diferente. Mas, uma marcou mais. Perdi um assistido bem na minha frente. Tive que viajar durante um tempo para depois poder retomar minha vida. Mas é uma profissão gratificante e traz muitos aprendizados. Nós pensamos que sabemos tudo, mas são eles que nos ensinam muito, de diversas formas, principalmente, na emocional. Tive sorte de atuar com pessoas muito carinhosas”, orgulha-se Joana.


27 de dez. de 2013

Por onde anda: Atriz deficiente visual de 'Caras e Bocas' lança livro

 


Danieli Haloten chamou a atenção do público ao ser a primeira deficiente visual a atuar em uma telenovela brasileira, interpretando Anita, irmã do protagonista Malvino Salvador, na novela "Caras e Bocas", em 2009. 


No entanto, terminada a trama, acabou voltando para Curitiba, sua cidade natal, e se afastou da mídia.


Atualmente, quatro anos depois de conseguir a oportunidade através do autor Walcyr Carrasco, a atriz e jornalista - que tem um cão-guia chamado Higgans - segue atuando, mas em peças de teatro. Além disso, ministra palestras de motivação e inclusão pelo Brasil e dá aulas de técnica de expressão vocal. 


Em julho deste ano, ela ainda lançou seu primeiro livro, "Uma viagem no escuro", no qual relata infortúnios que passou durante uma viagem de intercâmbio no Canadá.


A obra relata desde a busca de uma cidade para estudar às dificuldades pelas quais passou, como ser enviada para uma casa distante e de difícil acesso. 


Através da narrativa, ela dá dicas de viagem, alerta os leitores para que não caiam nas mesmas ciladas em que caiu e mostra que, mesmo sem enxergar, é possível viajar sozinha pelo mundo e se divertir. 


Defensora da leitura acessível, Danieli decidiu disponibilizar a obra em formato digital para que todos, inclusive deficientes visuais, possam lê-la.


“Se luto para as editoras oferecerem livros acessíveis para os leitores com deficiência visual, tenho que dar o exemplo, mostrando que é possível", explica Danieli, que critica o fato de haver tão poucas oportunidades para pessoas como ela no meio artístico : 


"Acredito que o mercado ainda não se tocou que somos 45,6 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência e que também queremos ser representados em comerciais e programas de TV."
 

EGO: "Uma viagem no escuro" é seu primeiro livro? Você sempre pensou em escrever um?
 
Danieli Haloten: É o primeiro. Sempre pensei em escrever um livro. Muitas pessoas diziam que eu tinha que escrever um sobre a minha vida. Mas sempre que eu começava a escrever, eram tantas histórias que eu acabava me perdendo. Quando aconteceu tudo aquilo na minha viagem ao Canadá, pensei que poderia acontecer com qualquer um, e as pessoas precisavam ser alertadas. Então, pensei que seria um ótimo tema para um livro.


O livro fala sobre a experiência frustrada que você teve durante uma viagem ao intercâmbio. O que aconteceu lá? Você viajou com seu cão-guia?
 
Danieli Haloten: Contratei uma agência que pertencia a brasileiros que viviam em Vancouver. Eles garantiram que eu teria toda a estrutura necessária para viver lá. Porém, ao chegar no Canadá, descobri que eu havia sido colocada em uma casa em uma cidade ainda em construção chamada Surey, no meio do mato, sem condições para uma pessoa cega se
locomover sozinha. Em vez de me realocar em um lugar acessível, a agência me abandonou. Se eu não estivesse com meu cão-guia poderia dizer que estava em um mato sem cachorro.
 

O Canadá, assim como outros países desenvolvidos, é conhecido por dar um tratamento mais digno para deficientes. Apesar dos problemas que teve, você sentiu diferença?
 
Danieli Haloten: No meu livro desmitifico essa ilusão que muitas pessoas têm de que no exterior as coisas são melhores do que no Brasil. Falo de situações referentes à Inglaterra, Canadá e Estados Unidos.
 

Como estão as vendas do livro? Você está feliz com o resultado que conseguiu?
 
Danieli Haloten: Estou feliz com a concretização do meu livro. Principalmente porque do jeito que publiquei, todos, inclusive deficientes visuais, podem lê-lo. Também estou feliz porque escrever o livro foi uma experiência maravilhosa. Adoro escrever e seria ótimo poder viver disso.
 

Depois de "Caras e Bocas", você nunca mais fez um trabalho na TV. Tem feito testes e não conseguiu mais um papel ou resolveu se afastar por escolha própria?
 
Danieli Haloten: Não fiz nenhum teste.
 

Como você vê o mercado em relação a atores deficientes como você? Acha que existe preconceito?

Danieli Haloten:
Acredito que o mercado ainda não se tocou que somos 45,6 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência e que também queremos ser representados em comerciais e programas de TV. Como atriz, o que posso dizer é que não preciso fazer necessariamente personagens com deficiência visual. Mesmo que eu fizesse somente papel de deficiente visual, há uma infinidade de personagens que eu posso fazer sem necessariamente abordar os problemas da deficiência. Eu poderia ser uma Paloma, uma Leila da vida, porém, com uma deficiência visual. E mesmo que me deem papéis de cega estereotipada para fazer, o que é que tem? Não tem um monte de ator que faz sempre o mesmo papel? Quanto a meu trabalho como jornalista, não faço somente matérias sobre pessoas com deficiência. Mas admito que as empresas de comunicação precisariam ter uma profissional especializada como eu,  porque a mídia vive veiculando matérias sobre pessoas com deficiência que, ou são errôneas, ou não abordam o tema adequadamente, demonstrando despreparo. E para esclarecer, não me tornei especialista por ter uma deficiência, mas porque estudei sobre o assunto.
 

O que você tem feito? Continua trabalhando como atriz em Curitiba?
 
Danieli Haloten: Depois da novela, fiz um stand-up e, este ano, fiz uma gaúcha no Festival de Curitiba. A peça se chamava “A farsa do bom marido” e minha personagem enxergava perfeitamente. Continuo ministrando palestras de motivação e inclusão pelo Brasil, dando aulas de técnica de expressão vocal para comunicadores, atores e para quem tem problemas de comunicação oral e publiquei um artigo na revista americana Matilda Ziegler.
 

Quais são seus objetivos no momento?
 
Danieli Haloten: Quero continuar dando minhas palestras e meus treinamentos e ainda gostaria de trabalhar  como apresentadora de TV em um de meus projetos.


22 de ago. de 2013

Comunicadores pela inclusão (parte 1)

Equipe do Programa Viva as Diferenças reunida na rádio
Existe um mundo de possibilidades e oportunidades focadas nas pessoas com deficiência. 

E, para que mais pessoas fiquem sabendo delas, existem profissionais que usam a comunicação como ferramenta de inclusão.

Lançamos hoje a primeira de uma série de matérias que destacam pessoas com deficiência que têm a comunicação na veia. Elas lutam pela inclusão, não só delas, mas de todos.
Panorama geral
Dudu Braga sorrindo com painel de fundo com diversas palavras soltas  
O radialista, publicitário, produtor musical e empresário Dudu Braga, filho do cantor Roberto Carlos, soube driblar os desafios da deficiência visual. 

“Se a propaganda é a alma do negócio, a comunicação é a alma da inclusão. Como faço parte de um grupo de pessoas com deficiência que trabalha nos meios de comunicação, acho imprescindível a comunicação, não só para reivindicar, que é absolutamente importante, mas também para mostrar questões cotidianas que nós, pessoas com deficiência, temos. É importante que as pessoas se familiarizem com o nosso dia a dia”, disse.

Mas o que é preciso para incluir quando o assunto é comunicação? Na opinião dele, os meios de comunicação estão sensíveis à questão da deficiência hoje. “É preciso mais espaço para a questão da inclusão na mídia. 

Pelo que percebo, racionalmente, as pessoas entendem que é preciso incluir, mas elas precisam sentir isso de maneira emocional, para que a inclusão seja feita de maneira completa. Como diria Dorina Nowill: ‘As mudanças vêm de forma gradativa’”.

Dentro do seu trabalho de comunicador, o radialista também apoia projetos para o terceiro setor e a inclusão social de pessoas com deficiência, além de ministrar palestras motivacionais.

Segundo Dudu, entre as inspirações para o seu trabalho, fora a própria inclusão, está uma questão que o incomoda muito: o consumismo. “As pressões que a sociedade vem tendo neste sentido são muito fortes, e eu percebo isso nas palestras que eu ministro: nós, pessoas com deficiência, funcionamos como um contraponto a isso tudo, demonstrando que é possível ser feliz sem ser ‘perfeito’. Buscar o melhor é ótimo, mas achar que a perfeição existe é burrice”.

Rádio como voz da inclusão
IlustraçãoMariane Sant’Ana e Alan Mazzoleni são tetraplégicos e não se formaram em comunicação, mas são comunicadores natos. Primeiro, eles tiveram a ideia de veicular um programa na web que foi ao ar três vezes. 

Após esse episódio, uma entrevista que deram à rádio ABC 1570 os trouxe de vez para o mundo da comunicação. 

“Fomos à rádio para falar sobre pessoas com deficiência no programa do âncora Milton Grenzi. Logo, ele nos convidou para criarmos um programa na rádio sobre o segmento”, contou Alan. Ambos são tetraplégicos. 

E assim nasceu o programa Viva as Diferenças, que hoje já completa seis meses no ar. A ideia é entrevistar pessoas com deficiência, contando suas histórias de vida, profissionais de diversas áreas do segmento e representantes de instituições, variando o tema a cada programa.

Alan afirma que, muitas vezes, falta informação para esse público. “Muitas pessoas com deficiência não têm uma vida melhor por falta de informação. Sempre tentei informar as pessoas de diversas formas, e a rádio foi uma oportunidade fantástica pelo número de pessoas que consegue atingir”, disse.

Formada em Educação Física, Mariane também não tem especialização na área do rádio, mas está feliz com a sua nova experiência como âncora. “Estou adorando! Os entrevistados são selecionados pela sua história de vida, e não pela sua deficiência. 

Todos são incríveis, seja PCDs ou profissionais da área. A fidelidade dos ouvintes também é muito bacana. Eles se identificam com as histórias e passam a trocar informações com a gente, divulgam o programa e viram nossos amigos”, disse.

Um dos diversos episódios que emocionaram Mariane prova os resultados positivos do trabalho ela realiza com Alan na rádio. 

“Achei muito bacana saber que tem um grupo de pessoas da cidade de Campinas que se reúne aos sábados, às 9h, na casa de um cadeirante, para ouvir o nosso programa pela internet”, orgulha-se.
 

 *O Programa Viva as Diferenças vai ao ar: aos sábados (ao vivo), às 9h, pela rádio ABC - AM1570 ou no site www.radioabc.com.br. Conheça a página do Programa Viva as Diferenças no Facebook.


Texto: Elza Maria Albuquerque

Fonte: Vida Mais Livre