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8 de jul. de 2014

Pessoas com deficiência visual acompanham partida da Copa com audiodescrição

Foto de narradores de audiodescrição


Oito atletas com deficiência visual da Baixada Santista foram a São Paulo acompanhar a partida entre Argentina e Suíça. 


Eles são jogadores de golbol, esporte praticado por pessoas com deficiência visual. Além de sentir a emoção do estádio, o grupo vai acompanhar a partida com ajuda da audiodescrição, serviço disponível em quatro estádios nesta Copa.


Uma manhã de muita expectativa: alguns atletas do golbol já foram a estádios, mas acompanhar um jogo de oitavas de final de uma Copa do Mundo é diferente. No estádio, eles terão acesso ao serviço de audiodescrição. 


“Eu já enxerguei, então a gente tem mais ou menos uma noção do que está acontecendo, narrando direitinho. Acredito que vão passar os detalhes do que esta acontecendo no jogo”, diz o jogador Marcelo Torres.


A audiodescrição é bem parecida com a narração de rádio, a diferença é que ela é rica em detalhes.


Apesar da experiência inédita, eles já tentam imaginar alguns lances do jogo. “É bem emocionante, o fato da audiodescrição para gente, porque às vezes pela televisão a gente fica meio perdido sobre o que está acontecendo”, fala Ísis da Silva.


Fonte: G1


2 de jul. de 2014

Corintiano sem movimentos do corpo vive saga para ver jogo no Itaquerão

Foto de Ricky Ribeiro
O administrador Ricky Ribeiro é um especialista em mobilidade urbana. 


Em setembro de 2011, Ribeiro lançou o site Mobilize, que se transformou em referência para os formuladores de políticas públicas sobre o tema. 


Já produziu mais de 300 reportagens e publicou mais de 7.000 notícias, estudos, estatísticas e análises sobre transporte urbano e soluções sustentáveis para o crescimento e desenvolvimento das grandes cidades.


Ricky Ribeiro tem problemas de mobilidade. Em 2008, aos 28 anos de idade, foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurológica degenerativa que causa atrofia muscular global enquanto a mente permanece intacta. 


Atualmente, encontra-se acamado, mexe apenas alguns músculos da face. Lê, escreve e fala através de um computador, de um software sueco e da dança do seu olhar.


"No dia que recebi o diagnóstico, entrei na internet e li sobre a doença. Tudo que dizia era negativo. Foi um choque. Fiquei muito triste e chorei, mas minha tristeza durou apenas um dia. No dia seguinte, acordei e decidi que ia focar minha energia em duas coisas: tentar combater a doença de todas as formas possíveis e escolher atividades prazerosas para fazer nos momentos em que não estivesse em tratamento", conta Ricky Ribeiro.


E foi isso mesmo que ele fez. Foi atrás de acupuntura, medicina ortomolecular, transplante de células tronco, tratamento espiritual, medicina alemã, além de fisioterapia, fono e terapia ocupacional. E também fez curso de fotografia, aula de política, visitou parques e equipamentos culturais pela cidade, andou de asa-delta, fez algumas viagens e segue trabalhando no Mobilize, 12, 13 horas por dia.


Mas Ricky Ribeiro tem uma paixão, e um sonho ainda por realizar. É apaixonado por futebol e pelo Corinthians. Já foi a 19 estádios, já viu o seu Timão de cadeiras de rodas no Pacaembu, quando a doença ainda não evoluíra ao ponto de tornar necessária uma cadeira especial, acompanhada de um respirador, para que possa se locomover.


Ele sonha ver um jogo da Copa, no Itaquerão. E está atrás de seu sonho.


"A ideia de assistir a um jogo da Copa na Arena Corinthians começou com uma brincadeira com meu melhor amigo, o Higor. Sabendo da minha paixão por futebol, ele  me escreveu um dia, indagando se não havia uma forma de ir a algum jogo da Copa", conta Ricky, pela voz metalizada do computador. 


"Eu respondi que adoraria, mas que, para isso, precisaria de uma estrutura e de um esquema especial para chegar e sair. A melhor forma de ir sem chegar lá exausto seria alugar uma ambulância ou algo parecido. Precisaria levar minha cadeira especial, o respirador e o aspirador. Também precisaria de ingressos em uma área reservada ou camarote para mim e mais três pessoas".


Os dois amigos bolaram um plano: escrever pedindo ajuda ao apresentador da TV Globo Luciano Hulk. 


"Eu associei que o Luciano Hulk é um entusiasta de mobilidade urbana e garoto propaganda do banco Itaú, banco que é patrocinador da Copa do Mundo e também do portal Mobilize Brasil".


O amigo Higor escreveu a carta e enviou diversas cópias para o programa Caldeirão do Hulk. Quando o início da Copa foi se aproximando e não chegava qualquer resposta, os amigos decidiram entrar em contato com o Itaú, explicando a situação e perguntando se eles poderiam ajudar.


Alguns dias depois, veio a resposta. Sim, estavam dispostos a ajudar. Disseram que conseguiam os ingressos para o camarote do banco, mas não a entrada de uma ambulância no estádio. 


A princípio, o COL (Comitê Organizador da Copa, ligado à Fifa) se recusou a permitir a entrada do veículo no Itaquerão. Alegou questões técnicas. Ao UOL Esporte, disse que existem, nas arenas da Copa, algumas vagas disponíveis nos estacionamentos para pessoas com deficiência (ou PCD).


Mas, explicou o COL, "para ter acesso a essas vagas especiais de estacionamento, bem como passar pelos pontos de verificação veicular ao redor dos estádios, os espectadores terão que receber e apresentar a credencial oficial do veículo para o evento. 


As pessoas que poderão receber a credencial veicular oficial serão aquelas que, no ato da compra, fizeram a opção pelo ingresso de PCD". Assim, como Ricky não tinha solicitado a tal credencial, ele não poderia ir.


Alguns dias depois do contato do UOL Esporte, porém, o COL voltou a procurar Ricky. Disse que poderia abrir uma exceção. Ao se debruçarem sobre as questões técnicas envolvidas, no entanto, encontraram mais dificuldades.


Não há tomadas na área de cadeirantes do Itaquerão, então não seria possível ligar o respirador de que Ricky necessita. Além disso, seria preciso mais espaço do que o que pode ser ocupado por um cadeirante na arena; a cadeira especial e os equipamentos médicos de Rick, além da necessidade de, pelo menos, três acompanhantes, estavam a inviabilizar a operação. 


"Além disso, a pessoa do COL também falou que o departamento médico informou que não há uma rota de fuga em caso de emergência".


Isso tudo aconteceu durante a semana passada. O Itaú, por seu lado, também engendrava grandes esforços. Esforços que foram se revelando infrutíferos diante das dificuldades que se somavam, conforme explicou a equipe do banco em mensagem enviada a Ricky: 


"Entre diversos pontos, mesmo que disponibilizássemos seu acesso para o espaço privativo do Itaú, do camarote, não há visão do campo. 


Para assistir ao jogo, você teria que ir do camarote para as arquibancadas e, infelizmente, no estádio não há infraestrutura para que a cadeira seja transportada do espaço privativo para a arquibancada. 


Além disso, o espaço reservado para cadeirantes no estádio é bastante justo e, provavelmente, não comportaria a cadeira e os equipamentos que você precisa. 


Diante deste cenário, apesar dos nossos esforços, infelizmente, não conseguiremos te disponibilizar ingressos que te ofereçam as condições necessárias para que você assista ao jogo em segurança".


Assim estava o caso até o último sábado, dia 29. Ricky ainda mantinha esperança, mas parecia já se conformar diante do fato de que a acessibilidade que as estruturas do Itaquerão permitem estão aquém das necessidades que ele possui.

"Tanto as pessoas do Itaú como as do COL se esforçaram bastante para tornar este sonho uma realidade, mas chegou um ponto em que elas não tinham mais como ajudar. Eu ainda tenho esperanças de ir a algum jogo da Copa, mas, independentemente de conseguir, o que mais me encanta nesta história é ver a quantidade de pessoas querendo ajudar", escreveu Ricky, para a reportagem. 


Depois, fez questão de reforçar: "Só acho importante falar que as pessoas do Itaú e do COL com que eu tive contato foram muito solícitas". Está registrado.


No último domingo, porém, Ricky e sua família receberam nova ligação do COL. Disseram que continuam estudando o caso, e que talvez exista uma solução. 


Convidaram o pai de Ricky, que é médico, a visitar o Itaquerão e conversar com os técnicos do COL no local. 


A visita deverá ocorrer nesta segunda-feira. O próximo jogo no Itaquerão é nesta terça. Depois, só terá uma semifinal, quando a operação se tornará ainda mais complexa.


O sonho de Ricky despertou a boa vontade de muitas pessoas. Essa história ainda não chegou no fim, mas segundo o próprio protagonista da saga, já teve final feliz.


 Fonte: UOL
 

1 de jul. de 2014

Experiência total nos estádios para pessoas com deficiência visual

Foto de um dos narradores da FIFA


Daniela Matoso dos Santos pisou pela primeira vez no Maracanã neste sábado. Torcedora do Fluminense, a carioca de 36 anos tem deficiência visual e, até então, sempre se contentou em acompanhar futebol pela rádio ou pela TV, sempre com a ajuda de companheiros que viam as partidas a seu lado.


 Ir ao estádio mais famoso do Brasil - e logo em um jogo de oitavas de final da Copa do Mundo da FIFA - foi, então, uma experiência incomparável.


“Foi muito emocionante. É como se estivesse dentro da televisão. É tudo que a gente ouve de longe, pela TV, mas a gente está ali, no meio de tudo, participando”, contou Daniela, que torceu pela Colômbia contra o Uruguai, ao FIFA.com.


A experiência de Daniela no Maracanã só pode ser considerada completa graças ao inédito serviço de narração audiodescritiva oferecido no Mundial em um projeto de FIFA e COL. Com o auxílio de um rádio, foi possível sintonizar e acompanhar todos detalhes sobre o que acontecia à sua volta - não apenas no campo de jogo.


A narração audiodescritiva, criada especialmente para cegos ou pessoas com baixa visão, é semelhante à narração de rádio, mas com ênfase na experiência dentro do estádio. 


Um narrador especialmente treinado, localizado na tribuna de imprensa, passa ao ouvinte todas informações visuais significativas, como os uniformes e a linguagem corporal dos jogadores, as reações das torcidas, as cores e todos outros aspectos importantes para transmitir a aparência e o ambiente do estádio.


“A audiodescrição é, sem dúvida, muito melhor do que o rádio comum. Ela diz não só quem está tocando a bola, mas como e qual foi a jogada. Os locutores tentam descrever o máximo possível de detalhes”, explica Daniela. 


“As cores dos uniformes, toda a movimentação antes e depois do jogo, as comemorações… Na verdade, na cabeça de quem está vendo a comemoração é um detalhe que não faz diferença. Quem está vendo não sente falta. Eu só sabia porque acabava perguntando para quem estava assistindo comigo.”


O serviço de narração audiodescritiva na Copa do Mundo da FIFA é coordenado pela Urece Esporte e Cultura para Cegos, ONG parceira da FIFA e do COL que trabalha com projetos especiais para pessoas com deficiência visual. 


A narração está disponível aos portadores de ingresso em todas partidas da Copa do Mundo da FIFA realizadas em São Paulo (88,7 FM), Brasília (98,3 FM), Belo Horizonte (103,3 FM) e Rio de Janeiro (88,9 FM). 
 

Locução ganha “tempero” brasileiro
 

No Brasil, a narração audiodescritiva ganhou uma personalidade única: os locutores transmitem mais emoção. 


“Essa nossa paixão pelo futebol faz parte do sangue. Foi uma demanda das pessoas com deficiência visual que iam escutando ao longo do tempo”, explica Mauana Simas, uma das coordenadoras do projeto. 


A gente tem que dar emoção. Os cegos estão acostumados a ouvir nas rádios, e elas são assim. É uma questão que surgiu deles. Tem que haver coração e alma na narração, porque faz parte da nossa cultura.”


Para quem viver ao máximo esta experiência e acessar o serviço é importante trazer fones de ouvido e um rádio pequeno portátil ou smartphone com um receptor FM. E, claro, certifique-se que o seu aparelho está de acordo com o Código de Conduta do Estádio e em particular a seção 4 sobre itens proibidos.


Fonte: FIFA

 

30 de jun. de 2014

Narrando com as mãos: surdos torcem pela Seleção com muito barulho e sinais

Foto da família assistindo ao jogo


O movimento no apartamento de Priscilla Gaspar era um entra e sai sem fim. Busca travessa, pega copos, traz salgadinhos, não se esquece também dos mousses na geladeira. 


Enquanto isso, Cezar de Oliveira, seu marido, ajustava um telão improvisado no salão de festas do condomínio. Durante o jogo entre Holanda e Chile, discutia com o cunhado sobre quem seria um melhor adversário nas oitavas.


A confusão era parecida com a de muitas outras famílias nesta segunda-feira (23), horas antes da partida do Brasil contra Camarões pela Copa do Mundo. 


A diferença era a provisória quietude: a comunicação era com a língua de sinais. Surdos, Priscilla e Cezar aproveitavam o aniversário de sua filha do meio para reunir familiares e amigos e assistir juntos ao jogo.


O silêncio logo acabaria. As crianças, empolgadas com buzinas e apitos, chegaram fazendo festa com os primos. Sem sofrer com os sons estridentes, brincavam de apitar na orelha alheia. 


“Na mamãe não! Que a mamãe escuta e machuca!”, gritou, entre sinais, Renata Gaspar, a cunhada-intérprete de Priscilla, ao ser vítima da peça do filho mais novo surdo profundo.


Com mais de 30 convidados, a festa talvez não ocorresse do mesmo modo alguns anos atrás. A mãe da anfitriã, Silvia Sabanovaite, lembra que quando era jovem havia mais preconceito e vergonha.


No meu tempo era vergonhoso mostrar a deficiência. Eu via que muitos surdos se escondiam quando estavam conversando em Libras. Chegavam a parar de falar quando alguém se aproximava  e só voltavam a sinalizar quando estavam sozinhos novamente”, afirma.


Desde então, muita coisa mudou. “Hoje é mais fácil porque tem leis que favorecem os surdos. Na minha época era muito diferente, não tinha troca com ouvintes. Eu tive sorte de ser oralizada”, diz Silvia.


Em 1991, a Lei das Cotas reservou vagas de emprego para pessoas com deficiência. Em 2002, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) recebeu o status de “meio legal de comunicação” no país, possibilitando que três anos depois fosse criada a lei que garante o direito a intérprete em salas de aula e criação de escolas especiais bilíngues.
 

Vida diferente
 

A mudança de visão sobre a comunidade surda é percebida na vida de Priscilla. Seu pai foi aluno de escola que ensinava apenas Libras, já Silvia frequentou escolas regulares que visavam “oralizar” os deficientes, fazendo com que aprendessem a falar e a ler lábios.  


Criada com grande influência da avó materna, Priscilla acabou sendo educada para a oralidade, mas aprendia sinais em casa.


“Eu fui matriculada em uma escola de ouvintes, mas cresci e comecei a aprender sinais, que meu pai me ensinava escondido. A fonoaudióloga me proibia de fazer sinais, mas como eu ia me comunicar com ele se não era oralizado? Quando ela entendeu, aceitou”, afirma.


Em seu último ano na faculdade de pedagogia, a lei que garante intérpretes em sala de aula entrou em vigor. Mesmo assim, ela optou pela educação especial para as três filhas.


 “A minha preocupação é que elas encontrem a identidade delas, se sintam felizes e tenham contato com a Libras”.


Natasha, que completou sete anos no dia da vitória do Brasil, já começa a se interessar em ir para a fono.


 “Eu não estou preocupada com a idade em que elas aprendam a falar, tem um tempo certo.”
Já Reynaldo Falchi, irmão de Renata, a cunhada-intérprete, se preocupa com a idade que a filha começará a falar. Filha de surdos, a pequena Laura nasceu ouvinte. 


Como as vozes dos dois são diferentes, ele teme que a criança não aprenda tão bem quanto outras crianças da mesma idade.


Por isso, durante a semana a menina de um ano vai à escola, onde tem contato com outros ouvintes e aos fins de semana, tem contato com os sinais. 


“Eu quero que ela seja bilinguista. Ela é pequena, mas já sabe alguns sinais de banho, para comer...”, diz o pai orgulhoso.
 

Torcida
 

“Vai! Vai! Vai! Vai!”, gritavam todos ao ver Neymar se aproximando da área e driblando o jogador camaronês. 


Quando ele marcou o segundo gol brasileiro, dando fim à angústia do empate, eram gritos e buzinas, dançinhas e abraços. No calor da comemoração, não era fácil dizer quem era ouvinte e quem não era.


Quem passasse pelo salão possivelmente nem pensaria como talvez há alguns anos esse encontro não acontecesse. Provavelmente nem imaginaria que se tratava de um grupo com mais de vinte surdos. 


Contrariando expectativas, a animação com o jogo não era silenciosa  Não só pelas buzinas, mas os gritos exaltados durante todo o jogo. Os palavrões também existiam mas, por alguma razão, eles sim, eram silenciados para os não fluentes em língua de sinais.


Fonte: Época

24 de jun. de 2014

Jovem que usou exoesqueleto na abertura da Copa do Brasil pensou em desistir

Foto de Juliano com o exoesqueleto


Depois de ter feito algo semelhante aos mais impensáveis filmes de ficção cientifica, o atleta paraolímpico que foi protagonista de um experimento na abertura da Copa do Mundo do Brasil ainda tenta se adaptar à rotina na pequena cidade de Gália (SP) após ter sido escolhido para usar o exoesqueleto desenvolvido por um consórcio de pesquisadores, liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.


Segundo Juliano Alves Pinto, de 29 anos, depois de um turbilhão de emoções e dúvidas de ter participado de um projeto além muito além do tempo exibido na abertura do Mundial na Arena Corinthians, os moradores do município com pouco mais de 7 mil habitantes o receberam na sexta-feira (13) com aplausos e com direito à carreata. 


“Quando eu cheguei em Gália foi uma festa. Muita gente veio me dar parabéns nas ruas e dizer que estava orgulhoso. Tirei muitas fotos e participei até de uma carreata. A reação deles era exatamente o que eu esperava: de orgulho e apoio”, relembra o jovem.


Na última quinta-feira (12), Juliano deu um “chute simbólico” na Brazuca, a bola do Mundial, vestindo o equipamento criado pelo projeto “Walk Again” ou “Andar de Novo”. 


Segundo os cientistas, a máquina transforma o pensamento em controles mecânicos, recuperando movimentos do corpo que foram paralisados por lesão medular.


Em entrevista ao G1 neste domingo (15), por telefone, o jovem conta que treinava para vestir o exoesqueleto há pelo menos sete meses, apesar de ter sido informado que seria o escolhido Julianopara realizar o experimento poucos dias antes do evento.


Paciente da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) desde 2007, em São Paulo, quando perdeu o movimento das pernas em um acidente de carro, Juliano afirma que soube da seleção por uma das médicas do projeto. 


No começo do ano, ele recebeu um convite para participar da seleção do projeto. Dez candidatos participaram do processo e três restaram como finalista. Depois de uma análise de peso, altura e grau de deficiência, o jovem de Gália foi escolhido entre os participantes.


“Fui informado que tinha sido escolhido poucos dias antes do evento ser realizado. A minha médica que também faz parte do projeto me contou na reunião e foi um momento que eu não sei explicar em palavras. A minha felicidade era saber que eu representaria toda a minha classe de deficientes físicos em um experimento com que pode revolucionar a nossa condição”, relembra Juliano que deixou a profissão de vendedor após o acidente.
 

Dúvidas e medo


Juliano sofreu um acidente de carro em 2006 quando saia de uma festa em Avaí (SP) acompanhado do irmão. Segundo informações da polícia na época, o veículo onde ele estava capotou na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294) perto da entrada da cidade. Com o impacto, ele sofreu uma grave lesão medular, perdeu o movimento das pernas e o irmão que tinha 27 anos.


De acordo com o atleta, os médicos foram enfáticos ao afirmar que ele não voltaria mais a andar, por isso, considera extraordinária a possibilidade de voltar a ficar em pé através de uma máquina.


“São sete anos e meio de lesão medular, não tendo o movimento dos membros inferiores. O exoesqueleto fez isso de novo para a gente, trazendo os movimentos que perdemos.”, explica o voluntário.


No entanto, por ter ficado tanto tempo sem dar um único passo, Juliano lembra que sentiu dúvidas se conseguiria realizar o procedimento com sucesso. 


“Senti dúvidas por minha causa. Pensei várias vezes em desistir por medo de não conseguir fazer o pontapé com sucesso. Já faz anos que eu estou na cadeira de rodas, então pensei que não ia conseguir acompanhar os meus colegas. Mas resolvi intensificar o treino e dar o melhor de mim. Graças a Deus deu certo”, conta o jovem que viajava mais de cinco horas de Gália até São Paulo para treinar uma vez por semana, durante várias horas no dia.


tempo para um trabalho em equipe

 
Devido ao experimento exigir uma concentração muito grande, Juliano lembra que controlar a tensão foi um fator determinante para que o experimento fosse realizado com sucesso. 


“Estar na abertura já era algo grande por si só, imagine então ter que fazer algo extremamente complicado aos olhos do mundo todo. Quando eu consegui foi algo incrível. Na hora foi muito difícil manter o controle e achei que a tensão fosse me derrubar, mas consegui manter a calma foi só sucesso”, relembra.


Segundo o jovem, que hoje é paratleta e se dedica à modalidade de corrida de cadeira de rodas na Associação Mariliense de Esportes Inclusivos (Amei), em Marília, cidade vizinha a Gália, todos os candidatos que participaram da seleção e são pacientes da AACD estavam presentes na abertura. 


“Não é porque eu fui escolhido que eles não teriam que estar lá. A gente se ajudou durante todo esse tempo. A vitória de um era a vitória de todos. Eles me apoiaram do começo ao fim, foi indescritível”, relembra.


Só quem carrega a cadeira sabe a importância de “sair desse corpo” e dar um simples chute, quanto mais andar. É marvilhoso."
 

Juliano Pinto
 

Para Juliano, apesar do pouquíssimo tempo de exibição na TV, a importância do projeto não tem hora determinada, e sim um começo. 


“Creio que a cadeira é uma extensão do corpo daqueles que passam por essa deficiência. Para muitas pessoas, dar um passo é uma coisa natural e imperceptível.  Só quem carrega a cadeira sabe a importância de “sair desse corpo” e dar um simples chute, quanto mais andar. Esse projeto é além do tempo. É maravilhoso e sem preço”, diz.


O atleta diz ainda que não sabe dizer o que aconteceu para que o tempo de exibição fosse tão reduzido pela organização do Mundial, mas afirma que gostaria de mais tempo para divulgar a tecnologia brasileira e que trocaria a cadeira pelo sonho de voltar a andar pelo projeto de Nicolelis.  


“O projeto não acabou e o que fizemos na Copa foi, literalmente, o passo inicial. O exoesqueleto vai passar por diversos aperfeiçoamentos até ser colocado realmente em teste ou até mesmo disponibilizado para os portadores de deficiência física. Mas sim, sem dúvida nenhuma, eu trocaria a cadeira por ela. imagina voltar a andar é o nosso maior sonho”, finaliza.


Fonte: Tribuna Hoje


Sem elevador, pessoa com deficiência reclama de acessibilidade no Mineirão (MG)

Foto do estádio do Mineirão


Pouco antes da Copa das Confederações, no ano passado, o Mineirão chegou a ser ameaçado de interdição pelo Ministério Público por problemas de acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida. 


Apesar disso, a Justiça liberou o estádio, palco de seis jogos da Copa do Mundo deste ano. Mesmo assim, na primeira partida em Belo Horizonte, entre Colômbia e Grécia, houve relatos desse mesmo problema.


Luciana Louzeiro, 40 anos, disse à reportagem do Terra, que, ao chegar no estádio, voluntários afirmaram que os elevadores estavam quebrados e que ela teria que “dar um jeito” de chegar ao seu assento.


“Tive problemas desde o início, apesar de ter ganho credencial pra parar o carro no estacionamento. A partir daí, após passar pelo detector de metal, tive que andar quase 100 metros pra pegar um carrinho e chegar a um portão, que ainda não era o meu. Depois disso tive que andar mais 100 metros para chegar ao meu portão, que era o C”, contou Luciana, que anda com ajuda de duas muletas após um acidente em que fraturou sua coluna há 14 anos.


Aposentada, ela conta que perguntou aos voluntários se havia uma cadeira de rodas para poder se locomover com mais facilidade, já que o Mineirão tem diversas escadas. 


“Me falaram que a cadeira só era usada para um caso de emergência. Para eles aquilo não era emergência. Depois disso peguei uma fila grande com pessoas que não tinham deficiência”, lembrou.


Ao se deparar com quatro lances de escada, Luciana pediu ao seu irmão que procurasse um elevador. 


“Chegando lá os voluntários falaram que o elevador estava desligado ou com defeito e que eu tinha que arrumar um jeito. Meu irmão falou com a polícia e eles pediram para que os policiais subissem para me ajudar a descer”, contou.  Os policiais então a carregaram e levaram ao assento descrito no ingresso.


“Quando meu irmão desceu pra perguntar porque não tinha elevador, eles alegaram que meu ingresso não era pra deficiente com dificuldade de locomoção, mas sim pra idoso ou obeso. Eles falaram isso e não resolveram o assunto. Se não fosse a polícia eu ainda estaria lá”, desabafou Luciana.


Ao ir embora, ela afirmou ter passado pelos mesmos problemas, tendo que pedir novamente ajuda aos policiais. 


“Fiquei revoltada. Sou tranquila com essa situação e às vezes até entendo, mas não entendo porque não fazem as coisas da maneira certa. As pessoas passavam e ficavam indignadas com a falta do elevador. Fiquei revoltada e triste, por saber paguei caro e chega na hora não tem padrão Fifa, como dizem. Na Europa ou outro lugar não aconteceria isso”, disse.


Luciana terá mais dois jogos pela frente no Mineirão nesta Copa do Mundo. Ela comprou ingressos para as oitavas de final, jogo que poderá ter a Seleção Brasileira na capital mineira caso se classifique em primeiro do Grupo A, e para semifinal. Porém, ela disse que tentará trocar os ingressos para um assento mais apropriado.


“Minha preocupação é tentar trocar os ingressos. Explicar que não tem como chegar a esse local, mas se não tiver jeito eu vou porque pode ser que seja o jogo do Brasil. A euforia vai ser maior. Vou tentar ir. Espero que esteja melhor”, completou.


A reportagem do Terra tentou entrar em contato com a Fifa, responsável pelo evento. Porém, até a publicação dessa matéria, o órgão não respondeu.


Fonte: Terra


23 de jun. de 2014

Locutora da Fifa para pessoas com deficiência visual troca gritos por informações

Logo da Copa do Mundo 2014
"Enquanto os narradores normais gritam aquele gol longo, há muita informação em campo. É isso que eu tento contar." 


Mauana Simas é uma das 16 locutoras voluntárias escaladas pela Fifa para narrar as partidas da Copa do Mundo para pessoas com deficiência visual.


O serviço está disponível nos jogos disputados em quatro cidades-sedes (Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo) e visa atender a torcedores com deficiência parcial ou total de visão que forem aos estádios do Mundial.


Para acessá-lo, basta um rádio normal ou um smartphone, já que as transmissões estão disponíveis em canais abertos de FM.


O estilo de locução é bem diferente dos rádios comerciais, sem tantas propagandas ou preocupação com comentários e análises táticas e técnicas.


"No começo da partida, por exemplo, temos a preocupação de passar a atmosfera da partida, falar como os torcedores estão vestidos e se há espaços vazios no estádio. O principal é o que está acontecendo em campo", disse Mauana.


O treinamento dos profissionais de locução para pessoas com deficiência visual durou três meses. A prioridade foi dada a voluntários estudantes de jornalismo.


O equipamento adquirido pela Fifa instalado em cada estádio será doado após o Mundial para entidades brasileiras que desejem dar sequência ao projeto no país.


Confira as rádios que transmitem o serviço de audiodescrição:


Belo Horizonte: 103,3 FM
 
Brasília: 98,3 FM
 
Rio de Janeiro: 88,9 FM
 
São Paulo: 88,7 FM


Fonte: O Tempo


Fifa diz que vendeu quase 20 mil ingressos para pessoas com deficiência e apresenta sistema para cegos em 4 estádios

Logo da Copa do Mundo 2014


Dois dias depois da partida entre Argentina e Bósnia-Herzegovina e na véspera do confronto decisivo entre Espanha e Chile, os detalhes do plano do Maracanã, no Rio de Janeiro, para receber jogos da Copa do Mundo-2014 ainda eram discutidos. 


Em entrevista coletiva sobre acessibilidade na manhã da última terça-feira, no próprio estádio, a Fifa anunciou que já vendeu quase 20 mil ingressos para pessoas com deficiência física ou obesos, e detalhou algumas adaptações realizadas para recebê-las.


"O número de compra desse tipo de ingresso foi muito alto, e ainda temos alguns ingressos para serem vendidos. Lançamos um apelo para quem está interessado. Ainda há 1.487 ingressos para as três categorias em algumas partidas, não para todas, é claro. Encorajamos pessoas com deficiência, obesos, ou de cadeira de rodas e mobilidade limitada, a comprar. 19.533 ingresos já foram vendidos", anunciou o chefe de Responsabilidade Social da Fifa, Federico Addiechi.


Segundo a Fifa, 1% da capacidade dos estádios têm sido disponibilizada para pessoas com deficiência em todos os jogos do Mundial. Entre as adaptações para recebê-las, a entidade citou assentos, banheiros, estacionamentos e "faixas" especiais, além de passarelas e voluntários treinados na assistência a cadeirantes.


A maior novidade contempla, particularmente, os cegos ou pessoas com visão prejudicada: um serviço de comentário descritivo das partidas, disponibilizado apenas no Maracanã, na Arena Corinthians, no Mineirão e no Mané Garrincha. 


Convidado especial do evento desta terça-feira, o campeão paralímpico e bicampeão mundial de futebol de cegos Anderson Dias elogiou o sistema, que experimentou na partida da Argentina.


"Ver o jogo com uma maior descrição, saber como os lances ocorreram, é de muita valia. A gente sempre briga, sempre solicita, e a Fifa disponibilizou essa acessibilidade. Esperamos muito, muito mesmo que passando a Copa esse legado continue, possa ser levado a outros lugares, para que todos os cegos tenham como assistir e se sentir incluídos", afirmou Dias.


Além da narração do que está ocorrendo em campo, semelhante ao que é feito nas transmissões de rádio, o sistema dá os detalhes do que está ocorrendo dentro do estádio, desde a vestimenta dos técnicos até o comportamento da torcida, além de informações de serviço. 


A ideia, segundo a Fifa, é incluir o deficiente na experiência de estar no estádio.


"No começo da partida a narração passa uma mensagem total sobre o público, quem está ali, onde está cheio, onde está vazio, como o público está vestido, se as pessoas estão com cara pintada. No domingo destacamos que o técnico da Argentina estava de terno, arrumado, e o da Bósnia estava de agasalho. Damos inclusive informações de serviço, onde se localizam os banheiros, para a pessoa se locomover com mais facilidade no estádio, além de informações de segurança, comida. É uma prestação de serviço o mais completa possível para quem está dentro do estádio. E além disso, claro, narramos o que está acontecendo em campo. É muito rico, uma experiência completa", afirmou Joyce Cook, diretora do Centro de Acesso ao Futebol na Europa.


Fonte: ESPN


18 de jun. de 2014

Copa do Mundo tem locução de rádio para pessoas com deficiência visual nos estádios

Foto do símbolo da deficiência visual


Os jogos em quatro sedes da Copa do Mundo reservam uma atenção especial às pessoas com deficiência visual. 


Desde a partida de estreia entre Brasil e Croácia, os estádios de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte têm transmissões de rádios desenvolvidas especialmente para torcedores cegos.


Feita por voluntários do torneio, a locução é diferente das rádios tradicionais, pois é mais descritiva. 


A reportagem da Gazeta Esportiva acompanhou uma parte da transmissão do jogo de abertura, que foi realizada por uma equipe de três pessoas, com os narradores Natália Caldeira e André Varanda e o produtor Gabriel Mayr.


"Nós damos todas as informações do estádio. Nas outras rádios, por exemplo, o grito de gol do narrador é mais longo. Aqui, nós informamos que foi gol e detalhamos a comemoração, dizendo que o Neymar marcou e foi comemorar com a torcida, enquanto o Hulk correu para ganhar um abraço do Felipão...", explicou Mayr. 


Os voluntários não são necessariamente profissionais de rádio, mas receberam um treinamento específico para a função, inclusive em partidas dos campeonatos locais. 


"Não é (um estilo) tão opinativo, mas sim descritivo. Depois, se quiser ir para uma rádio saber a opinião dos comentaristas, o torcedor vai ouvir. Nós podemos dizer até que o Neymar errou dez passes, mas não que está jogando mal", acrescentou.


Produtor no jogo de São Paulo, Mayr será o narrador em partidas no Rio de Janeiro. No projeto, duas pessoas se revezam transmitindo o mesmo duelo. A ideia não é descrever apenas o que acontece no campo, mas também nas arquibancadas.


"Nós explicamos por que os torcedores estão vaiando. No telão, apareceu uma camisa do Inter e quem está nos ouvindo não sabe que a vaia foi por isso. Em um dos jogos que fizemos de treinamento, do São Paulo, a bola estava no meio-campo e começaram a comemorar. Nós informamos na transmissão que estavam comemorando por causa de um bandeirão do Rogério", comentou Mayr.


Para propagar o serviço, que começou a ser utilizado em jogos de campeonatos europeus, a Fifa enviou mensagem para torcedores que adquiriram ingressos, avisando sobre a disponibilidade.


Com início de dez minutos antes das partidas, as transmissões da rádio são feitas para as pessoas com deficiência visual que estão nas arquibancadas, nas seguintes frequências: Belo Horizonte (103,3 FM), Brasília (98,3 FM), Rio de Janeiro (88,9 FM) e São Paulo (88,7 FM).


Fonte: Terra


Crea-MT constata falta de acessibilidade no Fifa Fan Fest


Foto do palco do Fifa Fan Fest de Cuiabá


Para o período dos jogos da primeira fase da Copa do Mundo, foi preparado um local especial para receber os turistas torcedores em Cuiabá (MT), o Fifa Fan Fest. 


Instalado no antigo Parque de Exposições da Acrimat, o espaço tem uma área de 40 mil metros quadrados e capacidade de até 52 mil torcedores, onde serão transmitidos os jogos, seguidos de shows nacionais e regionais, do dia 12 a 24 de junho.
 

A pedido do Ministério Público Estadual, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT) realizou uma operação fiscalizatória para averiguar a documentação das instalações e atividades realizadas no local e principalmente analisar se o local está acessível a toda população, condição imposta por lei federal e constante também no Plano Diretor do município. 


"É importante salientar  que este espaço deve estar preparado para receber torcedores com todos os tipos de necessidades, afim de proporcionar um tratamento igualitário a todos, direito este constitucional", esclareceu Givaldo Dias Campos, coordenador de acessibilidade do Crea-MT.
 

Durante a operação, ficou constatado que o espaço não está adequado para receber as pessoas com deficiência, uma vez que as calçadas, arquibancadas, balcões de atendimento, principais acessos e até mesmo o palco não estão instalados de acordo com as normas de acessibilidade. 


"O que verificamos é que as pessoas com deficiência motora, visual e auditiva não terão como frequentar o espaço. Faltam pisos táteis, rebaixamentos adequados, sinalizações, rampas de acesso com corrimões, enfim, visivelmente o espaço não atende o direito fundamental de igualdade e dignidade que se esperava já que se trata de um espaço público que receberá milhares de pessoas vindas de várias partes do mundo".


O  relatório completo contendo todas as irregularidades encontradas no local foi encaminhado no mesmo dia da vistoria (11/06), ao Ministério Público para a tomada das providências cabíveis. 


Fonte: Expresso MT


17 de jun. de 2014

Prefeitura de Guarujá (SP) adapta material sobre a Copa para alunos surdos do Município




A inclusão de alunos com deficiência é algo trabalhado com muita dedicação pela Prefeitura de Guarujá. 


Com o Brasil sediando pela segunda vez, a Copa do Mundo da Fifa, a Unidade Polo de Educação Bilíngue, na Escola Municipal Napoleão Rodrigues Laureno, adaptou, em Língua Brasileira de Sinais (Libras), um vídeo criado pela Secretaria Municipal de Educação (Seduc). 


O material traz informações sobre o torneio que será realizado em terras brasileiras.


O intuito é expandir o trabalho aos estudantes surdos do Município. Toda a produção foi idealizada pelas professoras Adriana Nascimento e Patrícia Duarte, da EM Napoleão Rodrigues Laureano. 


Em cima do que foi elaborado pela Seduc, as professoras se preocuparam em tornar acessíveis as informações para os alunos surdos do Município. 


E para integrar os intérpretes de Libras no vídeo foi necessário um trabalho de um mês e meio, pois tudo foi analisado pela instrutora de Libras, Maria Elisa Galvão, para o direcionamento correto do vídeo produzido.


Com isso, os alunos assistiram a um material que traz curiosidades sobre o campeonato mundial, como a criação da logomarca oficial para o Brasil e também a produção do Fuleco, mascote oficial da Copa do Mundo 2014. 


Na sala de aula também estiveram Maria Elisa e os dois intérpretes de libras, Deborah Fonseca e Manuel Carvalho, que acrescentaram ainda mais para o conhecimento da língua de sinais para aos estudantes.


Além de aprenderem quais são os sinais em Libras de todas as seleções que estarão no Brasil, a seleção da Bósnia que está hospedada em Guarujá também foi contemplada no vídeo, já que é a primeira vez que participa do Mundial.


Para a professora Patrícia Duarte, essa é uma ação com o propósito de expandir as informações entre os alunos. 


“A receptividade em relação ao vídeo vem sendo muito boa por parte dos estudantes com deficiência auditiva, que estão aprendendo diferentes curiosidades”, explicou Patrícia.


O vídeo está disponível para professores especializados que atendem alunos com deficiência auditiva nas três Unidades Polos de Educação Bilíngue de Guarujá, que são: E.M. Napoleão Rodrigues Laureano, E.M. Antônio Ferreira de Almeida Júnior e E.M. Professora Dirce Valério Gracia, servindo de apoio para professores especializados e alunos que possuam deficiências auditivas.




13 de jun. de 2014

Paraplégico chuta bola com exoesqueleto de Nicolelis, mas quase ninguém viu

Foto de Juliano Pinto chutando a Brazuca


O brasileiro paraplégico Juliano Pinto, de 29 anos, chutou a Brazuca na abertura da Copa do Mundo de 2014, em São Paulo, nesta quinta-feira (12). Mas quase ninguém viu. 


A transmissão ao vivo estava na festa e, de repente, mostrou o chute, com a bola já em movimento, e o homem em pé com braço erguido. Um segundo, e a câmera voltou para a festa.


O momento esperado da ciência demonstra o exoesqueleto - uma estrutura metálica que dá sustentação ao corpo e reage a comandos do cérebro, como andar e chutar - criado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. O estudo iniciado em 2001 tem sua primeira exibição pública.


Ainda serão publicados os estudos científicos que embasam e explicam a tecnologia usada para fazer com que uma pessoa que não consegue movimentar os membros por uma ruptura na medula possa, com impulsos do cérebro, comandar uma estrutura robótica.


Na internet, muitas pessoas reclamaram da pouca exibição, que não mostrou o paciente levantar da cadeira de rodas, andar e chutar a bola, como havia sido intensamente prometido. 


A TV Globo tentou, depois, se redimir ao reprisar e narrar o chute, mas como não havia mais imagens gravadas, não conseguiu mostrar o paciente andando e chutando a bola. No pouco mais de 1 segundo, só é possível ver um pequeno movimento e a bola já em movimento.


Fonte: UOL


Às vésperas da Copa, deslocamento especial para cadeirantes no perímetro Fifa desperta dúvidas

Foto do símbolo da acessibilidade
Para pessoas com deficiência que compraram ingressos para jogos da Copa no Beira-Rio e não conseguiram as limitadas credenciais veiculares para estacionamento na área coberta do estádio, a EPTC promete transponte simples e acessível de 17 pontos ao redor do perímetro estabelecido pela Fifa.



As vagas de estacionamento não são oferecidas pela Fifa durante a Copa do Mundo para o público em geral, mas o Comitê Organizador Local (COL) informou a Zero Hora que haverá alocação de espaços para pessoas com deficiência nos estacionamentos cobertos utilizados pela Fifa - as credenciais veiculares, que dão direito espaços limitados e sujeitos à disponibilidade. 


O COL garante que a Prefeitura de Porto Alegre oferecerá transporte para deficientes e pessoas com mobilidade reduzida a partir do início do perímetro decretado pela Fifa ao redor do Beira-Rio, mas não especifica quais são as alternativas de deslocamento.


Contatada, a EPTC esclarece a questão: haverá 17 pontos, chamados de pontos de filtragem 


de trânsito, antes da área limite da Fifa. Neles, pessoas com deficiência podem apresentar seus ingressos e garantir transporte em carros elétricos até a rampa de acesso ao estádio Beira-Rio. 


A Fifa também conta com dois pontos, ambos na Avenida Edvaldo Pereira Paiva - na esquina com a Avenida Ipiranga e na esquina com a Avenida Padre Cacique.


Veja onde ficarão os pontos de referência para pessoas com deficiência no entorno do Beira-Rio:
 

Quem pretende deixar seu veículo nos estacionamentos credenciados - na PUCRS e no Jockey Club - terá transporte acessível do local até o cruzamento da Borges de Medeiros com a Praia de Belas (na linha PUCRS - Estádio) e até a Pinheiro Borda com a Padre Cacique (na linha Jockey - Estádio).


Os estádios brasileiros, por lei, devem reservar 4% de seus lugares a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. No entanto, para a Copa do Mundo, o percentual foi reduzido a apenas 1%.
 

Saiba mais sobre os parâmetros de acessibilidade para a Copa do Mundo
 

1% é o mínimo da capacidade total de espaços e assentos nas arenas e centros de treinamento que devem ser destinados às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. 


A norma foi regulamentada pela portaria 205, publicada no Diário Oficial da União, em setembro deste ano.
 

As exigências da Fifa
 

As posições para os cadeirantes devem ser distribuídas de forma a oferecer um bom ângulo de visão para o campo.


Rampas de acesso em todas as entradas e elevadores para chegar aos diferentes níveis da arena.


As cadeiras para os deficientes visuais devem ficar próximas às tribunas de imprensa, para que esses torcedores consigam ouvir as narrações.


Locais específicos para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida também nos camarotes e áreas VIP.


Piso tátil em todas as áreas de circulação e comunicação visual em braile.
 

Estacionamento
 

O decreto-lei de acessibilidade 5.296 estabelece que todos os locais públicos e privados de uso coletivo como as arenas, devem ter, no mínimo, 2% de suas vagas de estacionamento reservadas para pessoas com deficiências físicas. 


Os parâmetros das vagas exclusivas são definidos por recomendação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
 

Parâmetros
 

As vagas devem conter o símbolo internacional de acessibilidade na horizontal (no chão) e sinalização vertical (por meio de placas)


O espaço de circulação deve ter um adicional de 1,2 metro entre os veículos, podendo ser compartilhado em caso de estacionamento paralelo ou perpendicular. Também devem levar até a rampa de acesso.


A posição deve ser privilegiada ou pelo menos disposta a evitar a circulação entre veículos
 

De quantas vagas para deficientes dispõem os estádios da Copa do Mundo (para os jogos e nos estacionamentos):
 

Beira-Rio - Porto Alegre
 

56 mil lugares
124 para cadeirantes
100 vagas de estacionamento exclusivas para pessoas com deficiência
 

Arena Corinthians - São Paulo*
 

68 mil lugares
962 reservados para pessoas com deficiência e acompanhantes
160 para obesos
160 para cadeirantes
 

Maracanã - Rio de Janeiro
 

78,8 mil lugares
627 reservados para pessoas com mobilidade reduzida
111 para cadeirantes
101 para obesos
856 lugares para acompanhantes
8 vagas de estacionamento exclusivas para deficientes
 

Mané Garrincha - Brasília
 

72,8 mil lugares
735 reservados para pessoas com mobilidade reduzida
156 para cadeirantes
735 lugares para acompanhantes
601 vagas de estacionamento exclusivas para deficientes
 

Estádio Fonte Nova - Salvador
 

50 mil lugares
358 reservados para pessoas com mobilidade reduzida
66 para cadeirantes
60 para obesos
16 para deficientes visuais
500 lugares para acompanhantes
40 vagas de estacionamento exclusivas para deficientes
 

Arena Pernambuco - Recife*
 

46 mil lugares
453 reservados para pessoas com mobilidade reduzida
68 para cadeirantes
60 para obesos
478 lugares para acompanhantes
 

Arena da Amazônia - Manaus
 

44,5 mil pessoas
118 reservados para pessoas com mobilidade reduzida
264 para cadeirantes
62 para obesos
444 lugares para acompanhantes
6 vagas de estacionamento exclusivas para pessoas com deficiência
 

Estádio Castelão - Fortaleza
 

63,9 mil lugares
1.220 reservados para pessoas com mobilidade reduzida
335 para cadeirantes
120 para obesos
100 vagas de estacionamento exclusivas para pessoas com deficiência
 

Mineirão - Belo Horizonte
 

62,1 mil lugares
621 assentos ergonômicos destinados a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, usuários de cadeiras de rodas e obesos
53 vagas de estacionamento exclusivas para pessoas com deficiência
 

Arena Pantanal - Cuiabá
 

44 mil lugares
157 reservados para pessoas com mobilidade reduzida
130 para cadeirantes
157 para obesos
50 vagas de estacionamento exclusivas para pessoas com deficiência
 

Arena da Baixada

 - Curitiba*
 

43 mil lugares
88 reservados para pessoas com mobilidade reduzida
212 para cadeirantes
46 para deficientes visuais
88 para obesos
 

Arena das Dunas - Natal
 

521 lugares para pessoas com deficiências
80 vagas de estacionamento exclusivas para pessoas com deficiência
*Não informaram
 
 
Fonte: ZH