18 de dez. de 2012

Parceria transforma clássicos da literatura em audiolivros

Pilha de livros com um fone de ouvidos 
 
“Ler é sonhar pela mão de outro”, declamou Fernando Pessoa em seu Livro do Desassossego. Com o objetivo de transformar esse sonho em realidade e ampliar a facilidade de acesso à informação, a Universidade de São Paulo criou seis audiolivros em formato DAISY (Digital Accessible Information System) para auxiliar estudantes com deficiência visual em sua preparação para o vestibular.

O projeto é uma parceria entre o Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi) da USP, o Programa USP Legal, a Editora Martin Claret e a Empresa eDaisy, desenvolvedora do software que possibilita a migração de conteúdos para o formato DAISY, padrão internacional de acessibilidade. A proposta faz parte do Programa de Acessibilidade mantido pelo SIBi, com apoio da Reitoria.

“Nosso programa consiste em migrar conteúdos produzidos pela própria comunidade uspiana e dos quais tenhamos os direitos autorais”, explica Sueli Mara Ferreira, diretora técnica do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP. “Com a aproximação da primeira fase da Fuvest nos ocorreu prestar mais esse serviço à comunidade.”

 
Os candidatos com necessidades especiais são classificados em 5 grandes grupos, que exigem procedimentos distintos por parte da Fuvest: Deficientes visuais, auditivos, físicos, disléxicos e outros tipos. Neste ano, a Fuvest recebeu um total de 72 inscritos com deficiência visual. Os candidatos  solicitam provas em Braille ou ampliadas dos tipos I e II. As provas correspondentes são preparadas por uma equipe com experiência nessa tarefa.


A lista de obras para o vestibular contém 9 títulos em 2012. Os livros editados pelo projeto do SIBi foram Til (José de Alencar), Memórias de um sargento de milícias (Manuel Antônio de Almeida), Memórias póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), O cortiço (Aluísio Azevedo), Viagens da minha terra (Almeida Garret) e A cidade e as serras (Eça de Queirós), todos em domínio público.


Apesar de todos os volumes migrados serem de domínio público, as versões utilizadas pelo projeto são de propriedade da Editora Martin Claret “que também está preocupada com a questão da inclusão social e cedeu seus direitos gratuitamente”, esclarece Sueli.


“Dentre os conteúdos que busca tornar acessível, o SIBi entendeu como sendo de grande relevância e extensão social, a inclusão dos livros exigidos pela Fuvest”, explica a diretora. 


Nesse sentido, o projeto buscou cooperação com editoras detentoras desses materiais e encontrou um grande parceiro da Editora Martin Claret que, além de possuir os direitos de seis dos nove livros exigidos na primeira fase, ainda gerou uma série de roteiros de leitura e perguntas que orientam os alunos sobre os principais pontos do texto.

Os títulos serão disponibilizados tanto online, no site do projeto, quanto em suporte físico, reproduzido pelos grupos parceiros no projeto. O SIBi ficou responsável pela criação do website e a Martin Claret forneceu a última versão dos títulos em formato PDS, viabilizando a conversão dos textos para o formato DAISY por parte da Editorial Maluhy.

 
“Além da curva da estrada”

Para o futuro, o SIBi espera criar um Portal de Livros Daisy aberto publicamente na web onde serão incluídos diversos conteúdos USP, além dos livros que figuram na lista da Fuvest.


“Também estamos estudando a possibilidade de deixar esse Portal aberto para que pessoas da comunidade possam depositar arquivos em áudio ou DAISY que tenham produzidos e que possam ser compartilhados com terceiros”, conta Sueli.
 

Com o objetivo de expandir não apenas seu catálogo, como também sua abrangência, o projeto pretende criar mais espaço entre a comunidade para discussão do tema da acessibilidade. 

“Embora tenhamos iniciado nosso programa com foco na deficiência visual, pretendemos ampliá-lo paulatinamente”, finaliza.
 
As obras estão disponíveis online desde o dia 23 de novembro.

Fonte: USP

17 de dez. de 2012

Pessoas com deficiência: apenas 11% têm emprego

 

O Censo Demográfico 2010, apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que em Mogi das Cruzes existiam, no momento da pesquisa, 22.538 pessoas com idade entre 15 e 59 anos pessoas com algum tipo de deficiência, sem vínculo empregatício ou qualquer ocupação no mercado de trabalho. 

No entanto, a pesquisa traz informações de diversos tipos do problema, seja visual, quando é necessária apenas a utilização de óculos, até motor e mental.
A dificuldade em se estabelecer um dado exato da situação é comprovada com outra pesquisa feita pela Prefeitura. O Relatório da 1ª Amostragem da Pessoa com Deficiência do Município 2011/2012 revela que 11,1% da população com deficiências estão inseridas no mercado de trabalho.

O que significa que 88,9% destas pessoas ainda estão à procura de uma colocação, levando em conta a faixa etária considerada produtiva, de 16 a 59 anos. No entanto, a Coordenadoria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (Copede) não divulgou o número total deste levantamento, que ainda está em fase de conclusão.

De acordo com o diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) - Regional Mogi das Cruzes, Werner Ludwig Stripecke, esta é uma questão muito complexa e, no caso das indústrias, “o que deveria ser uma ação positiva, tem se transformado numa verdadeira dor de cabeça”. 

“Afinal, a Lei está aí para ser cumprida e a fiscalização do Ministério do Trabalho fica em cima, autuando empresas que não conseguem cumprir a determinação por um simples motivo: não encontram deficientes em número suficiente para atender a porcentagem exigida”, afirma.


Franquia aposta em mobilidade para pessoas com deficiência

Carro adaptado com elevador para cadeira de rodas 


No Brasil o mercado de bens e serviços de tecnologia assistiva, voltado para a mobilidade de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, faturou em 2011 cerca de R$ 1,5 bilhão, segundo dados do Grupo Cipa Fiera Milano, organizador da 11ª Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (Reatech), que aconteceu em abril em São Paulo. A estimativa para 2012 é de um aumento de 20%.
 
Fundada em 1968, um pouco por acaso, a Cavenaghi aposta nesse mercado. "Um ex-combatente da Segunda Guerra foi até a oficina pedir ao sr. Júlio Cavenaghi, criador da empresa, que era conhecido por ser inventivo, que criasse uma forma para que ele pudesse voltar a dirigir, mesmo sem uma das pernas", conta Mônica Cavenaghi, diretora comercial da marca.

 A invenção possibilitou acionar a embreagem por meio de um manete junto à alavanca de câmbio, como nas motocicletas, e foi instalada em um Fusca.

Havia um problema: o cliente não tinha habilitação. "Os dois foram juntos ao Detran de São Paulo tentar provar que era possível dirigir daquela forma. E conseguiram", diz Mônica.

A história teria parado por ai, mas informalmente o Detran começou a indicar a oficina e com o tempo Júlio deixou de consertar carros antigos. Ele patenteou a invenção, criou novas soluções e passou a se dedicar somente a essa modalidade de mecânica.

Atualmente, a Cavenaghi trabalha com mais de 2 mil itens divididos em cinco linhas de produtos: direção; transportes (para receber a pessoa na cadeira de rodas); autonomia; cadeiras de rodas e acessórios (ligados à mobilidade da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida); e adequação postural (que trabalha com a personalização dos produtos).

Crescimento e modelo de franquia
 
Cerca de 5 mil carros são adaptados ou transformados pela empresa anualmente. Por conta de fatores como o aumento de empregos para pessoas com deficiência, crédito especial e um cenário econômico positivo, esse nicho de mercado está cada vez mais atraente. "Ainda há muito crescimento pela frente. 

Costumo dizer que, quando tudo vai mal, crescemos 10% ao ano", aponta Mônica. "Acho que a lei de cotas tem muito a ver com isso. As pessoas estão inseridas no mercado de trabalho e, automaticamente, no mercado de consumo."

A rede, que já contava com 40 pontos autorizados, decidiu apostar em franquias em 2011. "Percebemos que precisávamos expandir nosso número de lojas completas, com todas as soluções, como temos na unidade de São Paulo", explica Mônica. 

Hoje, a marca conta com duas unidades próprias - São Paulo e Rio de Janeiro - e duas unidades franqueadas - São Carlos (SP) e Salvador.

Para 2013, a meta é chegar a 10 lojas em todo o País. Para isso, busca franqueados que se identifiquem com o negócio. "Devem ter espírito empreendedor, e é desejável que, de alguma forma, já estejam envolvidos com esse universo. Seja pela profissão ou por meio de pessoas próximas que, por algum motivo, façam parte do universo dos nossos clientes", afirma Mônica.

O franqueado Sérgio Coelho, dono da unidade de São Carlos, decidiu abandonar o negócio que tinha na área de distribuição de alimentos para investir na franquia. "Entrei na rede em agosto de 2011, motivado pelo meu filho Igor, que tem síndrome de Down, e pela falta de uma loja como a nossa na região", conta.

Para ele, o grande benefício é o pioneirismo da rede. "São produtos e soluções de qualidade, com mais de 40 anos de mercado", aponta. Mas a novidade do tipo de negócio também é o grande desafio que deve ser vencido no longo prazo. 

"Temos que quebrar paradigmas e mostrar aos profissionais e às pessoas com essa necessidade de mobilidade que existem produtos com tecnologia que oferecem conforto, qualidade de vida e segurança", defende. 

Para 2013, o empresário espera aumentar o seu faturamento em 30% em relação ao primeiro ano do negócio.

A expectativa da Cavenaghi é encerar o ano com um faturamento de R$16 milhões, o que representa um crescimento de 20%. "Para 2013 espero o mesmo crescimento, planeja Mônica.


Lente de contato pode curar a cegueira

Símbolo da deficiência visual
Uma lente de contato biodegradável, criada por cientistas da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, pode se tornar uma maneira revolucionária de restaurar ou conservar a visão.

 As informações são do jornal “Daily Mail”. Segundo a publicação, o implante é repleto de células-tronco, que têm a propriedade de se transformarem em qualquer outro tipo de célula do corpo e reparar o tecido afetado. 

Partindo deste princípio, os cientistas criaram a tecnologia para curar a córnea, camada transparente na parte mais externa do olho, que quando danificada é responsável pela maior parte dos casos de cegueira no mundo.

Usando uma série de procedimentos complexos, os pesquisadores conseguiram criar um disco muito fino, que é fixado sobre a córnea e aos poucos vai sendo absorvido pelo organismo, depositando as células-tronco no olho.


“O disco tem um anel externo que tem pequenas bolsas, nas quais as células-tronco extraídas do olho saudável do paciente podem ser depositadas”, explicou o Ílida Ortega Asencio, doutor da Faculdade de Engenharia de Sheffield.


“O material do centro do disco é mais fino que o anel externo, então ele vai se biodegradar mais rapidamente, permitindo que as células-tronco se proliferem na superfície do olho para reparar a córnea”, completou Ortega.


Hoje, a cegueira corneal é tratada com transplantes ou através da inserção de células-tronco no olho do paciente através de uma membrana humana, que tem de ser doada e carrega temporariamente as células para o olho. O problema é que, para alguns pacientes, esta técnica para de funcionar após alguns anos, já que o olha não retém as células reparadoras.


Fonte: Portal Nacional de Tecnologia Assistiva

Audiodescrição mobiliza especialistas em encontro nacional na UFJF

Paulo Romeu Filho e Lívia Maria Villela de Mello Motta
Lembrada como o Dia Nacional do Cego e de Santa Luzia, a data de 13 de dezembro foi escolhida pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) para dar início ao 2º Encontro Nacional de Audiodescrição e o 3º Encontro de Acessibilidade.

 A abertura, que teve como tema “Audiodescrição e o acesso à cultura e à informação”, reuniu cerca de 110 pessoas no prédio Itamar Franco, na Faculdade de Engenharia, no campus.

Representando os audiodescritores, a professora Lívia Maria Villela de Mello Motta ressaltou que o assunto tem atraído pessoas de diversas áreas, como artes cênicas, dublagens e cinema, além de ter aumentado o número de publicações acadêmicas. 

“Nossa intenção é regularizar a audiodescrição de forma que as pessoas cegas possam escolher a peça teatral ou o filme de acordo com seu gosto pessoal, e não como única opção.”

O secretário Nacional de Promoção dos Direitos à Pessoa com Deficiência, Antônio José Ferreira, frisou a importância da audiodescrição para o acesso de deficientes visuais à comunicação. Segundo ele, o Brasil é um dos países que mais discute o assunto na América Latina.

Já o representante da Organização Nacional dos Cegos do Brasil (ONCB), Clóvis Alberto Pereira, citou ações que deveriam ser implementadas no país para melhorar a acessibilidade, como ampliar o acesso nas televisões abertas e por assinatura, incluir a audiodescrição em escolas públicas e privadas e promover cursos de extensão acadêmica nessa área.

Ressaltando que ainda há muito por fazer no Brasil acerca do tema, o representante do público consumidor da audiodescrição, Paulo Romeu Filho, lembrou que o Ministério das Comunicações instituiu como obrigatórias duas horas de audiodescrição a cada 168 horas de programação da TV aberta. 

“Isso é muito pouco. Devemos aumentar a quantidade de horas e a diversidade dos programas, como novelas e shows, não apenas filmes.” Ele citou possíveis soluções para melhorar a educação de deficientes visuais: aumento do número de professores com conhecimento básico em audiodescrição; formação de profissionais com disposição de trabalhar na área; e produção de livros didáticos no formato Daisy (sigla em inglês para Sistema de Informação Acessível Digital).

Cultura e acessibilidade

Depois da mesa de abertura, a deficiente visual Sara Bentes cantou a música “Pra quê”, de sua autoria. A letra fala sobre pessoas com a mesma deficiência: “Se quiser me ajudar, pergunte primeiro se eu preciso. E se for me ajudar, pergunte primeiro como”.

No final do evento, foi apresentado o filme “Colegas”, premiado no Festival de Gramado, e produzido por Marçal de Souza, também deficiente visual. O filme conta a história de três jovens com Síndrome de Down que adoram cinema e decidem fugir do instituto onde moravam para se aventurarem na estrada, depois de assistir “Thelma e Louise”. 

Cada um tem o um sonho a realizar – casar, voar, ver o mar. “A intenção é mostrar a vida comum, e que os telespectadores esqueçam que os personagens têm Down”, afirma Souza. O filme foi disponibilizado em audiodescrição.

O olhar do público

A professora de Educação Física no Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Maranhão, Ana Maria Lima Cruz, apaixonou-se pela audiodescrição. Ela dá aula para alunos com deficiência visual e afirma: 

“O meu grande desafio era transcrever a linguagem corporal em palavras, e a audiodescrição é um recurso que vai me dar suporte para fazer esse trabalho na escola”.

A atriz de dublagem Mônica Magnani faz audiodescrição de filmes para televisão há cerca de um ano. Ela afirma que na maioria das vezes não se tem a resposta do deficiente visual quanto ao trabalho realizado. 

Ela comentou, ainda, o processo de produção: “Temos que passar a informação da forma mais sucinta possível e só podemos falar nos trechos sem diálogo no filme, de forma a não deixar o áudio poluído, pois também deve haver um intervalo para se saborear o silêncio”.


Conheça mais sobre o decreto nº 5.296, da Presidência da República, que estabelece normas e critérios para promover a acessibilidade de pessoas portadoras de deficiência

Outras informações: 

(32) 2102-3944 – Coordenação de Acessibilidade Educacional, Física e Informacional (Caefi) (32) 2102-3283 – Grupo de Pesquisa em Inclusão, Movimento e Ensino a Distância (Gime)

14 de dez. de 2012

Seguridade aprova reserva de concessões de táxi para pessoa com deficiência

Táxi acessível
A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou na quarta-feira (5) o Projeto de Lei 2286/11, da deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL), que reserva 10% das vagas em concessões, permissões ou autorizações de exploração do serviço de táxi para pessoas com deficiência. 

A proposta altera a Lei 8.987/95, que regulamenta os regimes de concessão e permissão da prestação de serviços públicos.

De acordo com o projeto, a pessoa só poderá concorrer às vagas reservadas se o veículo for de propriedade dela e conduzido por ela. 

]O carro precisa estar adaptado às necessidades do condutor, nos termos da legislação vigente, e estar identificado, em local de fácil visualização, como veículo da pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida.

Para a autora, a acessibilidade física não é a maior barreira a ser transposta para que essa parcela da população possa ter sua autonomia garantida. 

“Vencer o preconceito de que a pessoa com deficiência não está apta às atividades laborais e ao provimento do próprio sustento é um passo mais difícil que transpor as barreiras arquitetônicas, pois depende de uma mudança cultural de toda a sociedade.”

O relator, deputado Alexandre Roso (PSB-RS), lembrou que já existe previsão de reserva de vagas nas empresas para pessoas com deficiência. 

 “Não há por que não criar a mesma oportunidade em outras áreas de atuação laboral, como o empreendedorismo individual, por meio da reserva de percentual nas concessões, permissões ou autorizações de exploração do serviço de táxi para pessoas com deficiência”, disse.
 
Tramitação
 
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Tetraplégico volta a andar e conta sua saga em livro

Messias
Messias Fernandes tinha 14 anos quando um mergulho no rio provocou fraturas em quatro vértebras cervicais e tirou-lhe os movimentos abaixo do pescoço. 

O socorro não poderia ser mais desastroso: foi puxado pelos braços e pelas pernas; carregado em carrinho de mão, que trepidou por ruas de terra; transportado no banco traseiro de um Fusca, com a cabeça no colo de uma prima. 

Dois hospitais negaram-lhe o mais básico atendimento - imobilizar seu pescoço.

Quando chegou ao Hospital Municipal Salgado Filho, soube do médico que a medula estava gravemente comprimida. 

"Se mexer demais o pescoço, você pode morrer", disse o médico. Tinha tudo para dar errado. Mas Messias conta essa história caminhando pelo Jardim Botânico, ainda que com dificuldade.

Contrariando os pareceres médicos, conseguiu ser operado. Fez fisioterapia na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) por 19 meses, 8 dos quais internado. E saiu dali andando, com a promessa de que voltaria. 

Hoje é psicólogo da instituição, onde atende jovens com histórias parecidas com a sua. Aos 31 anos, lançou o livro Renascendo de um Mergulho, pela editora Livros Ilimitados, no dia 3 de dezembro, Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência.

O acidente ocorreu em fevereiro de 1995, quatro dias depois de Messias completar 14 anos. O pernambucano de Bom Jardim passava férias na casa de parentes, em Magé, na Baixada Fluminense, e mergulhou num rio. 

"Senti o impacto na hora, pensei que alguém tinha colocado uma pedra sobre o meu peito, e só a cabeça estava livre." A prima Daniele o encontrou na margem do rio. E improvisou o resgate.

No Salgado Filho, recebeu o diagnóstico de que havia fraturado as vértebras C3, C4, C5 e C6 e a informação de que os médicos nada podiam fazer. 

Foram 23 dias de internação. A alta veio com a recomendação de que buscasse atendimento na ABBR, entidade reconhecida pela excelência em reabilitação, que atende pelo SUS.

Mas a lesão não estava estabilizada e uma especialista indicou o ortopedista Deusdeth Gomes do Nascimento, especialista em cirurgia de coluna. 

"Minha primeira avaliação foi de que era irreversível. Mas fiquei com aquilo na cabeça. Era um garoto, alguma coisa tinha de ser feita", conta Nascimento, hoje presidente da ABBR.

O médico teve de convencer a própria equipe de que a cirurgia seria possível. Descomprimiu a medula, fixou as vértebras com enxerto ósseo e placa de titânio. 

Nada foi cobrado pela cirurgia. Dois meses depois, o estudante voltava ao consultório do especialista caminhando.

 "É uma cena que você não esquece. Esse caso do Messias exige reflexão: sempre vale a pena tentar."

O livro trata das dificuldades de Messias na reabilitação; o desafio de aprender a escrever com a mão esquerda - foi um ano de treinamento até voltar à escola -; a árdua rotina que incluía trabalho, dois estágios e faculdade.

Como psicólogo, tenta mostrar para os médicos que eles não "trabalham no terreno da certeza". 

"O discurso precisa ser técnico, mas muitas vezes o paciente não está preparado para ouvir. Alguns médicos, diante da própria impotência, usam esse discurso de que não há mais saída. Ninguém tem o direito de tirar a esperança do outro."