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10 de abr. de 2015

Colóquio de libras será realizado na Unir centro neste sábado em Porto Velho



O "I Colóquio: Pesquisas atuais na área de surdez" será realizado neste sábado (11), às 13h, no auditório da Universidade Federal de Rondônia (Unir), unidade do Centro de Porto Velho. 


As inscrições são gratuitas e realizadas na Unir-centro, localizada na avenida Presidente Dutra, nº 2965.


De acordo com a organização, o objetivo principal é divulgar as atuais pesquisas realizadas na área da educação e surdez, promover a socialização de conhecimentos entre surdos e ouvintes e sensibilizar a sociedade para as diferentes formas de perceber o mundo e pensar sobre ele.


O evento é coordenado pelo professor, surdo, Amarildo João Espíndola, do Departamento de Línguas Vernáculas da Unir e conta com a participação de professores e pesquisadores das Universidades Federais da Bahia, da Fronteira Sul e do Amazonas, além de mestrandos da Unir.


Entre os temas abordados no colóquio estão: Representações culturais dos surdos na literatura surda; As falas do silêncio: narrativas da história de Rondônia em LIBRAS; Os desafios da formação docente na aprendizagem dos alunos com surdez na rede municipal de Ji-Paraná; Os desafios da implantação do curso de Letras Libras e Os desafios do professor surdo no Ensino Superior.


Fontes:  G1  /   Rede Saci


7 de mai. de 2014

Ministério inaugura central de Libras em Fortaleza

Foto do alfabeto de Libras
Foi inaugurada na ultima segunda-feira (28/04), em    Fortaleza a Central de Interpretação de Libras (CIL). 


Parte da política do governo federal dentro do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite, a ação irá criar 44 unidades em todo o País até o final de 2014.


Com a presença da ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), esta será a segunda CIL criada no estado do Ceará. 


A primeira foi inaugurada em Juazeiro do Norte (CE) e já atende uma população surda estimada em 15,5 mil pessoas, além de outras dos municípios próximos, como Crato e Barbalha.


A Central de Interpretação de Libras auxilia pessoas surdas que necessitam de intérpretes para acessar serviços públicos. 


Após o agendamento, o usuário se encaminha até a CIL onde recebe apoio de traslado acompanhado de um intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para auxiliá-lo no diálogo com atendentes da rede pública.


“As pessoas que não têm a surdez não imaginam o quanto é difícil para as pessoas surdas acessarem serviços públicos elementares como uma consulta de certidão negativa na Receita Federal ou uma consulta de rotina em uma médico da rede pública. 


Essa política da criação das Centrais de Interpretação de Libras traz o exercício de cidadania pleno a estas pessoas”, disse o secretário Antônio José Ferreira.


A CIL de Fortaleza funcionará de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 17 horas. O estado do Ceará soma cerca de 2,3 milhões de pessoas com deficiência.


A solenidade de inauguração contará com a presença do secretário nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antonio José Ferreira, da SDH/PR, do secretário municipal de Cidadania e Direitos Humanos, Karlo Kardozo e demais autoridades.

Central de Interpretação de Libras (CIL)

Local: Casarão da Criança - Rua D. Pedro I, nº 461 - Centro


Fonte: Portal Brasil

20 de jun. de 2013

Entidades criam canal de TV on-line para deficientes auditivos

Foto dos apresentadores da TV Ines durante o programa
Em parceria com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) anunciou o lançamento da TV INES, um canal de web TV para surdos. 

A iniciativa é destinado aos 9,7 milhões de deficientes auditivos em todo o país.

Segundo a Exame, a TV INES, primeiro canal desenvolvido para este público, conta com 12 horas diárias de programação linear — incluindo programas produzidos especialmente para ele, como "Piadas", "Aulas de Libras" e "Tecnologia".

O canal também exibirá atrações adaptadas para a emissora, como "Salto para o Futuro", "Via Legal", "Brasil Eleitor" e filmes e desenhos animados com edição e tratamento visual voltados aos surdos.

31 de mai. de 2013

TV para surdos exibe desenhos, piadas e telejornais; saiba mais

 
Segundo estimativas divulgadas pela diretora do INES, Solange Rocha, o Brasil possui cerca de 5 milhões de surdos, números mais do que suficientes para fazer jus à existência de uma emissora voltada para este público.

Veiculada apenas via Internet (clique AQUI para acessá-la), a TV INES ambiciona chegar à TV aberta. 

A emissora possui uma programação variada, que vai de programas humorísticos como o “Piadas” a informativos como o “Tecnologia”, que mostra novidades e avanços tecnológicos que podem facilitar a vida dos deficientes auditivos.

Outras atrações, como filmes e desenhos animados, são adaptadas pela TV INES, que reedita as imagens e insere um quadro com linguagem de LIBRAS e legendas na tela. 

São os casos do “Salto para o Futuro”, “Via Legal”, “Brasil Eleitor”. Há ainda o “Jornal Visual” em três edições diárias, único telejornal dedicado aos deficientes auditivos no Brasil.

A meta agora é produzir mais conteúdo, ampliando o menu de títulos feitos pelo canal e reduzindo assim a parcela de programas adaptados. 

A emissora conta hoje com programação diária de oito horas e sua operação ainda é tratada como experimental.

6 de mai. de 2013

Nove milhões de brasileiros possuem deficiência auditiva, afirma IBGE

Símbolo da deficiência auditiva
Dados do IBGE afirmam que 9 milhões de brasileiros possuem deficiência auditiva. Muitas vezes, o problema começa com o uso de fones de ouvidos ou com a exposição excessiva ao barulho de lojas, bares e casas noturnas.

Segundo a fonoaudióloga Patrícia Caldas, um dos sintomas da perda auditiva é o aumento da intensidade da voz, mas somente esse fator não é suficiente para dar o diagnóstico. 

“Trabalhar exposto a ruídos podem provocar perdas auditivas e exames periódicos podem indicar o problema. Outros sintomas seriam zumbidos e dificuldade para entender as pessoas”, afirma.

Os zumbidos estão relacionados à intensidade do ruído e ao tempo de exposição. Segundo o otorrinolaringologista Lupércio Brito, eles podem ser temporários, mas, se houver uma exposição continuada, eles podem tornar-se crônicos.

A prevenção pode ser feita através de uso de Equipamentos de Proteção Individual, além da realização de exames periódicos, para quem precisa trabalhar exposto aos ruídos.
Fonte: G1

18 de mar. de 2013

Nova resolução permite que planos de saúde cubram implante de ‘ouvido biônico’

Símbolo de deficiência auditiva
A partir de agora, os planos de saúde privados deverão cobrir a realização do implante coclear bilateral, popularmente conhecido como 'ouvido biônico', sem restrições de idades. 

A decisão tomada pela Justiça Federal de São Paulo atende ao pedido, formulado em março de 2011, pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC). 

O ‘ouvido biônico’ é um aparelho eletrônico utilizado para restaurar a audição em pessoas com surdez severa.

Devido à cobertura obrigatória pelos planos de saúde, essa questão não pode ser mais revista pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Em junho de 2011, a Justiça Federal negou o pedido de liminar para que o ‘ouvido biônico’ fosse incluído entre os procedimentos assegurados. No entanto, a PRDC recorreu a essa decisão e, além de incluir esse implante, em casos de surdez pré-lingual em crianças de seis e 18 anos, a cirurgia unilateral ou bilateral também entraram para a lista.

A desembargadora Marli Ferreira explica que o implante coclear é de suma importância para a sobrevivência dos pacientes, pois trará uma melhora geral na saúde de pessoas com surdez pré-lingual bilateral. "Negar o procedimento implica desrespeito às normas constitucionais que garantem direito à saúde e à vida".

Antes das novas resoluções, o procedimento era realizado em apenas um dos ouvidos, já que o custo da cirurgia era de aproximadamente R$ 150 mil.

Fonte: R7

12 de mar. de 2013

Menina com deficiência auditiva começa a ouvir após receber implante de dispositivo eletrônico no RS

Símbolo de deficiência auditiva
Em uma sala de espera do Hospital Santa Clara, na Capital, a dona de casa Vera Lucia Ferreira de Lima, 40 anos, deliciava-se com uma dúvida: que palavras gostaria que a filha ouvisse ao abandonar a surdez total? Entre tantos apelidos afetuosos, “amor”, “amor de mãe”, “coração” ou “tuti”?

Primeira paciente a receber um implante coclear bilateral simultâneo no Rio Grande do Sul, Francielly, aos dois anos e meio, escutou a voz e o choro dos pais na quarta-feira pela manhã.

Um mês depois da cirurgia que permitiu a colocação dos dispositivos eletrônicos a partir de incisões atrás das orelhas, a família de Uruguaiana voltou a Porto Alegre para a ativação do implante. 

A fonoaudióloga Márcia Kimura, vinda de São Paulo especialmente para esse procedimento, programou os eletrodos para funcionar, observada por uma atenta equipe do Ambulatório de Otorrinolaringologia. Recepcionou Francielly com um coala de pelúcia usando dois aparelhos auditivos.

— Que lindo o seu “papapá” novo. Você viu o “papapá” do coala? Igual ao seu — comentou Márcia, batizando com uma alcunha mais simpática o processador de som.

Há crianças que choram ou se inquietam quando o implante coclear é acionado – para quem vive no silêncio completo, o contato inicial com os sons pode parecer assustador. Ao ouvir os ruídos de teste emitidos por um programa de computador, Francielly, que tem uma deficiência auditiva profunda diagnosticada nos primeiros meses, levou a mão imediatamente ao ouvido esquerdo. Logo cobriu o rosto com as duas mãos, a boca aberta em um biquinho, como se demonstrasse o espanto provocado pela novidade.

— Está ouvindo? — perguntou o pai, o militar aposentado Nilton Sertório Garcia Escobar, 59 anos, em lágrimas, segurando-a no colo.

Francielly apontava com o dedo o próprio ouvido. Márcia avisou que o microfone passaria a captar os sons do ambiente. Olhou para Vera, sinalizando que chegava o momento que a mãe aguardara em ansiosa expectativa.


— Oi, coração — saudou Vera, tirando fotos.

Francielly traduziu o estranhamento em tranquilidade. Apontava com o dedo o próprio ouvido, depois o ouvido do pai, fazia “sim” movimentando a cabeça, respirava fundo. Segundo a fonoaudióloga, mesmo se tornando agora capaz de escutar, ela ainda não consegue fazer a associação entre as palavras e os seus significados – terá que aprender, como qualquer criança, a dar nome aos objetos e às pessoas que a cercam.

— Hoje ela nasceu auditivamente — definiu Márcia.

A primeira suspeita de comprometimento da audição surgiu no segundo mês de vida. Vera preparava o almoço, e Francielly repousava no bebê-conforto, a pouca distância. Num descuido, a mãe deixou a tampa de uma panela de ferro cair no chão. Apesar do estrondo, a filha não esboçou qualquer reação. Seguiram-se outros episódios que aumentaram a desconfiança, como o dia em que a menina dormiu o tempo inteiro, imperturbável, durante uma festa de aniversário que teve queima de fogos de artifício.

Aos três meses, o teste da orelhinha, que deveria ter sido aplicado imediatamente após o parto, indicou alterações, e exames subsequentes comprovaram a surdez. Um dos ouvidos mantinha um resquício de audição, capaz de registrar apenas barulhos em volume altíssimo. Vera diz que a filha jamais atendeu a um chamado. Francielly chegou a usar um aparelho externo, mas, com um ano de idade, a perda já era total.

— A perspectiva de a minha filha viver em silêncio a vida inteira era terrível — conta Nilton, emocionado ao lembrar o dia em que ela, ao final do culto na igreja que frequentam, dirigiu-se até um piano e pressionou as teclas, produzindo um arremedo de canção que não conseguia captar.

Próximo passo, aulas na Turminha do Pernalonga

Durante o período de avaliações médicas e tentativas de obter a cobertura completa do plano de saúde para o implante – dos R$ 177 mil totais, Nilton terá de arcar com R$ 35 mil, parcelados em 10 anos –, a família adaptou a linguagem. O casal e os filhos dos relacionamentos anteriores de ambos desenvolveram códigos para integrar a caçula na rotina.

Há gestos para representar as atividades mais comuns: comer, beber suco, tomar banho. Francielly aperfeiçoou a gramática doméstica, indo além do be-a-bá dos sinais: mostra a palma da mão, pedindo que o interlocutor aguarde, e manda beijos ao executar alguma traquinagem que certamente receberá o olhar reprovador dos pais. Afeita ao convívio com os demais, interagindo sem constrangimento por meio de balbucios, Francielly sempre provoca a curiosidade dos adultos.

— Por que ela não fala? A minha filha fala de tudo — questionou uma mãe na pracinha, certa vez, iniciando um diálogo que se repete em outras ocasiões.

— Ela não escuta, mas ela vai escutar — respondeu Vera.

A dona de casa antecipa o próximo foco da curiosidade alheia: os acessórios que compõem a parte externa do implante coclear, visíveis sobre as orelhas e o couro cabeludo. Busca dicas de adaptação e até alguns truques em fóruns de discussão na internet, mas garante não se importar.

— Todo mundo fala e a sua filha não fala. Dói, né? Eu sei que a deficiência nunca vai deixar de existir, mas ela vai ter uma chance — comemorou a mãe.

Depois da regulagem, a família recebeu orientações sobre a manutenção do aparelho, que será retirado na hora do banho e de deitar. A próxima consulta deve ser realizada em até três meses.

— No início, orientava-se colocar o implante somente em um ouvido. Nos últimos cinco anos, os estudos mostram que as crianças têm um desenvolvimento muito melhor quando o implante é bilateral. Uma coisa é enxergar com um olho, outra é enxergar com os dois olhos — comparou Maurício Schreiner Miura, coordenador do Programa de Implante Coclear da Santa Casa. — Foi um sucesso. Ela vai ter uma vida normal — acrescentou o otorrinolaringologista que acompanha a paciente.

Antes de seguir para a rodoviária, onde o trio tomaria um ônibus para as nove horas de viagem até a Fronteira Oeste, Vera listou os planos mais imediatos para Francielly: o início das aulas na escola infantil Turminha do Pernalonga, na segunda-feira, brincadeiras no pátio com os cachorros Bidu e Lobo, sessões dos desenhos animados preferidos, com os personagens Pica-pau e Bob Esponja. Logo mais, um curso de balé, para o qual a malha rosa e a saia rodada já foram compradas – Francielly adora dançar.

— Agora ela vai ouvir música e o som dos passarinhos — disse a mãe.

28 de fev. de 2013

ONU premia software brasileiro que traduz mundo digital para surdos

Página inicial do site Mãos que falam em que aparece o personagem Hugo
São comuns os aplicativos na internet que fazem tradução entre diferentes idiomas. A novidade é uma ferramenta digital que transforma textos, imagens e arquivos de áudio em uma língua especial: sinais para surdos. 

O programa foi desenvolvido por três alagoanos e acaba de receber um importante prêmio internacional. O Mãos que Falam venceu o World Summit Award Mobile (WSA-Mobile), uma competição bienal promovida pelas Nações Unidas e parceiros. Representantes de 100 países participaram da disputa que escolheu 40 finalistas em oito categorias. Hugo, o avatar do aplicativo que usa as mãos para conversar com os usuários, levou para casa o prêmio da categoria Inclusão.

O personagem funciona como interface para traduzir conteúdos digitais na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). “Esta é a primeira língua que os surdos aprendem, só depois vem o português”, explica o Diretor Executivo do projeto, Ronaldo Tenório, um dos três idealizadores do Mãos que Falam.

Segundo ele, ainda existe um percentual elevado de surdos que não entende bem português e que, por diferentes motivos, abandonou a escola sem uma alfabetização completa. O programa pretende facilitar a compreensão.

O software reconhece as palavras de uma mensagem de texto, por exemplo, e o personagem Hugo interpreta o significado em Libras. O caminho inverso – a possibilidade de responder em libras que seriam convertidas em texto – faz parte dos planos para uma segunda etapa do projeto. 

Os cuidados agora estão em aperfeiçoar os códigos que funcionam como cérebro do avatar: quanto mais for usado, mais precisas se tornam as traduções.

Hugo também ajuda na interpretação de imagens que tenham texto, como a capa de um jornal. O usuário fotografa a página e a imagem é varrida pelo programa em busca de caracteres. Um sistema de reconhecimento lê o conteúdo, que é traduzido em gestos. Tenório diz que a mesma ferramenta poderia ajudar na leitura de placas de informação.
 
“Queremos fazer com que o surdo entenda conteúdos e tenha acesso ao conhecimento”, afirma.
Acesso gratuito

Além disso, Tenório trabalha ao lado de Carlos Wanderlan, Tadeu Luz – idealizadores do programa – e uma equipe de mais 20 pessoas para deixar tudo pronto para o lançamento oficial dos aplicativos para celular.

A previsão é que o software possa ser baixado em smartphones com diferentes sistemas operacionais no segundo semestre deste ano. Por hora, a empresa comercializa licenças da versão web do programa, que pode ser instalada em qualquer site para torná-lo acessível a quem depende dos sinais.

Tenório explica que essas licenças são comercializadas, mas o usuário final não paga pelo serviço. “Entendemos que o surdo não precisa pagar para ter acesso a informação, e os aplicativos para celulares também serão gratuitos”, antecipa. 

A premiação internacional – que se seguiu a outras conquistas locais – alavancou a empresa, e hoje o que era apenas uma ideia se transformou na fonte de renda dos jovens empreendedores.

O destaque internacional deve render também novas parcerias. Por hora, Hugo não entende outras línguas, mas pode aprendê-las no futuro.

A sutileza no conjunto de gestos usados em cada país dificulta o trabalho, mas a empresa conta com consultores especiais: cinco surdos participam da equipe de desenvolvimento, e associações de deficientes auditivos de todo o país contribuem nos ajustes do personagem. 

Existem diferenças nos sinais de uma região para outra, e a equipe de desenvolvedores quer deixar o programa capaz de funcionar bem em todo o país. “Podemos dizer que até mesmo na Libras existe um sotaque”.

Fonte: DW (Ivana Ebel)
 

6 de fev. de 2013

Cursinho nega intérprete para aluna surda matriculada no centro de SP

Alfabeto em Libras
Matriculada em um curso pré-vestibular do Anglo na unidade Tamandaré, região central de São Paulo, uma aluna surda de 18 anos não poderá assistir às aulas. 

O cursinho não disponibilizará intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) durante as aulas.

Essa foi a informação que a mãe da aluna, Liliane Petris, 40, recebeu do cursinho dias depois de inscrever a jovem, que pretende prestar vestibular no fim deste ano.

Se a aluna quiser estudar, teria dito o diretor do cursinho, deverá transferir a matrícula para uma unidade a 20 km do local que ela escolheu. Isso porque apenas no prédio localizado na avenida João Dias (zona sul de SP) há um intérprete de Libras, apesar de não haver alunos surdos nessa unidade.

Além de ser distante, o curso que possui um profissional especializado só ocorre durante a tarde – a aluna se matriculou em aulas do período matutino--, que tem carga horária menor do que a escolhida.

"Já paguei a primeira mensalidade, minha filha tem o direito de escolher a carga horária, o período e onde quer estudar. Essa não pode ser uma decisão do Anglo", diz Liliane. As aulas do cursinho pré-vestibular começam no início de março.

"Primeiro, disseram que não havia espaço no tablado para o professor e o intérprete. Depois fui informada de que só iriam colocar o profissional em sala quando fossem obrigados pelo Ministério Público", completa.

Liliane fez a denúncia ao Ministério Público Federal nesta semana e pretende procurar também o Ministério Público Estadual.
 
Compromisso
 
Em 2008, o Anglo assinou um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) com o Ministério Público Federal e o Estadual, em que se comprometia a colocar um intérprete de Libras nas aulas regulares do curso "express" oferecido na unidade João Dias a partir do ano seguinte. O TAC define uma multa diária de R$ 3 mil em caso de descumprimento.

Liliane foi então informada de que, mesmo sem alunos surdos no prédio da zona sul, o intérprete não poderia ser deslocado para outro endereço, porque o termo assinado trata apenas das aulas na unidade João Dias.

Dessa forma, a mãe diz que foi orientada a procurar o Ministério Público, fazer uma denúncia e esperar um novo TAC ser assinado – o que pode demorar mais de um ano.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação define que o aluno com algum tipo de deficiência deve receber serviços de apoio especializados em escolas públicas e privadas. O problema é que o texto aborda especificamente o ensino regular – que não inclui cursinhos pré-vestibulares.

A mãe diz que outra aluna, também com deficiência auditiva, teve a matrícula negada na unidade do centro, porque foi informada pelo cursinho de que só poderia estudar no prédio da avenida João Dias.

Diante do problema, Liliane não só fez a denúncia ao MP, como também criou um abaixo assinado virtual pedindo a presença de intérpretes de Libras em cursinhos (veja aqui a petição pública).
 
Resposta
 
Em nota assinada por Marcelo Mirabelli, diretor do Anglo Vestibulares, o cursinho disse que é "sensível às dificuldades dos portadores de necessidades especiais" e que oferece o curso pré-vestibular na unidade João Dias, "totalmente adaptada para todos estudantes, portadores de necessidades especiais ou não".


30 de jan. de 2013

Guarujá (SP) garante estudo bilíngue para deficientes auditivos


 
A Prefeitura de Guarujá é pioneira no avanço da qualidade de ensino mais uma vez. O Município instituiu um novo cargo dentro do organograma da Secretaria de Educação: instrutores de Libras para atuarem no atendimento educacional especializado para o ensino desta língua. 

Os instrutores começarão nas quatro escolas pólos da cidade no inicio do ano letivo. Para o início da implantação, três instrutores, dois surdos e um ouvinte, ministrarão o ensino de LIBRAS.
 

 A rede municipal segue as recomendações do Ministério da Educação (MEC), e os instrutores atuarão no Programa de Educação Bilingue favorecendo o uso e a difusão da LIBRAS como língua de instrução além de ministrar aulas na educação infantil e no ensino fundamental.
Segundo a Coordenadora de Educação Especial, Ana Maria Lopes da Nova, o novo cargo veio para melhorar a educação dos deficientes auditivos. “Garantir esse direito é reconhecer a identidade da pessoa surda e favorecer o seu pleno desenvolvimento como cidadão”.
 

Na rede municipal existem 75 alunos surdos ou com deficiência auditiva, da creche à educação de jovens e adultos, distribuídos nas escolas pólos Profª Dirce Valério Gracia (Av. Dom Pedro I, 340, Jardim Tejereba), Prof. Antonio Ferreira de Almeida Júnior (Rua Marivaldo Fernandes, s/n, Jardim Tejereba), Dr. Napoleão Rodrigues Laureano (Av. Oswaldo Aranha, 365, Jardim Maravilha) e Benedita Blac Gonzalez (Rua Rio Solimões, s/n, Jardim Boa Esperança).

24 de jan. de 2013

Passista com deficiência auditiva desfila em escola de samba do ES

Foto ilustrativa de baianas dançando

Aos 15 anos, a passista Brunna Ramos Messias, que desfila pela Grêmio Recreativo Unidos da Piedade, em Vitória (ES), chama a atenção por onde samba. 

Quem vê o ritmo invejável e todo o gingado de Brunna demora a acreditar que a jovem nasceu com deficiência auditiva, aos seis meses de gestação. 

O pai de Brunna, o intérprete de apoio Bruno Messias, contou que, segundo os médicos, tanto o nascimento prematuro, quanto o fato de já ter duas pessoas com deficiência auditiva na família podem ter contribuído para o problema da jovem.

Com o tempo, o pai, que sempre esteve envolvido com o samba, passou a levar a menina aos ensaios da agremiação. "Ela acompanha a escola desde os dez anos. Quando eu ia ensaiar, ela sempre queria ir junto, para ver. Eu a levava para curtir e ela começou a pegar gosto e ficou", conta Bruno.

Ainda segundo Bruno, quem vê a passista em ação chega a duvidar da deficiência. "Muita gente que conhece ela há muito tempo às vezes tenta falar com ela normalmente, porque esquece que ela tem deficiência auditiva. Quando as pessoas a veem sambando, fica mais difícil ainda de acreditar", relata.

A própria Brunna explica o seu gingado e ritmo, por meio da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), e o pai traduz. "Ela diz que quando a bateria começa a tocar, sente no chão a vibração e começa a sambar", disse.

A passista mora com a avó, a aposentada Wanda Ramos, que transmite a mensagem deixada pela neta. "Ela chama as pessoas para sambarem também, porque as pessoas com deficiência auditiva têm condições, sim, de interagir com todo mundo", destaca.

Fonte: G1

22 de jan. de 2013

Língua de sinais poderá ser obrigatória em programas eleitorais

alfabeto em Libras
Os programas eleitorais poderão ter que ser também veiculados na Língua Brasileira de Sinais (Libras) e com legenda. A medida está prevista no Projeto de Lei 4537/12, da deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL).

A autora argumenta que as pessoas com deficiência auditiva precisam de instrumentos que lhes dê acesso à cidadania plena.

“O projeto de lei expressa essa preocupação e se inspira em ofício da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão de Brasília, de iniciativa da procuradora Eugênia Augusta Gonzaga, a qual salienta a importância de se colocar a legenda e janela de Libras à disposição da população surda”, diz.

Tramitação

A proposta, que irá a Plenário, será analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; e Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: 
Agência Câmara Notícias

12 de jan. de 2013

Regeneração de pelos no ouvido reverte surdez

Pelos ouvido (Foto: BBC)
Cientistas norte-americanos conseguiram reverter pela primeira vez um quadro de surdez ao regenerar os pequenos pelos que detectam os sons dentro do ouvido. O estudo, liderado por pesquisadores das universidades de Harvard e Massachusetts, foi publicado na revista científica Neuron.

Os testes foram feitos em ratos de laboratório. Como parte do experimento, as cobaias receberam uma injeção que estimulou o crescimento dos pelos dento de seus ouvidos. A audição normal não foi totalmente restaurada, mas os camundongos surdos passaram, após a medicação, a ouvir barulhos como a batida de uma porta ou do próprio trânsito.

Especialistas dizem ter ficado "extremamente contentes" com o resultado, mas alertaram que o tratamento em humanos ainda está longe de se tornar realidade.

A audição normal depende do processo de conversão das ondas de som em sinais elétricos, identificados e processados pelo cérebro. O primeiro passo nesse procedimento ocorre no interior do ouvido, onde as vibrações do som movimentam os minúsculos pelos, criando o sinal elétrico. A maior parte dos problemas auditivos, dizem os cientistas, são resultado de um dano nesses pelos.

Para conduzir o estudo, os pesquisadores do Massachusetts Eye and Ear e da Faculdade de Medicina de Harvard utilizaram camundongos completamente surdos e que não possuíam pelos em seus ouvidos.

Um medicamento foi, então, usado para afetar as células responsáveis pelo crescimento dos pelos. A droga "reprogramou" as células, alterando seus genes e estimulando sua transformação em células de pelos.

Pelos
Um dos pesquisadores, Albert Edge, diz: "Até agora, não era possível regenerar as células dos pelos em mamíferos adultos; isso é muito importante. Pela primeira vez, nosso estudo mostra que é possível".

Ressonâncias do cérebro mostraram que alguns sons puderam ser entendidos pelos animais. Segundo Edge, "houve um pequeno progresso, mas não um imenso progresso".

"Os camundongos agora podem detectar um barulho alto em uma frequência baixa, como a batida de uma porta ou o trânsito - mas isso ainda está longe de ser uma audição de características normais".

Avanços similares foram feitos com células-tronco em 2012. Nesse estudo, as conexões entre os pelos e o cérebro foram interrompidas e as células-tronco foram usadas para criar novas ligações. A reconstrução "capilar", entretanto, é um desafio muito maior.

Para Ralph Holme, responsável pela pesquisa biomédica na organização sem fins lucrativos Action on Hearing Loss, voltada para pessoas com deficiência auditiva, "a ideia que a droga pôde ser usada para 'enganar' a cóclea (porção interna do ouvido onde se encontram os terminais auditivos) e, assim, produzir novas células de pelos para melhorar a audição é fantástica e realmente oferece a esperança a milhões de pessoas buscando uma cura para a surdez".

"No entanto, é importante lembrar que essa pesquisa ainda está em estágio inicial e somente uma recuperação parcial da surdez foi observada", conta. "Será importante testar se tal procedimento será útil no tratamento de casos de surdez de longo prazo."

7 de jan. de 2013

Surdos usam sistema especial em processo seletivo do IFPB

Um grupo de candidatos surdos foi o primeiro a usar um sistema desenvolvido especialmente para o Processo Seletivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB) que aconteceu no domingo (23), em João Pessoa
 De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, o sistema consiste em uma transcrição do Português para a escrita em Libras e com conteúdo gravado em vídeo por intérpretes.

A intérprete de Libras do Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais do IFPB (Napne), Elisete Olinto Ferreira, explicou que o processo durou mais de um mês para ser preparado. 


“Eu e uma parceira de trabalho interpretamos o conteúdo das provas na linguagem de sinais com a ajuda de professores, depois a equipe da Coordenação de Audiovisual gravou as imagens em um  vídeo”.

Ainda de acordo com a assessoria, para cada um dos 12 candidatos surdos, 8 para os Cursos Técnicos Integrados e 4 para os Cursos Técnicos subseqüentes, foi disponibilizado um computador além de um intérprete.
 

Eles podiam rever as questões e as alternativas usando o CD e marcar a resposta que achassem certa no gabarito. Os computadores foram preparados apenas para fazer a leitura do vídeo, não dispunham de nenhum outro programa.
O reitor João Batista de Oliveira Silva que acompanhou o Processo Seletivo para os Cursos Técnicos Integrados e Subsequentes (PSCT) elogiou o trabalho da equipe envolvida no Processo Seletivo. Ele destacou o pioneirismo do IFPB entre os Institutos Federais no país nessa experiência com os surdos. 


“Eu considero este processo uma inovação tecnológica do nosso Instituto. Pude ver a alegria e a satisfação dos candidatos e isso é gratificante. Não tenho dúvida de que estamos avançando no sentido de uma escola cada vez mais inclusiva”, afirmou.
De maneira diferenciada

Outros quatro candidatos também fizeram as provas do PSCT em João Pessoa de forma diferenciada, segundo a assessoria do IFPB. Um candidato do Alto do Mateus com catapora fez o exame em casa e outros três em hospitais. Todos tiveram o acompanhamento de um fiscal. O IFPB também disponibilizou salas especiais para deficientes visuais e cadeirantes.


Fonte: http://g1.globo.com/pb/paraiba/

Ensino de Libras é abordado no curso Unesp/Univesp

Alfabeto em Libras
Em continuidade à disciplina Conteúdos e Didática de Libras, o curso de Pedagogia do projeto Unesp/Univesp promoveu para quarenta cursistas de Bauru duas palestras com o Intérprete nesta linguagem Luis Matheus, também professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE) para alunos com surdez.

A ação contou com uma apresentação geral da Libras e sua gramática. Além disto, o palestrante exibiu diferentes configurações das mãos e, ainda, fez explanações sobre a utilização do espaço e do movimento.

A iniciativa desta atividade veio a partir da sugestão de alguns alunos do polo, e das orientadoras Ana Beatriz Cardoso Domingues e Cínthia Magda Fernandes Ariosi. 

Para elas, foi de extrema importância levar aos cursistas de Bauru alguém que tem profundo conhecimento da linguaguem estudada na disciplina 24, para que fosse possível garantir um melhor aprendizado destes conteúdos.

“Fiquei mais tranquila por oferecer a eles a oportunidade de ouvir um profissional da área, com toda a qualificação necessária para tirar dúvidas e dar dicas importantes”, explica Ariosi.

Segundo a aluna Ana Carolina Faustino, estes momentos propiciaram o reconhecimento da realidade do trabalho com Libras na região, o esclarecimentos de algumas questões e a amenização de receios que muitas profissionais da educação possuem em relação a língua.

A docente Camila Chiquito Palhares, também cursista de Pedagogia, pondera que mesmo com a disponibilização de videoaulas, nada substitui a presença do professor. “Neste sentido, poder ter um contato pessoal, e não virtual, com um especialista no assunto foi bastante enriquecedor para todos”, relata.

Ariosi afirma, ainda, que incluir não somente atividades complementares no decorrer do curso, mas o próprio ensino de Libras como disciplina obrigatória já é um grande avanço na formação docente. 

“Pensando nisso, o tempo de duração da D24 poderia ter sido maior. Sabemos que não é possível, pois temos todo um cronograma ainda a cumprir, mas quanto mais nos aprofundamos melhor o resultado em sala de aula”.

Regulamentação da Libras

O ano de 2012 marcou o aniversário de 10 anos da regulamentação da Língua Brasileira de Sinais, que destaca em parágrafo único: “Entende-se como Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil”. Já no quarto parágrafo, determina que ela seja obrigatória em alguns currículos escolares.

Desde a sanção do então presidente da República Fernando Henrique Cardoso, a lei não apresentou mudanças. Ainda assim, de acordo com a professora de Libras Laís dos Santos di Benedetto, ela tem uma importância extrema pois trouxe uma valorização da língua no mundo atual e abriu caminhos para que as pessoas surdas tivessem uma vida como qualquer outro cidadão, com direitos e deveres.

“É claro que ainda não é totalmente aceita, pois existem pessoas com deficiência auditiva à margem deste progresso. Mas, de uma maneira geral, a regulamentação trouxe desenvolvimento e cidadania a esta parte da sociedade”, finaliza Benedetto.

18 de dez. de 2012

Bradesco Seguros lança serviço de acessibilidade para surdos

Símbolo da surdez
Com o avanço dos meios digitais já é possível quebrar uma grande barreira de comunicação entre os surdos e a sociedade.

O Grupo Bradesco Seguros lançou o serviço digital Bradesco Seguros LIBRAS, uma ferramenta de acessibilidade para a comunidade que utiliza a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). 

A ferramenta, inédita no Brasil, permite a tradução do português para LIBRAS.

Por meio de um avatar disponível nos sites da Bradesco Seguros, da Bradesco Auto/RE, da Bradesco Saúde e da Bradesco Vida e Previdência – empresas integrantes do grupo segurador – o usuário tem acesso ao conteúdo dos sites. 

As páginas disponíveis para tradução são identificadas por um ícone que remete a LIBRAS. Ao clicar no ícone, aparecerá o avatar.Entre os objetivos da solução, está o de quebrar a barreira de comunicação com os surdos que não conhecem a língua portuguesa ou preferem a Língua Brasileira de Sinais – um contingente estimado em 2,7 milhões de pessoas no Brasil. 

Bradesco Seguros LIBRAS foi desenvolvido em parceria com a ProDeaf, de Recife/PE, especializada em pesquisa e criação de plataformas de comunicação para surdos.

“Para melhor atender os surdos, consultamos essa comunidade, apresentando os protótipos com a participação direta de 18 pessoas colaboradores das empresas do Grupo Bradesco Seguros que passaram a atuar como disseminadores para outros 40 participantes. 

Nosso objetivo é fazer com que toda a comunicação do grupo segurador e das empresas que o compõem esteja acessível a esses cidadãos. 

Para isso, continuaremos a investir no aprimoramento de ferramentas cada vez mais adequadas”, afirma Enrique Adan, Diretor de Soluções Digitais do Grupo Bradesco Seguros.

A contribuição desses participantes foi fundamental na indicação de um personagem (avatar) que reunisse as características da língua utilizada pelos surdos. Isso porque a comunicação em LIBRAS envolve não apenas os movimentos das mãos, mas também expressões faciais e movimentos do corpo. 

Outro cuidado do desenvolvimento do aplicativo foi evitar uma tradução palavra a palavra - que não faz sentido para os surdos, que compreendem as informações por imagens -, mas, sim, fornecer uma versão da mensagem para se adequar à forma como eles captam as informações.

O serviço adotado pelo Grupo Segurador foi desenvolvido pela ProDeaf. A empresa, nascida no polo de tecnologia no nordeste brasileiro, conta com uma equipe integrada por programadores, linguistas, designers e também por surdos, que ajudam no entendimento das dificuldades diárias vivenciadas por eles. O Grupo Bradesco Seguros patrocina o Bradesco Seguros LIBRAS na versão web.
 

17 de dez. de 2012

Audiodescrição mobiliza especialistas em encontro nacional na UFJF

Paulo Romeu Filho e Lívia Maria Villela de Mello Motta
Lembrada como o Dia Nacional do Cego e de Santa Luzia, a data de 13 de dezembro foi escolhida pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) para dar início ao 2º Encontro Nacional de Audiodescrição e o 3º Encontro de Acessibilidade.

 A abertura, que teve como tema “Audiodescrição e o acesso à cultura e à informação”, reuniu cerca de 110 pessoas no prédio Itamar Franco, na Faculdade de Engenharia, no campus.

Representando os audiodescritores, a professora Lívia Maria Villela de Mello Motta ressaltou que o assunto tem atraído pessoas de diversas áreas, como artes cênicas, dublagens e cinema, além de ter aumentado o número de publicações acadêmicas. 

“Nossa intenção é regularizar a audiodescrição de forma que as pessoas cegas possam escolher a peça teatral ou o filme de acordo com seu gosto pessoal, e não como única opção.”

O secretário Nacional de Promoção dos Direitos à Pessoa com Deficiência, Antônio José Ferreira, frisou a importância da audiodescrição para o acesso de deficientes visuais à comunicação. Segundo ele, o Brasil é um dos países que mais discute o assunto na América Latina.

Já o representante da Organização Nacional dos Cegos do Brasil (ONCB), Clóvis Alberto Pereira, citou ações que deveriam ser implementadas no país para melhorar a acessibilidade, como ampliar o acesso nas televisões abertas e por assinatura, incluir a audiodescrição em escolas públicas e privadas e promover cursos de extensão acadêmica nessa área.

Ressaltando que ainda há muito por fazer no Brasil acerca do tema, o representante do público consumidor da audiodescrição, Paulo Romeu Filho, lembrou que o Ministério das Comunicações instituiu como obrigatórias duas horas de audiodescrição a cada 168 horas de programação da TV aberta. 

“Isso é muito pouco. Devemos aumentar a quantidade de horas e a diversidade dos programas, como novelas e shows, não apenas filmes.” Ele citou possíveis soluções para melhorar a educação de deficientes visuais: aumento do número de professores com conhecimento básico em audiodescrição; formação de profissionais com disposição de trabalhar na área; e produção de livros didáticos no formato Daisy (sigla em inglês para Sistema de Informação Acessível Digital).

Cultura e acessibilidade

Depois da mesa de abertura, a deficiente visual Sara Bentes cantou a música “Pra quê”, de sua autoria. A letra fala sobre pessoas com a mesma deficiência: “Se quiser me ajudar, pergunte primeiro se eu preciso. E se for me ajudar, pergunte primeiro como”.

No final do evento, foi apresentado o filme “Colegas”, premiado no Festival de Gramado, e produzido por Marçal de Souza, também deficiente visual. O filme conta a história de três jovens com Síndrome de Down que adoram cinema e decidem fugir do instituto onde moravam para se aventurarem na estrada, depois de assistir “Thelma e Louise”. 

Cada um tem o um sonho a realizar – casar, voar, ver o mar. “A intenção é mostrar a vida comum, e que os telespectadores esqueçam que os personagens têm Down”, afirma Souza. O filme foi disponibilizado em audiodescrição.

O olhar do público

A professora de Educação Física no Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Maranhão, Ana Maria Lima Cruz, apaixonou-se pela audiodescrição. Ela dá aula para alunos com deficiência visual e afirma: 

“O meu grande desafio era transcrever a linguagem corporal em palavras, e a audiodescrição é um recurso que vai me dar suporte para fazer esse trabalho na escola”.

A atriz de dublagem Mônica Magnani faz audiodescrição de filmes para televisão há cerca de um ano. Ela afirma que na maioria das vezes não se tem a resposta do deficiente visual quanto ao trabalho realizado. 

Ela comentou, ainda, o processo de produção: “Temos que passar a informação da forma mais sucinta possível e só podemos falar nos trechos sem diálogo no filme, de forma a não deixar o áudio poluído, pois também deve haver um intervalo para se saborear o silêncio”.


Conheça mais sobre o decreto nº 5.296, da Presidência da República, que estabelece normas e critérios para promover a acessibilidade de pessoas portadoras de deficiência

Outras informações: 

(32) 2102-3944 – Coordenação de Acessibilidade Educacional, Física e Informacional (Caefi) (32) 2102-3283 – Grupo de Pesquisa em Inclusão, Movimento e Ensino a Distância (Gime)

14 de dez. de 2012

Pinacoteca lança videoguia sobre obras para surdos

 


Os contornos da escultura de bronze "Guanabara", de uma mulher deitada, ganharam novos sentidos para a professora Luana Nascimento Figueiredo, 27, em visita à Pinacoteca. "Agora entendi o que inspirou o artista Alfredo Ceschiatti [1918-89]. Reparei nas curvas que representam o corpo de uma índia. Me lembrei do Pão do Açúcar, de quando fui para o Rio."

Luana tem surdez profunda e não ouve nem com a ajuda de aparelhos. Assim, nunca pôde usar audioguias, comuns em museus.

Na semana passada, porém, ela esteve na Pinacoteca acompanhada da sãopaulo e testou o videoguia que o local lançou em 9 de dezembro, em que uma intérprete explica obras em Libras (Língua Brasileira de Sinais).

No videoguia, há a descrição de 17 obras do acervo, como "O Mestiço", de Cândido Portinari, e "O Importuno", de Almeida Junior. O equipamento, chamado Orpheu e importado da França, pode ser retirado gratuitamente na recepção do museu.

"A primeira forma de comunicação dos surdos é em Libras e depois em português. Para oferecer acessibilidade, é preciso estimular os outros sentidos com o objetivo de compreender a arte", afirma Amanda Tojal, 57, coordenadora do Programa Educativo para Públicos Especiais do museu.

Além da Pinacoteca, outros endereços oferecem opções para deficientes físicos, auditivos e visuais, uma parcela da população que está crescendo.

 O número de pessoas com algum tipo de deficiência quase dobrou no país em uma década. Em 2000, eram 24,5 milhões, e em 2010, 45,6 milhões, segundo o IBGE. Na capital paulista, são 2,7 milhões, que somam cerca de 25% da população da capital.

"Com o aumento da expectativa de vida, o envelhecimento pode acarretar perda de visão, audição e locomoção. 

Nos centros urbanos, a violência também pode causar danos físicos", diz Cláudia Cotes, 44, da ONG Vez da Voz e uma das autoras do "Guia de Acessibilidade Cultural" (www.acessibilidadecultural.com.br ).

O Itaú Cultural estreou seu videoguia em Libras em setembro --iPads e iPods trazem vídeo em que surdos percorrem o espaço descrevendo obras.

"Para um surdo, ir ao museu pode ser muito chato porque vejo as obras, mas não entendo o significado.

 Às vezes, há um texto. Compreendo alguma coisa, mas minha primeira língua é Libras", disse Felipe Nicasttro Correia da Silva, 23, assistente-administrativo, ao visitar o local no mês passado.

Já no Museu de Microbiologia, do Instituto Butantan, o desafio foi tornar micro-organismos visíveis para cegos. O programa MicroToque, aberto em outubro, oferece modelos tridimensionais de vírus, bactérias e outros.