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29 de mai. de 2015

'Música não tem a ver com visão', diz tecladista com deficiência visual

Foto da banda Eletronaipe; Luiz está à esquerda de óculos escuros


"Ouvir, sentir e conhecer". Assim o tecladista da banda Eletronaipe descreve a sua relação, um pouco diferente da maioria dos músicos, com seu instrumento.  


Sem enxergar desde o nascimento, Luiz Otávio foi seduzido pelos sons do teclado logo aos quatro anos e agora disputa com a sua banda mais uma fase do programa SuperStar.


Para ele, ser músico envolve muito mais sentimento do que técnica. "Acredito que a música não tem a ver com visão. Você toca primeiro porque sente e conhece o instrumento. A partitura você vai ler, mas aquilo que se ouve é o que determina se está tocando certo ou não. Acho que tocar tem a ver com ouvir, sentir e conhecer o instrumento", explica o tecladista.


A relação com os companheiros de banda não é afetada pela deficiência do tecladista. Dudu, companheiro do Eletronaipe, garante que o tratamento dado a Luiz é mérito do próprio. 


"Ele é um cara do bem e super querido, por isso ele tem um tratamento especial. Não é pela deficiência", garante Dudu. Luiz diz que pessoas como ele precisam apenas de auxílio: "Eu procuro não me diferenciar de ninguém", explica.


Com mais de 20 anos de carreira e uma passagem aos 11 anos pelo Domingão do Faustão ao lado de Alexandre Pires, Luiz Otávio tem pouca idade, mas muita bagagem, graças ao incentivo de sua mãe. 


"A música brotou na minha vida quando eu era criança. Minha mãe achou que eu tinha talento, me deu um teclado e a coisa começou a se desenvolver sozinha", conta.


Depois de três anos aprendendo a tocar de ouvido, Luiz Otávio ingressou em uma instituição especializada no ensino para pessoas com deficiência visual no Rio de Janeiro e os convites começaram a acontecer. 


Entre apresentações na igreja e na escola, o tecladista fez sua estreia nos palcos do bairro onde morava, Campo Grande no Rio de Janeiro, para uma plateia de 800 pessoas aos nove anos. "Foi uma emoção enorme!", pontua.



Fonte: GShow  /  Vida Mais Livre



17 de out. de 2014

Fundação Dorina distribui livros infanto-juvenis impressos em fonte ampliada




A Fundação Dorina Nowill para Cegos distribuiu mais um lote do projeto Leitura em Todos os Sentidos, viabilizado por intermédio do Pronac 12 - Programa de inclusão educacional. 


No escopo do projeto foram distribuídos livros infanto-juvenis em fonte ampliada, ideal para pessoas com baixa visão, que precisam dos livros impressos com letras maiores para ter acesso à leitura.


Foram impressos 3 mil exemplares dos títulos Vidas Secas, de Graciliano Ramos, O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato , e O Grande Desafio, de Pedro Bandeira. 


Ao todo, mais de 2500 instituições em todo o Brasil foram beneficiadas e irão disponibilizar os títulos recebidos para ações educacionais e consulta em suas bibliotecas, ajudando na construção de uma educação mais acessível e inclusiva.


Bibliotecas, instituições e organizações que tenham interesse em receber livros nos formatos acessíveis às pessoas com deficiência visual – braille, fonte ampliada, digital acessível Daisy ou áudio, devem enviar um e-mail para leiturainclusiva@fundacaodorina.org.br para que possam fazer o cadastro e começar a receber os materiais.


Fonte: Rede SACI


15 de abr. de 2014

Pessoas com deficiência visual devem receber contas em braille

Dedos passam em papel com braille
Poucos paraibanos sabem, mas é lei em todo o Estado que as contas de água, energia elétrica e telefone fixo e móvel sejam emitidas com leitura em Braille, sem custo adicional, para aqueles consumidores que possuem deficiência visual.


Pensando na acessibilidade dos consumidores paraibanos, o autor da lei, o deputado estadual Dr. Aníbal Marcolino (PEN), informou que objetivo da norma é garantir aos cidadãos com deficiência visual o direito de receberem o detalhamento de seu consumo mensal de forma inteligível.


Apesar de estar em vigor desde o ano de 2011, o projeto de lei redigido por Dr. Aníbal ainda não é de conhecimento de todos os paraibanos, talvez até por conta do pouco interesse das empresas prestadoras de serviços de avisarem aos seus consumidores sobre este direito.
 
Quem deseja receber as contas adaptadas, deve entrar em contato com a empresa prestadora de serviços, realizar um cadastro e fazer a solicitação.
 
Em caso de descumprimento, as empresas estão sujeitas a advertência e penalidades contidas no Código de Defesa do Consumidor.
 
Exercendo seu segundo mandato, Dr. Aníbal Marcolino prima pelo bem-estar da população paraibana e aposta na sua experiência como médico para atuar na Assembleia Legislativa em defesa da vida e saúde dos paraibanos.
 
Fonte: PB Agora

21 de ago. de 2013

Menino cego aprende a se locomover usando técnica de morcegos

 

James Aspland, do condado de Kent, na Inglaterra, é cego de nascença e está aprendendo a técnica com um especialista em mobilidade para deficientes visuais, o americano Daniel Kish, que perdeu a visão aos 13 anos e preside a organização Acesso ao Mundo para os Cegos.

A técnica envolve a emissão de estalos agudos com a língua para ouvir como eles reverberam nas superfícies próximas, ajudando um deficiente visual a localizar objetos e perceber seu tamanho - e seu posicionamento em relação a eles - pelo eco que eles produzem.

Técnicas semelhantes são usadas por animais como golfinhos e morcegos, mas como eles podem emitir sons muito mais agudos, sua percepção dos objetos é muito mais precisa e detalhada.

Segundo o jornal local Kent Messenger, Jamie será acompanhando por 12 meses por Kish, que dará ideias para seu treinamento. O especialista diz que a técnica ajuda a identificar objetos grandes, como prédios, a uma distância de até 100 metros. 

Sua mãe, Debs Aspland, relatou uma ocasião em um parque, em que o filho conseguiu se desviar de uma cerca a tempo de evitar uma colisão.

O especialista, que treina pessoas no mundo todo, diz que 75% de seus “aprendizes” são crianças. Ele também pratica mountain bike e montanhismo, sempre utilizando a técnica.


Fonte:BBC BRASIL

12 de ago. de 2013

Obstáculos nas ruas dificultam a vida de cadeirantes e deficientes visuais

 Rampa de acessibilidade
 A mobilidade urbana é tema de reclamações em todo o Brasil. Além dos congestionamentos e problemas no transporte público, muitos obstáculos são encontrados no caminho dos motoristas e pedestres. 


Normalmente, eles são resultado de obras de empresas diferentes que deixam verdadeiras armadilhas para a população.

 

São empresas que prestam serviços para a prefeitura ou também, mesmo os órgãos públicos, que não se conversam. Fazem obras de qualquer jeito, para cumprir prazos, e o resultado é um gasto duplo: com a obra e com o conserto.Sem falar no risco para a população.
 


As rampas deveriam facilitar a vida de quem anda de cadeira de rodas, mas em Iguaraçu, no Paraná, não é bem assim. Tem rampa que leva a um muro, a uma entrada de veículos. “Se a gente for olhar, não tem serventia para o cadeirante estar transitando nessas rampas”, declara Roberto Mariano, operador de máquinas.


 

Com rampas desse jeito, quem precisa delas acaba seguindo pelas ruas. Já em Fortaleza os ciclistas sofrem com obstáculos nas ciclovias. Árvores e tijolos atrapalham. A prefeitura informou que planeja padronizar as ciclovias na cidade para que os ciclistas possam pedalar sem precisar fazer desvios.
 


Em um bairro de Goiânia, 15 postes estão no caminho dos moradores e enquanto não forem retirados de lá, o asfalto não será feito. Em São Luís, é preciso ainda mais atenção no trânsito. Em algumas avenidas só há semáforo em um dos sentidos da pista.
 


Há calçadas em São Paulo com um piso especial para ajudar na locomoção dos deficientes visuais. Mas em um trecho o traçado leva a uma mureta. Nós pedimos para Leonardo Leison, que é deficiente visual, para testar o piso e ver o que ele acha. Caminhou bem até se deparar com a mureta. 


“É uma situação complicada, né? Se eu não tivesse experiência, não fosse ‘macaco velho’, como dizem, poderia ter tropeçado ou pensar que era uma esquina, ficar sem entender nada”, diz.
 


Para o especialista João Álvaro de Moraes Felipe, Professor de Orientação e Mobilidade, a obra é inadequada: “No mínimo um equívoco grande aí, porque para algumas pessoas com deficiência visual, pode ser que eles consigam tirar de letra essa situação, mas tem tantos outros que poderão até sofrer um acidente se não tomarem cuidado. Vai ser uma situação não previsível por ele, vai ser surpreendido por esse desvio e para uma mureta”, diz.


 A prefeitura de São Luís, onde só tem semáforo de um lado da rua, disse que está providenciando os reparos. Em Iguaraçu (PR), a prefeitura pagou R$ 143 mil para a empresa que fez as rampas para deficientes e informou que deve levar o caso à Justiça para ser ressarcida pelos prejuízos. 


Em São Paulo, sobre a faixa para os cegos, a subprefeitura de Pinheiros afirmou que o piso tátil está em conformidade com as normas que tratam do assunto, mas disse que os técnicos vão ao local fazer uma nova vistoria.

10 de ago. de 2013

“Possibilidades de Ver”. Oficina de Máscaras aproxima deficientes visuais da arte.

mascara 
 Uma escultura fiel do rosto, a máscara pode até servir de uma espécie de “retrato tátil” para cegos


Por parte do próprio participante, a oficina propõe a confecção de máscaras para a modelagem de sua auto-imagem em gesso. “Possibilidades de ver” convoca os outros sentidos, que não o da visão, na realização coletiva da atividade.


Conduzida a partir do processo de áudio-descrição, inspiração que serviu a esta proposta, de fato surgida a partir de uma visita a exposição Gabinete Fluidificado do artista Mário Ramiro, com auxílio do método apresentado sob o acompanhamento da gestora para assuntos de acessibilidade do CCSP, Maria Helena Chenque. Ramiro é convidado da IV Mostra do Programa de Fotografia 2012/2013 pela curadoria de artes visuais, em cartaz até 25/8 no piso expositivo Flávio de Carvalho.

Desde que notório a falta de algo prático no ato de “sentir” outras maneiras de visitar uma exposição, escolhemos um objeto em exibição, o foto-livro chamado “Livro das Máscaras”, para desenvolver formas novas de pensamento e percepção acerca dos modos de ver arte.


Baseando-se na realidade de que as mostras de arte tem seu acesso estritamente circunscritas ao âmbito visual; por meio desta oficina aqui apresentada como ideia, nossa intenção é ativar impressões simbólicas além do espaço expositivo de Gabinete Fluidificado- e questionar as motivações e pretensões de torná-las acessíveis àqueles que não enxergam- o que geralmente é feito com a manipulação de material tátil fornecido institucionalmente como um modelo já pronto e fechado para a imaginação.


A dinâmica da oficina consiste em se criar um percurso de visita específico à exposição mencionada, assumindo experimentalmente que utilizaremos os recursos possíveis de áudio-descrição encontradas na mostra Gabinete Fluidificado de Mário Ramiro, quando moldaremos máscaras diretamente sobre as faces uns dos outros, para o grupo ao final poder senti-las como a criação de um conjunto colaborativo. 


O curioso é notar que a palavra IMAGEM vem do latim imago; o que significa representação, imitação: as máscaras na antigüidade eram geralmente feitas de cera e/ou gesso, e manuseadas a partir de um modelo de semblante, cópia das feições de um rosto.

Aos interessados: público entusiasmado em geral com a proposta, estudantes de arte, artistas em formação (videntes e pessoas com deficiência visual).

É preciso trazer os seguintes materiais: gaze gessada e/ou gaze normal, gesso, vaselina, tesoura, bacia, toalha de rosto.

Quando e onde: dia 15/8 (quinta-feira), das 14h as 17h e dia 17/8 (sábado) das 10h as 12h na Sala das Oficinas do CCSP (junto ao Espaço Missão).

Inscrições até o dia 13/8 (terça-feira): pelo e-mail artesplasticasccsp@gmail.com- vagas limitadas.


Coordenação: Maria Helena Chenque (Gestão de Acessibilidade)
Orientação: Diana Tsonis (Curadoria de Artes Visuais)
Colaboração: Biblioteca Louis Braille do CCSP



8 de ago. de 2013

A inclusão da criança com deficiência visual na escola




Um importante tema da inclusão será abordado por Eliana Cunha Lima, Assessora do Serviços de Apoio à Inclusão da Fundação Dorina Nowill para Cegos, em curso  no dia 16 de setembro, na Diálogo Social. 


O treinamento “A inclusão da criança com deficiência visual na escola” é destinado a professores, educadores, psicólogos, estudantes e profissionais que atuam com a educação.


O curso aborda uma preocupação antiga da sociedade com as escolas: a inclusão das crianças que apresentam qualquer deficiência. 


A educação é um direito de todos e é importante que os profissionais tenham conhecimento da deficiência visual, seus obstáculos e, sobretudo, como devem trabalhar esta questão para colocar em prática a inclusão e fomentar este conceito.


Mais informações sobre os dois cursos podem ser obtidas pelo site http://migre.me/fCowP.

 

“A inclusão da criança com deficiência visual na escola”  

Data: 16 de setembro de 2013, segunda-feira.
Horário: 9h às 18h.
Inscrições: http://migre.me/fCoxA
Informações: (11) 2978-6686  
Local do curso: Auditório Engenheiro João Francisco Zeppelini - Rua Bela Cintra, 178 - Consolação / São Paulo (SP)    
Carga horária: 8 horas.

17 de jul. de 2013

Associação dos deficientes visuais critica sistema de educação inclusiva

Diversos lápis de cor empilhados

O vice-coordenador da Associação dos Deficientes Visuais (Adevi), Heliton Nascimento, critica o sistema de inclusão no ensino para pessoas com deficiência. 

Para ele, os alunos cegos ou de baixa visão não estão sendo estimulados a aprender braille.
 
Para o representante da entidade, o ensino do braille está sendo substituído pelo tocador Mecdaisy, um leitor de livros digitais. 

"A proficiência de ler e escrever está sendo deixada de lado, quando deveria ser colocada as duas opções e estimular a ler e escrever em braile", afirma. 

Para ele, quando o aluno só usa a opção dos livros digitais, ele não consegue identificar como uma palavra é escrita e os possíveis erros ortográfico. "Quem domina a tecnologia pode verificar os erros, mas não podemos deixar o braile de lado", disse.


Para ele, com a extinção dos centros, os profissionais que trabalham com a educação especial ficam sobrecarregados. "O aluno deixa de circular o centro e vai direto pra sala regular, mas como apenas um profissional para substituir todo um centro que fazia estimulação precoce, ensino, como que ele vai dar conta?", questiona.

O vice-coordenador também critica a postura do promotor de Defesa da Cidadania, Rogério Voltolini, que, durante um evento realizado para discutir as políticas inclusivas, teria utilizado termos pejorativos. 


"O promotor disse que ali não era espaço para reivindicar, que se quisesse eu poderia ir na promotoria dele. Antes disso ele se voltou de forma agressiva para a comunidade surda. Ele falou que algumas pessoas querem o retorno das antigas surdolândias. Esse é um termo muito pejorativo", afirma.
 

Nascimento não representa a comunidade surda, mas como membro de um conselho que luta por pessoas com deficiência, critica as ações do promotor, que ele acreditar ser parcial, defendendo as gestões estaduais e municipais, não atendendo os anseios da comunidade de pessoas com deficiência.



Promotor se defende
 


O promotor de Defesa da Cidadania, Rogério Voltolini, explica que antigamente existiam as escolas segregatórias, ou seja, os centros que ensinavam apenas para cegos ou surdos.

"Com relação aos deficientes auditivos, no passado existia uma escola segregatória que alguns alunos ouvintes colocaram um apelido de muito mal gosto, chamaram de surdolândia. Um termo bastante pejorativo, bastante discriminatório, e eu disse nesse evento que não permitiremos o retrocesso e que não deveria voltar a existir o que era chamado na época de surdolândia", diz.

O promotor defende que a Libras seja ensinado nas escolas regulares, mesmo que não existam alunos com deficiência auditiva, e afirma que o projeto já está sendo implementado no município de Rio Branco. 


"Isso se torna necessário porque a única maneira de nós efetivamente incluir os surdos na sociedade é fazer com que o restante da sociedade consiga se comunicar em libras, enquanto isso não acontecer eles estarão fadados a viver em guetos", assegura.


Voltolini afirma que é necessário incluir o aluno com deficiência no ensino regular, dando mecanismos de equiparação. Para ele, a política de inclusão no Acre está no caminho correto. 

"Nós estamos indo muito bem, segundo um representante do Ministério da Educação, a inclusão escolar no Acre é a melhor em toda a região norte", diz.
 

O promotor nega que o ensino de braile esteja sendo menosprezado na educação, para ele estão sendo colocadas outras opções assistivas. 

"Antigamente só existia o braile, hoje novas tecnologias assistivas estão disponíveis, eles tem o direito de optar qual a melhor tecnologia que querem utilizar. Não existe a deficiência no ensino, existe a disponibilização de todos os recursos e tecnologias assistivas", defende.
 

Sobre as críticas a sua postura na promotoria e uma possível parcialidade, Voltolini afirma que as críticas são feitas por pequenos grupos com interesses duvidosos. 

"Essa promotoria age e sempre agiu em prol da melhoria das condições de vida das pessoas com deficiência e não pra atender interesses escusos de alguns grupos corporativos que aparentemente estão tentando se aproveitar da deficiência alheia", rebate.


Fonte: G1 - Acre

Cabide-visão ajuda deficientes visuais na hora de se vestir

Escolher uma roupa e combinar peças de roupas, sem necessitar do auxílio de outras pessoas, se tornará uma atividade mais rápida e prática para os deficientes visuais. Essa é a proposta do projeto “cabide-visão”, desenvolvido pelas empreendedoras Adriana e Cristina Sêmola, no Rio de Janeiro.





Com um chip instalado em seu interior, o usuário pode gravar mensagens de voz com até 20 segundos e descreve qual roupa está pendura e, quando acionado, reproduz o áudio identificando a peça. A vantagem do cabide falante é que ele permite inúmeras regravações.

A ideia do acessório surgiu quando Cristina Sêmola, que além de empresária também é pedagoga, ouviu seus alunos com deficiência visual queixarem-se sobre a necessidade organizacional de como se vestir e de como melhor aproveitar o dia a dia.


 


Segundo ela, o objetivo do projeto é dá mais  liberdade para os deficientes e também para as pessoas que estão com a visão reduzida. 

Para quem não enxerga, vestir roupas com a combinação adequada é, no mínimo, uma tarefa complexa. “O cabide-visão serve para que possa organizar as roupas, mesmo sem enxergar. 

Assim, ela sabe o que está vestindo e não fica dependendo de outra pessoa para isso e pode exercer o prazer de escolher a roupa que irá usar", explica Adriana.


 

O cabide que é feito com sobras de madeiras uniu três conceitos diferentes: design, tecnologia e sustentabilidade. A dificuldade, por enquanto, é encontrar uma empresa no Brasil que fabrique o chip semelhante ao modelo original que foi importado da China. 

Porém, ainda assim, serão produzidas 500 peças para distribuir em instituições de atendimento a deficientes visuais em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Em breve, o cabide vai ser vendido em todo o Brasil e a principal preocupação das idealizadoras é oferecer um produto com baixo custo. “Queremos um produto que seja acessível a qualquer deficiente visual, não apenas aos de maior poder aquisitivo”, ressalta. 


1 de jul. de 2013

Tratado mundial facilitará leitura para pessoas com deficiência visual

Imagem com um livro escrito em Braile
Uma proposta dos governos do Brasil, do Paraguai, do Equador, da Argentina e do México, com apoio do Grupo de Países da América Latina e do Caribe, levou à definição do Tratado de Marraquexe para Facilitar o Acesso a Obras Publicadas para Pessoas Cegas, com Deficiência Visual ou outras Deficiências para o Acesso ao Texto Impresso, durante a Conferência da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), no Marrocos. O acordo foi assinado hoje (28).

O objetivo do tratado é “reparar a escassez” de publicação de obras adaptadas a pessoas com deficiência visual, impedindo o acesso à leitura, à educação, ao desenvolvimento pessoal e ao trabalho em igualdade de oportunidades. 

Pelos dados divulgados, menos de 1% das obras publicadas no mundo é convertido em formatos acessíveis às  pessoas com deficiência visual e dificuldade de leitura.

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, foi até Marrocos, onde fica Marraquexe, para negociar os termos do acordo, e ressaltou que é fundamental cada país atuar também para aprimorar os mecanismos de acesso às pessoas com deficiência visual ou dificuldade de leitura. 

“O compromisso que assumimos hoje é um grande avanço em favor da garantia dos direitos das pessoas com deficiência, constituindo uma base sólida para, em nossos países, aprimorarmos nossas legislações e adotarmos novas políticas públicas”, lembrou ela.      
  
O documento autoriza duas exceções para a livre produção e distribuição de obras em formato acessível ao grupo de pessoas com deficiência visual e dificuldade de leitura de textos impressos.

O acordo para elaborar o tratado foi uma iniciativa conjunta com o objetivo principal de aumentar a oferta de livros para pessoas cegas, com deficiência visual ou outras deficiências para o acesso ao texto impresso, “sem prejudicar a proteção efetiva dos direitos autorais nem criar impactos” sistêmicos negativos ao regime internacional.

“Estamos dando às pessoas com deficiência visual e deficiência para leitura a esperança de terem seus direitos fundamentais garantidos, promovendo a superação de barreiras concretas ao seu pleno desenvolvimento. 

A partir deste tratado, as pessoas com deficiência visual poderão ter acesso à leitura, à educação, ao desenvolvimento pessoal e ao trabalho em igualdade de oportunidades com as demais pessoas”, disse a ministra da Cultura.

Fonte: Portal EBC

27 de jun. de 2013

Programação audiodescrita passa de 2 para 4 horas semanais na TV aberta

Foto ilustrando uma televisão
A partir de 1º de julho, as emissoras de TV aberta estarão obrigadas a ampliar de 2h para 4h semanais a programação com o recurso inclusivo e acessível da audiodescrição. 

 Esta adequação atende o que está disposto na Portaria n.o 188, do Ministério das Comunicações. 

Este aumento do horário com programação audiodescrita representa uma conquista para as pessoas com deficiência visual, já que são as beneficiadas com este recurso que transforma imagens em palavras para que informações-chave, transmitidas apenas visualmente, possam ser acessadas com mais facilidade.

Esta ampliação vem a atender a um dos anseios da pessoa com deficiência visual, no que se refere a ter mais acesso e melhor entendimento do conteúdo produzido pelas emissoras de TV; como novelas, programas humorísticos, jornalísticos, esportivos, infantis, seriados, etc. 

No entanto, mesmo com a ampliação, a carga horária ainda é pequena comparada à grande quantidade de material que as emissoras de TV disponibilizam aos espectadores diariamente.

Fonte: Iguale

24 de jun. de 2013

Professora cria projeto de livros falados para ajudar pessoas com deficiência visual

Foto de AnaLu Palma
Atriz, mestra em teatro e apaixonada por literatura, AnaLu Palma descobriu sua vocação para ajudar o próximo em meio a uma sessão de meditação. 

De olhos fechados e tentando se concentrar no exercício, teve um lampejo: por que não propiciar às pessoas cegas a emoção de ouvir obras dos grandes escritores confortavelmente em casa a partir de gravações de áudio?

A ideia foi o ponto de partida para o Projeto Livro Falado, que poucos dias depois saía do papel com o apoio da Academia Brasileira de Letras. 

O primeiro clássico a ganhar uma versão gravada pela atriz Léa Garcia foi Esaú e Jacó, de Machado de Assis. 

"Começar o projeto com o autor maior da língua portuguesa nos trouxe sorte", diz AnaLu, que, posteriormente, gravou ela mesma uma versão de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, seguida de várias outras obras-primas da literatura brasileira.

Treze anos depois das primeiras gravações, a biblioteca oral imaginada por AnaLu já acumula 360 obras disponibilizadas em formato digital de áudio no portal Acessibilize-se, mantido pela Universidade Estácio de Sá, com o apoio do Ministério da Cultura. 

Além desses textos, há outros 280 já gravados e, até o fim do ano, mais mil deverão ser incorporados à coleção. 

Para utilizá-la, basta ao deficiente visual se cadastrar no site. "Muitos cegos brasileiros não têm a alfabetização em braile, o que dificulta o acesso aos textos. 

O que queremos com nosso projeto é dar autonomia a qualquer pessoa que se interesse pelas obras", explica AnaLu.

Fonte: Planeta Sustentável - http://planetasustentavel.abril.com.br/

21 de jun. de 2013

Espetáculo ‘Quem tem medo do escuro?’ terá audiodescrição no dia 28 de junho

Atores da peça contracenando
Quem tem medo do escuro? Esta pergunta é, na verdade, o nome do espetáculo da Caravana Companhia de Teatro em cartaz no Centro Cultural São Paulo (CCSP). 

No dia 28 de junho a audiodescrição permitirá que pessoas com deficiência visual tenham melhor compreensão de detalhes do cenário, figurino e até mesmo das cenas. 

O roteiro audiodescrito e a audiodescrição são assinados pela Iguale Comunicação de Acessibilidade.

Com entrada gratuita, o espetáculo é um ótimo programa para toda a família, grupos escolares, de instituições, entre outros. 

O tema principal é o escuro, algo que remete lembranças que fazem com que crianças e adultos se identifiquem com seus próprios medos, ilustra Lizette Toledo de Negreiros, da Divisão de Curadoria e Programação do CCSP. 

O adulto, às vezes, camufla esse processo, mas a criança não esconde que tem medos, e os exterioriza por meio da fala e até mesmo de gritos. Tema curioso que aguça a imaginação.

Quanto à audiodescrição, Lizette explica que o recurso faz parte do programa de acessibilidade do CCSP, denominado Livre Acesso, que tem por objetivo programar espetáculos que possam ser acessíveis às pessoas com algum tipo de deficiência. 

“É importante que possam estar integradas à programação cultural, sem exclusão. Que possam usufruir conjuntamente às demais pessoas presentes à plateia, a diversidade da programação. 

A audiodescrição é uma das mais importantes conquistas para assegurar a inclusão sociocultural aos cidadãos com deficiência visual, logo o CCSP tem como meta sistematizar programações com esse recurso para oferecer ao público”, completa.

Eduardo Leite, produtor executivo do espetáculo, conta que este é o primeiro trabalho do grupo com a audiodescrição, e acha que exemplos como este deveriam ser ampliados cada vez mais, por espaços culturais e até mesmo pelas companhias de teatro. 

“É fundamental que pensemos na acessibilidade da pessoa com deficiência visual às produções teatrais. Acredito que a audiodescrição pode ser um elemento a mais a ser incluído, por exemplo, em projetos que se beneficiam de leis de incentivo à cultura”, argumenta. 

Eduardo também acredita que com a inclusão do recurso audiodescrito, haverá mais divulgação dos espaços e espetáculos que o oferecem e, com isso, a sociedade sairá ganhando.

20 de jun. de 2013

Cientistas apresentam forma de cura da cegueira parcial

A luta pela cura da cegueira parcial, aquela resultante de degeneração da mácula – o centro do campo visual – causadas por problemas na retina, pode estar perto do fim. Cientistas das universidades Stanford, nos Estados Unidos, e Strathclyde, da Escócia, desenvolveram uma prótese capaz de captar informações visuais e, através de um sistema elétrico, enviá-las ao cérebro. 

A novidade foi publicada nesta terça-feira (18) na revista Nature Communications e no portal da revista Science News.

O sistema, que foi testado inicialmente com ratos de laboratório, com sucesso, é formado por um par de óculos equipados com uma câmera, que ficaria acima do nariz da pessoa. 

Esta envia as imagens captadas para um computador de bolso, que é o responsável por processar a informação visual e enviar lasers infravermelhos para óculos e, consequentemente, para os olhos. 

Dentro dos olhos, mais especificamente na região da retina, há microchips que são estimulados com a entrada do laser infravermelho e convertem os dados para um sinal elétrico que vai para o cérebro, atingindo a região responsável pela visão.

Nesta maneira de cura da visão parcial não é preciso que a pessoa passe por cirurgias. Os chips colocados na retina são parte de um olho biônico que não necessita de fios implantados cirurgicamente, assim como outras próteses de retina já existentes nessa área da medicina. 

De acordo com o médico oftalmologista Marco Areal, integrante do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SindMed-RJ) ainda há poucos estudos no Brasil que trabalhem com a luta contra cegueiras: “

No Brasil, não há nenhuma pesquisa a esse nível, tão avançada, até pelo custo do investimento que chega a muitos milhares de dólares. No entanto, pode ter algum no Brasil que se enquadre nesse projeto de pesquisa, mas a matriz é lá fora”.

12 de jun. de 2013

Australianos desenvolvem 'olho biônico' que pode ajudar até 85% dos cegos

Modelo do óculos citado na matéria
Um grupo de cientistas e designers australianos desenvolveu um protótipo de "olho biônico" para devolver a visão a pessoas cegas. 

Os testes em pacientes começarão no próximo ano. O dispositivo é composto por óculos que captam, com a ajuda de uma câmera digital, a imagem ao redor do indivíduo e enviam esses estímulos visuais a um chip implantado no cérebro. 

Se os experimentos envolvendo a tecnologia correrem como o esperado, ela terá o potencial de devolver a visão a até 85% das pessoas classificadas como clinicamente cegas (com pouca visão e percepção de luz ou então sem visão alguma).

A tecnologia está sendo desenvolvida por especialistas do Grupo de Visão da Universidade Monash, na Austrália. Em seu site oficial, o grupo informa que o olho biônico está sendo desenvolvido para "pessoas com deficiência visual causada por uma série de condições, como glaucoma, degeneração macular e retinopatia diabética. 

Ele também pode ajudar pessoas com danos em seus nervos ópticos ou em seus olhos causados por um trauma ou uma doença."

O modelo desse olho biônico é formado por óculos e chip. Na parte da frente dos óculos, há uma câmera digital embutida que capta as imagens. 

Na parte interna dos óculos, existe um sensor que percebe os movimentos dos olhos e é utilizado para direcionar corretamente a câmera. 

Na lateral dos óculos, os especialistas inseriram um processador digital que recebe as informações visuais da câmera e as envia a um chip que deve ser inserido na parte de trás do cérebro do paciente. 

Esse chip, por sua vez, emite sinais elétricos ao córtex visual, que interpreta esses sinais como a visão.

"O que nós acreditamos que o paciente enxergará é uma espécie de imagem de baixa resolução, mas suficiente para identificar, por exemplo, a borda de uma mesa, a silhueta de um ente querido, um degrau na calçada ou algo do tipo", disse Mark Armstrong, professor da Universidade Monash, ao programa de rádio PM, da Australian Broadcasting Corporation (ABC).

Outros testes — Em agosto de 2012, essa mesma equipe anunciou a implantação do protótipo do que chamou de "olho pré-biônico". 

A abordagem consistiu em implantar eletrodos na retina de uma paciente com retinite pigmentosa degenerativa, um tipo de degeneração da retina que leva à perda da visão.

 A ideia era a de que os eletrodos enviassem impulsos elétricos para as células nervosas dos olhos e devolvessem parte da visão à paciente. 

De acordo com o grupo, esse método é adequado a pessoas com retinite pigmentosa e também degeneração macular relacionada à idade.

10 de jun. de 2013

Projeto de Lei vai beneficiar mais de 600 mil deficientes visuais no Amazonas

Mais de 650 mil deficientes visuais do Amazonas vão ser beneficiados pelo Projeto de Lei nº 003/2012, de autoria da vereadora Socorro Sampaio (PP), que assegura ao deficiente visual o direito de receber os boletos de pagamento de suas contas de água, energia elétrica e telefone em braile. 

O projeto foi aprovado no plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM), na quarta (5), em 1ª discussão e agora será deliberado para a 2ª discussão na forma da Lei.

Segundo Socorro Sampaio (PP), para receber os boletos de pagamento de água, energia elétrica ou telefone, confeccionados em braile, o deficiente visual deverá solicitar junto à empresa prestadora de serviços, apresentando cópia de carteira de identidade, Cadastro de Pessoa Física (CPF) e comprovante de residência.

“É notória a dificuldade que as pessoas com deficiência ainda têm nos dias de hoje, apesar dos avanços e conquistas na sociedade. Porém, ainda temos obstáculos a vencer para dar melhores condições de vida para estes cidadãos”, complementou a parlamentar.

De acordo com a vereadora do Partido Progressista, ao receber as contas em suas residências os deficientes visuais têm que pedir a outra pessoa para ler o valor das contas e conferir o consumo do mês.

 “Isso torna o deficiente dependente e é um atraso nos direitos do cidadão portador de deficiência. Com a impressão das principais informações em braile, o próprio deficiente terá condição de conferir suas contas e fazer suas reclamações”, disse Sampaio.



7 de jun. de 2013

Biblioteca de Monte Mor (SP) disponibiliza livros em braile

 

 
Ofertar livros para todos os públicos, inclusive para pessoas com deficiência visual. Com esse objetivo, a Biblioteca Municipal “José Maluf” conta com cerca de 20 diferentes títulos de livros em braile, códigos cujos caracteres se indicam por pontos em alto relevo.

De acordo com o bibliotecário Cléber Mendes, as obras foram doadas por meio de parceria com a Fundação Dorina Nowill, entidade que se dedica à inclusão social de pessoas com deficiência visual, por meio da produção e distribuição gratuita de livros em braile, falados e digitais acessíveis, diretamente para pessoas com deficiência visual e para mais de 1.400 escolas, bibliotecas e organizações de todo o Brasil. “Realizamos o cadastro e fomos contemplados com 20 livros que estão à disposição dos montemorenses”, declarou Mendes.

Entre os títulos disponíveis em braile estão a Saga Crepúsculo, Vendedor de Sonhos, Contos de Shakespeare, com tradução de Mário Quintana, entre outras produções. “São livros atuais e que, com certeza, proporcionarão o prazer da leitura”, disse o bibliotecário.

Hoje, a Biblioteca Municipal “José Maluf” conta com aproximadamente 18 mil títulos. “São livros de pesquisa, literatura brasileira, infantis, juvenil, livros em braile e áudio-livros, entre outros que fazem parte do nosso acervo”, comentou Mendes.

Para empréstimos de livros da biblioteca, o bibliotecário explicou que é necessário realizar um cadastro gratuito, apenas apresentando o comprovante de residência, documento RG e duas fotos 3x4. 

“Hoje temos mais de mil cadastros efetivos. Por cadastro, o leitor pode retirar até seis livros de uma vez, que devem ser entregues num prazo de 15 dias. Caso a leitura não tenha sido finalizada, a pessoa pode procurar a biblioteca e solicitar a renovação do empréstimo do livro”, explicou Mendes.

A Biblioteca “José Maluf” fica localizada na Rua Orozimbo de Carvalho, 180, Centro e funciona de segunda a sexta-feira das 8 às 16h45. Mais informações pelo telefone (19) 3889-1819.

6 de jun. de 2013

OMS quer diminuir casos de deficiências visuais evitáveis


Os países que fazem parte da Organização Mundial de Saúde (OMS) concordaram em lançar um plano de acção para reduzir em 25 por cento os casos de cegueira e outras incapacidades visuais. 
 
As últimas estimativas contabilizam, em todo o mundo, 285 milhões de pessoas com deficiências visuais, sendo 39 milhões cegas. 

Os especialistas admitem até 80 por cento destes casos poderiam evitar-se.

As duas principais causas das incapacidades visuais são os erros de refracção não corrigidos e as cataratas, que representam 42 e 33 por cento dos casos, respectivamente, apesar de em todos os países existirem intervenções para reduzir a prevalência de ambos os problemas.

O plano agora aprovado refere que cada país deve melhorar o acesso das pessoas afectadas aos serviços de reabilitação. Além disso, devem ser implementados planos de controlos das doenças oculares como parte dos sistemas de saúde.

O objectivo é que, entre 2014 e 2019, se consiga a redução de pelo menos um quarto das doenças oculares que se podem prevenir. 

Para isso, os países terão de recolher dados que lhes permitam entender a magnitude do problema e as suas causas, assim como tomar as melhores decisões na atribuição de recursos financeiros e humanos.

Nesta linha, considera-se fundamental determinar o número de oftalmologistas por cada milhão de habitantes.

 A OMS considera que se o controlo destas doenças for mais desenvolvido, se poderá reduzir significativamente a sua incidência entre as pessoas com mais de 50 anos, categoria que, segundo as projecções actuais, concentrará 84 por cento dos casos em 2019.

5 de jun. de 2013

A Fotografia como Fator de Inclusão da Pessoa com Deficiência Visual

Por Luciane Molina

A ausência da visão não anula a função que as imagens exercem na vida da pessoa com deficiência visual. 

Exemplo disso são as obras com audiodescrição, recurso de acessibilidade  que vem ganhando espaço e popularidade para esse público.

Apesar de não contemplar as cores, figuras e fotografias da mesma forma que uma pessoa que enxerga o faz, não posso negar a existência das imagens e a influência que elas exercem na minha vida, já que, enxergando ou não,  estamos rodeados desses signos visuais.

Desde muito cedo aprendi apreciar as paisagens e a beleza das imagens através dos olhos de alguém que, cuidadosamente, descrevia as características daquilo que a minha visão não consegue captar, de maneira informal. 

Hoje, a  imparcialidade, objetividade e clareza ao organizar as informações mais relevantes a serem narradas fez com que a audiodescrição se tornasse um recurso de acessibilidade reconhecida formalmente e o objeto de estudo de muitas pesquisas acadêmicas.

Assim como os olhos do audiodescritor, as câmeras fotográficas exercem a função de materializar uma  imagem ou um momento  que um cego não conseguiria registrar sozinho em sua memória. Foi assim que passei a me interessar por fotografias e, consequentemente, por audiodescrição. 

Cada cena registrada tem seu colorido próprio, seu aroma, sua textura e seu significado, construídos através dos esquemas imagéticos que formamos em nossa mente ao ouvir as descrições ou ao vivenciar os momentos. 

Com um clique podemos transportar essas sensações pra onde desejarmos; pra perto ou pra longe, pra dentro da nossa memória e pra onde nossa imaginação nos levar.


Seria contraditório um cego utilizar uma forma extremamente visual para registrar os momentos mais importantes por  não poder contemplar o resultado final das fotografias? 

 Talvez a contradição não esteja na imagem em si, mas na ideia internalizada por muitas pessoas de que um cego só pode ver aquilo que ele consegue tocar ou sentir. 

 Temos que a sensação nos diz apenas que o mundo existe, enquanto que a percepção refere-se a interpretação dessas  sensações quando levadas para o cérebro.

Então, nós podemos “enxergar” as fotografias quando quaisquer dos nossos sentidos forem estimulados e identificar todas as características dessa produção fotográfica, seja pela descrição de seus elementos,  por ter vivenciado aquele momento, por ter guardado na memória as experiências sensoriais e perceptivas ou pelo prazer em participar do convívio com  outras pessoas sem que criemos um mundo paralelo, isolado dessas imagens, cores e fotografias. 

Afinal, a fotografia é captada para que alguém possa apreciá-la e, nesse sentido, representa um importante elemento que contribui para a inclusão social.
Fotos retiradas pela Luciane Molina.

Descrição das fotos: 

  •  A primeira foto é uma paisagem de bananeiras, e no fundo aparecem montanhas e o céu azul.
  • A segunda foto: A direita é uma árvore comprida, em primeiro plano uma cerca e uma casa e ao fundo as montanhas.

Luciane Molina é pessoa com deficiência visual e pedagoga. Possui especialização em atendimento Educacional Especializado e atua com consultoria e cursos de formação de professores em Grafia Braille. Mantém o blog www.braillu.com.