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6 de set. de 2013

Projeto ajuda a melhorar a confiança de crianças com deficiência

Símbolos que representam pessoas com deficiência
Crianças e adolescentes com deficiência desenvolvem suas potencialidades por meio da arte e da massoterapia, em Porto Velho (RO). 


O projeto tem apoio do Criança Esperança e ajuda a melhorar a autoestima e a confiança dos participantes.
 
Uma vida de descobertas, de aprendizado e de superação. Uma luta, às vezes silenciosa para se sentir igual a todo mundo. 


Em Porto Velho não existem espaços para a prática social de pessoas com deficiência e surdez: "Há uma carência na nossa cidade de projetos de desenvolver mais essa parte que proporcione lazer, um lazer para todos", conta a professora Elielza Reis da Silva.
 
Foi assim, que há 27 anos, surgiu a  APACENE (Associaçãode Pais e Alunos do Centro de Ensino Especial), o único de Rondônia que atende pessoas das mais variadas condições: deficiência intelectual, visual, auditiva e transtornos de desenvolvimento.
 
Os professores são da rede pública, mas todas as atividades fora do currículo escolar são mantidas pelos pais, com muita dificuldade. A chegada do Criança Esperança deixou esse quadro mais colorido: comunicação que vai além da tela como Cinthia, que usa os pés para expressar sentimentos quando pinta.
 
O espelho ali cumpre uma função terapêutica: reflete a imagem e ajuda a perceber os limites e também as potencialidades. Através do contato e com manobras de tração e alongamento eles sentem a importância de se relacionar com o próprio corpo e também com as outras pessoas.
 
As sessões diárias de massoterapia duram uma hora e vêm apresentando resultados surpreendentes. "Bom, humor, relaxamento, a pessoa se sentir bem. Mostra esse resultado em sala de aula, no recreio, na interação com os colegas" , afirma a massagista e professora, Ângela Gonçalves.
 
A sala que funcionava de uma maneira improvisada foi equipada com recursos do Criança Esperança. Recursos também para a aulasde xadrez, que ajudam na concentração, atenção e disciplina. Quem se acostumou a falar com as mãos, agora na arteterapia usa também o pincel e tinta para fazer as próprias criações ou a releitura de quadros famosos.

 
Fonte: Jornal Hoje

3 de set. de 2013

AACD lança filme sobre preconceito

Guilherme Santos do Carmo está em cadeira de rodas
A Z+, do Grupo Havas, é a responsável pela nova campanha da AACD (Associação de Assistência à Criança com Deficiência). 


O filme foi dirigido por Heitor Dhalia e Pedro Coutinho.
 
Para abordar o preconceito vivido por deficientes, o comercial traz um jovem negro que relata os problemas enfrentados no seu dia a dia, principalmente no mercado de trabalho. O rapaz é Guilherme Santos do Carmo, cadeirante que é paciente da AACD.


A campanha estreia na TV aberta no domingo 1. A direção de criação é de Manoel Zanzoti e a produção é da Paranoid. 


2 de set. de 2013

Seguridade aprova lei para desconto em torpedos enviados por surdos e mudos

Imagem do teclado de um celular
A Comissão de Seguridade Social e Família (PL 3554/12) aprovou na quarta-feira (28) a transformação em lei nacional do desconto em mensagens de texto por celular, os chamados torpedos, enviados por deficientes auditivos e de fala. 


A proposta, que altera a Lei Geral de Telecomunicações (Lei 9.472/97), vale tanto para plano pré-pago quanto para pós-pago.


Atualmente, essa parte da população já tem direito de pagar mais barato pelos serviços também conhecidos como SMS, por determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). 


Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móveis Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), o pacote de SMS para deficientes auditivos é, em média, a metade do preço pago pelo consumidor comum nos planos pré-pagos.


Informação sobre o serviço
 
Por falta de divulgação e conhecimento sobre esse direito, o desconto acaba não chegando a quem realmente precisa. A avaliação é do presidente da Associação de Pais e Amigos de Deficientes do Distrito Federal, Marcos de Brito. 


"Alguns, que são mais desinibidos, mais socializados porque tiveram uma educação diferenciada, vão atrás e conseguem descobrir esses descontos. Agora, a grande maioria, que não tem acesso à comunicação, não consegue [pagar mais barato]."


Marcos lembra que a primeira língua dos deficientes auditivos e de fala é a de sinais. Por isso, quando se comunicam em Português por mensagem de texto no celular, acabam usando muito o serviço por causa da falta de fluência. 


"Eles não usam da mesma forma que a gente. Para um mesmo conteúdo, ele utiliza 10, 15 SMS. Para eles é fundamental que o valor seja reduzido. Isso vai realmente melhorar muito a vida deles."
 

Necessidade da lei
 


A relatora do projeto na comissão, deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), explicou que mesmo com a exigência da Anatel de pacotes de SMS mais baratos para surdos e mudos, uma lei é necessário para dar maior força na hora de cobrar das empresas. 


"Sabíamos que havia uma resolução da Anatel que previa isso, mas temos também o registro não só nos serviços de defesa do consumidor, mas nas audiências públicas realizadas na Casa, que é preciso uma lei federal para obrigar as prestadoras a garantir que os portadores de deficiência auditiva e de fala possam ser respeitados e tratados com a dignidade que eles merecem."


O Sinditelebrasil contesta a acusação de que as operadoras não oferecem o serviço. Para a entidade, todas as telefônicas cumprem a regra da Anatel e oferecem pacotes diferenciados para deficientes auditivos e de fala. Para ter acesso, basta que o interessado apresente uma carteirinha de associação de surdos ou um exame audiométrico.


Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 9,7 milhões de brasileiros declaram ter deficiência auditiva, o que representa 5,1% da população. O instituto não levantou a quantidade de deficientes de fala no último Censo.
Tramitação
 

Para virar lei nacional, a proposta de autoria do Senado ainda precisa ser avaliada pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Como tramita em caráter conclusivo, se for aprovada em todas e não tiver o texto mudado, poderá ir direto para a sanção da Presidência da República.


1 de ago. de 2013

Jovem com deficiência vence concurso de miss no interior do PA

Thais Monteiro desfilando
A estudante Thais Monteiro, 15 anos, foi a vencedora de um concurso de beleza realizado no último domingo (28), no município de Igarapé-Açu, nordeste do Pará. 


Ela disputou o título de “Miss Verão” com outras 12 moças, e era a única candidata com deficiência.
 


A diferença não atrapalhou o sonho de criança da jovem em ser a Miss Verão, que precisou enfrentar o preconceito de algumas pessoas. 


“Uma mulher que torcia para outra candidata disse que eu não tinha chances de ganhar e debochou de mim, foi nesse momento que eu decidi participar", conta Thais.


O convite para participar do concurso foi feito pela academia que Thais frequenta na cidade. De início ela recusou, mas depois de se sentir desafiada pelas pessoas que não acreditavam que uma pessoa com deficiência poderia ganhar, ela decidiu entrar na disputa. “Eu disse: não vou lá mostrar não meus defeitos, vou mostrar minhas qualidades!”, conta.


No concurso, a morena de 1,65m e 52 kg chamou atenção do público e conquistou os cinco jurados com sua desenvoltura na passarela. 


Na apuração dos votos, ela empatou com outra candidata, mas o critério de desempate era o bronzeado, que deu a vitória para Thais, que ganhou o título e uma motocicleta como prêmio.
 


Thais, que nasceu sem o antebraço direito, não acreditava que poderia ganhar. Para ela, somente a participação já era uma superação pessoal. “Eu não estava esperando que eu ia conseguir, fiquei muito nervosa. Desde pequena era isso que eu queria. Eu não me achei melhor do que as outras, são todas bonitas, não sei nem explicar. Para mim, calei a boca de muita gente que me humilhava”, revelou Thais à reportagem do G1.


 

A jovem contou com o apoio incondicional da família, que é só orgulho da coragem da bela. “Me sinto muito feliz! Eu pensava que ela não tivesse a coragem. Foi em cima da hora e ela conseguiu essa vitória”, conta a mãe de Thais, Rosangela Rodrigues, 37 anos. 


“Hoje em dia o pessoal tem muito preconceito, mas ela não se intimida com qualquer coisa, é uma menina alegre”, afirma Rosangela sobre a miss.


Fonte: G1 Pará

24 de jul. de 2013

Sesi desenvolve software para aumentar a acessibilidade nas indústrias

Diversos símbolos que representam as pessoas com deficiência
O Sesi no Paraná desenvolveu um software que avalia as condições de acessibilidade e as deficiências compatíveis com os postos de trabalho de uma fábrica. 

 O principal objetivo do projeto é viabilizar e incentivar a inclusão de pessoas com deficiência no ambiente da indústria. 

O projeto teve início em 2011, por meio do edital Sesi / Senai de Inovação e teve como parceira a BRF Carambeí.
 

A partir da integração das plataformas web e mobile, uma equipe multidisciplinar desenvolveu um sistema de análise e cruzamento de informações, que torna mais ágil o processo de identificação de postos de trabalho para deficientes e aponta as mudanças necessárias dentro da empresa. Toda a coleta de dados é feita em campo, com smartphones. O relatório final é validado por um engenheiro e um médico.

“A consultoria de acessibilidade já era desenvolvida pelo Sesi, mas agora, com o software, o processo ficou mais ágil”, explicou Agnaldo Adélio Eduardo, gestor do Sesi responsável pelo desenvolvimento do projeto. 

Entre os principais ganhos do software estão maior agilidade; redução de custos; minimização da necessidade de atuação de técnicos especializados em atividades de tabulação de dados e minimização da perda de informações a partir da gestão do conhecimento. 

Agnaldo lembrou que o software desenvolvido pelo projeto Indústria Acessível tem como resultado um diagnóstico e não um laudo. “Isso significa que a ferramenta aponta soluções, não determinações. Cabe a cada equipe de recursos humanos e de medicina do trabalho decidir se a vaga é apropriada”, ressaltou.

O lançamento oficial do software, com a apresentação dos resultados da empresa piloto, a BRF, foi nesta quinta-feira (13) e contou com a participação de representantes do Sesi e BRF. 

O coordenador de Relações de Trabalho de Recursos Humanos Corporativo da empresa de alimentos, Carlos Mello, explicou que a BRF precisava aumentar sua inclusão de deficientes. 

Segundo o coordenador, o diagnóstico permitiu que a área de Recursos Humanos percebesse oportunidades que até então eram ignoradas. 

 “Esta ferramenta chegou na hora certa. Com o diagnóstico, nós poderemos mostrar para os gestores as possibilidades comprovadas de inclusão e as melhorias para tornar estes postos acessíveis”, comentou Carlos.  

Líder nacional – Agnaldo lembrou que a inovação social é pouco trabalhada no segmento industrial. “Quando se fala em inovação industrial, a primeira referência é a área tecnológica. Mas a parte social também tem muito a desenvolver, quando o assunto é inovar”, lembrou.
 

Segundo a analista do Sesi responsável por editais de inovação, Danielle Farfus, o Paraná é o estado brasileiro que mais aprova projetos de inovação social. 

“O Sesi já tem 9 registros de ISBN (International Standard Book Number), um produto no mercado, um depósito de patente junto ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) e dois depósitos de código fonte de softwares no INPI”, contou.
 

Para a coordenadora técnica do programa de gestão de inclusão na indústria do Sesi, Regiane Maturo, o software lançado pelo projeto Indústria Acessível é um importante avanço na área de inovação: 

“A nossa expectativa é de que, por meio desta nova ferramenta, a indústria seja referência de ambiente de inclusão dentro da sociedade e que essa forma de pensar passe a fazer parte da cultura do meio corporativo”, concluiu.
 

A nova ferramenta vai ser apresentada em Brasília em julho. A intenção do Sesi Paraná é de que o trabalho de inclusão oferecido a empresas paranaenses possa ser disponibilizado a todos os estados do país, por meio da consultoria desenvolvida aqui.


27 de jun. de 2013

Mesmo após perder a visão, médico de SC não abandona a profissão

Foto de dr. Wilson em seu consultório
Em 1985, o então jovem e recém-casado Wilson Alves de Oliveira sofreu um grave acidente automobilístico em Santa Catarina. 

Foi diagnosticado com traumatismo cranioencefálico, perda do olfato e da visão. 

Ficou internado na UTI, realizou uma série de cirurgias e se submeteu meses de readaptação à nova realidade. 

Hoje, com 56 anos, continua exercendo sua profissão de médico e conta orgulhoso que muitos dos pacientes que atende diariamente pelo SUS de Blumenau ou em sua clínica particular sequer reparam que ele é deficiente visual.

O médico foi operado em Santa Catarina, mas a complexidade do caso pedia a intervenção de especialistas de São Paulo. E foi na maior cidade do país que ele descobriu que jamais recuperaria a visão – seus olhos, até hoje, não respondem a nenhum estímulo de luz. 

No mesmo ano, dr. Wilson fez curso de reabilitação na fundação Dorina Nowill, centro de referência para deficientes visuais. “Lá, aprendi o braile, a me locomover com o auxílio de uma bengala e atividades da vida cotidiana. Antes, nem cortar um bife eu conseguia”, relembra.

Ser independente e “feliz com a vida” são outras características do dr. Wilson, que garante: nunca teve problemas com aceitação. “Vivo sozinho, viajo de avião sozinho, vou ao supermercado, pego táxi e até metrô quando estou em São Paulo. Eu e a minha bengala, né?”, conta o pai de três jovens “maravilhosos”. Apesar da agitada rotina, o dr. Wilson ainda arruma tempo para cuidar da saúde, fazendo trilhas a pé e pedalando sua bicicleta de dois selins.

A tecnologia se encarrega de mantê-lo informado, por revistas no formato MP3, e de adaptá-lo ao computador, equipado com softwares especiais para deficientes visuais. Mas a força para seguir em frente, segundo dr. Wilson, “está dentro de nós e de Deus”. 

Por isso, procura seguir os ensinamentos de pensar sempre no próximo e de praticar a caridade. "Assim, tudo fica tranquilo. Tanto é verdade que nunca tomei um comprimido de antidepressivo na vida".

Fonte: Terra

24 de jun. de 2013

Professora cria projeto de livros falados para ajudar pessoas com deficiência visual

Foto de AnaLu Palma
Atriz, mestra em teatro e apaixonada por literatura, AnaLu Palma descobriu sua vocação para ajudar o próximo em meio a uma sessão de meditação. 

De olhos fechados e tentando se concentrar no exercício, teve um lampejo: por que não propiciar às pessoas cegas a emoção de ouvir obras dos grandes escritores confortavelmente em casa a partir de gravações de áudio?

A ideia foi o ponto de partida para o Projeto Livro Falado, que poucos dias depois saía do papel com o apoio da Academia Brasileira de Letras. 

O primeiro clássico a ganhar uma versão gravada pela atriz Léa Garcia foi Esaú e Jacó, de Machado de Assis. 

"Começar o projeto com o autor maior da língua portuguesa nos trouxe sorte", diz AnaLu, que, posteriormente, gravou ela mesma uma versão de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, seguida de várias outras obras-primas da literatura brasileira.

Treze anos depois das primeiras gravações, a biblioteca oral imaginada por AnaLu já acumula 360 obras disponibilizadas em formato digital de áudio no portal Acessibilize-se, mantido pela Universidade Estácio de Sá, com o apoio do Ministério da Cultura. 

Além desses textos, há outros 280 já gravados e, até o fim do ano, mais mil deverão ser incorporados à coleção. 

Para utilizá-la, basta ao deficiente visual se cadastrar no site. "Muitos cegos brasileiros não têm a alfabetização em braile, o que dificulta o acesso aos textos. 

O que queremos com nosso projeto é dar autonomia a qualquer pessoa que se interesse pelas obras", explica AnaLu.

Fonte: Planeta Sustentável - http://planetasustentavel.abril.com.br/

20 de jun. de 2013

Entidades criam canal de TV on-line para deficientes auditivos

Foto dos apresentadores da TV Ines durante o programa
Em parceria com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) anunciou o lançamento da TV INES, um canal de web TV para surdos. 

A iniciativa é destinado aos 9,7 milhões de deficientes auditivos em todo o país.

Segundo a Exame, a TV INES, primeiro canal desenvolvido para este público, conta com 12 horas diárias de programação linear — incluindo programas produzidos especialmente para ele, como "Piadas", "Aulas de Libras" e "Tecnologia".

O canal também exibirá atrações adaptadas para a emissora, como "Salto para o Futuro", "Via Legal", "Brasil Eleitor" e filmes e desenhos animados com edição e tratamento visual voltados aos surdos.

18 de jun. de 2013

Livro mostra luta de mães que possuem filhos com deficiência física

 

A luta diária das mães para superar os obstáculos da deficiência de seus filhos está estampada no livro Que Amor é Esse, projeto da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). 

 Lançado nesta quinta-feira (13 de junho), a publicação mostra registros fotográficos que retratam a relação de carinho entre eles.

De acordo com a presidente voluntária do Conselho de Administração da AACD, Regina Helena Scripilliti Velloso, a ideia da obra é mostrar que é necessário ver as pessoas com deficiência física “com outro olhar” e mostrar como as mães têm papel fundamental neste processo. 

"São pessoas como nós, apenas com uma condição diferente.Nesse sentido, as mães conseguem olhar para seus filhos com o amor puro e verdadeiro, sem nenhum estigma. Assim, resolvemos fazer uma homenagem a essas grandes mulheres, determinadas, que sabem que o impossível não existe", diz Regina.

Fonte: R7

17 de jun. de 2013

Estado vai detalhar ao MPF projeto do centro de inclusão para deficientes

 


O Ministério Público Federal (MPF) e a Procuradoria Geral do Estado (PGE) ajuizaram, em conjunto, no final da tarde de quinta-feira (13), uma petição que solicita a suspensão, por 15 dias, da ação civil pública impetrada pelo MPF na última terça-feira (11), que tem como objetivo a destinação imediata do Terminal Hidroviário “Luiz Rebelo” por parte do governo do Pará. 

De acordo com o procurador geral do Estado, Caio de Azevedo Trindade, o procurador federal Alan Mansur entendeu que o governo do Estado já tem um projeto para a área, onde deverá ser construído o Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação para Pessoas com Deficiência (CIIR).

 O prazo de 15 dias é para que o governo do Estado possa apresentar o detalhamento do projeto ao MPF, em reunião marcada para o próximo dia 8 de julho.

O objetivo do CIIR será oferecer, em um mesmo espaço físico, ações para facilitar a articulação, integração e inclusão de pessoas com deficiências à sociedade. 

Para isso, funcionarão serviços nas áreas de Saúde, Educação e Esporte, frutos da integração de diversos órgãos estaduais, sob a coordenação da Secretaria Especial de Proteção e Desenvolvimento Social (Seepeds).

Segundo Sérgio Leão, secretário Especial de Proteção e Desenvolvimento Social, o projeto é fundamental porque, hoje, o número de pessoas que apresentam algum tipo de deficiência no 
Estado chega a quase 1,8 milhão, o que equivale a aproximadamente 24% da população do Pará. 

 “Considerando que cada família de pessoa com deficiência é composta, em média, por três pessoas, calcula-se que mais de 72% da população paraense encontram-se indiretamente envolvidos com a questão da deficiência. Conforme cadastro da rede de saúde, só a Região Metropolitana de Belém registra 490.178 mil atendimentos de pessoas com deficiência. Os dados são bastante significativos, por isso a questão da deficiência é prioridade para o governo do Estado”, ressaltou.

Áreas de atuação 

De acordo com o secretário, o CIIR deverá atuar em quatro frentes principais: Acesso à educação; Atenção à saúde; Inclusão social e acessibilidade, eixos diretamente ligados ao Plano Estadual de Ações Integradas à Pessoa com Deficiência e à política nacional de inclusão das Pessoas com Deficiência. 

A expectativa é de que o espaço possa atender a cerca de 500 mil pessoas (com deficiências auditivas, visuais, intelectuais e físicas), provenientes das redes públicas de ensino, de saúde e de assistência social, além da demanda espontânea.

No local, cuja área total ultrapassa 45 mil metros quadrados, serão construídos espaços específicos para atendimento médico especializado (em diversas especialidades, como Otorrinolaringologia, Oftalmologia, Psiquiatria, Neurologia, Neuropediatria, Ortopedia, Fisiatria, Odontologia e Nutrição); para laboratórios; reabilitação (incluindo sala para terapia de grupo, terapia global, reabilitação respiratória e fonoaudiologia); oficinas de órteses e próteses; ginásio paralímpico; piscina olímpica; para reabilitação; auditório e para biblioteca.
 
Novo Terminal  

Enquanto isso, as obras de reforma e adequação arquitetônica do armazém 09 da Companhia Docas do Pará (CDP), onde será instalado o novo Terminal Hidroviário de Belém, seguem em ritmo acelerado. 

A expectativa de Abraão Benassuly, presidente da Companhia de Portos e Hidrovias do Pará (CPH), é de que tudo esteja concluído até janeiro do ano que vem - antes, portanto, do prazo de um ano inicialmente previsto para a conclusão do trabalho (a ordem de serviço para a obra foi assinada em fevereiro deste ano, estipulando para fevereiro de 2014 o prazo final para o término do serviço). 

“A empresa que está executando a obra colocou operários trabalhando nos três turnos, para garantir a antecipação do prazo”, afirmou.

Segundo Benassuly, o novo Terminal Hidroviário terá uma área de 4,8 mil metros quadrados, dividida em dois pavimentos. O terminal propriamente dito funcionará no pavimento térreo, em um espaço de 2,4 mil metros quadrados, enquanto o atendimento de órgãos federais ficará no andar superior.

Atualmente, o Terminal funciona no armazém 10 da CDP, e atende, nos períodos de alta temporada, a quase 60 mil passageiros/mês. Com a reforma e ampliação, esse número deverá saltar para 80 mil. O investimento é de cerca de R$ 15 milhões, e inclui a construção de um píer de cerca de 300 metros de extensão.

O novo Terminal Hidroviário de Belém terá área segregada de embarque e desembarque de passageiros. O embarque, com 442 metros quadrados e capacidade para 400 passageiros, será dotado de equipamentos como raio-x e scanner para bagagens, além de banheiros e lanchonete. 

Também está prevista a construção de dois flutuantes cobertos e de rampas para dar acesso às embarcações.
 
Serviços  

O espaço será totalmente climatizado, e contará ainda com 10 guichês para vendas de passagens, guarda volume, farmácia, caixas eletrônicos, Juizado da Infância e Adolescência, banheiros masculino, feminino e para pessoas com deficiências, duas lanchonetes, revistaria, Centro de Apoio ao Turista (CAT), Delegacia de Imigração (Delemig), postos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Receita Federal, cooperativa de táxi, postos de policiamento e outros serviços.

A obra está sendo executada graças a convênio firmado com a CDP. A parceria, que permite o usufruto do espaço por 25 anos, segue os mesmos moldes do convênio estabelecido para a construção da Estação das Docas.


12 de jun. de 2013

Entenda a diferença entre deficiência intelectual e doença mental

Desenho de um cérebro dentro do crânio
Muitos sentem dificuldade para se relacionar com pessoas com deficiência intelectual por não saber como se referir a elas ou mesmo compreender quais são as condições que afetam o seu desenvolvimento. 

Uma das confusões mais comuns é chamar os indivíduos com deficiência de "doentes mentais". 

Esta noção está arraigada no imaginário popular, mas tem sua base na discriminação que estes sofriam no passado. Os dois problemas, contudo, são completamente diferentes.

A doença mental é, na verdade, um transtorno psiquiátrico que engloba uma série de alterações que modificam o humor e o comportamento da pessoa, podendo afetar seu desempenho. Tal distúrbio deve ser tratado com psiquiatras e o uso controlado de medicamentos.

Já a deficiência intelectual representa um atraso no desenvolvimento, o que gera dificuldades de aprendizado e na realização de coisas simples do cotidiano. Neste caso, há um comprometimento cognitivo, que ocorre antes dos 18 anos de idade.

"Deficiência mental"
 
Segundo a educadora Ana Beatriz Araújo, da Apae Salvador, as deficiências intelectual e mental são sinônimas. O último termo, porém, foi banido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2004. “São dois termos que querem dizer a mesma coisa. Houve uma mudança de nomenclatura em relação à deficiência intelectual para não confundir com o transtorno mental”, afirma.

A ONU optou por excluir a expressão "deficiência mental" para evitar a confusão e a discriminação destas pessoas, que representam 5% da população mundial, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
 
Características
 
Segundo descrição da Associação Americana sobre Deficiência Intelectual do Desenvolvimento (AIDD), pessoas com déficit intelectual possuem o Quociente de Inteligência (QI) inferior à média. 

Elas possuem limitações em ao menos dois tipos de habilidades: comunicação, autocuidado, funções acadêmicas, adaptação social, vida no lar, segurança e saúde, dentre outras.

De acordo com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), quase sempre a deficiência intelectual costuma ser resultado de uma alteração no cérebro causada por condições genéticas. 

Mas uma pessoa com deficiência também pode ter sofrido com distúrbios na gestação, problemas no parto e até mesmo após o nascimento. Dentre os principais tipos de deficiência intelectual estão as síndromes de Down, X-Frágil, Prader-Willi, Angelman e Williams.

6 de jun. de 2013

Plenário aprova emenda sobre alunos com deficiência e conclui votação de MP

Diversos lápis de cor empilhados
O plenário da Câmara aprovou emenda da deputada Mara Gabrilli à MP 606/13 que assegura aos professores do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) formação sobre condições de acessibilidade às pessoas com deficiência.

A MP permite o uso do Seguro de Crédito à Exportação em compras de aeronaves brasileiras mesmo quando a empresa aérea não for a devedora direta da operação de financiamento.

Segundo a tucana, no início o Pronatec nem mencionava a expressão pessoa com deficiência. “Fomos nós a colocar, por exemplo, material pedagógico e acessibilidade para que os alunos pudessem participar do ensino profissional neste país”, disse.

Mara Gabrilli lembra que a maior dificuldade para a pessoa com deficiência exercer a cidadania é a educação. Por isso, a capacitação dos professores é essencial. 

“É claro que o professor se assusta quando entra em uma sala de aula e se depara com um aluno surdo, cego ou com deficiência intelectual, porque ele não tem recurso nem técnica para ensinar esse aluno”, completou. “Se as pessoas com deficiência tiverem preparo e tiverem formação, com certeza todos os outros alunos crescerão com essa diversidade”, concluiu a tucana.

O deputado Vanderlei Macris (SP) destacou o apoio de toda a bancada do PSDB à proposta de Mara. “Ela vai garantir a possibilidade de capacitação aos alunos. E é uma política afirmativa de integração das pessoas com a sociedade, principalmente no ambiente escolar”, afirmou.

“O que se quer para um filho, seja deficiente ou não, é que ele tenha autonomia e independência. Isso só se adquire com o trabalho. E um trabalho digno só se adquire, só é possível com educação e um processo educacional digno”, frisou o deputado Otavio Leite (RJ) em plenário.

Eduardo Barbosa (MG) ressaltou a luta para incluir no programa vagas destinadas a pessoas com deficiência. Ele elogiou a iniciativa da deputada. “Só assim, nós poderemos ousar e chegar à meta prevista de alcançar 150 mil pessoas com deficiência dentro dos programas do Pronatec”, comentou.

Estatuto da Pessoa com Deficiência deve ser aprovado ainda em 2013



O Estatuto da Pessoa com Deficiência deve ser aprovado pelo Congresso Nacional ainda neste ano. Essa foi a promessa feita pelos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Henrique Eduardo Alves, durante solenidade de entrega ao Congresso de um substitutivo ao Projeto de Lei 7.699/2006, nesta terça-feira (4), pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário.

De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), o PL 7.699/2006 foi a primeira iniciativa de criação de um estatuto para as pessoas com deficiência. Aprovado pelo Senado em 2006, tramita na Câmara dos Deputados desde então. 

Depois desse projeto, mais de 200 outras propostas envolvendo direitos das pessoas com deficiência foram apresentados na Câmara.

Renan Calheiros disse se orgulhar de ter sido o ministro da Justiça que mandou ao Congresso a Lei da Acessibilidade (Lei 10.098/2000) e de ter sido presidente do Senado na época da aprovação do PL 7.699/2006. Ele também se comprometeu com a tramitação rápida do Estatuto da Pessoa com Deficiência pelo Senado, garantindo a aprovação até o final do ano.

- Tão logo a Câmara vote o estatuto, nós vamos falar com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Vital do Rêgo, paraque tenhamos aqui uma rápida tramitação, para votarmos em dias, uma vez que o Senado já teve oportunidade de discutir e de aprofundar esse debate – prometeu.

Renan Calheiros disse ainda que está organizando, com o presidente da Câmara, uma agenda de matérias que merecem tramitação rápida nas duas Casas e adiantou que a primeira delas é o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Ele também citou como prioridades os projetos de lei contra a tortura e contra a homofobia.

Henrique Alves pediu desculpas à sociedade brasileira pela quantidade de projetos voltados às pessoas com deficiência que tramitam na casa por tanto tempo sem serem aprovados. Ele se comprometeu com a aprovação em outubro do substitutivo entregue pela ministra e nomeou a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) como relatora da proposta na Casa.
 

Nova perspectiva


A Secretaria de Direitos Humanos criou um grupo de trabalho formado por parlamentares, membros da sociedade civil, juízes, membros do Ministério Público e do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade) para estudar todos os projetos em tramitação no Congresso Nacional e criar um estatuto.

Segundo a ministra, o texto foi elaborado, após um ano de estudo, com base principalmente no projeto do senador Paim, à luz da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência das Nações Unidas, assinada pelo Brasil em 2008. Maria do Rosário afirmou que essa convenção trouxe nova perspectiva para o tema.

- A pessoa com deficiência não é percebida nos limites, mas na sua grande capacidade de superação todos os dias, principalmente assumindo que nós precisamos superar os limites do meio, o preconceito, as barreiras arquitetônicas, as barreiras na comunicação, as barreiras atitudinais – explicou Maria do Rosário.

De acordo com Maria do Rosário, o estatuto vai beneficiar 46 milhões de brasileiros que se autodeclararam deficientes no censo de 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 24% da população brasileira.

A proposta traz ideias concretas sobre inserção da pessoa com deficiência no mundo do trabalho, atendimento prioritário, habilitação e reabilitação, acessibilidade, vida pública e política, recursos tecnológicos, entre outros direitos. 

A proposta também constitui um Fundo Nacional para as Pessoas com Deficiência, gerido pelo Conade.

- Nós estaremos atentos aos direitos de 46 milhões de brasileiros, mas eu diria que nós estaremos atentos aos direitos de todos os brasileiros e brasileiras – afirmou a ministra.



5 de jun. de 2013

A Fotografia como Fator de Inclusão da Pessoa com Deficiência Visual

Por Luciane Molina

A ausência da visão não anula a função que as imagens exercem na vida da pessoa com deficiência visual. 

Exemplo disso são as obras com audiodescrição, recurso de acessibilidade  que vem ganhando espaço e popularidade para esse público.

Apesar de não contemplar as cores, figuras e fotografias da mesma forma que uma pessoa que enxerga o faz, não posso negar a existência das imagens e a influência que elas exercem na minha vida, já que, enxergando ou não,  estamos rodeados desses signos visuais.

Desde muito cedo aprendi apreciar as paisagens e a beleza das imagens através dos olhos de alguém que, cuidadosamente, descrevia as características daquilo que a minha visão não consegue captar, de maneira informal. 

Hoje, a  imparcialidade, objetividade e clareza ao organizar as informações mais relevantes a serem narradas fez com que a audiodescrição se tornasse um recurso de acessibilidade reconhecida formalmente e o objeto de estudo de muitas pesquisas acadêmicas.

Assim como os olhos do audiodescritor, as câmeras fotográficas exercem a função de materializar uma  imagem ou um momento  que um cego não conseguiria registrar sozinho em sua memória. Foi assim que passei a me interessar por fotografias e, consequentemente, por audiodescrição. 

Cada cena registrada tem seu colorido próprio, seu aroma, sua textura e seu significado, construídos através dos esquemas imagéticos que formamos em nossa mente ao ouvir as descrições ou ao vivenciar os momentos. 

Com um clique podemos transportar essas sensações pra onde desejarmos; pra perto ou pra longe, pra dentro da nossa memória e pra onde nossa imaginação nos levar.


Seria contraditório um cego utilizar uma forma extremamente visual para registrar os momentos mais importantes por  não poder contemplar o resultado final das fotografias? 

 Talvez a contradição não esteja na imagem em si, mas na ideia internalizada por muitas pessoas de que um cego só pode ver aquilo que ele consegue tocar ou sentir. 

 Temos que a sensação nos diz apenas que o mundo existe, enquanto que a percepção refere-se a interpretação dessas  sensações quando levadas para o cérebro.

Então, nós podemos “enxergar” as fotografias quando quaisquer dos nossos sentidos forem estimulados e identificar todas as características dessa produção fotográfica, seja pela descrição de seus elementos,  por ter vivenciado aquele momento, por ter guardado na memória as experiências sensoriais e perceptivas ou pelo prazer em participar do convívio com  outras pessoas sem que criemos um mundo paralelo, isolado dessas imagens, cores e fotografias. 

Afinal, a fotografia é captada para que alguém possa apreciá-la e, nesse sentido, representa um importante elemento que contribui para a inclusão social.
Fotos retiradas pela Luciane Molina.

Descrição das fotos: 

  •  A primeira foto é uma paisagem de bananeiras, e no fundo aparecem montanhas e o céu azul.
  • A segunda foto: A direita é uma árvore comprida, em primeiro plano uma cerca e uma casa e ao fundo as montanhas.

Luciane Molina é pessoa com deficiência visual e pedagoga. Possui especialização em atendimento Educacional Especializado e atua com consultoria e cursos de formação de professores em Grafia Braille. Mantém o blog www.braillu.com.

29 de mai. de 2013

Criação da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência de João Pessoa (PB) vira meta de gestão para 2014

 


Na terceira audiência pública que define as prioridades à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o exercício financeiro de 2014 no município de João Pessoa, entre as metas está o projeto de indicação, apresentado ano passado pelo vereador Raoni Mendes(PDT), que estabelece a criação da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência - SMPD. 

 A sessão ocorreu na tarde desta segunda-feira (27), na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP).

De acordo com o parlamentar, com a criação da SMPD será garantido o atendimento aos deficientes, incluindo-se as pessoas autistas, por meio do diagnóstico e do tratamento especializados. 

A iniciativa de acatar a ideia do seu mandato de criar a Secretaria da Pessoa com Deficiência foi elogiada pelo vereador Raoni, “com a criação da SMPD, os familiares das pessoas com deficiência terão melhores condições de obter o diagnóstico e o posterior tratamento, por exemplo, para os autistas. Sem dúvida, a iniciativa da criação da SMPD resultará num grande avanço para o desenvolvimento social e a saúde pública em nosso município”, ressaltou.

Segundo dados do último Censo do IBGE, João Pessoa conta com 90 (noventa) mil pessoas com algum tipo de deficiência, o que confere a nossa cidade, proporcionalmente ao número de habitantes, a terceira posição entre as capitais do país com maior número de pessoas com algum tipo de deficiência.

“Essa propositura do vereador Raoni Mendes fez com que abrisse uma nova visão de política pública em João Pessoa voltada para as pessoas com deficiência. 

Quando se tem uma secretaria significa a conquista de autonomia, é o maior instrumento para assegurar ações e transformações necessárias na garantia dos direitos e qualidade necessária no bem viver”, vislumbrou o presidente da AC Social – assessoria e consultoria para Inlcusão Social, Genilson Machado.

Curso de Libras para servidores municipais de Manaus (AM) abre novos canais de comunicação



Eles falam com as mãos, com os olhos e por que não, com a boca? Pesoas com deficiência auditiva e de fala conseguem ser mais expressivos que muita gente, já que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) contempla também as expressões faciais. Mas este não é o maior problema para eles. 

A dificuldade está em ser “ouvido” e se fazer entendido. Trata-se de um universo de 9,7 milhões de pessoas no País. A Associação dos Surdos de Manaus (Asman) contabiliza 1,4 mil deficientes auditivos registrados. 

Por conta disso, 49 servidores da Prefeitura de Manaus estão sendo capacitados em Libras, em um curso intensivo com carga horária de 30 horas/aula. 

De acordo com a diretora de Educação e Aprendizagem da Fundação Escola de Serviço Público (Fespi) da Prefeitura de Manaus, Andreia Brasil, as inscrições tiveram que ser limitadas, tamanha a procura pelo curso.

Para a técnica em enfermagem Jucilene Gonçalves, aprender a técnica de comunicação com as mãos foi mais do que garantir a inclusão das pessoas que ela possa vir a atender no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). 

“Eu consegui me comunicar com meu filho”, disse. Mãe de um menino de 12 anos com deficiência auditiva e da fala, somente agora ele começou a ser alfabetizado, graças à linguagem que a mãe ensina para ele, a partir do que aprendeu em sala de aula.

“Tudo o que eu aprendo aqui, passo para ele e é incrível como ele aprendeu. Antes, só conseguíamos nos entender por conta do hábito que tínhamos dentro de casa, com o dedo apontando para as coisas”. 

Atualmente ele estuda na escola municipal de Educação Especial André Vidal Araújo, que desenvolve trabalhos referentes à modalidade de Educação Especial, com o objetivo de fomentar a educação inclusiva. 

O filho de Jucilene já começou a aprender a ler. “Hoje eu consigo entender o meu filho. Pretendo estudar até o nível avançado”, disse a técnica em enfermagem que está  no nível básico.

O objetivo, de acordo com a diretora Andreia Brasil, é capacitar os servidores para o atendimento inclusivo. 

“Temos alunos que trabalham no Parque dos Bilhares, na secretaria de saúde, de educação, com cadastramento e atendimento de Bolsa Família, do Bolsa Universidade, todo um universo que precisa se adaptar para atender o portador de deficiência auditiva”, disse.

Linguagem baseia-se em 5 pontos


Professora da Língua Brasileira de Sinais (Libras) há 24 anos, Ester Barbosa explica que o curso normalmente tem duração de três meses, mas no caso dos servidores da Prefeitura, ele é mais funcional, voltado para as questões práticas do dia a dia.

“Eles aprendem perguntas como ‘qual o seu nome’, como ‘falar’ os documentos que existem, a idade, a prestar informações sobre atendimento, horário, linhas de ônibus e pontos turísticos, entre outras coisas”, explicou Barbosa. 

Além disso, eles aprendem as letras do alfabeto para que, no caso de falta de um sinal que corresponda a alguma informação, a palavra seja soletrada.

Ela explica que a linguagem de sinais está baseada em cinco parâmetros: a configuração da mão (forma das mãos: os destros utilizam-se da direita e os canhotos, da esquerda); ponto de articulação (lugar onde a mão configurada é posicionada); movimento (o sinal pode ou não apresentar movimento); orientação/direção (os sinais têm uma direção e estão relacionados à palma da mão); além da expressão facial e/ou corporal (de fundamental importância para o entendimento da entonação de voz).


17 de mai. de 2013

Virada Cultural em SP terá tradução em Libras para shows de comédia e rap

Silhueta de pessoas com as mãos para cima em ambiente festivo 

A programação da Virada Cultural 2013, em São Paulo (SP), contará com a tradução para Língua Brasileira de Sinais (Libras) em três apresentações que acontecem no domingo (19). 

Dois intérpretes de Libras, disponibilizados pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED), farão a tradução do sarau do rapper Crônica Mendes e de duas sessões de comédia stand up para o público com deficiência auditiva.

No Largo São Bento, o rapper Crônica Mendes apresenta, às 11h20, seu estilo politizado, já bastante difundido em saraus na periferia da cidade, onde as letras são declamadas em forma de poesia.

No palco da Praça da Sé, as sessões de comédia stand up das 14h30 e 17h30 contarão com as apresentações dos humoristas Rafael Cortez, Rafinha Bastos, Danilo Gentili, Oscar Filho, Paulinho Serra e demais convidados.

Para a intérprete Karina Zonzini, funcionária da SMPED, “a maior dificuldade é conseguir acompanhar o tempo da piada e traduzir as gírias de quem é ouvinte para a língua de sinais, sem perder o tom do humor”, comenta. 

Desde 2010, ela realiza traduções em Libras e há dois anos iniciou o trabalho em shows de comédia.

De acordo com dados do Censo do IBGE (2010), a cidade de São Paulo possui 2,7 milhões de pessoas com deficiência, sendo que aproximadamente 500 mil declararam possuir algum grau de deficiência auditiva.
 

Programação com Tradução em Libras:
 

Largo São Bento | Sarau
 

19/05
 

11h20 - Crônica Mendes


Sé | Comédia - Stand Up
 
19/05

14h30 - Rafael Cortez • Rafinha Bastos • Gustavo Mendes • Rogério Morgado • André Santi • Rafael Marinho • Paulinho Serra • Fabiano Cambota

17h30 - Rafael Cortez • Danilo Gentili • Oscar Filho • Robson Nunes • Marcelo Marrom • Rodrigo Capella • Fábio Lins • Fábio Rabin
 

15 de mai. de 2013

Adoção muda vida de menino indígena com Down em MT

Mão de uma pessoa idosa segurando mão de um bebê
Uma adoção mudou o rumo de uma família em Cuiabá, em Mato Grosso, e de um bebê indígena que estava fadado desde as primeiras horas de vida a ser sacrificado por ter nascido com Síndrome de Down. 

Quando se lembra do esforço que precisou ter para ser mãe adotiva do pequeno Antônio, hoje com sete anos, a psicopedagoga Beatriz Mello, de 56 anos, diz que faria tudo de novo só para ter a chance de salvar a vida do filho que é da etnia Cinta Larga.

“Foi uma escolha muito forte. Até pela minha formação eu sempre desejei ser mãe de uma criança com Down. Eu fiz dar espaço para isso e recebi o meu maior presente, um ‘pacotinho especial’ que me dá alegria diariamente”, diz Mello.

O ‘pacotinho especial’ de Beatriz vem ao longo dos anos contrariando as previsões médicas mais pessimistas. Além de ser Down, Antônio é surdo e, por consequência, não fala e tem respiração limitada devido a um problema pulmonar grave. 

Há um ano, ele recebeu um implante de um aparelho no ouvido e já começa a reproduzir na fala os sons que ouve. 

Beatriz contou que se emocionou quando observou o filho se esforçando para falar a palavra mamãe. “Ele falou ma, ma, ma. Foi uma emoção muito grande”, recorda.
 
Superação

Os quatro primeiros anos de vida do garoto não foram fáceis. Antônio passava meses internado. Beatriz diz que o esforço, na época, era para mantê-lo vivo. 

Ela se emociona quando recorda do momento mais difícil quando pensou que Antônio não sobreviveria a mais um período no hospital. Em Maceió, a capital de Alagoas, o rim e o fígado de Antônio entraram em colapso.

“Eu disse bem próxima ao ouvido dele que se ele tivesse que nos deixar, a passagem dele 
seria iluminada. Mas que se ele quisesse ficar com a gente, ele receberia muito amor”, afirma.

Antônio saiu do coma e, um mês depois, deixou o hospital. “Ele optou pela vida sempre sorrindo, com bom humor. Meu filho é um guerreiro”, completa Beatriz.

Mãe de outras três filhas, a psicopedagoga conheceu a história do bebê que se tornaria o filho caçula dela por meio de uma reportagem exibida em 2005 pela TV Centro América, afiliada da Rede Globo em Mato Grosso.

Nà época, Antônio estava debilitado e precisava fazer uma cirurgia. Ele era o 12º filho de um casal de índios que vivia em uma aldeia localizada na zona rural de Aripuanã, cidade distante a 976 quilômetros de Cuiabá.

A mãe biológica do garoto temendo que o filho pudesse ser sacrificado por conta da deficiência contrariou a tradição e entregou o menino para a Fundação Nacional do Índio (Funai). 

 “Essa mulher foi muito corajosa porque ela sabia que se ele ficasse por lá não sobreviveria até pelas condições da aldeia que não tinha nem energia elétrica”, revela Beatriz.

Da chegada de Antônio a Cuiabá para o primeiro tratamento médico até obter a guarda provisória dele foram dois meses de espera, conta Beatriz. 

Ele foi levado para a casa dela ainda debilitado e recebendo cuidados em uma ‘homecare’. A guarda definitiva só foi expedida quatro anos depois.

Da convivência com o filho especial, diz Beatriz, ela aprendeu a ser mais serena e forte. “O meu crescimento como pessoa é incrível. Eu sempre achei que faltava em mim o dom da paciência. Depois do Antônio me tornei mais tolerante e serena. Os valores que a gente têm na vida mudam, não tem jeito. Acasos acontecem por conta de um acaso ainda maior”, revela.

Antônio ainda continua cercado de cuidados por ter uma saúde frágil. Ele faz fisioterapia respiratória duas vezes por dia e ainda está aprendendo a se comunicar com o auxílio de uma fonoaudióloga. A meta de Beatriz é tornar o filho o mais independente possível.
 
Cinta Larga

Os índios da etnia Cinta Larga estão espalhados em aldeias pelos estados de Mato Grosso e Rondônia. Dados da Funai apontam que a etnia possui 1.757 integrantes. A comitiva do Marechal Cândido Rondon foi a primeira a fazer contato com os Cinta Larga, em 1915. A intensa pressão econômica na região em que está inserida por conta da atividade garimpeira fez a população da etnia reduzir consideravelmente ao longo dos anos.

Fonte: G1