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20 de ago. de 2012

Reforma vai eliminar obstáculos para pessoas com deficiência em terminal de ônibus em Curitiba (PR)

Rampa com símbolo de acessibilidade na calçada
Garantir a acessibilidade e as condições de locomoção às pessoas com deficiência é uma das principais características do projeto de reforma da Rodoviária de Curitiba (PR), que está em execução. 

A obra, com um custo de R$ 34,4 milhões, faz parte do conjunto de intervenções que preparam a cidade sediar um dos grupos da Copa do Mundo de 2014.

Projetada pelo arquiteto Rubens Meister, a rodoviária está passando pela maior reformulação em sua estrutura desde que entrou em operação, em 1972. O prédio, com 25,6 mil metros quadrados, será modernizado e ganhará uma ampliação, para suportar o aumento na demanda com o ingresso de novos visitantes à cidade durante a Copa.

“A modernização inclui uma série de cuidados na concepção da reforma para eliminar as barreiras que dificultam às pessoas com deficiência o acesso ao terminal e limitam a circulação em seu interior. Como o projeto da edificação é muito antigo, não inclui elementos como rampas e elevadores. As escadas que ligam os dois pavimentos acabam funcionando como um obstáculo insuperável para um cadeirante”, diz o presidente do Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), Clever Almeida.

O prédio da rodoviária é constituído de dois blocos de dois pavimentos (um para os ônibus com destino ao interior do Paraná e outro para os interestaduais), unidos por duas passarelas, na parte superior. Nos blocos, o acesso ao segundo piso é feito por escadas.
Facilidades

Com o projeto de reforma em andamento, estes entraves serão superados e, além das facilidades para os cadeirantes, serão implantadas melhorias para atender outras necessidades mais específicas, como sinalização em braile. Todos os itens de acessibilidade incluídos no projeto de reforma da rodoviária foram projetados de acordo com a normativa da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a NBR 9050/2004.

O projeto foi elaborado pelo Ippuc, aprovado pela Secretaria Municipal do Urbanismo e pela Câmara Técnica de Acessibilidade da Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba. Também foram consultados órgãos como o Conselho Regional de Engenharia do Paraná e Ministério Público.

A nova rodoviária terá dois elevadores e quatro escadas rolantes em cada um dos blocos de embarque e desembarque de passageiros e uma terceira passarela, na extremidade direita do terminal, com plataforma elevatória para cadeirantes. A nova passarela será metálica e com largura suficiente para a passagem de cadeiras de rodas nos dois sentidos ao mesmo tempo.    

Outra providência do projeto é a implantação de pista tátil direcional e de alerta na área interna e externa, comunicação visual em braile e mapa tátil, instalados em bancada horizontal, em dimensões estabelecidas na norma da ABNT (1,10 de altura e ilustração com 0,60 x 0,80m e inclinação de 30°). Nos dois pavilhões da Rodoviária, serão instalados oito mapas deste tipo.
Outras adaptações

Parte dos sanitários será adaptada para utilização por pessoas com deficiência e na área de embarque haverá cadeiras com dimensão especial para acomodar obesos, enquanto aguardam embarque ou desembarque. 

Os guarda-corpos (ou parapeitos) também seguirão recomendações da ABNT, com 92 centímetros de altura, e os corrimãos terão empunhadura com 4,5 centímetros de diâmetro e extremidades com saliência de alerta para pessoas com deficiência visual. O piso, em toda a área interna, será trocado, com a utilização de material plano e antiderrapante.
Setembro de 2013

A Prefeitura de Curitiba começou em junho a revitalização da Rodoferroviária, que tem previsão de ficar pronta em setembro de 2013. Os ônibus que chegam do litoral paranaense pela BR 277, de Santa Catarina pela Avenida das Torres e do interior do Paraná pela Silva Jardim entrarão no terminal pela Dario Lopes dos Santos. Isso irá melhorar a mobilidade no entorno da Rodoferroviária.

O sistema de monitoramento por câmeras terá alcance ampliado, chegando a 100% das instalações, o que permitirá melhor atendimento às ocorrências no terminal. A comunicação interna será melhorada, com aumento no número de telas para visualização das chamadas de embarque e alerta de desembarque de ônibus e também com aperfeiçoamento no sistema de avisos sonoros.

5 de ago. de 2012

Cinema fará adaptações para melhorar visão de cadeirantes

"A solução foi propor o deslocamento da arquibancada com os espaços destinados às pessoas com deficiência"
 
Após várias reuniões, discussões técnicas e um bom número de correções e modificações de projetos, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, através da Promotoria de Justiça da Cidadania, Idoso e Pessoa com Deficiência, representada pela Promotora de Justiça Cristiane Barreto Nogueira Rizkallah, auxiliada pelo assistente técnico nomeado nos autos, o arquiteto Jean Claud Borges Maciel Pinheiro, chegou a um acordo com o Cinemark a respeito da segunda etapa da reforma para adaptação às normas de acessibilidade. A primeira etapa, já foi concluída, foi a correspondente à adaptação do saguão principal, cafés, bilheteria, circulação de acesso às salas de cinema, bebedouros e sanitários.

A segunda etapa é muito mais difícil, pois diz respeito às salas de projeção, onde existem grandes desníveis. É muito mais complexo reformar edificações existentes para adaptar às normas do que quando as edificações já nascem acessíveis. E com o Cinemark não é diferente. Nas salas de projeção, a reclamação se resume ao ângulo de visão dos locais destinados a usuários de cadeiras de rodas. Esses locais, atualmente nas primeiras fileiras de todas as salas de projeção, fazem com que as pessoas fiquem sentadas em uma posição extremamente desconfortável, com a cabeça voltada para cima, além de muito próximas da tela.

O ideal, segundo o artigo 23 do Decreto n. 5.296/04, seria que os assentos para pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida fossem espalhados pelo interior da sala de projeção e devidamente atendidos por rota acessível.

No entanto, verificou-se a impossibilidade de reformar as salas de modo a atender essa determinação, uma vez que é muito acentuada a inclinação das arquibancadas em que os assentos estão fixados, e formaria uma rampa extensa e íngreme. Verificada essa inviabilidade, foram propostas e discutidas outras opções, no sentido de proporcionar a solução mais confortável possível para os usuários de cadeiras de rodas e que fosse tecnicamente viável. Isso tudo, sem esquecer as rotas de fuga para o caso de incêndios e acidentes, que também possuem exigências técnicas que não podem ser prejudicadas para o atendimento a outras normas.

Após os estudos, a solução foi propor o deslocamento da arquibancada com os espaços destinados às pessoas com deficiência, bem como as cadeiras de acompanhantes, para a altura que corresponde atualmente à da terceira fileira de poltronas. Dessa forma, o ângulo de visão, que atualmente está em torno de 60° graus, passará para o intervalo entre 30 a 41° graus, dependendo da sala de projeção. Serão duas salas com ângulo de 30, quatro com ângulo de 36, duas com ângulo de 40, e duas com ângulo de 41 graus. Ou seja, a adaptação gerará ângulos de visão muito mais próximos ao ângulo de 30°, previsto no item 8.2.1.2.1 da NBR 9050, norma da ABNT. Haverá também poltronas destinadas a pessoas obesas, com largura equivalente à de dois assentos.

O Cinemark aceitou a proposta e elaborou o projeto de reforma já com essas modificações. A equipe do Ministério Público Estadual já fez o teste in loco, assistindo a trechos de filmes legendados, tanto sentados nas primeiras fileiras das salas de projeção, onde estão os espaços para ocupantes de cadeiras de rodas, como nas terceiras fileiras, para onde serão transferidos os espaços após a reforma e eliminação das fileiras anteriores. A melhora no nível de conforto foi muito significativa.

Portanto, ultrapassado esse ponto mais difícil, os próximos passos rumo à acessibilidade do Cinemark serão mais tranquilos.