28 de out. de 2014

Pessoas com deficiência visual disputam títulos panamericanos de xadrez em Bertioga, SP

Foto de dois jogadores cegos jogando Xadrez


Sem enxergar, homens e mulheres de cinco países da América Latina disputaram nesta semana o 1º Campeonato Panamericano de Xadrez por Equipes para Deficientes Visuais em Bertioga, no litoral de São Paulo. Além de praticarem o esporte, eles conheceram as belezas naturais e históricas da região.


Enxadristas da Bolívia, Argentina, Colômbia e Panamá participaram da competição, que aconteceu no Hotel Riviera Bertioga, no bairro Cantão do Indaiá. Foram 39 competidores disputando títulos por equipe e por dupla feminina.


O xadrez para pessoas com deficiência visual existe desde a década de 50 na Europa. No Brasil, as competições são organizadas pela Federação Brasileira de Xadrez para Deficientes Visuais (FBXDV), filiada à Internacional Braille Chess Association (IBCA)


“O Campeonato Panamericano por Equipes acontece pela primeira vez na América Latina”, enfatiza o presidente da federação, Januário Couto, que pratica o esporte desde pequeno.


Esse xadrez conta com um tabuleiro diferente, que geralmente é feito de forma artesanal. Toda casa possui um orifício e toda peça possui um pino de encaixe. 


Cada peça tem também um pino na parte de cima, assim, é possível diferenciar as brancas das pretas. As áreas brancas do tabuleiro são em alto relevo, para distinguí-las das pretas. 


“Cada competidor joga com um tabuleiro à parte e todo o jogo é cantado, falado. Por exemplo, eu falo E4 e faço o movimento no meu tabuleiro, e o adversário no dele. É como o jogo batalha naval”, explica Januário.


O relógio que marca o tempo da competição também é diferente. “Esse nosso relógio tem um fone de ouvido, com o qual ouvimos o nosso tempo, sem consultar o árbitro. A maioria de nós tem esse relógio”, relata.


Sidnei Silveste da Silva, de 36 anos, é de São Caetano e joga xadrez há seis anos. “A única regra que difere o xadrez convencional do nosso é que, para a gente, peça levantada é peça jogada. Sou obrigado a jogar com ela”, explica. Os três melhores do Panamericano concorrerão a uma bolsa do Ministério do Esporte.


Além de competir, os enxadristas puderam aproveitar o tempo livre visitando as atrações turísticas de Bertioga. “O município nos deu apoio e se adequou às nossas necessidades”, comenta Januário.


Os jogadores tiveram à disposição os programas Praia Acessível, Verlejando e Ecocaiaque, atividades ao ar livre praticadas nas areias da Praia do Indaiá, especialmente para deficientes. 


“Todas as manhãs, os competidores ficaram livres para curtir a praia e os pontos turísticos da cidade”, conclui Sidnei.


Fonte: G1


Juiz condena Inep a pagar R$ 10 mil a cadeirante gaúcho prejudicado no Enem

Foto de uma carteira adaptada


O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), foi condenado a pagar indenização de R$ 10 mil por danos morais a um cadeirante gaúcho que fez a prova do Enem 2011 em uma escola sem acesso adequado. O Inep pode recorrer.


Se mantida, a decisão judicial da Justiça Federal do Rio Grande do Sul abre precedentes para que o instituto federal seja responsável por garantir acessibilidade nos locais de prova do exame.


“Esta decisão contra o Inep abre precedente para outras contendas judiciais. Em casos anteriores, a responsabilidade sempre recaía sobre a escola ou sobre a [empresa] organizadora da prova”, afirmou o advogado especialista em direito da pessoa com deficiência Geraldo Nogueira.


O estudante Maurício Zortea, 31, teve de ser carregado para o local de prova, em Passo Fundo (RS), pois o acesso era feito por uma escada. Durante a realização da prova, não conseguiu entrar na cabine do banheiro, que tinha portas mais estreitas que sua cadeira. Durante o processo, Maurício chegou a citar outros locais de prova na cidade com boas condições de acessibilidade para a realização do exame

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“Está claro que o Inep tomou ciência da condição especial do aluno, sem ter providenciado, porém, como lhe cabia, estrutura adequada”, afirmou o juiz federal Andrei Pitten Velloso em sua decisão.


Caráter pedagógico


“O que chama a atenção é que o único argumento da defesa é o atestado de incompetência do órgão. [Dizendo] que por causa do tamanho da prova não poderia ser responsabilizado por isso”, comentou Bruno Zortea, advogado e irmão do candidato.


A decisão foi tomada no último mês de setembro em julgamento a um recurso do Inep contra indenização no valor de dez salários mínimos a que fora condenado em abril de 2013.


De acordo com Bruno Zortea, o objetivo do processo era chamar atenção para o problema e obrigar o Estado a garantir a acessibilidade aos candidatos. No entanto, o advogado não está contente com o valor da indenização, considerado baixo.


“Queríamos que o processo tivesse um caráter mais pedagógico para a União em relação ao respeito dos direitos dos deficientes, mas o valor é insignificante para o instituto”, afirmou Bruno.


Procurada pela reportagem, a Advocacia-Geral da União (AGU) disse que foi notificada da decisão nessa segunda (20) e ainda analisa qual medida será adotada. Caso queira, a AGU tem 15 dias para entrar com recurso.
 

Enem 2014


Para a edição do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deste ano, realizada nos dias 8 e 9 de novembro, 76.676 candidatos pediram atendimento especializado no ato da inscrição, segundo informações do Inep.


Desses, 15.115 precisam de uma sala de mais fácil acesso. Outros 4.528 estudantes pediram mesa com cadeira separada e mais 2.697 candidatos querem mesa para cadeira de rodas.





'Não abro mão do meu voto', diz homem com deficiência física ao votar, em RO

Foto de uma urna eletrônica


Pessoas com deficiência deixam as dificuldades de lado e comparcem às suas zonas eleitorais para garantir o voto, neste segundo turno das eleições 2014, em Porto Velho


Em uma escola da Zona Sul da capital, o eleitor Renato Siva Barbosa, de 21 anos, conta que mora ao lado do maior colégio eleitoral da cidade, a Escola Joaquim Vicente Rondon, seu local de votação. 


"É bom saber que temos direito por igual de votar, com acesso fácil às urnas", comemora o rapaz ao votar pela segunda vez.


A aposentada Maria Lúcia Lázaro de Jesus, de 62 anos, fez uma cirurgia no quadril e mesmo em fase de recuperação, utilizando um andador, pediu ao filho que a levasse para votar. 


“É nosso direito escolher quem vai administrar nosso estado e país”, disse Maria, que pede pela criação de uma assembleia popular para a diminuição da quantidade de partidos.


Já Edmilson Silva dos Santos, de 52 anos, tem problemas nas articulações e votou acompanhado da filha. 


“Nunca faltei quando tinha boa saúde, não seria a doença que me faria deixar de comparecer à urna”, disse.


No primeiro e segundo turno, Edmilson teve dificuldades para reconhecimento de sua digital no aparelho biométrico, segundo os mesários, esse problema é decorrente das dificuldades em suas articulações e, devido à idade de muitos eleitores, muitas digitais não são reconhecidas. Nesses casos os eleitores ou um responsável assinam o caderno de votação.


Fonte: G1


Escolas de Pernambuco farão busca ativa de pessoas com deficiência para cursos

Foto de uma sala de aula


Agentes da rede básica de ensino de Pernambuco farão busca ativa de pessoas com deficiência aptas a ingressar em cursos de qualificação profissional oferecidos pelo governo federal na região. 


A ação é uma parceria entre a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR) e da Secretaria Estadual de Educação (SEE).


Com a iniciativa, unidades de ensino de 185 municípios pernambucanos foram convidadas pela Gerência de Políticas de Educação Especial (GEDE-SEE) para realizar matrículas de pessoas com deficiência em cursos realizados por unidades do Sistema S (Senac, Sesc, Senai e Senat) e por institutos federais na região. 


Quem ingressa nos cursos recebe apoio para transporte e alimentação e não perde os benefícios governamentais que recebe.


A ação foi articulada pelo consultor da SDH-PR na região, Roberto Paulo do Vale Tiné, em parceria com a GEDE. A expectativa é que a ação possibilite a entrada de 2,3 mil alunos com deficiência atualmente matriculados na rede estadual de ensino em cursos profissionalizantes.


“O processo de inclusão das pessoas com deficiência em cursos tecnológicos ainda é lento no Estado. A desinformação e a resistência dos familiares em permitir que essas pessoas saiam de casa são desafios que ainda precisamos superar. Essas estratégias buscam mudar essa visão”, explica Tiné.


Oportunidade - A ação é parte do Plano Nacional de Qualificação das Pessoas com Deficiência, que prioriza a entrada de pessoas com esse perfil em cursos técnicos e tecnológicos gratuito.


As instituições que integram o plano são o Senac (Serviço Nacional do Comércio), o Senai (Serviço Nacional da Indústria), o Sesi (Serviço Social da Indústria), o Senat (Serviço Social do Transporte) e institutos federais integram a iniciativa nacional.





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27 de out. de 2014

Homem com deficiência tem casa reformada com ajuda de voluntários em Rio Branco, AC

Foto de um voluntário da obra
O jovem André Capistrano, de 20 anos, nasceu com paralisia cerebral, mas mesmo com dificuldade para falar e se locomover nunca desistiu de seus objetivos. 


Ele cursa teologia em Rio Branco (AC) e, há pouco mais de um mês, a reforma na sua casa, interrompida após a morte do pai, vítima de um acidente de trânsito no ano passado, foi retomada graças a um mutirão feito por amigos e vizinhos do jovem.


Precisamente, no dia 18 de agosto a obra recomeçou. O material foi todo de doações e os voluntários se revezam na mão de obra. Aurino Saraiva é pedreiro e conta que todos os dias, depois do trabalho, ainda encontra forças para ajudar na construção da casa.


"Para mim é muito gratificante. Na realidade, eu até me emociono quando falo disso.Trabalho no dia a dia no meu emprego e quando saio de lá estou por aqui. Fico até 10h ou 11h da noite. Já sai daqui meia noite", se emociona.


Já em fase final, André destaca a atitude dos amigos e se diz emocionado com a iniciativa que deu continuidade ao desejo do seu pai. 


"Eu me senti muito especial, muito honrado. Fiquei sem palavras porque foi uma atitude muito bonita do povo da igreja. Não só da igreja, mas de todos os meus amigos da escola", ressalta.


A dona de casa Fátima Capistrano, mãe de André, diz que só acreditou na ação após ver a casa finalizada. "Não acreditava. É uma coisa assim fora de série, nem dá para explicar. Na verdade, agora que a ficha está caindo, porque ela está aí, pronta", diz emocionada.


O pastor Luzivan Aguiar é o que mais se orgulha da iniciativa. Foi ele que teve a ideia de juntar forças para melhorar a qualidade de vida de André e de toda a família dele.


"O André, no ano passado, passou por uma dificuldade muito grande. A família dele perdeu um ente querido, o pai dele foi atropelado em um acidente de trânsito e foi a óbito. Naquele dia, no meio daquela tragédia, conheci a realidade social do André, como ele vivia. E naquele dia mesmo eu falei para ele que não estava só. E disse uma outra coisa, que Deus colocou no meu coração e nós vamos construir uma casa para você habitar dignamente com a sua família", relembra.


Fonte: G1

 

Robô inteligente auxilia no tratamento do autismo e no cuidado de idosos

Foto do robô Nao


Um robô desenvolvido por uma empresa francesa está ajudando no tratamento do autismo e no cuidado de idosos.


O projeto foi uma das inovações apresentadas na Joint Conference on Robotics and Intelligent Systems (JCRIS) 2014 que terminou na útlima quarta-feira (22), na Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos. 


Criado com o intuito de contribuir para o bem estar dos seres humanos, o robô Nao - palavra que significa cérebro em chinês - foi lançado em 2007 e pode ser programado para desempenhar diversas funções como ferramenta educativa e interativa para crianças e adultos.


Desenvolvido pela empresa francesa Aldebaran Robotics, Nao tem 57 centímetros de altura e é equipado com câmeras no lugar dos olhos, microfones para responder aos comandos de voz, autofalantes e sensores variados.


 Além disso, ele possui dois processadores e acesso à rede de internet sem fio. O robô é capaz de ler e-mails e respondê-los por meio de uma conversa com o usuário, por exemplo. 


Hoje, já existem no mundo mais de 450 instituições que utilizam o Nao, entre elas a USP São Carlos e a Harvard University.


Matheus Mainardi, da Somai Tecnologia e Educação, empresa que representa a Aldebaran no Brasil, explica que a aplicação do robô para auxiliar em casos de autismo teve início de forma espontânea. 


“Ele foi apresentado em um evento e uma criança autista começou a brincar com ele. Como é um sistema que não possui emoções, a interação fez com que as pessoas que possuem essa disfunção se sentissem mais à vontade para brincar com ele. Assim, depois de alguns estudos, foi constatado que o Nao podia funcionar como um canal direto de comunicação entre um autista e outras pessoas”, declarou. 


Pensando nisso, a empresa francesa lançou em 2013 o Autism Solution for Kids (ASK) para o Nao, dedicado às necessidades especiais para o ensino dessas pessoas.


Mainardi explicou que o fato de permitir programação específica para realizar funções diferentes faz o robô ter possibilidades infinitas de aplicação. 


“Estamos apenas no começo. Ele é capaz de mostrar na prática algumas coisas que aprendemos apenas em teoria. Campos como a robótica, a matemática, a ciência da computação e a engenharia são muito melhor trabalhados por meio desse equipamento. Mesmo se contarmos apenas com as funções já conhecidas do Nao, as aplicações são infinitas. Imagine então quando mais pessoas passarem a programar seus próprios códigos e fazer suas próprias demandas ao robô”, pontuou.


Próxima etapa


A Aldebaran já prepara outra versão do Nao, o “irmão mais velho” dele, Romeo. A nova versão está em desenvolvimento desde 2009, mas já foi apresentada. Dessa vez, o alvo foi a população idosa, que poderá contar com a ajuda do robô. 


Ele tem 1,40 metro e pode ajudar pessoas que perderam sua autonomia auxiliando em atividades como abrir portas, subir escadas e até buscar objetos.
 

Aplicações e uso


No caso da RoboCup de futebol, que aconteceu durante a JCRIS, um time de Naos foi programado para desempenhar funções em campo como goleiro, zagueiro ou atacante. 


Assim como nos jogos entre humanos, os robôs eram vítimas de faltas e empurrões, sendo jogados no chão pelos outros em alguns momentos. 


Mesmo assim, sem nenhum tipo de intervenção humana, o robô se levanta sozinho com o apoio das mãos e volta à partida como se nada tivesse acontecido.


Em 2012, o G1  mostrou um sistema desenvolvido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos, que fazia com que Nao reproduzisse gestos realizados por humanos. 


A pesquisa tinha como objetivo auxiliar pacientes em fisioterapia, além de promover a interação com crianças do ensino fundamental.


O humanóide, termo atribuído aos robôs que se assemelham a humanos, pode ser adquirido apenas por empresas ligadas ao ramo da educação ou, em alguns casos, de tratamento de determinadas condições como o autismo. 


As instituições interessadas em adquirir o Nao devem enviar uma inscrição ao Somai, que vai avaliar e aprovar o pedido caso se encaixe nas categorias requisitadas.


No entanto, Mainardi explica que logo o sistema deve estar aberto ao público. “Ele ainda pode ser considerado um protótipo, mesmo com tantas funções, já que ainda existem muitas outras a serem descobertas. Ele ainda está sendo testado, de certa forma. Quando for julgado que está pronto para atender ao público da melhor forma possível, com certeza deve ser comercializado abertamente”, afirmou.


Fonte: G1