11 de nov. de 2015

O enigma do Alzheimer

 
 
Tübingen, Alemanha, 1906. O neuropatologista alemão Alois Alzheimer (1864-1915) apresenta em um congresso científico uma enfermidade psíquica que envolvia oscilações nos estados de ânimo e considerável perda de memória. 
 
 
Cinco anos antes, ele mesmo havia diagnosticado esse quadro mórbido em uma mulher de 51 anos, Auguste D.


No “estabelecimento para enfermos mentais e epiléticos” de Frankfurt, essa paciente, em momentos de lucidez, dizia sentir-se “perdida”. 


Após sua morte, em 1906, em estado de alienação mental, Alzheimer examinou o cérebro dela e descobriu algumas formações compactas e outras filiformes. 


Intuiu que a causa das espetaculares alterações na personalidade residia naquelas formações. O médico entrou para a história da medicina, e a doença foi batizada com seu nome.

Sabemos hoje que a doença de Alzheimer não é uma enfermidade exótica, mas a causa mais comum de demência entre adultos. 


Cerca de 35 milhões de pacientes em todo o mundo sofrem dessa doença que aflige quase 40% dos octogenários e gera um enorme problema de saúde pública. 


Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, a doença continua incurável mais de um século após sua descrição inicial.

No que diz respeito às possíveis causas, o primeiro indício é a notável contração observada no cérebro de pacientes mortos. Conforme o processo degenerativo avança, um grande número de neurônios é destruído em distintas regiões encefálicas. 


A destruição começa pelo lóbulo temporal, decisivo para as funções da memória. A memória explícita ou declarativa (que se refere à recordação de fatos ou acontecimentos), em oposição às habilidades motoras, é a mais prejudicada.

O hipocampo e uma zona adjacente, o “córtex entorrinal”, duas regiões cerebrais situadas no extremo inferior de ambos os lóbulos temporais, são as que sofrem maior dano ainda nas primeiras etapas da doença. 


Essas regiões são imprescindíveis para processar as informações, por isso concentração e capacidade de fixação tornam-se praticamente impossíveis quando ambas estão ausentes. 


Eis por que pessoas com a doença de Alzheimer vão ficando cada vez mais incapazes de realizar tarefas cotidianas, como vestir-se pela manhã ou manter uma conversa telefônica com um velho amigo.

 

No interior da célula



Pesquisadores do grupo de Paul Thompson, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, em colaboração com uma equipe da universidade australiana de Queensland, verificaram em tempo real esse processo devastador com o uso de técnicas de imageamento cerebral. 


Por meio de ressonância magnética é possível detectar um foco da enfermidade, que se alastra de maneira incessante pelo encéfalo, como se fosse um incêndio florestal de grandes proporções. 


A destruição aniquila sucessivamente os centros relativos à recordação, à linguagem e às emoções. São conservadas apenas as regiões encarregadas dos órgãos sensoriais, como visão e tato, e aquelas que controlam os movimentos. 


A cada ano os doentes perdem quase 5% da massa encefálica, cifra que se eleva para 10% nas regiões da memória. Adultos sadios perdem apenas 1% a cada ano.

As formações esféricas de proteína beta-amiloide e as fibras descritas por Alois Alzheimer têm importância fundamental, reconhecem os pesquisadores atuais. 


Trata-se de dois depósitos muito diferentes no tecido cerebral. As chamadas “placas” são compostas por um pequeno fragmento proteico denominado A-beta. 


As fibrilas, ao contrário, são principalmente uma variante modificada da proteína tau e se estendem sobretudo no interior dos neurônios. E não é só isso: elas são abundantes precisamente nas regiões que se degeneram de modo mais claro.

Por essa razão, o principal “suspeito” da morte neuronal são as fibrilas de Alzheimer. Admite-se que a causa resida na estrutura modificada da proteína tau dos pacientes. 


No cérebro saudável, a proteína tau normal estabiliza os neurônios, pois se une a um sistema tubular dinâmico (os microtúbulos). 


Trata-se de um componente do citoesqueleto (fibras proteicas do interior da célula que delimitam sua forma e movimento) que serve de bastidor para os processos de transporte rumo ao interior da célula. 


A proteína tau aparece sobretudo no prolongamento quase sempre mais largo do neurônio, o axônio, que conduz os sinais elétricos para os demais.


Se a proteína tau modificada não pode cumprir sua função protetora, as consequências previsíveis são catastróficas. 


Segundo a “hipótese da perda funcional”, a estrutura dos neurônios, de vários metros de extensão, não pode ser mantida: desaparecem as comunicações entre eles e a rede neuronal se desfaz. 


Essa hipótese pode ser testada utilizando-se um dos modelos mais comuns da investigação biomédica, o camundongo. 


A tese subjacente era de que a completa falta de proteína tau deveria acarretar consequências fatídicas para a rede neuronal do cérebro desse animal.


Em 1994, o grupo de Nobutaka Hirokawa, de Tóquio, gerou camundongos sem tau. Eles extraíram a informação genética da proteína desses animais, para que não pudessem fabricar proteína tau funcional. 


Mas, para surpresa dos pesquisadores, os camundongos se desenvolveram exatamente da mesma forma que os demais roedores não manipulados, e o sistema nervoso deles não se diferenciava do cérebro dos animais de controle. 


Assim, os neurônios desses camundongos pareciam não precisar da tau, e a hipótese da perda funcional foi afastada.


Proteína compacta



Que papel a misteriosa proteína desempenha na doença de Alzheimer? A alteração característica dessa proteína nos pacientes com Alzheimer prejudicaria o cérebro? 


O “aumento tóxico da função” poderia contribuir para a deterioração, algo ilustrado por patologias como a doença de Huntington, em que a pro-teína modificada destrói de maneira ativa os neurônios. 


O mesmo ocorre com as formas hereditárias da esclerose lateral amiotrófica (ELA), um processo degenerativo dos nervos motores associado à atrofia muscular.

Para testar tal possibilidade, vários grupos de pesquisadores dos Estados Unidos e da Bélgica introduziram, em 1999, a sequência do gene da proteína tau humana em camundongos, que, a partir daquele momento, passaram a fabricar grandes quantidades da proteína humana, além da própria. 


Os animais testados em laboratório apresentaram alterações degenerativas características dos axônios e também uma proteína tau compacta.

Mas, infelizmente, as células nervosas mais afetadas não correspondem às da doença de Alzheimer em seres humanos, e sim aos neurônios do tronco do encéfalo e da medula espinhal. 


Os animais tiveram outros sintomas, como debilidade muscular e paralisia, próprios da ELA. Seja como for, as descobertas demonstraram que com quantidades elevadas da proteína tau os neurônios eram destruídos, ainda que, no caso da doença de Alzheimer, outro mecanismo deva operar.

Os pesquisadores da empresa farmacêutica Sandoz, pertencente à Novartis, da Suíça, deram mais um passo quando, em 1995, geraram camundongos cujos neurônios continham quantidades muito menores da proteína tau humana. 


Os animais não revelaram grandes anomalias de comportamento nem alterações evidentes no cérebro ou fibrilas. Entretanto, a proteína tau estranha foi detectada em locais diferentes daqueles dos neurônios normais. 


No lugar do axônio, a proteína humana se multiplicava nas demais zonas de neurônios: pelos prolongamentos (dendritos) e pela rede celular. 


Ignoramos ainda qual é o significado dessa descoberta, mas também os pacientes com Alzheimer mostram fibrilas que se distribuem de preferência nessas zonas.

Outra diferença entre as duas proteínas tau era a alteração característica nas fibrilas humanas de Alzheimer. 


Nesse caso, a variação baseava-se no grau de fosforilação, isto é, de união posterior de grupos fosfato a determinados lugares com proteína tau. 


As células costumam se comportar assim para regular a função das proteínas.A proteína tau humana dos camundongos da empresa Sandoz estava muito mais fosforilada que a dos animais de outros laboratórios.


Por que os roedores não revelam as típicas fibrilas de Alzheimer? Talvez o processo de aglomeração ocorra lentamente. 


As fibrilas humanas aparecem, em geral, no sétimo decênio de vida ou mais tarde, ou seja, em uma idade que camundongos de laboratório não atingem. 


A suspeita apoia-se em estudos sobre alterações cerebrais ocorridas durante a evolução da doença de Alzheimer: segundo os estudos, a proteína tau se fosforila em um estágio precoce de formação das fibrilas, muito antes de começar a se aglomerar.

Seja como for, as fibrilas representam somente metade do enigma da doença de Alzheimer. Outro tipo de depósito encefálico (a placa amiloide) suscita várias perguntas. 


Essas placas não foram observadas apenas nas regiões encefálicas mais danificadas pela doença: foram vistas também no cérebro de muitas pessoas adultas que não sofriam da enfermidade e cujo tecido cerebral não apresentava degeneração superior à da média. 


Diante do fato, muitos pesquisadores acreditam que, no início da doença, a proteína A-beta é modificada. Ela desencadeia uma série de reações que culminam na degeneração catastrófica dos neurônios.

 

Camundongos transgênicos



Há indícios favoráveis para a “hipótese amiloide”. Algumas formas particularmente agressivas e precoces da doença de Alzheimer se acumulam em determinadas famílias. 


As causas genéticas comuns, porém, só justificam 5% de todos os casos da doença. 


A proteína precursora da A-beta de alguns desses pacientes sofre uma mutação genética; nos demais casos, o problema reside em outros genes, por exemplo nas presenilinas. 


É possível, entretanto, que todas as mutações ocorram, em última instância, por meio da formação da proteína A-beta.

Os pacientes apresentaram muitas placas amiloides. Pesquisadores confirmaram essa possibilidade com camundongos transgênicos que fabricavam a correspondente proteína A-beta com mutação: alguns animais mostraram grandes quantidades de placas que lembravam os casos da doença de -Alzheimer. 


Porém nenhum deles exibiu a degeneração neuronal tão clara como nos pacientes humanos. Para isso, é preciso a formação de fibrilas, algo que aconteceu nos ratos.

Eileen McGowan e sua equipe, da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, cruzaram camundongos transgênicos (que produziam uma variante tau com tendência para a aglomeração) com animais que fabricavam mais placas amiloides. 


Obtiveram animais que não só apresentavam alguma quantidade de fibrilas de Alzheimer, mas também as depositavam nas mesmas regiões encefálicas dos pacientes com a doença. 


Assim, ao que parece, placas e fibrilas realizam uma interação fatídica. É provável que os depósitos amiloides modifiquem a proteína tau, de forma que esta adquira propriedades “fatais”, chegando a destruir os neurônios.

No futuro, poderemos criar modelos mais refinados para compreender melhor a doença de Alzheimer. Novas vias terapêuticas poderão então ser testadas. Medicamentos atuais, como os inibidores da acetilcolinesterase, tentam reforçar ao máximo e conservar as funções intelectuais do paciente. Assim, a doença pode ser detida alguns meses, mas não evitada nem revertida.

A maioria das novas estratégias dirige-se às placas amiloides que surgem em uma fase muito precoce da cascata de destruição celular. 


Nos laboratórios da Elan Pharmaceuticals foram imunizados, em 1999, camundongos transgênicos que produziam em excesso esses depósitos. Com isso, pôde ser evitada ou ao menos freada a formação das placas. 


No entanto, quando a empresa tentou transferir os resultados para a espécie humana e inoculou 360 pacientes com a doença de Alzheimer, muitos apresentaram encefalite, e o estudo precisou ser suspenso.

Estudar para prevenir



Foi realizada uma autópsia no primeiro desses pacientes. Ele tinha um número surpreendentemente baixo de placas amiloides no córtex cerebral, mas uma quantidade normal de fibrilas de Alzheimer, que supostamente causam morte neuronal direta.


O que cada um de nós pode fazer a fim de reduzir o risco de contrair a doença de Alzheimer? Primeiramente, evitar os fatores de risco. Contra alguns deles, como o envelhecimento, não se pode fazer muita coisa. 


Há, porém, estudos que indicam uma possibilidade mais viável de prevenção: quanto maior a escolaridade e a formação profissional, menor o risco de contrair a doença na velhice. 


Talvez neurônios mais ativos ofereçam mais resistência à enfermidade, ou a rede neuronal se associe com mais firmeza após uma formação intelectual ampla, opondo maior resistência à lesão. 


Mas essa formação é ineficaz quando a enfermidade já está instalada. E, de fato, as tentativas nesse sentido foram contraproducentes.

Existem, além disso, indícios de que os antioxidantes da alimentação reduzem o risco de contrair a doença. 


Algumas substâncias, como as vitaminas C e E, encontradas em frutas, legumes (brócolis) e chá (verde e preto), parecem diminuir a quantidade das espécies reativas de oxigênio que, aparentemente, intervêm de maneira decisiva nos processos normais de envelhecimento.

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Texto: Roland Brandt e Hartwig Hanser





10 de nov. de 2015

Circuito Online de Palestras sobre o Autismo



Hoje,10 de novembro, iniciou o Circuito Online de Palestras sobre o Autismo que vai até o dia 16 de novembro! 


O CONPSAU contará com auxílio de profissionais das áreas da saúde, educação e de familiares.


Para conferir a programação e participar Clique Aqui



 

Salão na Itália ensina mulheres cegas a cuidar da própria beleza sozinhas


Um salão de cabeleireiros em Milão, a capital da moda italiana, oferece cursos de beleza para mulheres cegas que querem cuidar da própria aparência sozinhas. 


A ideia nasceu da amizade entre a proprietária do centro de beleza, Tiziana Ghislotti, com uma deficiente visual.


"Um dia eu estava na academia de ginástica secando meus cabelos e a Tiziana se aproximou oferecendo ajuda para enxugá-los. A princípio fiquei um pouco ofendida, porque apesar de ser cega, posso usar o secador sozinha. Mas logo depois, a sua naturalidade e simpatia me conquistaram", conta à BBC Brasil Florinda, de 34 anos, funcionária de uma Consultoria de Recursos Humanos.

Meses depois, enquanto dava conselhos à amiga sobre como escovar os cabelos em casa, Tiziana percebeu que poderia ser útil a outras deficientes visuais. 


A partir daí, ela elaborou os cursos gratuitos realizados no próprio salão, duas vezes ao mês, depois do expediente.


"Não é um trabalho fácil, é um desafio para mim e para as minhas assistentes. Até conhecê-las, a gente não fazia ideia das inúmeras dificuldades que as pessoas cegas enfrentam cotidianamente para realizar até mesmo os gestos mais simples.Mas no final, quem ganha somos nós, que passamos a conhecer uma realidade diferente", afirma Tiziana, que é proprietária de um dos salões de beleza mais movimentados da cidade.

Durante os encontros, que duram cerca de três horas, cada assistente se dedica a duas alunas. 


'As instruções para penteados e maquiagens são personalizadas, com base no tipo de cabelo e de pele, biotipo, estilo de vida e, naturalmente, gosto pessoal". 


Elas se cuidam muito, querem se informar sobre os produtos, sobre a moda. São mulheres que trabalham, são dinâmicas e esportivas. É importante que elas tenham em quem confiar, afirma Tiziana, que tem 40 anos de profissão.


A aparência conta



Para Florinda, que perdeu a visão aos 20 anos por causa de uma doença degenerativa, é importante manter um bom aspecto.


"Sei que todos me olham porque sou diferente, porque caminho com uma bengala branca. E já que sou constantemente alvo de atenção, quero que me vejam não apenas como deficiente, mas como alguém de boa aparência. Afinal, vivo em mundo de pessoas que enxergam."


Ela afirma que estar bem penteada e com as mãos cuidadas a fazem sentir-se bem. 


"No curso aprendi um segredo precioso para enxugar os cabelos com o secador sem que eles se armem. E funciona realmente. As sugestões que nos dão são muito válidas. Agora, quando chego ao escritório, os colegas notam e elogiam cada pequena diferença no meu visual."

Florinda passou a praticar esportes depois de perder a visão. Ela e o marido, com quem é casada há 9 anos e que também é cego, participaram da Paraolimpíada de Londres, em 2012. Ele, como campeão de beisebol, ela de canoagem. Recentemente, Florinda aprendeu a esquiar.


"Sou muito esportiva e não abro mão do que posso fazer com autonomia para ficar mais bonita, como pentear-me e vestir-me bem. E apesar de ter um pouco de dificuldade em me maquiar, uso um pouco de base, rímel e um brilho nos lábios."

Confiança



Também para Giovanna Gossi, de 49 anos e cega desde a infância por causa de um glaucoma congênito, a aparência conta e muito.  


"Para quem não pode se ver no espelho, a preocupação com o próprio aspecto é ainda maior. Não vejo meu rosto e, portanto, tenho que confiar nas pessoas ", diz a telefonista de um instituto financeiro.


No curso, além de técnicas específicas para escovar ou amarrar cabelos finos, ela recebeu sugestões de maquiagem e conselhos para substituir alguns cosméticos por produtos mais fáceis de serem utilizados, como trocar a base líquida pelo pó compacto.


"Nas aulas, desenvolvemos um método que agradou a todas. Basta passar o pincel no estojo de pó três vezes e iniciar a aplicação abaixo das bochechas, de dentro para fora, duas vezes em cada lado do rosto, depois espalhar pela testa, descer passando pelo nariz até o queixo, sem deixar nenhuma parte de fora, e esfumaçá-lo no início do pescoço", ensina.

 Combinando cores


Também em Milão, Giovanna e outras deficientes visuais fizeram um curso com uma personal shopper de quem receberam dicas de como comprar roupas adequadas a cada fisionomia e estilo, além de aulas de postura e lições sobre como caminhar de salto alto. 

"É claro que quando você corre para pegar o 'tram' (espécie de bonde sobre trilhos, comum em Milão), vai tudo por água abaixo", brinca.

Exigente e atenta às novidades da moda, Giovanna recorre a uma amiga na hora de ir às compras e combinar cores. 


"Não posso usar somente preto e branco porque são cores que, juntas, ficam sempre bem. Há muitos outros tons que podem ser misturados".


E embora o namorado não seja deficiente visual, Giovanna diz não confiar no seu gosto.


"Jamais vou sair para comprar roupas com ele. Porque qualquer coisa que eu vista, até uma camisa de homem, o comentário dele é sempre o mesmo. 'Belíssima!' ".


Fonte: BBC BRASIL



9 de nov. de 2015

Santos pode ter clínica-escola inédita no Estado para atendimento de autistas

 


Juntos somos mais fortes”. Esse é o lema dos que constroem uma história de luta por direitos e conquistas para os autistas. 


Foi através da união que um grupo de Santos, junto ao vereador Hugo Duppre (PSDB), conquistou a aprovação do projeto de lei para a criação de uma clínica-escola municipal para pessoas com o transtorno do espectro autismo (TEA).


O projeto de autoria de Duppre abre o caminho para a criação da unidade pública especializada no atendimento de autistas. Se sair do papel, será uma iniciativa inédita no Estado.


A ideia foi desenvolvida juntamente com o Grupo Acolhe Autismo de Santos, que há muito tempo luta pela construção desse equipamento no Município. 


O local serviria para o tratamento de autistas, bem como a formação e capacitação de profissionais.


Comemoração



Ana Lúcia Félix, presidente do grupo, comemora a conquista: 


“vai ser um grande avanço no tratamento e inclusão social de autistas”, diz. 


 Ela, que é mãe de um jovem de 17 anos portador de autismo, fala das dificuldades que encontra pelo caminho para o desenvolvimento do filho.


“Existem, em Santos, algumas unidades de ensino que possuem um programa de inclusão social para pessoas com deficiência, mas não é o ideal”, conta. 


Ana Lúcia defende uma escola especializada, com atendimento multidisciplinar, somente para pessoas com autismo. 


“Deve ser um atendimento individual, especializado”, complementa.


E é isso que o projeto de Duppre propõe. Com a clínica-escola, a capacitação de profissionais para atender as pessoas com esse tipo de transtorno deve ser especializada. 


A equipe multidisciplinar conta com psicólogos, terapeutas, pedagogos e até mesmo nutricionistas voltados somente para o autismo.


Para sair do papel, a clínica escola em Santos depende da sanção do prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB). Duppre afirma que, em recentes conversas com membros da Prefeitura. 


“ficou claro o desejo da municipalidade em implantar esse equipamento na Cidade”, diz.


Segundo o Executivo, o projeto de lei que cria a clínica-escola ainda não foi protocolado na Prefeitura. Quando isso ocorrer, a Administração Municipal terá 15 dias úteis para análise jurídica e manifestação do prefeito.






6 de nov. de 2015

Estudantes criam jogo para crianças com Síndrome de Down



Os alunos recém-formados no curso técnico de Informática pela Etec Doutor Emílio Hernandez Aguilar, de Franco da Rocha, criaram um aplicativo de jogos para crianças com Síndrome de Down.


Batizada de “PlayDown”, a plataforma para mobile tem como objetivo ensinar e divertir os pequenos que tenham alguma limitação intelectual.


Criado para a 9ª edição da Feira Tecnológica do Centro Paula Souza, o aplicativo já está disponível para download gratuito em celulares com o sistema Android.


Ele é composto por dez pequenos games, com desafios que vão crescendo conforme o jogador avança os níveis, ajudando a treinar a memória, a coordenação motora e a desenvolver a paciência.


O que diferencia essa plataforma de outros jogos educativos para crianças, é que ela engloba não somente a função educativa, mas o auxílio na memorização, raciocínio, coordenação, autodomínio, por meio de estímulos de sons, formas, cores, números, animais, letras etc.



Fonte: Universia Brasil


Acre inicia distribuição de novos medicamentos para hepatite C

 



Os pacientes portadores da doença viral hepatite C no Acre iniciaram desde o dia 28/10/15, uma nova etapa revolucionária no tratamento. 


O governador Tião Viana entregou o primeiro lote de medicamentos que aumentam em mais de 90% a chance de cura da doença.


A entrega foi feita no Serviço de Atendimento Especializado (SAE) do Hospital das Clínicas (HC) e reuniu deputados estaduais, médicos e pacientes.


O Acre é o segundo estado brasileiro a receber as medicações Sofosbuvir e Declatasvir, que serão disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e devem beneficiar, inicialmente, 263 pacientes que não podiam receber o tratamento anterior, como os portadores do vírus HIV, pré e pós-transplantados e pacientes com má resposta à terapia com Interferon.


Tião Viana fez um agradecimento especial ao ministro da Saúde, Marcelo Castro, e à presidente Dilma Rousseff, pela aquisição e envio prioritário da medição para o estado.


“Essa é uma das notícias mais importantes da história da saúde pública do Brasil. É uma notícia revolucionária: o país começou o tratamento de cura da hepatite C de maneira definitiva e começou pelo Acre, que se organizou e está dando um importante passo para eliminar a doença”, afirmou.


Saúde universal e igualitária 

 

O secretário de Estado de Saúde, Armando Melo, disse que a parceria entre os governos do Acre e federal garante uma saúde universal e igualitária, sem custo algum para o estado e para os pacientes.


“É um presente do SUS para os pacientes que tratam a hepatite C. Se pago, cada tratamento desse custaria R$ 300 mil por paciente”, ressaltou o gestor.


O deputado estadual Heitor Júnior, dirigente da Associação dos Portadores de Hepatite do Acre (Aphac) e forte mediador da ação, falou da alegria de estar vivendo esse momento, já que também enfrentou a luta contra a hepatite C há dois anos. 


“É uma alegria muito grande estar vivendo este momento, que é uma revolução na medicina e pode ser a cura total da hepatite C. A distribuição feita pelo SAE via Sesacre [Secretaria Estadual de Saúde], junto ao Ministério da Saúde, vai fazer com que a gente diminua ou zere a fila de transplantes de fígado no Acre”, destacou o deputado.


Cura sem efeitos colaterais  



O médico infectologista Thor Dantas disse que a medicação permitirá um tratamento livre de efeitos colaterais, já que são feitos com comprimidos, sem uso de injeção.


“É isso que os novos tratamentos estão oferecendo para a gente hoje: um tratamento mais fácil, mais simples, mais rápido e com muito mais chance de cura. Antes, curávamos em torno de 30 ou 40% dos pacientes que recebiam tratamento; hoje, 90% dos pacientes que estão recebendo estes remédios podem ser curados”, destacou o médico.


O paciente Álvaro Melo contou que faz tratamento há 19 anos no estado e foi um dos primeiros a fazer a cirurgia de transplante de fígado.


“São 19 anos de muita luta. No início eu fiz parte do estatuto da Aphac.Só tenho a agradecer ao governo e a todos que se envolveram nessa luta. Agora estou preparado para tomar essa medicação que vai devastar o vírus C dos pacientes do Acre. É uma vitória muito grande”, disse Melo.


 
 
 

Cadeirantes reclamam da falta de uso de elevador em aeronaves

 


O modo de embarque e desembarque dos cadeirantes em aviões no Aeroporto de Presidente Prudente tem gerado reclamações na Coordenadoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência. 


Isso porque, ao invés de ser usado um equipamento especifico para a locomoção, estes passageiros são colocados e carregados por uma escada. Essa prática não é proibida, mas desagrada aqueles que necessitam dessa opção.


No dia 25 de outubro, durante a inauguração de um voo, a equipe do SPTV flagrou imagens de uma mulher sendo carregada em uma cadeira de rodas, enquanto o aparelho adequado permanecia parado, o que chama a atenção dos usuários do terminal.

 
O aeroporto de Presidente Prudente possui o ambulift - aparelho específico que proporciona maior agilidade e segurança às pessoas com baixa mobilidade ou alguma deficiência - desde 2013, ano em que foi entregue. 
 
 
Na época, cerca de 60 embarques e desembarques eram feitos por mês, porém, atualmente esse número caiu para cinco.

 
Diante disso, a Coordenadoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência tem recebido reclamações sobre o modo de transporte dos cadeirantes, de acordo com o coordenador do órgão, Douglas Kato.
 
 
“Se nós temos o equipamento que não é barato, o equipamento que nos traz segurança toda, por que não utilizá-lo e deixar de usar um equipamento de qualidade inferior?”, questionou Kato.
 
 
Ele informou que já encaminhou um pedido de explicações a uma companhia aérea, mas ainda não recebeu resposta da mesma. 
 
 
O coordenador ainda afirmou que já testou este equipamento, o ambulift que custa quase R$ 300 mil, e que ele é mais seguro e confortável.

 
“Se está no aeroporto a disposição por conta de uma ação do governo do Estado, pode sim ser exigido que seja usado esse equipamento”, explicou Kato.
 
 
Em nota, o Departamento Aeroviário do Estado (Daesp) disse que o equipamento está em perfeito funcionamento, mas o passageiro deve solicitar o ambulift à companhia aérea, que vai pedir para o Daesp. 
 
 
Já a Gol, que fez o primeiro embarque mostrado na reportagem do SPTV, esclareceu que foi usado um outro equipamento que também é seguro e apropriado. 
 
 
Já a Azul, responsável pelo desembarque mostrado na matéria, disse que o cliente optou por usar as escadas e toda a assistência necessária foi prestada.
 
 
 
Fonte: G1