28 de mar. de 2016

Após sofrer 300 fraturas, homem com ossos de vidro faz duas faculdades no DF

Alexandre Abade sorri pra câmera ao lado de uma jovem amiga



A aparência frágil do consultor motivacional Alexandre Ferreira Abade, que por ter "ossos de vidro" vive sobre uma cadeira de rodas motorizada e tem mobilidade mínima nos braços e pernas, esconde uma personalidade agitada e persistente: o brasiliense tem duas graduações, uma pós, vários cursos profissionalizantes e uma agenda cheia de palestras a dar.

 
O primeiro contato com letras e números só pôde ocorrer aos 17 anos, depois de ele superar a baixa expectativa de vida dada pelos médicos por causa das mais de 300 fraturas sofridas na infância e adolescência. 


Duas décadas depois, o homem segue recusando a imagem de "vítima" e se prepara para lançar o segundo livro sobre sua trajetória.


"O diagnóstico de osteogênese imperfeita só veio aos 2 anos.Tinha duas fraturas [nas pernas, desde o nascimento], mas os médicos não sabiam, só souberam em uma consulta que tive e o médico notou uma pequena diferença entre uma perna e outra e assim foram investigar a causa. Qualquer tipo de movimento [provocava fratura]. Eu não poderia sair para outros lugares de ônibus ou carro, pois os movimentos já ocasionavam fraturas, meus ossos eram muito frágeis, se quebravam facilmente, eram como vidro", lembra.


A família tentou lidar com a situação com naturalidade, mas acatou as recomendações dos profissionais que passaram a acompanhar Abade. 


Ele nunca pôde experimentar tentar andar, e os médicos achavam que ele viveria no máximo até o início da adolescência. O consultor motivacional, que tem quatro irmãos, afirma nunca ter questionado as razões de ser o único a ter as limitações.


"Segundo previsões médicas eu viveria até os 12 anos de idade. Devido as minhas constantes fraturas, eu corria o risco de quebrar a coluna e o medo dos médicos era esse. Mas após os 12 anos, contrariando suas previsões e principalmente com a fé que os meus pais tiveram, esse diagnóstico foi mudado, eu superei mais essa previsão e fui vivendo dia após dia e cada vez mais, com a ajuda de Deus, superando e vivenciando cada momento, acreditando que Deus me ajudaria até na cura das minhas fraturas, como de fato aconteceu.Dos 17 anos até hoje eu não tive mais nenhuma fratura e nenhum problema de saúde, sigo minha vida normalmente."


Prestes a completar a maioridade, Abade decidiu experimentar o que já era parte da rotina de todo mundo: estudos e trabalho. 


Ele foi matriculado no Centro de Ensino Especial de Sobradinho e depois passou para uma escola regular. Colegas colocavam folhas de carbono sob os papéis dos cadernos e assim lhe garantiam cópias das anotações. As provas eram feitas em salas de uso individual, com a ajuda dos professores.


A dedicação do consultor motivacional o ajudou inclusive a combater preconceitos. 


"Tinha colega que não se aproximava de mim porque imaginava que eu era uma pessoa que não poderia sair, me divertir, ou seja, que eu era uma pessoa que não teria muita alegria para fazer amizade. Mas, com o passar do tempo, esses colegas me viam em festas da escola, eventos, e então logo mudaram a forma de pensar e viram que eu era capaz, que independente das minhas deficiências eu posso ter uma vida normal, e foram aprendendo através de mim que outras pessoas com deficiência são tão capazes quanto." 


Abade passou então a dar palestras contando a própria história. Ele também fez diversos cursos profissionalizantes e se formou em gestão em marketing e gestão em administração de empresas. 


Depois, fez pós-graduação em recursos humanos. O consultor motivacional diz que os estudos o ajudaram a se aperfeiçoar na área e a prosseguir com os projetos de palestras e educação inclusiva.


Visto como exemplo para colegas e professores, Abade percebeu como conseguia mudar os conceitos dos outros sobre deficiência e escreveu o primeiro livro há quatro anos. Ele trabalha atualmente em uma nova obra e conta com a ajuda da amiga Sarah Sena.


"O tema é um pouco da minha história, das conquistas atuais. E falamos também sobre pessoas com deficiência, que independente das limitações todos somos capazes de estar inseridos no mercado de trabalho, escolas, faculdades e principalmente temos o direito de ter o nosso lazer e os nosso direito garantidos", explica.
 

Futuro


O consultor motivacional diz sonhar em crescer profissionalmente por meio dos projetos sobre educação e inclusão de pessoas com deficiência. 


"[Quero] Cada vez mais contribuir para que a inclusão não seja apenas uma teoria, mas uma prática constante na vida da nossa sociedade, que precisa muito abraçar essa causa e ter uma nova visão de pessoas com algumas limitações e não só pessoas com deficiência, mas também pessoas idosas, que também precisam ter o seu direito garantido e principalmente o seu respeito e atenção merecidamente, porque um dia todos nós vamos ficar velhos, um dia podemos ficar deficientes."


Abade, que recentemente ganhou a cadeira motorizada, diz ter ganhado com o equipamento maior independência. Entre os próximos objetivos estão deixar a casa da mãe e formar a própria família.


"Eu me considero uma pessoa normal, mesmo com minha deficiência física. Tive relacionamentos amorosos e decepções como qualquer outra pessoa, mas, como um homem de fé e que sempre acredita que tudo é possível quando buscamos a Deus, eu sei também que realizarei a mais esse sonho que é constituir família.Não me vejo incapaz, sei que sou diferente, mas com as minhas diferenças faço a diferença", completa o homem. 


Por fim Abade diz que com sua  trajetória passada ele teve momentos para se preparar para romper todas os paradigmas e preconceitos, encarando a vida de frente e aceitando-a como ele é, e em nenhum momento fez questionamento por causa das suas limitações. Pelo contrário, buscou em sua  deficiência um lado positivo em viver, estudar, trabalhar e tem um bom relacionamento com as pessoas que passam em minha vida.



Fonte:  G1  /  Vida Mais Livre



Exposição itinerante da Fundação Dorina Nowill retrata a deficiência visual


 
 
A Fundação Dorina comemora seus 70 anos e finaliza sua“Sentir a DiVERsidade” no CÉU Butantã, Zona Oeste da capital paulista, com entrada gratuita, de 25 de março a 24 de abril.

 
Os frequentadores terão acesso a painéis com informações, fotos e objetos que ilustram o que é a deficiência visual e a relação entre sentidos e cotidiano. 
 
 
A mostra é aberta ao público com entrada gratuita e conta com os recursos de audiodescrição, videolibras, folhetos e textos em tinta-braille.
 
 
***  
 

Exposição Itinerante da Fundação Dorinha Nowill “Sentir a DiVERsidade” 

 
 
Onde: No CÉU Butantã - Av. Eng. Heitor Antônio Eiras García, 1728 - Jardim Esmeralda 
  
Quando: de 25 de março a 24 de abril. 
 
Ingresso: Entrada Gratuita
 
Informações: (11) 5087-0955 ou aprendendocm@fundacaodorina.org.br.
 
 
***
 
 
 
 
 

24 de mar. de 2016

Projeto da Lei Geral das Olimpíadas é aprovado por Comissão de Ciência e Tecnologia

 
 
 
A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação Comunicação e Informática (CCT) aprovou o PLC 2/2016, do governo federal, também conhecido como Lei Geral das Olimpíadas.
 
 
O texto  regulamenta itens como venda de ingressos, captação de imagens e serviços de radiodifusão; as sanções civis e penais; a responsabilidade civil da União pelos danos às organizadoras; a solução dos conflitos; o serviço voluntário e a operação dos aeroportos.
 
 
Como defende a mensagem enviada pela presidência da República, a realização dos Jogos demanda a adoção de uma série de medidas que efetivem os compromissos assumidos com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Paralímpico Internacional (IPC).
 
 
O relator, senador Lasier Martins (PDT-RS), recomendou a aprovação do texto e observou que muitos dos dispositivos se baseiam na Lei Geral da Copa, que disciplinou a organização da Copa do Mundo no Brasil em 2014. 
 
 
 "Muitos dos itens do projeto foram preparados para garantir a boa ordem das Olimpíadas", registrou o senador.
 

Venda de ingressos

 
Sobre  a venda de ingressos, o texto determina que haverá desconto de 50% para residentes no país com idade igual ou superior a 60 anos, bem como para pessoas com deficiência e acompanhantes. 
 
 
Os organizadores poderão dar outros descontos também, a critério deles. Deverão ser disponibilizados pelo menos 4% dos assentos para pessoas com deficiência e 2% para pessoas com mobilidade reduzida, em locais com boa visibilidade e instalações.
 
 
Outro assunto tratado no projeto é a proteção e registro de marcas. Será proibido, por exemplo, reproduzir indevidamente ou modificar símbolos oficiais das organizadoras dos eventos, sob pena de prisão entre três meses e um ano ou multa.
 
 

Radiodifusão

 
O texto reconhece a necessidade de disponibilizar aos veículos de comunicação não detentores dos direitos de transmissão meios razoáveis visando à cobertura jornalística, mas buscando impedir a obtenção de vantagem comercial indevida por aqueles que não pagaram pelos direitos.
 
 
O projeto também pune o chamado "marketing de emboscada", que consiste em fazer publicidade em evento ou espaço de veículo de comunicação sem contrato com os detentores do direito.
 
 
A proposta ainda prevê medidas visando garantir a segurança do público e dos atletas e impedir manifestações racistas, xenófobas ou discriminatórias em geral.
 
 
Além da CCT, o texto tramita simultaneamente em regime de urgência nas comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de Educação, Cultura e Esporte (CE).
 
 
 
 
 

Cultura acessível a pessoas com deficiência

 
 
 
 
Quebrar barreiras físicas e de preconceitos e propiciar o usufruto do direito à cultura e a inclusão de pessoas com deficiência. 
 
 
Para a professora Renata Silencio, esse foi o legado que o curso de Especialização em Acessibilidade Cultural da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) deixou para ela e seus colegas de turma. 
 
 
Formada pela primeira turma do curso, realizado em 2013 em parceria com o Ministério da Cultura (MinC), Renata – que é professora do Bacharelado em Produção Cultural do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) – conta que, assim como ela, outros colegas conseguiram aplicar o conhecimento adquirido no curso em seu trabalho na área cultural e disseminar o conceito de inclusão em diferentes locais. 
 
 
"Eu sabia que tinha possibilidades para a acessibilidade na cultura, mas não sabia o tamanho disso. O curso me aproximou do tema e eu consegui introduzir no bacharelado (da IFRJ, onde trabalha) a disciplina optativa de acessibilidade cultural, no campus Nilópolis.O levantamento que fiz com as duas turmas (de 2015) mostrou que eles começaram a enxergar com outros olhos as relações de autonomia, tanto para o consumidor quanto para o próprio artista, integrando-os de forma autônoma. Eles saíram mais questionadores em relação à estrutura da cidade, pois não temos uma arquitetura universal", conta Renata.
 
Na avaliação de Renata, a disciplina proporcionou novas formas de pensar projetos culturais inclusivos e de quebrar barreiras atitudinais. 
 
 
"Quebramos as barreiras que estão dentro do estranhamento, do não saber como lidar, do preconceito. Quando isso se quebra, é preciso apenas agir de uma determinada forma que, com adaptações, a pessoa consegue executar as tarefas, usufruir ou ter o máximo de aproximação com a obra de arte como uma pessoa que não tem deficiência. Assim, a gente consegue o mais importante: incluir", argumentou.  
 
 
A busca pela inclusão é luta de quase três décadas da bailarina Beth Caetano, que trabalha nesse mesmo período no Centro de Vida Independente (CVI) do Rio de Janeiro. Um acidente de carro em 1984 a levou a usar cadeira de rodas. 
 
 
Da mesma turma de Renata, Beth conta que seus colegas puderam aprender muito com a experiência dela por realmente precisar utilizar produtos e serviços adaptados. 
 
 
"Foi muito bacana poder trocar informações, ouvir as pessoas. A maioria gostou muito, ficou bem mexida, mobilizada e cada um em sua área começou a aplicar. A gente continua fazendo parte das redes. Tem um grupo de pessoas que se articulam para fazer encontros nacionais", conta.  
 
 
A bailarina destaca que, na prática, para quem usa cadeira de rodas, a questão da acessibilidade tem de ser pensada não apenas para cumprir normas, mas para permitir a liberdade. 
 
 
"Num equipamento cultural, a minha maior barreira arquitetônica é a mobilidade. Quem tem tetraplegia, como eu, a mobilidade é atingida. Você tem que entrar no edifício com rampa ou elevador, ter acesso a um banheiro acessível. Não adianta colocar espaço na frente do cinema, porque dói o pescoço de ficar na frente da tela ou em um lugar muito separado. Se você sai, você quer sociabilizar, ficar segregado numa área restrita onde não se está sociabilizando não é legal", afirma.
 
Beth conta, ainda, que o acesso aos camarins e aos palcos de teatro também são, em geral, complicados, porque não foram construídos com a ideia de receberam artistas cadeirantes. 
 
 
"Teatro, quando é de arena, com o palco no mesmo nível do chão, é ótimo, mas a maioria possui uma rampa muito íngreme, feita para transformar a escada. Para respeitar a regra, você não pode esquecer o bom senso. Hoje em dia, ela já pode dispor de táxi especial e transporte público (ainda que pouco) para atender pessoas com as mesmas necessidades dela. No entanto, a postura e a atitude ainda precisam ser mais bem trabalhadas. Melhora se o público compreender que o sujeito é um artista, que ensaia e tem todo o trabalho, como qualquer outro, e tem a preocupação com a qualidade do que vai oferecer ao público. Não é (necessariamente) uma atitude associada à superação, à terapia", avalia.
 
Para quem tem deficiência auditiva ou visual, se faz necessário, nesses equipamentos culturais, guias em áudio, maquetes e objetos táteis que permitam que o visitante possa sentir o que está sendo apresentado, seja uma peça de teatro ou uma exposição de arte. Os museus, segundo Beth Caetano, já adotaram muitas dessas ações. 
 
 
Financiado pelo MinC, o curso de Especialização em Acessibilidade Cultural teve duas edições: uma em 2013 e outra em 2015, ainda em fase de conclusão. 
 
 
O público-alvo eram gestores públicos, organizações da sociedade civil e professores. 
 
 
"A proposta era sensibilizar os alunos para a implementação de uma cultura de projetos e políticas culturais incluindo as pessoas com deficiência", resume coordenadora do curso, Patricia Dorneles. 
 

Acessibilidade em Pontos de Cultura

 
 
Patricia também está envolvida com outra iniciativa da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC) do MinC que tem como objetivo de mapear, por todo o País, a acessibilidade disponível nos Pontos de Cultura (entidades sem fins lucrativos, grupos ou coletivos que desenvolvam e articulem atividades culturais em suas comunidades).  
 
 
"A partir dessas informações, teremos um panorama do que é preciso fazer em termos de políticas públicas. Aqui em nossa instituição, temos rampa de acesso, banheiro adaptado, mas o que mais fortaleceu a questão da acessibilidade foi o trabalho de formação de educadores", afirma Dilma Negreiros, gestora do Ponto de Cultura CIEMH2, que também se formou na primeira turma do curso de acessibilidade e, atualmente, faz mestrado em uma universidade de Portugal sobre o tema. 
 

Políticas do MinC

 
 
A atenção à dimensão cidadã da cultura como direito básico é um dos eixos que norteiam a construção de políticas do MinC, além dos aspectos simbólico e econômico. 
 
 
A afirmação desses direitos na promoção da acessibilidade cultural vem conduzindo uma série de ações, planos e programas envolvendo os diferentes setores do Ministério, os quais permitiram mais acesso a acervos, exposições, livros, filmes e espetáculos, além de dar autonomia aos indivíduos em respeito à sua diversidade e complexidade. Conheça abaixo algumas delas: 
 
 
Nos últimos 10 anos, os projetos aprovados pelo MinC para captar recursos por meio da Lei Rouanet tiveram de cumprir com algum tipo de requisito que contemplasse a acessibilidade como a garantia de espaço reservado para pessoas com deficiência para assistirem a espetáculos e uso de Libras (Língua Brasileira de Sinais), por exemplo.  
 
 
No campo audiovisual, a Agência Nacional do Cinema (Ancine), entidade vinculada ao MinC, possui, desde dezembro de 2014, norma que estabelece que todos os projetos de produção audiovisual financiados com recursos públicos federais geridos pela agência deverão contemplar nos seus orçamentos serviços de legendagem descritiva, audiodescrição e Libras. 
 
 
Além disso, cada um deles deverá encaminhar uma cópia com formato acessível para a Cinemateca Brasileira, que vem paulatinamente aumentando seu acervo inclusivo. 
 
 
Da mesma forma, a Secretaria do Audiovisual (SAv) do MinC assumiu, desde o ano passado, o compromisso de inserir em seus editais a obrigatoriedade de inclusão de ferramentas de acessibilidade. 
 
 
Os atuais três editais em aberto da secretaria para produções de baixo orçamento incluem tais regras. 
 
 
Ainda no primeiro semestre deste ano, a SAv deverá lançar o Guia de Produção Audiovisual, documento que servirá de referência para realizadores do audiovisual no Brasil, ao abordar temas como o uso de audiodescrição, legenda para surdos e Libras.  
 
 

Mais livros e bibliotecas mais preparadas 

 
 
Em novembro do ano passado, depois de forte atuação da Diretoria de Direitos Intelectuais do MinC no Congresso Nacional, parlamentares aprovaram a adesão do Brasil ao Tratado de Marraqueche. 
 
 
As nações participantes se comprometem a criar dispositivos legais para que obras, tais como livros e outros materiais, possam ser reproduzidas e distribuídas em formatos acessíveis, como Braille, Daisy ou mesmo em audiolivro, sem a necessidade de autorização do titular de direitos autorais.
 
 
Promulgado pela presidenta Dilma Rousseff, que encaminhou a carta de ratificação à Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), o tratado visa facilitar o acesso de pessoas com deficiência visual a obras literárias. 
 
 
No Brasil, com a entrada em vigor do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146, de 2015), já se prevê a reprodução de obras em formato acessível para pessoas com deficiência. 
 
 
A legislação também estipula que deverá ser garantido o acesso, em formato acessível, a bens culturais, programas de televisão, cinema, teatro e outras atividades culturais e desportivas, monumentos e locais de importância cultural e espaços que ofereçam serviços ou eventos culturais e esportivos.
 
 
Além disso, a lei fixa que "é vedada a recusa de oferta de obra intelectual em formato acessível à pessoa com deficiência, sob qualquer argumento, inclusive sob a alegação de proteção dos direitos de propriedade intelectual".
 
 
Ainda na área de livro e leitura, o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) da Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) do ministério atua para colocar em prática o conceito de "bibliotecas para todos": inclusiva para pessoas com deficiência física, intelectual e de todas as idades, por meio do projeto Acessibilidade em Bibliotecas Públicas. 
 
 
Em andamento há cerca de dois anos, o projeto pretende ampliar e qualificar a acessibilidade em 10 bibliotecas públicas nas cinco regiões brasileiras. A meta da diretoria é formar ao menos uma biblioteca-modelo em cada um dos 26 estados e no Distrito Federal. 
 
 
Outro exemplo de atuação na área ocorre na Fundação Biblioteca Nacional, entidade vinculada ao MinC. Desde 2008, eles contam com o projeto Biblioteca Acessível, que auxilia portadores de deficiência visual e idosos na realização de pesquisas nos acervos físico e digital da Biblioteca Nacional (BN), de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. 
 
 
A BN formou seus técnicos para prestar o serviço de atendimento especializado e capacitação para auxílio aos usuários em equipamento como: ampliadores de textos eletrônicos, leitores de livros autônomos, linhas Braille, folheadores automáticos de livros, teclados e mouses especiais, impressoras Braille e programas para leitura de textos com reconhecimento de voz. 
 
 

Patrimônio e museus 

 

 
Na área de patrimônio, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entidade também vinculada ao MinC, disponibilizou em seu site para download gratuito o documento Mobilidade e Acessibilidade Urbana em Centros Históricos. 
 
 
O caderno técnico estabelece um conjunto de ações para áreas consagradas como patrimônio cultural organizarem seus espaços para possibilitar que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida possam fazer uso deles, sem a descaracterização desses locais que preservam a história e a arquitetura de determinada época. 
 
 
O Museu Histórico Nacional, administrado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), entidade vinculada ao MinC, foi o primeiro do Brasil a oferecer guia multimídia com linguagem em Libras para deficientes auditivos. 
 
 
Além de promoverem obras para permitir a locomoção e acesso para cadeirantes e idosos, eles realizam o programa Museu para Todos, que leva exposições itinerantes para um público que não pode vir ao museu, como presidiários.
 
 
Até 30 de outubro de 2016, o museu abriga a exposição Diálogo no Escuro, uma mostra multissensorial que desafia o público a conhecer o mundo sem enxergar.  
 
 
Depois de passar por 39 países, a exposição chegou ao Rio de Janeiro propondo a experimentação de aromas, sons, ventos, temperaturas e texturas pensadas exclusivamente para que a cidade pudesse ser sentida de outra maneira.
 
 

Conceito 

 
 
Quando falamos em pessoas com algum tipo de deficiência, nos referimos a quase um quarto da população brasileira. Segundo o Censo Demográfico de 2010, são mais de 45 milhões de pessoas que possuem dificuldades em enxergar, ouvir, locomover-se ou que apresentem deficiência mental ou intelectual.
 
 
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo convivem com alguma forma de deficiência, o que corresponde a cerca de 15% da população mundial, com base em estimativas de 2010. 
 
 
A perspectiva da organização é o aumento desse número, em especial com as dificuldades que podem advir do envelhecimento da população mundial.  
 
 
No entanto, o que é comum nas reivindicações das pessoas é que elas possam se sentir integradas à sociedade e possam ler livros, assistir a filmes e peças e conhecer equipamentos culturais com igualdade de oportunidades com quem não têm deficiências. 
 
 
"A pessoa não precisa se sentir destacada no grupo. Não é destacar. É somar. Unir. Trazer para perto. Nada melhor do que a pessoa com deficiência para poder argumentar. Leve uma pessoa cega, surda, pergunte se o que você fez está funcionando. Tem quem prefira audiodescrição, a peça tátil. Há essas particularidades. O importante é oferecer o máximo de técnicas possível para abranger mais gente da melhor maneira possível", defende Renata Silencio.
 

 
 
 

23 de mar. de 2016

Recadastramento para Passe Livre em Manaus termina no dia 31 de março




Dos 34.065 cadastros ativos na Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) para o benefício do passe livre das pessoas com deficiência e doenças crônicas, que dá direito à gratuidade no acesso aos ônibus do transporte coletivo de Manaus, apenas 12.779 se recadastraram, o equivalente a 37,51% do total de beneficiários. 


O recadastramento do passe livre foi iniciado em 21 de setembro do ano passado e se encerrará no dia 31 de março deste ano. Após essa data, os usuários que não se recadastraram terão os cartões bloqueados.


A Chefe da Divisão de Atendimento Social, Arlene Menezes, ressalta que todos os beneficiários precisam se recadastrar, mesmo que o cartão que possuam esteja dentro da validade. 


”No momento do recadastro, são entregues cartões novos que possuem modelo diferente do utilizado atualmente. Após o processo de recadastro, os cartões antigos não serão mais aceitos nos coletivos”, explicou.


Como se recadastrar



O primeiro passo é agendar a data do seu recadastro, por meio do endereço eletrônico http://agendamentopne.manaus.am.gov.br. 


No site, o usuário vai informar o CPF e confirmar. Em seguida, as informações de data e horário serão visualizadas na tela. 


Estarão disponíveis datas até o dia 31 de março de 2016. Após a escolha da data e horário, o solicitante deverá efetivar a confirmação das informações.


É importante imprimir ou anotar a data e horário agendados para a realização do recadastro na sede da SMTU, localizada na rua Barão de Indaiá, 330, Flores.


Até o último mês de janeiro, aproximadamente 2 mil pessoas faltaram no dia agendado para o recadastro. 


Quem agendou o atendimento, mas não pode comparecer na data marcada, precisa cancelar o agendamento anterior e marcar um novo dia para o recadastro. Todo o processo de agendamento e cancelamento é feito no site.


Para quem tiver dúvidas ou queira mais informações sobre o agendamento, estão disponíveis os telefones: (92)3632-2784, (92)3632-2385 e (92)3632-2755.


Acesso à Internet



O agendamento está sendo feito exclusivamente pela Internet. Para quem não tem Internet em casa, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) disponibilizou os telecentros de 179 escolas municipais para a realização do agendamento. O acesso à Internet nos telecentros será gratuito.


Os horários de atendimento nos telecentros são de segunda a sexta-feira, de 10h às 11h e das 16h até às 17h, para que não conflite com a utilização do espaço por parte dos estudantes das unidades de ensino. 


A única exceção será no telecentro do Complexo Municipal de Educação Especial André Vidal de Araújo,localizado na zona Centro-Sul na Rua da Penetração, esquina com a Rua Maceió, s/n Vila Amazonas, Parque Dez – Manaus - Am. que ficará aberto de 8h às 17h.

 




O tabu da educação inclusiva no ensino privado

 
 
Nos últimos 15 anos, a inclusão de alunos com deficiência em classes comuns do ensino público avançou de forma expressiva no Brasil. 
 
 
Em 2001, apenas 20% dos alunos com necessidades especiais matriculados em escolas públicas frequentavam classes comuns junto a alunos considerados “normais”, Em 2014, esse número saltou para 93%, segundo dados do Censo Escolar.
 
 
O cenário é bem diferente nas escolas particulares, onde cerca de 80% dos alunos com necessidades especiais permanecem, atualmente, segregados em instituições especializadas ou classes especiais. 
 
 
Agora, uma nova lei obriga as escolas particulares a se adaptarem para receber alunos com qualquer grau de deficiência, vetando a cobrança de valores adicionais aos familiares destes alunos e aumentando a punição para escolas que recusarem a matrícula.
 
 
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15) entrou em vigor em janeiro de 2016 sob os protestos de um sindicato que reúne escolas particulares, a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen). 
 
 
A Confenen entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal para tentar derrubar as exigências feitas na lei à iniciativa privada.
 
 
A Confenen alega que o direito de propriedade e a função social das escolas particulares estão sendo violados pela lei. 
 
 
O sindicato diz que seus professores não têm preparo para educar alunos com qualquer grau de deficiência e que, sem repassar os custos da inclusão às famílias beneficiadas, as novas obrigações levariam à desestruturação do ensino e ao fechamento de escolas particulares, pois lançariam sobre elas encargos e custos proibitivos que são de responsabilidade do poder público.
 
 
“Estão confundindo educar com socializar, ou colocar no meio dos outros, e isso não resolve. A pessoa com deficiência precisa de tratamento especial para evoluir e o custo é altíssimo. Ele vai ser enganado que está recebendo o tratamento que necessita quando não vai receber”, diz Pedro Dornas, presidente da Confenen, para quem “a obrigação de oferecer educação especializada a deficientes é do poder público”.
 
Já os que defendem a inclusão escolar em todas as instituições de ensino dizem que as escolas particulares estão preocupadas apenas com o lucro enquanto esquecem que sua função principal é a formação integral da pessoa e a transformação dos alunos em pessoas mais solidárias.
 
 
“A escola particular exclui qualquer criança e não somente aquela com deficiência.A maioria não quer qualquer tipo de pessoa que não tenha sucesso na escola, que não vá passar no vestibular. Seguem a lógica de que quem tira dez aperta a mão do diretor, quem não tira não aperta”, diz Ielva Maria Ribeiro, professora de educação especial da rede pública de São Gonçalo, no Rio.
 
 
Uma liminar da Confenen pedindo a suspensão da lei de inclusão foi indeferida pelo relator da ação no STF, o ministro Edson Fachin, mas o plenário do Supremo ainda precisa avaliar a matéria. O julgamento, que deveria acontecer em março, foi adiado a pedido da Confenen.
 
 

A inclusão na prática

 
 
A pedagoga Maria Teresa Égler Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade da Unicamp, cita a Constituição e normas anteriores à nova lei que definem  a inclusão escolar como um dever de toda instituição de ensino, e não somente das públicas.  
 
 
Maria Teresa rejeita os cálculos da Confenen e diz que os custos das adaptações e dos recursos necessários para acomodar alunos com deficiências não são proibitivos. 
 
 
“Não precisa ter um professor de educação especial para cada aluno. Basta ter um profissional capacitado para a escola inteira. Esse professor de Atendimento Educacional Especializado vai estudar todos os casos da escola, verificar as necessidades de cada aluno, fazer parcerias, buscar recursos e apoios que façam com que esses alunos possam participar de uma aula, que é igual para todo mundo, na sala de aula comum”, diz
 
 
Quanto à avaliação desses alunos, Maria Teresa explica que a inclusão traz uma grande mudança. 
 
 
A avaliação de todos os alunos – e não somente daqueles com deficiência — passa a se concentrar na evolução do indivíduo por ele próprio e não por uma média.  
 
 
O ensino continuará a se basear na passagem de ano, mas a avaliação é feita em função da capacidade de cada um.
 
 
“Argumentar que a educação especial e restritiva tem que substituir a educação comum para pessoas com deficiência é um pensamento do século passado. A gente aprende em ambientes desafiadores e comuns de educação que não discriminam, não têm preconceitos, não restringem, não limitam a educação para alguns”, diz.
 
A Professora de Atendimento Educacional Especializado (AEE) na Creche Municipal José Calil Abuzaid e no Instituto de Educação Clélia Nanci, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Ielva Maria acompanha um total de 14 alunos em ambas as instituições. 
 
 
Ela explica que sua principal função como professora de AEE não é reforçar o conteúdo aprendido em sala de aula, mas oferecer recursos que possam ajudar os alunos com necessidades especiais a superarem as barreiras do aprendizado.
 
 
“Na Clélia Nanci [escola de ensino médio] temos a Paula. De um dia para o outro, a Paula acordou com baixa visão por conta de uma toxoplasmose e era definitiva. Disponibilizamos para ela um recurso ótico, uma régua de ampliação, que para ela foi suficiente”.
 
 
Ielva garante que a estratégia funciona até para crianças com as deficiências mais profundas, mesmo quando o problema é intelectual ou comportamental. 
 
 
Diz que uma boa escola disponibiliza uma série de recursos para o aluno conseguir realizar exatamente aquilo que ele tem condição de fazer, potencializando as habilidades dele.
 
 
“O Elias tem autismo, está no sexto ano e estava à beira de uma reprovação.A princípio ele mal falava e não olhava para mim quando eu conversava com ele. O que fizemos na sala de recursos? Pensamos: quais as dificuldades do Elias? Começamos a fazer um trabalho com jogos, com incentivo à leitura na biblioteca e o inserimos em um grupo de alunos com habilidades de superdotação, o que deu muito certo. Não trabalhamos o conteúdo da sala. Esses alunos passaram a ser um círculo de amigos dele”.
 
Até para os casos mais extremos Ielva garante que “sempre tem um caminho”. Um de seus alunos da creche tem paralisia cerebral e microcefalia, mas desenvolveu a fala e alguns movimentos das mãos. 
 
 
“Fazemos treinos de pegar coisas maiores e menores, de mover de um lugar para o outro, usamos o plano inclinado e hoje quando a professora trabalha os animais em sala, ele já está conseguindo colocar os que ficam na água, na terra, com animaizinhos cortadinhos com velcro atrás”.
 

Ielva diz que o professor comum não precisa ter especialização para trabalhar com alunos deficientes, pois é o professor de AEE que deve orientá-lo, inserindo o AEE no projeto da escola e dando visibilidade a ele.
 
 
“Tem o professor que se vitimiza e diz que não está preparado, mas este não trabalha bem com ninguém. E tem outros que acham que é preciso saber muito além do que já sabem, quando na verdade não precisam. Quando você tira esse medo desses professores, quando você tira essa venda dos olhos, eles conseguem fazer um trabalho muito bonito”.