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9 de jun. de 2016

Albinos do Malaui correm risco de estupro e assassinato por crenças, diz Anistia Internacional





Um relatório da Anistia Internacional acusa da acusa polícia do Malaui de não proteger a população albino, e o governo do Malaui de não educar os cidadãos sobre as causas naturais do albinismo


Pelo menos 18 pessoas com albinismo, uma condição congênita que resulta na falta de pigmento na pele, cabelos e olhos, foram assassinados e muitos outros foram estuprados ou assediados


Quatro assassinatos aconteceram em abril, e cinco albinos foram sequestrados e ainda estão desaparecidas.


Segundo um reportagem do “Washington Post”, o albinismo é mais comum na África subsariana do que no resto do mundo. E em países como Malaui, Tanzânia e Moçambique diversas crenças que colocam os albinos em risco. 


  • Uma delas diz que ter relações sexuais com uma mulher albina pode curar o HIV, o que coloca as mulheres albinas particularmente em risco de estupro.

  • Outros acreditam que os ossos de pessoas albinas contêm ouro, ou têm propriedades medicinais ou mágicas. Por esse motivo, gangues cometem o assassinato de albinos e podem vender o “conjunto completo” de partes de albinos por até 75 mil dólares (R$ 270 mil), segundo a Cruz Vermelha .

A Organização das Nações Unidas registrou, pelo menos, 65 casos de violência contra albinos desde o final de 2014.


Ikponwosa Ero, perito independente que trabalha com as Nações Unidas sobre as questões em torno de albinismo, disse à “Al Jazeera” que albinos desaparecerão de partes do sul da África


“Eu acredito que isso vai acontecer ao longo do tempo se nada for feito. A situação é uma potente mistura de pobreza, crenças de bruxaria e as forças de mercado que empurram as pessoas a fazerem coisas em busca de lucro”, disse.

A especialista da ONU, que também é albina, disse que os albinos não pode nem mesmo morrer em paz


“Mesmo na morte, eles não descansa, em paz, pois seus restos são roubados de cemitérios”, disse ela.


No último dia 24 de maio, a jovem Edna Cedrick, de 26 anos, teve um filho albino arrancado de seus braços em uma luta violenta. 


Ela contou que está assombrada por imagens da cabeça decapitada de seu filho de 9 anos, que deixou um irmão gêmeo. A jovem agora teme pela vida do outro filho.


 Fonte: Jornal Extra




15 de mar. de 2013

40% das mulheres com deficiência já sofreu violência doméstica

Componentes se reúnem à mesa no palco do auditório 
Pesquisa de organizações nacionais e internacionais que direcionam seus trabalhos para temas envolvendo mulheres, apontou que aproximadamente 40% das mulheres com algum tipo de deficiência já tenha sofrido violência doméstica no mundo. 

Os dados são da promotora de justiça, Stella Cavalcanti, passados durante o seminário “Uma reflexão sobre a violência contra a mulher e a mulher com deficiência”.

Segundo a promotora, as deficientes sofrem mais do que as outras mulheres pelo simples fato que terem uma dificuldade ainda maior de denunciar seus agressores que estão principalmente entre familiares ou seus cuidadores.

“As mulheres com deficiente além de ter medo de denunciar ainda sofrem com a violência institucional por não terem credibilidade, pelas pessoas acharem que estão dando uma de vítimas por serem deficientes. 

A situação é grave e este debate é justamente para alertar de que essas mulheres devem procurar os órgãos responsáveis e fazer a denúncia porque elas sofrem várias discriminações”, ressaltou Stella Cavalcanti.

Solange Ferreira, coordenadora de Políticas de Pessoas com Deficiência da Secretaria Nacional de Promoção da Pessoa Com Deficiência, falou sobre “Ser mulher e ter deficiência: como enfrentar esta dupla discriminação”.

Em seguida, a palestra promovida pela promotora de Justiça Stella Valéria Cavalcanti: “Questões controvertidas sobre a Lei Maria da Penha”. A autoridade ministeria é mestra em Direito Público pela Universidade Federal de Alagoas e autora do livro "Violência doméstica contra a mulher”.

A abertura dos trabalhos foi feita pela secretária estadual da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, Kátia Born.

Fonte: Tribuna Hoje
Foto: Sandro Lima

15 de ago. de 2012

João Pessoa tem baixa notificação de violência contra jovens com deficiência

Criança está abraçando as pernas, sentada no píerEm João Pessoa (PB), são poucos os casos registrados de abuso sexual contra crianças e jovens com deficiência.

Foi identificada apenas uma notificação na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Violência e Juventude e duas no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).

A pedagoga e pesquisadora Rosângela Régia da Silva também tentou conseguir números sobre o abuso sexual contra crianças e adolescentes com deficiência. Encontrou apenas relatos de pessoas que não puderam, ou não quiseram denunciar o crime às autoridades.

Segundo ela, as famílias têm vergonha de relatar o que aconteceu. Ela cita o exemplo de uma adolescente de 14 anos, que tem paralisia cerebral, vive numa cadeira de rodas e engravidou depois de ter sido abusada sexualmente.

 A família tinha dúvidas se o agressor teria sido algum dos funcionários que trabalhava na casa. Rosângela conta que os pais da jovem são médicos, não denunciaram e realizaram um aborto.

A pesquisadora disse que muitos agentes públicos nem registram se a vítima tem ou não algum tipo de deficiência. Em conversa com u
m delegado, ela chegou a questionar se ele costumava perguntar se a vítima do abuso sexual tinha deficiência, e ele respondeu que pouco importava. “Mas se a pessoa for vulnerável, o crime é duplamente [qualificado]. Nem o delegado tinha pensado sobre isso", lembrou Rosângela.
 
Testemunhas ameaçadas

A subnotificação dos casos tem, entre outras razões, ameaças às testemunhas. "De certa forma, as pessoas eram coibidas a não dizer nada, a concordar com abusos de pais com filhos ou filhas, ou pais que engravidavam as próprias filhas", relata uma ex-funcionária do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), que não quis se identificar.

A delegada-adjunta de repressão aos crimes contra a violência e juventude de João Pessoa, Andrea Melo de Lima, diz que nem a polícia tem condições de garantir proteção ao denunciante.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual da Câmara fez uma diligência à Paraíba. Os resultados da viagem, ocorrida em junho deste ano, podem ajudar a explicar os poucos casos registrados no estado.

“Segundo os dados oferecidos pelo juiz da Vara de Infância e Juventude da Paraíba, de 200 casos que chegaram pelo Disque 100, só 14 tiveram atendimento no Creas. O que nós estamos percebendo é um nível de atendimento absolutamente precário, então você consolida a vitimização”, lamenta a presidente da CPI, deputada Erika Kokay (PT-DF).

Os dados não são apenas de crianças com deficiência, mas refletem a enorme distância entre a denúncia e registro na rede de proteção, na avaliação da parlamentar.
 
Atendimento pós-denúncia

As deficiências aparecem também no atendimento após a denúncia. A enfermeira Beth Alcoforado trabalha em uma das duas maternidades de João Pessoa que atendem vítimas de violência sexual e contou que uma adolescente com deficiência abusada pelo pai perdeu o direito de interromper a gravidez porque foi levada ao hospital tarde demais.

Ela sugere a criação de medidas para facilitar a comunicação entre os órgãos da rede de proteção. A primeira providência deve ser a identificação dos componentes da rede de atendimento. Em seguida, deve-se abrir um protocolo no qual as unidades estabeleçam comunicação direta, para agilizar a assistência jurídica, social e de saúde.
 
Tabu x educação sexual

A educação sexual para pessoas com deficiência também é fundamental para aumentar a proteção, sem tirar o direito a vivenciar sua sexualidade. Esse trabalho está sendo iniciado na Fundação de Apoio ao Deficiente da Paraíba (Funad). As oficinas são oferecidas aos pais dos usuários e funcionários da instituição, para aprenderem a reconhecer sinais de abuso.

A diretora da Funad, Simone Jordão, defende a qualificação das pessoas que trabalham com crianças e adolescentes com deficiência. “A gente tem que resgatar a capacidade de escuta dos profissionais."