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16 de ago. de 2016

Quatro em cada dez pessoas com deficiência são vítimas de preconceito no trabalho

 


Uma pesquisa realizada pela consultoria Talento Incluir em parceria com o site Vagas.com mostrou que 4 em cada 10 profissionais com deficiência já foram vítimas de preconceito no trabalho. 


Segundo o jornal Folha de S.Paulo, 4.319 pessoas com deficiência responderam a pesquisa pela internet, todas com currículos cadastrados no Vagas.com. 


O bullying foi a forma de discriminação mais comum, apontada por 57% dos que dizem ter sofrido preconceito.


A Folha traz como exemplo o caso de Ingridy Rodrigues, 22, estudante de ciências da computação, que caminha com auxílio de muletas. 


Segundo ela, em uma das empresas em que trabalhou como auxiliar, colegas mancavam perto dela zombando de seu jeito de andar. Deixou o emprego após um mês e meio.


Não foi a única dificuldade. Rodrigues diz ter atuado em uma companhia onde precisava carregar peso e em outra que exigia dela que caminhasse muito pela cidade: 


São empresas que contratam para cumprir cota. Não têm interesse de verdade no meu trabalho”.


A Lei de Cotas define que empresas com mais de cem funcionários devem ter um percentual de profissionais com deficiência que varia de 2% a 5% (quanto mais funcionários, maior a cota). 


Segundo a pesquisa, mais de 60% dos pesquisados dizem enfrentar dificuldades no mercado.


Para a cadeirante Carolina Ignarra, sócia da Talento Incluir, a acessibilidade é citada por apenas 16% das pessoas com deficiência como um problema. 


A falta de oportunidades para o perfil do candidato (66%) e os salários baixos (40%) foram os problemas mais relatados: 


“No Brasil, já vivemos dificuldade nas cidades, no transporte, nas casas. Elas nos fizeram estar adaptados para viver em um mundo que não é o ideal. Acessibilidade importa, mas nem sempre é disso que a pessoa com deficiência mais precisa”, disse ela à Folha.


Segundo Ignarra, empresas devem perceber que profissionais com deficiência podem se desenvolver na carreira, em vez de sempre ocupar vagas de salário baixo, reservadas apenas ao cumprimento das cotas.



 
 
 

9 de jun. de 2016

Albinos do Malaui correm risco de estupro e assassinato por crenças, diz Anistia Internacional





Um relatório da Anistia Internacional acusa da acusa polícia do Malaui de não proteger a população albino, e o governo do Malaui de não educar os cidadãos sobre as causas naturais do albinismo


Pelo menos 18 pessoas com albinismo, uma condição congênita que resulta na falta de pigmento na pele, cabelos e olhos, foram assassinados e muitos outros foram estuprados ou assediados


Quatro assassinatos aconteceram em abril, e cinco albinos foram sequestrados e ainda estão desaparecidas.


Segundo um reportagem do “Washington Post”, o albinismo é mais comum na África subsariana do que no resto do mundo. E em países como Malaui, Tanzânia e Moçambique diversas crenças que colocam os albinos em risco. 


  • Uma delas diz que ter relações sexuais com uma mulher albina pode curar o HIV, o que coloca as mulheres albinas particularmente em risco de estupro.

  • Outros acreditam que os ossos de pessoas albinas contêm ouro, ou têm propriedades medicinais ou mágicas. Por esse motivo, gangues cometem o assassinato de albinos e podem vender o “conjunto completo” de partes de albinos por até 75 mil dólares (R$ 270 mil), segundo a Cruz Vermelha .

A Organização das Nações Unidas registrou, pelo menos, 65 casos de violência contra albinos desde o final de 2014.


Ikponwosa Ero, perito independente que trabalha com as Nações Unidas sobre as questões em torno de albinismo, disse à “Al Jazeera” que albinos desaparecerão de partes do sul da África


“Eu acredito que isso vai acontecer ao longo do tempo se nada for feito. A situação é uma potente mistura de pobreza, crenças de bruxaria e as forças de mercado que empurram as pessoas a fazerem coisas em busca de lucro”, disse.

A especialista da ONU, que também é albina, disse que os albinos não pode nem mesmo morrer em paz


“Mesmo na morte, eles não descansa, em paz, pois seus restos são roubados de cemitérios”, disse ela.


No último dia 24 de maio, a jovem Edna Cedrick, de 26 anos, teve um filho albino arrancado de seus braços em uma luta violenta. 


Ela contou que está assombrada por imagens da cabeça decapitada de seu filho de 9 anos, que deixou um irmão gêmeo. A jovem agora teme pela vida do outro filho.


 Fonte: Jornal Extra




23 de mar. de 2015

Em bilhete, americana ameaça vizinha com deficiência que reclamou de vaga ocupada: “Vou te processar”

Foto da carta que Ashley recebeu
A americana Ashley Brady, de 26 anos, perdeu a perna num acidente no ano passado. 


Aprender a andar novamente com uma prótese e a subir os três andares para chegar ao seu apartamento foi a parte mais fácil até agora, segundo ela.


“Eu enfrento um desafio todos os dias para atravessar a neve e o gelo no estacionamento do meu prédio, tentando me equilibrar com a prótese. Tenho certeza que muitos vizinhos já me viram fazendo essa travessia”, disse ela ao site da emissora ABC 7.


Ashley, então, pediu ao administrador do seu prédio em Miamisburg, no estado norte-americano de Ohio, para construir uma vaga para deficiente mais próxima do seu bloco de apartamentos, a fim de evitar as nevascas e um eventual acidente.


“A vaga finalmente ficou pronta na última quinta [12 de março], mas, quando cheguei em casa no sábado, tinha um carro estacionado”, disse. Frustrada, Ashley decidiu deixar uma nota perguntando se o dono do veículo não tinha visto que a vaga era reservada para deficientes.


“Estava confiante que minha vizinha me entenderia quando expliquei que ela não sabia o que era ter que andar por aí sem uma das pernas.” Para surpresa da americana, no entanto, no dia seguinte havia um bilhete em tom de ameaça em resposta, no seu carro.


A nota dizia: “Olá, deficiente! Primeiro, nunca ponha suas mãos no meu carro de novo! Segundo, querida, você não é a única a saber o que é ‘desafio’. Se você quer compaixão, procure um grupo de apoio a pessoas com uma perna! Você mexeu com a pessoa errada!”


E continua: “Eu não me importo com o que seu bilhete dizia, mas se você tocar no meu carro de novo vou te processar, não estou brincando! Vou avisar à administração que se a chorona com uma perna tocar em minha propriedade de novo vai ter problema, então vá chorar suas dificuldades para alguém que se importe. Estou me lixando com minhas duas pernas! Vadia!”


Ashley disse ter lido a nota pelo menos umas cinco vezes por não conseguir processar o nível de agressividade de que foi vítima. “Se essa pessoa a conhecesse, nunca falaria com ela desse jeito porque ela é uma pessoa doce e educada”, disse Kaitlyn, irmã de Ashley, que resolveu postar a carta no Facebook na “esperança de conscientizar as pessoas sobre o preconceito de que pessoas com deficiência são vítimas no dia a dia”.


A foto foi compartilhada mais de mil vezes na rede social em apenas dois dias. Ashley, que registrou queixa na polícia de Miamisburg, disse ter recebido muitas mensagens de outras pessoas com membros amputados relatando situações semelhantes.


“Ninguém consegue o que quer com maus tratos. Ela me mandou chorar para alguém que se importasse com minha situação, então fui para a internet e recebi apoio de milhares de pessoas”, disse a americana. A administração do prédio ainda não decidiu que ação tomar diante do incidente.





4 de ago. de 2014

Preconceito dos professores impede inclusão de aluno com síndrome de Down, diz USP

Foto de Ana Luiza, aluna com síndrome de Down


Aos 9 anos, Ana Luiza cursa o terceiro ano do Ensino Fundamental, como qualquer criança da mesma idade. Apesar de ter Síndrome de Down, está matriculada em uma escola regular, como manda a lei, e recebe todo apoio da direção. 


Na sala dela, por exemplo, trabalham mais duas educadoras, além da professora. A mãe explica, porém, que todos os cuidados nem sempre garantem um tratamento igualitário. 


“A gente percebe que eles ainda não sabem lidar com o que é diferente, não agem com naturalidade”, diz a relações públicas Sheyla Dutra.


Ela parece ter razão. Um estudo desenvolvido na Escola de Enfermagem da USP em Ribeirão Preto (SP) aponta que a inserção de alunos com deficiência em escolas comuns não garante a inclusão na prática. 


Isso porque, o preconceito dos próprios professores faz com que o resultado seja justamente o inverso, o que a fonoaudióloga e pesquisadora Flávia Mendonça Luiz chama de “exclusão dentro da inclusão.”


Durante dois anos, Flávia se reuniu toda semana com 10 professores da rede municipal de Araraquara (SP) que lecionavam para crianças com Down. 


Os encontros surpreenderam a pesquisadora, ao constatar que os educadores têm uma concepção prévia de que crianças com deficiência não são capazes de aprender, principalmente aquelas com deficiência intelectual, como a Síndrome de Down. 


Apesar de a amostragem ser pequena - apenas 10 educadores -, Flávia explica que o resultado pode ser generalizado, por se tratar de uma questão cultural.


“Todos os professores da minha pesquisa neutralizavam as crianças em sala de aula, ou seja, davam um brinquedo a parte. Então, enquanto todos faziam uma atividade, em vez de a professora incluir a criança, usando outra estratégia, ela dava um brinquedo que a criança gostasse, ou uma folha sulfite e giz de cera. As professoras já têm isso como certo: criança com Down não aprende. Então, como ela faz para ensinar?”, questionou.
 

Discriminação
 

A mãe de Ana Luiza, a relações públicas Sheyla Dutra, concorda com a pesquisadora. Ela conta que tentou matricular a filha, sem sucesso, em 16 escolas regulares em Ribeirão Preto, entre públicas e particulares, antes de encontrar a atual instituição onde a garota estuda. 


“Cada uma respondia uma coisa para não recebê-la. Uma chegou ao absurdo de dizer: a gente pode até aceitar, mas não matricula de verdade, fica como aluno ouvinte.”


Atualmente, Ana recebe toda a atenção da professora e da direção do colégio, tem suas limitações respeitadas e participa das aulas como qualquer outro aluno. Mesmo assim, a mãe afirma que ainda percebe certas dificuldades por parte dos educadores. 


“Quando a criança sai um pouco do padrão, as professoras se sentem despreparadas. Eu peço para elas darem aula de olho fechado. Assim, não existe diferença entre os alunos”, diz Sheyla, que também é presidente de uma ONG de valorização da diversidade e ministra palestras sobre inclusão para educadores.
 

Novo olhar
 

A pesquisadora concorda que a formação dos professores tem como base o ensino para alunos que seguem o mesmo padrão de aprendizagem. Entretanto, explica que a questão transcende a graduação ou a capacitação dos profissionais. 


“A formação está diretamente ligada com a cultura. Precisa de outro currículo? Na verdade não, mas os professores acham que sim, porque eles dizem ‘eu não aprendi a ensinar crianças assim’. Na verdade, eles aprenderam a ensinar qualquer um. O problema está no preconceito, na bagagem cultural.”


Flávia reforça que o cuidador ou mediador, profissional destacado em sala de aula para auxiliar o aluno com deficiência, como previsto em lei federal, deve se preocupar também em não excluir ainda mais a criança com Down dos demais colegas. Segundo Flávia, este educador deve auxiliar o professor e não a criança.


“Não é apenas inserir um cuidador dentro da sala de aula ou mudar a política educacional. O que falta é um outro olhar. É olhar para a criança não pelas deficiências, mas pelas potencialidades. Por isso, os professores precisam refletir, ultrapassar essa esfera cognitiva, refletir sobre seus valores, crenças. Precisa haver um espaço para que esse tipo de debate ocorra. Isso é o que vai modificar a educação", conclui.


Fonte: G1



3 de set. de 2013

AACD lança filme sobre preconceito

Guilherme Santos do Carmo está em cadeira de rodas
A Z+, do Grupo Havas, é a responsável pela nova campanha da AACD (Associação de Assistência à Criança com Deficiência)


O filme foi dirigido por Heitor Dhalia e Pedro Coutinho.
 
Para abordar o preconceito vivido por deficientes, o comercial traz um jovem negro que relata os problemas enfrentados no seu dia a dia, principalmente no mercado de trabalho. O rapaz é Guilherme Santos do Carmo, cadeirante que é paciente da AACD.


A campanha estreia na TV aberta no domingo 1. A direção de criação é de Manoel Zanzoti e a produção é da Paranoid. 


22 de mai. de 2013

Anac pede explicações à Azul após cegos serem barrados em voo

Avião voando
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) pediu explicações à Azul Linhas Aéreas por ter impedido o embarque de três cegos em um voo de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) a Belo Horizonte (MG), no último domingo (19).

Os deficientes visuais participaram de um campeonato em Altinópolis, no final de semana, e estavam na sala de embarque do aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão, quando foram impedidos pelo comandante de entrar na aeronave.

A empresa alegou motivo de segurança para a medida. Os três foram encaminhados para um hotel da cidade e embarcaram no dia seguinte, porém em três voos diferentes. O último só conseguiu entrar no avião rumo a Belo Horizonte 24 horas depois do primeiro voo.

Segundo os cegos, a Azul agiu com preconceito e não ofereceu alternativas ou um questionário onde pudessem informar sobre o problema. 

A empresa nega. Um deles afirmou que vai solicitar indenização à Justiça por danos morais sofridos. "Houve constrangimento porque nos impediram de embarcar na sala de embarque. 

Vou entrar na Justiça com uma ação por danos morais para que esse preconceito não se repita", disse o analista de sistemas Crisolon Terto Vilas Boas, 54.

Ele afirmou que já viajou a 28 países e que essa foi a primeira vez que foi barrado. "Nunca tive problema e nunca fui perguntado se era deficiente. 

Em algumas ocasiões [em voos em outros países], houve reforço na tripulação." Vilas Boas contou inclusive que, num campeonato de xadrez para pessoas com deficiência visual na Polônia, um grupo de 192 cegos pegou um único voo da Air France com destino à Alemanha e que não houve incidente.

"Sou 100% cego e não preciso de ajuda para me locomover. Sempre viajei sozinho e não teria problemas dessa vez", disse ele, que embarcou apenas às 18h de segunda-feira (20).


'VETO SEM MOTIVO'

O enxadrista Davi de Souza Lopes, 36, afirmou que viaja muito e que nunca havia passado por essa situação. "Apesar de ser 100% cego, tenho uma mobilidade muito boa, uma noção de espaço boa."

Ele contou que as empresas aéreas têm que ter uma atenção maior com deficientes, mas que houve exagero da Azul. "A atenção é a mesma para os cegos. Se conduz um, conduz dois, três, cinco. Na prática, essa proibição não tem motivo", disse.

A terceira enxadrista, a assistente de vendas Priscila Melo Cândido, 21, afirmou que comprou o bilhete pela internet e que em nenhum momento foi questionada se ela é deficiente visual.

Um estudo realizado no aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto, apontou que dos 26 pontos verificados quanto a conforto, segurança e acessibilidade, 13 foram classificados insuficientes.

16 de mai. de 2013

Deficiente visual passa em concurso e Prefeitura de Piracicaba nega vaga

Símbolo da pessoa com deficiência visual
A professora Camila Birollo, de 32 anos, que é deficiente visual, passou em segundo lugar em um concurso público para ser professora substituta de educação infantil na rede municipal de ensino de Piracicaba (SP)

Ela, porém, foi considerada inapta para o cargo pela perícia médica do município e aponta que a limitação, que a permitiu participar do concurso, teria sido a razão para ser reprovada no exame.

Camila discursou na noite desta quinta-feira (9) na tribuna popular da Câmara de Piracicaba e pediu a ajuda dos vereadores para ser efetivada no cargo para o qual se classificou. 

Ela não acusou o médico que a examinou de preconceito, mas disse "não entender" a razão para ter sido considerada inapta, uma vez que a deficiência não a impediu de prestar o exame.

No concurso, realizado em 3 de março deste ano, três pessoas com deficiência fizeram a prova e Camila obteve o segundo lugar com 65 pontos na classificação geral. Ela tem 20% de visão em um dos olhos e não enxerga nada com o outro. 

Para a prova, foi permitido que uma pessoa lesse as perguntas e escrevesse as respostas ditadas por ela.

Depois de convocada, no entanto, o relatório da Prefeitura a considerou inapta para o cargo, segundo publicação no Diário Oficial do Município de 4 de maio. 

"Eu quero acreditar que não fui reprovada por preconceito, mas também não conheço outra razão para isso ter acontecido. Eu sou capacitada, estudei cinco anos para trabalhar na área", afirmou a professora na Câmara.

O presidente do Legislativo, João Manoel dos Santos (PTB), disponibilizou o departamento 
jurídico da Casa de Leis para auxiliar Camila a obter a resposta para a rejeição no concurso. 

A Prefeitura de Piracicaba, por meio de nota, informou que cabe ao Serviço Municipal de Perícias Médicas (Sempem) apontar se a deficiência do concursado é compatível com a função que ele vai exercer.

Um trecho do edital informa que a Prefeitura não se responsabiliza por auxiliar em algumas limitações físicas: "Há impossibilidade da Prefeitura de Piracicaba em providenciar adaptações individuais específicas para que o candidato desempenhe adequadamente a função para o qual se candidatou, incluindo o fornecimento de órteses, próteses e outros materiais e meios necessários para se fazer entender, ler ou ir e vir."

Fonte: G1

9 de mai. de 2013

Shopping é acusado de impedir entrada de pessoa com deficiência no Acre

Símbolo da acessibilidade
A Promotoria Especializada na Defesa da Cidadania do Ministério Público do Acre abriu investigação, na manhã desta quarta-feira (8), contra o Via Verde Shopping, o único de Rio Branco, após Mário William, de 44 anos, que tem deficiência, ter sido barrado por um segurança na porta do estabelecimento. 

O suposto constrangimento ocorreu na tarde do último domingo (5) e foi testemunhado por um motorista de ônibus, pela cobradora e pela funcionária de uma lanchonete.

"Isso é revoltante. Não vai ficar barato", disse o promotor Rogério Voltolini, para quem "o crime de preconceito está evidente". 

A Promotoria de Defesa do Consumidor também entrou no caso. Ao retornar para casa, chorando, Mário disse que queria comprar um presente para a mãe.
Ele foi acolhido pelo casal Márcio Gley Gomes de Souza, 39, e Lenira Souza, 64, e tem outros dois irmãos com deficiência. O rapaz possui dificuldades motoras, em razão de ter nascido com paralisia cerebral e fala com muita dificuldade. 

Porém, por recomendações médicas, é autorizado pelos pais a sair de casa sozinho.

Ele é visto diariamente caminhando pelo comércio, e naquele domingo decidiu visitar o shopping, pela primeira vez, numa viagem de 20 minutos de ônibus a partir do Terminal Urbano que fica no centro da cidade. 

"Não temos dinheiro, mas meu filho é bastante rico de espírito e extremamente inteligente", disse o pai.

As testemunhas e o segurança que barrou a vítima serão ouvidas no MP. O ouvidor do MPE, promotor Carlos Maia, também acompanha a investigação que, segundo afirma, "pode resultar em inquérito policial". Ele explica que "não há previsão legal para impedir o acesso de pessoas com deficiência em quaisquer estabelecimentos públicos".

Os promotores orientam a família de Mário a buscar apoio jurídico de um defensor público, numa provável ação por danos morais contra o shopping. "Este rapaz tem os mesmos direitos das pessoas que não têm deficiência. Aliás, tem mais direitos ainda por ser protegido por lei", disse Voltolini.

Outro lado

Jean Pierre Hass, diretor do shopping, afirmou haver gravações do circuito externo mostrando o momento em que o deficiente chegou acompanhado de duas pessoas (a cobradora e o motorista do ônibus).

Segundo ele, a abordagem do segurança foi para oferecer uma cadeira de rodas "para conforto e segurança do rapaz, pois imaginou-se que ele estaria acompanhado por familiares". A direção da empresa, porém, não descarta a hipótese de Mário ter sido confundido com pedinte e reafirma tratar a todos sem desprezo.

Fonte: UOL

26 de fev. de 2013

Justiça manda Correios recontratar carteiro com deficiência visual em MT

A Justiça trabalhista determinou que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos recontrate um funcionário com deficiência visual, que foi demitido em 2004 após 15 dias de trabalho como carteiro.

Além de readmiti-lo, a empresa foi condenada a pagar todos os salários e vencimentos retroativos ao período da demissão e ainda R$ 20 mil à vítima por danos morais. O Correios informou, nesta terça-feira (26), por meio da assessoria de imprensa, que ainda não havia sido notificado da decisão.

Conforme a assessoria do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o carteiro foi aprovado em um concurso público para ocupar uma das vagas destinadas às pessoas com deficiência, mas foi demitido com o argumento de que seria inapto a exercer a função.

Na ação, a vítima alegou que para tentar justificar a demissão a empresa comparou a sua produtividade a de carteiros com mais de 10 anos de profissão, bem como desconsiderou as limitações impostas pela deficiência visual.

No entendimento do relator do recurso no TST, ministro Walmir de Oliveira Costa, houve discriminação ao argumentar que o funcionário não cumpria as mesmas metas que os outros carteiros, já que enquanto aprovado para assumir vaga para pessoas com deficiência deveria cumprir meta diferenciada.

Conforme o magistrado, a demissão da forma como ocorreu é vedada por normas constitucionais e em convenções internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

"Sendo a deficiência visual tipo de doença suscetível de causar estigma ou preconceito, presume-se discriminatória a dispensa do empregado deficiente, o que autoriza a sua reintegração no emprego, e consequente direito ao ressarcimento dos danos causados", determinou o ministro. Os demais integrantes da primeira turma do TST seguiram o voto do relator e condenaram a empresa.

Fonte: G1

22 de set. de 2012

Gol é condenada a pagar indenização a criança com paralisia cerebral


 

A Justiça de Bento Gonçalves, na serra do Rio Grande do Sul, condenou a companhia aérea Gol a pagar R$ 62 mil (100 salários mínimos) de indenização por danos morais a uma menina de três anos com paralisia cerebral. 

Segundo a decisão judicial, a empresa se negou a embarcar a criança e transportá-la no respectivo assento, em outubro de 2011, em um voo de Porto Alegre para Porto Seguro, na Bahia.

A decisão foi proferida na segunda-feira (17) pelo juiz Rudolf Carlos Reitz, da 2ª Vara Criminal e do Juizado da Infância e Juventude de Bento Gonçalves.

 A condenação judicial prevê ainda o pagamento de multa de R$ 300 mil pelo descumprimento de uma medida liminar que assegurava o direito da menina ao embarque em sua poltrona. O dinheiro da multa será revertido ao Fundo Municipal da Infância e Juventude da cidade.

De acordo com a Justiça, a família da criança havia obtido a liminar após receber e-mail da companhia informando que o transporte da menina só seria possível em uma maca.

A medida judicial obrigava a Gol a tomar providências para garantir o conforto e a segurança da passageira, considerada apta para a viagem em atestado médico, nos voos de ida e volta, além das respectivas conexões. A criança acabou viajando no colo da mãe, o que é proibido pelas normas de segurança.

A ação judicial foi fundamentada no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na resolução nº 009/2007 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que regulamenta o transporte aéreo de pessoas com deficiência. Segundo o juiz Reitz, a resolução veda tratamento discriminatório, determinando que as pessoas com necessidades especiais sejam tratadas como os demais passageiros. 

O tratamento oferecido à criança, no entanto, foi discriminatório e atentou contra a dignidade dela, concluiu o magistrado.

Fonte:G1

18 de set. de 2012

Os filhos do preconceito

 

 
Para conhecer a história de Maria Teresa da Silva Oliveira em video, clique aqui.

Aos 6 anos de idade, a assistente social Maria Teresa da Silva Oliveira, hoje com 56, sofria com um pesadelo recorrente. Ela se via como espectadora em uma sala de parto de um hospital, onde uma mulher gritava de dor enquanto pessoas de branco, unidas por cordas, se aglomeravam ao redor dela.

 A cena, que na época não passava de um tormento noturno para a pequena Teresa, hoje poderia ser interpretada como a única memória que ela guarda da mãe biológica. Separada da progenitora logo após nascer, ela foi adotada aos quatro meses de vida por outra família, na qual cresceu sem saber sua origem. 

Apesar da consciência de que era filha adotiva, há apenas oito anos, após confrontar o irmão de criação, ela pôde finalmente conhecer parte de sua história. Batizada originalmente como Maura Regina, Teresa é filha de uma portadora de hanseníase (doença também conhecida como lepra) que vivia internada em um hospital-colônia no interior do Estado de São Paulo.

 Para sua surpresa, sua trajetória se assemelha à de milhares de brasileiros que, entre 1920 e 1980, foram brutalmente retirados dos braços de suas mães doentes e enviados para internatos onde faltavam comida e afeto, mas sobravam maus-tratos. Agora, essa população que cresceu marginalizada, sofrendo com a desestruturação familiar e a falta de oportunidades, busca uma reparação do governo brasileiro.

Em junho, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes, recebeu em seu gabinete, em Brasília, representantes do Morhan (Movimento pela Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase), instituição que luta pelos direitos dos ex-pacientes e dos filhos de portadores de hanseníase.

 Nessa reunião foi criado um grupo de trabalho na Secretaria de Direitos Humanos para reunir dados sobre a questão dos “filhos separados” (termo usado para designar os filhos de ex-pacientes hansenianos) no Brasil, incluindo um levantamento sobre quantos seriam (estimativas variam entre 25 mil e 40 mil pessoas) e estudos sobre a necessidade de o Estado propor uma reparação a eles.

Desde 2007, ex-pacientes que ficaram internados em hospitais-colônia recebem uma pensão vitalícia do governo no valor de dois salários mínimos, o que poderia ser estendido também a seus filhos. “Há uma responsabilidade clara do Estado nessa questão, pois a maioria dos filhos que foram segregados perdeu totalmente os vínculos com sua família biológica e todos tiveram seus direitos humanos violados”, disse a ministra Maria do Rosário à ISTOÉ.

“Porém, não podemos pensar exclusivamente em uma indenização de caráter financeiro. É preciso estudar outras formas de promover uma reinserção dessas pessoas na sociedade e possibilitar o resgate dessa história, infelizmente ainda pouco conhecida.” Segundo o coordenador nacional do Morhan, Arthur Custódio, a entidade não quer discutir o sofrimento vivenciado pelos filhos de ex-pacientes com hanseníase. 

“Mas sim a alienação parental que foi praticada pelo Estado brasileiro ao longo de tanto tempo”, disse.
Durante sete décadas, o Brasil foi palco de uma verdadeira caça às bruxas contra os portadores de hanseníase, doença infectocontagiosa caracterizada por manchas na pele, danos ao sistema neurológico e perda de cartilagens, especialmente orelhas e nariz. 

 Acossados pela “polícia sanitária” da época, aqueles que tinham a enfermidade, ou eram suspeitos de estar infectados, eram retirados compulsoriamente de suas casas e internados à força em leprosários, hospitais que funcionavam como uma cidade à parte.

 O sistema de enfrentamento da doença, adotado por Getúlio Vargas (1882-1954) tendo como modelo a política higienista do italiano Benito Mussolini (1883-1945), se baseava em três pilares: o dispensário, para aqueles que manifestavam sinais da doença; o leprosário, para os pacientes infectados; e os preventórios, para os filhos sadios dos portadores de hanseníase.

 O tratamento dispensado às crianças nascidas de pacientes infectados constava na legislação brasileira. Segundo o Decreto nº 16.300, de 31 de dezembro de 1923, filhos saudáveis de pais com a doença deveriam ser afastados do convívio familiar e segregados em instituições criadas para esse fim, os chamados preventórios ou educandários, geralmente administrados por congregações religiosas. Já a Lei Federal nº 610, de 13 de janeiro de 1949, determinava que todo recém-nascido filho de pais portadores de hanseníase deveria ser imediatamente afastado da mãe e não poderia nem mesmo ser amamentado por ela. 

Foi o que aconteceu com o aposentado José Irineu Ferreira, 63 anos. Filho de pai e mãe acometidos por hanseníase, Ferreira nasceu no hospital-colônia Doutor Pedro Fontes, em Cariacica (ES). Assim que sua mãe deu à luz, o capixaba foi levado para o educandário Alzira Bley, na mesma cidade. Ali ele viveu até os 16 anos. 

 “Saí para ver o mundo pela primeira vez quando tinha 13 anos”, diz o ex-técnico em telecomunicações. Durante toda a sua infância e adolescência, Ferreira conta que era forçado a trabalhar na roça, apanhava quase diariamente e chegou diversas vezes a passar fome.

 Mas suas piores memórias remontam às poucas visitas que ele pôde receber dos pais enquanto esteve internado. “Lembro de vê-los através de um vidro no parlatório, mas eu não sabia quem eram aquelas pessoas.

 Depois, a gente se encontrava por meio de uma cerca, mas sempre com guardas monitorando e sem nenhum contato físico.

” A vida após o preventório também não se mostrou fácil. Sem nunca ter recebido carinho ou orientação familiar, ele escondeu sua origem dos colegas de trabalho e até das namoradas. “Algumas pessoas me chamavam de ‘filho de leproso’. Mas, para mim, o preconceito é mais contagioso do que a lepra”, diz.

As dificuldades enfrentadas por Ferreira dão a tônica dos depoimentos da maioria desses filhos separados, como explica Thiago Flores, 27 anos, pesquisador da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e autor do artigo de iniciação científica “Órfãos por imposição do Estado – Danos psicossociais causados pela política de segregação da hanseníase”, em parceria com a graduanda Pautília Paula de Oliveira Campos. “Relatos de maus-tratos são constantes entre as crianças que cresceram nos preventórios”, diz Flores. 

“A maioria sofria castigos físicos, muitos tinham a comida racionada e alguns chegaram até a sofrer abusos sexuais, enquanto outros eram dopados com medicamentos sedativos para que não dessem trabalho.” Na pesquisa que realizou com 27 filhos de ex-pacientes dos hospitais-colônia de Minas Gerais, ele chegou à conclusão de que os problemas vivenciados na infância e adolescência desses brasileiros influenciam sua saúde psíquica até hoje. 

“Os filhos separados, assim como seus pais, foram vítimas do holocausto silencioso instituído no País ao longo de décadas devido ao estigma e preconceito associados à hanseníase”, diz. Flores tem conhecimento de causa para falar sobre a hanseníase, mas sua história pode ser considerada o oposto da dos filhos separados. Assim que as colônias foram abertas, por volta de 1986, ele foi adotado por um casal de hansenianos, Zenaide e Nelson Flores, que não podia ter filhos. “Passei minha vida na colônia, sempre soube que era filho adotivo, mas só fui entender o que era hanseníase quando, ao contar para um colega de escola onde eu morava, ele se assustou.”

Chamada de “a doença mais antiga do mundo”, a hanseníase encontra seus primeiros registros datados de 1350 a.C., no Egito. A forma como a enfermidade é abordada na “Bíblia”, porém, contribuiu para o tratamento cruel e desumano que seria empregado às pessoas por ela atingidas. “Na ‘Bíblia’, a lepra é explicada como uma maldição, que afetaria só os pecadores. Isso gerou um preconceito muito grande contra os hansenianos”, afirma Flores. Por conta das crendices e da desinformação, os filhos separados tiveram de lidar com esse preconceito mesmo dentro de suas famílias.

 “Os próprios familiares rejeitavam essas crianças, com medo da contaminação”, diz a historiadora Yara Nogueira Monteiro, autora da tese de doutorado “Da maldição divina à exclusão social: um estudo da Hanseníase em São Paulo”, pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH – USP). Abandonadas pelas famílias e sem possibilidade de conviver com os pais biológicos, muitas das crianças moradoras dos preventórios foram encaminhadas ilegalmente para a adoção. 

“Os pais não perdiam o pátrio poder do ponto de vista legal, mas na prática muitas crianças eram adotadas. Meninos e meninas simplesmente sumiam e os progenitores, presos no isolamento, não podiam fazer nada”, afirma Yara.

Maria José Amélia, a mãe da paulistana Teresa, até tentou saber notícias da filha, mas não obteve resposta. 
 “Nos registros do preventório onde fui adotada, encontrei uma carta da minha mãe que nunca chegou a ser respondida. Nela só havia uma anotação da pessoa que a recebeu dizendo ‘esta carta não sei como responder, pois a filha foi entregue ao seu Antônio’, meu pai adotivo”, diz Teresa.

 Ela também descobriu no arquivo do preventório Santa Terezinha, em Carapicuíba (SP), documentos sobre duas irmãs biológicas, Marisa e Elza, que localizou e conheceu com a ajuda do cadastro de filhos separados do Morhan, no qual já constam dez mil inscritos. Seu caso motivou ainda a criação de um banco genético para tentar encontrar parentes entre portadores de hanseníase e ex-internos dos preventórios, chamado projeto Reencontro. 

“Oferecemos gratuitamente para essas pessoas exames de compatibilidade genética que elas não poderiam pagar por conta própria”, explica Lavínia Schuler Faccini, professora associada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) e coordenadora do banco genético. “Até agora quatro casos já foram solucionados, três com resultado positivo e um com negativo”, diz. 

O exame de compatibilidade genética pode fazer a diferença na vida das cariocas Rita de Cássia, 58 anos, e Geovanna Barbosa, 38. Não que elas já não saibam que são mãe e filha. “É que, quando Geovanna nasceu, eu não pude ficar com ela, então meus pais a registraram como filha deles. Pela lei, ela é minha irmã”, afirma Rita. Grávida aos 20 anos de idade, Rita descobriu ser portadora da doença durante o pré-natal.

Voluntariamente se internou na colônia de Curupaiti, no Rio de Janeiro, onde nasceu Geovanna. “Só vi minha filha de longe e dois dias depois ela já estava no educandário”, diz Rita. Geovanna passou oito anos na instituição, onde sofria diariamente com a saudade da mãe, a fome, a tortura psicológica e os castigos físicos impostos pelas freiras que administravam o preventório. “Me emociono só de lembrar de tudo o que passei lá. Me adaptar à vida aqui fora também foi um processo muito difícil”, diz a auxiliar de produção. 

Hoje, no entanto, Rita e Geovanna são um exemplo de que é possível encontrar felicidade mesmo sob a sombra de um passado tão dolorido. “Hoje minha mãe pode fazer pelo meu filho Jonathan tudo o que não pôde fazer por mim. Tenho muito orgulho dela, porque é uma guerreira”, afirma Geovanna. “Só espero que, ao divulgar essa história, as famílias brasileiras nunca mais tenham que ser separadas por causa de uma doença”, diz Rita. E que o Estado possa trazer um pouco de alento a todos aqueles que tiveram suas vidas sequestradas pela cruel política da segregação.

30 de jul. de 2012

Estudante de direito deficiente visual será indenizada por ter foto alterada no convite de formatura


"Estudante de direito deficiente visual será indenizada por ter foto alterada no convite de formatura
A comissão de formatura do curso da Faculdade Izabela Hendrix e o Studio Fotográfico Phocus 4 terão de pagar R$ 17 mil por danos morais à imagem da aluna"


A comissão de formatura de um curso de direito da Faculdade Izabela Hendrix e o Studio Fotográfico Phocus 4 foram condenados a indenizar uma estudante deficiente visual pela alteração da foto dela no convite de formatura. A aluna vai receber R$ 17 mil por danos morais à sua imagem. Em primeira instância, a ação de H.B.A.P foi negada pela Justiça. Porém, a mulher recorreu e a 17ª Câmara do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) reformou a decisão.

A estudante entrou com uma ação solicitando danos morais em setembro de 2005. Segundo H.B, durante o curso, sempre recebeu tratamento diferenciado por parte da comissão de formatura, por ser deficiente visual. A mulher conta que foi excluída das filmagens, ensaios e assembleias, sem sequer ter sido chamada, e diz ter sido agredida verbalmente. Alega também que até a mudança do local do baile, não foi informada a ela.

Além dos desrespeitos que a estudante alega ter sofrido, a foto dela no convite também foi alterada. Segundo H. a imagem dela no documento estava com uma maquiagem especial sem que ela tenha autorizado.

Tanto a empresa quanto a comissão de formatura informaram que não houve tratamento discriminatório contra a colega. O tesoureiro da comissão, J.C.N.J. acrescentou que os convites foram impressos após aprovação das provas pelos formandos, o que acontece em toda decisão da comissão de formatura. Indagou que se a aluna não se manifestou contrária aos outros estudantes, é porque não estava presente às aulas.

Outras duas alunas que compõem a comissão informaram que os reparos feitos na fotografia visavam à melhoria estética do conjunto e são prática corriqueira nos estúdios de revelação de fotos digitais.

Em 2010, a juíza da 9ª Vara Cível de Belo Horizonte julgou a ação improcedente por entender que, embora tenha sido comprovado que a foto foi alterada sem a autorização da estudante, a autora não indicou o responsável por isso e nem conseguiu provar que a Studio Phocus 4 ou a comissão de formatura retocaram a foto.  A estudante recorreu da ação.

O desembargador Eduardo Mariné da Cunha, entendeu que a empresa e a comissão de formatura deveriam ser responsabilizadas, pois contribuiram para a ocorrência do evento. “A Studio Phocus 4 prestou o serviço fotográfico e não conseguiu provar que entregou à comissão fotos não alteradas. Já a comissão responde por ter aprovado o convite e permitido sua distribuição com a imagem de H. modificada e sem permissão dela”, esclareceu. Os desembargadores Luciano Pinto e Márcia de Paoli Balbino seguiram a decisão do relator.

Assim, tanto a comissão quanto a empresa vão pagar solidariamente a indenização fixada pelos magistrados.

fonte: http://www.em.com.br