2 de out. de 2014

Projetos ampliam acesso das pessoas com deficiência à escola

Foto de uma sala de aula
O Brasil ainda mantém 140 mil crianças e jovens com deficiência e outros transtornos de desenvolvimento fora da escola, - conforme levantamento na base de dados do Beneficio de Prestação Continuada (BPC) e têm até 18 anos – mas o que não faltam são projetos para mudar essa realidade, e garantir o acesso à educação e melhorar as condições de vida desses alunos.



Um deles, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 36/2014, acrescenta dispositivo à Lei 9.394/1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para assegurar a presença de cuidador na escola, quando necessário, ao educando com deficiência. 


No momento, aguarda-se a leitura de requerimento do senador Anibal Diniz (PT-AC), que solicita tramitação conjunta da proposta com o projeto de lei do senado (PLS) 228/2014, que trata do mesmo tema.


A proposta estabelece que, quando necessário para promover o atendimento educacional na escola regular, e em função das necessidades específicas do aluno, será assegurado ao educando com deficiência a presença de cuidador no estabelecimento de ensino, para atendimento das suas necessidades pessoais.


O autor, deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), observa que a implementação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar pressupõe o aperfeiçoamento da legislação educacional no país. 


Ele observa ainda que a Lei 9.394/1996 já dispõe sobre a obrigatoriedade, quando necessário, da oferta de serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.
 

Acesso escolar


O PLS 22/2010, por sua vez, já foi aprovado no Senado e encaminhado à Câmara, onde tramita como PL 508/2011. 


O projeto, que assegura acesso escolar ao educando cuja deficiência o impede de frequentar estabelecimentos de ensino, aguarda parecer do relator na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) para ser votado.


De acordo com o texto, os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação o atendimento educacional em local especial, na impossibilidade, devidamente atestada, de frequência a estabelecimento de ensino, em razão de deficiência. 


O projeto também prevê a oferta de recursos pedagógicos de Educação a Distância (EAD), bem como outros que se utilizem da internet.
 

Surdez


Há ainda o PLS 180/2004, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da oferta da Língua Brasileira de Sinais (Libras), usada pelos surdos, em todas as etapas e modalidades da educação básica, nas redes pública e privada de ensino. 


A matéria encontra-se na pauta da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), onde é relatado pelo senador João Vicente Claudino (PTB-PI), que deve se manifestar sobre o substitutivo aprovado na Câmara dos Deputados.


Pelo projeto, os sistemas de ensino ficarão obrigados a garantir aos estudantes a oferta da Libras e uma diversidade de métodos de comunicação para pessoas com deficiência, como parte do currículo de todas as etapas e modalidades da educação básica. 


Os alunos também terão direito a adequação de currículos, métodos e recursos às suas necessidades; terminalidade e certificação específicas; professores especializados; educação especial para o trabalho; e acesso igualitário aos benefícios suplementares oferecidos aos alunos dos mesmos níveis em que estiverem matriculados.




Jornalista lança ação com famosos para exigir intérprete de sinais em provas do Detran

Foto da atriz Glória Menezes com um cartaz na mão
 

Uma campanha promovida pela jornalista Ivy Farias alerta para a falta de acessibilidade nas provas nos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detran)


Militante de Direitos Humanos e estudante de libras (língua brasileira de sinais), a profissional de imprensa conseguiu reunir diversos artistas em prol da iniciativa, que denuncia a falta de meios para que pessoas com deficiência auditiva realizem os testes.


Entre as exigências, a ação criada por Ivy pede um intérprete de sinais nos locais de prova para auxiliar os candidatos. “A questão da surdez e da libra é um tópico de futuro”, diz. 


Atualmente, uma pessoa com deficiência auditiva enfrenta inúmeras dificuldades para conseguir a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), documento que autoriza os cidadãos a conduzir veículos no país.


Na campanha, celebridades como Glória Menezes, Ronnie Von, Regina Duarte e Sabrina Sato aparecem segurando um cartaz com o slogan: “Detran sem libras = surdo sem acessibilidade”.


Com diversos trabalhos voluntários na carreira, o fotógrafo Gustavo Scatena topou participar da iniciativa na hora. 


“Entendo que seja importante contribuir com a sua especialidade. Por meio da profissão, somos capazes de contribuir com causas importantes”, conta.


Há dois anos, o fotojornalista clica celebridades para o calendário do Instituto Olga Kos, que promove a inclusão de pessoas com síndrome de Down. 


Scatena convidou Ivy para ajudá-lo na produção deste trabalho e daí surgiu a chance de fotografar para a ação do Detran.


“Como jornalista, não adianta, você não apenas estuda o idioma, mas acaba entrando na causa. O jornalista é curioso. Tive curiosidade sobre tudo que envolvia libras, como a campanha. Foi então que subi no escritório do Gustavo, peguei uma folha sulfite e escrevi para ele fotografar”, diz Ivy. 


No estúdio, estava Leopoldo Pacheco, segundo artista a ser retratado no calendário de Scatena. Num lance de espontaneidade, ela sugeriu a participação do ator, que logo aceitou. 


“Como já trabalhei na redação, sei que artista dá visibilidade para a causa. E aí, já que fez o primeiro, vamos ao segundo, ao terceiro...”, afirma a jornalista.


Nenhuma personalidade rejeitou participar do projeto. Houve apenas uma excitação da atriz Regina Duarte, que questionou se surdo poderia dirigir. 


“Eu gostei muito da pergunta dela, pois pude esclarecer que, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), surdo não é deficiente. 


Este órgão das Nações Unidas entende que a pessoa deficiente é aquela que falta uma eficiência nas atividades básicas do dia a dia", conta.


As sessões de fotos também ficaram marcadas por algumas situações inusitadas. “Pacheco nem pensou duas vezes. Tio Ronnie, como ele se coloca, foi direto. Já a Sabrina achou o papel muito amarrotado e feio e queria fazer um mais bonito”.


A repercussão do trabalho tem sido positiva. “O fotógrafo gentilmente baixou e editou me ouvindo reclamando que as fotos estavam atrasadas”. O perfeccionismo da dupla foi recompensada com a procura para um diálogo do Detran de São Paulo.


Segundo a jornalista, o objetivo era promover a acessibilidade para o surdo. “Quando o Detran paulista me procurou, eles informaram que teriam formado cerca de 203 servidores em libras; e nos convidou para conhecer um projeto piloto que estão fazendo. [A reposta] do Detran de São Paulo, da entidade federativa mais rica do país, já é um fator positivo”. No entanto, a iniciativa busca voos mais altos.


A ação não tem um alvo específico. “Não sou contra ninguém, nem contra o Detran. A campanha é contra todos os departamentos estaduais de transito. E o único que se manifestou foi esse. Então, se você parar para pensar: 26 que ficaram quietos!”. “Queremos apenas que o surdo tenha a acessibilidade. E cadê? O único Estado que se comprometeu a dialogar foi São Paulo. E os outros?”.

 
Ivy Farias ressalta que a meta dos próximos dias é mobilizar o maior número de pessoas, uma vez que ao reunir personalidades a campanha chamou a atenção da sociedade brasileira sobre o caso. 


“Eu acredito que uma andorinha só não faz verão. Eu acredito que não basta as entidades de surdo pressionarem. Tem que ser toda a sociedade, para que todos se sensibilizem. Queremos que as pessoas reflitam”.


A jornalista lembra que a libra é o segundo idioma oficial do Brasil. "É como se fôssemos o Canadá, que tem o inglês e o francês como línguas pátrias”, acrescenta.
 

Ação integra campanha pela acessibilidade no Denatran


No início deste ano, o movimento para incluir a questão social na formulação dos testes foi pensada pelo professor e interprete de libras, Alexandre Henrique Elias. 


“Buscamos com essa causa, sensibilizar e padronizar nacionalmente a acessibilidade aos surdos que são colocados à margem da sociedade”, diz Elias no Facebook. 


Segundo o portal Catraca Livre, o deputado federal e candidato ao Senado, Romário (PSB-RJ), fez uma consulta técnica à consultoria da Câmara ao questionar o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) sobre o descumprimento da Lei de Acessibilidade.


A legislação estabelece que os órgãos públicos devem garantir às pessoas surdas o tratamento diferenciado por meio do uso e difusão de libras e da tradução e interpretação da língua realizadas por servidores e empregados capacitados para essa função; um dos pontos defendidos pela ação.




Bibliotecas públicas serão referência em acessibilidade no país

Foto de um livro escrito em braile 


Até abril de 2015, dez bibliotecas públicas no país ganharão qualificação profissional, melhorias no acervo e novas tecnologias para que sejam totalmente acessíveis a pessoas com deficiência.








O objetivo é que se tornem referência e multiplicadoras para as outras cerca de seis mil bibliotecas públicas do país.



Com investimento de R$ 2,7 milhões, a iniciativa faz parte do edital do Ministério da Cultura (MinC) para garantir maior acesso à cultura. Serão beneficiadas instituições em todas as cinco regiões do país.



Segundo últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do censo de 2010, há, no Brasil, 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que representa 23,9% da população. A convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência garante o direito à cultura, ao lazer e ao entretenimento.



A Mais Diferenças, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), será responsável pela adequação das bibliotecas. O primeiro passo foi a elaboração de um diagnóstico geral das instituições. 


"Esse diagnóstico vai ajudar muito na segunda fase do projeto que já tem plano de ação: a formação e capacitação das equipes", explica Carla Mauch, coordenadora da Mais Diferenças e responsável pela execução do projeto. 


"Ficamos na biblioteca, conversamos com várias pessoas, desde secretário de cultura até usuários com deficiência, incluindo os funcionários", completa.



Após a qualificação profissional, a ação será dirigida a mudanças no acervo, tornando-os acessíveis. 


"A ideia é avançar. Não pensar somente no livro em Braille - que já está disponível em algumas bibliotecas - mas pensar também, por exemplo, no livro digital bilíngue (português e libras). Queremos também ampliar a acessibilidade a todos os públicos com deficiência, não apenas a visual', explica Carla Mauch.


Tecnologia assistida



Outra etapa do projeto consiste na aquisição de tecnologia assistida, com recursos que permitam que as pessoas com deficiência tenham acesso ao conteúdo da biblioteca. Exemplos disso são as impressoras em braile, leitores de tela, teclados colmeia e aplicativos diversos.



Entre os grandes objetivos está também o de possibilitar a criação de redes entre profissionais, bibliotecas, setores culturais, políticas públicas federais e estaduais. Para Rosália Guedes, consultora do projeto, a troca de experiência e o trabalho em rede certamente contribuirão para a ampliação da acessibilidade nas bibliotecas.



A Mais Diferença quer montar um análise mais ampla sobre o tema. Para isso, elaborou um questionário direcionado a todas as bibliotecas e que servirá de base para a realização do Diagnóstico Nacional de Acessibilidade em Bibliotecas Públicas. A instituição também criará um site acessível com manual para as demais bibliotecas.



Com a pesquisa, o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) e a Mais Diferenças desenharão, ao fim do projeto, diretrizes nacionais para as políticas públicas de acessibilidade em bibliotecas públicas brasileiras. 


"Cada biblioteca foi ouvida na sua essência para construção de algo melhor: a inclusão de todas as pessoas. Nesse trabalho, vivi o Brasil de muitas diversidades. Encontrei muitas pessoas que trabalham pensando no outro, que trabalham para o outro. Há espaços maravilhosos em que a biblioteca pública cumprirá seu papel, que é o da democratização de acesso a informações e à cultura a todos os brasileiros", conta Rosália, sobre a primeira etapa do projeto.






1 de out. de 2014

Fórum Internacional apresenta inovações tecnológicas voltadas ao esporte, saúde e bem estar

Foto dos símbolos das deficiências


Aproximar a universidade e as empresas promovendo a discussão e a apresentação de soluções de tecnologia assistiva nas áreas de esporte e saúde. 


Esse é o desafio do I Fórum Internacional de Inovação e Tecnologia Assistiva, Esporte e Saúde, que acontece nos dias 28, 29 e 30 de outubro, no Campus São Carlos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)


O evento é realizado pelo Departamento de Educação Física e Motricidade Humana (DEFMH), junto ao Laboratório de Inovação e Empreendedorismo em Tecnologia Assistiva, Esporte e Saúde, ambos da UFSCar.


De acordo com o professor José Marques Novo Júnior, do DEFMH, a tecnologia assistiva é um termo ainda novo, utilizado para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e, consequentemente, promover vida independente e inclusão


“O fórum deve trazer à tona uma série de discussões a respeito de como as novas tecnologias poderão e deverão ser disponibilizadas às pessoas com deficiência. Só que isso leva tempo. É necessário que as empresas façam parcerias com as pesquisas na universidade e vice-versa”, explica Novo Júnior. “São as empresas que tornariam realidade, por meio de produtos ou serviços, o conhecimento produzido nas pesquisas da universidade”, afirma.


De acordo com o docente, o estabelecimento de parcerias na área da tecnologia assistiva, voltada às pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, é uma das principais necessidades no Brasil, que atualmente não possui parcerias suficientes entre laboratórios de pesquisa e empresas. 


“As maiores necessidades estão na produção de equipamentos e dispositivos nacionais, já que os importados são muito onerosos. Equipamentos e dispositivos que servem aos atletas para treinamento poderão servir muito bem às pessoas que não são atletas, mas que tenham alguma deficiência física e tenham necessidade de algum instrumento ou equipamento para melhorar a sua qualidade de vida”, explica Novo Júnior.
 

Público e inscrições


O Fórum é voltado a acadêmicos e profissionais da Educação Física, Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Engenharia e Biotecnologia, além de gestores de academias de ginástica, empresários do mercado da atividade física, saúde e bem estar, pesquisadores e profissionais que trabalham com tecnologias assistivas aplicadas ao esporte, à promoção da saúde e à melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência. O público estimado para o evento é de 250 pessoas.


O evento possibilitará também o contato dos participantes com empreendedores, que apresentarão os seus casos de sucesso. 


Novo Júnior explica que o Fórum pode contribuir para melhorar os serviços prestados por profissionais da área, por meio do conhecimento do que há de mais novo e moderno nas pesquisas e tecnologias que ainda não estão disponíveis no mercado. 


“Os profissionais que participarem do evento terão a oportunidade de se aproximar dos palestrantes e com isso poderão sanar dúvidas e fazerem parcerias”, explica.


As inscrições podem ser feitas na modalidade ouvinte, isto é, sem apresentação de trabalhos. 


Há preços promocionais nos valores das inscrições efetivadas até o dia 17 de outubro. Informações para as inscrições e os valores estão no site www.inovaforum.ufscar.br ou pelos e-mails inovaforum@ufscar.br e inovaforum2014@gmail.com.




Professores desenvolvem aplicativo para pessoas com deficiência visual em Ourinhos, SP

Foto do aplicativo Websonora


Dois professores de Ourinhos (SP) desenvolveram um aplicativo para facilitar a vida das pessoas com deficiência visual


Usando a voz, eles podem postar conteúdos nas redes sociais, ter acesso às informações e conhecer objetos por meio de narrações.


Lisandra Correia consegue se manter informada pelo celular mesmo sendo cega. Ela nasceu com ritinose pigmentar, uma doença hereditária que não tem cura. O aplicativo Websonora é direcionado para pessoas que não enxergam. 


O sistema permite que, por meio de um comando dado com a voz, ela consiga que o celular execute algumas funções. “Antes, por mais tecnologia que você tivesse, você não conseguia chegar a um aplicativo de maneira acessível, fácil.”


Guilherme Orlandini e Gilson Aparecido Casatadelli são professores de ciências da computação e pensaram em dar voz à internet, como em um bate-papo. 


No entanto, a tecnologia da época não ajudava. “Uma vez que nós percebemos a possibilidade deste software evoluir com nosso trabalho, começamos nosso trabalho com algumas pessoas com deficiência visual para que pudéssemos ter uma interface mais natural possível de acessos às informações”, conta Guilherme.


O aplicativo já está disponível em duas versões, uma gratuita e outra paga. O usuário também pode sugerir conteúdo. Lisandra, por exemplo, gosta de arte e com o "wik sonora", uma espécie de enciclopédia, pode imaginar um dos quadros mais famosos de Vincent Van Gogh, o “Girassóis”, por meio da descrição de voz do aplicativo: 


“O quadro apresenta um vaso de barro disposto ao chão, tendo ao fundo uma parede azul desgastada pelo tempo, com girassóis amarelos dispostos de modo simétrico, maiores, menores e em diferentes posições.”


Para chegar a esse resultado e permitir que Lisandra e outros deficientes visuais pudessem interagir mais com a internet foram cinco anos de pesquisas e meses de trabalho para deixar a linguagem do aplicativo mais simples para aos deficientes visuais.


No Brasil, quase um 1,7 milhão de pessoas têm algum tipo de problema na visão, segundo a Organização Mundial de Saúde.


O trabalho dos professores tentam levar informação à quem não tem acesso. “O mais importante é que as pessoas tenham acesso e acessibilidade às informações e possam construir sonhos. Possam utilizar a tecnologia como meio. Esse é o propósito de qualquer pessoa que trabalha com tecnologia”, acredita Gilson.


Os professores também dizem que ainda falta muito para que o aplicativo fique perfeito e, para isso, a colaboração dos usuários é muito importante. 


“Quanto mais as pessoas colaborarem com sugestões, opiniões e conteúdo para que o deficiente visual tenha acesso as informações, melhores serão os resultados”, afirma Gilson.


Fonte: G1


Edu Camargo, participante do programa "The Voice", vence #deficiênciavisual e ajuda a família como cantor

Foto de Edu Camargo recebendo um beijo da cantora Claudia Leitte


Edu Camargo descobriu o talento musical que mostrou no palco do The Voice Brasil desde muito cedo. Influenciado pelo pai, pela irmã Simone e pelas aulas de música no Instituto de Cegos Padre Chico, o paulistano decidiu que seguiria carreira musical já com sete anos. 


O talento precoce contribuiu para que Edu ajudasse no sustento da casa desde os 12. Ele e a irmã formaram uma dupla e se apresentavam na noite de São Paulo. "A música mudou a nossa vida", garante Edu.


"Meu pai, Joaquim, faleceu quando éramos muito pequenos, e minha mãe cuidava da gente sozinho. Começamos a cantar e ajudar em casa. A música foi um verdadeiro divisor de águas na nossa família", explica o cantor. 


"Compramos nosso primeiro rádio, ajudamos a trocar os móveis e a comprar roupas e sapatos", relembra Simone, três anos mais velha que Edu. Os irmãos nasceram com glaucoma congênito e são cegos desde a infância.


Os dois cantavam juntos interpretando diferentes estilos, de música sertaneja a Beatles. Eduardo costumava soprar as letras que a irmã esquecia. 


"Ele cantava a estrofe antes, no estilo que o Padre Marcelo faz", lembra ela, aos risos. A dupla se desfez depois de três anos, quando Simone decidiu se dedicar ao goal ball, um esporte paralímpico.


Segundo Eduardo, a deficiência visual nunca o impediu de realizar qualquer atividade, principalmente quando o assunto é cantar. 


"A música prevalece com qualquer condição. Sempre levei minha deficiência com naturalidade", explica o cantor, que também é tecladista e compõe. "Distância", sucesso na voz do grupo Os Travessos, é de autoria dele. 


Já a irmã Simone acredita que ainda existe preconceito, mas que a entrada de Edu Camargo no programa é uma prova de que a arte venceu. 


 "Tem gente que faz um pré-julgamento se a pessoa é mesmo capaz. Isso acontece diariamente com a gente. O Edu está tendo uma oportunidade ímpar, na minha opinião, de ser reconhecido por seu talento e não pela deficiência", afirma.


Fonte: GShow


Sessão para pessoas com deficiência visual deixa céu 'ao alcance das mãos' em Vitória, ES

Foto de um visitante tocando um globo tátil


Ter o céu ao alcance das mãos, poder conhecer o terreno irregular da lua, ou o caminho traçado pelo sol não é mais tarefa de um astronauta sonhador qualquer. 


Com um pouco de imaginação e criatividade, a viagem pelo espaço pode acontecer em um lugar mais acessível e sem nem precisar sair do chão: no Planetário de Vitória


Com o intuito de atender pessoas com deficiência visual e baixa visão, uma sessão do Planetário foi adaptada e agora dá aos que não podem enxergar o céu, a oportunidade de senti-lo. A novidade foi inaugurada no último dia 22.


Para atender essas pessoas, foram desenvolvidos vários materiais didáticos exclusivos. Na sessão “Universo ao alcance das mãos”, os visitantes assistem a um teatro de sombras baseado no livro "As Estrelas e o Telescópio", do escritor Monteiro Lobato. As cenas são acompanhadas de audiodescrição, que situa os visitantes na história.


Depois do teatro, os participantes podem aprofundar o entendimento com  um livro tátil para pessoas com deficiência visual; um livro adaptado para pessoas com baixa visão (ambos inspirados no teatro das sombras); dois painéis táteis em alto-relevo e em alto-contraste visual, explicando as fases da lua; cinco placas em alto-relevo representando a evolução tectônica do planeta Terra; dois globos táteis, um com os continentes da Terra em alto-relevo e outro com o interior do planeta e uma caixa simulando o nascer e o pôr do Sol (dia e noite).


A professora especializada Rosane Tristão, responsável por desenvolver o projeto, destacou a importância da iniciativa. 


“Não adianta nós termos um espaço acessível, com rampa, por exemplo, se o conhecimento não é acessível a todos”, disse. 


Ela contou que tudo foi muito bem pensado para que os visitantes pudessem compreender a sessão em sua totalidade.  


"Esses conteúdos precisaram ser adaptados para que cegos e deficientes visuais pudessem acompanhar a sessão junto de quem é vidente. 


O maior desafio foi adaptar as informações sobre astronomia que são projetadas no teto da cúpula e no teatro de sombras em objetos táteis", contou.


Inquieto, o simpático Leandro Alves, de 16 anos, nem parece ter deficiência visual. Enquanto brincava e implicava com os demais colegas, ele contou que pertence ao grupo que ajudou a adaptar a sessão para os deficientes visuais. 


“Primeiro a gente participou da sessão não adaptada e aí fomos ajeitando, falando o que dava pra entender ou não. Agora, depois de adaptado, tá cheio de coisa que antes a gente não tinha como entender”, disse.


Para ele, a principal surpresa foi descobrir que da Terra só podemos ver uma “parte” da lua. 


“Peguei a lua (objeto pertencente à sessão que reproduz a forma e a textura do satélite) e vi que de um lado ela era toda irregular, cheia de buracos. De outro, estava lisa. Perguntei e aí me explicaram que é porque só dá para ver um lado da lua”, explicou.


Para Pedro Henrique, de 14 anos, a experiência ajudou a entender melhor o que ele já aprende em sala de aula. 


“Antes não tinha como saber direito como é. Na sessão adaptada dá pra entender, então vou chegar na escola e ter um entendimento melhor”, contou.  


Rafaela da Silva, de 14 anos, tem baixa visão, pois enxerga apenas com um dos olhos, e contou com as maquetes para ativar a memória. “Não lembrava que a lua tinha quatro fases”, disse, referindo-se às diferentes formas da lua, que foram exemplificadas em uma espécie de painel em alto relevo.


A pedagoga Bernardete Sessa, que é voluntária no Instituto Braile, ressaltou a função do projeto. “Tem uma importância fundamental na inclusão. Em muitos casos, a inclusão total ainda está muito longe de existir”, disse.


Fonte: G1