6 de ago. de 2014

Seleção Brasileira de natação paralímpica disputa Parapan-Pacific em Pasadena, Estados Unidos

Foto de Daniel Dias, competidor brasileiro


Com força máxima, a Seleção Brasileira de Natação Paralímpica compete a partir desta quarta-feira, 6, no Parapan-Pacific


O evento disputado em Pasadena, Estados Unidos, é o principal da temporada. Sediado no Rose Bowl Aquatic Center, a competição contará com a presença de 25 nadadores do país. Entre eles, nomes como Daniel Dias e Andre Brasil, multimedalhistas em Jogos Paralímpicos.


O Parapan-Pacific tornou-se o evento mais importante para os atletas e para a comissão técnica brasileira em 2014, uma vez que esta é uma temporada em que não haverá Mundial ou Jogos Paralímpicos. 


Por conta deste cenário, os nadadores foram preparados para estarem no auge da forma neste início do mês de agosto. Assim, segundo o técnico-chefe da natação brasileira, Leonardo Tomasello, a expectativa por marcas expressivas e bons resultados é grande.


"Estabelecemos o Parapan-Pacific como meta do ano e estão todos muito bem preparados. Os treinamentos estão intensos como se fossem treinos para um Mundial. É uma competição muito forte, com a seleção americana completa, com australianos, ou seja, um bom nível técnico", disse o treinador, que coloca a competição como chave para a sequência da trajetória até os Jogos Paralímpicos Rio-2016.


"Em um ano sem Mundial ou Parapan, resolvemos aproveitar para fazer avaliações. Avaliamos os atletas no Brasil e internacionalmente também. O Parapan-Pacific vai contar como parte da avaliação. Queremos ver como os atletas se saem com esta responsabilidade de metas e índices para compor a Seleção", concluiu Tomasello.


Atleta mais laureado da Seleção, Daniel Dias cairá na água em quatro provas pela classe S5: 50m borboleta, 200m livre, 50m livre e 100m livre. Ele ainda deixa aberta a possibilidade de nadar os 100m peito, nos quais está inscrito. 


Andre Brasil, por sua vez, tem também quatro provas em sua mira para esta competição: 100m borboleta, 50m livre, 100m livre e 100m costas, todas pela classe S10.


"Eu acho que podemos esperar marcas muito boas em Pasadena, porque o foco da temporada é o Parapan-Pacific. Competimos em uma piscina aberta em São Paulo, assim como será na Califórnia. Só faltam alguns ajustes para que cheguemos lá 100% e busquemos os melhores resultados", disse Andre Brasil.


Por se tratar da maior competição do ano na natação paralímpica, o Parapan-Pacific contará com a presença dos principais atletas da modalidade. Daniel Dias, por exemplo, contará com a concorrência do americano Roy Perkins em sua classe. O mesmo valerá para Andre Brasil, que enfrentará o canadense Benoit Huot.


Outro incentivo para os atletas brasileiros é a oportunidade de alcançar os índices para a manutenção de lugar na Seleção. 


O time nacional para 2015 seguirá com 25 vagas, as quais serão preenchidas de acordo com a colocação no ranking mundial da natação do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, em inglês). 


Irão se classificar os atletas que estiveram na primeira, segunda ou terceira posição no ranking no maior número possível de provas. A data-limite para obtenção das marcas é 30 de setembro.


"No Parapan-Pacific, vamos começar a tentar esse índice para seguir na Seleção. Os tempos são bem fortes e isso é bom. Alguns índices são mais baixos que recordes brasileiros e, para este ano, que não temos Mundial, esta é uma boa meta para manter todo mundo focado no objetivo", disse Susana Schnarndorf, que nadará nos 50m livre, 100m peito, 200m medley e 400m livre da classe S6.


As eliminatórias do Parapan-Pacific ocorrerão às 9h30 (horário local, 13h30 de Brasília). Já as finais serão disputadas às 18h (22h de Brasília).


Fonte: Vida Mais Livre

5 de ago. de 2014

Projeto Experimentando Diferenças volta a São Paulo a partir dessa semana

Foto do logo do projeto


De volta a São Paulo, o Projeto Experimentando Diferenças estará no Shopping Eldorado, que fica na Zona Sul da capital paulista, entre 6 e 17 de agosto. 


A iniciativa promoverá práticas esportivas paralímpicas entre os frequentadores do shopping, como futebol com os olhos vendados e corrida de cadeira de rodas. O acesso às atividades é gratuito.


O projeto foi criado no ano passado com a proposta de sensibilizar o público para as conquistas e o valor do atleta paralímpico no país, já com vistas aos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. 


Consiste em levar às grandes cidades do país atividades esportivas desafiadoras, realizadas em uma arena montada em shoppings centers. 


Nesse ambiente, monitores ensinam, por exemplo, o público visitante a jogar futebol com os olhos vendados e com uma bola sonora, basquete em uma cadeira de rodas, além de games com simulação virtual de corrida e handbike, dentre outras modalidades do esporte adaptado.


De quinta a domingo, 7 a 10 de agosto, um atleta campeão mundial paralímpico participará das simulações, no periodo das 17h às 21h. No último fim de semana, dias 16 e 17 de agosto, o evento contará com a presença do tetracampeão mundial de paracanoagem Fernando Fernandes. 


A iniciativa tem a chancela do Comitê Paralímpico Brasileiro e é patrocinada pela Caixa Loterias. De caráter itinerante, o Experimentando Diferenças já montou sua arena cenográfica em shoppings de Salvador, Recife, Natal, Curitiba, Brasília e do Rio de Janeiro.


“Muita gente não sabe, mas nesta ‘Copa do Mundo’ o Brasil é campeão imbatível no futebol há 13 anos. Troféus e títulos no basquete, judô, canoagem, atletismo, dentre outras modalidades esportivas, são conquistas dos atletas brasileiros há muito tempo. Mas enquanto na Europa, por exemplo, eles são reconhecidos, no Brasil eles ainda não são populares. Nosso sonho é que os Jogos Paralímpicos ganhem também o coração da torcida brasileira”, diz Fernando Rigo, idealizador do projeto.


O projeto, que vem a São Paulo pela segunda vez, ficará instalado na praça de eventos do Shopping Eldorado, de 6 a 17 de agosto. Para os atletas envolvidos, o contato com um público cada vez mais abrangente é bastante gratificante e motivador. 


“É um trabalho de divulgação que mexe com as pessoas. Elas saem com outra perspectiva do atleta paralímpico”, avalia Ricardo Alves, o Ricardinho da Seleção Brasileira de futebol de 5, considerado internacionalmente como o “Messi” da categoria.


Cerca de 5 mil pessoas já aceitaram o desafio para sentir-se na pele de uma pessoa com deficiência e que pratica esportes. Os materiais esportivos utilizados no Experimentando Diferenças são os mesmos usados por atletas profissionais, de modo a assegurar o padrão de qualidade exigido pela categoria.


Em sua 15ª edição, com um cronograma que se estenderá até 2015, o projeto tem conseguido atingir o objetivo de dar visibilidade aos esportes adaptados para pessoas com deficiência e de sensibilizar o público, aumentando seu interesse pelos Jogos Paralímpicos do Rio-2016. 


 Afinal, tudo o que nossos atletas precisam é contar com o carinho da torcida brasileira. Uma torcida à altura dos desafios que eles vêm enfrentando para fazer bonito em 2016.

Exposição fotográfica
 

Como parte do projeto, a mostra Caravana Vencedores exibe 60 imagens do fotógrafo Sérgio Dutti, que retratam a preparação e o desempenho dos atletas brasileiros nos Jogos Paralímpicos de Londres. Dutti, vencedor dos prêmios Vladimir Herzog e Abril de Fotojornalismo, expõe parte das fotos publicadas no livro Vencedores.




Igreja terá acessibilidade para pessoas com deficiência após ação

Foto da Igreja Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe


A pedido do Ministério Público Federal em Sergipe (MPF/SE), a 7ª Vara da Justiça Federal de Sergipe, em Estância, condenou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Diocese de Estância a reformar a Igreja Nossa Senhora do Socorro, em Tomar do Geru. A medida tem como objetivo garantir acessibilidade a pessoas com deficiência ao prédio.


De acordo com a ação, a Igreja Nossa Senhora do Socorro é um prédio tombado pelo patrimônio histórico e não apresenta condições para o livre trânsito dos cidadãos com limitações físicas, como pessoas com deficiência e idosos. 


Com esta ação e uma segunda, em tramitação na 1ª Vara da Justiça Federal, o MPF/SE pretende garantir a acessibilidade a pessoas com deficiência em todos os imóveis tombados no Estado.


De acordo com a assessoria de imprensa,o MPF destaca que o acesso aos bens culturais e ao patrimônio histórico é um direito fundamental que deve ser garantido a todos, através do acesso livre aos visitantes. 


Na ação, o MPF também destaca que a reforma de um prédio tombado para se adequar às regras da acessibilidade deve ser realizada levando em consideração a preservação do patrimônio. Para isso, devem ser realizados estudos prévios das alterações, com supervisão e aprovação do Iphan.


O Iphan e a Diocese têm 180 dias para concluir a reforma. Em caso de descumprimento do prazo, a Justiça Federal determinou multa diária no valor de R$ 500. A decisão pode ser recorridas.


Representantes do Iphan e da Diocese não foram encontrados pelo G1 para comentar a descisão da Justiça.


Fonte: G1


Rotina é ainda mais desafiadora para mulheres com deficiência

Foto de Janaína Aguilera em sua cadeira de rodas
 
 
Ser mulher, por si só, é bastante trabalhoso, afinal é preciso se desdobrar em diversas funções no trabalho, em casa, com os filhos, nos estudos, entre outras atividades. 
 
 
Para as mulheres que possuem algum tipo de deficiência, a rotina é ainda mais desafiadora, já que, além de dar conta de tudo o que uma mulher costuma fazer, ainda precisam lidar diariamente com dificuldades de acessibilidade e com manifestações de preconceito.

 
Quem enfrenta estes problemas, mas mesmo assim não deixa de ter uma vida ativa é a atleta paralímpica de esgrima e diretora de esportes da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP), Janaína Aguilera, 25. Paraplégica há oito anos, após um acidente de carro que provocou uma lesão em sua medula, ela precisou se adaptar às limitações do seu corpo para poder voltar às atividades que uma jovem faz diariamente. 
 
 
“Eu era adolescente na época do acidente e por ter tido um excelente suporte durante minha reabilitação, consegui ter uma juventude normal. Mas isto infelizmente, não acontece com todas as pessoas”, avalia.

 
A jovem trabalha, faz faculdade e ainda mantêm suas atividades sociais - como sair com os amigos, frequentar shows, barzinhos e eventos culturais -, mas conta que apesar de bem resolvida, ainda sofre em algumas situações. 
 
 
“Já passei por problemas como dificuldade de acessibilidade em vários locais, preconceito e também enfrentei situações constrangedoras relacionadas à falta de preparo de algumas pessoas que trabalham com o público, como alguns cobradores e motoristas que ainda não são capacitados no trato com a pessoa com deficiência e no manejo do elevador instalado nos ônibus da cidade”, lamenta.

 
Para ela, o que falta é humanização. “As pessoas olham o tempo todo para a pessoa com deficiência, elas não estão acostumadas com quem é diferente. Por isso, não desisto de estar nos lugares, para naturalizar a questão e tentar de alguma forma, deixar um mundo melhor para quem está por vir”.

 
Defensora de seus direitos
 
 
Protagonista de uma história parecida com a de Janaína, a Secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba, Mirella Prosdocimo, é um exemplo de luta em prol das pessoas com deficiência. 
 
 
Ela também sofreu um acidente de carro aos 17 anos, mas no seu caso, a lesão na altura do pescoço paralisou os movimentos de pernas e braços, deixando Mirella tetraplégica.

 
Ela conta que antes do acidente não tinha nenhum contato com pessoas com deficiência e sua visão sobre a situação era igual a de muita gente que só acompanha o assunto à distância.
 
 
“Eu achava que quem tinha alguma deficiência era uma “pessoa coitadinha”, totalmente incapacitada. Era uma visão errada e preconceituosa, que ainda é comum entre as pessoas”, diz.

 
Desde o acidente, há 23 anos, Mirella passou por diversas situações que envolveram isolamento social, dependência da família, aceitação e reabilitação, a redescoberta de seus potenciais e de sua autoestima na época da faculdade, até chegar a condição atual de mulher bem sucedida e defensora de seus direitos. 
 
 
“Levei cerca de 10 anos para voltar a ser protagonista da minha vida. Quando voltei a estudar percebi que era capaz de produzir, fazer amigos e namorar”.

 
Ela acredita que o preconceito e falta de informação ainda são as piores barreiras enfrentadas por deficientes físicos, cegos, surdos ou com outros tipos de problema. 
 
 
“As pessoas geralmente não sabem como lidar com o deficiente. Ainda é comum alguém estender as mãos para me cumprimentar. Mas ao invés de ficar constrangida a pessoa poderia simplesmente pedir desculpas e me dar um beijo no rosto, lidando com a situação com normalidade”, explica.

 
De acordo com Mirella, uma saída para melhorar a convivência entre as pessoas é ensinar as crianças a lidar com os deficientes com naturalidade, chegando perto, perguntando e conhecendo. 
 
 
“Ter esta preocupação é importante, afinal, todos, ao envelhecer, poderão enfrentar algum tipo de dificuldade e limitação”, diz.

 
Especialista em inclusão, Mirella assumiu a Secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência em janeiro do ano passado e trabalha para promover ações educativas e de conscientização, com objetivo de trazer mais inclusão para os deficientes e capacitação para os agentes públicos. 
 
 
“Temos projetos em andamento em relação ao transporte de deficientes como o Ônibus Acesso, aumento da frota de táxis adaptados, adaptação dos espaços culturais da cidade e ações que melhorem as condições de empregabilidade dos deficientes, entre outros projetos”, apresenta.

 
Prática de esportes

 
Para ajudar outras pessoas com deficiência física durante o processo de reabilitação, o departamento de esportes da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP) oferece práticas de fisioterapia e de modalidades esportivas, entre elas o tênis de mesa, que possui vários atletas premiados e a esgrima em cadeira de rodas, esporte em que Janaína Aguilera é a número 1 no ranking brasileiro. 
 
 
Atualmente a ADFP conta com 50 atletas em cinco modalidades esportivas. “Para quem está em fase de reabilitação, o esporte é muito importante. Ele fortalece o corpo e faz com que a pessoa tenha capacidade de superar obstáculos, para enfrentar as atividades diárias, além de promover a socialização e a troca entre as pessoas”, explica Janaína. 





Estrelas têm dia de recordes na abertura da 1ª etapa nacional do Circuito Caixa Loterias

Foto de Terezinha correndo com seu guia


A elite do atletismo paralímpico nacional fez bonito neste sábado no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP), na Zona Sul de São Paulo


Destaque para Terezinha Guilhermina, que venceu os 100m rasos da classe T11 (cego total) e igualou o recorde mundial que pertencia a ela própria, com 12s01. 


A marca, contudo, não será homologada pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC), já que o vento estava acima do permitido no momento da realização da prova. 


Depois de quase quebrar o próprio recorde, a cega mais rápida do mundo voltou à pista, durante a tarde, para vencer mais uma prova na classe T11. Terezinha correu os 200m em 25s cravados e encerrou sua participação na 1ª etapa do Circuito com duas medalhas de ouro. 


“Eu ainda quero correr os 100m abaixo dos 12s, e quero que seja em breve”, comentou Terezinha momentos depois de receber a segunda medalha dourada do dia.


Outro destaque foi a jovem campeã mundial Verônica Hipólito, 18. Ela correu os 100m da classe T38 (paralisados cerebrais), levou o ouro, bateu o recorde brasileiro da prova e ainda ficou a apenas cinco centésimos do recorde mundial da distância. 


A atleta do SESI-SP percorreu a distância em 13s09, enquanto a marca mais rápida do mundo, que pertence a britânica Sophie Hahn, é de 13s04.


“No Mundial de Atletismo, em Lyon, no ano passado, tinha feito 13s19, que era o recorde brasileiro até agora. Hoje, meu treinador e eu percebemos que a saída não foi boa, fui a última a sair do bloco. Dei uma escorregadinha, mas consegui fazer uma boa recuperação e correr bem. Acredito que se eu não tivesse errado, teria feito abaixo de 13s”, comentou Verônica.


A atleta já correu a distância em 13s cravados em uma competição olímpica em junho deste ano. Segundo ela, nas disputas olímpicas, o nervosismo não a atrapalha e isso a leva a ter um desempenho melhor. 


“No olímpico, estou diminuindo bem meus tempos porque não me sinto com tanta responsabilidade quanto no paralímpico. Mas estou encaixando cada vez melhor, crescendo como atleta e como pessoa no paralímpico. Até o final do ano, faço 13s ou menos nos 100m. Quero o recorde mundial”, prometeu. 


Horas depois, foi a vez da paulista enfrentar o salto em distância. Apesar de não ser sua especialidade, cravou 4,49m e levou a segunda medalha de ouro do dia. 


“Não fui muito bem, mas foi suficiente para ganhar. Posso treinar mais e melhorar essa distância”, planejou.


O campeão paralímpico e mundial Alan Fonteles, classe T44 (biamputados), voltou às pistas e venceu com tranquilidade os 100m (11s50). Nos 200m – prova na qual brilhou em Londres-2012 e Lyon-2013 -, mais uma vez foi superior aos rivais. 


Com o tempo de 24s84, o paraense ficou quase um segundo à frente do segundo lugar e subiu no ponto mais alto do pódio pela segunda vez no dia.


Entre os atletas da classe T47 (amputados de membros superiores), a briga foi boa. O promissor paraibano Petrucio Ferreira, de apenas 17 anos, venceu o alagoano campeão paralímpico e mundial Yohansson Ferreira nos 100m por apenas sete centésimos de diferença. Petrucio completou em 10s96 – e bateu o recorde brasileiro que era de 10s97 desde 2003 – enquanto Yohansson fez a distância em 11s02. Na parte da tarde, os dois voltaram a se enfrentar nos 200m. Mais uma vez o paraibano foi o melhor e fechou a distância em 22s36, menos de três décimos à frente do campeão paralímpico. 


“Tive um dia bom. Achei legal correr tão forte e vencer um cara tão vitorioso quanto o Yohansson. E desta vez não teve mergulho”, brincou Petrucio, relembrando a vitória na mesma prova em abril, durante o Open Brasil, em São Paulo, quando tropeçou e caiu de peito no chão logo após cruzar a linha de chegada.


Outro recorde que chamou a atenção foi o do paulista André Luis da Rocha Andrade, do arremesso de peso, classe F54 (para cadeirantes). 


André alcançou a marca de 9,02m e estabeleceu o novo recorde das Américas. A marca anterior era de 8,61 e durava desde 2003.


Os competidores voltam à pista do COTP neste domingo, 3. Além das provas de campo, os corredores vão enfrentar as provas de 400m, 1500m e 10 mil metros. As disputas começam às 8h (horário de Brasília).


Os atletas ganharam o direito de fazer parte das etapas nacionais do Circuito nas fases regionais da competição ou nos eventos com chancela do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) na temporada de 2014. 


Os que lideram os respectivos rankings de suas classes já tinham o lugar previamente garantido.


Mais duas etapas nacionais do Circuito Caixa Loterias estão programadas para o segundo semestre. 


A próxima será disputada de 12 a 14 de setembro, também em São Paulo. Em novembro, de 14 a 16, os atletas fecham a temporada na 3ª etapa, em Fortaleza (CE).





4 de ago. de 2014

Preconceito dos professores impede inclusão de aluno com síndrome de Down, diz USP

Foto de Ana Luiza, aluna com síndrome de Down


Aos 9 anos, Ana Luiza cursa o terceiro ano do Ensino Fundamental, como qualquer criança da mesma idade. Apesar de ter Síndrome de Down, está matriculada em uma escola regular, como manda a lei, e recebe todo apoio da direção. 


Na sala dela, por exemplo, trabalham mais duas educadoras, além da professora. A mãe explica, porém, que todos os cuidados nem sempre garantem um tratamento igualitário. 


“A gente percebe que eles ainda não sabem lidar com o que é diferente, não agem com naturalidade”, diz a relações públicas Sheyla Dutra.


Ela parece ter razão. Um estudo desenvolvido na Escola de Enfermagem da USP em Ribeirão Preto (SP) aponta que a inserção de alunos com deficiência em escolas comuns não garante a inclusão na prática. 


Isso porque, o preconceito dos próprios professores faz com que o resultado seja justamente o inverso, o que a fonoaudióloga e pesquisadora Flávia Mendonça Luiz chama de “exclusão dentro da inclusão.”


Durante dois anos, Flávia se reuniu toda semana com 10 professores da rede municipal de Araraquara (SP) que lecionavam para crianças com Down. 


Os encontros surpreenderam a pesquisadora, ao constatar que os educadores têm uma concepção prévia de que crianças com deficiência não são capazes de aprender, principalmente aquelas com deficiência intelectual, como a Síndrome de Down. 


Apesar de a amostragem ser pequena - apenas 10 educadores -, Flávia explica que o resultado pode ser generalizado, por se tratar de uma questão cultural.


“Todos os professores da minha pesquisa neutralizavam as crianças em sala de aula, ou seja, davam um brinquedo a parte. Então, enquanto todos faziam uma atividade, em vez de a professora incluir a criança, usando outra estratégia, ela dava um brinquedo que a criança gostasse, ou uma folha sulfite e giz de cera. As professoras já têm isso como certo: criança com Down não aprende. Então, como ela faz para ensinar?”, questionou.
 

Discriminação
 

A mãe de Ana Luiza, a relações públicas Sheyla Dutra, concorda com a pesquisadora. Ela conta que tentou matricular a filha, sem sucesso, em 16 escolas regulares em Ribeirão Preto, entre públicas e particulares, antes de encontrar a atual instituição onde a garota estuda. 


“Cada uma respondia uma coisa para não recebê-la. Uma chegou ao absurdo de dizer: a gente pode até aceitar, mas não matricula de verdade, fica como aluno ouvinte.”


Atualmente, Ana recebe toda a atenção da professora e da direção do colégio, tem suas limitações respeitadas e participa das aulas como qualquer outro aluno. Mesmo assim, a mãe afirma que ainda percebe certas dificuldades por parte dos educadores. 


“Quando a criança sai um pouco do padrão, as professoras se sentem despreparadas. Eu peço para elas darem aula de olho fechado. Assim, não existe diferença entre os alunos”, diz Sheyla, que também é presidente de uma ONG de valorização da diversidade e ministra palestras sobre inclusão para educadores.
 

Novo olhar
 

A pesquisadora concorda que a formação dos professores tem como base o ensino para alunos que seguem o mesmo padrão de aprendizagem. Entretanto, explica que a questão transcende a graduação ou a capacitação dos profissionais. 


“A formação está diretamente ligada com a cultura. Precisa de outro currículo? Na verdade não, mas os professores acham que sim, porque eles dizem ‘eu não aprendi a ensinar crianças assim’. Na verdade, eles aprenderam a ensinar qualquer um. O problema está no preconceito, na bagagem cultural.”


Flávia reforça que o cuidador ou mediador, profissional destacado em sala de aula para auxiliar o aluno com deficiência, como previsto em lei federal, deve se preocupar também em não excluir ainda mais a criança com Down dos demais colegas. Segundo Flávia, este educador deve auxiliar o professor e não a criança.


“Não é apenas inserir um cuidador dentro da sala de aula ou mudar a política educacional. O que falta é um outro olhar. É olhar para a criança não pelas deficiências, mas pelas potencialidades. Por isso, os professores precisam refletir, ultrapassar essa esfera cognitiva, refletir sobre seus valores, crenças. Precisa haver um espaço para que esse tipo de debate ocorra. Isso é o que vai modificar a educação", conclui.


Fonte: G1



Jovem paranaense bate primeiro recorde brasileiro da carreira no Circuito Caixa Loterias e projeta Seleção Brasileira

Foto de Tisbe Andrade na piscina


A jovem nadadora Tisbe Andrade, 16 anos, estreou em 2012 como profissional no Circuito Caixa Loterias, mas neste domingo, 3, em São Paulo, alcançou o principal feito de sua carreira, até o momento, ao bater o recorde dos 50m costas, classe S5 durante a primeira etapa nacional da principal competição paralímpica nacional de atletismo e natação


 A paranaense nadou a distância em 58s81 e superou a marca que já durava quase dois anos. O Circuito começou no sábado, 2, e terminou neste domingo. Ao todo, mais de 500 atletas competiram em provas de atletismo e natação.


Tisbe teve um fim de semana vitorioso na competição e vai voltar para Curitiba com duas medalhas no peito - além da medalha de ouro nos 50m costas, ainda ficou com o bronze nos 200m livre. 


“Valeu a pena treinar em alguns sábados, abrir mão de diversão com os amigos. Gostei do que fiz aqui hoje”, conta a jovem.


 A curitibana agora pretende se manter como a mais rápida da prova, mas também quer aparecer, no futuro, na lista de convocados para a Seleção Brasileira. 


“Não quero pular etapas, mas vou cumprindo minhas metas, fazendo meus tempos e os resultados vão me levar à seleção”, projeta.


A nadadora nasceu com uma doença conhecida como artrogripose e, por isso, sofre com atrofia muscular e tem a mobilidade reduzida por ter as articulações rígidas nos braços e nas pernas. 


“Desde que nasci, já passei por cirurgias para mexer as pernas, usei gesso, fiz fisioterapia e tudo que pude para me mover”, resume a atleta.


A história na natação começou em 2010, quando a fisioterapeuta sugeriu a modalidade para melhorar os movimentos dos membros. Em Curitiba, procurou um local para praticar o esporte e encontrou Rui Menslin, um dos técnicos da Seleção Brasileira de natação paralímpica atualmente. “No dia que fui conhecer o local, ele [Rui] me falou que treinava atletas de ponta, para competir. Fiquei meio nervosa, mas segui no esporte”, relembra. Um ano depois, em 2011, Tisbe competiu nas Paralimpíadas Escolares para, em 2012, ser inscrita no Circuito Caixa Loterias.


Além da paranaense, outros atletas brilharam na piscina do Sport Club Corinthians Paulista. A campeã mundial Susana Schnarndorf venceu os 100m peito SB6 (prova na qual se consagrou no Mundial de Montreal-2013). Edênia Garcia foi a mais rápida nos 50m costas S4. Verônica Almeida fechou os 100m peito SB7 em primeiro. Entre os homens, a classe S9 teve Andrey Garbe na ponta nos 100m costas e Vanilton Nascimento como vencedor dos 100m livre. Na S10, Phelipe Rodrigues foi o mais rápido nos 100m livre. Ao todo, 24 novos recordes foram anotados durante o fim de semana de competição.


No atletismo, na pista do COTP, destaque para o jovem velocista e saltador Diogo Ualisson Jerônimo da Silva, que conquistou dois ouros (100m, com 11s45, e 200m, com 23s29) e uma prata no salto em distância (5,83m). Aos 21 anos, o carioca já ocupa um lugar importante no atletismo paralímpico. Atleta de baixa visão, Diogo faz parte da nova geração de competidores da classe T12, categoria em que o Brasil ainda não briga por medalhas nos Jogos Paralímpicos.


“Essa nova leva de atletas jovens tem velocistas muito bons na classe T12, como o Diogo. Ele está se aproximando do alto nível e é uma realidade para 2016. Em breve, teremos na classe T12 uma condição similar à da classe T11 (cego total), onde podemos contar com excelentes atletas, como os medalhistas mundiais e paralímpicos Lucas Prado, Daniel Mendes e Felipe Gomes. Isso significa não só mais medalhas para o Brasil, como também mais opções de atletas para o revezamento”, explica Ciro Winckler, coordenador de atletismo do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).


Diogo nasceu com baixa visão e com seis dedos em cada mão devido à rubéola contraída pela mãe ainda na gravidez. Os dedos extras se foram com uma cirurgia, mas a baixa visão não teve como ser revertida. Aluno do Instituto Benjamin Constant, o carioca conheceu o atletismo para cegos por um amigo da escola e começou a praticar em 2009.


Em 2012, entrou para a Seleção de jovens do Brasil. Neste ano, sua maior meta é bater o atual recorde brasileiro nos 100m T12, que pertence a Pedro Cézar da Silva Moraes desde 2007. 


A marca de Pedro é de 11s09, já o melhor tempo de Diogo é 11s20, feito no Open Internacional Caixa Loterias, em abril deste ano. 


“Acredito que consigo bater esse recorde, sim, até o final do ano. Ainda tenho mais duas etapas do Circuito Caixa neste ano. Se eu baixar meu tempo, já entro para o hall dos melhores atletas do mundo na minha classe, o que me colocaria em uma provável final paralímpica. Sei que tem muito chão até 2016, mas já quero figurar entre os melhores”, projeta.


Depois de quase bater o recorde mundial nos 100m T38 no sábado, 2, e faturar um ouro no salto em distância, a jovem Verônica Hipólito conquistou mais um primeiro lugar neste domingo, 3. Desta vez, nos 400m, com 1min06s59. Nos 400m T11, Lucas Prado queimou a largada e não competiu. 


O campeão da prova foi o atual campeão mundial na distância, Daniel Mendes, com 51s62. Com duas pratas no sábado, nos 100m e nos 200m, Yohansson do Nascimento voltou às pistas para os 400m T47 e também terminou em segundo, atrás de Emicarlo Souza.      
 

No atletismo, 33 recordes brasileiros e 15 recordes das Américas foram batidos na 1ª etapa nacional do Circuito Caixa Loterias. Somados aos da natação, foram 72 recordes, no total, durante o fim de semana.


Os atletas ganharam o direito de fazer parte das etapas nacionais do Circuito nas fases regionais da competição ou nos eventos com chancela do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) na temporada de 2014. Os que lideram os respectivos rankings de suas classes já tinham o lugar previamente garantido.


Mais duas etapas nacionais do Circuito Caixa Loterias estão programadas para o segundo semestre. 


A próxima será disputada de 12 a 14 de setembro, também em São Paulo. Em novembro, de 14 a 16, os atletas fecham a temporada na 3ª etapa, em Fortaleza (CE).