29 de set. de 2014

Renata, uma história de inclusão das crianças com síndrome de Down na escola

Foto de Renata sorrindo


Personagem principal do documentário Outro Olhar, lançado na última terça-feira (23), a gaúcha Renata Basso, de 19 anos, é uma das poucas jovens com síndrome de Down de Santa Maria, Rio Grande do Sul, que se formou no ensino médio depois de estudar em escolas públicas a vida toda.


Retratando os desafios da educação inclusiva no País, o filme mostra como Renata quebrou paradigmas em sua cidade e se tornou um exemplo para outras crianças com alguma deficiência.


Entrei em uma escola pública quando tinha seis anos. Nunca frequentei outro tipo de colégio. A primeira lembrança que tenho é que me dava muito bem com as minhas amigas, nunca me senti excluída. 


Roseane Basso, irmã da jovem, contou que a família foi aconselhada a incluir Renata em atividades com outras crianças que não tinham deficiência.
  

Minha mãe foi aconselhada por  um grupo de professoras da Universidade Federal de Santa Maria a colocá-la em uma escola pública. A universidade ofereceu acompanhamento especial para Renata durante todo o ensino fundamental.


Renata foi alfabetizada aos oito anos e acompanhava bem a turma, mesmo assim, conta que o ensino médio foi um período especialmente desgastante. Na mudança de escola, a jovem perdeu o acompanhamento especial e teve que lidar com outros desafios.


A escola era muito grande e eu imaginava que não conseguiria fazer muitos amigos, mas pedi para entrar nos grupos e consegui. Tinha algumas aulas que eu não era capaz de acompanhar bem, mas outras, como biologia, eram bem legais porque a professora explicava tudo bem explicadinho para mim.


Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, que patrocinou o filme, comenta que o desafio da educação inclusiva no ensino médio é ainda maior do que na etapa do fundamental.


Segundo ele, inadequação da estrutura atual da escola, voltada para um ideal de aluno e não para atender à singularidade de cada um deles, vai desde o currículo até a infraestrutura e arquitetura da escola, passando pela formação de professores e gestores.


A educação inclusiva nos obriga a repensar o ensino como um todo. No que se refere ao currículo, precisamos pensar o que é necessário que as crianças e jovens aprendam para a vida. 


Além disso, são necessárias políticas públicas para formação dos professores e para apoiar os gestores e as famílias para a garantia da educação inclusiva nas escolas públicas.


O Colégio Estadual Coronel Pilar, onde Renata estudou, se tornou referência em educação inclusiva.  


Em 1993 a instituição recebeu o primeiro aluno cego em uma classe de ensino regular, reconheceu a importância social e aceitou o desafio pedagógico de ter salas de aula mais plurais quando tais práticas ainda eram absolutamente incipientes e experimentais na educação brasileira.


Outro Olhar


A apresentação do documentário acontece às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na avenida Paulista. 


O evento também terá um debate, que contará com a participação de Henriques, do diretor geral do Instituto Rodrigo Mendes, Rodrigo Mendes e de Liliane Garcez, mestre em educação e assessora especial da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo.



Fonte: R7



Inscrições online para as Paralimpíadas Escolares de 2014 vão até hoje

Menina corre em prova de atletismo


O Comitê Paralímpico Brasileiro, por meio de seu Departamento Técnico, está com inscrições abertas para as Paralimpíadas Escolares de 2014. O evento ocorrerá entre os dias 24 e 29 de novembro, em São Paulo. 


O processo pode ser feito pelo site www.cpbescolar.org.br e o prazo final para o registro é o dia 29 de setembro. Login e senha para acesso à página já foram enviados aos chefes de delegação de cada estado.


Na natação e no atletismo, há a possibilidade de inscrever quatro atletas com deficiência física, desde que se obedeça também a inscrição de um deficiente visual e um intelectual – totalizando o limite de seis por estado. O regulamento completo pode ser encontrado em anexo.


É necessário que se verifique, na página, se há mais de um cadastro feito para um determinado atleta. Em caso positivo, é preciso que seja apagado o registro a mais a fim de facilitar o processo de inscrição. 


No ato do cadastro, é preciso utilizar os filtros por modalidade, categoria, tipo de deficiência e gênero do atleta. Recomenda-se, também, que os registros sejam iniciados pelos participantes do sexo feminino.


É pedido também para que haja a conferência dos dados do atleta caso ele não seja localizado na inscrição. 


Além disso, o atleta pode não ser localizado caso tenha sido cadastrado em outra modalidade, uma vez que o regulamento não permite que ele esteja em duas distintas.


Por fim, é necessário enviar os laudos psicológicos dos atletas com deficiência intelectual até o fim das inscrições. 


Caso o atleta já tenha apresentado tal laudo anteriormente, é preciso entrar em contato com a ABDEM para confirmar a respectiva elegibilidade. 


O mesmo prazo – até o término das inscrições – é válido para os formulários de classificação oftalmológica.


Dúvidas podem ser sanadas no e-mail cpbescolar@cpb.org.br .


Fonte: CPB


26 de set. de 2014

Agentes de saúde ajudarão a matricular pessoas com deficiência em cursos em SC

Foto de carteiras de trabalho
Agentes comunitários do Programa Saúde da Família farão a pré-matrícula de pessoas com deficiência interessadas em ingressar em um dos cursos gratuitos do programa nacional de qualificação profissional em nove cidades catarinenses. 


A iniciativa inédita tem como principal objetivo sensibilizar os familiares de pessoas com deficiência quanto às oportunidades de qualificação profissional para esse público, utilizando a relação de confiança que os agentes estabelecem com a comunidade que atendem. Com isso, espera-se aumentar o número de matrículas na região.




“É uma estratégia para superar uma das principais barreiras que encontramos”, explica Marcondes Marchetti, gestor estadual do Plano Nacional de Atenção à Pessoa com Deficiência em Santa Catarina. 


"Uma vez que os familiares confiam na figura do agente de saúde, percebemos que ele pode ser um meio de informação e sensibilização para essa população."


Com a articulação, o agente comunitário de saúde fará a identificação, diagnóstico, orientação e encaminhamento de pessoas com deficiência aptas a ingressar em cursos do programa. 


Posteriormente, um técnico do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) da cidade irá à residência para efetivar a matrícula no curso desejado e avisar sobre o início das aulas.


A iniciativa está em implantação na capital catarinense, Florianópolis, e nos municípios de Palhoça, Brusque, São José, Criciúma, Joinville, Blumenau, Lajes e Chapecó.


“Devemos realizar um trabalho forte de conscientização das famílias, porque a inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho é, inclusive, uma questão de saúde, ressalta Antônio Nunes, diretor de Emprego e Renda da Secretaria de Assistência Social do município de Palhoça. "A inserção social é algo positivo para o desenvolvimento humano.”





Concerto Inclusivo leva música clássica a pessoas com e sem deficiência em São Paulo

Foto do Concerto e da plateia


O mês de setembro é importante para as pessoas com deficiência, já que no dia 21 é celebrado o Dia Nacional de Luta pelos seus Direitos


Em comemoração à data, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, promoveu o Concerto Inclusivo com a Orquestra Experimental de Repertório do Theatro Municipal


Na plateia na Praça das Artes haviam pessoas com e sem deficiência, sendo a maioria crianças e adolescentes moradores de abrigos ou atendidos por projetos sociais. 


Destaque também para a participação de alunos surdos das escolas municipais, que puderam acompanhar a programação no meio dos músicos, sentindo as vibrações dos instrumentos.


A ação fez parte do Projeto São Paulo Mais Inclusiva, que reúne uma série de programações inclusivas que acontecem ao longo do mês na cidade, promovidas por diversos órgãos da Prefeitura. 


"Isso é inclusão. Todo mundo misturado, junto, em um momento de festa. Pessoas com deficiência e pessoas sem deficiência, sem nenhuma distinção entre elas. Esse foi um concerto feito para todos. As pessoas com deficiência visual também participaram, já que o maestro foi descrevendo cada parte do concerto", destacou Marianne Pinotti, secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida.


Presente também ao Concerto, a primeira-dama e coordenadora do programa São Paulo Carinhosa, Ana Estela Haddad, falou sobre a diversidade humana. 


“Quando a gente faz a inclusão, toda a sociedade ganha muito. Ganha aprendendo com a diversidade. É um enorme, fantástico e rico aprendizado a gente ver que a diversidade não representa deficiências, mas diferenças que nos enriquecem”.


Para aproximar a plateia da música clássica, o maestro Carlos Moreno fez uma introdução explicativa sobre cada grupo de músicos e convidou os surdos e as pessoas em cadeira de rodas para acompanharam a execução das obras do meio da Orquestra. 


“Estamos muito contentes com a presença de vocês aqui, apresentando um projeto que nasceu de um sonho. É uma alegria estar aqui hoje compartilhando um pouco dessa arte”, comentou. Na programação, obras de Beethoven, Tchaikovsky e Strauss.


Entre os que puderam assistir ao Concerto no meio da Orquestra, Guilherme Ueda, de 16 anos e que tem uma síndrome chamada de Angelman. Ele fez questão de ficar entre os violinistas e flautistas. 


“O Guilherme tem contato com música clássica desde pequeno e adora. Foi uma apresentação maravilhosa e mais incrível ainda assistindo aqui do meio, ao lado dos instrumentistas, sentindo a vibração do chão. Foi um momento de enorme a alegria para o Guilherme”, confessou a sua mãe, Adriana Ueda.


Elaine Santos, que é instrutora do abrigo “Nova Era”, conveniado com a Prefeitura, comentou que foi a primeira vez que as crianças tiveram contato com esse tipo de música. “Me surpreendi, porque todos ficaram bem concentrados na hora da apresentação”, confessou.


E. P., de 12 anos, usa cadeira de rodas e vive no abrigo Raízes da Vida, de São Miguel Paulista. "Nunca tinha visto uma orquestra antes. Gostei bastante. O que mais chamou a minha atenção foi a harpa. Nunca tinha visto uma dessas na vida, nem sabia que existia", surpreendeu-se.


A realização do Concerto Inclusivo contou também com o com o apoio das Secretariais Municipais de Educação; de Assistência e Desenvolvimento Social; e de Cultura, que fazem parte do Plano Municipal de Ações Articuladas para Pessoas com Deficiência - São Paulo Mais Inclusiva.

Setembro Mais Inclusivo
 
O Dia Nacional de Luta Pelos Direitos das Pessoas com Deficiência foi definido por movimentos sociais em um encontro nacional em 1982 e oficializada com a Lei Federal nº 11.133, de 14 de julho de 2005. 


O dia 21 do mês de setembro foi escolhido pela proximidade da primavera e dia da árvore; representando o nascimento das reivindicações de cidadania e participação plena em igualdade de condições. 


Em comemoração a esta data, a Prefeitura de São Paulo está promovendo durante todo o mês uma série de atividades inclusivas em esporte, música, artes e cultura em geral. 


Para conhecer toda a programação do Setembro Mais Inclusivo, acesse: www.prefeitura.sp.gov.br/pessoacomdeficiencia



Pessoas com deficiência desfilam pela primeira vez em passarela de Fortaleza, CE

Foto de um cadeirante na passarela


Quinze pessoas com deficiência participaram de uma experiência diferente na última quarta-feira (24) em Fortaleza


O grupo desfilou pela primeira vez em uma passerela de moda com uma coleção de roupas feitas exclusivamente para ele. 


O desfile, realizado pelo Centro de Profissionalização Inclusiva para a Pessoa com Deficiência (Cepid) fez parte da programação do Ceará Summer Fashion.


Em parceria com agência, o Cepid selecionou os modelos para o evento, todos com algum tipo de deficiência. 


Uma turma de 45 alunos participou do curso de modelo e manequim. Quinze deles foram escolhidos para desfilar nesta quarta-feira (24), entre ele, pessoas com deficiência visual, cadeirantes e pessoas com síndrome de down. Também foram realizados cursos de maquiagem e fotografia.


A cadeirante Shirley Kátia foi uma das modelos do desfile. "Foi uma experiência muito maravilhosa. Como é a primeira vez, é muito diferente. Eu não imaginava que um deficiente poderia desfilar em uma passarela", disse.


As roupas apresentadas no desfile são o resultado do 1º Concurso Ceará Moda Acessível. Doze estudantes de instituições técnicas ou de ensino superior e profissionais formados na área de moda participaram do concurso, dos quais oito tiveram trabalhos selecionados. 


"A gente notava que o mundo da moda estava sempre à parte dessa inclusão profissional. Nós lançamos o concurso em que estilistas pensassem o conceito de moda dentro da acessibilidade", afirma a coordenadora do Cepid, Regina Tahim.


Fonte: G1


Projeto leva espetáculos para pessoas com deficiência na Bahia

Foto do espetáculo do Bando de Teatro Olodum


Para marcar a passagem do Dia Nacional dos Surdos, estreia nesta sexta-feira, 26, o projeto Teatro para Sentir, na Bahia


A primeira atração é o espetáculo "Relato de uma guerra que (não) acabou", do Bando de Teatro Olodum, que segue em cartaz até domingo, 28, no Teatro Vila Velha. A programação é aberta ao público e tem ingressos gratuitos para pessoas com deficiência.


Ao todo, são 10 sessões de duas montagens adultas e uma infantil, que contam com o recurso de audiodescrição e tradução na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras)


 Além de assistir às apresentações, os interessados podem realizar visitas guiadas para conhecer o palco, o cenário e os personagens. Quem não possuir deficiência auditiva ou visual também pode participar com os olhos vendados.


Além da peça de estreia, também serão encenadas a remontagem "A mulher como campo de batalha", com texto do romeno Matéi Visniec e direção de Márcio Meirelles, e "Bonde dos ratinhos", infantil escrito pelo baiano Isac Tufi com direção de Zeca de Abreu.


A programação segue até 19 de outubro. Confira abaixo os horários e dias das sessões:

Relato de uma guerra que (não) acabou - Bando de Teatro Olodum
 
A montagem é baseada em vivências de violência no cotidiano de moradores da periferia da capital baiana durante greves das polícias da Bahia.
 
Dias:26, 27 e 28 de setembro 

Horários: sexta e sábado às 20h e domingo às 19h


A mulher como campo de batalha - Universidade Livre de Teatro Vila Velha
 
Duas mulheres se encontram depois de conflito na Bósnia. Uma médica norte-americana e uma mulher violentada tentam contar suas histórias e encontrar forças para continuar suas trajetórias. 

Dias: 07, 08 e 09 de outubro 

Horário: às 20h


Bonde dos ratinhos - Universidade Livre de Teatro Vila Velha
 
Três ratinhos em busca de diversão decidem ir ao shopping. O que a princípio parecia um simples passeio se transforma numa grande aventura.
 
Dias: 11, 12, 18 e 19 de outubro 

Horários: sábados, às 16h, e domingos, às 11h






25 de set. de 2014

Mecânico cria bicicletas adaptáveis para deficientes visuais e cadeirantes



É num surrado caderninho de anotações que o mecânico de bicicletas Adalberto Fortes, 49 anos, do Bairro Sítio dos Açudes, em Alvorada, dá vida a invenções que levam sorrisos a dezenas de pessoas. 


Da mente e das mãos dele surgem bicicletas mágicas, capazes de movimentar quem é impedido no dia a dia. Adaptáveis e produzidas com material reciclado, elas permitem que deficientes visuais e cadeirantes pedalem pelas ruas.


Conhecido como Mágico das Bicicletas, Adalberto iniciou os trabalhos há cerca de quatro anos, motivado por uma ONG da cidade. Um protótipo foi criado unindo duas bicicletas com uma barra de ferro.


Juntas, elas permitem que o deficiente visual possa andar acompanhado de um ciclista. E ainda ajudo o meio ambiente, usando barras de ferro recicláveis — explica Adalberto.


Prêmio para a vida
 

Mas a dupla de bicicletas foi só o começo. Com parte de outras cinco, uma cama de ferro e um rack de televisão, Adalberto construiu uma para cadeirantes — onde os pedais são com as mãos. E ele foi além. 


Como a primeira deu certo, melhorou o próprio protótipo, mais leve e menos complicado. Desta vez, partes da churrasqueira do mecânico foram usadas para prender a cadeira do ciclista especial.


Me sinto ganhando um prêmio ao realizar a felicidade de alguém — afirma.


Mesmo mantendo a oficina mecânica no Sítio dos Açudes, Adalberto encontra tempo para trabalhos voluntários com ongs especializadas em deficientes. 


Neste mês, ele está construindo gratuitamente seis pares de bikes para a Associação das Pessoas com Deficiência Visual e Amigos de Gravataí.
 
 
O pai, Antônio Fortes, morto no ano passado, era um mecânico de carros conhecido em Cachoeirinha, onde a família morava, por construir gratuitamente carrinhos para catadores de recicláveis. Adalberto acredita que tenha herdado do patriarca o gosto pelo trabalho.


Mas, se hoje Adalberto leva magia a outras pessoas, durante mais de dez anos foi o mecânico quem precisou dela para deixar o álcool. 


Dos 18 aos 30 anos, quando morava em Cachoeirinha, enfrentou a dependência e se afastou até da família. Neste período, ganhou o apelido de “mágico”, por fazer brincadeiras de magia com os amigos dependentes.


 Por causa da cachaça, dormia embaixo da ponte do Rio Gravataí com outros dependentes químicos. Numa noite, desesperado para deixar o álcool, olhei para o céu estrelado e pedi a Deus que me ajudasse a sair daquela vida — revela.


Emocionado, recorda que a partir daquela data decidiu que se mudaria para o sítio da família, em Alvorada, e começaria a trabalhar com bicicletas.


Nunca mais bebi e nunca mais parei de trabalhar. Só me dá vontade de fazer mais quando vejo a felicidade de uma criança sem as duas pernas andando numa bicicleta fabricada por mim — finaliza.


Fonte - Zero Hora