25 de mar. de 2014

Experiência completa para pessoas com deficiência visual

Logotipo da Copa do Mundo no Brasil



“Para que uma pessoa com deficiência visual tenha a experiência completa em um estádio de futebol, ela precisa entender o que acontece no gramado e ao seu redor.


” Foi com essas palavras de Joyce Cook, diretora geral do Centro de Acesso ao Futebol na Europa (Centre for Access to Football in Europe - CAFE), que a Copa do Mundo da FIFA 2014 deu o pontapé inicial na parte prática de um projeto inovador no Brasil.
 
Preocupados em melhorar a experiência de cegos e pessoas com baixa visão nos estádios, a FIFA e o COL oferecerão um serviço pioneiro de narração audiodescritiva em quatro estádios da Copa do Mundo da FIFA no Brasil. Nesta quarta-feira, no estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, foi iniciado o seminário de treinamento de narradores voluntários.
 
A audiodescrição é semelhante à narração de rádio, mas com ênfase na experiência do estádio. O narrador especialmente treinado fornece uma descrição adicional de todas as informações visuais significativas, como linguagem corporal, expressão facial, entorno, lances, uniformes, cores e qualquer outro aspecto importante para transmitir a aparência e o ambiente do estádio.


“O serviço de audiodescrição fala como a torcida está se portando, quais são as brincadeiras, como o juiz corre… Algumas coisas que ninguém acha que são importantes, porque estão todos vendo”, diz Anderson Dias, presidente da Urece Esporte e Cultura para Cegos, ONG parceira da FIFA e do COL que trabalha com projetos especiais para pessoas com deficiência visual. 


“Na audiodescrição de avaliação de voluntários, ouvi o gol do Ronaldo na final da Copa do Mundo de 2002 e ouvi que o Oliver Kahn fica no chão, chateado, triste, e o Ronaldo sai comemorando de braços abertos. Isso se perde nas transmissões de TV e rádio”, completa Dias, que foi bicampeão mundial e campeão paralímpico de Futebol de 5 em Atenas 2004.
 

Convidado especial do primeiro dia do seminário, o árbitro Arnaldo Cézar Coelho, que comandou a final da Copa do Mundo da FIFA Espanha 1982, provocou risos na plateia ao revelar que já foi chamado de cego por muitos torcedores e se mostrou encantado com a iniciativa. Ele falou aos voluntários sobre a importância de se conhecerem as reações de um árbitro.
 

“Ter a FIFA se preocupando com as pessoas com deficiência visual em campo é muito legal. Melhor ainda é ter um narrador para explicar e comentar todas emoções de um jogo de Copa do Mundo. Minha presença foi para explicar as reações que os árbitros têm, para que os narradores orientem seus ouvintes. É uma iniciativa brilhante da FIFA. Nunca tinha visto isso.”


A narração audiodescritiva será disponibilizada em português em quatro estádios da Copa do Mundo da FIFA: Belo Horizonte (Estádio Mineirão), Brasília (Estádio Nacional de Brasília), Rio de Janeiro (Estádio do Maracanã) e São Paulo (Arena de São Paulo). Haverá dois locutores por jogo, e a narração será transmitida por radiofrequência e captada em fones de ouvido individuais. Torcedores cegos ou com baixa visão podem sentar-se em qualquer lugar do estádio.
 

No total, pelo menos 16 voluntários, quatro de cada uma das cidades-sede selecionadas, passarão por um programa de treinamento intensivo promovido pelo CAFE e pela Urece. 


Após a conversa com Arnaldo Cézar Coelho, os voluntários foram orientados em um exercício no qual tiveram de guiar e serem guiados por companheiros enquanto percorriam as instalações do Maracanã. 


O exercício fez com que muitos percebessem as dificuldades de visitar um local sem enxergar e, ao mesmo tempo, reconhecessem a responsabilidade de descrever a um cego tudo o que está a seu redor.


A voluntária Natália Caldeira, de 29 anos, que trabalha com pessoas com deficiências visuais desde 2004, comemorou a chance de participar desse projeto na Copa do Mundo da FIFA em seu país. 


“É uma oportunidade incrível. Não só de estar num jogo de Copa, mas de transmitir a essas pessoas o que acontece e tornar sua experiência mais real. É uma responsabilidade muito grande, mas tenho certeza de que a gente vai ter diversas lições até lá e vai conseguir fazer isso direitinho. Estou preparada.”


Tão importante quanto o aspecto inovador do projeto em solo brasileiro é seu legado. Após a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, o equipamento de narração instalado em cada estádio será doado às entidades locais dispostas a fazer parte do legado do projeto.


“O mais interessante é o legado humano que estamos deixando: esses voluntários estão recebendo o conhecimento sobre como passar a narração para pessoas que são cegas ou com baixa visão”, ressalta Paula Gabriela Freitas, líder da Equipe de Sustentabilidade da FIFA no Brasil. 


“São brasileiros que vão ficar aqui e vão poder, depois, realizar esse serviço não somente em jogos ou eventos esportivos, mas em eventos culturais e de outros tipos.” Joyce Cook, do CAFE, reforça o discurso e mostra objetivos ambiciosos para o Brasil. 



“Nossa vontade é ver todos os estádios e arenas esportivas do Brasil com este serviço; que se torne algo normal. Que pessoas cegas e com deficiências visuais possam ir a eventos esportivos com naturalidade, ouvindo o serviço de narração audiodescritiva e tendo o serviço completo.”


As pessoas com deficiências representam pelo menos 12% da população mundial: são mais de 840 milhões de pessoas com deficiência, das quais 285 milhões são cegas ou têm visão subnormal. 


Até o momento, pouquíssimos locais no Brasil oferecem serviços para pessoas cegas ou com baixa visão que comparecem a eventos ao vivo, como jogos de futebol.


Para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, e de acordo com as leis brasileiras, pelo menos 1% do número total de ingressos oferecidos é disponibilizado para pessoas com deficiência – e todas elas podem solicitar bilhetes complementares para um acompanhante. 


Os estádios da Copa do Mundo da FIFA são acessíveis a pessoas com deficiência, pessoas com mobilidade reduzida e pessoas obesas. Assentos acessíveis, banheiros e passarelas estão disponíveis. Há entradas exclusivas para pessoas com deficiência ao lado dos acessos para pessoas sem deficiência.





Falta de acessibilidade impede deficientes de conseguirem emprego

Mulher está na frente de computador
As empresas de Petrópolis, Região Serrana do Rio, têm dificuldades em cumprir cota de funcionários com deficiência física


O motivo é a acessibilidade, ou falta dela, na hora de chegarem ao local de trabalho. 


Embora a cidade já possua ônibus adaptados, em muitos bairros a falta de estrutura das vias impossibilita o funcionamento dos veículos.
 
De acordo com o Ministério do Trabalho, as empresas com mais de 100 funcionários têm que ter de 2% a 5% das vagas preenchidas por pessoas com deficiência. 


Atualmente, no município, há mais de 70 vagas abertas nas empresas, mas faltam candidatos, já que muitas pessoas não conseguem sair de casa para chegar ao trabalho.
 
A adaptação dos ônibus da cidade foi um avanço. Parte da frota já tem elevadores para uso dos cadeirantes, mas 20% dos ônibus ainda não contam com esse sistema. 


Apesar de alguns bairros já receberem esse serviço, a falta de acessibilidade continua sendo um problema. “Emprego tem, mas difícil é chegar nele”, comenta o auxiliar de serviços gerais, Luciano Monteiro Vianna. Ele mora em uma ladeira e necessita de ajuda na hora de descer para chegar ao ponto de ônibus.
 
A dificuldade para cumprir a cota do Ministério do Trabalho é tanta que já existe uma disputa por esses profissionais no mercado de trabalho e a rotatividade é grande. Eles vão de um emprego para o outro, dependendo da proposta. 


Até empresas de outras cidades, como Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e São José do Vale do Rio Preto, também na Região Serrana, estão buscando esses profissionais em Petrópolis.
 
Para segurar o deficiente no emprego, as empresas fazem de tudo: pagam cursos, fazem treinamentos, adaptam as instalações e até fazem o transporte dos trabalhadores de casa para o trabalho e do trabalho para casa. 


“A empresa que oferecer mais vantagens e condições de trabalho leva”, afirma o presidente da Associação Pró-deficiente, Marcelo da Silveira.






24 de mar. de 2014

Projeto para qualificação profissional de pessoas com deficiência será lançado dia 25

Homem de terno em cadeira de rodas usa notebook
Na próxima terça-feira (25), às 9h, acontece no Sesc Horto/Teatro Prosa o lançamento do projeto “Qualificação Profissional das Pessoas com Deficiência”


O projeto é desenvolvido pela Rede Brasileira de Cooperação ao Desenvolvimento (Unepe) com o patrocínio da Petrobras e irá promover a integração e a inclusão de 300 jovens com deficiência por meio de qualificação profissional.
 

As inscrições já estão abertas e as aulas acontecem nos meses de maio, junho e julho. 


Serão disponibilizadas 20 vagas em cada curso, com carga horária de 180 horas. Podem participar pessoas com deficiência entre 19 e 29 anos de idade que estejam cursando no mínimo o ensino fundamental e/ou educação de jovens e adultos (EJA) ou outra modalidade (Educação Especial).
 

O projeto terá a duração de dois anos com a previsão de mais duas etapas de cursos em 2015. Nos municípios de Corumbá, Três Lagoas e Sidrolândia, serão oferecidos cursos de repositor de mercadoria e empacotador. Em Campo Grande, os cursos são de operador de máquinas copiadoras e informática básica.
 

O projeto conta com o apoio do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, através do Fundo de Investimentos Sociais, com as prefeituras e Apaes dos municípios onde os cursos serão realizados.
 

O evento vai reunir inúmeras entidades locais e nacionais que atuam na área de assistência social. Na abertura do lançamento, o diretor-presidente da Unepe, Naelson Ferreira, apresentará a entidade e os objetivos do projeto. 


O diretor de Políticas Temáticas dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Luiz Clóvis Guido Ribeiro, vai falar sobre a importância da inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
 




Vagas especiais são alvo de desrespeito de motoristas de Uberlândia (MG)

Placa indicativa de vaga especial
Usuários das vagas especiais, destinadas a veículos que transportam pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, reclamam que tem encontrado dificuldade para estacionar em locais públicos de Uberlândia (MG)


Eles apontam como causa o desrespeito cometido por condutores que fazem uso irregular destes espaços reservados. 


Para coibir este tipo de comportamento, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settran) iniciou na segunda-feira (17) uma operação de fiscalização às vagas especiais. Só no hipercentro elas são 120.
 

A artista plástica Aline Giuliani, mãe de Iris Giuliani Oliveira Assis, de 9 anos, que tem amiotrofia espinhal, (síndrome que causa lesão no neurônio motor e atrofia muscular), disse que o desrespeito às vagas é constante. 


“Deveria haver uma fiscalização mais rigorosa e campanhas de conscientização para motoristas e crianças.” O contador Alzeni Dantas, que é paraplégico, disse que as pessoas usam as vagas irregularmente e alegam que é por apenas dois minutos. “Independente do tempo, o uso do espaço impede que uma pessoa com mobilidade reduzida use a vaga”, afirmou.
 
A reportagem do CORREIO de Uberlândia flagrou três veículos que não transportavam cadeirantes estacionados em vagas especiais em lugares como os estacionamentos do Centro Administrativo e do campus Santa Mônica (UFU), no bairro Santa Mônica, zona leste, e em frente à Casa da Cultura, no bairro Fundinho, no setor central. 


O motorista que usava irregularmente a vaga no Centro Administrativo, por volta das 10h30, foi multado pela Settran. Ele não quis se identificar e disse que estava no local porque não havia movimento naquele horário.

Settran multa 38 carros em dois dias


Para reduzir o desrespeito às vagas especiais, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settran) iniciou na segunda-feira (17) uma operação de fiscalização aos espaços de estacionamento reservado para deficientes, idosos e carga e descarga.


Até ontem (18), a Settran havia feito 38 notificações de estacionamento irregular em vagas especiais sendo 16 vagas de deficiente, 12 de idosos e 10 espaços de carga e descarga, de acordo com o assessor de operações de tráfego da Settran, Onei Silvério.


 “Também fizemos 14 apreensões de veículos sendo 4 que estavam em vaga de deficiente, 8 em vaga de idosos e 2 em locais de carga e descarga.”

Estacionar em vaga especial


É considerada infração leve e acarreta 3 pontos na carteira de habilitação além de multa de R$ 53,21





São Paulo oferece 1.104 vagas para pessoas com deficiência

Mão segura carteira de trabalho
Cidadãos com deficiência que moram na Grande São Paulo podem se candidatar a uma das 1.104 vagas de empregos oferecidas pelo programa Emprega São Paulo


As vagas não exigem experiência anterior e estão distribuídas na capital e em cidades da região metropolitana, como Caieiras e Mogi das Cruzes.
 

Para se candidatar, os interessados devem acessar o site do programa, criar login, senha e preencher o cadastro de dados.
 

Também é possível se inscrever às vagas indo até um Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), portando RG, CPF, PIS, Carteira de Trabalho, laudo médico com o Código Internacional de Doenças (CID) e Audiometria (no caso de deficiência auditiva).
 

Quem não tiver o laudo será orientado no próprio PAT sobre como proceder para conseguir a documentação exigida. O candidato pode comparecer na sede do PADEF, localizado, na Rua Boa Vista, 170 - 1° andar.




Procon notifica agência que barrou deficiente na porta em Ribeirão Preto (SP)

Áurea Aparecida faz pose mostrando a prótese
O Procon de Ribeirão Preto (SP) notificou a agência do Banco do Brasil onde, na semana passada, uma mulher com deficiência afirmou ter sido barrada por não apresentar um documento que comprovasse o uso de um equipamento ortopédico na perna.
 

Segundo o coordenador do Procon em Ribeirão Preto, Paulo Garde, a agência, que fica no campus da Universidade de São Paulo (USP), feriu a Constituição e o Código de Defesa do Consumidor. Procurado pelo G1, o Banco do Brasil não comentou a notificação. 


Em nota, a assessoria de imprensa informou apenas que a entrada da cliente na agência foi permitida assim que os funcionários identificaram a sua condição.
 
O caso aconteceu no dia 7 de março. Áurea Aparecida Siscati registrou um boletim de ocorrência após ficar 40 minutos do lado de fora da agência tentando convencer o segurança e o gerente da unidade que não conseguiria passar pela porta giratória, por causa da prótese ortopédica metálica que usa em uma das pernas. 


Ao G1, Áurea informou que eles exigiram um documento que comprovasse o problema físico. “Passei por muito constrangimento. Foi muito humilhante”, disse.
 
Durante o desentendimento, a contadora afirma que várias pessoas que a conheciam, já que ela trabalha há 20 anos na USP, tentaram convencer os funcionários de sua deficiência. 


Após 40 minutos de conversa, a contadora afirma que sua entrada só foi aprovada, após uma segurança passar um detector de metais pelo seu corpo e do equipamento acusar que havia um metal na perna esquerda dela.
 
Ao ter acesso ao boletim de ocorrência, o coordenador do Procon de Ribeirão enivou uma advertência ao Banco do Brasil. 


“Esse tipo de situação fere a Constituição e o Código de Defesa do Consumidor. As pessoas não podem ser discriminadas dessa forma, não podemos deixar que qualquer pessoa passe por isso em virtude de ter um problema físico”, explica.
 
Baseado no Código de Defesa do Consumidor, Garde alerta que as instituições bancárias podem ser multadas e interditadas, caso a situação volte a se repetir. 


“Que isso sirva de exemplo e seja pedagógico para que as pessoas aprendam a não cometer erros como esse de constranger pessoas”, afirma.


Foto: Luan Amaral/ G1
 



21 de mar. de 2014

Companhia de dança muda vida de jovem com síndrome de Down na BA

Lais faz pose ao lado de sua mãe, Olga
“Quando a minha filha nasceu, os médicos disseram que não andaria, não falaria. Fiquei muito triste, mas não convencida. Saí do luto e fui para a luta”. 


A declaração é da aposentada Olga Cerqueira, que, aos 61 anos, celebra mais um dia Dia Internacional da Síndrome de Down nesta sexta-feira (21) com a certeza de que “qualquer pessoa com deficiência intelectual pode chegar longe se tiver oportunidade e estímulo”.


Olga chegou a esta conclusão acompanhando o progresso da filha Laís Cerqueira, 23 anos, que nasceu com diagnóstico de síndrome de Down e prognóstico de deficiência intelectual. Na época, a notícia foi impactante para os familiares, que pouco conheciam a síndrome e não tinham exemplos de pessoas com a deficiência entre os parentes.

 
“Quinze dias depois do nascimento, fui para a luta. Comecei a ler livros de medicina para saber como poderia ajudar. Apesar das previsões médicas, tenho orgulho de dizer que, aos noves meses de idade, minha filha já estava caminhando”, relata a aposentada, que investiu tempo para estimular a filha a desenvolver as atividades comuns a todas as crianças.
 
Ainda na infância, Laís foi alvo de um ato de preconceito que a mãe não esquece. Olga conta que a filha estava na praia quando outra criança se aproximou dela para brincar. “Ao ver as duas juntas, a mãe da outra menina levantou da cadeira e disse: 'amorzinho, não brinque com ela, porque ela é doentinha'”, lembra, ainda revoltada.
 
A fim de proporcionar a Laís novas possibilidades de socialização, Olga decidiu matricular a filha aos nove anos na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), espaço filantrópico que presta assistência às pessoas com deficiência intelectual. Foi na unidade da associação, localizada no bairro da Pituba, que a menina pôde desenvolver talentos que até a ocasião ainda estavam guardados.
 
Olga conta que a professora de ginástica rítmica logo percebeu que a menina tinha excelente desenvoltura e facilidade para decorar as coreografias. E ela tinha razão. 


No ano de 2007, em competição realizada em Minas Gerais, que contou com 22 participantes com deficiência intelectual, Laís Cerqueira recebeu o título de Campeã Brasileira de Ginástica Rítmica. 


"Foi um dia incrível. Quando anunciaram que ela havia ficado na primeira colocação, saí pulando por cima de mesa até chegar perto dela e abraçá-la".
 
Conquistas
 


Ao completar 16 anos, Laís Cerqueira deixou a unidade da Apae da Pituba e foi transferida para a sede do bairro do Comércio, que é responsável por promover a iniciação, qualificação e inserção profissional das pessoas que passam pela instituição. 


No local, a jovem foi integrada à Companhia Opaxorô de Dança e Percussão, grupo que promove a profissionalização artística dos integrantes, a partir de apresentações no Brasil e até mesmo fora do país.
 
"Aqui, ela teve uma alavancagem incrível. Deixou um trabalho mais individual para um trabalho coletivo. Laís passou a ter compromisso diário com a dança. Com isso, conquistou noções de rotina, de espaço, de temporalidade. Fiquei felicíssima, já que estas características são socializadoras", relata a mãe.
 
Em conversa com G1, Laís Cerqueira disse que se sente completa no espaço. "Fico feliz aqui. Gosto muito de balé. [No Opoxorô], gosto de me apresentar no 'Malandro' ", citou participação em espetáculo promovido pela companhia que é inspirado na obra "Ópera do Malandro", de Chico Buarque.
 
Ao ver o progresso da filha e todas as dificuldades que enfrentou durante a educação dela, Olga se emociona. "Todas estas conquistas me fazem perseverar. Você não imagina a felicidade que sinto de ter ajudado a minha menina, que já foi apontada como inútil, conquistar respeito por méritos próprios", relata.
 
Na companhia, além de atrair a admiração de professores e colegas, principalmente pela habilidade com a dança contemporânea, Laís ainda arrumou tempo para conquistar um namorado. O nome dele é Daniel Santos do Carmo, 23 anos, que também integra o grupo artístico. "Ele é meu noivo e vamos nos casar", concluiu a menina.
 
Opaxorô
 

A Companhia Opaxorô conta com a atuação de quatro profissionais técnicos, que auxiliam 11 integrantes de um grupo de dança - composta por pessoas com deficiência e moradores da comunidade -, além de 15 pessoas de um grupo de percussão, em que todos os componentes têm algum nível de deficiência intelectual.

 
Há 16 anos na Apae, a coreógrafa da companhia, Janiere Almeida, 43 anos, diz que não consegue mais identificar as deficiências que as pessoas procuram nos alunos. "Para mim não há diferenças. Cobro a todos da mesma forma e todos [alunos da comunidade e da própria instituição] me trazem os resultados semelhantes. A arte possibilita o desenvolvimento das pessoas", defende.
 

Dentre os dias 26 e 27 de março, os interessadas em acompanhar os trabalhos da companhia poderão assisitir a espetáculos de música e dança promovidos pelos integrantes da Apae, no Centro de Cultura de Alagoinhas, a 124 quilômetros de Salvador. Até o fim do ano, o grupo também deve se apresentar nas cidades de Jequié, Ilhéus, Itabuna e Salvador.
 

À frente da Companhia Opaxorô desde 2008, o diretor teatral Antônio Marques informa que, até o fim deste ano, a instituição deve lançar DVD com participações de Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Saulo, Tuca Fernandes, Lazzo Matumbi, Nara Costa e Márcia Short. 


A gravação do DVD deve ser realizada no estúdio do cantor Durval Lélys, vocalista do Asa de Águia, que é padrinho do projeto. Em 2012, a Companhia Opaxorô chegou a participar do Festival Olímpico, realizado nas Paralimpídas de Londres, na Inglaterra.



Foto: Henrique Mendes/ G1
 
Fonte: G1 Bahia