A suplementação com vitamina D3 na dieta reduz a pressão arterial
sistólica de ratos hipertensos e atua na expressão de genes relacionados
com o controle da pressão arterial, sem induzir danos ao DNA ou
estimular a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs)
prejudiciais ao organismo.
O resultado é demonstrado em pesquisa
realizada com animais na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão
Preto (FCFRP) da USP pela bióloga Carla da Silva Machado, pós-graduanda
em Genética pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.
Novos testes serão necessários para comprovar a eficiência da
suplementação em seres humanos.
A pesquisa avaliou o efeito das dietas suplementada e
deficiente em vitamina D3 sob a regulação da expressão de genes
relacionados com a hipertensão arterial.
“Também foram verificados outros parâmetros, como a presença de danos ao DNA (material genético), marcadores bioquímicos de estresse oxidativo, envolvidos com a indução de danos às células, fibrose renal e alterações na pressão arterial sistólica”, afirma a pesquisadora.
O estudo utilizou dois modelos de ratos, os SHR, ratos
espontaneamente hipertensos, e os WKY, controles normotensos, com
pressão arterial normal.
“A dieta foi administrada por via oral. Um grupo de animais recebeu alimentação em que foi retirada a vitamina D3 da dieta e outro grupo foi suplementado com concentração de vitamina D3 dez vezes maior que o grupo controle.A dieta suplementada reduziu de forma significativa a pressão arterial sistólica nos animais hipertensos SHR. A suplementação também não induziu danos ao material genético das células, tanto nos animais hipertensos quanto nos normotensos”, conta Carla.
Vitamina D3
A deficiência em vitamina D3 causou danos ao DNA, induziu a formação de EROs e alterou a expressão de genes relacionados com o sistema renina-angiotensina-aldosterona.
“No organismo, esse sistema está relacionado com o controle da pressão arterial, ou seja, com seu aumento ou diminuição. Normalmente, as pessoas hipertensas já possuem um aumento na produção de EROs, que estão relacionadas a indução de danos ao DNA e à membrana das células, além de outras complicações ao organismo. Na pesquisa, a deficiência em vitamina D3 agravou esse quadro”, explica a pesquisadora.
Segundo Carla, será importante a realização de testes clínicos para
comprovar se os efeitos da suplementação e deficiência em vitamina D3
também se aplicam na população humana.
“Nos experimentos com animais, a suplementação não apresentou efeitos nocivos aos órgãos avaliados, demonstrando seu potencial para utilização em seres humanos.No entanto, estudos populacionais são necessários para confirmar se essa relação também existe em humanos”, diz.
A pesquisadora aponta que a principal fonte de vitamina D3 é a
exposição à radiação UVB do sol, sendo sintetizada na epiderme (camada
superficial da pele).
“Em menor proporção, a vitamina D3 pode ser obtida
na dieta, por meio de consumo de peixes como atum, cavalinha e salmão.
Em casos de baixa exposição ao sol, há necessidade de suplementação com
vitamina D3 ou aumento do consumo de alimentos que contém naturalmente
ou são fortificados com a vitamina D3, como os derivados lácteos.
"A função mais conhecida da vitamina D3 é a regulação do metabolismo de cálcio e fósforo no organismo, porém atualmente há novas abordagens de estudos que investigam sua influência na regulação da expressão de genes, e sua atuação no sistema imune.”
A pesquisa foi realizada no Laboratório de Nutrigenômica da FCFRP.
Carla é aluna de pós-graduação em Genética, pela FMRP, sob orientação da
professora Lusânia Maria Greggi Antunes.
Fonte: Agência USP de Notícias
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