25 de jul. de 2013

Proposta regulamenta profissão de audiodescritor

Símbolo de pessoa com deficiência visual

Está em análise na Câmara o Projeto de Lei 5156/13, que regulamenta a profissão de audiodescritor. 

Pela proposta, do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), a atividade consiste na narração destinada a descrever imagens, sons, textos e demais informações que não poderiam ser percebidos ou compreendidos por pessoas com deficiência visual.

Entre as atividades do audiodescritor, a proposta enumera o planejamento e a execução de roteiros de audiodescrição; elaboração de estudos, projetos e pareceres técnico-científicos ou culturais no âmbito de sua formação; assim como produção de ensaios e experimentações em seu campo de atividade.

Ainda conforme o projeto, a jornada normal de trabalho do audiodescritor será de seis horas diárias e trinta semanais, salvo acordo ou convenção coletiva de trabalho. 

Além disso, roteiros de audiodescrição serão considerados obras intelectuais e sua utilização deverá obedecer à legislação sobre direitos autorais.


Inclusão
 

Barbosa argumenta que a audiodescrição “é de suma importância para a inclusão de pessoas, não somente com deficiência visual, mas com também com deficiência intelectual, além de disléxicos e idosos”.

O deputado destaca que portaria (310/06) do Ministério da Cultura obriga as emissoras de TV aberta a adotar medidas de acessibilidade na programação. Mas, ressalta que a medida não foi amplamente cumprida.

Eduardo Barbosa lembra ainda que, conforme o censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 23,9% dos investigados, ou 45,6 milhões de brasileiros, têm pelo menos uma forma de deficiência. “A predominante foi a deficiência visual com 18,8%, dos entrevistados, ou 35,8 milhões de pessoas”, acrescenta.

Tramitação
 

Em caráter conclusivo, a proposta foi encaminhada às Comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Especialistas criticam regras de acessibilidade aprovadas pela Anac para aeronaves e aeroportos

Avião voando
Os órgãos de defesa do consumidor veem com preocupação as novas regras de acessibilidade no transporte aéreo, que entram em vigor em janeiro de 2014, e reclamam que não foram ouvidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). 

As sugestões encaminhadas ao órgão regulador pelas entidades, durante o processo de discussão da regulamentação, não foram aceitas.

A deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é tetraplégica e conta ter passado por vários transtornos nas viagens de avião, também participou do processo e se diz “afrontada” com a novas regras. 

Ela informou que vai tentar convocar uma audiência pública para que o órgão preste esclarecimentos e aperfeiçoe o texto. Mara faz parte da frente parlamentar em defesa dos deficientes físicos.  
O maior receio é que as pessoas com deficiência não consigam embarcar ou passem por situações constrangedoras porque não haverá mais reserva de lugar nas três primeiras fileiras para acomodá-los. 

Passageiros com prioridade poderão ser acomodados no fundo da aeronave, em áreas 
próximas aos banheiros ou às saídas de emergência.

— Você faz parte do processo de discussão, envia sugestões e elas não são aceitas. A Anac não deu qualquer explicação. Responder por que as contribuições não são aceitas é importante até para estimular a participação da sociedade — queixou-se a assessora técnica da Fundação Procon, Patrícia Dias.


Uma das principais reclamações diz respeito à antecedência mínima de 48 horas do horário do voo para que o usuário informe à companhia o tipo de deficiência e possa ter direito a atendimento especial. 
 
A exigência constava na regra antiga e foi mantida. A Proteste tinha recomendado à Anac reduzir esse prazo para atender casos de emergência, mas não foi atendida.
 

— Nossa expectativa era que esse prazo fosse reduzido — disse Maria Inês Dolci, coordenadora Institucional da Proteste.   

A deputada Mara Gabrili acrescenta ainda que os grandes aeroportos precisam estar preparados a fazer o embarque de um passageiro com dificuldade de locomoção dentro de uma hora: 
— Esse prazo de antecedência fazia sentido 30 anos atrás, quando as pessoas com deficiência não saíam de casa.
 
A possibilidade dada às empresas de acomodar pessoas com deficiência no fundo avião também preocupa a deputada. Segundo ela, no seu caso, além de constrangedor, a alternativa é inviável.

— Imagina eu sendo carregada pelos troncos e pelas pernas, atravessando todo o avião? — indagou a deputada.


A Fundação Procon-SP tinha sugerido que a Anac exigisse um canal específico para que a pessoa com deficiência pudesse detalhar o tipo de deficiência, a fim de evitar problemas na hora do check-in, mas também não foram atendidos. 


A entidade também recomendou que a agência exigisse das companhias auxílio não só durante o embarque, desembarque e a devolução da bagagem, mas também nas fases seguintes, ainda dentro dos aeroportos.
 

— Hoje, só contamos com ajuda para ser levado para a sala de embarque. Se precisarmos ir ao banheiro ou comprar um refrigerante, por exemplo, temos que pedir ajuda — disse o presidente Associação Brasileira para Valorização de Pessoas com Deficiência (Avape), Carlos Ferrari, que é cego.
 

Ele disse que a norma é vaga: não deixa claro, por exemplo, que uma pessoa com deficiência visual precisa obrigatoriamente de um acompanhante. Também não traz solução para outros tipos de deficiência, como surdez.
 

Entre os avanços, as entidades de defesa do consumidor citam a exigência de elevadores, que têm ser oferecidos pelos aeroportos para facilitar o embarque e desembarque de pessoas com deficiência. Outro ponto positivo é a proibição de carregar as pessoas nos braços por questões de dignidade, disse a deputada.
 

Procurada, a assessoria de imprensa da Anac informou que as novas regras foram colocadas em consulta pública em setembro do ano passado, e que houve participação dos envolvidos. A agência informou, ainda, que não pretende alterar o texto.
 

“Não ajuizamos essa necessidade. O operador aéreo vai acomodar a pessoa com deficiência no local mais adequado, conforme a configuração da aeronave, priorizando os locais mais próximos das saídas, e não nos últimos lugares expressamente” disse a Anac, em nota. 

A agência acrescenta ainda que “dependendo do número de deficientes no voo, não é possível que todos se acomodem nas primeiras fileiras, além de prever desembarques que utilizam portas traseiras e dianteiras para o desembarque”.
 

Além disso, a Anac afirmou que o relatório de contribuições será publicado com todas as justificativas em até 30 dias. E informou que, no processo de discussão da norma, seguiu os preceitos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU e manteve contato com a Secretaria de Direitos Humanos, que teve papel fundamental na finalização da norma.

A Anac esclareceu também que a norma acabou com a restrição ao número de pessoas com deficiência embarcados no mesmo voo, por isso é necessário, para conforto de todos, que esses passageiros sejam alocados próximos às saídas e às entradas. E disse que o prazo de 48 horas para que o usuário informe as necessidades de atendimento é o mesmo previsto no Anexo 9 da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci), da qual o Brasil é signatário.

Fonte: O Globo

Aluno com paralisia cerebral é finalista da Olimpíada Brasileira de Matemática

Arthur Gabriel dos Santos Dantas
O estudante Arthur Gabriel dos Santos Dantas, de 11 anos, está próximo de realizar a última etapa da 9ª Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), marcada para setembro.

O aluno de Itanhaém, cidade no litoral sul de São Paulo, se destaca não só por estar entre os finalistas, mas principalmente pelo exemplo de superação. 

Arthur tem paralisia cerebral e a deficiência afeta a coordenação motora do menino, que possui capacidade intelectual igual a de outras crianças da mesma idade.

Aluno da educação inclusiva na classe 6ªD do ensino fundamental na Escola Municipal Noêmia Salles Padovan, Arthur está entre os melhores da classe, motivo de orgulho para a mãe. 

"Se eu falo que estou muito orgulhosa é pouco. Foi um salto para ele ter passado na 2ª fase. Ele já é um campeão para mim. Não só na matemática, mas campeão da vida, de tudo. Ele é meu campeão", diz Valéria dos Santos Silva, 46.

A família reconhece a responsabilidade do estudante. "Meu filho é muito inteligente. Sabemos que não é fácil, mas ele está aí para provar que nada é impossível, basta acreditar.

 O exemplo dele serve de incentivo aos demais alunos. Agradeço às professoras que o inscreveram na Olimpíada. Elas não olharam a deficiência do meu Arthur e sim a capacidade dele", se emociona Valéria.

Arthur tem dificuldade para falar e, por isso, utiliza o computador portátil como extensão da sua voz. Recurso utilizado apenas às vezes pela mãe, que diz entender o que o filho quer com a pronúncia de algumas sílabas. 

"Sou a mãe, entendo meu filho, apesar dele só falar algumas palavras. Quando ele quer me contar como foi o dia na escola, usamos o notebook".

Embora seja bom com os números, o itanhaense já sabe o que vai querer para o futuro. Os mistérios e curiosidades que envolvem os planetas, as galáxias, o sistema solar e a lua ganham notoriedade na vida do garoto. 

"Quando o assunto é astronomia, os olhos do meu filho brilham. Ele até balbucia algumas palavras", conta a mãe.
 

Sem ajuda especial
 

Para executar as tarefas do dia a dia escolar, ele conta com o auxílio de um notebook (para expressar o que quer dizer) e da estagiária Marina Alves Carvalho Ferreira, responsável por acompanhar o desempenho do estudante durante as aulas. 

Mas todo o esforço -- reforça a mãe -- fica por conta dele. "A estagiária é como uma 2ª mãe para ele, sou muito grata a ela. A Marina na sala de aula funciona como um porta voz para o pequeno Arthur", diz Valéria.

"Ele é exemplo para os demais estudantes. É inteligente, engajado e adora estudar e não gosta de faltar à escola. Inclusive, quando tem consulta marcada e precisa sair mais cedo da unidade, ele fica nervoso", conta a estagiária.

A mãe explica que, apesar da deficiência, o aluno não sofre preconceito no ambiente escolar: "Todos o adoram e os amiguinhos e professores estão sempre ajudando. Ele é um menino especial, não pela deficiência, mas pela pessoa carinhosa que ele é. Está sempre sorrindo e feliz".

O aluno está sempre na companhia de Wesley Rodrigues, 11, o amigo inseparável. "Quando ele tem dificuldade eu o ajudo, mas grande parte do dia ele não precisa. Ele é muito inteligente". 

No intervalo das aulas, o passatempo predileto de Arthur é jogar damas e dominó. "Ele é bom com os números". Mas adverte: "Eu também ganho as partidas", brinca Wesley.
 

Fanático pelo Corinthians
 

As atividades diárias do Arthur não se resumem à escola. Neste mês de férias, além de repassar as matérias para a participação na Olimpíada de Matemática, o menino aproveita para brincar, torcer pelo time de coração e ver TV.

"Ele é fanático pelo Corinthians, adora futebol. Quando não está no computador conversando ou jogando no Facebook, ele está vendo desenho na televisão ou brincando. O Arthur aproveita as férias como os coleguinhas da classe", diz a mãe.

Além das brincadeiras, o finalista ainda tem na agenda sessões de terapia ocupacional, fisioterapia e natação. E o que Arthur tem a dizer sobre a participação dele na Obmep? Letra por letra, ele vai formando a frase na tela do computador: "Gosto muito de estudar. Obrigado. Estou muito feliz".

24 de jul. de 2013

Lei de Cotas faz 22 anos; no ABC paulista, 600 estão no mercado

Mão segura carteira de trabalho
Exatamente há 22 anos entrava em vigor a Lei de Cotas, com o objetivo de mudar o cenário de empregabilidade para pessoas com deficiência.

 De lá para cá muita coisa melhorou, mas ainda é alto o número de cidadãos com este perfil desempregados. 

Segundo o gerente de capacitação e inclusão da Avape (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência), Marcelo Vitoriano, por ano, cerca de 2.000 pessoas com deficiências são contratadas com carteira assinada, principalmente, no Estado de São Paulo. 

Desse total, 30%, ou sejam, 600 são do Grande ABC. “Não dá para falar em crescimento quanto às efetivações. Podemos, sim, falar em estabilidade”, pontua Vitoriano.

De acordo com os dados da associação, o Ministério do Trabalho aponta o número de 306 mil trabalhadores formalmente empregados no Brasil, mas esse índice é ainda pequeno frente ao número de pessoas com deficiências no País, que já passa de 45 milhões de brasileiros. 

Conforme dados levantados em 2011 pelo RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), no caso das pessoas com deficiência física, esse montante é da ordem de 77,7 mil, ou 44,6% do total, seguido das pessoas com deficiência auditiva (27,9 mil ou 37,88%) e 9.800 para aqueles com deficiência visual, ou 44,7% do total, intelectual (mental) (5.000 ou 26,46%) e múltipla (1.400 ou 33,61%).

Vale lembrar que a Lei de Cotas exige que empresas com mais de cem funcionários destinem vagas de trabalho voltadas a pessoas com deficiência. Se tiver de 100 a 200 colaboradores, a exigência é de 2% dos postos de trabalho, já para companhia que tenham de 201 a 500 funcionários, o mínimo exigido é de 3%.

 O não cumprimento da norma torna a companhia passível de recebimento de multas aplicadas pelo Ministério do Trabalho.

“É preciso entender que não contratamos deficiências, contratamos pessoas. Com pequenas atitudes, como construção de rampas e adaptações em computadores, por exemplo, por meio de softwares, é possível empregar alguma pessoa com necessidades especiais”, resume Vitoriano.

EXEMPLO - Rede supermercadista com matriz em Santo André, a Coop (Cooperativa de Consumo) é uma das companhias da região que investem em inclusão. 

Para se ter ideia, no primeiro semestre deste ano foram contratados 45 deficientes, contra 32 no mesmo período do ano passado – alta de 40,62% ou 13 postos a mais. “

Não se trata apenas do cumprimento da cota. Queremos contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional dos colaboradores contratados, para que possam exercer de fato sua cidadania”, abrevia Ermelinda Marçal, assistente social da rede.

Segunda ela, na sua maioria, os efetivados têm deficiência intelectual e auditiva. “As pessoas recebem treinamento que visam potencializar suas habilidades, sobretudo, respeitando suas individualidades”.
 

ESTADUAL - O Padef (Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência) do governo estadual completa 18 anos. 

Segundo a supervisora do projeto, Marinalva Cruz, desde a criação do Padef mais de 13 mil trabalhadores foram beneficiados. 

E os números têm aumentado. “Em 2012, foram 270 colocados no primeiro semestre. Neste ano, 429 pessoas com deficiência foram contratadas.”

Serviço: Interessados em fazer parte dos programas e de participar dos cursos oferecidos, assim como todas as demais atividades realizadas pelo Padef e pela Avape, devem entrar no site das instituições www.avape.org.br e www.empregasaopaulo.sp.gov


Nova marca põe biamputado Fonteles em nível de final olímpica com Bolt

Alan Fonteles faz pose ao lado do letreiro que traz seu tempo: 20s66


O Mundial Paraolímpico disputado nesta semana em Lyon terminará com a distância encurtada entre atletas com algum tipo de limitação física e aqueles em perfeitas condições. 

Tudo graças ao brasileiro Alan Fonteles, biamputado, que aos 20 anos conseguiu bater o recorde dos 200 m e alcançar um patamar de final olímpica.

No domingo Fonteles venceu os 200 m com tempo de 20s66, quebrando o recorde que pertencia ao sul-africano Oscar Pistorius (categoria T43, para biamputados). Com a marca histórica, o jovem brasileiro se dá ao luxo de sonhar com competição entre os atletas sem prótese. 

Neste patamar, hipoteticamente, seria o quarto colocado do Troféu Brasil 2013 e chegaria à frente do oitavo lugar na final olímpica de Londres-2012, vencida pelo ídolo Usain Bolt.



Se tivesse disputado a final de Londres, em uma hipotética nona raia, Fonteles bateria o sul-africano Anaso Jobodwana, que registrou 20s69. No entanto, Bolt ganhou o ouro olímpico em um patamar ainda bem superior, com 19s32.

Ainda no confronto com os tempos registrados em Londres, o brasileiro paraolímpico passaria raspando pela primeira bateria eliminatória. No entanto, com seus 20s66, Alan cairia na semifinal [a pior marca da série foi de 20s37].

Por sua vez, no último Troféu Brasil realizado em São Paulo, no mês de junho, apenas três dos oito finalistas tiveram tempos melhores que o novo recorde mundial de Fonteles. Bruno Lins venceu a prova com 20s33.

Em entrevista ao UOL Esporte em 2012, semanas antes dos Jogos de Londres, Fonteles havia descartado a possibilidade de um dia se arriscar contra atletas sem prótese em uma Olimpíada. 

No entanto, admitiu que poderia tentar o confronto em eventos menores. "Eu já competi em competições convencionais, da Federação Paulista, já ganhei algumas baterias em minha prova. Mas eu não penso em chegar em uma Olimpíada", disse, à época.

Nos últimos dias na França o atleta reforçou a intenção, mas ainda sem pretensões olímpicas. 

Segundo Fonteles, a aventura poderia se dar, inicialmente, na disputa de uma edição do Troféu Brasil.
 

ABISMO NOS 100 M É HOJE INALCANÇÁVEL


Se na disputa dos 200 m Alan Fonteles se aproxima de um padrão olímpico, a comparação nos 100 m é diferente. 

O brasileiro venceu a final do Mundial de Lyon (T43) na última terça-feira com o tempo de 10s80. O jovem é também o recordista da prova, com 10s77, ainda degraus abaixo dos melhores atletas sem prótese.

De acordo com especialistas, a defasagem de arrancada de atletas com prótese impede essa aproximação entre os mundos olímpico e paraolímpico, nos 100 m. Esta é a visão de Victor Fernandes, técnico de velocidade da equipe da BM&F, que eventualmente cede instalações para treinos de Fonteles em São Caetano do Sul.

"Com as próprias próteses, observando a corrida dele e a do Pistorius, facilita velocidade já lançada. A aceleração para os biamputados é mais atrasada. A prótese ajuda muito, na velocidade elástica. O atleta sem prótese tem o músculo com fadiga em certa altura da prova, enquanto que a prótese vai devolvendo elasticidade. É devolução de energia. Isso para provas de distância mais longas, 200 m e 400 m, é mais expressivo. A aceleração é mais decisiva para os 100 m", diz o treinador da BM&F, auxiliar do consagrado técnico da seleção Katsuhico Nakaya.

 
PRÓTESES POLÊMICAS MARCAM FASE DE CONQUISTAS


Nos Jogos de Londres do ano passado, Alan Fonteles lidou com desconfiança do seu principal adversário, Oscar Pistorius. 

O antigo rei das provas de velocidade do universo paraolímpico externou sua reticência em relação às próteses do brasileiro. Segundo o sul-africano, elas tornavam o paraense significativamente mais alto e conferiam a ele uma vantagem incomum nos metros finais de prova.

Na oportunidade, o técnico brasileiro Ciro Winckler admitiu que Fonteles havia ganhado altura com as próteses de Londres. No Mundial do ano anterior o jovem havia competido com 1,76 m, enquanto que na Olimpíada já corria com 1,81 m. No entanto, justificou o profissional, tudo dentro das normas do Comitê Paralímpico Internacional.

Hoje afastado, em razão de uma acusação de assassinato, Pistorius foi batido por Fonteles na final paraolímpica dos 200 m (T44, amputados), ficando com a prata.

Até as vésperas dos Jogos de Pequim, em 2008, Fonteles corria com próteses de madeira. Antes da última Olimpíada, no entanto, o brasileiro evoluiu para um modelo de ponta, fabricado na Islândia.

Fonteles volta à pista no Mundial de Lyon para mais duas provas. Na quinta e sexta-feira o brasileiro disputa os 400 m (T43/44) e no sábado integra a equipe do país no revezamento 4x100 m.

Fonte: UOL Esporte

Sesi desenvolve software para aumentar a acessibilidade nas indústrias

Diversos símbolos que representam as pessoas com deficiência
O Sesi no Paraná desenvolveu um software que avalia as condições de acessibilidade e as deficiências compatíveis com os postos de trabalho de uma fábrica. 

 O principal objetivo do projeto é viabilizar e incentivar a inclusão de pessoas com deficiência no ambiente da indústria. 

O projeto teve início em 2011, por meio do edital Sesi / Senai de Inovação e teve como parceira a BRF Carambeí.
 

A partir da integração das plataformas web e mobile, uma equipe multidisciplinar desenvolveu um sistema de análise e cruzamento de informações, que torna mais ágil o processo de identificação de postos de trabalho para deficientes e aponta as mudanças necessárias dentro da empresa. Toda a coleta de dados é feita em campo, com smartphones. O relatório final é validado por um engenheiro e um médico.

“A consultoria de acessibilidade já era desenvolvida pelo Sesi, mas agora, com o software, o processo ficou mais ágil”, explicou Agnaldo Adélio Eduardo, gestor do Sesi responsável pelo desenvolvimento do projeto. 

Entre os principais ganhos do software estão maior agilidade; redução de custos; minimização da necessidade de atuação de técnicos especializados em atividades de tabulação de dados e minimização da perda de informações a partir da gestão do conhecimento. 

Agnaldo lembrou que o software desenvolvido pelo projeto Indústria Acessível tem como resultado um diagnóstico e não um laudo. “Isso significa que a ferramenta aponta soluções, não determinações. Cabe a cada equipe de recursos humanos e de medicina do trabalho decidir se a vaga é apropriada”, ressaltou.

O lançamento oficial do software, com a apresentação dos resultados da empresa piloto, a BRF, foi nesta quinta-feira (13) e contou com a participação de representantes do Sesi e BRF. 

O coordenador de Relações de Trabalho de Recursos Humanos Corporativo da empresa de alimentos, Carlos Mello, explicou que a BRF precisava aumentar sua inclusão de deficientes. 

Segundo o coordenador, o diagnóstico permitiu que a área de Recursos Humanos percebesse oportunidades que até então eram ignoradas. 

 “Esta ferramenta chegou na hora certa. Com o diagnóstico, nós poderemos mostrar para os gestores as possibilidades comprovadas de inclusão e as melhorias para tornar estes postos acessíveis”, comentou Carlos.  

Líder nacional – Agnaldo lembrou que a inovação social é pouco trabalhada no segmento industrial. “Quando se fala em inovação industrial, a primeira referência é a área tecnológica. Mas a parte social também tem muito a desenvolver, quando o assunto é inovar”, lembrou.
 

Segundo a analista do Sesi responsável por editais de inovação, Danielle Farfus, o Paraná é o estado brasileiro que mais aprova projetos de inovação social. 

“O Sesi já tem 9 registros de ISBN (International Standard Book Number), um produto no mercado, um depósito de patente junto ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) e dois depósitos de código fonte de softwares no INPI”, contou.
 

Para a coordenadora técnica do programa de gestão de inclusão na indústria do Sesi, Regiane Maturo, o software lançado pelo projeto Indústria Acessível é um importante avanço na área de inovação: 

“A nossa expectativa é de que, por meio desta nova ferramenta, a indústria seja referência de ambiente de inclusão dentro da sociedade e que essa forma de pensar passe a fazer parte da cultura do meio corporativo”, concluiu.
 

A nova ferramenta vai ser apresentada em Brasília em julho. A intenção do Sesi Paraná é de que o trabalho de inclusão oferecido a empresas paranaenses possa ser disponibilizado a todos os estados do país, por meio da consultoria desenvolvida aqui.


Pessoas com deficiência poderão descer dos ônibus fora das paradas

ônibus acessível
A proposta foi aprovada em primeiro turno na sessão de terça-feira, 16, foi assinada por Roger Corrêa (PCdoB), Patrícia Beck (PTB), Jorge Tatsch (PPS) e Enfermeiro Vilmar (PR). 

Entretanto, esse direito não se aplica aos corredores exclusivos de ônibus do Sistema Público de Transporte de Novo Hamburgo (RS).

O Projeto de Lei nº 73/2013 destaca que, na impossibilidade de parada para desembarque no local sugerido pelo usuário, deverá ser observado pelo condutor o local mais próximo ao indicado, desde que garanta a sua segurança.

Na justificativa, os autores salientam que o seu objetivo é integrar todo o segmento de usuários do transporte público que se encontram limitados com dificuldades de acessibilidade. 

A proposta havia entrado na pauta de votações do dia 2 deste mês, mas Roger pediu vista de 10 dias.

O vereador lembrou ainda que o transporte coletivo foi o principal motivo que originou os protestos em todo o Brasil. 

“Cada vez menos as pessoas têm a possibilidade de se deslocar com qualidade nas cidades. Imaginem a dificuldade que enfrenta a pessoa com deficiência física ou mobilidade reduzida. Esse projeto busca atenuar este limite que a sociedade impõe. Claro, é preciso observar a segurança ao desembarcar e também a garantia de que o trânsito não deixará de fluir”. Patrícia agradeceu a oportunidade de assinar junto, e lembrou que já há casos em que os motoristas precisam descer fora da parada.
 

Debate

O suplente Luiz Carlos Schenlrte (PMDB), que está nesta semana no lugar de Raul Cassel (PMDB), perguntou se o benefício se estenderia ao embarque. “Acho que uma emenda neste sentido seria benéfica.” Sergio Hanich (PMDB) frisou que esta lei deverá ser amplamente divulgada.

Gerson Peteffi (PSDB) disse que apresentará uma emenda para que a lei se aplique apenas aos ônibus adaptados. Professor Issur Koch (PP) destacou que muitas pessoas com deficiência – visual ou auditiva, entre outras – não precisam dos ônibus adaptados, por isso, uma emenda assim não seria cabível. Luiz Fernando Farias (PT) lembrou que a legislação federal determinou que, até 2015, todos os ônibus tenham rampas para cadeiras de roda.
 
Fonte: Diário de Canoas