21 de dez de 2012


Empresa berlinense emprega autistas como consultores de TI

Tobias Altrock sentado à mesa, em frente ao computador 
 
Na maioria das vezes, eles possuem bons conhecimentos profissionais, podem pensar de forma lógica e analítica e têm boa capacidade de concentração – mesmo em tarefas que precisam ser repetidas várias vezes. Eles são detalhistas, precisos e têm um alto padrão de qualidade. Mas nem sempre as empresas correrem atrás de tais empregados.

Por volta de 250 mil autistas com a síndrome de Asperger vivem na Alemanha. Trata-se de uma forma mais branda do autismo, cujos portadores possuem as qualidades acima mencionadas. Apesar disso, eles são frequentemente classificados como inaptos para trabalhar pela Agência Federal do Trabalho alemã.

Somente 15% das pessoas com a síndrome de Asperger têm um trabalho normal. O motivo é que elas têm problemas para se integrar num ambiente social de trabalho. Fica difícil atender às exigências das empresas: espírito de grupo, sensibilidade em lidar com outras pessoas e habilidade de comunicação.

Tobias Altrock, 26 anos, tem autismo de Asperger. Ele largou a escola no segundo ano do ensino médio. Até o fim deste ano, ele estava à procura de uma vaga como aprendiz num programa de formação profissional de alguma empresa.

“Não foi por causa das notas”

“Eu me candidatei muitas vezes, mas nunca fui aceito. Tentei encontrar uma vaga de aprendizado profissional”, disse Altrock. “Com certeza não foi por causa das notas, isso já me foi dito várias vezes. Meu psiquiatra me explicou que ele também não me contrataria, se eu fosse convidado para uma entrevista de trabalho. Pode-se ver no meu rosto que sou diferente e que não funciono da forma como geralmente se espera no mercado de trabalho.”

No entanto, no início de novembro, Altrock ganhou finalmente uma oportunidade na vida profissional. Ele foi empregado como consultor júnior na Auticon, uma firma de assessoria em Berlim – e com salário normal de mercado. A Auticon disponibiliza trabalhadores com síndrome de Asperger como consultores de TI (Tecnologia de Informação) para empresas.

A firma foi fundada há cerca de um ano por Dirk Müller-Remus, que deixou para trás seu cargo de executivo numa empresa de tecnologia médica. 

“A mudança foi ocasionada pelo fato de eu ter um filho com síndrome de Asperger”, disse. Segundo Müller-Remus, seu filho quase não é capaz de dar conta de sua vida cotidiana, mas possui enormes talentos e qualidades.

Para Müller-Remus, era difícil imaginar que seu filho poderia exercer uma profissão normal. “Daí tive a ideia de fundar uma empresa que se baseasse nos pontos fortes de autistas.”
 
Bons na gestão de qualidade

Os pontos fortes de muitos autistas com síndrome de Asperger estão principalmente na área de gestão de qualidade, diz Müller-Remus. Na maioria das vezes, eles podem pensar de forma bastante estruturada, analítica e lógica. E como há uma grande demanda por testadores de software, sua firma se especializou em treinar portadores da síndrome de Asperger nessa área e disponibilizá-los para empresas.

Para tal, a Auticon se baseia no conhecimento profissional que o candidato já possui. Muitos dos autistas com síndrome de Asperger aprendem temas da Tecnologia de Informação de forma autodidata. “Desde que tenho oito anos de idade, eu me interesso por questões de informática, por programação, hardware, software e lógica em geral. Tudo o que está ligado a algoritmos e lógica, esse é o meu talento, é o que eu posso fazer muito bem”, disse Altrock.

Para que um ambiente normal de trabalho não seja obstáculo para um consultor de TI, a Auticon lhes disponibiliza os chamados treinadores de trabalho, como Elke Seng. Num estágio inicial, ela identifica qual ambiente se adapta a cada funcionário, qual o tipo certo de iluminação, que tipo de barulho deve ser evitado, onde deve se localizar a mesa de trabalho, se a temperatura deve ser mais quente ou mais fria.

Quando, então, o consultor é inserido em alguma empresa, ela é responsável pela concepção adequada do local de trabalho e conversa com outros funcionários e com os chefes sobre as características do autismo de Asperger. 

“Muitos têm medo de autistas e pensam que eles podem fazer algo errado ou quebrar alguma coisa”, disse Seng. Segundo Müller-Remus, é preciso simplesmente “informar as firmas, bem e abertamente, que está chegando alguém que é diferente e de que forma ele é diferente”.
 
Expansão planejada

Em Berlim, até o momento, a Auticon já empregou seis consultores. Até o fim do ano, esse número deverá se elevar para 12. Também em Munique encontra-se em planejamento uma nova filial que deverá empregar, no início do próximo ano, seis autistas com síndrome de Asperger.

E graças a uma cooperação com a firma de telefonia móvel Vodafone, quatro postos de trabalho para portadores da síndrome de Asperger irão surgir numa nova filial que está sendo montada em Düsseldorf. Enquanto em outros países já existem empresas similares, na Alemanha, a Auticon é a primeira a treinar autistas com síndrome de Asperger para empresas.

O filho de Müller-Remus ainda não pôde se beneficiar da empresa de seu pai, pois seus talentos estão na área musical. Segundo levantamentos estatísticos, somente 15% dos autistas com síndrome de Asperger se interessam pela área de TI, disse Müller-Remus.

Por esse motivo, ele considera expandir gradualmente o portfólio de serviços da Auticon em torno do tema da gestão de qualidade. De modo que, no futuro, também possam ser empregados funcionários que tenham, por exemplo, seus pontos fortes nas áreas de idiomas e música.
 
Vantagens econômicas

Para a economia alemã, significa o aproveitamento de um grande potencial inexplorado; para o Estado, uma carga menor de assistência social. Mas e para os afetados?

“Eu ouvi e li biografias muito tristes e muito chocantes”, explicou Elke Seng. “Para muitos, e isso eles mesmos dizem, trata-se da última ou única oportunidade que tiveram no mercado de trabalho.”

Na Auticon, disse Seng, o potencial de tais empregados pode florescer num espaço mais curto de tempo. “Outro dia, um dos novos funcionários me disse: ‘Sra. Seng, na verdade eu tinha uma consulta com o psiquiatra, mas desde que eu comecei a trabalhar aqui, eu não preciso mais ir, porque estou me sentindo muito bem’.”
 

Prêmio Direitos Humanos 2012 contempla militante da área da pessoa com deficiência da Bahia

Alexandre recebe o prêmio ao lado da presidenta Dilma Rousseff 
 
O superintendente da Secretaria da Pessoa com Deficiência do estado da Bahia, Alexandre Baroni, foi um dos contemplados na 18ª edição do Prêmio Direitos Humanos 2012.

O superintendente, que é deficiente físico, recebeu o troféu na categoria “Garantia dos direitos das pessoas com deficiência”, que tem como objetivo reconhecer a atuação da sociedade em prol da equiparação de oportunidades, da inclusão social e da promoção e defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

A solenidade de entrega do prêmio ocorreu nesta segunda-feira (17), em Brasília, e contou com a participação da Presidenta da República, Dilma Rousseff, da Ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), e dos ministros Antônio Patriota, das Relações Exteriores, Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, e Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, entre outras autoridades.

]Ao receber o prêmio, Baroni se disse honrado com a homenagem e ressaltou o trabalho que vem sendo desenvolvido no estado para assegurar direitos das pessoas com deficiência. 

“Na Bahia conseguimos efetivar políticas muito importantes como o passe livre, a realização da nossa 3ª conferência estadual, e também obras visando acessibilidade. Esse é um grande avanço”, afirmou. 

Como desafio para o futuro, o superintendente afirma que o importante agora é levar o tema para o interior do estado, com políticas efetivas de apoio as pessoas com deficiência que moram nas regiões interioranas da Bahia.

Prêmio - O Prêmio Direitos Humanos consiste na mais alta condecoração do governo brasileiro a pessoas físicas ou jurídicas que desenvolvam ações de destaque na área dos Direitos Humanos. Nesta edição, foram contempladas 15 categorias e outras duas homenagens especiais.
Fonte: Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com DeficiênciaSite externo.

Comitê Paralímpico Brasileiro premia os melhores de 2012

Atletas paralímpicos brasileiros 
Para celebrar todas as conquistas do ano nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) realizou na quarta-feira, 19, o segundo Prêmio Paralímpicos, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro.

Sede dos próximos Jogos Paralímpicos, a cidade foi escolhida para encerrar o ciclo Pequim 2008 – Londres 2012 e abrir o novo Londres 2012 – Rio 2016.

 A festa contou com a atriz Daniele Suzuki e o cantor Gabriel “o Pensador” como mestres de cerimônia, e com presenças ilustres como o ministro do Esporte, Aldo Rebelo; a Secretária de Estado, Dra. Linamara Rizzo  Battistella, da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo; o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e dos Jogos Rio 2016, Carlos Nuzman; presidente da Autoridade Pública Olímpica, Márcio Fortes; o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Andrew Parsons, entre outros.

“O Brasil ser sétima potência do mundo é uma grande conquista em qualquer área. Isso mostra que o esporte paralímpico brasileiro não é mais uma nação emergente. Estamos inseridos entre os maiores. Não fechamos o ano com chave de ouro, mas o ciclo. A segunda edição do Prêmio mostra que o paradesporto brasileiro ganhou maturidade e relevância graças aos atletas que nós temos”, exaltou Parsons.

Parsons destacou ainda as parcerias feitas pelo CPB com o Estado de São Paulo, a Prefeitura do Rio de Janeiro, o Ministério do Esporte e o Governo Federal, fundamentais para as conquistas do Brasil em 2012.

Escolhido para o Prêmio Personalidade Paralímpica, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, ressaltou as vitórias do Brasil em 2012.

“Nossos atletas representam disciplina, vitória do nosso povo e do nosso País. Sou ministro do Estado do Esporte, servidor público, brasileiro e em nome da sociedade brasileira tento fazer o que está ao alcance para que vocês tenham o melhor. Contem conosco, contem sempre”, disse.

O prêmio de Melhor Técnico de Esporte Individual foi entregue pela Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Dra. Linamara Rizzo Battistella, à Marcos Rojo.

“O esporte faz a diferença quando o que nós queremos é respeitar os direitos humanos. Marcos, você e Daniel formam uma dupla que fez o Brasil chorar de emoção”, disse a Dra. Linamara.

Márcia Lins, secretária de Estado de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro, entregou o prêmio de Melhor Técnico de Esporte Coletivo para Alessandro Tosim, do Goalball.

“É uma emoção muito grande falar sobre Esporte Paralímpico. Estamos no Rio de Janeiro, que sediará os Jogos de 2016 e mais do que nunca precisamos dos técnicos e atletas para mostrarem ao mundo o momento que estamos vivendo. Certamente iremos comemorar muito juntos em 2016”, afirmou a secretária.

Entregue àqueles que se dedicam ao Movimento Paralímpico, o prêmio Aldo Miccollis foi entregue pelo vice-presidente do CPB Mizael Conrado a Rivaldo Araújo da Silva, coordenador geral de Paradesporto de Alto Rendimento no Ministério do Esporte.

“Construir o futuro é reconhecer o passado e valorizar o presente. Várias pessoas ao longo de sua história estabeleceram grande compromisso com o paradesporto e o professor Rivaldo é uma delas. Sempre esteve envolvido”, destacou Mizael.

Eleito a Revelação de 2012, ouro na Bocha em Londres 2012, Maciel dos Santos recebeu o prêmio das mãos do vice-presidente do CPB, Luiz Cláudio Pereira.

“É uma honra ganhar esse prêmio. Me dedicarei cada vez mais para representar bem o Brasil”, prometeu.

Mais aguardado da noite, o Prêmio de Melhor Atleta pelo voto popular foi anunciado no fim da cerimônia. Em disputa acirrada, os velocistas Alan Fonteles e Terezinha Guilhermina venceram.

“Este ano foi muito especial. Realizei muitos sonhos. Agradeço ao Guilherme, meu guia, ao meu treinador Amaury Veríssimo, meus patrocinadores, o Time São Paulo. Ser brasileira é uma honra”, disse Terezinha, vencedora com 44,45% dos votos.

Eleito com 39,76% dos votos no Masculino, Alan reforçou o agradecimento de Terezinha.

“É um prazer imenso receber o prêmio de melhor atleta do Atletismo e do Ano. Agradeço ao Ministério do Esporte, CPB, Time São Paulo que me fizeram chegar como cheguei à Londres e conquistar o ouro”.

VOTO POPULAR

Melhor Atleta Feminino

1º Terezinha Guilhermina, com 44,45%
2º Shirlene Coelho, com 29,5%
3º Lúcia Teixeira, com 26,05%



Melhor Atleta Masculino

1º Alan Fonteles, com 39,76%
2º Dirceu Pinto, com 30,34%
3º Daniel Dias, com 29,9%

 
MELHORES ATLETAS 2012

ATLETISMO
 
Alan Fonteles Cardoso de Oliveira

BASQUETE EM CADEIRA DE RODAS
 
Lia Maria Soares Martins


BOCHA

Dirceu José Pinto


CANOAGEM

Fernando Fernandes de Padua.



CICLISMO

João Alberto Schwindt Filho


ESGRIMA EM CADEIRA DE RODAS

Jovane Silva Guissone


FUTEBOL DE 5

Ricardo Steinmetz Alves


FUTEBOL DE 7

Marcos Yuri Cabral da Costa


GOALBALL

Romário Diego Marques


HALTEROFILISMO

Rodrigo Rosa de Carvalho Marques


HIPISMO

Sérgio Fróes Ribeiro de Oliva



JUDÔ
 
Lúcia da Silva Teixeira

NATAÇÃO

 
Daniel de Faria Dias

REMO

Cláudia Cícero dos Santos


RUGBY EM CADEIRA DE RODAS

 
Alexandre Keiji Taniguchi

TÊNIS DE MESA

 
Bruna Costa Alexandre

TÊNIS EM CADEIRA DE RODAS
 
Daniel Alves Rodrigues
 

TIRO COM ARCO
 
Francisco Macicledes Barbosa Cordeiro

TIRO ESPORTIVO

 
Carlos Henrique Prokopiak Garletti
 
TRIATLO

Rodrigo Feola Mandetta


VELA


Elaine Pedroso da Cunha

VOLEIBOL SENTADO

 
Janaína Petit Cunha

MELHOR TÉCNICO ESPORTES INDIVIDUAIS

 
Marcos Rojo Prado (Natação)

MELHOR TÉCNICO ESPORTE COLETIVO

 
Alessandro Tosim (Goalball)

PRÊMIO REVELAÇÃO

 
Maciel de Souza Santos

PRÊMIO ALDO MICCOLLIS

 
Rivaldo Araújo da Silva – Coordenador Geral de Paradesporto de Alto Rendimento no Ministério do Esporte

PERSONALIDADE PARALÍMPICA

Ministro do Esporte Aldo Rebelo


Inclusão e acessibilidade para pessoas com deficiência são debatidas na UFAM

Convidados sentam à mesa na abertura do evento
A conferência “Inclusão da Pessoa com Deficiência na UFAM: Onde estamos e Aonde Precisamos Chegar”, cujo objetivo é avaliar as ações desenvolvidas nas universidades brasileiras junto às pessoas com deficiência. 

O evento ocorre até sexta-feira, 21, no auditório da Faculdade de Estudos Sociais (FES) e está sendo promovido pela Comissão de Inclusão e Acessibilidade da UFAM
 .
Na solenidade de abertura, a reitora, professora Márcia Perales, salientou sobre a importância do evento e as ações realizadas pela atual Administração. Ressalta ainda que a criação da Comissão de Inclusão e Acessibilidade da Ufam (CIAU) foi uma decisão importante diante de desafios para acomodar todos os grupos de pesquisas e comissões.

A reitora acredita que as ações afirmativas desenvolvidas pela Instituição democratizam a acessibilidade à Ufam, as quais fazem parte de um conjunto de ações voltada para essa questão. citou a CIAU como um espaço de pessoas comprometidas com as causas das pessoas deficientes, ajudando a Administração Superior a implementar políticas públicas institucionais.

“Dar oportunidade e reconhecimento de cidadania para todas as pessoas que tenham algum tipo de deficiência tem relação direta com o compromisso de uma instituição publica federal que de maneira alguma pode buscar a excelência acadêmica desvinculada do compromisso social”, declara a reitora.  

A Coordenadora do evento e professora do departamento Teoria e Fundamentos da Faculdade de Educação (Faced), Nídia Regina Limeira de Sá, disse que no último senso do IBGE, aponta que 15% da população brasileira com algum tipo de deficiência.

Segundo a coordenadora, há uma preocupação para que esse cenário se modifique, ampliando o número de deficientes no contexto da Universidade. Ela completa: “Para que isso venha ocorrer, ações devem ser realizadas, para tanto, a convocação de órgãos e entidades para discutir essa realidade é essencial.”

“As discussões que estão ocorrendo no evento demonstram o reflexo social, considerando a dificuldade da sociedade em oferecer aos deficientes a devida atenção que precisam e merecem”, frisa a coordenadora.

Para o vice-presidente da Comissão de Inclusão e Acessibilidade da Ufam,  Gilberto Libânia, o seminário é um dos primeiros passos para enriquecer a verdadeira essência que as pessoas com deficiente necessitam para ingressar na Universidade Pública.    

Nesse sentido, segundo o vice-presidente, a Universidade deve estar preparada para a questão da diversidade social. Nesse evento, as discussões estarão voltadas para elaboração de um documento de políticas públicas que deverão ser inseridas na Estatuinte da Ufam, garantido as ações sociais no âmbito da Universidade.

A titular da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência no Amazonas (SEDPDA), Vânia Suely de Melo e Silva, a sociedade brasileira tem uma atenção especial para esse tema, entretanto, há necessidade de realizar ações mais concretas em relação à acessibilidade e a inclusão social das pessoas com deficiência, não somente no ensino superior, mas em todos os aspectos de vida.

Ela destaca a criação da SEDPDA e que o Amazonas é o terceiro Estado da federação a dar importância as pessoas com deficiência. 

O encerramento do evento ocorre no dia 21 de dezembro, quando serão realizados o “Colóquio de Programas de Pós-Graduação”, a mesa-redonda “Questões sobre a Surdez e os Surdos em Cursos de Pós-Graduação” e a Conferência Internacional: “Ensino Superior e Pós-Graduação Strictu Sensu para Surdos em Portugal”, esta última, a ser proferida pela professora Marta Morgado, do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa.

Para mais informações, os interessados devem entrar em contato pelo (92) 8827-2574 ou pelos e-mails:  euapoio@ufam.edu.br e cia@ufam.edu.br.

Mouse adaptado ajuda pessoa com deficiência motora a operar computador

Um laboratório de pesquisas em acessibilidade em Campinas (SP) desevolveu um equipamento que permite o uso de computadores por pessoas com deficiência motora.
Um dispositivo de borracha permite o controle do cursor com pequenos movimentos da mão.

O aparelho usa a combinação das medições de aceleração feitas pelo braço do paciente, o rastreamento do pulso do paciente por câmeras e detecção de impulsos elétricos emitidos pelo próprio corpo ao mover um determinado músculo. 

A combinação de todos esses fatores é analisada pelo aparelho e permite o controle do computador.

O laboratório, criado em julho deste ano, ainda tem dez projetos de auxílio para deficientes em desenvolvimento só na região de Campinas. 

Segundo o coordenador José Beiral, a tecnologia com o uso do mouse adaptado é ideal para as ações que o usuário consegue executar. "Se nós tratarmos o pior caso, os outros serão mais fáceis", explica.

Para Beiral a técnica poderia ser aplicada a movimentos de outros membros, além de sopro, sucção ou até mesmo sons. 

O equipamento ainda é capaz de diferenciar sons externos, mudanças de pressão do ambiente, de maneira a identificar apenas as ações do paciente que faz o uso do material.

A pesquisa do equipamento está, atualmente, em fase de testes. "Nós precisamos enviar o equipamento para diferentes instituições para corrigir eventuais problemas", afirma Beiral. O coordenador prevê que o equipamento possa ser produzido em larga escala dentro de um ano.

Fonte: G1

Discriminação existe, diz mãe do primeiro aluno com Down da UFG


Em fevereiro deste ano, o Terra contou a história de um jovem que, aos 21 anos, tornou-se o primeiro estudante com Síndrome de Down aprovado no vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG). 

Passados 10 meses, o fato inédito transformou-se em um exemplo de superação para professores e alunos da instituição. 

Kallil Tavares está no segundo semestre do curso de geografia no campus de Jataí (GO) e contou, em entrevista por telefone, que está "feliz e com muitos amigos".

A pedagoga Eunice Tavares Silveira Lima, mãe de Kallil, concorda que ele foi bem recebido tanto pelos professores quanto pelos colegas. 

"Claro que a discriminação existe em todos os lugares, na universidade não é diferente. Algumas pessoas ficam olhando de lado, não se manifestam, mas, em compensação, tem muitos amigos especiais, que participam, ajudam".

Apaixonado por mapas, Kallil decidiu fazer o vestibular para geografia no ano passado, após concluir o ensino médio em uma escola privada de Jataí. Incentivado pela mãe, ele conseguiu a aprovação, sem correção diferenciada - concorreu em condições iguais a todos os demais candidatos.

No primeiro semestre, Kallil conseguiu aprovação em cinco das oito disciplinas. "Em maio eu percebi que ele estava tendo dificuldades em algumas aulas mais teóricas, então resolvemos trancar uma disciplina. Em outras duas ele acabou reprovando", afirma a mãe. 

Apesar disso, Eunice se diz "surpresa" com o desempenho do filho na faculdade. "A universidade é outro ritmo, bem mais corrido. São muitos textos, conteúdos mais complexos do que ele estava acostumado na escola. 

Mas estamos muito felizes por ele estar conseguindo acompanhar", afirma ao ressaltar que o filho não tem nenhum tipo de privilégio nas avaliações. "Ele faz a mesma prova que todos os outros".

Questionado sobre o que mais gosta na universidade, Kallil não vacila em afirmar: "astronomia, geologia e dos mapas". 

Segundo a mãe, as aulas práticas despertam mais interesse do filho. "É mais fácil para ele quando consegue aprender com algo concreto, como vídeos e imagens. Em geologia, por exemplo, ele participou de uma aula de campo e voltou para casa cheio de rochas que coletou", conta.

No começo do curso, Kallil teve auxílio de uma monitora, uma colega de curso que auxiliava o jovem na leitura dos textos e explicava os conteúdos passados pelos professores. 

No entanto, no segundo semestre ela acabou desistindo da bolsa paga pela universidade e agora a UFG tenta conseguir outro monitor. 

A mãe espera que o problema seja resolvido logo, já que sem a monitoria fica mais difícil garantir o aprendizado.

De acordo com o professor da Faculdade de Educação e coordenador do Núcleo de Acessibilidade da UFG, Ricardo Teixeira, a faculdade de geografia está empenhada em conseguir, o mais breve possível, um novo monitor para Kallil. 

Para Ricardo, a história de superação do estudante é um exemplo para a universidade, que tenta incluir cada vez mais alunos com deficiências físicas e intelectuais.

Neste ano, outro jovem com Síndrome de Down ingressou na UFG, mas não pelo vestibular. O estudante do curso de matemática, cujo nome a universidade não divulga a pedido da família, conseguiu a aprovação pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), por meio da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

"Há quatro anos tínhamos apenas 10 alunos com algum tipo de deficiência na UFG, hoje são mais de 100. Esse movimento a gente espera aumentar ainda mais, com exemplos como o do Kallil", diz o professor.

De acordo com ele, não houve resistência por parte dos professores em dar aula para um aluno com Down. "Essa resistência ao novo é algo comum, mas surpreendentemente não enfrentamos isso com os professores da geografia. 

Não houve nenhuma rejeição e todos tentam se empenhar ao máximo para garantir que ele tenha um bom aproveitamento", afirma.

No entanto, Teixeira lembra que a estrutura física e o acompanhamento oferecido aos alunos com alguma deficiência ainda precisa melhorar. "Isso é algo que estamos em constante construção".

Para Eunice, contudo, a família não cria expectativas e não pressiona o jovem para ser aprovado e concluir logo o curso. "Se for em quatro ou em 10 anos, tanto faz. O importante é que ele se sinta feliz".

Planos para o futuro

 Na conversa com o Terra, Kallil disse que seu sonho é ser professor de geografia. Ele ainda tem uma longa jornada pela frente, já que as aulas do segundo semestre começaram faz pouco por causa da greve dos professores. Mas determinação e vontade de vencer não faltam, mesmo que alguns ainda duvidem.

"A sociedade tem dito historicamente para essas pessoas (com Síndrome de Down) que elas não são capazes, mas essas pessoas estão mostrando que sim, que são capazes. 

O exemplo do Kallil é muito importante para termos consciência que qualquer pessoa que tenha oportunidade, que é estimulada, consegue", afirma o professor da UFG.

Eunice sempre acreditou que o seu menino era capaz de chegar a universidade e de alcançar muito mais. Mas hoje ela diz que a maior alegria da vida é ver o sorriso no rosto do filho todos os dias enquanto se prepara para a aula. "Ele está feliz, não tem nada melhor para uma mãe que ver um filho feliz".

Fonte:
Terra

20 de dez de 2012

Apenas 25% das vagas para pessoas com deficiência são preenchidas


O desemprego atinge 5,3% da população economicamente ativa do país, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feita nas principais regiões metropolitanas.

 É a taxa mais baixa em 10 anos. Mas a maré de boas oportunidades ainda não é para todos. As pessoas com deficiência, seja física ou mental, enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho. E os números são alarmantes. 

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), das 1,2 milhão de vagas específicas para esse público, apenas 300 mil estão preenchidas.

Empresas de segmentos como vigilância, transporte coletivo, construção civil e serviços marítimos, entre outros, são as que mais resistem à contratação desses profissionais e descumprem a Lei nº 8.213/1991 (veja quadro), que determina a reserva de 2% a 5% das vagas para deficientes em empresas privadas com mais de 100 funcionários.

O maior desafio é vencer o preconceito e, sobretudo, a ideia de que eles não conseguem desempenhar funções específicas.

Na avaliação do procurador Flávio Henrique Gondim, do Ministério Público do Trabalho (MPT), a baixa qualificação das pessoas com deficiência é apenas um dos impedimentos para as contratações. 

Os problemas começam na infância, quando elas têm dificuldade de frequentar a educação básica, e seguem por toda a vida. Além disso, as "empresas assumem postura insensível, impõem nível alto de exigência aos candidatos e, por isso, não conseguem suprir a cota". Nesses casos, o MPT tenta negociar termos de ajustamento de conduta (TACs) que evitam processos judiciais, mas, que se não forem cumpridos, podem se reverter em multas de até R$ 500 mil.

Outro problema destacado por Gondim é a forma como foi instituído inicialmente o Benefício de Prestação Continuada (BPC), vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e aplicado em 18 estados brasileiros. 

"Até pouco tempo atrás, o trabalhador ficava sem o benefício se arrumasse uma ocupação.

Atualmente, é apenas suspenso. Se ele perde o emprego, retorna automaticamente ao programa", observa. Para sanar impasses do tipo, o procurador sugere que os deficientes sejam contratados como aprendizes. "Nesse caso, pode-se manter o BPC e a remuneração. É uma alternativa interessante, porque ele ganha qualificação e, ao mesmo tempo, tem renda."

Sonho
 
Gilberto Alves de Oliveira sabe bem o que é buscar incansavelmente uma colocação. Ele ficou tetraplégico aos 20 anos por causa de um tiro que lhe atingiu a nuca. Hoje, aos 28, tenta reconstruir a vida. 

"Tive uma segunda chance de viver, e vou correr atrás dos meus sonhos. Ainda não consegui trabalho porque a minha lesão é alta", lamenta. 

Para ele, o governo não se interessa em qualificar os deficientes para que possam ampliar os horizontes diante do mercado de trabalho.

Regina Aparecida da Silva Amorim, 42 anos, até conseguiu algumas oportunidades. Desde os 11 anos, ela tem espasmos parecidos com tiques nervosos e descontrole da fala. Mas a doença conhecida como Síndrome de Tourette a impediu de continuar nos empregos. 

"Os gestos são involuntários, falo muito e alto. Às vezes, fico repetindo o que me dizem por muito tempo. As pessoas perdem a paciência", explica. "No início de dezembro, consegui uma chance para prestar serviço no Ministério da Cultura. Fiquei apenas um dia. Contrataram-me pela manhã e, no fim da tarde, disseram que eu não precisava voltar. É muito constrangedor."

Os desafios enfrentados pelos milhares de deficientes na busca por uma chance levaram o gestor social Sueide Miranda a criar, em 1999, o Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante para Pessoas com Deficiência (Icep), uma entidade sem fins lucrativos que oferece cursos e aproxima os candidatos a uma vaga a 640 empresas. Para Miranda, falta uma política transversal que atenda esses profissionais.

 "O modelo de inclusão dos deficientes no mercado de trabalho é inadequado. As companhias não preparam os seus funcionários para lidar com eles. Existe muito preconceito sobre a capacidade de cada um", observa.

O presidente do Icep diz que os grandes eventos esportivos dos próximos anos poderiam ser boas escolas para incluir essas pessoas e para conscientizar a sociedade sobre as suas realidades. Mas isso nem sequer está sendo pensado. 

Ao contrário do que acontece com o inglês, não há projeto de treinamento de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). "Temos no Brasil cerca de 80 profissionais na área, mas são necessários pelo menos 400 em eventos de grande porte", analisa.

Serviço público
 
Os concursos são, muitas vezes, a melhor alternativa para os deficientes conseguirem trabalho. 

No caso do funcionalismo, a Lei nº 7.853/1999 estipula que sejam destinadas a esse público entre 5% e 20% das oportunidades do edital.

O serviço público foi onde o cadeirante Alessandro Caraça, 32 anos, encontrou a oportunidade de mostrar do que é capaz. Depois de muitas tentativas na iniciativa privada, ele, enfim, tomou posse como técnico de transporte urbano do DFTrans. "Eu não conseguia emprego, sofri demais. Só depois de passar no concurso, consegui estabilidade", comemora.


Fonte: Correio Braziliense / Clipping Ministério do Planejamento
 

19 de dez de 2012

Projeto brasileiro para cadeirantes vence concurso do Google

Eduardo Battiston


É muito comum as pessoas acharem que ativistas advogam em causa própria. Defende a descriminalização das drogas? Maconheiro. Acha que pessoas do mesmo sexo podem casar se quiserem? Só pode ser homossexual. Pois é, mas a Humanidade é bem menos óbvia que isso. Ainda bem. 

O vencedor do Google Creative Sandbox é o exemplo perfeito dessa falta de obviedade. Eduardo Battiston, o cara da foto aí de cima, criou um projeto que vai facilitar a vida dos cadeirantes da cidade de São Paulo. Ele não tem dificuldades para se locomover – sua ideia foi inspirada nos problemas dos outros.


Batizada de Acessibility View, a ideia é criar uma espécie de Google Street View para cadeirantes. Tudo seria mapeado a partir do ponto de vista de quem depende de uma cadeira de rodas para ir de um lugar ao outro: pontos críticos, as melhores vias e assim por diante. 

Em outubro de 2012, a GALILEU conversou com Eduardo, quando seu projeto era apenas um dos finalistas. Confira abaixo a entrevista e entenda porque o Acessibility View foi o eleito, entre os mais de 4.500 concorrentes, para receber 35 mil reais de incentivo do Google.

 
Para se inscrever no Creative Sandbox, bastava a pessoa enviar uma ideia que respondesse a seguinte pergunta “Como usar criatividade e tecnologia para melhorar a vida das pessoas?” A única regra é que algum produto do Google tinha que estar no centro da concepção do projeto. No caso da grande vencedora, foi o Google Maps. A prêmio foi dado por um grupo de jurados composto, basicamente, por publicitários.

 
O que te inspirou a criar o Acessbility View?

 
Eduardo Battiston: Sempre fui muito sensível em relação ao problema da acessibilidade, principalmente depois de conhecer a realidade das crianças da AACD. Em 2009 tive o prazer de fazer junto com eles um projeto muito bonito: o Unique Types, no qual convidamos designers do mundo inteiro para criar tipografias inspiradas nas crianças atendidas pela entidade.

 
Se você tivesse que explicar como o Acessibility View funciona na prática, para alguém que nunca ouviu falar dele: o que você diria?

 
Eduardo Battiston: A ideia é ajudar os cadeirantes a escolherem as melhores rotas para seus trajetos e, também, sensibilizar as autoridades para fazer a manutenção e as adaptações necessárias. Afinal, ajudar essas pessoas a se locomoverem pelas cidades ajuda na sua inserção na sociedade e, por que não, no mercado de trabalho.



O objetivo do Acessibility View é fazer as pessoas sentirem na pele como é difcíl para um cadeirante se locomover por conta própria?

 
Eduardo Battiston: Esse é apenas um dos objetivos. O objetivo principal é ajudar as pessoas com necessidades especiais a se locomoverem com maior facilidade, levando em conta os obstáculos – muitas vezes intransponíveis – que seus trajetos apresentam. Mas claro que, ao acessar o Accessibility View, uma pessoa sem necessidades especiais vai poder ver – em primeira pessoa – como cada pequeno obstáculo pode impactar a qualidade de vida de um cadeirante.

 
Existe algum tipo de obstáculo que a maioria das pessoas nem se dá conta de que atrapalha a movimentação de um cadeirante? Estamos condicionados a pensar que uma rampa basta. É só isso mesmo?

 
Eduardo Battiston: Amigos cadeirantes reclamam bastante da quantidade de buracos das calçadas e da falta de padronização das mesmas. Além disso, as rampas – quando existem – muitas vezes contam com uma inclinação exagerada, o que impossibilita o acesso dos cadeirantes sem a ajuda de terceiros.

 
Você mora em São Paulo, certo? Qual a pior região, o pior trecho para um cadeirante aqui?

 
Eduardo Battiston: Sou paulistano e atualmente moro em São Paulo. Se nos bairros mais centrais a manutenção das calçadas já deixa bastante a desejar, imagine nas periferias onde a própria topografia muitas vezes não favorece a mobilidade. Mesmo nos bairros mais urbanizados, temos problemas como faixas de pedestres esburacadas, calçadas inclinadas e rampas defeituosas.
 Acredito que a acessibilidade na nossa cidade melhorou muito nos últimos anos, mas ainda temos muito trabalho nessa área. Espero que essa ideia possa contribuir para que a cidade seja cada vez mais acessível, proporcionando lazer, educação, cultura e diversão para as milhares de pessoas com necessidades especiais.

E, certamente, vou precisar da ajuda de parceiros para que essa ideia saia do papel e vire realidade. Já tenho apoio do representante brasileiro das câmeras GoPro que vai fornecer todo equipamento de filmagem necessário para o mapeamento do Accessibility View. Agora espero que a ideia possa ganhar o concurso do Google (estamos entre os 10 finalistas do Google Sandbox Brasil) para que esse apoio de peso atraia outras empresas para ajudar a viabilizar o projeto. 


Fonte: Galileu

Em Curitiba, ônibus adaptados buscarão pacientes

Ônibus adaptado para pessoas com deficiência
Curitiba terá um serviço gratuito para transportar pessoas com deficiência física até hospitais, postos de saúde e clínicas de fisioterapia. 

O projeto Acesso, com lançamento marcado para a próxima sexta, contará com nove micro-ônibus adaptados – um para cada Regional da prefeitura. 

Os veículos vão buscar o usuário e o acompanhante em casa e, após a consulta ou o exame médico, levá-los de volta para a residência. 

Um atendente treinado para lidar com pessoas com deficiência acompanhará os deslocamentos.

A iniciativa é semelhante à que existe na cidade de São Paulo, onde 260 vans são empregadas nesse tipo de atendimento. 

“Percebemos que faltava em Curitiba um serviço porta a porta para as pessoas com deficiência. 

Temos a maioria dos ônibus regulares adaptados e as linhas especiais, que são aquelas do ônibus azul, mas ainda havia uma lacuna a ser fechada”, ressalta o secretário municipal especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Irajá de Brito Vaz. 

“Passageiros com deficiência intelectual severa, que possam vir a ter crises, costumam ser rejeitados por taxistas e motoristas de linhas convencionais. Então a mãe não se sente segura em tirá-los de casa”, justifica.

Inicialmente, a prefeitura espera atender 60 usuários por dia. Porém, a oferta do serviço deve se ampliar gradualmente. De acordo com o secretário, uma frota de 30 micro-ônibus é a ideal para a demanda da cidade. 

A compra, manutenção e operação dos ônibus estão a cargo das empresas detentoras das concessões de transporte público de Curitiba. Essa era uma das obrigações listadas na licitação do transporte realizada em 2010.
 
Estrutura

Um decreto federal de 2004 exige que, até 2014, os municípios brasileiros tenham toda a estrutura de transporte adaptada aos deficientes. Em Curitiba, 92,63% da frota de ônibus está adaptada e 85% das estações-tubo contam com 

elevador ou rampa. De acordo com o último Censo, 27% da população brasileira tem algum tipo de deficiência física ou mental.
 
Cadastro

Interessados devem fazer avaliação médica no Cras.

A linha Acesso deve entrar em operação a partir da próxima segunda-feira. Os interessados precisam se dirigir a um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) na região em que moram. 

Após uma avaliação médica e econômica do beneficiário, o usuário deve comparecer à Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência com as avaliações feitas no Cras e documentos de identificação para a emissão a carteirinha, que deverá ser apresentada aos motoristas dos ônibus.

Os veículos estarão disponíveis de segunda a sexta-feira (excetos feriados), das 7 às 19 horas. 

Os agendamentos poderão ser feitos pelo telefone 3262-1314 ou pelo e-mail acessopcd@pmc.curitiba.pr.gov.br.

Diurético pode aliviar sintomas do autismo, diz estudo

https://encrypted-tbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRl-U6erlN3N6sGXu43J8J9dtG4TbkyI_kua70qyTau05vES6jG 
 
Um medicamento diurético poderia aliviar os sintomas de certos distúrbios do autismo, segundo um estudo realizado por cientistas do Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica francês Inserm, divulgado esta terça-feira (11).

O ensaio foi realizado pelo método duplo-cego aleatório, que permite analisar a eficácia de um novo medicamento, evitando que o cientista e o indivíduo testado tenham conhecimento se a substância usada é experimental ou uma substância inócua.

Participaram do estudo 60 crianças com idades entre 3 e 11 anos, portadoras de várias formas de autismo, que tomaram, aleatoriamente, durante três meses, ora o diurético bumetanida -- na proporção de 1 mg por dia -- para "reduzir os níveis de cloro" nas células, ora um placebo.

As crianças foram acompanhadas durante quatro meses, o último deles sem terem ingerido o medicamento.

A severidade dos distúrbios autísticos das crianças foi avaliada no início do estudo e ao final do tratamento, ou seja, ao cabo de 90 dias e um mês depois deste prazo.

Embora não seja uma cura, o tratamento permitiu a três quartos das crianças tratadas uma diminuição da severidade dos distúrbios autísticos, segundo pesquisadores do instituto francês cujo trabalho foi publicado esta semana no periódico "Translational Psychiatry".

Com a suspensão do tratamento, alguns problemas reaparecem."Mesmo que não possa curar a doença, o diurético diminui a severidade dos distúrbios autísticos da maioria das crianças. 

Segundo os pais destas crianças, eles são menos presentes", segundo Yhezkel Ben-Ari, pesquisador do Inserm em Marselha, na França, um dos co-autores do estudo. A título de exemplo, os profissionais notaram melhora na atenção e na interação.

Para determinar a população abrangida por este tratamento, os cientistas apresentaram um pedido de permissão para fazer um estudo em vários centros em escala europeia e, no futuro, obter uma autorização para esta indicação.

Os cientistas reforçaram a necessidade de se avaliar o efeito a longo prazo deste tipo de tratamento e aprofundar a pesquisa sobre seus mecanismos de ação.

Em um comentário divulgado pelo periódico, um especialista, o professor emérito Uta Frith, do Instituto de Neurociência Cognitiva da University College, de Londres, na Inglaterra, disse ser "cético" por ver vários tratamentos do autismo surgir e depois desaparecer.Ele julgou "modesto" o efeito do medicamento, mas destacou, entretanto, a seriedade do estudo.

Fonte: G1

18 de dez de 2012

Bradesco Seguros lança serviço de acessibilidade para surdos

Símbolo da surdez
Com o avanço dos meios digitais já é possível quebrar uma grande barreira de comunicação entre os surdos e a sociedade.

O Grupo Bradesco Seguros lançou o serviço digital Bradesco Seguros LIBRAS, uma ferramenta de acessibilidade para a comunidade que utiliza a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). 

A ferramenta, inédita no Brasil, permite a tradução do português para LIBRAS.

Por meio de um avatar disponível nos sites da Bradesco Seguros, da Bradesco Auto/RE, da Bradesco Saúde e da Bradesco Vida e Previdência – empresas integrantes do grupo segurador – o usuário tem acesso ao conteúdo dos sites. 

As páginas disponíveis para tradução são identificadas por um ícone que remete a LIBRAS. Ao clicar no ícone, aparecerá o avatar.Entre os objetivos da solução, está o de quebrar a barreira de comunicação com os surdos que não conhecem a língua portuguesa ou preferem a Língua Brasileira de Sinais – um contingente estimado em 2,7 milhões de pessoas no Brasil. 

Bradesco Seguros LIBRAS foi desenvolvido em parceria com a ProDeaf, de Recife/PE, especializada em pesquisa e criação de plataformas de comunicação para surdos.

“Para melhor atender os surdos, consultamos essa comunidade, apresentando os protótipos com a participação direta de 18 pessoas colaboradores das empresas do Grupo Bradesco Seguros que passaram a atuar como disseminadores para outros 40 participantes. 

Nosso objetivo é fazer com que toda a comunicação do grupo segurador e das empresas que o compõem esteja acessível a esses cidadãos. 

Para isso, continuaremos a investir no aprimoramento de ferramentas cada vez mais adequadas”, afirma Enrique Adan, Diretor de Soluções Digitais do Grupo Bradesco Seguros.

A contribuição desses participantes foi fundamental na indicação de um personagem (avatar) que reunisse as características da língua utilizada pelos surdos. Isso porque a comunicação em LIBRAS envolve não apenas os movimentos das mãos, mas também expressões faciais e movimentos do corpo. 

Outro cuidado do desenvolvimento do aplicativo foi evitar uma tradução palavra a palavra - que não faz sentido para os surdos, que compreendem as informações por imagens -, mas, sim, fornecer uma versão da mensagem para se adequar à forma como eles captam as informações.

O serviço adotado pelo Grupo Segurador foi desenvolvido pela ProDeaf. A empresa, nascida no polo de tecnologia no nordeste brasileiro, conta com uma equipe integrada por programadores, linguistas, designers e também por surdos, que ajudam no entendimento das dificuldades diárias vivenciadas por eles. O Grupo Bradesco Seguros patrocina o Bradesco Seguros LIBRAS na versão web.
 

Tecnologia faz com que cegos leiam com os próprios olhos

Símbolo da deficiência visual

Uma recente descoberta promete mudar (pra melhor, é claro) radicalmente a maneira como deficientes visuais se relacionam com o mundo. 

Ao adaptar uma conhecida tecnologia que permite que cegos consigam enxergar rudemente, cientistas conseguiram dar um passo além: fazer com que eles consigam ler. Sem as mãos, sem precisar tocar no Braille - tudo na base da boa e velha visão.
 
Com o sistema Argus II, o usuário tinha uma versão pixelizada do mundo: um par de óculos com uma câmera acoplada manda sinais eletrônicos diretamente para a retina da pessoa. 

Essa espécie de mini-monitor era visualizado na forma de um quadrado com 60 eletrodos; fazendo com que fosse possível distinguir claro e escuro, além de coisas como a passagem por uma porta e a mudança de um ambiente para o outro. 

Acontece que essa tecnologia é rudimentar demais para que se consiga ler, a fonte da palavra tinha que ser grande demais e mesmo assim levaria minutos até que o conteúdo dela fosse totalmente compreendido. Com pequenos ajustes, mas partindo do mesmo princípio, pesquisadores da empresa americana Second Sight, lapidaram a tecnologia e chegaram a resultados bastante animadores.
Como o Braille é baseado num padrão de 6 pontos, recombinados de maneiras diferentes pra cada letra, número ou símbolo (vírgula, ponto final, etc) eles perceberam que os eletrodos usados no Argus II poderiam ser utilizados para representar esses pontos, como se fosse uma analogia ao Braille propriamente dito. 

Ao estimular 6 dos 60 eletrodos, a pessoa consegue ler sem precisar encostar em nada. Um implante com os tais eletrodos é colocado atrás do olho do usuário, bem em cima da retina, e as letras em Braille são enviadas via wireless para o dispositivo. Quer dizer, isso ainda não permite que um cego leia um livro no ônibus, mas certamente fará ele chegar com muito mais tranqüilidade no seu destino final.

Esse é o verdadeiro avanço do novo Argus II: fazer com que deficientes visuais consigam interpretar placas e outros sinais que facilitam a locomoção nas ruas.

Para pessoas com a visão boa, isso passa batido, mas nosso cotidiano é orientado por esse tipo de aviso – desde qual rua virar até a qual estação de metrô descer. Adaptando esses locais públicos à tecnologia recém-descoberta, a vida dos cegos ficará consideravelmente mais fácil.

Durante os primeiros testes, a eficiência do sistema provou-se bem alta. Quando vistas individualmente, o índice de acerto das letras foi de 89%. Palavras com duas letras tiveram uma taxa de 80% e as de 4 chegaram a 70%. 

Apesar desses números, os pesquisadores acreditam que palavras longas são mais fáceis de serem interpretadas, já que, nesse caso, errar uma letra implica em menos dificuldade de adivinhar o significado total.
 
Fonte: Portal Nacional de Tecnologia Assistiva