28 de fev de 2014

Bloco Senta Que Eu Empurro faz desfile inclusivo na Zona Sul do Rio

Desenho de um cadeirante tocando instrumento musical


Pelo sétimo ano consecutivo, a administradora de empresas Ana Cláudia Monteiro, cadeirante, leva às ruas do Catete, zona sul do Rio de Janeiro, o bloco Senta Que Eu Empurro. Ele sai no próximo dia 28, “sempre na sexta-feira que precede o carnaval”,  disse Ana Cláudia hoje (21) à Agência Brasil.
 
A ideia do bloco surgiu de um grupo de pessoas que trabalhavam no Instituto Brasileiro dos Direitos da  Pessoa com Deficiência (IBDD) e que gostavam muito de carnaval. Um dia, a psicóloga Márcia Benevides, deficiente visual, que trabalhava com o grupo, manifestou o desejo de saber qual era a sensação de andar de cadeira de rodas.  


“Então, alguém falou: Senta que eu empurro, Márcia. Na hora, a gente pensou: poxa, dá um bloco de carnaval, vamos fundar. No grupo, tinha um jornalista e ele espalhou a notícia. Fez uma matéria falando do bloco e a gente foi obrigado a botar o bloco na rua”, disse Ana.


De acordo com cálculos da Polícia Militar e da Guarda Municipal, cerca de 2 mil pessoas participaram do desfile no ano passado. Ana Cláudia disse que vem gente de fora do Rio especialmente para desfilar no bloco.


“Em geral, são muitas pessoas com deficiência,  de todas as partes que você puder  imaginar. Gente de São Paulo, do Maranhão, de Minas Gerais, que vem só para o desfile do bloco, além de pessoas com deficiência do Rio e moradores do bairro, que têm um carinho  especial pelo bloco”.
 
Ana Cláudia disse que o Senta Que Eu Empurro é um bloco que tem como objetivo a inclusão. “A ideia é essa. É mostrar que todo mundo pode brincar o carnaval, cada um à sua maneira”.


A turma começará a se concentrar a partir das 18 horas, na Rua Artur Bernardes, número 26. A saída do desfile está marcada para às 20 horas. 


Depois de percorrerem várias ruas do bairro, os integrantes do bloco encerram o desfile no estabelecimento Paraíso do Chope. “Termina tudo com uma chopada”.


A porta-bandeira do bloco é a pentacampeã brasileira de dança  em cadeira de rodas, Viviane Macedo.  A madrinha de bateria é uma anã passista de escola de samba, Viviane Alves de Assis. Outra passista é a primeira repórter com Síndrome de Down do Brasil, Fernanda Honorato. Fernanda é apresentadora do Programa Especial da TV Brasil.





Deficiente visual será avaliador de bateria em Carnaval de Praia Grande (SP)

Imagem aérea de um desfile de escola de samba na Praia Grande


As 14 agremiações carnavalescas de Praia Grande, no litoral de São Paulo, irão desfilar a partir do próximo dia 3 de março, na Passarela do Samba João Apolônio. 


As novidades desse ano serão o ensaio técnico e o avaliador de bateria, que assim como em São Paulo, será um deficiente visual.
 
De acordo com o Presidente da Liga das Escolas, Abdul Hadi, 95% dos preparativos já estão concluídos. “A estrutura principal já está pronta. Só o que nos resta resolver são os camarotes, que ainda estão sem cobertura, e também providenciar a iluminação”, afirma.
 
A partir deste ano, o avaliador do quesito bateria será um deficiente visual. “Há dois anos isso já vem sendo implementado na Grande São Paulo. Praia Grande será a primeira cidade da Baixada Santista a usar isso”, conclui.
 
Os desfiles das 14 escolas de samba acontecem nos dias 3 e 4, divididos entre Primeiro Grupo e Grupo Especial. Para o desfile, as agremiações receberam subvenção municipal de R$ 52 mil para cada escola do Primeiro Grupo e R$ 80 mil para cada uma do Grupo Especial. Como premiação, serão distribuídos R$ 65 mil entre as três primeiras colocadas de cada grupo.

 

Confira a programação completa dos dois dias de evento:


PRIMEIRO GRUPO (segunda, dia 03 de março)
 
19h – Abertura Oficial Afoxé Laroyê e Corte Carnavalesca
 
20h30 às 21h10 - G.R.C.E.S Guaratude
 
21h20 às 22h - G.R.C.E.S Favoritos do Forte
 
22h10 às 22h50 – G.R.C.E.S. Cristal de Praia Grande
 
23h00 às 23h40 – G.R.C.E.S. Mocidade Independente Star na Avenida
 
23h50 às 00h30 - G.R.C.E.S Unidos da Ocian
 
00h40 às 1h20 – G.R.C.E.S João Apolônio CESAC

1h30 às 2h10 – G.R.C.E.S Acadêmicos da Ilha do Caieiras
 

GRUPO ESPECIAL (terça-feira, dia 4 de março)
 

21h00 às 21h50 – G.R.C.E.S Acadêmicos de Praia Grande
 
22h às 22h50 - G.R.C.E.S. Império da Baixada
 
23h00 às 23h50 – G.R.C.E.S. Casa do Mestiço
 
00h às 00h50 - G.R.C.E.S. Mancha Verde-Baixada
 
1h – às 1h50 - G.R.C.E.S. Folia 99 FM
 
2h às 2h50 - G.R.C.E.S. Unidos da Vila do Sapo
 
3h às 3h50 - G.R.C.E.S. Amigos do Samba
 

APURAÇÃO CARNAVAL DA FAMÍLIA 2013
 
Quarta-feira, dia 5 de março, às 13h.





João Pessoa (PB) disponibiliza camarote para que pessoas com deficiência participem do carnaval


O Programa de Inclusão e Cidadania para Pessoas com Deficiência da Prefeitura Municipal de João Pessoa instalou um camarote especial na Via Folia para garantir o acesso de todos aos eventos públicos. 


O espaço, que tem capacidade para até 40 ocupantes, fica localizado em frente ao supermercado Pão de Açúcar, na avenida Epitácio Pessoa.
 

O acesso ao camarote é simples. Basta que a pessoa se identifique para o guarda municipal, que estará na entrada do local, informou o assessor técnico do programa, Thiago Diniz. 


“A ação de inclusão social das pessoas com deficiência teve início na festa de São João da Prefeitura, no ano passado, e deu muito certo. O que a Prefeitura pretende com essa iniciativa é garantir o direito de todos”, afirmou.
 
O espaço é estruturado com rampas de acesso, banheiros adaptados para a pessoa com deficiência, que poderá prestigiar o evento levando um acompanhante. 


A coordenação do programa de inclusão da PMJP se preocupou também em disponibilizar 10 vagas de estacionamento para pessoas com qualquer tipo de deficiência. Estas ficam ao lado da igreja Nossa Senhora de Fátima, em Miramar.


“O turista que tiver qualquer tipo de deficiência também poderá subir no camarote para assistir a passagem dos blocos. Basta, para isso, apresentar a carteira com foto”, acrescentou Thiago Diniz.






Sambódromo não é totalmente acessível para a pessoa com deficiência

Vista aérea do Sambódromo do Rio


Com uma festa acessível, a pessoa com deficiência tem a garantia do direito de igualdade e cidadania plena. Mas não é isso o que vem acontecendo no Carnaval do Rio, dentro da Avenida, apesar das obras de remodelação do Sambódromo em 2012, e fora da Avenida, mesmo após as promessas do prefeito Eduardo Paes para acessibilidade nas ruas.
 
Apenas os setores pares e algumas frisas do setor 13, reservadas para pessoas com deficiência com direito a um acompanhante, são acessíveis, mas todos os setores do Sambódromo deveriam estar adaptados, como determina a Lei Municipal 273/81. 


Essa lei não é respeitada, e, mesmo nas áreas destinadas às pessoas com deficiência, a estrutura não é totalmente adequada. “Devemos insistir para que todo o Sambódromo seja acessível e para que todas as pessoas com deficiência possam assistir ao Carnaval de onde quiserem, com quem quiserem” afirma Teresa Amaral, Superintendente do IBDD.
 
Apesar das obras de remodelação da Sapucaí, concluídas em 2012, as promessas do prefeito Eduardo Paes não foram concretizadas, o que contradiz declaração no site da Prefeitura.


"Em 2012, terminou a reforma para adequar o Sambódromo às exigências do maior evento esportivo do planeta – nos Jogos Paralímpicos, o local receberá as provas de tiro com arco. As novas instalações foram equipadas com banheiros adaptados, elevadores e áreas destinadas a pessoas com cadeira de rodas, obesos, cegos e com mobilidade reduzida. Se antes o acesso de pessoas com deficiências era restrito à Praça da Apoteose, agora há lugares em todos os setores”, descreve erroneamente o texto.
 
Fora da Apoteose, obstáculos como calçadas quebradas, sem rampa e repletas de lixo também dificultam a participação das pessoas com deficiência nos blocos de rua. 


“Em Copacabana, Botafogo, Ipanema, Leblon, ainda tem outro problema: as pedras portuguesas, que apesar de serem lindíssimas, vivem soltando das calçadas, gerando buracos, que mais parecem crateras lunares e vivem sendo um tormento para os deficientes físicos. No carnaval vou ficar em casa assistindo tudo do meu sofá. Prefiro a lidar com o tormento. Vida de pedestre não é fácil no Rio, ainda mais para deficientes físicos e visuais. Acessibilidade não faz parte do cotidiano, vou passar o carnaval em casa por isso" reclama o cadeirante Pablo Cabral Júnior.
 

“Sou contra a o Setor 13, um setor exclusivo para pessoas com deficiência. Sou contra qualquer tipo de segregação, a do Sambódromo é ainda mais ofensiva porque acontece no carnaval carioca, uma imensa festa de alegria e congraçamento” completa Teresa Amaral.



Fonte: IBDD



Dica de ‪#‎BLOCOSINCLUSIVOS‬ para os ‪#‎FOLIÕESCARIOCAS‬


27 de fev de 2014

Belém (PA) promove o carnaval da Inclusão para pessoas com deficiência

Desenho de máscara de carnaval



A Prefeitura de Belém realiza nesta sexta-feira, 28, o I Crie Folia, evento que vai reunir crianças, jovens e idosos com deficiência atendidos pela rede municipal em um arrastão de Carnaval nas ruas do centro de Belém. 


São esperados mais de duzentos alunos das escolas municipais Francisco Nunes (Guamá), Almerindo Trindade (Pedreira), Palmira Carvalho (Marambaia), Ida de Oliveira (Val-de-Cães) e Ernestina Rodrigues (São Brás).
 
O evento terá apoio da Guarda Municipal de Belém e da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém – SeMOB


É a primeira vez que o Município realiza uma programação carnavalesca voltada para a inclusão de pessoas com deficiência. 


No I Crie Folia haverá participação da bateria escola de samba Crias do Curro Velho e alunos do projeto trupe da inclusão com fantasias épicas.
 

O evento será a partir das 10 horas da manhã com a saída do cortejo da frente da sede do Crie, na Avenida Gentil Bittencourt, Nº 694 e percorrerá a Travessa Quintino Bocaiúva, a Avenida Conselheiro Furtado, a Travessa Rui Barbosa e retornará até a sede do Crie.
 

O Crie é o Centro de Referência em Inclusão Educacional da Secretaria Municipal de Educação e atende alunos com deficiência da rede municipal de ensino com serviços especializados dirigidos especificamente para esse público.





SEAD fiscaliza acessibilidade no Galo da Madrugada

Boneco em forma de galo, que simboliza o Galo da madrugada


Às vésperas do carnaval, Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência -SEAD, órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos intensificou o calendário de fiscalizações em parceria com o CREA-PE (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Pernambuco) e aos demais órgãos que integram o Grupo da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI).


Até sexta-feira (28), estão previstas mais duas vistorias com foco no Galo da Madrugada. Na quinta-feira (27), foram vistoriadas as arquibancadas instaladas na Praça do Diário e na sexta-feira (28), será a vez de trios elétricos e carros de apoio. Essa fiscalização irá ocorrer no Cais de Santa Rita.


No último dia 20, foram verificadas as condições de segurança das estruturas montadas que servirão de arquibancadas e camarotes na Avenida Sul e na rua Imperial, importantes corredores de circulação de pessoas durante o desfile do bloco que tradicionalmente leva milhares de foliões para o centro do Recife no Sábado de Zé Pereira.


Durante a fiscalização, a equipe da SEAD, coordenada pela secretaria executiva de Justiça e Direitos Humanos, se deparou com uma série de irregularidades como calçadas sem rampas, muitos buracos e diversos obstáculos que impedem a acessibilidade de foliões com deficiência


Os coordenadores de Acessibilidade, Lúcia Gomes, e Articulação e Saúde, Edmilson Silva, deram orientações para corrigir as irregularidades. Até o dia do desfile, outras fiscalizações serão realizadas a fim de garantir a folia acessível para todos.


Ao longo do mês, o FPI já vistoriou o Centro de Convenções, o Clube Internacional, o Clube Português, a Orla de Olinda e as ruas dos bairros do Engenho do Meio e Cordeiro. Também integram o grupo de fiscalização o Ministério Público, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar, a Vigilância Sanitária, a Compesa, a Celpe, a Secretaria Executiva de Defesa Civil (Sedec).






'No Brasil, as pessoas não se acostumam nunca com um cadeirante', diz a estilista Michele Simões

Michele Simões está em uma cadeira de rodas



As últimas imagens registradas na mente da estilista Michele Simões, 31 anos, antes do acidente que sofreu em 2006, são de uma noite divertida na balada, ao lado da irmã. 


Na hora de ir embora, Michele deitou no banco de trás do carro e dormiu. Um breve piscar de olhos que mudou completamente a vida da jovem, na época com 24 anos, recém-formada na faculdade e que há dois meses tentava a vida em São Paulo. 


“Não conseguia ver muita coisa, acho que por causa da pancada. Perguntei para a minha irmã o que tinha acontecido, pois não conseguia levantar, nem mexer as pernas. Ela pediu para eu ficar calma, que havíamos batido o carro. Fiquei desesperada porque já sabia que havia ficado paraplégica”.
 

A lesão na coluna de Michele não só impede os movimentos das pernas como afeta a parte torácica e compromete o equilíbrio de tronco. Nem por isso ela desistiu de realizar um de seus sonhos, interrompido na época do acidente: no final de 2013 ficou três meses nos Estados Unidos vivendo como intercambista. E de sua experiência fora do país nasceu o blog “Guia do Viajante Cadeirante, uma das únicas páginas da web dedicadas ao tema: 


“como não achei nada na web que pudesse me ajudar, resolvi compartilhar tudo que vivi de bom e de ruim para facilitar a vida de outros cadeirantes”, explica. Durante a conversa, Michele falou de suas descobertas e surpresas durante a viagem, o relacionamento com o namorado, seus próximos projetos e desejos para as mulheres cadeirantes:


 

Marie Claire: Como se sentiu quando recebeu a notícia de que realmente estava paraplégica?

Michele Simões: eu já tinha certeza da minha situação dentro do carro, pois não conseguia mexer as pernas. Foi um acidente bem grave, fiquei três meses internada. Quando confirmaram a notícia, fiquei desesperada, é claro, mas nunca pensei que minha vida tinha acabado ali. Sempre fui muito à luta, naquele momento não seria diferente. Sempre acreditei e ainda acredito que posso voltar a andar. Não sou muito conformada com o que as pessoas dizem, o que posso ser ou não. E isso ajuda muito.
 
M.C.: Nessa época já namorava?
 
 M.S.: não. Na verdade, já conhecia o Thiago, meu atual namorado. Nós havíamos saído algumas vezes antes do acidente, mas tínhamos decidido que o melhor era ficar só na amizade mesmo. Ele era amigo do namorado da minha irmã na época e, assim que rolou o acidente, foi correndo para o hospital. Foi a primeira pessoa a ficar comigo lá, me acalmou. Durante os três meses que fiquei internada, não deixou de me ver uma vez. Aí, um dia, ele aproveitou que não tinha ninguém no quarto para se declarar. Perguntou se eu achava mesmo que não íamos dar certo, que ele queria namorar porque estava apaixonado. A minha cabeça estava um turbilhão com tudo que estava vivendo. Eu gostava dele, mas não sabia como seria a minha vida e ficava encanada com corpo, vaidade. Mas resolvi seguir o conselho da minha mãe e tentar. Estamos juntos até hoje, a gente é muito parceiro, ele está sempre do meu lado. Até decidiu ir comigo no intercâmbio! (risos)
 

M.C.: Quando decidiu fazer a viagem?
 
M.S.: era uma vontade antiga. Quando me mudei de Rio Claro para São Paulo, antes do acidente, a ideia era ganhar experiência na minha profissão e juntar dinheiro para morar fora. Depois que tudo aconteceu, tive que adiar. Procurei uma agência no ano passado e eles me informaram que Boston, nos Estados Unidos, era uma cidade com muita acessibilidade. Lá havia uma escola que tinha convênio com um hotel e que eles topavam ser responsáveis por minha estadia, já que não tinha conseguido nenhuma casa de família para me receber. Decidi arriscar e foi ótimo! Embarquei em agosto e deu tudo certo. A cidade, apesar de ter uma arquitetura muito antiga, permite que os cadeirantes sejam muito independentes. Eu ia sozinha para todos os lugares, desde escola e lavanderia até prédios históricos. Lá eu me sentia parte da sociedade de novo.

M.C. E o blog, nasceu quando?
 

M.S.: sempre foi muito difícil encontrar referências na internet. Em 2006, tudo era muito mais aterrorizante, as informações eram raras. Era aquela coisa: você está na cadeira, não vai conseguir fazer nada. Pesquisei muito e só achei um blog de uma cadeirante que havia morado fora do país. Entrei em contato com ela, que nunca me respondeu. Decidi então criar a minha própria página na web para contar tudo que vivia de bom e de ruim e, desta forma, ajudar um próximo cadeirante que desejasse viajar. Lá tem de tudo: desde usar o banheiro do avião, até transportar a cadeira e transitar pela cidade.
 

M.C.: Qual foi sua maior dificuldade durante a temporada fora de casa?
 

M.S.: meu medo era o principal obstáculo. Fiquei sete anos aprisionada, sem sair ou fazer nada sozinha. Por isso, quando meu namorado decidiu ir junto eu avisei que queria ter essa experiência para ver se eu era capaz de me virar. No primeiro dia de aula, fui sozinha, peguei metrô, estava tremendo. Parecia uma criança indo pela primeira vez para a escola (risos). Só pensava “e se eu cair?”. Mas depois tomei gosto pela experiência e vi que era capaz. As inseguranças acabaram. A ideia era ficar só dois meses, mas me maravilhei tanto com a independência que tinha na cidade, que estiquei a estadia por mais um mês. Por meio do blog, conheci uma brasileira, também cadeirante, que mora em Boston e ela me ofereceu para ficar na casa dela. Ela tem quatro filhos e por conta das responsabilidades do dia a dia, não sai muito de casa. Então, resolvi apresentar a vida em Boston para ela (risos). Ensinei a pegar metrô, coisa que ela nunca tinha feito, fomos ao médico juntas. Foi uma aventura!
 

M.C.: O que mais te surpreendeu?
 

M.S.: A minha visão sobre mim. Voltei me sentindo muito mais segura e com muito mais vontade de melhorar as coisas. Durante o tempo que fiquei lá e até hoje recebo muitos e-mails, de gente que também é cadeirante e percebe que a vida não acabou. Percebi que posso ajudar.
 

M.C.: Qual foi a principal diferença da vida nos Estados Unidos e aqui no Brasil?
 


M.S.: lá fora não tinha tanto esse olhar de piedade, de te enxergar como como um total incapacitado. As crianças só vão para escolas especiais em última instância, então estão todos acostumados com o diferente. Aqui no Brasil acontece o contrário. Na volta de Boston, no aeroporto mesmo, notei que já tinha muita gente me olhando. Tinha esquecido disso. Brinco com meu namorado às vezes: olha lá, vai cair uma lágrima daqui cinco minutos (risos). Não é uma coisa que atrapalha, mas quando entrei nesse universo, me sentia constrangida. Logo depois que sofri o acidente, fui ao shopping e virei o centro das atenções. As pessoas não se acostumam nunca com um cadeirante, é incrível. Outra coisa: nos Estados Unidos tinha uma vida normal, foi uma libertação. Eu me sentia parte da sociedade porque tudo é muito acessível. Fui para Nova York sozinha de trem, sem nenhum problema. Aqui não consigo sair na minha rua, tudo tenho que fazer de carro, ligar antes para saber se há acessibilidade para deficientes e pedir para alguém me carregar.
 

M.C.: O que pretende fazer com o blog agora que voltou?
 
M.S.: vou dar continuidade, com dicas de passeios e lugares interessantes que tenham acesso aos cadeirantes em São Paulo. Já aprendi a nadar e velejar, tudo de graça. Quero incentivar as pessoas nessa área do esporte porque é onde a gente liberta o nosso corpo. Estou procurando parcerias, mas o que dá para eu fazer, eu faço. Já está encaminhado um projeto com uma escola de mergulho, devo fazer o curso e depois o mergulho adaptado nos próximos meses. Também fui atrás do paraquedismo para cadeirantes, mas ouvi coisas absurdas como “não tenho interesse nessa sua ideia porque é muito complicado”. É a vida, estou indo à luta. Minha proposta é procurar caminhos, provar que é possível mudar e mostrar que é possível sair de casa.
 

M.C.: No dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. O que você acha que precisa mudar no mundo para que ele seja um lugar melhor para as mulheres?
 
M.S.: precisamos aceitar melhor a diversidade e ter consciência que são elas que nos completam. Temos que parar de dividir o lado A do lado B. Como cadeirante, percebo que a a sociedade brasileira não está preparada para lidar com os deficientes. As pessoas nos enxergam como seres de outro mundo. É claro que temos nossas limitações, mas nem por isso somos menos. Essa visão deveria mudar.



Fonte: Marie Claire



Secretaria comemora dois anos e abre inscrições do Selo Empresa Inclusiva

Símbolo de acessibilidade
Ao comemorar dois anos de atividades, a secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso de Caraguá (SP) abre inscrição para o Programa “Selo Empresa Inclusiva, que visa reconhecer iniciativas de empresas privadas que adotem padrões de acessibilidade no espaço físico e que possibilitem a empregabilidade de pessoas com deficiência.
 
Podem se inscrever, a partir do dia 6/3/2014 até o dia 6/5/2014, empresas de Comércio e Serviços de Caraguá nas seguintes categorias: microempresa (até nove funcionários); pequeno porte (10 a 49 funcionários); empresa de médio porte (50 a 99 funcionários); e grande porte (acima de 99 funcionários).


Os interessados em concorrer podem usufruir de consultoria especializada, gratuita, oferecida pela secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso.


O primeiro lugar nas categorias empresa de grande e médio porte receberá R$ 10.000,00 (dez mil reais) e troféu. O primeiro lugar nas categorias pequena e microempresa receberá R$ 8.000,00 (oito mil reais) e troféu. O selo poderá ser utilizado nas veiculações publicitárias para promover serviços e produtos da empresa. Os vencedores também terão publicidade nos eventos da secretaria.


O “Selo Empresa Inclusiva” de Caraguatatuba será atribuído anualmente, no dia 3 de dezembro, data que se comemora o “Dia Internacional da Pessoa com Deficiência”, e fará parte da programação do Fórum Inclusivo da Pessoa com Deficiência.
 

Comemoração - No último sábado (22), a secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso completou dois anos de atividades. Nesse período, foram implantados projetos e programas, ministrados cursos e firmadas parcerias com entidades locais, além de premiações conquistadas em níveis estadual e federal.
 

Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso
 

Avenida Rio de Janeiro, 860 – Indaiá – Tel. 3897-7043/7023 ou 0800-774-7055

 



26 de fev de 2014

Jogos Paralímpicos de Sochi começam no dia 7 de março e o Brasil será representado por dois atletas

Fernando Aranha está sentado em equipamento do esqui cross country



Os Jogos Paralímpicos de Sochi, na Rússia, começam, oficialmente, em 7 de março, com a cerimônia de abertura. 


O Brasil, pela primeira vez na história, terá atletas na competição. No snowboard, disciplina estreante nos Jogos dentro do esqui alpino, o representante será o paulistano Andre Cintra, 34. No esqui cross-country, quem fará o debut brasileiro é o também paulistano Fernando Aranha, 35.
 

Andre teve a perna direita amputada após um acidente de moto, quando tinha 18 anos. O primeiro contato com o snowboard foi há quatro anos. 


Para se adaptar à modalidade, comprou uma prótese especial e, a partir de 2009, começou a competir. Andre foi o primeiro atleta brasileiro a conquistar uma vaga para os Jogos de Sochi. 


Em abril do ano passado, chegou à 18ª posição no ranking que classificou 32 snowboarders. Nesta terça-feira, 25, ele embarca para Suíça, onde fará a aclimatação final antes de chegar em Sochi, em 5 de março.
 

Aranha tinha contato com o esporte paralímpico antes de se aventurar na neve. O paulistano, que teve poliomielite e é cadeirante, já jogou basquete em cadeira de rodas, agora compete no ciclismo adaptado e no paratriatlo. Inicialmente, Aranha iria ao Jogos graças a um convite do Comitê Paralímpico Internacional (IPC) ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)


No entanto, o atleta, em dezembro do ano passado, conseguiu os índices necessários e, agora, chegará na Rússia por méritos próprios. O brasileiro já está em período de aclimatação nas montanhas do Colorado (EUA) e deve chegar em Sochi em 1º de março.
 

Além dos dois atletas, o Brasil desembarca na Rússia com dois profissionais da área de saúde (uma médica e um fisioterapeuta) e seis oficiais técnicos e administrativos. 


A participação do país nos Jogos de Inverno só foi possível graças à uma parceira do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) com a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN).
 

O acordo entre as duas entidades, formalizado em maio do ano passado, visa o desenvolvimento de modalidades paralímpicas de inverno no país e consiste em apoio financeiro do CPB às iniciativas da CBDN no movimento paralímpico.
 

Os Jogos de Sochi vão reunir cerca de 600 atletas, de 44 países, durante nove dias de competição (8 a 16 de março). 


As modalidades do programa são biatlo, esqui cross-country, esqui alpino, hóquei e curling em cadeira de rodas. No total, serão 72 medalhas em disputa.
 

 Perfis dos atletas
 

Atleta: Fernando Aranha Rocha
 
Data e local de nascimento: 10/04/1978, em São Paulo
 
Peso: 76kg
 
Altura: 1,63m
 
Classe funcional: LW11.5 (sitting)
 
Provas em Sochi: 15km (9/3, 3h*), 1km (12/3, 3h*) e 10km (16/3, 5h45*)
 
História: Por causa de uma poliomielite, Fernando Aranha teve o movimento das pernas prejudicado aos 4 anos. Aos 16, um amigo sugeriu que praticasse basquete em cadeira de rodas. Foi, então, que ele fugiu do orfanato em que vivia e foi ao Ibirapuera para conhecer um time. Começou a praticar o esporte e, a partir daí, passou a experimentar outras modalidades. Hoje, além do esqui cross-country, compete no ciclismo adaptado e no paratriatlo.

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Atleta: André Cintra Pereira
 
Data e local de nascimento: 22/03/1979, em São Paulo (SP)
 
Peso: 77kg
 
Altura: 1,80m
 
Classe funcional: lower limb impaired (deficiência nos membros inferiores)
 
Prova: 14/3, 3h*
 
História: Aos 18 anos, André sofreu um acidente de moto e teve de amputar a perna direita um pouco acima do joelho. Há quatro anos, se interessou pelo snowboard e resolveu tentar se aventurar no esporte. Apesar de ter praticado surfe e skate antes de perder a perna, teve dificuldades no início da modalidade na neve. Equilibrar-se utilizando uma prótese era muito difícil. Em uma viagem aos Estados Unidos, ficou sabendo que existia uma prótese apropriada para a prática do esporte. Com o equipamento certo e as técnicas melhoradas, começou a competir entre 2009 e 2010.
 


*horário de Brasília




Pessoas com deficiência têm cotas em concursos e empresas de grande porte

Carteiras de trabalho

Na discussão sobre a proposta (Projeto de Lei 6738/13) que reserva 20% das vagas para negros em concursos públicos, que deverá ser votada neste ano na Câmara, é possível olhar para a experiência no Brasil de cotas para pessoas com deficiência em concursos públicos e em grandes empresas.


Apesar de existirem desde 1991, com a publicação da Lei 8.213/91, as cotas para pessoas com deficiência em empresas só passaram a ser fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho a partir de 2001. 


Mas ainda hoje, empregadores reclamam que não há mão de obra treinada entre as pessoas com deficiência.
 
Essa cota, que chega a 5% nas maiores companhias, mas começa em 2% para empresas com mais de cem empregados, não é cumprida em muitas regiões.


Para resolver o problema da qualificação, desde 1999, o Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência do Brasil dá cursos e prepara candidatos que queiram assumir vagas em Brasília.


Segundo o presidente da instituição, Sueide Miranda Leite, há um milhão de vagas em empresas hoje no Brasil para pessoas com deficiência, mas apenas 300 mil estão ocupadas. 


“As vagas ofertadas por força de lei não são preenchidas nem pela metade, o que demonstra o grau de instrução dessas pessoas. Se elas não são preenchidas por pessoas com deficiência, então tem alguma coisa errada. Elas acabam retornando para pessoas sem deficiência”, afirma.


A situação é diferente da verificada nos concursos, em que até 20% das vagas devem ser reservadas para pessoas com deficiência, segundo a Lei 8.112/90 (Regime Jurídico Único). Poucos são contrários à medida. 


Se o Estado pode usar seu poder para contratar essas pessoas que de outra forma não teriam emprego, todos são a favor da medida.

Mérito
 

Mas nem por isso a medida gera menos discriminação, como conta o analista de sistemas Joaquim Barbosa, que é surdo. 


“A cota nos dá oportunidade de trabalho. Porém, existe sim o comportamento de pessoas de considerar que somos menos capazes e que estamos apenas preenchendo buraco, para cumprir lei. No caso da pessoa com deficiência, quando ela passa em cota, ela é colocada em áreas como protocolo, que eu normalmente chamo de subemprego.”


Hoje, Joaquim tem implantes e consegue ouvir com bem menos perda, e está aprendendo a ouvir ao telefone. Mas guarda histórias de quando era completamente surdo e trabalhava como qualquer outro analista de sistemas, apesar dessa limitação. 


Ele conta que já entrou em empresas sem ser pelo sistema de cotas, mas uma vez quase foi impedido de trabalhar por uma avaliação médica que o colocou como incapaz de realizar o trabalho que vinha fazendo há anos.


Para ele, que tem a esposa e dois filhos negros, as cotas raciais em concursos podem ser a única maneira de famílias negras alcançarem melhores posições de vida. 


“Assim como a cota para deficiente, você não entra no concurso se não atingir pelo menos a nota mínima. Então, você não pode dizer que vão entrar pessoas que não têm competência para trabalhar. Porque, se ela atingiu os requisitos mínimos para passar, ela tem, sim, competência”, acredita.


Para Marlene da Conceição, com deficiência e concursada, não se justificam as críticas de que quem entra por cotas não é apto ao trabalho no serviço público. Para ela, o mérito é o mesmo. 


“Eu mesma entrei no serviço público sem cotas. O mérito, nesse caso, continua sendo um critério. Foi mais do que provado que não tem nada a ver com mérito ou falta de mérito. Ninguém vai entrar no serviço publico sem mérito. As pessoas vão entrar com a mesma competência. São precisos alguns pontinhos. É como se fosse um empurrãozinho. E é só isso”, destaca.


No caso das cotas para negros, também terão de ser atingidos os critérios mínimos, de nota e qualificação, para um candidato passar no concurso.







Cidade de São Paulo tem 821 vagas que aceitam pessoas com deficiência

Mulher em cadeira de rodas está sentada na frente de um computador


O programa Emprega São Paulo/Mais Emprego, agência de empregos pública e gratuita gerenciada pela Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (SERT), em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), oferece nesta semana 821 vagas de trabalho que aceitam pessoas com deficiência na Capital.

 

Ocupação Local da Vaga Número de Vagas Escolaridade Exige experiência
Operador de Telemarketing Brás 100 Médio completo Não
Carpinteiro Edu Chaves 80 Fundamental Incompleto Sim


Como se cadastrar
 

Para ter acesso às vagas basta acessar o site: www.empregasaopaulo.sp.gov.br criar login, senha e informar os dados solicitados. 


Outra opção é comparecer a um Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) com RG, CPF, PIS, Carteira de Trabalho, laudo médico com o Código Internacional de Doenças (CID) e Audiometria (no caso de deficiência auditiva). 


Quem não tiver o laudo será orientado no próprio PAT sobre como proceder para conseguir a documentação exigida. O candidato pode comparecer na sede do PADEF, localizado, na Rua Boa Vista, 170 – 1° andar.

 
O cadastramento do empregador também poderá ser feito através do site do Emprega São Paulo ou PAT. Para disponibilizar vagas através do sistema, é necessária a apresentação do CNPJ da empresa, razão social, endereço e o nome do solicitante.

 
Sobre o PADEF
 

Desde 1995, quando foi criado, o Programa de Apoio á Pessoa com Deficiência (PADEF) inseriu mais de 13,5 mil pessoas com deficiência no mercado de trabalho.





Menina com paralisia não volta às aulas por falta de estrutura de escola

Lousa
Aos cinco anos, a pequena Manuela Soares foi a única aluna de sua turma que não voltou às aulas, iniciadas no dia 6 de fevereiro em uma escola municipal de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. 


A menina nasceu nasceu com paralisia cerebral e tem vaga garantida na rede pública do município. 


No entanto, a escola não tem condições de recebê-la, no momento, por falta de um funcionário que a acompanhe.
 

Manuela frequenta a Escola Municipal de Educação Infantil de Canoas desde 2012, mas teve de se afastar em junho do ano passado para fazer uma cirurgia no quadril. Mesmo assim, a rematrícula foi realizada. 


Só que a instituição não tem uma pessoa para acompanhar a menina de perto e ajudar a professora, como costumava acontecer com a menina.



 

A situação preocupa a mãe de Manuela, Berenice Moreira Soares. “Ela já tem essa dificuldade cognitiva, de vivenciar, de conviver com outras crianças. Já tem esse atraso. Quanto mais tempo passar, pior. Para ela e para nós. É uma frustração”, reclama Berenice.


 

O pai de Manuela trabalha à noite, então precisa descansar durante o dia. “Ficar com ela é uma missão não muito fácil porque ela exige atenção o tempo todo. Não é em qualquer cadeira que ela senta, ela pode sentar e, em um momento de descuido, pode cair”.


 

A mãe diz que não tem nada contra a escola, mas reclama das falhas no processo de inclusão


“Ela foi muito bem recebida tanto pelos funcionários, quanto pelos alunos. Teve apresentação, ela participou, foi muito bom. Mas, essa questão burocrática é que complica. A inclusão é algo lindo, maravilhoso, mas na prática deixa muito a desejar”, fala Berenice.
 


A Secretaria Municipal de Educação tem um setor específico para a inclusão de crianças e adolescentes com deficiência. 


O responsável pelo setor em Canoas, Eri Domingos da Silva, explica que é difícil conseguir estagiários para fazer esse trabalho nas escolas. 


“Estamos entrevistando candidatos para estágio, para que possam acompanhar não só essa aluna, mas todos os alunos que precisam de apoio. Além da entrevista, eles passam por uma formação para que saibam qual a realidade e a criança”, explica Silva.


Segundo ele, o contato da mãe de Manuela para retornar à aula foi somente na última terça-feira (18).
 

De acordo com Berenice, a escola sabia que a menina voltaria no dia 6 de fevereiro, já que estava rematriculada. 


“A escola tem o atestado da médica que fez a cirurgia dizendo o tipo de cirurgia, que ela precisava dos meus cuidados, que ela estava de atestado”, repete a mãe.
 

Conforme Silva, uma reunião presencial foi marcada para a próxima terça-feira (25) entre a secretaria e a família de Manuela. 


“A escola chegou a fazer esse relato, como outras escolas, mas nós gostamos de um contato direto com a família para ter a percepção da família, e isso ainda não aconteceu, vai acontecer semana que vem com a mãe”, aponta.


“Vamos resolver, com certeza. Como outros casos que surgiram, que às vezes não são na mesma rapidez que gostaríamos, mas acabam tendo uma solução, com a participação da escola e da família”, fala.






25 de fev de 2014

Rede Lucy Montoro vai chegar a Diadema (SP)

Logotipo da Rede Lucy Montoro de Reabilitação
A Rede Lucy Montoro, referência na reabilitação motora, vai chegar a Diadema (SP)


 A nova unidade será implantada no segundo pavimento do "Quarteirão da Saúde", prédio pertencente à prefeitura de Diadema, que recebeu R$ 5,9 milhões para viabilizar a obra. 


"A prefeitura faz a obra, e a gente coloca os equipamentos. Teremos aqui o melhor serviço de fisiatria e fisioterapia para as pessoas com deficiência", afirmou o governador Geraldo Alckmin.
 
O convênio foi assinado com a prefeitura nesta quinta-feira, 20. O município deve seguir o padrão de serviços assistenciais já adotados em toda a Rede Lucy Montoro. 


O projeto contempla espaços para os setores de recepção e administrativos, ambientes adequados para serviços de fisioterapia e mecanoterapia, condicionamento físico, robótica, salas para terapia ocupacional e fisioterapia infantil.
 
"A rede oferece um serviço de excelência em reabilitação física com atendimento de qualidade aliado à utilização de equipamentos de alta tecnologia", disse o secretário da Saúde, David Uip.
 




Desenvolvida pela UEL, cadeira dá mais autonomia a tetraplégicos

Homem utiliza cadeira de rodas


Projeto desenvolvido pelo Laboratório de Controle Avançado, Robótica e Engenharia Biomédica, do curso de Engenharia Elétrica do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU), da UEL, resultou em uma solução de baixo custo para melhorar a autonomia de pessoas com paraplegia ou tetraplegia.
 
Paratletas da equipe de basquete de cadeira de rodas de Londrina testaram recentemente o protótipo desenvolvido em laboratório, movido por sopro e sucção, dispensando qualquer outro esforço físico.
 
Os primeiros movimentos em condições reais mostraram uma cadeira ágil, de respostas rápidas. 


Os testes devem ter continuidade para aprimoramento do protótipo, que poderá ter patente requerida em nome da UEL, para posterior repasse de tecnologia a empresas que tenham interesse em fabricar o produto em escala comercial.
 
O modelo foi desenvolvido a partir de uma ideia do pesquisador Walter Germanovix, em 2000, a partir da refilmagem de “Janela Indiscreta”, protagonizado por Christopher Reeve e Daryl Hannah. Na época, Germanovik e o também pesquisador da UEL, Ruberlei Gaino, eram alunos de doutorado na Universidade de Londres. 


O projeto ganhou força a partir de 2006, com financiamento da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI).


Um dos diferenciais é justamente o baixo custo, se comparado a produtos importados, que custam até R$ 70 mil, segundo a professora, Sílvia Galvão Cervantes, uma das integrantes do Laboratório de Controle Avançado, atualmente diretora do CTU. 


Ela estima que a cadeira “made in Brazil” possa chegar a um custo de R$ 6 mil, tornando-se bem mais acessível. “O usuário deste equipamento sempre será dependente, mas ganhará autonomia para locomover-se, sobretudo em casa”, definiu Sílvia,


O professor Ruberlei explica que o modelo “pé vermelho” tem custo acessível porque utiliza componentes igualmente baratos. 


Os pesquisadores desenvolveram um módulo de baixo custo, com circuitos e sensores avaliados em aproximadamente R$ 500,00. 


A cadeira elétrica tem custo estimado de cerca de R$ 3 mil. O diferencial é exatamente a tecnologia de última geração, desenvolvida na UEL, utilizando softwares e recursos da Engenharia Biomédica.


O projeto envolveu pelo menos sete professores e cerca de 15 alunos de graduação (Iniciação Científica) e pós-graduação (Mestrado) e serviu inclusive de modelo para cientistas da Holanda que vieram conferir o trabalho desenvolvido pela UEL. 


O estudante de mestrado em Engenharia Elétrica, Édino Gentilho Júnior, está concluindo sua dissertação com base na experiência da cadeira de rodas. Coube ao estudante, que tem apenas 26 anos, aprimorar a tecnologia embutida no protótipo até os testes finais.


Segundo o mestrando, sua função foi retirar a cadeira da bancada adaptando-a as condições reais de utilização. Ainda não há testes sobre a durabilidade da bateria, cuja recarga ocorre com o uso da energia elétrica. Ele estima que a autonomia do modelo seja de 15 horas.






Serviço Atende para transporte de pessoas com deficiência utilizará táxis acessíveis

Vans Atende


A Prefeitura de São Paulo anunciou na  quarta-feira (19/02) que o Serviço Atende, gerenciado pela SPTrans, passará a ser operado também por táxis acessíveis para o transporte gratuito porta-a-porta de pessoas com deficiência física e que estão incapacitadas de utilizar o transporte público convencional. 


A novidade complementará o atendimento já realizado pelas vans adaptadas e valerá para a modalidade eventual, com viagens esporádicas, para fins específicos. 


O aprimoramento, que visa atender a demanda de 409 pessoas que têm interesse e não contam com o serviço, além de 509 pessoas da demanda parcial e que não são atendidas plenamente, está contido no Decreto 54.802. 


Estiveram presentes no anúncio o prefeito Fernando Haddad, a secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marianne Pinotti, o superintendente do Atende, Altair Bezerra,  o promotor de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual (MPE), Luiz Roberto Faggioni, e o secretário adjunto da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Tuca Munhoz.
 

As inscrições para o serviço podem ser feitas nos postos de atendimento da SPTrans. “A ampliação e o aprimoramento do Atende é uma das 70 ações do Plano São Paulo Mais Inclusiva, lançado no final do ano passado e que reúne o esforço de 20 secretarias municipais para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência que moram na cidade”, explicou a secretária Marianne Pinotti. 


“Essa é uma entrega que estamos comemorando, mas vamos continuar trabalhando para dar mais acessibilidade a todas as pessoas que vivem em São Paulo”, concluiu a secretária.


“Esse decreto abre campo para outras inovações e outras iniciativas que possam congregar mais a nossa cidade e torná-la um ambiente cada vez mais acolhedor e solidário”, afirmou o prefeito Fernando Haddad. “São Paulo, no País, tem sido exemplo. 


Muitas políticas criadas aqui acabam servindo de referência para outros municípios. Não só para as pessoas com deficiência, mas em relação às políticas sociais de maneira geral”, disse o prefeito.

 
O superintendente do Atende, Altair Bezerra, explicou que um edital está sendo elaborado pela Secretaria Municipal de Transportes para convidar empresas que possuem táxis acessíveis a manifestarem o interesse em utilizar seus veículos para as viagens eventuais do Atende e assim efetuarem seu credenciamento junto à Prefeitura. 


Atualmente, São Paulo conta com 89 táxis acessíveis circulando pela cidade para fins particulares.


Os veículos são adaptados para o transporte confortável e seguro de passageiros e de seus acompanhantes.


“Esse decreto é uma prova da preocupação humanística do prefeito e portanto, espero que a a cidade continue nesse caminho que é o de transformar São Paulo em uma cidade mais inclusiva, mais humana, querida e aceitadora de todas as formas de atuação”, disse o promotor Luiz Roberto Faggioni.

Novo regulamento


Ficará a cargo também das Secretarias Municipais de Transportes; Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida; e do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência a elaboração, em até 180 dias, de um novo regulamento estabelecendo as diretrizes, regras e procedimentos operacionais para o serviço, incluindo as três modalidades de atendimento: Regular, eventual e de eventos.


Sobre o Atende


O serviço foi implantado em maio de 1996 e tem o objetivo de transportar pessoas com deficiência física com alto grau de severidade e dependência, impossibilitados de utilizar os meios de transporte público para a realização de tratamentos médicos, estudos, trabalho e até mesmo lazer. 


Durante todo o ano de 2013, o Atende realizou mais de 1,3 milhões de viagens, percorrendo 16,9 milhões de quilômetros. 


Atualmente, o serviço opera com 388 veículos adaptados que transportam um total de 7.350 passageiros – sendo 4.397 pessoas com deficiência e 2.953 acompanhantes.