31 de mai de 2016

Óculos para auxiliar pessoas com deficiência visual é desenvolvido na UFAM



Um óculos para auxiliar pessoas com deficiência visual está sendo desenvolvido na Universidade Federal do Amazonas (UFAM)


O projeto, considerado inovador, tem como maior diferencial o pioneirismo na inclusão de pessoas com deficiência visual por meio de sistemas de georreferenciamento para ambientes internos a custo relativamente baixo.


Esse viés social e inclusivo é o principal motivador para o desenvolvimento dos óculos guiados por áudio e navegação virtual”, comemora o responsável pelo projeto e doutorando em Ciência da Computação na UFAM, Walter Simões.


Os projetos que desenvolvemos no âmbito do PPGI [Programa de Pós-Graduação em Informática] e do Ceteli [Centro de P&D em tecnologia eletrônica e da informação] têm o viés social


"Os trabalhos orientados pelo professor Vicente Lucena sempre têm essa marca da contribuição para a sociedade ou para atender a demandas de grupos específicos”, esclarece o pesquisador. 


Hoje, a maior parte dos óculos destinados a auxiliar pessoas com deficiência visual é restrita à percepção de obstáculos.


O protótipo que está sendo projetado nos laboratórios da UFAM vai além das abordagens atuais. 


A tese de Walter é desenvolvida no sentido de associar diversas abordagens de software (programação) ao hardware (placas eletrônicas) para reduzir a um nível muito baixo a margem de erro na versão final do produto. 


E isso tudo, segundo ele, a um custo que não chegará a mil reais. “O diferencial do projeto é pensar no público brasileiro com deficiência visual. Versões desenvolvidas na Alemanha, por exemplo, podem custar até três mil dólares americanos”, compara. 


Outros equipamentos que oferecem alguma abordagem desse tipo foram encontrados a valores entre mil e oito mil dólares americanos.

 

Primeiros passos

 

Engenheiro egresso da antiga Universidade de Tecnologia do Amazonas (UTAM) – atual Escola Superior de Tecnologia (EST), Walter concluiu o mestrado em Informática no Programa de Pós-Graduação em Informática (PPGI/Ufam) em 2014 e é doutorando no mesmo programa, cujo conceito é cinco na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).


Para obter o título de mestre, ele aproximou duas linhas de pesquisa no projeto Sistema de Reconhecimento de gestos para TV digital”: a Robótica e a Visão Computacional


A primeira diz respeito a máquinas que tomam decisões, como no exemplo do browser (buscador), que usa robôs ligados a bancos de dados para retornar informações


Já a visão computacional abarca um conjunto de técnicas para ensinar o computador a executar todas as etapas do processo de enxergar, aproximando-o ao máximo da visão natural do ser humano. 


Isso inclui a identificação de objetos em várias posições e com variação de luz ou de temperatura”, diz.


Para que a pesquisa fosse validada, foram realizados testes com 2 grupos de controle. 10 pessoas eram usuárias de softwares similares ao testado; outras 10 pessoas não eram usuárias. Todas elas tinham de realizar um conjunto de gestos para ligar/desligar/acessar o menu e trocar de canal


“Três dos participantes tinham certo grau de deficiência visual e comentaram sobre os recursos à disposição, hoje, no mercado da Tecnologia, os quais, segundo eles, não têm se voltado para a acessibilidade”.


A ideia de pesquisar sobre recursos de georreferenciamento para cegos surgiu dessa crítica.

Tese

 

No doutorado, a pesquisa já iniciou com a proposta de proporcionar experiência segura e efetiva de locomoção para pessoas cegas ou com algum grau de deficiência visual em ambientes in door (internos) desconhecidos. 


O estado da arte mostrou que várias técnicas já foram aplicadas com esse objetivo, mas sempre voltadas apenas à identificação de obstáculos. 


Os custos dos projetos mais promissores também não são atrativos para uma produção em escala industrial no padrão do mercado consumidor brasileiro.


A primeira experiência foi com um par de luvas e uma viseira


“As luvas usavam a tecnologia de navegação ultrassônica (na velocidade do som – 340 m/s), que permitia reconhecer obstáculos a quatro metros, numa escala maior que a tradicional bengala, que alcança um metro e meio, em geral. Na viseira, a tecnologia aplicada foi a da visão computacional, por meio de câmeras que identificavam o cenário. Extintores, escadas e portas foram identificados e a informação foi repassada a cada pessoa por áudio em menos de dois segundos”, explica o pesquisador. 


Segundo ele, dois dos participantes cegos fizeram todo o percurso sem a necessidade de usar a bengala como auxílio e foram bem sucedidos.


Essa primeira parte da experiência foi transformada em artigo e publicada num evento em Las Vegas, o ICCE CES (Consumer Electronics), em janeiro de 2016. 


O trabalho está disponível no site do ICCE. Na etapa seguinte, cujo resultado será apresentado na segunda qualificação do doutorado, Walter aproveitou as instruções dos usuários testados e criou o protótipo dos óculos.


Evolução

 

O guia por áudio sobre sua navegação de pessoas cegas ou com algum grau de deficiência visual é baseado nos sistemas usados em veículos na navegação out door (externa), realizada através de satélites por GPS (Global Positioning System). 


Atualmente, os códigos computacionais (algoritmos), assim como a estrutura (técnicas e sensores envolvidos no processo de mapeamento e navegação). 


“A fusão de técnicas permite reduzir a margem de erro em situações críticas (pessoas cegas) a um custo muito baixo. Hoje, a impressão da estrutura em 3D custa 70 reais. Além disso, são usadas câmeras de 5 mega pixels, que são simples, e chips de relacionamento com o ambiente que custam cerca de 2 reais”, afirma.


Após a submissão do trabalho ao ICCE (Consumer Eletronics) de Las Vegas, os organizadores descreveram o projeto como “uma excelente abordagem sobre as escolhas das técnicas empregadas e com resultados promissores apontados pelos testes preliminares”, segundo informou o doutorando. 


Outras etapas já foram inscritas e aceitas em eventos nacionais e internacionais nos anos de 2012 a 2015.


*Com informações da assessoria de imprensa
 
 




30 de mai de 2016

Conheça os precedentes sobre isenções tributárias para pessoas com deficiência



O Superior Tribunal de Justiça disponibilizou 196 decisões da corte sobre isenções de impostos para pessoas com deficiência


As decisões estão reunidas em dois temas principais: Isenção do Imposto de Renda a quem tem doença grave e Isenção de impostos para pessoa com deficiência.


O levantamento está disponível na ferramenta pesquisa pronta podendo ser acessada ao clicar aqui, criada para facilitar o acesso à jurisprudência do STJ


O tribunal costuma entender, por exemplo, que laudo oficial não é obrigatório para pessoas com moléstia grave ganharem isenção no Imposto de Renda


Embora a legislação específica (Lei 9.250/95) exija a comprovação do laudo, decisões do STJ entendem que a regra está voltada para a Administração Pública, e não para o magistrado, que pode formar a sua convicção com base no acervo probatório dos autos”, conforme acordão da 2ª Turma ao analisar um caso (AREsp 556.281).


Diminuição de sacrifícios


 
Na análise de um mandado de segurança (MS 21.706), a Seção do STJ considerou que o fim dos sintomas de uma doença grave não suspende o benefício à isenção da cobrança do Imposto de Renda incidente sobre aposentadoria.


Para a Seção, especializada em Direito Público, “o fato de a junta médica constatar a ausência de sintomas da doença pela provável cura não justifica a revogação do benefício isencional, tendo em vista que a finalidade desse benefício é diminuir o sacrifício dos aposentados, aliviando-os dos encargos financeiros”.


A 2ª Turma, no julgamento de um recurso especial (REsp 1.541.029), concluiu que o IR não incide sobre os proventos de aposentadoria de pessoas com moléstias graves, nos termos do art. da Lei 7.713/88.


“Não se pode alargar a interpretação do dispositivo para alcançar a remuneração dos trabalhadores que ainda estão na ativa”, considerou o acórdão, ao ressaltar que, para a isenção do imposto, são necessários dois requisitos: receber aposentadoria ou reforma e estar acometido de uma das doenças arroladas na legislação.


Terceiros condutores



 
A Lei 8.989/95 detalha os requisitos para obter a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados na compra de veículo por pessoas com necessidades especiais


No julgamento do REsp 523.971/MG, a 2ª Turma entendeu que o fato de o veículo ser conduzido por terceira pessoa, que não a pessoa com deficiência física, não impede a concessão da isenção.


Em recente decisão, a 2ª Turma do STJ apontou que a isenção do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores, também garantida em legislação para pessoas com necessidades especiais, estende-se ao veículo utilizado pelo beneficiário, conduzido por um terceiro (RMS 46.778).


“A lei deve ser interpretada teleologicamente e à luz dos princípios da isonomia e da razoabilidade, não sendo compreensível a preterição de deficientes físicos com maiores limitações, privando-os da isenção fiscal que é concedida aos que conseguem dirigir. Condutor ou conduzido, busca-se garantir acessibilidade a este grupo de pessoas, contribuindo para a inclusão social”, sublinhou o acórdão. 


Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.



Fontes: ConJur / Vida Mais Livre  
 
 
 
 

28 de mai de 2016

Grupo tem ‘jantar às escuras’ para simular vivência de cegos



Moradores de Bauru (SP) vivenciaram uma experiência única e passaram a enxergar as situações cotidianas de uma maneira diferente e entender como é viver sem enxergar. 


Uma entidade da cidade convidou um grupo de 80 pessoas para participar de um jantar às escuras, em que cada uma das pessoas deixou de enxergar o mundo por algumas horas e sentiu como é a vivência de cegos.


“Não poder enxergar nada, de saber o que eu vou fazer, o que vai estar na minha frente, não saber o que vai ser esperado do próprio caminho, a questão física, mental, que a pessoa pode sofrer algum tipo de acidente, é difícil”, afirma o empresário Paulo Amigo.


Todos os convidados tiveram os olhos vendados e foram levados para seus lugares. As dificuldades são muitas. 


A primeira é entender o que tem na mesa e o medo de errar deixa todos os movimentos lentos, mesmo o contato com os talheres, as taças. Até o contato com o parceiro de jantar é difícil. 


“Eu acredito que a partir de agora acabou aquele preconceito, vivendo realmente essa experiência de como é pra eles, é uma sensação de compreensão com os cegos”, diz a assistente comercial Sandra Nassula.


Na cozinha, o chefe Rafael Esteves também trabalha com a ideia de que tão importante quanto o visual de um prato é a sensação que ele vai trazer para o paladar. 


“A nossa preocupação foi justamente poder trabalhar o alimento com todos os sentidos, então a gente fez a mistura da crocância, trabalhamos com texturas no alimento e sabores. Então, a gente tentou trabalhar os sentidos dos quais eles poderiam estar pegando.”


A comida é servida e então vem a principal dificuldade, conseguir comer. Entre os convidados para o jantar estavam alguns deficientes visuais. O músico Estevan Rogério da Silva mostrou o quanto tem habilidade comparado as pessoas que estavam vivendo aquela situação pela primeira vez. 


“A principal dificuldade é as pessoas nos entenderem e nos darem condição para isso. Eu falo que a pior barreira não é a barreira arquitetônica, mas é a barreira do preconceito das pessoas enquanto lidar com a deficiência visual.”


O jantar durou duas horas e a consultora de Recursos Humanos Tatiane Souza mudou seu conceito para contratação do próximo funcionário com deficiência visual. 


“Eu acho que talvez é questão de estudar mais, de ler mais a respeito dessas necessidades para a gente poder realmente dar a segurança que é necessária.”


A arquiteta Bruna Prado diz que nunca mais vai desenvolver um projeto antes de pensar nessa experiência. 


“Todo esse espaço urbano, espaço arquitetônico, é difícil tudo isso. A gente tem que pensar para todo mundo, a inclusão social é um fator muito importante na sociedade.”

 
 
Fontes: G1 / Vida Mais Livre
 
 
 

27 de mai de 2016

Curitiba segue avançando na inclusão de pessoas com deficiência




Curitiba está no caminho de tornar-se uma cidade cada vez mais inclusiva. Ainda há muito a ser feito, mas este ano em que a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência completa uma década, a capital paranaense tem motivos para comemorar. 


Hoje, os cidadãos com alguma deficiência têm voz ativa, seus direitos são mais respeitados e o atendimento às suas necessidades é uma preocupação presente em todas as políticas públicas do Município.


Os avanços têm acontecido em todas as áreas: planejamento urbano, esporte, educação, habitação, transporte, meio ambiente, trabalho, entre outras. 


“A gestão do prefeito Gustavo Fruet buscou trazer o conteúdo da Convenção para o âmbito municipal, por meio de políticas públicas inclusivas, valorizando as pessoas com deficiência como cidadãos plenos e a convivência social entre todas as pessoas”, diz a secretária municipal da Pessoa com Deficiência, Mirella Prosdocimo.


A própria pasta que ela ocupa é um avanço importante: foi criada em 2013, com a missão de atuar na garantia de direitos e orientar as políticas inclusivas na cidade.


“A acessibilidade tem sido uma ferramenta importante na construção destas políticas. Outro ponto que merece destaque é a participação crescente da sociedade e o protagonismo da pessoa com deficiência nesse processo de transformação de nossa cidade”, diz Mirella.


A mensagem principal da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência – promulgada pela Assembleia Geral da ONU em dezembro de 2006 e assinada por mais de 160 países – é a de que pessoas com deficiência têm direito ao total espectro dos direitos humanos e liberdades fundamentais, sem discriminação.


Em Curitiba, o esforço para garantir esse acesso é parte do projeto de construção de uma cidade mais humanaobjetivo central da gestão do prefeito Gustavo Fruet. 


Abrange desde medidas aparentemente pequenas, mas fundamentais, como:


  • A instalação dos primeiros parquinhos para crianças com deficiência em espaços públicos;

  • A oferta de cadeiras de rodas no Jardim Botânico;

  • A observação das normas técnicas de acessibilidade nos projetos de obras públicas – como escolas, unidades de saúde e Ruas da Cidadania;

  •  O atendimento especializado na educação e pela garantia de transporte para quem precisa de tratamento e não pode utilizar outro meio de locomoção;

  • A criação de uma Central de Libras, que oferece gratuitamente o serviço de intérpretes disponíveis para acompanhar pessoas com deficiência auditiva em consultas médicas, entrevistas de emprego e outras atividades, traduzindo as informações do interlocutor para a Língua Brasileira de Sinais.


Projetos

 

A Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência avalia cada novo projeto das diversas secretarias sob o aspecto da acessibilidade. 


Os técnicos da pasta indicam pontos como tamanho e acessórios dos banheiros, rampas, elevadores, áreas reservadas, sinalização informativa tátil, entre outros.


Responsável por elaborar os projetos padronizados de equipamentos públicos, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) tem trabalhado na adequação de projetos de prédios antigos. Dezenas de unidades de saúde, por exemplo, foram reformadas nos últimos três anos levando em conta critérios de acessibilidade.  


Todos os novos projetos de ruas, áreas de terminais de ônibus, equipamentos públicos e todos os locais onde está prevista a circulação de pessoas, assim como os projetos de requalificação, são elaborados de acordo com as normas de acessibilidade.


Desde 2015, mais de 650 guias rebaixadas foram instaladas em toda a cidade, atendendo pedidos da Central 156, regionais e secretarias, assim como correções geométricas e ampliação de vagas de estacionamento nas ruas para pessoas com deficiência.


No Plano Estratégico de Calçadas, lançado em 2014, a acessibilidade é um aspecto central. O projeto executado na Avenida Getúlio Vargas é um exemplo dessa preocupação. 


No local foi criado um espaço contínuo, de livre acesso, liso e antiderrapante, que facilita o acesso e a circulação de cadeiras de rodas, carrinhos de bebê e pessoas com dificuldade de locomoção. São as chamadas faixas livres acessíveis, sem obstáculos nem desníveis no piso (acima de 1,5 cm), assim como sem obstáculos aéreos (abaixo de 2,10m).


A região central de Curitiba também conta com placas de nomenclatura em Braille. Instaladas em 100 postes, entre os bairros Centro e São Francisco. Nelas, pessoas com deficiência visual podem ler nome da rua, numeração da rua naquela quadra e nome do bairro.


Transporte


Quando assunto é transporte, Curitiba é certamente uma das cidades mais inclusivas do País. Por um lado, criou em 2013 um serviço exclusivo e gratuito para levar pessoas com deficiência para tratamento médico


O programa Acesso opera com 9 micro-ônibus adaptados com 7 lugares para cadeiras de rodas, que atendem as dez administrações regionais de Curitiba. Tem 1.124 pessoa cadastradas e desde 2013 já realizou mais de 36.050 mil atendimentos.


Por outro lado, o transporte convencional tem o mais alto índice de ônibus com acessibilidade do País: 94% da frota em operação, o que significa que 1.190 dos 1.320 ônibus da Rede Integrada de Transporte estão de acordo com as normas de acessibilidade. 


A distribuição dos veículos garante que mais de 90% das 250 linhas de ônibus da Rede Integrada de Transporte (RIT) de Curitiba tenham veículos com acessibilidade.


Todos os ônibus trazem nos letreiros, em local visível, o ícone universal de acessibilidade. Nas tabelas horários, os ônibus com acessibilidade também são indicados em cada horário de cada linha. Horários em negrito terão ônibus com acessibilidade.


A maioria dos ônibus da cidade também conta com plaquetas com o número do ônibus em Braille, afixadas nos bancos preferenciais. Assim, um deficiente visual poderá, em caso de necessidade, identificar em que ônibus está viajando.


Os ônibus também são dotados de sinais luminosos que indicam abertura das portas dos ônibus, beneficiando especialmente pessoas com deficiência auditiva, ao mesmo tempo em que avisos sonoros também informam que há portas abrindo ou fechando.


Na maioria dos ônibus biarticulado– e em 100% da frota do Ligeirão, nos locais reservados a cadeirantes há um botão que, acionado, alerta o motorista, com aviso no painel, de que uma pessoa com deficiência vai desembarcar.


Além dos ônibus também a maior absoluta (86%) das 342 estações - tubo –  onde param os ônibus biarticulados do sistema Expresso (BRT) e os Ligeirinhos – têm acessibilidade. Além disso, a cidade conta com 21 terminais urbanos de integração do transporte, todos eles com acessibilidade.


Nos táxis de Curitiba, o conceito de acessibilidade nos táxis da cidade mudou radicalmente a partir de 2014, com a entrada em operação dos chamados táxis compartilhados – que atendem prioritariamente pessoas com deficiência. 


Os antigos táxis especiais – serviço prestado por três kombis –  deram lugar aos 20 táxis compartilhados


Identificados com o símbolo internacional de acesso, esses carros possuem rampa de embarque e desembarque e espaço interno que permite viajar na cadeira de rodas, com toda segurança. Ou seja, o cadeirante não precisa ser retirado de sua cadeira para embarcar.


Outra novidade é o táxi especial adaptado para motoristas com deficiência. Nesse caso a adaptação permite que pessoas com deficiência também possam ser taxistas.


Seguindo todas as normas de segurança previstas no Código de Trânsito, submetidos à aprovação do Detran e com selo de conformidade com as normas da ABNT os táxis da categoria especial têm uma frota de seis veículos.


A partir do ano passado, o  curso Informações Turísticas e Orientação Profissional para Taxistas” passou a ter um módulo de duas horas dedicado a orientação sobre atendimento à pessoa com deficiência. 


A palestra é ministrada por integrantes da Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência.


Respeito



Desde o ano passado Curitiba conta com 31 semáforos inteligentes para permitir que idosos e pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida possam ter mais tempo para atravessar a rua.


Para acionar o semáforo basta que o cidadão passe seu cartão transporte isento ou o cartão Respeito em um validador específico. O Cartão Transporte Isento beneficia atualmente 163,4 mil idosos e 19,7 mil pessoas com deficiência ou aposentados por invalidez.


Como a isenção do transporte tem restrição de renda – até três salários mínimos, a Prefeitura de Curitiba criou um cartão específico para pessoas com deficiência que não têm direito ao cartão Isento. 


Identificado como Cartão Respeito, ele pode ser feito sem qualquer burocracia, bastando apresentar documentos pessoais e um atestado do médico de sua preferência.

 

Casas e parquinhos adaptados



Desde 2013, 165 famílias de pessoas com deficiência receberam moradias adaptadas em Curitiba. O atendimento especial faz parte de um programa da Cohab que reserva para esse público 3% dos imóveis de todo empreendimento habitacional.


Além dessa cota, nos projetos de reassentamento de famílias que vivem em situação de risco social também é dedicado tratamento especial para as pessoas com deficiência. 


No momento em que técnicos do serviço social mapeiam uma área de risco, eles detectam o número de famílias onde há cidadãos com deficiência. 


Desta forma, os novos empreendimentos para onde são transferidos estes moradores são construídos com o número certo de unidades adaptadas a pessoas com deficiências que envolvam mobilidade.


As casas adaptadas possuem rampa de acesso, portas mais largas e banheiro mais amplo para facilitar o deslocamento de cadeiras de rodas. O banheiro também conta com barras de apoio que permitem maior independência.


Outro avanço importante foi a entrega, no final de 2015, do primeiro parquinho público inclusivo, instalado no Passeio Público em parceria com o Rotary Club. Em maio, o segundo parquinho desse tipo foi entregue na Praça Presidente Eisenhower, no Jardim Social.
 

A partir de agora, todos os novos parques da cidade terão parquinhos inclusivos, com piso emborrachado e aparelhos para crianças com deficiência.


Esporte



O esporte em Curitiba nunca foi tão inclusivo. Pessoas com deficiência conquistaram espaço em diversos projetos e programas da Prefeitura. O Portal do Futuro, por exemplo, reserva vagas para jovens com deficiência em todas as atividades.  


O programa Ciclolazer foi reforçado com o “Inclusão + Bici”, que oferece  a pessoas com deficiência visual a oportunidade de vivenciar o andar de bicicleta. Só no ano passado 138 pessoas participaram.


Recentemente foi lançado o projeto Skate Adaptado”, realizado pela Loja Anjuss em parceria com a Prefeitura. É  um misto de pista de skate com tirolesa e equipamentos de escalada. Ele auxilia a pessoa com deficiência na manutenção do equilíbrio e ainda a segura no ar em caso de desiquilíbrio.


A Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude também lançou os Jogos Escolares Paradesportivos de Curitiba, que têm a finalidade de estimular a participação em atividades esportivas dos estudantes de todas as escolas de Curitiba e Região Metropolitana, com deficiência auditiva, física, intelectual e visual, nas modalidades de: 


  • bocha paraolímpica;

  • futsal;

  •  atletismo

  •  handebol;

  • tênis de mesa. 


Participaram da primeira edição 265 alunos de sete escolas especiais, divididos em 34 equipes.


Capacitações



O avanço nas políticas públicas de inclusão depende fortemente da adesão dos servidores públicos ao conceito. 


Por isso, a Secretaria da Pessoa com Deficiência tem promovido capacitações de servidores das demais secretarias, ajudando-os a compreender melhor os direitos e necessidades das pessoas com deficiência. 


Reuniões com a comunidade também viraram rotina, como forma de identificar necessidades e subsidiar as políticas públicas a partir do olhar de quem vivencia as dificuldades que a deficiência impõe.


Esse estímulo à participação foi fundamental para a construção do primeiro Plano Municipal de Políticas de Acessibilidade e de Inclusão para a Pessoa com Deficiência de Curitiba. 


Lançado em março deste ano, o plano traduz todo planejamento que norteia a inclusão e direitos da pessoa com deficiência e tem como objetivo  sistematizar ações que propiciem o exercício da cidadania da pessoa com deficiência em Curitiba e promover a acessibilidade como respeito à toda população.





 

26 de mai de 2016

Cia de Teatro promove curso para pessoas com e sem deficiência no RJ




A PAR Cia de Teatro promove aulas de artes cênicas voltadas a pessoas com e sem deficiência a partir de 6 de junho, no Rio de Janeiro. 


Com 40 vagas dispiníveis, as aulas serão realizadas no Centro Municipal de Cultura e Cidadania Calouste Gulbenkian e vão até setembro deste ano. 


Os interessados podem se inscrever até 5 de junho, um dia antes do início do curso, pelo e-mail parciadeteatro@gmail.com


O projeto foi um dos selecionados pelo programa Fomento Cidade Olímpica, na linha Arte sem Limites


Promovido pela Secretaria Municipal de Cultura e, com patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro​, a iniciativa dá apoio a atividades, espetáculos, processos de formação e companhias que envolvam acessibilidade e inclusão nas artes, em diversas linguagens.


Além de descobrir talentos, a PAR Cia de Teatro quer, com este projeto, abrir espaço para que pessoas com e sem deficiência possam exercitar sua aptidão artística


O programa é voltado para alunos iniciantes, a partir de 12 anos de idade, e inclui aulas de história do teatro e ​seus gêneros teatrais, interpretação, ​voz, corpo, iluminação, figurino e cenário, sempre ​prevendo a inclusão dos alunos que tenham algum tipo de deficiência.


Serão disponibilizados recursos como audiodescrição e Intérprete de Libras, piso tátil para orientar o aluno no espaço cênico, além de uma consultoria em acessibilidade visando atender todas as necessidades dos alunos com deficiência


Importante destacar que o local onde será realizado o curso possui elevador e banheiros adaptados, sendo, portanto, acessível a pessoas com mobilidade reduzida e cadeirantes.


O curso coloca em prática uma metodologia já testada quando a PAR Cia de Teatro encenou, em 2015, o espetáculo Nhac! Uma Lição de Queijo, de Ed Anderson. Nesta montagem, estavam em cena os 10 atores/atrizes da Cia, entre eles Moira Braga e Felipe Rodrigues, que têm deficiência visual.


Projeto Incubadora Cênica


Quanto: Gratuito

Quando: de 6/6 a 13/9, segundas e quartas-feiras, das 14h às 18h
 
Onde: Centro Municipal de Cultura e Cidadania Calouste Gulbenkian
 
Endereço: Rua Benedito Hipólito, nº 125, Praça Onze , Centro, Rio de Janeiro – RJ (ao lado do Terreirão do Samba)
 


Obs.: 40 vagas disponíveis; os interessados devem se inscrever pelo e-mail parciadeteatro@gmail.com


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Fontes:  Vida Mais Livre