3 de ago. de 2012

Alunos com e sem deficiência fotografam Curitiba (PR)

 Montagem com fotos dos alunos da Exposição Encontros e Olhares

Poderia ser apenas mais um curso de fotografia. Adolescentes que agora têm a câmera como extensão de seu olhar e que mostram ao povo de Curitiba (PR) sua arte a partir deste mês de agosto. Mas desta vez são nove novos fotógrafos que fizeram parte de um grupo especial: a primeira turma de um projeto de inclusão que reuniu pessoas com deficiência intelectual e outras sem deficiência.  

O projeto Fotografia para Adolescentes, realizado pela Lei Municipal de Incentivo a Cultura, através do Mecenato subsidiado e incentivado pela Volvo, mostra seu resultado a partir de hoje (3/08) no Café do Top do Shopping Müller com a exposição Encontros e Olhares. Na data, cada um dos participantes terá uma de suas produções, realizadas ao longo do curso, exposta. “Tinha a fotografia como brincadeira. Acho legal expor porque não é sempre que se tem uma oportunidade desta: de mostrar nosso trabalho e participar de uma exposição”, afirma Gabriela Peratello, 15 anos.

O curso durou um semestre e a fotografia tomou outro status ao longo das aulas: o de instrumento de relação social com o mundo externo. “Através desse trabalho foi possível perceber a importância da foto na construção do indivíduo como um todo”, acredita a fotógrafa e coordenadora pedagógica do projeto, Michelle Serena. Ela, que há 13 anos trabalha com fotografia, deu o primeiro passo para um projeto que promete durar muito tempo.

A expectativa é que agora que o projeto foi iniciado, ele não pare tão cedo. “Esta foi uma experiência transformadora. Como foi o primeiro projeto e deu muito certo, mostrou que deve ter uma proposta maior, uma continuidade”, afirma a fotógrafa.

Para a psicóloga que atende alguns dos participantes com Síndrome de Down, Maria Isabel Valente, o projeto proporcionou aos adolescentes, crescimento pessoal, profissional e social. “Eles descobriram a fotografia, agora tem propriedade e conhecem as técnicas, podem fazer isso profissionalmente. Foi importante ainda para as pessoas olharem e perceberem que não existe uma limitação: eles podem ir muito mais longe se orientadas e ensinadas como qualquer outra pessoa”, esclarece.
 
Reconhecimento

Unir em uma turma pessoas sem e com deficiência poderia ser difícil, mas não foi o que aconteceu. “No começo havia uma preocupação, pois nunca havia trabalhado com adolescentes, e nem com pessoas com deficiência intelectual”, conta Ulisses Segatto, instrutor de fotografia. Porém, o que os adolescentes desenvolveram superou as expectativas. “O que falta de técnica, eles compensam com o olhar”, avalia.

Como a proposta era de inclusão, o grupo dividiu dúvidas e aprendizados, além de experiências. “Enxergamos que houve uma evolução em termos de relações, elas foram ficando cada vez mais fortes. O olhar eles desenvolveram igualmente, a técnica cada um ao seu tempo”, esclarece a coordenadora. Para Gabriel Fiori, 17 anos, além de importante, o curso proporcionou a convivência entre as diferenças. “E foi um aprendizado, uma experiência que eu não vou esquecer”.

Além de possibilitar que os adolescentes ampliassem seus repertórios, a convivência entre pessoas com deficiência e sem foi um dos aprendizados mais importantes. Entre as oficinas no estúdio com diferentes técnicas, como Light Painting e de edição, eles saíram às ruas, capturando o seu olhar sobre o mundo e suas casas, aniversários, passeios com as famílias, mostrando aos outros o seu mundo. “A turma era coesa, isso fortaleceu o vínculo com os outros. Eles terem essa visão de sociedade e as pessoas terem a visão deles como capazes é muito importante”, lembra Débora Gaid, mãe de João Felipe, 16 anos, com Síndrome de Down.

Exposição

Encontros e Olhares, no dia três de agosto será a exposição oficial do grupo. Antes do evento, familiares e amigos puderam conhecer um pouco do trabalho realizado durante o projeto. A formatura aconteceu no dia nove de julho, na Escola Portfólio de Fotografia, onde cada participante mostrou dez de suas produções. 

“Este projeto coloca a fotografia como instrumento de relação social com o mundo externo e, em alguns casos, até como profissão. Esse foi o primeiro diploma para muitos deles”, esclarece Michelle. Laura Negri, 22 anos, com Síndrome de Down, concorda e afirma: “Com a formatura, nossa posição vai ser mais importante”.

Para a mãe de Laura, Mônica Negri, o aprendizado foi percebido no cotidiano, quando a filha utilizava a máquina fotográfica fora do curso. Ela acredita que o diferencial do projeto foi dar a oportunidade de aprender profissionalmente. “O que nós, pais, queremos é que os cursos atendam e acolham a pessoa com deficiência entendendo ele como capaz, sem nenhum tipo de diferenciação”, explica.

Exposição Encontros e Olhares
Direção: Michelle Serena
Valor do Ingresso: gratuito 

A partir de 3 de agosto até 01 de setembro

Local: Café do Top – Shopping Muller
Endereço: Avenida Cândido de Abreu, 127 – Centro Cívico | Piso Cinemas
Telefone:  (41) 3074-1000 

Em 25 de agosto - Durante o III Mutirão do Instituto Robert Bosch
Local: Escola Municipal Dario de Castro Velloso
Horário: 9h às 17hs
Endereço: Rua Des. Cid Campelo, 4.630 – Vila Barigui / CIC

Em 21 de setembro - Dia Nacional da Pessoa com Deficiência
V Reatiba – Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho
Local: CIETEP
Horário: 9h às 17hs
Endereço: Av. Comendador Franco, 1341, no Jardim Botânico.

 

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