8 de abr de 2016

Autismo: muito comum e pouco compreendido




Em 18 de dezembro de 2007 a Organização das Nações Unidas (ONU) determinou que pelo menos um dia de cada ano deveria ser dedicado à discussão sobre o Autismo


O dia escolhido foi o 2 de abril. Desde então em todo mundo nessa data são realizadas ações com o objetivo de conscientizar a população sobre a presença de pessoas com o transtorno na sociedade.


Em Santa Cruz do Sul, não foi diferente. No último sábado, 2 de abril, a Associação Luz Azul organizou uma série de atividades alusivas à data. 


Durante a tarde, uma mateada reuniu pelo menos 60 pessoas na Praça da Bandeira, no Centro da cidade. E no fim do dia, uma segunda edição de cinema adaptado para crianças e jovens autistas foi realizada no Shopping Santa Cruz, com luzes parcialmente acesas e som mais brando.


Mas as atividades da associação não se resumem a isso. Atuando há pouco mais de três anos, ela é a única em toda a região voltada para o autismo e atualmente possui 61 famílias cadastradas. 


Além de reuniões, que são realizadas no segundo sábado de cada mês, eles também oferecem atividades de educação física para as crianças e jovens autistas através de um projeto em parceria com a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) - alguns registros fotográficos desse projeto, inclusive estão expostos em um varal fotográfico no Shopping Santa Cruz durante toda a semana.


Porém, a maior contribuição da associação é no quesito apoio, diálogo e troca de experiências, como conta o presidente da Associação, Hugo Braz e confirma a família Goulart. 


Pais do jovem Felipe, de 11 anos, Vânia e Jair contam que o diagnóstico de autismo do menino foi tardio, aos 9 anos - principalmente porque o autismo dele é de um grau leve, e porque ele também foi diagnosticado com outros transtornos como o de Déficit de Atenção – e que a descoberta foi bastante surpreendente para a família. Porém após o contato com outros pais, a forma de enxergar o transtorno mudou.


“Faz um ano que o Felipe está indo no projeto e no início achei que ele não ia gostar justamente por causa da dificuldade de se inserir em atividades físicas, mas ao chegar lá ele ficou maravilhado e pediu pra continuar. Além de dar um ‘up’ na interação social dele a parte motora também melhorou muito. Fez uma diferença grande. E pra nós também foi muito bom, porque eu estava de luto ao receber mais um diagnóstico. Mas cheguei lá e encontrei outras mães que passavam pelos mesmos problemas e vi que as coisas pelas quais eu passo com ele não são tão ruins assim. As mães dão muito apoio umas paras as outras. Há uma troca muito importante”, conta Vânia.


Realizando atividades de apoio aos autistas e às famílias, o presidente da associação, que também é avô de um menino autista, acredita que está preenchendo as lacunas que o sistema público de saúde não consegue. 


“A gente procura dar o aconselhamento e apoio necessário ao mesmo tempo em que tenta chamar a atenção dos governantes para a questão do autismo. E por isso a gente realiza eventos como o de hoje (sábado), para mostrar que nós estamos aqui”, ele coloca.


Ainda de acordo com o presidente da associação, ela também procura divulgar o autismo cada vez mais e promover uma discussão sobre o assunto no sentido de fazer com que ele seja cada vez mais compreendido pela sociedade e até mesmo pelos médicos, já que é um transtorno com estudos relativamente recentes.

O autismo hoje


Estimativas apontam que o autismo atinge, atualmente, pelo menos 70 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo que, pelo menos 2 milhões estão no Brasil, número muito maior do que o de pessoas com Síndrome de Down, por exemplo (a estimativa é de 300 mil). 


O autismo compromete a comunicação, o comportamento e a interação social, podendo afetar o desenvolvimento intelectual e a linguagem em variados graus de severidade.


Em Santa Cruz do Sul não há estatísticas conclusivas sobre o número de pessoas com autismo, porém, tendo como base pesquisas realizadas em outros países, que afirmam existir em média um autista a cada 100 pessoas, o número santa-cruzenses com a disfunção pode chegar a mais de 1200. 


Porém, como alerta Hugo, outras pesquisas também já afirmaram existir um autista para cada 60 pessoas, o que praticamente dobraria o número de santa-cruzenses autistas.


O autismo foi descrito pela primeira vez em 1943, mas só na década de 1980 é que foi incluído na Classificação Internacional de Doenças. Porém ele ainda não é bem compreendido. 


Conforme conta Hugo, atualmente boa parte das pesquisas realizadas sobre o autismo, acontecem através Associação Norte-Americana de Psicologia (APA). 


“Eles já lançaram cinco edições de cartilhas com pesquisas sobre o autismo. Em todas elas haviam características diferentes que eles orientam observar para fazer o diagnóstico de autismo, ou seja, até mesmo eles ainda estão tentando compreender o problema”, observa.

Porém, o esforço dos médicos em buscar um diagnóstico tão cedo quanto possível é importante, pois quanto mais cedo ele acontecer, mais cedo se pode iniciar os estímulos que melhoram a qualidade de vida do autista.


Palacinho é iluminado com tom azul



A Prefeitura de Santa Cruz do Sul, através das secretarias municipais de Saúde e de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Ciência e Tecnologia, é 
apoiadora da movimentação em prol da Conscientização do Autismo e, durante esta semana, o Palacinho da Praça da Bandeira está caracterizado de acordo com a campanha: está iluminado com luzes azuis.


O evento têm por finalidade esclarecer e divulgar o tema à sociedade, além de propiciar troca de ideias e experiências. Ele permanecerá iluminado dessa forma todas as noites, até o próximo fim de semana.

 

Em Rio Pardo, caminhada emocionou a comunidade



No município vizinho o autismo também teve um momento dedicado à si. Na tarde da última segunda-feira, 4 de abril, autistas, pais e comunidade desceram a Avenida Andrade Neves vestidos de azul, munidos com balões e cartazes. 


A caminhada foi recebida na frente da Prefeitura Municipal pelo chefe do executivo, Fernando Schwanke, ele parabenizou os organizadores da ação.


“graças a vocês que estão envolvidos, seja voluntariamente ou profissionalmente, nós podemos tornar Rio Pardo uma cidade mais justa, mais sensível com o trato às pessoas”.





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