8 de abr de 2016

Em BH, obstáculos dificultam caminhada em pisos táteis



A locomoção de pessoas com deficiência visual ou baixa visão foi reduzida nos pisos táteis de Belo Horizonte por conta de irregularidades.  


As guias, diferenciadas por cor em destaque e textura distinta, foram instaladas de forma irregular em pelo menos três locais na Região Centro-Sul da capital mineira. Ao invés de orientar, há placas de sinalização, bancas de jornal e árvores no caminho.


Na Rua Dias Adorno, 347, no bairro Santo Agostinho, o deficiente que precisar se orientar para andar pelo piso tátil colocado em frente ao Ministério Público de Minas Gerais corre grande risco de se chocar em uma placa de sinalização de “carga e descarga”, e também de cair dentro do canteiro de duas árvores que estão plantadas no passeio.


Na Avenida do Contorno, 8.000, no bairro Lourdes, próximo à trincheira da Avenida Raja Gabaglia, o piso tátil leva o deficiente a uma banca de jornal, onde a condução é interrompida. A pessoa que tentar se orientar vai dar de cara, literalmente, com a banca.


Perto dali, na Rua Curitiba, 2.081, também no Lourdes, o piso tátil encaminha o deficiente para dentro do canteiro de uma árvore frondosa.


Regras



De acordo com a professora do curso de arquitetura e urbanismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) Taís Tavares Mascarenhas, a questão da acessibilidade é estabelecida pela norma brasileira (NBR) 9050/2004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estabelece critérios e parâmetros técnicos aplicáveis a projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade, e que passou por uma revisão em 2015.


Taís explica que existem dois tipos de pisos táteis: o de alerta, com bolinhas, e o de sentido, com barrinhas sequenciais. A arquiteta disse que eles não são somente usados em espaços públicos e abertos, mas também em edificações fechadas como agências bancárias.


“Nas calçadas devem existir sempre quando não tem uma guia onde a pessoa possa pôr a mão, mas existe uma padronização de calçadas para regulamentar o desenho urbano”, explicou a urbanista.


No caso do piso tátil no trecho mostrado pela reportagem na Avenida do Contorno, Taís disse que 40 centímetros antes de o piso chegar à banca, é preciso que um desvio com piso de alerta estivesse no local para orientar o deficiente.


Já nas ruas Dias Adorno e Curitiba como têm calçada portuguesa e ficam dentro do perímetro da Avenida do Contorno, os passeios são considerados patrimônios porque são originários desde a criação de Belo Horizonte. 


Contudo, Taís ressaltou que a segurança das pessoas nas calçadas, independentemente se deficientes ou não, tem que ser garantida.


“Quando tem calçada portuguesa existe um conflito de preservação. Por isso, o piso tátil é colocado próximo ao meio-fio e isso pode coincidir com o mobiliário urbano como bancas de jornal, placas de sinalização, postes, pontos de ônibus”. 


Segundo a arquiteta, o poder público tenta resolver como garantir a história da cidade, sem descaracterizá-la.


Prefeitura



A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou, por meio da Regional Centro-Sul, que a fiscalização constatou as irregularidades no local e que está averiguando quem são os responsáveis e que eles deverão regularizar o passeio no prazo de 30 dias após a notificação.


Segundo a nota encaminhada pela administração municipal, a princípio, constatou-se que o poste e a banca foram instalados após a sinalização tátil, sem que as readequações necessárias fossem feitas.


Ainda de acordo com o comunicado, bancas de revistas, postes de sinalização e quadrados ecológicos precisam ser contornados pela sinalização tátil conforme o padrão de cada via.
 
 
 
 
 
 

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