6 de mai. de 2014

'Quero colaborar com a Cidade', diz Cid Torquato Júnior

Foto de Cid Torquato
Aos 51 anos de idade, completados no último dia 5, Cid Torquato Júnior foi nomeado, semana passada, pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para ocupar o cargo de secretário-adjunto da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência


Um desafio a mais para ser vencido pelo mogiano, antigo aluno da Escola Estadual Dr. Washington Luís e Colégio Policursos, que se formou advogado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco.


Especialista na área de Informática, Cid atuava, entre outras atividades, como consultor e palestrante para grandes empresas e instituições, quando um acidente ocorrido durante visita à Croácia, a convite da ONU, em 2007,  o deixou tetraplégico.


Abatido, de início, o mogiano ergueu a cabeça e seguiu em frente. Suas ações, a partir daí voltadas para inclusão e acessibilidade do deficiente físico, logo o levaram para a Secretaria, onde começou atuando como Relações Institucionais. 


Seu trabalho, a competência e eficiência logo o conduziram ao cargo de secretário-adjunto. 


Em entrevista exclusiva, ele diz o que poderá fazer pela Cidade e Região mostra seus planos para a nova etapa de sua vida:
 

O que significou para o mogiano Cid Torquato a nomeação para o cargo de secretário-adjunto da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência?


Para mim é uma grande honra ter meu trabalho reconhecido. Tenho muito orgulho de participar do Governo Geraldo Alckmin, um dos homens públicos mais coerentes do país. Ademais, trabalhar com a Dra. Linamara Battistella tem sido um grande aprendizado. Sua capacidade de inovação e energia para conseguir realizar o que acredita são inspiradoras. Espero, com este cargo, ampliar minha contribuição para uma sociedade mais justa e inclusiva.
 

O que isso poderá significar em termos de programas em favor das pessoas com deficiência do Alto Tietê? Quais seus planos?


Temos projetos em todo o Estado. Depende muito mais da proatividade dos gestores públicos municipais em buscarem parcerias e convênios com o Governo Estadual do que o contrário. Foi o caso da construção do Centro Paradesportivo em Mogi das Cruzes, projeto capitaneado pelo prefeito Bertaiolli e pelo secretário Nilo Guimarães, com grande participação de Valeriana Alves e Dirceu Pinto. Estamos totalmente à disposição dos amigos do Alto Tietê para desenvolver ações na região.
 

O senhor conhece muito bem a Cidade, onde passou boa parte de sua vida. Sabe das ruas apertadas, das calçadas cheias de obstáculos e que não comportam, em muitos casos, a presença de um cadeirante, entre outras dificuldades. Especificamente para Mogi, existe algo a ser feito isoladamente ou em conjunto com o prefeito Bertaiolli?


Adoraria colaborar em um projeto que reurbanizasse o Centro de Mogi das Cruzes. Na verdade, uma das principais linhas de ação de nossa Secretaria este ano é a questão da Acessibilidade e Mobilidade Urbana. Nossos prefeitos devem ser criativos e ousados para endereçar os problemas de acessibilidade e mobilidade enfrentados em nossas cidades. Queremos contribuir com projetos desta natureza.
 

Dentro desse quadro, qual a  importância da presença da AACD na Cidade?


É muito importante para uma Cidade dispor de um centro de reabilitação, evitando deslocamentos e, muitas vezes, que pessoas necessitadas fiquem desatendidas. Trazer a AACD a Mogi das Cruzes foi uma grande conquista. Atuando em parceria com o Centro Paradesportivo, construído ao lado, bem como com outras ações inclusivas da atual gestão, transforma a Cidade no principal polo de atenção à pessoa com deficiência na Região.
 

O senhor tem visitado outros países e visto de perto como o deficiente físico é tratado por lá. O que é preciso mudar no Brasil e em cidades como Mogi das Cruzes?


Infelizmente, nossa lista de obrigações ainda é muito grande. Apesar dos avanços dos últimos anos, temos muito o que fazer em atenção básica e prevenção de deficiências, faltam centros de reabilitação, a educação inclusiva e a capacitação para o trabalho precisam de mais empenho, o transporte ainda é uma grande barreira e nossas ruas e calçadas representam grande obstáculo para a locomoção de pessoas com deficiência, que também sofrem com a falta de acessibilidade em lojas e edifícios, sem contar o preconceito e o não cumprimento da legislação vigente, que ainda perduram.
 

Que conselhos o senhor daria aos prefeitos de cidades do Alto Tietê, onde a preocupação com o deficiente físico ainda é muito incipiente?


A legislação é clara e tem que ser cumprida. Não podemos mais ficar nos desculpando por nossas cidades pouco acessíveis. É necessário planejar bem frente a desafios tão grandes e recursos limitados. Um bom caminho é aproveitar a Política Nacional de Mobilidade Urbana, que determina que municípios com mais de 20 mil habitantes elaborem e apresentem um Plano Municipal de Mobilidade Urbana, para planejar e priorizar as questões relativas à acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência.
 

Com suas atividades profissionais concentradas em São Paulo, como têm sido os seus contatos com a Cidade?


Sempre que posso, vou a Mogi visitar minha mãe. Mantenho contato sistemático com o prefeito e alguns secretários municipais. Leio diariamente O Diário de Mogi. Tenho muitos amigos na Cidade e mantenho-me informado do que está acontecendo. Não descarto a possibilidade de voltar a morar em Mogi no futuro.
 

Além do trabalho na Secretaria, como tem sido a rotina do Cid? Continua colaborando com as emissoras de rádio da Capital?


Acordo às 6h30, faço duas horas de fisioterapia, me apronto e começo a trabalhar. Paro às 19 horas, se não há compromissos noturnos. Sempre que posso faço happy hours com os amigos no bar do meu prédio, o Edifício Bretagne, em Higienópolis. Janto com a família e durmo cedo. Como secretário adjunto, devem aumentar meus compromissos públicos. Estou negociando participação em uma nova rádio. Minha vida é bastante agitada.
 

O senhor sempre esteve profundamente ligado às questões da informática, tendo sido um dos fundadores da entidade que incentivou o e-commerce no País, a partir de São Paulo. De que maneira a informática tem lhe ajudado  e colaborado para que o senhor possa continuar ajudando outras pessoas?


As tecnologias da informação são, hoje, fundamentais no processo de inclusão da pessoa com deficiência. Coordeno o Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência, organizado por nossa Secretaria, este ano em sua sexta edição, entre 13 e 15 de agosto, no Anhembi, em São Paulo, principal evento do gênero na América Latina. Paralelamente, estamos muito empenhados na questão da acessibilidade digital em sites públicos e privados, inclusive comerciais, no esforço de garantir a todos acesso aos produtos e serviços disponíveis na sociedade.
 

Tempos atrás, o Cid chegou a ensaiar alguns passos na direção da política partidária, chegando a pensar numa eventual candidatura? Isso continua de pé? Seria algo específico para Mogi, São Paulo ou Brasília?


É um sonho, por enquanto. Talvez o futuro traga alguma oportunidade concreta de continuar contribuindo, dessa vez no Legislativo.
 

Como recebeu a notícia de que o nome de seu pai será dado ao Ginásio Paradesportivo de Mogi?


Trata-se de uma grande homenagem ao querido professor Cid Torquato e a toda nossa família. Meu pai foi uma pessoa muito bacana, filho e marido carinhoso, sério em seu trabalho como professor de Educação Física e, depois, como advogado, amigão de seus amigos, um ser simpático e generoso. Perdeu uma perna por problema de circulação, o que superou de forma exemplar. Agradeço ao prefeito e amigo Bertaiolli pela deferência. Espero que a população de Mogi desfrute plenamente dessa nova e relevante infraestrutura paradesportiva.



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