27 de jun de 2014

Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte (MG), inova ao lançar audioguia

Foto de uma mulher no Museu de Artes e Ofícios


Ao passear por um museu, visitantes têm a oportunidade de, na maioria dos casos, ler informações sobre os objetos expostos. 


Os textos são uma forma de contextualizar, por meio de dados históricos e acadêmicos, a importância daquela peça. 


Sem dúvidas, algo que enriquece a experiência, mas que torna-se limitada para estrangeiros e pessoas com deficiência visual e auditiva, caso o local não seja adequadamente equipado.


Esse é um problema que o Museu de Artes e Ofícios (MAO) acaba de resolver com a implantação de 30 audioguias com recursos interativos, que incluem vídeos explicativos em quatro idiomas – português, inglês, francês e espanhol – e também na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) e descrição por voz do acervo do espaço e acervo para os surdos. 


“Essa é uma iniciativa inovadora entre os museus brasileiros que garantirá mais acessibilidade para as todas as pessoas. Afinal, esse é um espaço público, criado e implantado com dinheiro público, por meio de leis de incentivo, e é nossa obrigação e dever, ter meios para receber o maior número de pessoas”, afirma a presidente do Instituto Flavio Gutierrez, mantenedor do MAO, Angela Gutierrez.

O audioguia é um tablet que está disponível para os visitantes mediante o pagamento de R$ 5. Pessoas com deficiências visuais, auditivas e professores têm o recurso disponibilizado gratuitamente


Para facilitar a navegação, o museu foi “dividido” em setores em um mapa que aparece na página inicial. Ao clicar em um dos setores, opções de vídeos informam sobre as 2.500 que compõem o museu.


“Foi um trabalho árduo de toda a equipe para produzir o material necessário e se familiarizar com esse tipo de prestação de serviço”, diz Angela, que justifica um dos motivos da ligeireza: 


“Aceleramos muito a inauguração do sistema para podermos ‘pegar’ a Copa do Mundo. Afinal, queremos receber muito bem os estrangeiros”.


A implementação do sistema levou cerca de um ano de trabalho e o investimento de R$ 100 mil. Para o diretor da empresa Era Virtual, responsável tanto pela virtualização do museu quanto pela inserção da tecnologia como possibilidade de visita no MAO, Rodrigo Coelho, o projeto foi pensado para atender visitas com durações variadas. 


“A gente sabe que o turista ou mesmo o visitante local às vezes não têm muito tempo. Por isso, o guia foi elaborado de maneira a informar tanto a pessoa que só tem 30 minutos para o passeio quanto aquele que tem o dia inteiro”, afirma. 


Na tela seguinte à seleção de um dos setores, é possível escolher um vídeo geral com cerca de um minuto e trinta segundos, ou outros com elucidações aprofundadas sobre o objeto.


Responsável pela implementação de audioguias em vários museus, Coelho não esconde a satisfação com o resultado que, segundo ele, é inovador quando comparado com museus da América Latina. 


“O uso de guias e sensores próximos aos objetos é mais comum. Mas disponibilizar um aparelho que dá liberdade para o visitante e toda essa interação é raro. Digo que criamos, na verdade, um ‘multiguia’”, afirma.


A preocupação com a acessibilidade de pessoas com limitações naturais, como surdos e portadores de deficiência visual, porém, não é novidade no MAO. ]


Em dezembro de 2013 foi iniciado um curso de Libra para monitores e educadores do local. 


“Ajuda muito no nosso trabalho porque temos parcerias com instituições para alunos surdos, que sempre vêm ao museu. Além disso, passamos a ter condições de receber apropriadamente dando boas vindas e explicando melhor o funcionamento do museu”, afirma a educadora do MAO, Dircilene Macedo.


Assim o museu segue uma demanda do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) de viabilizar acesso a toda população. “Com essas adaptações surdos e deficientes visuais podem realmente conhecer o museu e, de certa forma, resgatar sua própria cultura”, opina Coelho.

No Brasil


De acordo com a última pesquisa “Museu em Número”, realizada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), em 2011, apenas 25,2% dos museus no país possuem infraestrutura para receber turistas estrangeiros, o que inclui sinalizações e publicações em idiomas estrangeiros.


Fonte: O Tempo


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