18 de mar de 2016

Primeiro juiz com deficiência visual do Brasil fala sobre a Lei Brasileira da Inclusão (LBI)




Convidado para falar sobre as mudanças da Lei Brasileira de Inclusão (LBI), Dr. Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, 56 anos, paulistano que reside atualmente em Curitiba, esteve em Sergipe na última sexta-feira para realizar palestra organizada pelo Instituto Iluminar de Inclusão Social e demonstrou os desafios enfrentados no dia a dia de sua jornada enquanto primeiro desembargador do trabalho com deficiência visual.


Nasceu com baixa visão, ficou cego ainda nos tempos da faculdade, quando contou com apoio dos colegas que gravavam livros para que ele pudesse estudar e isso fez toda diferença em sua vida impulsionando sua formação. 


Estagiou enquanto acadêmico de Direito como auxiliar de Juiz, um estímulo para prestar concurso público para o Ministério Público Federal, onde exerceu a carreira de Procurador por 18 anos até ter sido nomeado pelo Presidente da República em 2009, tornando-se o primeiro juiz cego da história do Brasil, Desembargador Federal do Trabalho, em Curitiba.


Participou ativamente como relator durante a elaboração da Convenção das Pessoas com Deficiência pela ONU, finalizada em 2007, e na elaboração da Lei Brasileira de Inclusão (LBI), está dando oportunidade à quebra de barreiras para que outras pessoas possam seguir os caminhos da inclusão social e respeito à cidadania.


- A luta é coletiva, podem até dizer que você não é capaz, mas temos que brigar e buscar o Ministério Público, pois ele tem papel fundamental para o cumprimento desta lei e cabe às pessoas com deficiência unirem forças em busca dessas conquistas. 


A deficiência não está nas pessoas que tem uma limitação física, auditiva, visual ou mental, mas sim, nas barreiras que se impõem ao livre acesso à cidadania, sejam estas barreiras, de atitudes, tecnológicas, sociais, de transporte ou de comunicação.


- Podem até dizer que você não é capaz. Tenho muito orgulho de dizer que fui o primeiro juiz cego e temos que brigar por esta causa, cobrar da esfera pública e privada por direitos muitas vezes deixados para trás. Não é fácil, mas a união faz a força e muito tem sido feito para tal, explicou Dr. Ricardo.



"O Trabalho da Pessoa com Deficiência e a Lapidação dos Direitos Humanos”. 


Ao final da palestra, apesar de cansado, cantou junto com o auditório lotado, deixando a plateia presente ao Tribunal da Justiça do Estado de Sergipe com a sensação de que muito tem se conquistado, mas há muitos caminhos ainda a serem abertos, não somente pelos governantes, mas por toda sociedade.



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