28 de ago de 2012

Cadeirante enfrenta dificuldade em novo trem do metrô no Rio de Janeiro

Símbolo da acessibilidade
 Em março deste ano, André Melo de Souza surfou a famosa onda formada pela pororoca, no Rio Mearim, no Maranhão. Praticante do surfe adaptado, Andrezinho Carioca, como é conhecido no esporte, é cadeirante e não teve dificuldade tanto em vencer a força da água quanto em se deslocar numa cidade como a pequena Arari. 

Mas, no Rio de Janeiro, neste domingo (26/08), durante um teste proposto pelo jornal O GLOBO, a dificuldade apareceu: para conseguir entrar num vagão do novo trem do metrô, André precisou de habilidade extra. O problema: um desnível de cerca de dez centímetros entre a composição e as plataformas das estações.

“Essa diferença de espaço, para quem não tem a mobilidade que eu tenho, é muito considerável. Para entrar, precisei dar impulso e empinar a cadeira. A maior parte do segmento de pessoas que vivem em cadeira de rodas não faz isso. Creio que 90% dos cadeirantes não conseguiriam entrar sozinhos no vagão”, afirma o atleta que, em algumas estações, como a de São Cristóvão, enfrentou também a distância excessiva entre a plataforma e o trem.

Em agosto de 2000, André andava de moto quando sofreu um acidente e teve uma lesão medular. O interesse que tinha por esporte continuou depois disso. Já na cadeira de rodas, jogou handebol, basquete e fez parte da seleção brasileira de remo antes de ingressar no surfe. Sua capacidade de mover-se é, por isso, maior do que a da grande maioria dos cadeirantes. Durante a viagem de metrô com André, outros passageiros comentaram que, inclusive, a diferença de altura será prejudicial para todas as pessoas com alguma dificuldade de mobilidade, como pessoas com deficiência, idosos e gestantes.

André viajou com uma equipe do GLOBO, no fim da manhã no domingo passado (26/08). Ele pegou o metrô na estação Del Castilho e foi até a do Estácio. Em todas as outras paradas do trajeto — Maria da Graça, Triagem, Maracanã e São Cristóvão — foi constatada a mesma diferença de altura entre a composição e a plataforma. Na estação de São Cristóvão, especialmente, a distância também era mais acentuada do que nas outras. André lembra que o problema vai tirar a independência de muitas pessoas com deficiência:

“Apesar de ser atleta e ter agilidade com a cadeira, eu mesmo, às vezes, preciso da ajuda de alguém para entrar no metrô, especialmente quando está mais cheio. O acesso de cadeirantes nos transportes públicos é sempre muito difícil. No trem, por exemplo, a distância ainda é maior do que aqui. Por isso, ter mais um novo problema, este desnível, só dificulta um processo que já é muito complicado. A habilidade que eu tenho não é a realidade de todos”, disse.

Fonte: O Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário