31 de ago de 2012

Estudante de física e britânico recordista mundial desafiam hegemonia de Pistorius

Oscar Pistorius
Favorito nas provas de velocidade do atletismo na Paralimpíada de Londres, o sul-africano Oscar Pistorius encontrará dois fortes desafiantes na prova dos 100 m T44: o britânico Jonnie Peacock, detentor do atual recorde mundial na prova, e o americano Jerome Singleton

A disputa, cujas eliminatórias serão no dia 5 de setembro e a final será no dia 6, terá também brasileiro Alan Fonteles.

Mesmo tendo no currículo as atuais melhores marcas mundiais dos 200 m e dos 400 m T44, o antigo recorde mundial dos 100 m T44 e a experiência de uma Olimpíada - Pistorius se tornou neste ano o primeiro atleta biamputado da história a participar dos Jogos -, o velocista sabe das dificuldades da prova.

“Os 100m serão uma das provas mais difíceis, tem grandes competidores como o Jerome Singleton e o Alan. A diferença deve ser pequena. Eu ficarei feliz se conseguir ficar no Top 3. Será um grande desafio para mim”, ponderou.
 
O recordista mundial

Desafiante do sul-africano e com a torcida a seu favor, o britânico Jonnie Peacock está confiante para a competição. “Bater o recorde mundial foi uma sensação maravilhosa. Mas eu ainda acho que posso correr mais rápido. Estou muito ansioso para o início das competições nos Jogos Paraolímpicos", disse em entrevista ao jornal britânico The Sun.

Com apenas 19 anos, Peacock é fã de Pistorius e se inspirou no corredor sul-africano para começar carreira no esporte. "Eu estava sentado em casa um dia trocando de canais na televisão. Parei em uma corrida e tinha esse cara com pernas estranhas", conta. "Então quis dar uma chance".

Poucos anos depois de ver o ídolo na TV, o britânico competiu ao seu lado, na Copa do Mundo de Atletismo de 2010, em Manchester, na Inglaterra. "Eu estava na pista ao lado da do Oscar. Eu não podia acreditar. Eu era tão inexperiente e, mesmo assim, poderia conversar tranquilamente com ele na pista", revela.

Ídolo, Oscar Pistorius reconhece o bom desempenho do garoto e o vê como um desafiante a ser batido. "Jonnie é um ótimo garoto. Eu o respeito. Temos uma rivalidade positiva. Ele está no meu encalço e isso é bom para mim".
 
O estudante de física

Sem uma das fíbulas, o estudante de físcia americano Jerome Singleton aprendeu em suas aulas como potencializar o uso de sua prótese. Ele foi medalhista de prata na competição dos 100 m T44 na última edição dos Jogos, em Pequim, e agora, aos 26 anos, desafia o favorito Oscar Pistorius.

"Essa será uma das melhores corridas que o mundo já viu e ponto", declarou o norte-americano à agência de notícias Reuters, em Londres. "Quando você olha os Jogos Olímpicos você vê apenas Bolt. Mas quando acompanha a Paraolimpíada vê que há seis atletas a um décimo de segundo cada um. Teremos um final épico (na prova dos 100 m T44)".

Focado nos estudos sobre a sua condição física, o jovem de 26 anos descobriu a modalidade paraolímpica e acredita que pode melhorar, cada vez mais, seu desempenho. "Eu estudo matemática e física aplicada para aprender mais sobre mim. Então eu li sobre corredores com próteses. Agora, posso sair por aí e mudar a percepção de mundo de uma pessoa em 10, 11 segundos", conta.

Nos passos de Pistorius, Singleton gostaria de participar de uma Olimpíada. Mas, pela grande quantidade de atletas de alto nível em seu país, o norte-americano tem consciência da dificuldade. "Nós temos 50 estados diferentes que são quase como 50 países distintos. As chances de eu ser escolhido são mínimas. Mas se eu tenho desejo de ir a um torneio olímpico? É claro"
 
Brasil

Também desafiante de Pistorius na competição paraolímpica, o brasileiro Alan Fonteles foi recentemente elogioado pelo sul-africano. “O Alan é um grande competidor, muito forte. Ele apareceu a primeira vez há quatro, cinco anos e causou impacto. Desde então ele cresceu muito, ficou em terceiro no Mundial ano passado. Ele está muito mais forte”.

Aos 19 anos, o jovem Fonteles desponta como um sucessor de Pistorius, atleta que vem dominando as provas de velocidade do atletismo paraolímpico nos últimos anos e pleiteando uma oportunidade na "esfera olímpica". No entanto, apesar de admitir a inspiração no "revolucionário" sul-africano, o brasileiro descarta trilhar o mesmo caminho de busca de espaço em competição com adversários sem deficiência.

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