1 de ago de 2014

A criança hospitalizada e seu direito à educação



Muito falamos em educação inclusiva total como a única forma de acompanhamento educacional especializado. Nessa fala, nos esquecemos dos alunos em condições de hospitalização, que demandam de classes hospitalares ou acompanhamento pedagógico domiciliar. 


Agora você deve estar imaginando que somente pessoas que possam pagar tutores ou professores especializados, hospitais particulares e infra-estrutura necessária para que o processo ocorra é que terão esse direito assegurado. Se enganou, é dever do estado viabilizar educação a essas crianças em condições especiais.
 
As classes hospitalares e o atendimento pedagógico domiciliar garantirão que crianças, jovens e adultos impossibilitados, temporária ou permanentemente, de frequentar a escola, mantenham seu vínculo com o sistema regular de ensino por meio de um currículo adaptado, o que favorecerá o seu ingresso, retorno ou adequada adaptação ao espaço escolar correspondente, como parte do direito de atenção integral. 


É importante que o atendimento esteja vinculado a uma unidade pedagógica das Secretarias Estaduais, Distrito Federal e Municipais de Educação, bem como clínicas dos sistemas e serviços de saúde.
 
Os hospitais deverão solicitar às Secretarias de Educação o serviço de atendimento pedagógico hospitalar e é a Secretaria de Educação que deverá contratar e capacitar os professores, prover recursos financeiros e materiais para que o referido atendimento seja realizado.
 
Alguns de vocês devem estar pensando: lugar de criança é na escola. Eu também acho, mas nem sempre é possível e muitas vezes o processo de internação hospitalar se faz necessário. 


Nesse momento, vou ter que dizer, tudo bem, estamos lutando pela vida, a recuperação da saúde é o objetivo primordial tanto para os profissionais da educação como para os profissionais da saúde. 


É claro que mesmo nesse contexto, a educação cumpre seu papel fundamental em modificar o mundo, proporcionando para a criança o direito de receber educação.
 
À medida que o processo dessa ação educativa é dada no hospital, quebra a rotina hospitalar diária, tornando a vida menos dolorosa. Ela aproximará a criança do ambiente escolar e permitirá a construção do saber.
 
A formação dos professores desse ambiente tão especial deve ser diferenciada também. É de fundamental importância que eles conheçam as enfermidades ou patologias mais comumente encontradas nos hospitais, o conhecimento fará com que ocorra o respeito ao limite clínico de cada criança. 


O ambiente hospitalar e noções de primeiros socorros também devem ser de conhecimento do professor inserido no ambiente hospitalar.
 
Todas as crianças tem direito a educação. Sim, continuo a favor da educação inclusiva, mas como já disse anteriormente, a uma educação inclusiva consciente e responsável. Tenho medo da educação inclusiva radical. 


A classe hospitalar é uma possibilidade que nem todas as famílias cujas crianças estão hospitalizadas temporária ou permanentemente conhecem. É uma possibilidade que não é divulgada como deveria. Que tal começarmos a multiplicar essa ideia?


Matéria da Colunista:Erika Longone

Fonte: Vida Mais Livre


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