21 de ago de 2014

Jaú, em São Paulo, peca em acessibilidade nos bairros

Foto de uma rampa para cadeirantes em calçada
Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida têm direito de usar espaços públicos e se deslocar em segurança, conforme a Lei Federal nº 10.098, de dezembro de 2000, que define a acessibilidade como a condição que pessoas com deficiência têm de se locomover. 


Este direito, porém, é alvo de “brechas” referentes às estruturas dos municípios. Em Jaú, SP, a situação não é diferente. 


As condições de calçadas e comércios dificultam o bem-estar desse público e de idosos, que reivindicam melhorias.


O estudante de direito Paulo Sérgio de Freitas, 42 anos, teve poliomielite e precisa de cadeira de rodas para se locomover. 


Freitas afirma que a acessibilidade é utópica em Jaú, já que a cidade deixa muito a desejar nesse quesito. Uma de suas principais queixas é sobre a inacessibilidade nos bairros, uma vez que apenas a área central oferece condições melhores, mas relativas.


“Algumas rampas são intransitáveis para pessoas que não têm o preparo que eu tive desde criancinha para poder se locomover sozinha. Uma pessoa que sofre um problema de paraplegia hoje, por causa de um acidente de trânsito, tem problemas pelo peso do corpo, que continua; às vezes, o peso até aumenta. A pessoa não vai conseguir subir uma rampa”, pondera Freitas.


A arquiteta e urbanista Carolina Fomin, especialista em acessibilidade, esclarece que o ideal é que toda a cidade seja contemplada. 


“A gente tem que pensar que para o morador daquela residência (mais afastada) ir ao Centro, ele tem que sair da casa dele. Então, essa acessibilidade tem de acontecer por todo seu deslocamento, desde a calçada da casa dele. Tem que ter transporte para ir, calçadas adaptadas e o comércio teria que ser acessível também.”

Planejamento
 

A estudante Michelle Delfito, 22 anos, de Torrinha, cursa o terceiro ano do curso de psicologia e vem diariamente a Jaú, desde quando cursava o ensino médio. 


Ela tem paralisia cerebral leve e relata que encontra dificuldade para subir e descer degraus. Muitas calçadas no Município têm desníveis, o que prejudica a caminhada de pedestres com deficiência. 


“Para resolver, seria ideal fazer mais construções adequadas e tirar um pouco as escadas, colocar mais rampas”, sugere.


O aposentado Gregório Gonçalves, 87 anos, concorda que calçadas em más condições prejudicam pessoas que têm dificuldade para caminhar e que as condições são melhores no Centro da cidade. 


“Ando pouco porque tenho falta de ar, mas tem lugar que não dá para andar, tem calçada que é ruim e toda quebrada. O movimento de carros é muito grande. As calçadas, às vezes, são muito ruins, mas não são todas, no Centro está melhor”, fala.


Carolina ressalta que é mais fácil projetar os espaços da forma adequada do que ter, posteriormente, de adaptá-los.


“O custo da obra aumenta bastante, porque tem que destruir o que já foi feito, quebrar uma parede, trocar um vaso sanitário e fazer algo que não foi previsto. Quando um projeto já nasce com o pensamento em acessibilidade é infinitamente mais barato”.




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